por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

E o PSDB não era o guardião da moralidade ?

TRE de Roraima cassa mandato do governador e de vice

Do UOL Notícias, em São Paulo

  • José de Anchieta Júnior, governador de Roraima

    José de Anchieta Júnior, governador de Roraima

O TRE de Roraima cassou, por maioria, os mandatos do governador Anchieta Junior (PSDB) e seu vice, Chico Rodrigues por arrecadação ou gastos ilícitos de campanha. O julgamento encerrou em torno das 19h30 desta terça-feira (13).

A decisão será publicada nesta quinta-feira (15) no Diário da Justiça Eletrônico. Após a publicação, inicia-se o prazo de três dias para interposição de recursos. O Tribunal decidiu ainda que o governador e seu vice permanecem no cargo até o julgamento de eventuais recursos.

O MPE (Ministério Público Eleitoral) alega que os representados efetuaram gastos ilícitos e adquiriram 45 mil camisetas amarelas no valor de R$ 247.500, cujo objetivo era a distribuição aos eleitores de Roraima.

O ministério acusa ainda os políticos de terem efetuado movimentação financeira ilícita com despesas com pessoal no valor de R$ 5.521.455 e pagamento de colaboradores, em espécie, em desacordo com a legislação eleitoral.

A última acusação refere-se a utilização da empresa de transporte de valores Transvig para movimentação de R$ 800 mil que não foram recolhidos diretamente ao Banco do Brasil, mas ao Comitê do PSDB.

O OUTONO NA MINHA VIDA- Rosa Guerrera



Sempre gostei de viver e saborear de corpo e alma as estações da vida . Foi bom e positivo ter sabido colher flores primaverís , plantar rosas ,vivenciar amores, alimentar com todas as forças do meu Eu os momentos que os verdes anos espalharam nos mais diversos caminhos que trilhei.
Mas...pouco a pouco quase sem que eu pressentisse o calor do verão se aproximou com nuances mais coloridas e apaixonantes e eu comecei a rever os verdes sonhos como imágens apagadas onde raramente usei a razão .
E passos mais maduros foram me conduzindo a um caminhar mais prudência e sensatez.
E nessa nova etapa de vida aprendi a analisar melhor, sentir melhor , ser mais reservada , saber esperar a época da colheita e muitas vezes até me preocupei com a chegada do outono, ou com a chamada estação das rugas e dos cabelos brancos .
Mas inexoravelmente um dia ela chegou! ...
E hoje deitada nessa paisagem de outono que a vida me presenteou eu observo como cresceu o meu aprendizado e como é imensa a liberdade que possuo, sem mais grilhões ou restrições aos meus passos.
E olhando para trás vejo o quanto mudei!
O encantamento das outras estações foi na verdade apenas um pequeno exercício e uma preparação para uma maturidade sem mais portas abertas ás fantasias.
E é nessa estação outono que agora vivo , que sei existir muito mais garra dentro de mim, muito mais alicerce nos meus sonhos e menos pressa para sonhar ,porque tudo que ambiciono hoje eu o faço consciente , sem ultrapassar meu potencial , isenta de falsas e imaginárias expectativas , mas direcionada para aquele “ todo um sempre”.
E tudo ao meu redor se reveste agora de eterno , mesmo que dure apenas uma gota d’água , mas vivido com tamanha força que eu não temo mais a aproximação do inverno nem a destruição do amanhã ..
Nada é mais capaz de me abalar ! Já não temo a indiferença, o egoísmo , a decepção , os que me rejeitam , me ferem , me excluem ou tentam abalar minhas convicções.
Essa é a passagem do outono na minha vida .
A idade da liberdade de escolha, dos acertos, das novas qualidades , das verdadeiras descobertas , sem dúvidas, sem interrogações ...mas com a certeza de conquistas verdadeiras ...onde a mente não acompanha o envelhecimento do corpo ,mas aprimora cada vez mais o companheirismo entre a razão e o coração.

Tarde no Recife - Joaquim Cardozo



Tarde no Recife.
Da ponta Maurício o céu e a cidade.
Fachada verde do Café Máxime.
Cais do Abacaxi. Gameleiras.
Da torre do Telégrafo Ótico
A voz colorida das bandeiras anuncia
Que vapores entraram no horizonte.

Tanta gente apressada, tanta mulher bonita.
A tagarelice dos bondes e dos automóveis.
Um carreto gritando — alerta!
Algazarra, Seis horas. Os sinos.

Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem
[dos fidalgos holandeses.
Que assistem agora ao mar, inerte das ruas tumultuosas,
Que assistirão mais tarde à passagem de aviões para as costas
[do Pacífico.
Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
E da beleza católica do rio.

Boas Festas de Assis Valente - José do Vale Pinheiro Feitosa


Existe algo mais esperançoso do que uma festa que comemora o nascimento? Provavelmente existam de mais alegria, mais explosão de sentimentos. Mas a festa do nascimento é a festa da permanência, da renovação, do futuro.

De qualquer modo é uma festa para cima. Não sei por qual motivo festas para cima, e por isso mesmo têm músicas específicas delas, costumam trazer certo clima imerso no geral de uma nostalgia até mesmo de certa tristeza.

Existem marcinhas de carnaval que são verdadeiro adeus, mais comemoram a quarta feira de cinzas do que a evolução momesca. Um dos aspectos mais incidentes nestas marcinhas era a fugacidade do encontro, aquele amor de dia de carnaval e que depois sumia no ruído da galeria.

As músicas de Natal, além de comemorativas, são inerentemente melancólicas. Evocam passado remoto, um mundo que já não existe mais. Mesmo que o objeto revele em os presentes, há um bucolismo de desamparo, naqueles telhados cobertos de neve e a chaminé isolada na noite fria, a pulsar a fumaça da solidão humana.

De todas as músicas de natal a que mais me toca em nostalgia é a Boas Festas de Assis Valente. E isso foi um sentimento que nasceu da música mesmo, nada teve com a história do fim trágico desse grande compositor de Senhor do Bonfim na Bahia.

Boas Festas, cantado na voz de Carlos Galhardo, mas o Orlando Silva a gravou, além de inúmeros outros cantores, inclusive uma bela e moderna interpretação de Maria Bethânia. Na voz de Carlos Gargalho a música se espalhava pelas rádios do Crato nos desvãos da minha querida Batateira.

Longe da cidade, mas perto da vida. A música tem um peso do irrealizado, da impossível felicidade que não veio pelas mãos de Papai Noel.

Depois quando num momento especial da família, Maria Gisélia Pinheiro Feitosa já não andava pela calçada da frente da casa, esta música virou uma dor maior que sua nostalgia.

Mas não resta dúvida que a tristeza já estava nesta canção antes mesmo deste vazio de mãe.

Meu unicórnio azul sobre o brilho de uma música de Silvio Rodriguez - José do Vale Pinheiro Feitosa





Ligue o som e leia o texto.


Se de perdidos falasse,
Embarcaria todo um porto,
Uma floresta em fumaça,
Toda colheita da temporada,
Escaparia-me.

Se de achados contasse,
Uma monção d´água desabaria,
O Simum em tempestade de pó,
Toda a nevasca na encosta,
Soterraria-me.

Minhas perdas,
Meus achados,
Meus valores,
Minhas posses,
Meu eu.

Nem pessoa,
Nem objeto,
Achados e perdidos,
Uma portinhola identificada:
Serviços públicos.

Aperto um botão,
Fiat lux,
Revolto a torneira,
Aqua vasis,
Afago meu peito,
Achados e perdidos.

Quatro câmaras,
Duas válvulas,
Na ponta pesco,
Meus achados e perdidos,
Um cor azul.

Um coração de anil.
Postado por José do Vale Pinheiro Feitosa às 22:43 1 comentários
Boas Festas de Assis Valente - José do Vale Pinheiro Feitosa
video

Me gustas cuando callas - Pablo Neruda




Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

ESPÍRITO NATALINO - por Ulisses Germano



UMA QUINTA

SE EXISTE ALGO MAIOR
QUE A TAL FELICIDADE 
EU DESEJO PRA VOCÊ
O MELHOR DA LEALDADE
É SER FIEL SEM SABER

UMA QUADRA

OS AMIGOS QUE SÃO POUCOS
PARA MIM É MULTIDÃO
OS SÁBIOS TAMBÉM SÃO LOUCOS
POR EXESSO DE PAIXÃO

UMA TERÇA

VEJA SÓ COMO É QUE É
NO NATAL TODAS AS ARMAS
VÃO BATER O CATOLÉ

UMA DUAS

CONHECI UM DITO CUJO
CUJO NOME ERA NINGUÉM


UMA UMA

O SILÊNCIO TAMBÉM TOCA


Ulisses Germano
Crato-CE.




Por Rosa Guerrera



Hoje lembrei a Bahia
num lembrar morno, gostoso...
Num lembrar que em versos ouso
um poema lhe cantar.

Cantar o céu e o mar,
as ladeiras, as Igrejas,
o Pelourinho, as pelejas
dos que morreram a lutar. .

Essa Bahia que canta
também seu canto ao turista
e num abraço convida
o visitante a sonhar!
Cidade do Elevador,
dos museus,da capoeira,
de baianas bem faceiras...
nas noites lindas, o luar !

O Bonfim de mil milagres,
o Mercado, as barracas,
as velas brancas deitadas
cochilando a beira mar!

Lembrei dentro da saudade
as velhas negras baianas
que a terra se ufana
do acarajé a cheirar...

Ah Bahia hoje te penso
num sonho mais realidade...
Salvador vem no meu peito
transformado em saudade!
Saudade que lá ficou
numa praia ou numa esquina,
numa ladeira,na Sé ,
talvez numa noite fria,
Quem sabe num tabuleiro da preta Joana ou Maria ...
O certo é que é saudade
De Salvador ... da Bahia !


( Com um abraço da Rosa )

Por José do Vale Pinheiro Feitosa


Se aqui dissesse da grande saudade que tenho da paisagem do sítio em que nasci. Sua vida arcaica, suas histórias que pareciam uma ampulheta: o tempo corre, mas vejo simultaneamente o gargalo por onde ele escorre, o monte de seu passado se formando e o futuro acima ao curso do presente.

Ampulheta é o instrumento por excelências desta filosofia que perdura, mantém-se como uma saudade imensa daquele Crato que tão vivo me sufoca o respirar. A ampulheta que nega todas as categorias desta banalidade moderna, fugaz, que parece esquecer numa dormência de velhice a ameaçar-lhes a juventude. A ampulheta é algo impressionante. Basta que se inverta sua base para que imediatamente o passado acumulado se torne o futuro escorrendo para o presente a formar o passado.

Se aqui dissesse da grande saudade que tenho do Sítio Batateira e da cidade do Crato o quê pensariam do natal? Desta festa do alvorecer? Dos dias até que se conte o ano novo? Desta renovação que liga o presente ao futuro? Saudade não rima com natal, mas a minha é mesmo desta cidade, não apenas da idade, mas de toda a festividade que é milenar e se traduz na mesma (como é da natureza da saudade) eternidade de um menino que se diz Deus.

SIVUCA


Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca, (Itabaiana, 26 de maio de 1930 — João Pessoa, 14 de dezembro de 2006) foi um dos maiores artistas do Nordeste do Brasil do século XX, responsável por revelar a amplitude e a diversidade da sanfona nordestina no cenário mundial da música. Exímio executante da sanfona, multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor, orquestrador e cantor.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"A Privataria Tucana" - Vídeo

Vale a pena conferir !!!




Dezembros...-Por Socorro Moreira




O passado é repassado
Revivo fora de cena
Sensações na lembrança...
Sem a dor do esquecimento!

O presente é vazio
Conta, reconta, apaga, cria!

O amor é doedeiro?
-Um bem sem cura
Se findasse, se eternizaria!

Amor sem explicação?
Claro que elas existem
Reunidas numa só verdade:
Somos humanos!
Tolamente apaixonados pela vida...
Aquela vivida e
Aquele porvir...
Com mistérios!

Gosto dos dezembros
Aqueles com meus pais e irmãos pequenos
Aqueles com avós, tios e primos
_ hoje, todos longe do Nós!

Gosto deste dezembro
Com filhos, netas, e tantos amigos
Gosto de Dona Almina
Alminha linda
Tão nossa, tão minha!

Gosto de esperar o sono
Rascunhando o que não penso...
Apenas sinto!

Pereço neste dilema:
Durmo junto de um poema ou
Acordo poesia?


Na Rádio Azul , uma música linda, e quase esquecida...

Sonho E Saudade
Tito Madi

Tantos sonhos eu tive
E eu sonhei com você
Foram sonhos tão tristes
Que eu sonhei com você
A saudade povoa os meus sonhos
Sofre o meu coração
A tristeza me surge nas noites
Tudo é solidão
Mas na realidade
Você também é assim
Vive eterna saudade
Dá desgostos pra mim
E então, eu pergunto porque´
Sem motivo e razão, a sofrer
Este meu coração
Gosta tanto de você
Gosta tanto de você
Tanto, tanto de você

"A Privataria Tucana" - José Nilton Mariano Saraiva

Só pra “abrir o apetite”, um breve e “inocente” trecho do livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Ribeiro Júnior (baseado em documentos de conhecimento da Justiça), já esgotado em todas as livrarias (sugerimos, a quem se interessar, solicitar à Editora FNAC – www.fnac.com.br). Como se poderá observar, o PIG (partido da imprensa golpista), “lavou a burra” (e ainda tem alguns coitados – ou seriam ignorantes - que ignoram tamanho assalto).
Convém atentar, ainda, que num outro trecho temos o depoimento sobre a “participação cearense” (família Jereissati), corrompendo com dinheiro grosso, além, é claro, de FHC, Serra e sua filhota querida, Mendonça de Barros e por aí vai.
*******************
Trecho do livro:
“Mas por que a mídia defendia – e continua defendendo – tanto a privataria tucana? Simples, porque enquanto publicava editoriais aos quais FHC e Mendonção se referiram naquelas gravações, tratava de fazer bons negócios com o que estava sendo vendido a preço de banana.
Veja a seguir, leitor, cada negócio que esses barões da mídia tão zelosos com o dinheiro público fizeram na época da privataria tucana enquanto a defendiam sem informar aos seus leitores que tinham interesse direto no que estava sendo doado pelo governo ao setor privado.
A família Mesquita, do Estadão, saiu do processo de privatização como sócia da empresa de telefonia celular BCP (atualmente, Claro) na região Metropolina de São Paulo. O Grupo OESP (Estadão) ficou com 6% do consórcio, o Banco Safra com 44%, a Bell South (EUA) com 44% e o grupo Splice com 6%.
Já a família Frias, dona da Folha de São Paulo, aproveitou a liquidação da privataria para adquirir opção de compra de 5% do consórcio Avantel Comunicações – Air Touch (EUA) 25% e grupo Stelar mais 25% -, que ficou com 50% da telefonia paulistana, tendo a construtora Camargo Correa comprado mais 25% e o Unibanco os 25% restantes.
Finalmente, a família Marinho. Mergulhou fundo na Globopar, empresa de participações formada para adquirir parte da privataria, tendo comprado 40% do consórcio TT2, que disputava a telefonia celular nas áreas dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, ficando o resto com a americana ATT, que comprou 37%, com o Bradesco, que comprou 20%, e com a italiana Stet, que se contentou com 3%.”

OS MAIORES BRIGÕES: entidades mais acionadas na Justiça


1 – INSS
2 – Caixa Econômica Federal
3 – Fazenda Nacional
4 – União
5 – Banco do Brasil S. A.
6 – Estado do Rio Grande do Sul
7 – Bradesco
8 – Itaú
9 – Brasil Telecom
10 – FINASA

O Conselho Nacional de Justiça divulga, desde março, a relação das entidades com maior quantidade de ações na justiça. Os campeões de reclamação são os listados acima, cabendo o primeiro lugar ao INSS. Entre os 100 maiores, 34 são Instituições financeiras. No item bancos, os maiorais são: CEF (2º), BB (5º), Bradesco (7º), Itaú (8º), FINASA (10º), Santander (13º), ABN Amro Real (14º), HSBC (16º), Nossa Caixa (18º) e Unibanco (19º).
Empresas de Saúde e Seguradoras também gostam de espertezas: a Itaú Seguros aparece em 37º lugar, a UNIMED em 41º e a Bradesco Vida e Previdência está em 64º lugar.
Por setor, o maior litigante é o Governo Federal, com 38% das ações. Colado a ele, empatado com outros 38%, estão os Bancos. Em terceiro lugar, bem abaixo dos líderes, está o setor de telefonia, com 8% das demandas judiciais.

CORDEL NATALINO - por Ulisses Germano


CORDEL NATALINO
(Ulisses Germano)
Dedicado a todos que acreditam na vida apesar de tudo!


Pra todo mundo do mundo
O amor há de reinar
A paz de um só segundo
Faz a vida melhorar
No Natal que se aproxima
Todos vão olhar pra cima
E ver o sonho reinar


Não importa a utopia
Bom mesmo é ter na lembrança
Que a tristeza e a alegria
Estão postas na balança
E que o caminho do meio
É seguir sem ter receio
De ter fé e esperança


A verdade absoluta
Quem a tem é mentiroso
Já que a vida é uma luta
Entre a calma e o alvoroço
O jeito é respirar fundo
E viver cada segundo
Como um ser vitorioso


Veja só o quanto é raro
Nascer como um ser humano!
Ter uma mente e um faro
Pra intuir sem ter engano
É no caminho da venta
Que a gente segue e inventa
A alegria do outro ano


Sendo assim, vou renovar
Desejando pra vocês
Que o amor entre no ar
perfumando cada mes
A casa do inquilino
Onde o espirito natalino
Será a bola da vez

Ulisses Germano 
Crato-CE.

Este Natal - Carlos Drumond de Andrade


Este Natal

Carlos Drummond de Andrade


— Este Natal anda muito perigoso — concluiu João Brandão, ao ver dois PM travarem pelos braços o robusto Papai Noel, que tentava fugir, e o conduzirem a trancos e barrancos para o Distrito. Se até Papai Noel é considerado fora-da-lei, que não acontecerá com a gente?

Logo lhe explicaram que aquele era um falso velhinho, conspurcador das vestes amáveis. Em vez de dar presentes, tomava­os das lojas onde a multidão se comprime, e os vendedores, afobados com a clientela, não podem prestar atenção a tais manobras. Fora apanhado em flagrante, ao furtar um rádio transistor, e teria de despir a fantasia.

— De qualquer maneira, este Natal é fogo — voltou a ponderar Brandão, pois se os ladrões se disfarçam em Papai Noel, que garantia tem a gente diante de um bispo, de um almirante, de um astronauta? Pode ser de verdade, pode ser de mentira; acabou-se a confiança no próximo.

De resto, é isso mesmo que o jornal recomenda: "Nesta época do Natal, o melhor é desconfiar sempre”.Talvez do próprio Menino Jesus, que, na sua inocência cerâmica, se for de tamanho natural, poderá esconder não sei que mecanismo pérfido, pronto a subtrair tua carteira ou teu anel, na hora em que te curvares sobre o presépio para beijar o divino infante.

O gerente de uma loja de brinquedos queixou-se a João que o movimento está fraco, menos por falta de dinheiro que por medo de punguistas e vigaristas. Alertados pela imprensa, os cautelosos preferem não se arriscar a duas eventualidades: serem furtados ou serem suspeitados como afanadores, pois o vende­dor precisa desconfiar do comprador: se ele, por exemplo, já traz um pacote, toda cautela é pouca. Vai ver, o pacote tem fundo falso, e destina-se a recolher objetos ao alcance da mão rápida.

O punguista é a delicadeza em pessoa, adverte-nos a polícia. Assim, temos de desconfiar de todo desconhecido que se mostre cortês; se ele levar a requintes sua gentileza, o melhor é chamar o Cosme e depois verificar, na delegacia, se se trata de embaixador aposentado, da era de Ataulfo de Paiva e D. Laurinda Santos Lobo, ou de reles lalau.

Triste é desconfiar da saborosa moça que deseja experimentar um vestido, experimenta, e sai com ele sem pagar, deixando o antigo, ou nem esse. Acontece — informa um detetive, que nos inocula a suspeita prévia em desfavor de todas as moças agradáveis do Rio de Janeiro. O Natal de pé atrás, que nos ensina o desamor.

E mais. Não aceite o oferecimento do sujeito sentado no ônibus, que pretende guardar sobre os joelhos o seu embrulho.

Quem use botas, seja ou não Papai Noel, olho nele: é esconderijo de objetos surrupiados. Sua carteira, meu caro senhor, deve ser presa a um alfinete de fralda, no bolso mais íntimo do paletó; e se, ainda assim, sentir-se ameaçado pelo vizinho de olhar suspeito, cerre o bolso com fita durex e passe uma tela de arame fino e eletrificado em redor do peito. Enterrar o dinheiro no fundo do quintal não adianta, primeiro porque não há quintal, e, se houvesse, dos terraços dos edifícios em redor, munidos de binóculos, ladrões implacáveis sorririam da pobre astúcia.

Eis os conselhos que nos dão pelo Natal, para que o atravessemos a salvo. Francamente, o melhor seria suprimir o Natal e, com ele, os especialistas em furto natalino. Ou — idéia de João Brandão, o sempre inventivo — comemorá-lo em épocas incertas, sem aviso prévio, no maior silêncio, em grupos pequenos de parentes, amigos e amores, unidos na paz e na confiança de Deus.

(14-12-1966)


Texto extraído do livro "
Caminhos de João Brandão", José Olympio Editora


ADÉLIA PRADO
Clareira

Seria tão bom, como já foi,
as comadres se visitarem nos domingos.
Os compadres fiquem na sala, cordiosos,
pitando e rapando a goela. Os meninos,
farejando e mijando com os cachorros.
Houve esta vida ou inventei?
Eu gosto de metafísica, só pra depois
pegar meu bastidor e bordar ponto de cruz,
falar as falas certas: a de Lurdes casou,
a das Dores se forma, a vaca fez, aconteceu,
as santas missões vêm aí, vigiai e orai
que a vida é breve.
Agora que o destino do mundo pende do meu palpite,
quero um casal de compadres, molécula de sanidade,
pra eu sobreviver. 


(Gosto de Adélia como gosto das minhas comadres e dos meus compadres, que me visitam e trocamos notícias, ouvimos música, vemos um filme... e depois partimos, cada um para sua vida inventada, vamos bordar nossas toalhas e esperar que anoiteça só pra olhar para as estrelas)

O arroz integral - Emerson Monteiro

Ninguém sabe o valor de um livro bom antes de começar a ler. Assim também acontece em relação aos alimentos. Ninguém sabe a riqueza e o prazer de um alimento sem antes conhecê-lo à mesa. O arroz integral se encaixa bem nesse conceito. Além do seu excepcional valor nutritivo, quando bem mastigado revelará sabor jamais previsto aos que desconhecem a importância das suas qualidades.

Na década de 70, em face de sérios problemas na saúde, estudei alimentação oriental, com ênfase na Macrobiótica Zen, dieta japonesa que se espalhara pelo mundo após a Segunda Guerra, trazida do Japão pelos ocidentais.


A Macrobiótica prioriza o arroz integral dentre os alimentos utilizados pelos seres humanos. Dotado de propriedades curativas, semelhante a outros cereais integrais, predomina à mesa dos orientais, sobretudo chineses, japoneses, vietnamitas, impondo formas e usos inclusive na medicina chinesa. Segundo a cultura tradicional desses povos, o arroz integral possui composição suficiente de alimentar o organismo durante meses seguidos, oferecendo base nutricional capaz de curar graves enfermidades, aumentando a imunidade e evitando males degenerativos.


De acordo com as informações dos estudiosos, quem utiliza esse produto diariamente se nutre de maneira mais saudável. Após analises de dados recolhidos entre 25 mil crianças e adultos, nos anos de 1999 a 2004, pesquisadores americanos consignaram que entre os apreciadores desse cereal não havia carência de nutrientes essenciais para o organismo, como ácido fólico, potássio e outras vitaminas do complexo B, segundo o site saúde.abril.com.br.


Além da oferta de bons resultados nutricionais, a utilização do arroz integral mantém o peso corporal enquanto reduzirá gradativamente gorduras abdominais acumuladas, isto sem consequências paralelas.

A diferença de arroz integral em face do arroz branco leva em conta a preservação da membrana externa que envolve seu conteúdo. A película que reveste o grão do arroz integral é rica em hidratos de carbono, óleos, proteínas, vitaminas: A, B1, B2, B6, B12, niacina, ácido nicótico, ácido pantatênico, provitaminas C, E, e minerais em grande quantidade. Quando é retirada a película, a grande maioria destes componentes/nutrientes se perde. (
http://pt.petitchef.com).

De tal modo possui o arroz integral riquezas e propriedades que as pessoas devem conhecer mais a seu respeito, visando sobremodo eficiência alimentar e uso aperfeiçoado de conceitos da cultura humana para resultados salutares eficientes.


Há duas, três décadas, só as lojas especializadas ofereciam o produto, quando agora em qualquer supermercado existe para compra.



"A dor do amor"- Mote da Ângela Lôbo



Se você não conhece a dor
E não deseja sofrer,
Amigo, não se permita
Experimentar o amor.
 
Ângela Lôbo




O amor que nos inebria
sacode,mexe e revitaliza,
prefiro viver esse sofrer
e sentir algo que me "alcooliza"

Liduína Belchior


Se pudesse escolher
eu nunca desistiria
amava sem sentir dor
vivia em pleno amor

socorro moreira


O amor dói, mas é bom,
e sofrer é prazeroso
dá pra nossa vida o tom
e o ritmo delicioso!


Bastinha Job

E o desafio continua ...


Chove sem parar
E eu procurando um cheiro de chuva que não há
O dia parece que não acorda
Fica enrolado noutro céu
As pessoas não chegam, nem saem
É assim no interior...
É assim num coração de aposentada

Sinto falta do sol
Quando a chuva vira cortina da minha janela

Que a nossa luz interior
Ilumine este dia de dezembro
- Único em nossas vidas!

socorro moreira

foto da internet





Explicação de Poesia Sem Ninguém Pedir

Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica,
mas atravessa a noite, a madrugada, o dia,
atravessou minha vida,
virou só sentimento.

Adélia Prado



Com licença poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
-- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Adélia Prado


Por Adélia Prado


Moça na cama

Papai tosse, dando aviso de si,
vem examinar as tramelas, uma a uma.
A cumeeira da casa é de peroba do campo,
posso dormir sossegada. Mamãe vem me cobrir,
tomo a bênção e fujo atrás dos homens,
me contendo por usura, fazendo render o bom
. Se me tocar, desencadeio as chusmas,
os peixinhos cardumes.
Os topázios me ardem onde mamãe sabe,
por isso ela me diz com ciúmes:
dorme logo, que é tarde.
Sim, mamãe, já vou:
passear na praça em ninguém me ralhar.
Adeus, que me cuido, vou campear nos becos,
moa de moços no bar, violão e olhos
difíceis de sair de mim.
Quando esta nossa cidade ressonar em neblina,
os moços marianos vão me esperar na matriz.
O céu é aqui, mamãe.
Que bom não ser livro inspirado
o catecismo da doutrina cristã,
posso adiar meus escrúpulos
e cavalgar no topor
dos monsenhores podados.
Posso sofrer amanhã
a linda nódoa de vinho
das flores murchas no chão.
As fábricas têm os seus pátios,
os muros tem seu atrás.
No quartel são gentis comigo.
Não quero chá, minha mãe,
quero a mão do frei Crisóstomo
me ungindo com óleo santo.
Da vida quero a paixão.
E quero escravos, sou lassa.
Com amor de zanga e momo
quero minha cama de catre,
o santo anjo do Senhor,
meu zeloso guardador.
Mas descansa, que ele é eunuco, mamãe.

Os versos acima, publicados inicialmente no livro "O Coração Disparado", foram extraídos de "Adélia Prado - Poesia Reunida", Editora Siciliano - São Paulo, 1991, pág. 175.


Adélia Prado




Adélia Luzia Prado Freitas (Divinópolis, 13 de dezembro de 1935) é uma escritora brasileira. Os textos retratam o cotidiano com perplexidade e encanto, norteados pela fé cristã e permeados pelo aspecto lúdico, uma das características o estilo único.

Segundo Carlos Drummond de Andrade, "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis". A escritora também é referência constante na obra de Rubem Alves.

Professora por formação, exerceu o magistério durante 24 anos, até que a carreira de escritora tornou-se a atividade central.

Em termos de literatura brasileira, o surgimento da escritora representou a revalorização do feminino nas letras e da mulher como ser pensante, tendo-se em conta que Adélia incorpora os papéis de intelectual e de mãe, esposa e dona-de-casa; por isso sendo considerada como a que encontrou um equilíbrio entre o feminino e o feminismo, movimento cujos conflitos não aparecem nos textos.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Recado para um afeto amigo de tempos distantes- Por Socorro Moreira



Hoje cruzei no mundo virtual com um afeto amigo de muitas décadas atrás. Meu reconhecimento foi imediato. Ele não perdeu em elegância e sutileza... Só não sei é se ainda dedilha umas bossas no piano.
O tempo passa mas deixa um rastro de luz , em todos os nossos encontros. Porisso o reencontro em qualquer dia do futuro pode acontecer.
Se você nos visitar, menino ariano, seja muito bem-vindo !
Adotei você como meu amigo secreto.
Se não me falha a memória és fluminense, torcedor do Salgueiro e Beija-Flor, amante da boa música e da gastronomia.
Que tal uma bacalhoada, arroz com brócolis ?
Um vinho branco, português ...
A massa pode ser nhoque,
ao molho de espinafre ou bertalha
A mesa pode ser posta ? !
E por falar em saudades, "Onde anda você ?"

Nossos sentidos além de absorver a filigrana de milhões de coisas é o maior centro da síntese humana. Nenhuma referência é mais forte do que um perfume, um gosto, uma audição, um olhar ou um toque. Apenas a insinuação de qualquer um se torna um quantum, um momentum sintético de enredos completos ou de um discurso inteiro.

(José do Vale Pinheiro Feitosa)

Luiz Gonzaga - Por Norma Hauer


Ele nasceu em 13 de dezembro de 1912 na cidade de Exu, interior de Pernambuco. Recebeu o nome de Luiz Gonzaga do Nascimento e se tornou conhecido em todo o Brasil como LUIZ GONZAGA, o "Rei do Baião".

Por que recebeu esse nome ? seria por ser o mesmo de seu pai?

Não, seu nome foi decorrente de fatos que "se ligaram" nessa data:

1° - por ser o dia de Santa Luzia (daí Luiz)
2°- Se São Luiz era Gonzaga, ele também o seria
3° - Nascimento, por ser o mês de Natal.

Essas coisas só aconteciam no interior e em épocas lá para trás.

Caso semelhante ocorreu com Ataúlfo Alves, que sempre dizia não saber de onde teria vindo o Alves de seu nome.

Bom, Luiz era filho de Ana Batista, conhecida por Santana e de um sanfoneiro, que tocava sanfona de oito baixos.
Luiz, já famoso, compôs o "xote" :"Respeita Januário"..."respeita os oito baixos de seu pai" .
Assim, nasceu e cresceu no meio de música. Portanto, natural que também vivesse de música.

Veio para o Rio de Janeiro em 1940 e passou a se apresentar em botecos e bares da Lapa e do Mangue, ao mesmo tempo que "enfrentava" Ari Barroso em seu programa de calouros e Renato Murce em "Papel Carbono".

Depois de gravar alguns "xotes" conheceu Humberto Teixeira e, juntos, compuseram o primeiro baião que se tornou conhecido aqui: "Baião", gravado pelos "Quatro Ases e Um Coringa" .

Depois vieram "Lorota Boa", "No Meu Pé de Serra", "Mangaratiba" , Paraíba" e o que mais consagrou a dupla "Asa Branca", seguida de " Assum Preto".

Vê-se que os maiores sucessos de Luiz Gonzaga foram os que fez com Humberto Teixeira, que se tornou conhecido como o "Doutor do Baião".

Luiz sempre dizia que sua sorte foi ter conhecido Humberto Teixeira, autor das letras de suas composições.
Ouvi, dirtetamente dele, essa "confissão".
Hoje, Luiz Gonzaga é nome do centro de nordestinos em São Cristóvão enquanto de seu parceiro, Humberto Teixeira, quase não se fala.

Luiz Gonzaga , um nome respeitado, foi certa vez a sua terra natal : (Exu) para acabar com uma briga tradicional entre famílias rivais. Teria conseguido? Parece que sim.

No dia 2 de agosto de 1989, aos 76 anos, Luiz Gonzaga faleceu em Recife-Pernambuco..

Norma

Olhar castanho - por Socorro Moreira


Olhar que aperta o céu,
e faz chover em mim ...
.
atiça, pergunta ,
sorri ...
.
olhar sempiterno
penetra e fica,
na menina dos meus...

Brincando com fogo - por Socorro Moreira


Delicadeza

O vento barulha
nas folhas secas da serra
nos telhados e janelas
canta rouco, canta fino
sibilante como cobra
irritante como o grilo

Adoro a zoada que a natureza orquestra
Fico calma, delicada,
e penso numa orquídea, enfeitando
a minha casa!



Casamento poético

Namoro tudo que eu quero
Sem pensar, no juntar dos trapos
Penso apenas, no cruzar de versos...
Enxoval sem lençóis bordados !


Viola calada

Na boca da noite tem vinho
No vento da madrugada, poesia
Nas cordas do violão... Paixão!

Foi muita lua
Mas o sol sempre impõe
o clarão da razão!

Para Sauska - do amigo secreto


sinto que

me acendes uma chama

no mais subterrâneo recôndito

luz, calor , desejo

e enquanto escrevo

está sendo eterno

depois que voar daqui

eu findo


Doce mulher

nascida

brusca

sauska

há resquícios de vida

ao longe

João e Maria - para os amigos secretos - do amigo secreto




Não sou a fonte para a sede
nem a palha pro repouso
Doer ..." já finjo que é dor
a dor que deveras sinto"
Sangrar ...
Já finjo que não sinto
Tive tremeliques
quado recebi pontinhos
cheios de silêncio...
e ainda hoje os espero.
São como milho
ou o miolo de pão
do Joãzinho e Maria
marcando um caminho...
Mas
se sou bruxo
tenho o direito de oferecer
a gaiola/prisão
água fervente/caldeirão

O caminho
é uma busca incessante...
"Só peço a Deus que vos guarde
na palma da sua mão"!

Espera , no fim da linha - por Socorro Moreira




Leio silêncios
Esqueço
até por momentos ...
E fio,
dias a fio...
Desafio !


A relação se perde,
e fica na espera
do constante ressurgir


Amor que não azucrina
ultrapassa a linha,
os limites do entender.

Flores brotam
estrelas brilham
sol cintila
vozes gritam ...
Amor sem fim !

Na Rádio Azul


O DEUS DE CLARICE LISPECTOR

                                                                      Clarice Lispector no Vesúvio en 1945



O DEUS DE CLARICE LISPECTOR

Há trinta anos morria Clarice Lispector, a escritora que abalou a literatura brasileira pela contundência de sua linguagem que tentava desvendar o mistério da existência com palavras claras e obscuras a um tempo, de grande beleza poética, de inquietação, de perturbação, espanto e maravilhamento. Com dezessete anos de idade escreveu “Perto do Coração Selvagem”, e era como se estivesse surgindo uma obra de gênio. Era como se valesse o adágio: “O gênio nasce feito.” Mas Clarice trabalha incansavelmente. A sua genialidade era uma busca contínua da palavra certa, que clarificasse os escaninhos obscuros do ser.
Comecei o meu conhecimento de Clarice com “A Paixão Segundo G. H.”: é o começo mais difícil, intrincado, um labirinto de luzes que se acendem umas sobre as outras e cegam o leitor. É muita claridade, e claridade entrando-se num mundo de trevas, alcançada com o estupor, com o nojo. É a epifania do ser diante do nojo, o ser se encontra, se descobre diante de outro ser, asqueroso, repulsivo, representado pela barata. Eu sou um mistério para mim mesma, dizia Clarice, e vivia desvendando os véus desse mistério, ofertando-nos a claridade que dele advinha. 
Foi no conto que Clarice mais se realizou, nessa arte da síntese que a levou e que ela levou ao âmago da problemática do homem, que se interroga, perplexo, à busca do que ele é em si. “Feliz Aniversário” é o melhor que ela criou, um triste retrato da solidão familiar, no tempo em que ainda havia grandes famílias, no entanto já mal estruturadas. Criou algumas peças notáveis, extraordinárias, mas vou hoje me deter sobre uma quase insignificante, de tão esquecida: “Perdoando Deus”. É bom lembrar esse encontro de Clarice com Deus, ela que, depois de tanto investigar o mistério, já penetrou no Mistério.
É a história de uma personagem que olhava distraída o mar e de repente se sente a mãe de Deus. Como o homem é o que ele escreve, vou dizer sem medo de errar que aquela personagem era Clarice. Quem se sentiu com o carinho de uma mãe pelo filho era Clarice. O interessante, o totalmente novo é que esse filho era Deus. Sabia que se ama a Deus com respeito, medo, solenidade. Mas o carinho maternal por Deus era absolutamente estranho. Assim como o carinho por um filho não o reduz, mas o alarga, diz, assim era maior o seu amor.
Foi quando quase pisou num rato morto. E entrou em pânico, controlando como podia o seu mais profundo grito. Desde o início do mundo sentia um pavor dos ratos, que a devoravam. E era como se Deus lhe lançasse na cara um rato. Ela amando-O com amor maternal, Ele insultando-a com brutalidade. Decidiu, então, vingar-se. Mas descobre que o rato é o mundo. Ela se julgava forte, porque, compreendendo, amava. Descobriu que se ama verdadeiramente somando as incompreensões, que amar não é fácil. É preciso amar primeiro a nossa própria natureza, depois o seu contrário, Deus.
Queremos amar a Deus só porque não nos amamos. É uma espécie de compensação. Conclui: “Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.” Dizem que o homem inventou Deus porque não consegue explicar o universo. Clarice aprende que isso está errado. Como Santo Agostinho, descobre que devemos procurar Deus dentro de nós.
O grande católico Alceu Amoroso Lima diz, dela, que a presença invisível de Deus não se expressa pela invocação do seu Nome, mas que o silêncio pode ser o sinal mais seguro de sua realidade. E conta que Clarice ofereceu-lhe o seu último livro com uma dedicatória, escrita um mês antes de morrer, terminando sua demonstração de afeto com estas palavras claras e decisivas: “Eu sei que Deus existe.”                                                                        (2007)





"Onde anda você, Maria de Fátima ???" - José Nilton Mariano Saraiva

Em Fortaleza, num desses ambientes onde se reúnem mulheres a serem cortejadas, ela era unanimidade e compreensivelmente pra ela convergiam os olhares, as fantasias e os corações daqueles alegres e falantes marmanjos, todos já “encharcados” de álcool até o gogó. Assim, presumindo que com o nosso estilo discreto e reflexivo dificilmente conseguiríamos algo ante tantas feras de porte atlético privilegiado e verborragia (teoricamente) envolvente, preferimos ficar na nossa, observando o ambiente, curtindo o som e “deglutindo” uma geladinha.
De repente, às nossas costas, aquele toque suave no ombro; e, ao virarmos pra conferir, deparamo-nos com o mais belo (embora discreto) sorriso que alguém possa imaginar, seguido da sussurrada e inolvidável indagação: “E você, não quer ficar comigo ???”.
Foi assim que conhecemos a meiga Maria de Fátima.
Altura mediana, clara, cabelos castanhos, olhos discretamente ao estilo japonês, nariz perfeito, dentes impecavelmente alvos, lábios carnudos e... “cheinha”. Já no quarto, ao desnudar-se, uma visão deslumbrante, arrebatadora, digna de ser retratada por um desses pintores clássicos e posta num pedestal pra ser admirada por gregos e troianos: seios medianos e rijos, cintura fina, coxas firmes e pra lá de torneadas. Enfim, tudo no lugar. Uma deusa da perfeição.
Super-carinhosa, fala mansa, conversa aprumada, de pronto bateu aquela sinergia entre nós. A ponto de, ainda na cama, lhe indagarmos (com sinceridade d’alma) a “razão” ou o “por que” de uma mulher tão bela e educada freqüentar um local daqueles; de onde ela era; de qual família e por aí vai. Surpresa, ela afirmou que era a primeira vez que alguém fazia tais tipos de perguntas pra ela, que nunca alguém procurara saber da sua intimidade, que, enfim, encontrara alguém “diferente”.
Pra encurtar a conversa: na segunda vez que a procuramos ela simplesmente largou tudo, sob protestos da cafetina, e fomos curtir a vida em pleno dia, terminando por encontrar abrigo em nosso apartamento de solteiro (onde ela aprendeu, a partir de então e durante meses, a dormir “empacotada” em nossas camisas de seda – de mangas longas - que achava... ”gostosas”).
Em represália, fomos proibidos de adentrar o tal ambiente, já que os “seguranças” tinham ordem expressa de “baixar a cacete”, se fosse necessário; então, conjuntamente, arquitetamos que bastavam dois toques na buzina pra que ela “se mandasse” dali. E assim foi feito, a partir dali.
Foram meses de felicidade plena, durante os quais freqüentávamos, de mãos dadas e sorriso no rosto, qualquer lugar que “desse na telha”, sem nenhum constrangimento de encontrar algum desses barões que com ela houvesse se relacionado.
Mas...
De repente, a meiga Maria de Fátima sumiu, evaporou-se, tomou Doril, escafedeu-se, deixando-nos literalmente na orfandade (deve ter havido algo de sério e grave, que jamais saberemos).
Hoje, apesar de casado (em processo de separação) e com dois belos filhos já adultos, tal qual os William Bonner da vida não cansamos de (mentalmente) perguntar: onde anda você, Maria de Fátima ???
Quantas saudades...