por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 20 de dezembro de 2014

LUTANDO AS CAUSAS REAIS - José do Vale Pinheiro Feitosa

O que segue é surpresa para muita gente. E apenas o é por algumas questões de vícios de conhecimento, preconceito, ignorância de mudanças e assim por diante. Não é incomum que pessoas de classe média, supostamente informadas digam que a educação brasileira é uma desgraça, assim como a saúde pública brasileira. E têm tanta convicção que são incapazes de raciocinar até com as próprias palavras.

Ouvindo um médico vaticinando sobre a “inexistência” da saúde pública brasileira (para ele o que interessa é o equipamento de sua especialidade, ressonâncias, tomografias etc.) acaba se traindo. Lá pelas tantas diz que no Brasil ele, como médico, é obrigado a atender uma pessoa passando mal. Pelo menos as primeiras medidas, aí telefona para o SAMU completar o atendimento (só que até então o SAMU não existia).

Olhem estes dados divulgados pela OCDE sobre o Brasil após a realização da Pesquisa Internacional de Ensino e Aprendizagem (TALIS). São dados coletados em 2013. O estudo abrange vários países, entre os que fazem parte da OCDE e que aqueles que são associados. Na média do conjunto de países analisados, 89% dos professores dos anos finais do ensino fundamental tinham curso superior. O Brasil deve ser um horror, não?

Ao contrário. Ele é superior à média, 94% tem curso superior. E com outra característica: 95% acredita que pode ajudar os seus alunos a pensar de forma crítica. Mas isso é apenas uma parte pois na média dos países os professores levam 7 dias por ano fazendo treinamento em organizações externas às escolas. Esta “merda” de nosso país não deve ter um dia de treinamento.

Peraí gente fina. No Brasil os docentes passaram em média 21 dias em treinamento externo. E nem por isso deixamos de ter muitos problemas. Mas não aqueles da inexistência e nem da demagogia política. É preciso ter o mais possível de professores em contrato de tempo integral e por tempo indeterminado. É preciso reforçar a avaliação externa e brigar pela escola de tempo integral.


Agora lutem pelo certo. Para dar universalidade aos valores do ensino. Com ignorância dos fatos, preconceitos, e informações defasadas perdemos muito da contribuição de cada um.    

OS BOAS VIDAS! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Diárias caríssimas. Os hotéis de Armação dos Búzios, postos nas encostas da chamada Orla Bardot (em homenagem à atriz francesa Brigitte Bardot que ficou alguns dias no que, então, era uma vila de pescadores). O sol lentamente de pondo, a aberta enseada cujo lado oposto será visto como um rosário de luzes no incrível crescimento de Barra do São João e Rio das Ostras.

Na piscina do hotel um grupo de hóspedes conversa alto como sói acontece nas intoxicações alcoólicas e diante da relevância dos assuntos que ali tratam. Um apanhado básico: um senhor empregado de uma grande empresa que faz negócios com petróleo, um sujeito perto dos quarenta anos médio empresário, sua mulher, uma amiga e um médico residente e sua garota, também, médica.
O único carioca era o empresário, os demais eram de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais. O senhor tinha uma fala contínua, um tanto monótona e tecia considerações técnicas sobre os negócios de suas empresas, lucros e perdas. O empresário, era o mais exaltado, falava alto, partilhando suas opiniões com que estivesse no deck da piscina.

A síntese de opiniões e sentenças daquela gente. O Brasil está falido, tudo é corrupção, os planos de saúde estão falidos, a medicina pública não existe, a economia está falida, ninguém investe no país. Como tinha um doutor na roda, fazia residência (e já podia pagar um hotel daquele) o assunto eram os médicos cubanos. Medicina básica era uma porcaria. Só existe a especialidade.

Os cubanos porque não foram cuidar do vírus ebola? (igual a esta gente que fica de Petralha em Petralha usando nomes de fantasia, que não sabe ler e nem se informa, pois Cuba foi quem mais enviou médicos para combater o Ebola). E que o governo brasileiro enviava para Cuba todo mês dez mil reais por cada médico, que assim eram mercenários e as sobras deste dinheiro servia para financiar as eleições de Fidel e Dilma no Brasil (o restabelecimento de relações regulares entre Cuba e os EUA vai deixar muita gente sem discurso).

E tinha pérolas da deformação de caráter e qualificação profissional. O principal recurso médico é a relação humana. Humana no seu amplo sentido socioeconômico, cultural, psicológico e individual e isso se aprende, como é óbvio, pela relação direta. Pois o Doutor criticava um programa federal que oferece pontos na classificação das residências médicas, públicas, para os médicos que vão prestar serviço na atenção básica dos serviços públicos.

O governo bem podia, como muitos países fazem, obrigar os doutores que se educam com o dinheiro do povo a ir aprender a não explorá-los num estágio obrigatório de dois anos. Não o fez: é optativo, tem um bônus que é melhorar sua classificação nas provas de acesso à residência, além de ganharem mais de sete mil reais por mês. O doutor na piscina em Búzios, se achando no meio da conversa de ricos, quer sua residência em cirurgia e que ganhe muito dinheiro para voltar à piscina de Búzios e outras fantasias no exterior.

Chamava a atenção o tom alto das mulheres, fazendo capela para o canto dos machos. Riam das piadas infames. Enquanto o empregado do bar fazia uma batida de frutas e álcool atrás a outra, os conceitos vomitavam as belas encostas de Búzios.

A fina flor da cultura “petralha” (tucanalha isso depende do lado, não é o conteúdo é no método que reside o problema) de internet marcou o seu desfile naquela piscina. O empresário declarou-se um eleitor orgulhoso de Jair Bolsonaro (que não precisa de apresentação para quem é de fora do Rio e que foi o deputado federal mais votado este ano). E, aos risos das mulheres, o homem abriu o verbo contra a deputada Maria do Rosário que foi agredida pelo Jair.

Aliás quem viu o vídeo da origem do embrulho pode interpretar o que aconteceu. Jair dava entrevista a favor da redução da maioridade penal. Maria do Rosário também e abriu um debate com Jair. Que sem que e nem para que pediu que ela contratasse um menor estuprador que fora preso em São Paulo para levar a filha na escola. Uma argumentação pessoal e desnecessária a este tipo de debate.

A questão é que Jair Bolsonaro retornou ao assunto recentemente, em pleno plenário e ele repete esta prática agressiva com outros deputados. Esta é a explicação por trás da notícia. Mas o que o empresário disse: que absurdo! Vocês viram o nome dela: Maria do Rosário. É nome de coitada. É gentinha. Rosário! E toda a plateia caiu na risada.

O mais impressionante: este mesmo dito cujo ainda acusou os “petralhas” de serem responsáveis pela divisão de classe no Brasil. E não vou nem contar, para não esticar, imaginem o que disseram sobre os vagabundos do Bolsa Família, chegando a dizer que tinha gente ganhando dois mil reais por mês para não fazer nada.


Assim, como seus companheiros ali, onde uma caipirinha custa mais de um terço da verdadeira bolsa família per capita.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Pentelho de Capivara

 J. Flávio Vieira

Solidônio Canabrava tinha uma pequena loja de ferramentas em Matozinho.  Negociava  implementos  metálicos,  como dobradiças, armadores,  ferrolhos, correntes  pregos, parafusos, foices, martelos. Talvez tenha sido a proximidade e a dureza  desse material, que ele tanto manipulava no dia a dia, que terminou por impregnar seu temperamento de uma  a uma certa acidez e  petrificação. Tornara-se, aparentemente, do reino mineral, antes que o tempo o levasse a esse que é o destino final de todos os viventes. Era ríspido, direto, sistemático: com ele não tinha perreps. Intolerante, não aceitava perguntas bestas, arrodeios desnecessários, eufemismos, cerca-lourenços. Sua fama espalhara-se por  todos arredores da vila. Os que o conheciam , tiravam de letra a aparente estupidez de Solidônio e até cutucavam a onça com vara nanica, esperando a resposta pronta e carrascante como mourão de cerca. Os de fora, no entanto, tantas e tantas vezes se incomodavam com a rudeza do comerciante. Como se explicar  que quem quer  pegar marreca viver gritando :  xô ! Geralmente, depois de perguntas redundantes, como:
                                               --- Esse armador, seu Solidônio, é pra armar rede ?
                                               Vinha a resposta brusca e incisiva :
                                               --- Não,  Senhora ! Imagina ! Esse armadorzinho  é pra enfiar em cu de sabiá e pegar elas como se fosse anzol!
                                               E, imediatamente, tangia o perguntador peba, da sua loja, com o mote de sempre :
                                               --- Arreda ! Arreda, Dona  Empaia !
                                               Contavam-se as histórias de Solidônio  por toda redondeza, umas verídicas e a grande parte delas nem tanto : foram aparecendo folcloricamente, no fluxo ficcional da memória coletiva de Matozinho.  Uma  rezava que ele estava arrumando alguns rolos de arame farpado na loja, quando feriu a mão acidentamente, no ponta aguda do arame. Continuou a arrumação como se nada tivesse acontecido. Logo depois, novamente, repetiu-se a mesma tragédia: as pontas farpadas foram de encontro aos dedos de Soledônio. Ele não teve conversa : olhou firmemente para o rolo e disparou :
                                               --- Ah ! Já sei ! Tu tá querendo é carne, né ? Pois toma ! --- Enfiou a mão umas quinze vezes no rolo , quase perdendo todos os dedos.
                                               De outra feita, conta-se,  sentado, comendo mel de engenho, por duas vezes, o mel caiu e lambuzou sua longa barba. O velho não contou conversa. Olhou pra barba fixamente e logo sapecou o pires na cara , ameaçando a moita de cabelos:
                                               --- Ah ! Tu num é diabética , não, né?  Tu quer é mel, é ? Pois toma !
                                               Foi por essas e outras que dali , também, saiu o apelido do nosso personagem, embebido na grossura que lhe era a maior característica :
                                               --- Pentelho de Capivara !
                                                Claro que Solidônio não suportava o epíteto, nem sequer quaisquer palavras que por acaso lembrassem esse nome. Por isso mesmo  a alcunha pegou como catarro em parede.
                                               Semana passada aconteceu o inesperado. Canabrava tinha um pequeno engenho de cana de açúcar movido ainda a máquina a vapor. Uma das grandes moendas  quebrou e tiveram que suspender a moagem. Onde diabos encontrar uma estrovenga daquelas ? O maquinário tinha sido importado , muitos anos atrás, da Inglaterra, pelo avô de Solidônio. Os engenhos estavam quase todos de fogo morto. Em tempos de mariola, Coca-Cola  e chilitos, quem diabo queria comprar batida, garapa,  alfenim e rapadura ?  O eito de cana, no entanto, estava cortado e parar tudo era um prejuízo danado.
                               Canabrava soube que, em Serrinha dos Nicodemos, existia um velho que tinha um engenho similar ao seu e que estava parado há muitos e muitos anos. As moendas, segundo lhe tinham adiantado, estavam novas e a história é que O Coronel Balbino, o dono da fazenda,  falara , diversas vezes, na venda daquele mundo de ferro, inclusive para ferro-velho. Soledônio , então, chamou um velho choffeur de praça e resolveu ir negociar em Serrinha a compra da moenda com Balbino. Durante a viagem, no entanto,  o motorista o alertou. O coronel era um bicho do mato, cabra bruto e indomável como um chucro. Para se ter uma ideia, alertou : o apelido dele é : “Apito de Engenho” ! Será que o homem é bruto ?
                               Seguia a viagem e o motorista continuava atemorizando o velho Solidônio:
                               --- O Senhor é que sabe, seu Pentelho... ou...  Seu Solidônio . Ele vai dar um coice danado no senhor ! Pode esperar! Se eu fosse o senhor eu não ia não !
                               Canabrava, no entanto, neste mister tinha PHD e M.B.A. Não quis conversa, nem mostrou-se temeroso. Mandou picar viagem. Vamos simbora !
                               Tardizinha chegaram , por fim, nas terras de Balbino. Pararam defronte a casa alta, onde , após infindáveis degraus lá estava o coronel refestelado numa preguiçosa, assistindo aos últimos estertores do dia. Solidônio, desceu do jipe, mandou o motorista esperar um pouco , subiu calmamente a escada. E, sem delongas, fitou o coronel e perguntou ?
                               --- O senhor  é o coronel Balbino , se má pregunto ?
                                 O  velho, com aquela cara dura de cobrador , sem o fitar nos olhos, latiu de lá:
                               --- Sou sim, por que ?  E se não fosse,  você tinha alguma coisa a ver com isso ?
                               --- Né por nada não, Coronel ! Pegue sua moenda e meta no cu, joviu ?
                               Desceu os degraus, entrou no jeep e voltou pra casa, após a mais rápida negociação já registrada   nos anais do CDL  de Matozinho.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

CONSUMO DE MACONHA NO URUGUAI ACIMA DO CONSUMO DE TABACO É EFEITO DA LIBERAÇÃO OU MÁ NOTÍCIAS DA MÍDIA? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Na semana passada nos jornais, portais de notícias, televisões, nos telões em ônibus e salas de espera, uma notícia revelou o despreparo de jornalistas, o preconceito e a tendência de interpretar os fatos com premissas que nem sempre se revelam. Qual a notícia?

Pela primeira vez no Uruguai o consumo de maconha ultrapassa o de tabaco. Qual o entrecho da notícia?

A política de liberação da maconha havia avançado o consumo de maconha a ponto de ultrapassar o consumo de tabaco.

Mas aí é que vem o problema. Tudo se referia a uma pesquisa feita pela Junta Nacional de Drogas e pelo Observatorio Uruguayo de Drogas em jovens escolares na faixa entre 13 e 17 anos, feita em sala de aula. Os inquéritos foram auto administrados e a amostra nacional.

O que se pretendia analisar? A tendência do consumo de várias drogas ao longo dos anos, o papel protetor da escola e dos pais. O inquérito levantava o consumo de drogas nos últimos doze meses e no último mês e teve o seguinte resultado: álcool (60,2%), bebidas energizantes (37,2%), maconha (17%), tabaco (15,5%), tranquilizantes (7,1%), cocaína (2,15), estimulantes (1,4%), êxtase (0,8%), haxixe (0,5%), crack (0,5%), metanfetaminas (0,3%) e anfetaminas (0,2%).

O inquérito mostrou que a escola e os pais tinham um papel protetor e que a drogas de consumo mais precoce em termos de idade foram o álcool e o tabaco. O tabaco teve uma grande redução no consumo, passando de 30,2% a prevalência de fumantes no último mês no ano de 2003 para 9,2% em 2014.  

O abuso de álcool (igual ou superior a dois litros de cerveja, 3/4 litros de vinho e 4 doses de destilado) nos últimos quinze dias ocorreu em 32,5% dos estudantes que beberam. A prevalência ano da maconha passou de 8,4% em 2003 para 17% em 2014. Em toda a vida a prevalência de maconha é de 20,1%, no ano 17% e no mês 9,5%. Como se observa, o crescimento do consumo de maconha é um fenômeno antigo e o inquérito não identificou nenhum salto no consumo. A lei existe há apenas doze meses. Este efeito só poderá ser analisado com vários anos de observação.

Uso problemático da maconha. Há uma tabela de risco chamada escala CAST (Cannabis Abuse Screening Test) que cruza frequências (fumar antes do meio dia, estando só) e consequências do consumo (problemas de memória, querer reduzir o consumo, tentado reduzir, tido problemas) com uma tabela de classificação: raramente, de vez em quando, bastante a miúdo, muito a miúdo. Assim o valor 1 é baixo risco, 2-3 é risco moderado e 4-6 é risco alto.  

O padrão uruguaio é que 66,9% dos que fumaram maconha nos últimos doze meses têm risco baixo, 20,4% têm risco moderado e 12,6% tem risco alto o que corresponde a 1,9% do total de estudantes. A prevalência ano da cocaína era de 1,7% no ano de 2003, cresceu para mais 5% em 2007 e agora tem é de 2,1%. Já se começa a observar o efeito da liberação da maconha quando 53,3% considera que é fácil ter acesso à droga.

Ficou claro que a percepção do risco do consumo é inversamente proporcional à prevalência de consumo, quanto maior a percepção do risco menos se usa a droga. O inquérito também identifica que o envolvimento dos pais é um fator protetor, comparando situações, o consumo é maior nos jovens cujo envolvimento dos pais é baixo quando comparado ao de alto envolvimento. E isso é mais acentuado para as drogas mais pesadas. Por exemplo, como o álcool é da cultura a diferença existe mão não tanto quanto no consumo do tabaco, da maconha e da cocaína.

Em outras palavras quem não foi à fonte e a entendeu, bebeu a água turva da informação na grande mídia (as agências de notícias e os veículos).  
Jose Esequiel Lopez deixou um novo comentário sobre a sua postagem " Hoje cedo, saindo para o trabalho escutei no rá...":

Encontrei a letra completa da música Lua Azul, cantada por Carlos Gonzaga:

LUA AZUL - CARLOS GONZAGA

UMA CIGANA OUVI
A ME DIZER ASSIM...
COM ESTA LUA AZUL
VEM O AMOR
E QUEM GOSTAR DE ALGUÉM
QUE FECHE OS OLHOS BEM
E PEÇA SORTE, SORTE, SORTE
E A SORTE VEM!
LUA AZUL, LUA AZUL,
MINHA ORAÇÃO
LUA AZUL, LUA AZUL
OUÇA POR FAVOR
EU QUERO MEU AMOR...
EU VOU REZAR TAMBEM
QUE TRAGA SORTE, SORTE, SORTE
COM O MEU BEM
É BEM VERDADE, SIM
O QUE A CIGANA DIZ
POIS COM VOCE, ENFIM
EU SOU FELIZ
TODO MOMENTO É BOM
TUDO QUE É MEU É SEU
POIS TODA SORTE, SORTE, SORTE
VOCÊ ME DEU
LUA AZUL, LUA AZUL,
MINHA ORAÇÃO
LUA AZUL, LUA AZUL
OUÇA POR FAVOR
EU QUERO O MEU AMOR...
EU VOU REZAR TAMBÉM
QUE TRAGA SORTE, SORTE, SORTE
COM O MEU BEM
E QUEM ACREDITAR
NO QUE A CIGANA DIZ
TERÁ POR CERTO ALGUÉM
SERÁ FELIZ
MAGIA NO LUAR
COM FÉ ENCONTRARÁ
E MUITA SORTE, SORTE, SORTE
TAMBÉM TERÁ
SORTE, SORTE, SORTE
COM A LUA AZUL




Postado por Jose Esequiel Lopez no blog No Azul Sonhado em 10 de dezembro de 2014 22:02
       
 
   

domingo, 14 de dezembro de 2014

Fusões dos Beatles e de músicas de John Lennon. 

Não se deixe conduzir pelo contrato. Arranjo. Compromisso. Pessoa de bem. Não se deixe conduzir.
São coisas feitas para se negar. Sempre há uma cláusula de cessação. Sempre há um encerramento. Um caixão para pregar você dentro. Sempre há.

Há um momento. Aquele em que as portas se abrirão e a paisagem do mundo é sua. Todo este eterno, vasto, infinito mundo, é o planisfério de sua própria epiderme. É o plano de sua própria linha de fuga. Fuga de si mesmo.

E aí a tradução é o amor. A paixão infinita pela eternidade ao lado do outro. O outro que é o plano de fuga de si mesmo. Como paisagem do mundo. Apagando os limites entre si e o outro e desse modo criando uma individualidade binária.

O amor é isso. A atração pelo planisfério neste vasto e infinito mundo. A fusão dos momentos como uma nova unidade de tempo. O encontro dos fragmentos da crosta numa tremenda força de transformação da superfície.

E como força telúrica, o amor confunde os sinais e sentidos antes postos. Uma singularidade criativa que se faz em sínteses e separações, em versos que exaltam, reformatam, dispersam os acúmulos e criam uma nova conta de adições e multiplicações.

Por isso é tão e imensamente doloroso que alguém desista, se canse, perca a noção do planisfério do amor. E se vá com apenas o saldo dos solavancos e até desconhecendo tudo que aconteceu.

Se não foi apenas o cerimonial de um contrato. Se foi amor, é tudo tão intenso que as miudezas que enfeitam as paredes guardam soluções. As paredes têm lições a apresentar.

Se foi amor. Se é amor. É o planisfério do vasto, eterno e infinito mundo. 

Maumau Noel - José do Vale Pinheiro Feitosa

Empadões, cachorro quente, salpicão de frango, cerveja, refrigerante não, mas sucos e o tradicional das praias cariocas: mate gelado com limão. Crianças e adultos circulando no amplo playground. Mesas, conversas entre quem há tanto tempo não se via.

Há pouco o avô, de joelhos, os bicos de papagaio pinçando os trajetos nevrálgicos, brincava com a neta numa pequena piscina de praia. Uma piscina sem água, cheia de areia da praia. Úmida. Caía aquela chuva pingadeira e contínua.

E foi na mesa de guloseimas que nos encontramos. Pondo a conversa em dia. Sem falar em política. A experiência de outros carnavais demonstra a impossibilidade de se cruzarem numa síntese. O máximo, nestes casos, que se consegue é cruzar argumentos, com vistas a uma aposta cujo ganhador leva.

Como disse um papo de assuntos variados e ricos de novidades. Aí chega o momento. A nora vem, quase pedindo desculpas para dizer que a hora é chegada. Achei que era para cantar parabéns. Mas não era. Ele iria ao quarto se fantasiar de Papai Noel para trazer alegria às crianças e apresentar a alegria à netinha.

Fui a procura de outros papos. Noutras partes da festa. Após um tempo, enquanto conversava com uma mãe, ela pede desculpa e interrompe o diálogo. Precisava levar o filho para a proximidade do Papai Noel que entra no ambiente. Olhei e estava toda a meninada se aproximando do bom velhinho. Aquele que oferece presentes e sonhos a todos. Inclusive às crianças.

Passou o homem do mate e tomei mais um copo. Outra coisa para comer. Um novo papo, com outro interlocutor. Levou um tempo para melhor dizer. A avó se aproxima. E vou confraternizar com ela. Que se encontra numa quase imperceptível situação de angústia. Se não a conhecesse tão bem, não descobriria.

Assim que a neta, no alvoroço da criançada, viu aquele velho ameaçador, de roupas vermelhas, um saco nas costas, agitando toda a galera, se apavorou. Chorou como choramos pelas novidades que nos chocam. Chorou por aquele que invadiu sua festa. Sua alegria. E fez sumir o vovô e não adiantou nem a vovó para consolo. Andou nos braços da mãe a chorar de um lado para outro.

Daí a pouco volta, desconsolado, o vovô. Com todas as boas perspectivas de sinais trocados. O que era alegria, se traduziu em choro. O que era afetividade se transformou em aversão. A cena da bondade e da oferta se tornou um aperto de desacerto no coração. Papai Noel de repente era Maumau Noel.

Uma explicação de pronto havia. A netinha completava ali dois anos de nascimento. Ainda não tivera plena consciência de um natal verdadeiro. Aquele era o segundo e, do bom velhinho, desconhecia o mito. Mas como vovô achou ruim aquele papel...

Porém, como sempre o natal retorna.


O vovô se encontrará com o vovô novamente.  

A primeira noite de um homem (transcrição)

A minha primeira mulher, sexualmente falando, chamava-se ou tinha o apelido de Rolinha e, como não podia de ser, tudo aconteceu em Ouro Fino, sul de Minas, a cidade natal da minha família. Ouro Fino era, na época, uma cidade extremamente pacata – estamos falando de 50 anos atrás, quando eu tinha 13 anos. Tão pacata que nem prostíbulo tinha. A Tipoita pilheriava que um dia foi um circo a Ouro Fino e o leão, ao invés de urrar, falava “Oh! lugar...” imitando o urro do leão.
Pois bem. Foi nessa Ouro Fino que eu perdi a minha virgindade. Quem me guiou nessa vereda foi um amigo, primo torto, chamado Robertinho Barbosa. Apesar de ter a mesma idade que eu, Robertinho já era escolado na área sexual e, mais importante, sabia o caminho das pedras para se ter uma noite de amor em Ouro Fino. O caminho das pedras era, na verdade, o caminho da casa da Rolinha, na zona rural de Ouro Fino. Lembro-me que saímos logo após o anoitecer e caminhamos pelo menos uma hora na zona rural, passando por pastagens, atravessando cafezais e cercas de arame farpado. No breu da noite, eu literalmente morri de medo. Medo de cobras, de onças que – diziam – existiam por ali, medo de bois bravos que imaginava correndo atrás de mim. Mas meu medo não era maior que minha excitação, que a perspectiva de tocar uma mulher de verdade e não apenas a mulher imaginária de meus momentos de masturbação.
Vimos de longe uma luz no meio do breu. Robertinho esfregou as mãos de contentamento. Se havia luz, era sinal de que a Rolinha estava em casa. E a nossa festa sexual garantida. Quando chegamos me assustei com o “Palácio do Amor” como dizia uma placa pregada na porta que, à nossa aproximação, foi aberta pela por uma mulher que deduzi ser a Rolinha. Era na verdade, uma casa de pau-a-pique, quatro paredes de bambu e barro, divididas internamente por panos grandes presos em cordas de nylon, dessas que usamos para pendurar varais de roupa em apartamentos. No aposento principal, onde ficava a porta de entrada, chão de terra batida, havia uma mesa tosca de madeira com três cadeiras, uma cristaleira onde se podia ver um pirex, duas ou três panelas, pratos, copos e talheres, tudo em pequena quantidade e no limite do uso, tal o desgaste. Encostado numa das paredes, um fogão de lenha a pleno vapor e, sobre ele, um grande caldeirão.
Rolinha não perdeu um segundo: cadê o dinheiro? O pagamento é adiantado, disse rispidamente. Robertinho, que era o financiador da aventura, meteu a mão no bolso e tirou as notas que já estavam preparadas e entregou-as a Rolinha. Senti, então, que a tensão sumiu dela e ela nos mandou entrar.
Prestei, então, atenção na Rolinha. Era uma mulher vistosa, grande, feições bonitas, mas tal qual seus apetrechos domésticos, estava acabada, no limite do uso. Já devia ter entrado na casa dos quarenta. A maquiagem pesada não escondia o desgaste do rosto e nem as sandálias havaianas escondiam os calcanhares rachados. Ela explicou ainda que num dos outros dois “quartos” estavam seus filhos dormindo, o maior de cinco anos. O segundo quarto era o ninho de amor onde ela atendia seus clientes, nós dois e outros que viriam mais tarde. Explicou ainda que no caldeirão estava cozinhando uma cabeça de porco, a refeição da família no dia seguinte.
Mas a explicação que ela deu e que era visível é que ela estava grávida de seis meses, maior barrigão! Meu deus! O que fazer? Como ia perder a virgindade com uma camponesa sem glamour nenhum e, ainda mais grávida?
Rolinha não deu tempo para pensar: - Vamos, quem vai ser o primeiro? Não tenho tempo a perder. Eu era o primeiro, tínhamos tirado no par ou impar. E, de repente passaram todos meus receios, minhas dúvidas, meus constrangimentos e mergulhei de cabeça no corpo disforme mas nu de Rolinha. Nunca mais me vi tão fora de mim, tão entregue como naqueles momentos. Vou poupar o leitor dos detalhes.
Alguns minutos estava de volta à sala, meio levitando sem saber direito o que tinha acontecido. Agora era a vez do Robertinho e eu ia ficar esperando da sala. Sentei à mesa ainda assustado e então me ocorreu comer um pedaço da cabeça de porco que ainda estava no fogo. Peguei uma orelha e um belo pedaço de bochecha. Salpiquei com uma farinha que encontrei e comi tudo com voracidade.
Daí a pouco saiu o Robertinho, leve e saltitante como eu. A Rolinha nos despediu, convidou para voltar outro e nos pôs porta afora. Saímos contanto o que tínhamos feito ou não no “ninho do amor” sem nos incomodar se era verdade ou não. Foi então que contei ao Robertinho que tinha comido um bom pedaço da cabeça do porco.  Ele ficou sério, parou e me disse: - olha, quando você estava no quarto e eu na sala, eu subi no fogão e, só de sacanagem, dei uma longa mijada no caldeirão do porco!
Como o Robertinho podia ter um coração maldoso assim!
Post Scriptum:
Qual de nós, adolescentes no Crato (à época), não passamos por situação pelo menos parecida, lá no "Gêsso" (antiga "zona", da cidade) ???


sábado, 13 de dezembro de 2014

É o Colégio Eleitoral Estúpido! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Pronto. Gilmar Mendes seguiu o inusitado a ele esperado e aprovou, com ressalvas, as contas da Campanha de Dilma Roussef. O mesmo destino será dado às contas das demais campanhas. A lava jato vai continuar. A mídia paquidérmica continuará ansiosa por dinheiro e atacar o governo para daí extrair sua imensa fome.

Mas de fato o processo vai continuar. Qual seja transformar o Brasil numa grande economia capitalista, que implica nos modelos vigentes até agora, a uma grande sociedade de consumo, quando as rendas e salários da maior parte da população impulsiona o modelo concentrador e ao mesmo tempo expansionista. E as minorias privilegiadas continuarão com suas bandeiras se opondo.

Como o futuro é do capitalismo estas bandeiras “opositoras de natureza minoritária” estão na contra mão do curso adiante. Por isso são identificados por várias classificações: reacionários, conservadores, etc. A regressão e aversão ao popular é uma natureza inerente de certo tipo de posição política.

Apenas para lembrar quando o voto é facultativo desde os 16 e obrigatório para todo brasileiro até certa idade. Hoje o universo de pessoas de 16 anos e mais são eleitores legítimos. Elegem seus governantes.

Mas nem sempre foi assim. Muitas pessoas não tinham o direito ao voto, ainda nos anos 30 as mulheres não podiam votar, inclusive analfabetos, militares de baixa patente e assim o colégio eleitoral era uma minoria. Para lembrar: nas eleições de 1950, disputadas para os cargos de Presidente, com Getúlio Vargas, Cristiano Machado e Eduardo Gomes, apenas 21,76% da população brasileira tinha direito ao voto.

Nos territórios o colégio eleitoral no máximo chegava a 10% da população e o mais alto era o do Distrito Federal (cidade do Rio de Janeiro) com 34,5% da população com direito ao voto. O poderoso estado de São Paulo chegava a 22%, havia o interior enorme e rural. Em Pernambuco, um dos estados mais avançados politicamente do Nordeste, a situação dos camponeses era um desastre de modo que os eleitores correspondiam apenas a 13% da população.

Agora um quadro deste tem outros detalhes. Numa sociedade semi-rural como éramos, imaginem a dificuldade de fazer chegar o eleitor até a boca da urna. Resultado: apenas 72% dos eleitores válidos compareceram às eleições em 1950. Enfim em 1950 elegeram os nossos governantes apenas 15% da população brasileira. Hoje o eleitorado representa mais de 70% da população total.

O nosso cratinho de açúcar era um primor de colégio eleitoral. Quem examinar o número de eleitores nas eleições gerais de 1954 e 1955 ficará perplexo com o s números encontrados. Crato, em 1955, apenas tinha 13.036 eleitores. É bom salientar que falamos em zonas eleitorais e, portanto, municípios menores poderiam agrupar outras populações como Tauá que tinha naquele ano 13.595 eleitores. O nosso Juazeiro do Norte não ficava atrás: tinha apenas 9.396 eleitores.

Talvez estes dados expliquem alguns aspectos seletivos e conservadores que permeiam a sociedade geração após a outra.  


VASSOUREIRO! - José do Vale Pinheiro Feitosa

O espaço onde vivemos não apenas garante a sobrevivência. Desenha nossas emoções, o modo como compreendemos o conteúdo e o continente. A formação da memória e o processo pelo qual a memória não é um mero arquivo. É coisa viva. Que pulsa, se anima, se entristece, apreende coisas novas, inclusive dos acontecidos.

Moramos numa ladeira. Uma ladeira que tem curva. Portanto, não apenas o aclive esconde pedaços de sua sequência para cima ou para baixo, como a curva extrai eventos na proximidade. Isso é, a visão deles. Pois tudo o que resta a outros sentidos, se tem por testemunha de ocorrência.

E como ladeira, no talude da montanha, à audição adiciona uma certa reverberação dos sons. São os carros bufando na subida, os freios na descida. São cães latindo na caminhada de seus donos, como naquele momento do sol nas prisões. Os cães dormitam no espaço menor dos apartamentos.

De vez em quando lá de algum lugar que não se enxerga começa uma chamada. Uma voz repetindo a mesma palavra. Subindo pelas encostas. Como uma pena voando em direção aos galhos das árvores altas que margeiam a passagem. Uma palavra bela. Um canto. Um som que vai no âmago da memória e extrai as coisas passageiras, tidas como idas, mas havidas como atuais.

E a voz vai revelando fonemas. Vai subindo. Vem lá de baixo. Se aproxima da minha janela. Com pouco a palavra se revelará como um sujeito em sua ação. Uma ação que juro, antes do acontecido, é a fusão de centúrias, da lida humana, dos pés atemporais como aqueles que vão pelas ruas para expressar as mãos ritmadas do triângulo anunciando o cavaco chinês.

E do primeiro momento que o olhar capta a visão, o ouvido interpreta a palavra. VASSOUREIRO! E repete tantas vezes quanto a oportunidade de vender as suas vassouras. Vai subindo pela minha rua, o vassoureiro do início do século XX aqui no Rio de Janeiro. O momento em que fica claro que a saudade também é uma forma de eternidade.

Pego na carteira de dinheiro. Não quero nem saber a situação das minhas. Pego o elevador e desço para comprar alguma coisa com o vassoureiro. Tudo para que o grito do vassoureiro nunca desapareça da minha rua. Nesta ladeira. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Natalinos! Nosso desejo de longa vida e felicidade plena.Para eles, velas acesas, abraços e imenso carinho!

Rosa Maria Guerrera-25.12
Alfredo Moreira Neto-23.12
João Marni- 19.12
José do Vale Feitosa- Dia 21.12

José Flávio- Dia 20.12
 Magali-Dia 12.12.Hoje!
Nívia Uchôa- 21.12

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

A VERDADE DA HISTÓRIA - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ontem saiu o relatório final da Comissão da Verdade sobre torturas, mortes e desaparecimentos de cidadãos e cidadãs brasileiros sofrendo por ordem e ação do Regime de Exceção que derrubou o governo constitucional de João Goulart. Antes de mais nada este relatório não fala para os algozes e vítimas do período, fala para cada um no tempo de hoje. No tempo de hoje e nossas perspectivas de vida em sociedade.

Com a ressalva que na missão dessa Comissão esteve o período até 1950, mas é importante que se tenha como referência o Primeiro de Abril de 1964 quando de modo sistemático as Forças Armadas, financiadas por empresas e mobilizadas por lideranças civis começaram a mudar a ordem constitucional vigente e atacar os adversários do dia anterior.  

Quando, de modo disfarçado, por vezes nem tanto, alguns começam a lembrar a suposta disrupção do Governo Goulart, a marcha revolucionária de natureza cubana, entre outros argumentos, estamos diante da justificação da ditadura. Esta é que é a verdade histórica. Justifica-se hoje, como ontem, apoiavam mortes, torturas e desaparecimento.

Além do mais é importante que se tenha em mente que as “ordens”, os “atos institucionais” e as “ações” da ditadura durante 21 anos não foram pontos pacíficos. Sempre houve divergência dentro e fora das Forças Armadas, dos empresários e das lideranças civis. Especialmente aquelas que efetivação praticaram a disrupção franca do processo democrático em curso.

Castelo Branco foi eleito pelo Congresso vigente e só o foi pela força do PSD e esta força significava Juscelino Kubistchek. A eleição indireta, pelo Congresso Nacional, aconteceu em 11 de Abril sob “égide” do Ato Institucional nº 1 lançado pela Junta Militar (Marechal Costa e Silva, tenente-brigadeiro Francis de Assis Correia e Melo, Almirante Augusto Hamann Rademaker).  Em junho Juscelino estava cassado.

Jânio Quadros foi cassado, Ademar de Barros em junho de 1966 e Lacerda em 31 de dezembro de 1968. Bom nesta altura já estavam cassadas todas as grandes lideranças políticas que deram motivação ao golpe. Como é lógico todos os adversários já o tinham sido perseguidos e presos desde o primeiro momento da disrupção. Somente figuras importantes, mas secundárias em termos de liderança nacional ficaram para sustentarem o longo manto cerimonial da ditadura em curso (Pedro Aleixo, Milton Campos, Magalhães Pinto, etc.).

Ao mesmo tempo surgiram “lideranças” para em sua “juventude” com o quadro desimpedido fazer suas “carreiras” sob as asas da “ordem” tipo José Sarney, Antonio Carlos Magalhães, Hugo Napoleão, Marcos Maciel e assim seguiu a lista. A presença a americana para armar e disparar o golpe é inegável, a nação foi amiga e companheira, mandou exércitos para a República de São Domingos e fez o papel do anticomunismo inerente por toda guerra fria. Eis o quadro.

Agora a verdade. O poder mesquinho dos desafetos, a arrogância humana sem normas sociais, o poder da corporação, a ganância de capitalistas e donos da terra, puseram uma máquina de torturar, matar e desaparecer em curso. Esta máquina tomou as suas próprias decisões e fez o papel sujo nos porões, mentindo para a sociedade e se escondendo numa trama abjeta.


Agora a verdade. Quando a política é a eliminação do contraditório a única linguagem possível é o curso virulento de ódios, temores e maldades que são inerentes ao processo. Mesmo que alguns agentes sejam dotados de uma psicopatia, o método e o curso da ação é que é causa. Portanto segue toda a cadeia de origem e o comando, desde o Presidente, passando por Ministros e chefes militares e líderes civis.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A LEI “ANTICORRUPÇÃO” -  José Nilton Mariano Saraiva

Se hoje os grandes “tubarões” (empresários de alto coturno) das maiores empreiteiras brasileiras estão “encanados” (presos e vendo o sol nascer quadrado) em razão do pagamento de propinas a “executivos-bandidos” da Petrobrás, credite-se à Lei 12.846, de 01.08.2013 (vide Diário Oficial da União de 02.08.2013), também conhecida por “Lei Anticorrupção”, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff.

Isso porque referida lei trata da responsabilização administrativa e civil das pessoas jurídicas, por atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira. Aliás, não custa lembrar que antes havia como que um enorme vácuo nessa esfera, por onde trafegavam livres, leves e soltos os mafiosos de colarinho branco (de acordo com o Ministério Público, na Petrobrás isso já ocorria há anos, contemplando vários governos).

A operação Lava Jato é, pois, o corolário do combate sistemático à corrupção, que se iniciou a partir do momento em que à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal foram dadas condições e liberdade de ação para investigar e prender bandidos de alta periculosidade da área financeira. E a prova irrecorrível está na frieza dos números: enquanto entre os anos de 1995 a 2002, no governo tucano de FHC (responsável por “abrir a porteira”, literalmente, ao dispensar o processo licitatório na Petrobrás), a Polícia Federal realizou 48 operações, com média de “TRÊS” A CADA SEIS MESES; já entre 2003 e agosto 2014 foram realizadas 2,3 mil operações, (média de “CEM” A CADA SEIS MESES) com a prisão de 23 mil pessoas. Além do que, durante os oito anos do governo Lula da Silva, 3.088 funcionários do Poder Executivo foram expulsos e entre 2011 e 2013 na gestão Dilma Rousseff, 1.570 tiveram igual destino, totalizando 4.658 banidos.

No entanto, como no Brasil quem tem “bala na agulha” (grana, muita grana) geralmente consegue levar o desenlace do processo até o Supremo Tribunal Federal, cujo “histórico” não é dos mais animadores no tocante à penalização dos poderosos e políticos corruptos, por sempre encontrar uma brecha qualquer para liberá-los das acusações (vide Daniel Dantas solto pelo ministro Gilmar Mendes e Paulo Maluf liberado pelo então ministro Carlos Veloso), há o receio de que haja marmelada ao final.

E o exemplo de tal beneplácito nos foi ofertado agora mesmo e sem maiores delongas, quando o ministro do STF Teori Zavascki mandou libertar o tal do Renato Duque, tido e havido pelo Juiz Federal Sérgio “seletivo” Moro como um dos principais beneficiários da propina que correu solta na Petrobrás durante todo esse tempo (dizem que a fortuna que tem em bancos europeus é algo impressionante, e que agora poderá ser livremente movimentada).

Em conseqüência da soltura do mafioso, bancas advocatícias pagas a peso de ouro pelos grandes “tubarões” já manobram para tentar levar a decisão para o Supremo, onde certamente a chance de livrá-los de uma penalidade mais severa é bem maior (lembremo-nos que quando se viu envolto numa série de falcatruas (posteriormente confirmadas), Daniel Dantas recomendou aos seus bem remunerados advogados que cuidassem dos seus problemas junto às instâncias jurídicas inferiores, porquanto em chegando ao Supremo  não haveria problemas – como restou comprovado, com a ordem de soltura emitida por Gilmar Mendes.

E assim, embora que por vias tortuosas (originalmente não se imaginava chegar a esse ponto), lamentavelmente a operação Lava Jato, que tem tudo para representar um definitivo “passar a limpo” o Brasil, corre o risco de frustrar a todos, ante a real perspectiva de que haja um tratamento “diferenciado” a partir do momento em que Excelentíssimos Ministros do STF começarem a julgar os processos envolvendo não só os poderosos, mas também os políticos mafiosos com assento no Congresso Nacional (que todos sabemos constituir o que há de mais abjeto e desprezível, daí a absoluta falta de credibilidade da classe política ante à população).

Mas, em sã consciência, a verdade é que independentemente de filiação partidária (PT, PSDB, PMDB, PDT e demais) ou do foro privilegiado (julgamento pelo STF), a torcida de todos os brasileiros engajados e de boa fé é que os envolvidos nesse esquema monumental sejam  rigorosamente penalizados, seus nomes dados a conhecer à sociedade, além do banimento da vida pública, e que sejam obrigados a devolver o que roubaram.

Essa é a hora. A “Lei Anticorrupção” assinada pela presidenta Dilma Rousseff foi elaborada objetivando debelar de vez esse tumor maligno que de há muito dilacera com a nação. É agora ou nunca. Que o Judiciário (STF) se não ajudar, pelo menos não atrapalhe.


Não é farsa. É o mesmo processo! - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quem gosta de examinar fatos acontecidos na política brasileira encontra vasto material digitalizado dos jornais brasileiros e dos Diários do Congresso Nacional. Os jornais foram digitalizados pela Biblioteca Nacional e os “Diários” pela Câmara dos Deputados.

Nos referidos acervos podemos examinar o vasto material dos embates políticos após o fim do Estado Novo e, durante o período democrático, entender como as forças agiram. Isso é importante porque muitas semelhanças existem com as posições adotadas pela oposição ao atual governo federal.

Embora sejamos uma Federação, o papel centralizador da União é muito forte de modo que as grandes questões políticas sempre envolvem a disputa neste nível. A conquista do governo da União tem um peso político muito grande em questões dos direitos de propriedade, das formulações econômicas e fiscais, dos estímulos estratégicos, das alianças locais, do desenvolvimento e crescimento relativo.

A famosa frase que a história apenas se repete como farsa não foi bem compreendida por muitos. Quando se fala em repetição a referência são os saltos qualitativos da história que implicam em novas fases, novas forças produtivas, novas relações de classe, e assim por diante. Não se trata de repetição os acontecimentos dentro do mesmo estágio de sociedade, pois apenas são continuidades das forças em disputa.

Quando aconteceu a Revolução de 30 e uma parcela muito forte da sociedade resolveu que iria incluir segmentos essenciais das classes sociais no desenvolvimento do país sem optar pelas duas fórmulas então postas na mesa (comunismo e fascismo), adotando a chamada fórmula democrática, criou um novo problema. E esse foi a luta entre os setores privilegiados pela estrutura econômica existente e pelo Estado contra enormes segmentos de trabalhadores, camponeses e pequena classe média em busca de novas oportunidades.

Esta luta, diga-se de pronto, tinha como referência ideológica o modelo americano de progresso individual e o modelo europeu (pós-guerra) de desenvolvimento social. Não se tratava da luta contra o comunismo ou a favor desse, mas da luta de um segmento privilegiado de referência individualista e patrimonial e da grande massa em busca de um progresso inclusivo.

O segmento privilegiado, compondo sempre a minoria, envolvia setores da igreja católica (e sua estrutura de educação privada), grandes latifundiários, setores industriais e financeiro, a estrutura de comunicação social (de pessoas e famílias), segmentos tradicionais da classe média tradicional com grupos atrelados ao aparelho de estado. O segmento de massa, compondo a maioria política, já citei a sua formação e foi aí que a política a partir de 1945 funcionou.

Vale dizer que após 1945 o papel das grandes empresas multinacionais, especialmente no campo do petróleo (Shell, Esso etc.) e do governo americano foi fundamental para criar uma “psicologia” anticomunista para justificar a quebra do processo democrático e assim atacar a luta da maioria. A minoria (União Democrática Nacional à frente) nunca conseguiu vencer democraticamente o governo da União.

Um parêntese. Getúlio Vargas criou uma fórmula política genial de formar a maioria: a união Partido Social Democrático (PSD) e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Enquanto esta maioria política não rachou a UDN fez um jogo político violento na sociedade, no governo e no parlamento. Mas nunca levou no voto.

A luta da minoria (UDN à frente) se compunha de algumas forças: o dinheiro dos grandes capitalistas, do setor financeiro e dos Estados Unidos da América (pelas suas instituições e empresas), a aliança com as grandes empresas jornalísticas e setores reacionários do aparelho de estado (Poder Judiciário, Forças Armadas, etc.) e todo o segmento social privilegiado (que lutava desesperadamente para não perde-lo). E foi esta fórmula que criou toda a virulência da luta da minoria e da manutenção de seus privilégios.

O que vivemos hoje é esse mesmo processo. A minoria com quase os mesmos atores, juntado novas forças surgidas, politicamente ainda conduzida pelo PSDB, a grande mídia familiar, grandes empresas com negócios no aparelho de Estado, setores reacionários do agronegócio, dos bancos e os mesmos setores reacionários do aparelho de estado (a referência no judiciário é Gilmar Mendes a serviço de um partido político). Do outro lado a esperança da maioria que tudo melhore dentro de um projeto que tem à frente o PT em aliança com o PMDB que faz o papel assemelhado ao que o PSD tinha nos anos 50 e início dos 60.

Esta é a luta. Não tem comunismo no meio, não tem fascismo. Tem apenas o processo democrático no qual se tenta melhorar a vida da maioria em contraposição aos conservadores de classes privilegiadas. Agora a verdade é que as classes privilegiadas quando sentem que não podem mais sustentar politicamente as suas posições logo partem para a manipulação e quebra do processo democrático. Aquele que a rigor é realizado pelo voto e pela participação social.

Ideologicamente vão lembrar as velhas fórmulas de propaganda do passado. Mas essas já não possuem referências no mundo. Por isso o jogo continua. Embora estejamos vendo que na América Latina já foram dados golpes pelo judiciário. Vejamos o papel de Gilmar Mendes e sua repercussão política.