por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 15 de janeiro de 2013



Receita de Chantilly Caseiro (Duas Versões)
Duas opções de chantilly para suas receitas!
Receita de Chantilly Caseiro (Duas Versões)
Chantilly
Ingredientes
  • 1 lata de creme de leite gelado e sem soro
  • 3 colheres (de sopa) de açúcar
  • 1 pitada de fermento em pó
  • 100 gramas de manteiga
  • ½ colher (café) de essência de baunilha
Modo de preparo
Na batedeira, bata a manteiga, o açúcar e a essência até ficar um creme. Acrescente o creme de leite e o fermento e bata por mais 5 minutos. Leve à geladeira por no mínimo 30 minutos.

2ª Versão

O legítimo chantilly (com creme de leite fresco)
Ingredientes
  • 500 gramas de creme de leite fresco bem gelado
  • 4 colheres (de sopa) de açúcar
  • Essência de sua preferência
Modo de preparo
Bata na batedeira em velocidade média até criar consistência. Mais ou menos 5 minutos.

POEMINHA SENTIMENTAL

O meu amor, o meu amor, Maria
É como um fio telegráfico da estrada
Aonde vêm pousar as andorinhas...
De vez em quando chega uma
E canta
(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)
Canta e vai-se embora
Outra, nem isso,
Mal chega, vai-se embora.
A última que passou
Limitou-se a fazer cocô
No meu pobre fio de vida!
No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:
As andorinhas é que mudam.
Mario Quintana

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

POR QUE A REPUBLICA NO BRASIL - TEXTO I


A Proclamação da República Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil e, por conseguinte, pondo fim à soberania do imperador Pedro II. Foi, então, proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.

A Situação Política do Brasil em 1889O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, Proclamação da República do Brasil
A Proclamação da República Brasileira foi um levante político-militar ocorrido em 15 de novembro de 1889 que instaurou a forma republicana federativa presidencialista de governo no Brasil, derrubando a monarquia constitucional parlamentarista do Império do Brasil e, por conseguinte, pondo fim à soberania do imperador Pedro II. Foi, então, proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
Foi instituído, naquele mesmo dia 15, um governo provisório republicano. Faziam parte, desse governo, organizado na noite de 15 de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca como presidente da república e chefe do Governo Provisório; o marechal Floriano Peixoto como vice-presidente; como ministros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Quintino Bocaiuva, Rui Barbosa, Campos Sales, Aristides Lobo, Demétrio Ribeiro e o almirante Eduardo Wandenkolk, todos membros regulares da maçonaria brasileira.

A Situação Política do Brasil em 1889O governo imperial, através do 37º e último gabinete ministerial, empossado em 7 de junho de 1889, sob o comando do presidente do Conselho de Ministros do Império, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto, do Partido Liberal, percebendo a difícil situação política em que se encontrava, apresentou, em uma última e desesperada tentativa de salvar o império, à Câmara-Geral, atual câmara dos deputados, um programa de reformas políticas do qual constavam, entre outras, as medidas seguintes: maior autonomia administrativa para as províncias, liberdade de voto, liberdade de ensino, redução das prerrogativas do Conselho de Estado e mandatos não vitalícios para o Senado Federal. As propostas do Visconde de Ouro Preto visavam a preservar o regime monárquico no país, mas foram vetadas pela maioria dos deputados de tendência conservadora que controlava a Câmara Geral. No dia 15 de novembro de 1889, a república era proclamada.
A Perda de Prestígio da Monarquia Brasileira
Muitos foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos.
Da parte dos grupos progressistas, havia a crítica que a monarquia mantivera, até muito tarde, a escravidão no país. Os progressistas criticavam, também, a ausência de iniciativas com vistas ao desenvolvimento do país (fosse econômico]], político ou social), a manutenção de um regime político de castas e o voto censitário, isto é, com base na renda anual das pessoas, a ausência de um sistema de ensino universal, os altos índices de analfabetismo e de miséria e o afastamento político do Brasil em relação a todos demais países do continente, que eram republicanos.
Assim, ao mesmo tempo em que a legitimidade imperial decaía, a proposta republicana - percebida como significando o progresso social - ganhava espaço. Entretanto, é importante notar que a legitimidade do Imperador era distinta da do regime imperial: Enquanto, por um lado, a população, de modo geral, respeitava e gostava de dom Pedro II, por outro lado, tinha cada vez em menor conta o próprio império. Nesse sentido, era voz corrente, na época, que não haveria um terceiro reinado, ou seja, a monarquia não continuaria a existir após o falecimento de dom Pedro II, seja devido à falta de legitimidade do próprio regime monárquico, seja devido ao repúdio público ao príncipe consorte, marido da princesa Isabel, o francês Conde D'Eu).
Embora a frase de Aristides Lobo (jornalista e líder republicano paulista, depois feito ministro do governo provisório), "O povo assistiu bestializado" à proclamação da república, tenha entrado para a história, pesquisas históricas, mais recentes, têm dado outra versão à aceitação da república entre o povo brasileiro. É o caso da tese defendida por Maria Tereza Chaves de Mello (A República Consentida, Editora da FGV, EDUR, 2007), que indica que a república, antes e depois da proclamação, era vista popularmente como um regime político que traria o desenvolvimento, em sentido amplo, para o país.

Antecedentes da Proclamação da RepúblicaA partir da década de 1870, como consequência da Guerra do Paraguai (também chamada de Guerra da Tríplice Aliança) (1864-1870), foi tomando corpo a ideia de alguns setores da elite de alterar o regime político vigente. Fatores que influenciaram esse movimento:
• O imperador dom Pedro II não possuía filhos, apenas filhas. O trono seria ocupado, após a sua morte, por sua filha mais velha, a princesa Isabel, casada com um francês, Gastão de Orléans, Conde d'Eu, o que gerava o receio em parte da população de que o país fosse governado por um estrangeiro.
• O fato de os negros terem ajudado o exército na Guerra do Paraguai e, quando retornaram ao país, permaneceram como escravos, ou seja, não ganharam a alforria de seus donos.

A Crise Econômica
A crise econômica agravou-se em função das elevadas despesas financeiras geradas pela Guerra da Tríplice Aliança, cobertas por capitais externos. Os empréstimos brasileiros elevaram-se de 3 000 000 de libras esterlinas em 1871 para quase 20 000 000 em 1889, o que causou uma inflação da ordem de 1,75 por cento ao ano.

A Questão Abolicionista
A questão abolicionista impunha-se desde a abolição do tráfico negreiro em 1850, encontrando viva resistência entre as elites agrárias tradicionais do país. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, devido a repercussão da experiência mal sucedida nos Estados Unidos de libertação geral dos escravos ter levado aquele país à guerra civil, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao preço total que haviam pago pelos escravos a serem libertados por lei. Estas indenizações seriam pagas com empréstimo externo.
Com a decretação da Lei Áurea (1888), e ao deixar de indenizar esses grandes proprietários rurais, o império perdeu o seu último pilar de sustentação. Chamados de "republicanos de última hora", os ex-proprietários de escravos aderiram à causa republicana.
Na visão dos progressistas, o Império do Brasil mostrou-se bastante lento na solução da chamada "Questão Servil", o que, sem dúvida, minou sua legitimidade ao longo dos anos. Mesmo a adesão dos ex-proprietários de escravos, que não foram indenizados, à causa republicana, evidencia o quanto o regime imperial estava atrelado à escravatura.
Assim, logo após a princesa Isabel assinar a Lei Áurea, João Maurício Wanderley, Barão de Cotegipe, o único senador do império que votou contra o projeto de abolição da escravatura, profetizou:
"A senhora acabou de redimir uma raça e perder um trono!" (Barão de Cotegipe)
A Questão Religiosa
Desde o período colonial, a Igreja Católica, enquanto instituição, encontrava-se submetida ao estado. Isso se manteve após a independência e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse previamente aprovada pelo imperador (Beneplácito Régio). Ocorre que, em 1872, Vital Maria Gonçalves de Oliveira e Antônio de Macedo Costa, bispos de Olinda e Belém do Pará respectivamente, resolveram seguir, por conta própria, as ordens do Papa Pio IX, não ratificadas pelo imperador e pelos presidentes do Conselho de Ministros, punindo religiosos ligados à maçonaria.
D. Pedro II, aconselhado pelos maçons, decidiu intervir na questão, solicitando aos bispos que suspendessem as punições. Estes se recusaram a obedecer ao imperador, sendo condenados a quatro anos de trabalho braçal (quebrar pedras). Em 1875, graças à intervenção do maçom Duque de Caxias, os bispos receberam o perdão imperial e foram colocados em liberdade. Contudo, no episódio, a imagem do império desgastou-se junto à Igreja Católica.

A Questão Militar
Os militares do Exército Brasileiro estavam descontentes com a proibição, imposta pela monarquia, pela qual os seus oficiais não podiam manifestar-se na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra. Os militares não possuíam uma autonomia de tomada de decisão sobre a defesa do território, estando sujeitos às ordens do imperador e do Gabinete de Ministros, formado por civis, que se sobrepunham às ordens dos generais. Assim, no império, a maioria dos ministros da guerra eram civis.
Além disso, frequentemente os militares do Exército Brasileiro sentiam-se desprestigiados e desrespeitados. Por um lado, os dirigentes do império eram civis, cuja seleção era extremamente elitista e cuja formação era bacharelesca, mas que resultava em postos altamente remunerados e valorizados; por outro lado, os militares tinham uma seleção mais democrática e uma formação mais técnica, mas que não resultavam nem em valorização profissional nem em reconhecimento político, social ou econômico. As promoções na carreira militar eram difíceis de serem obtidas e eram baseadas em critérios personalistas em vez de promoções por mérito e antiguidade.
A Guerra do Paraguai, além de difundir os ideais republicanos, evidenciou aos militares essa desvalorização da carreira profissional, que se manteve e mesmo acentuou-se após o fim da guerra. O resultado foi a percepção, da parte dos militares, de que se sacrificavam por um regime que pouco os consideravam e que dava maior atenção à Marinha do Brasil.

Arquivo internet

Lupeu Lacerda

ainda olho borboleta voando
sol se pondo
primeira estrela.
ainda amo
sonho
acredito.
ainda espero quem partiu
a noite
a notícia de riso.
ainda abraço apertado
namorada
filhas
amigos do peito.
...
acho que ainda tenho jeito.

Publicado por Stela Siebra

Um gato azul
e no azul do gato
a cinza do fogão
e o brilho de uma estrela.

Saber que Deus me olha
azul
nos olhos desse gato
na cinza do fogão
e no brilho da estrela.
(Daniel Lima – Poemas, CEPE, 2010)
Um gato azul
e no azul do gato
      a cinza do fogão
e o brilho de uma estrela.

Saber que Deus me olha
       azul
nos olhos desse gato
  na cinza do fogão 
      e no brilho da estrela.
(Daniel Lima – Poemas, CEPE, 2010)

domingo, 13 de janeiro de 2013



Receita de Bolo de Morango e Chantili

Culinária e Receitas – Not1

Ingredientes:
2 3/4 xícaras (chá) de farinha de trigo
2 1/2 xícaras (chá) de açúcar
1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
3/4 de xícara (chá) de óleo
10 ovos
4 xícaras (chá) de leite
2 colheres (chá) de essência de baunilha
1/2 xícara (chá) de amido de milho
3 xícaras (chá) de morango picado
2 1/2 xícaras (chá) de chantili pronto

Receita de Bolo de Morango e Chantili Delicioso, Passo a Passo receita bolo morango chantilly 

Modo de Preparo:
1. Numa tigela, peneire a farinha com 1/3 de xícara (chá) do açúcar e o bicarbonato.
2. Em outra tigela, misture o óleo com 4 gemas até ficar homogêneo.
3. Junte 1 xícara (chá) de leite, 1 colher (chá) de essência de baunilha e misture bem.
4. Acrescente a mistura de farinha aos poucos, misturando sempre, até que a massa fique lisa.
5. Aqueça o forno em temperatura média.
6. Bata 6 claras até espumarem.
7. Junte 1 2/3 de xícara (chá) de açúcar e continue batendo, até obter picos firmes. Adicione as claras à massa aos poucos, mexendo sempre.
8. Divida a massa em duas formas com 23 cm de diâmetro, untadas e enfarinhadas, e leve ao forno por 25 minutos ou até que, ao espetar um palito de madeira, ele saia seco e limpo. Retire do forno e deixe amornar. Desenforme.
9. Prepare o recheio: misture 6 gemas com o amido e 1/2 xícara (chá) de açúcar até ficar homogêneo.
10. Numa panela, leve 3 xícaras (chá) de leite ao fogo até começar a ferver. Junte um pouco do leite fervente às gemas e misture bem. Leve ao fogo, mexendo até engrossar.
11. Retire do fogo e junte a baunilha restante.
12. Misture e deixe esfriar coberto com filme plástico. Quando estiver frio, misture com 2 xícaras (chá) de morango picado.
13. Corte os bolos ao meio e, em um prato, monte camadas de bolo e do recheio.
14. Corte alguns morangos ao meio e reserve. Cubra o bolo com o chantili e decore com os morangos reservados.


sábado, 12 de janeiro de 2013

O "inquilino" (transcrição)

Você mora de aluguel ??? Se sente infeliz por isso ???
Então, talvez lhe conforte saber que existem pessoas em situação pior que a sua. Sabe qual é mesmo o “inquilino” mais infeliz do mundo ???
É o espermatozóide !!!
Por que ???
Vejamos: mora com milhões de irmãos na casa do cacete; o apartamento é um ovo; o prédio é um saco; os vizinhos da frente, uns pentelhos; o de trás... só faz merda; e o proprietário, quando fica duro, bota todo mundo prá fora.
E aí, está mais resignado ??? Que sufoco, não ???



Arisco



As cidades que se espreguiçam nas bordas da Chapada do Araripe vivem, literalmente, de sombra e água fresca. Os cratenses carregam consigo aquela fatia de preguiça e  de irreverência:  agimos  ainda  como caçadores-coletores,  igualzinho aos nossos avós cariris.  Somos mais afeitos à rede e à preguiçosa do que à enxada e ao moinho. É que trabalhar às vezes é até bom, mas dá uma canseira danada. E, ademais, para que essa  correria toda, se os frutos já pendem das árvores; os passarinhos ligam suas radiolas nos galhos; as fontes nos convidam para seus sonhos molhados e o verde da serra nos ensina, a todo momento, suas lições  de esperança ? Pernas para o ar que ninguém é de ferro !  Terminamos por ser, inexoravelmente,  um pouco a extensão da natureza que nos rodeia. Carregamos um sorriso mais úmido, uma postura mais refrescante, uma leveza de brisa, um líquido fluxo de levadas e cascatas. A placidez do mundo à nossa volta reflete-se no nosso espírito. A vida que palpita à nossa frente nos basta e marca, de alguma maneira, o ritmo das nossas sístoles e diástoles.
                                   A serra nos dá lições de perigo com seus penhascos e suas escarpas. A paisagem, vista da montanha, professa-nos aulas de pequenez. Somos um mero ponto diante da imensidão que se estende desafiadora no horizonte sem fim. Do alto, os homens são pequenos e as coisas minúsculas e salta-nos aos olhos a perfeita escala da nossa perturbadora  insignificância . O ciclo incessante das estações brota no nosso quintal e imanta-nos com sua magia: dias somos outono, noutros veraneamos, e , quase que continuamente , primaveramos , no aguardo dos rigores não tão rigorosos  dos nossos invernos exteriores e interiores.
                                   A vida , do outro lado da montanha, substituiu o concreto pelo verde; o sonho pela gula; as espigas pelos espigões; as flores pelo E.V.A; os frutos pelo isopor. Dizem-se todos fartos e felizes , protegidos pelos  seus muros de T.N.T. . Fartem-se ! A luz incandescente do lago artificial lhes ofusca. A nós , basta-nos o milagre nosso de cada dia : a cascata já empina as turvas águas do Batateiras e os pequis estão florando ali no Arisco e,  logo mais , nas encostas da Chapada. Vejam !

J. Flávio Vieira

Luís Fernando Veríssimo




E tudo mudou...


O rouge virou blush

O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss

O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone

A peruca virou aplique, interlace, megahair,
alongamento
A escova virou chapinha
"Problemas de moça" viraram TPM

Confete virou MM

A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou gliter
A brilhantina virou mousse

Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal

Ninguém mais vê...

Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service

A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão

O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD

A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por email

O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do "não" não se tem medo

O break virou street

O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também

O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou Bis
Polícia e ladrão virou counter strike

Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato

Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita ?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira...

A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida

A violência está coisa maldita!

A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz...

... De tudo.

Inclusive de notar essas
diferenças

Luis Fernando Veríssimo

Vale conferir!


FERNANDO PESSOA, in POESIAS

AUTOPSICOGRAFIA

O poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


© An HE Painting

Por João Nicodemos


COISA COM COISA.
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
12:33
     Dia  destes estive conversando com uma criança, atividade de que gosto muito. É um menino inteligente e muito perspicaz. Depois de algumas brincadeiras linguísticas, utilizando rimas, ritmo, e um pouco do imaginário infantil, no meio da conversa ele parou, pensou um pouco e disse num tom entre sério e debochado: "Ele não diz coisa com coisa!" Outro adulto que estava presente repetiu a frase como quem confirma e aprova a expressão. Fiquei triste e bastante preocupado. Um adulto pensar assim, é até natural, mas uma criança de cinco anos com sintomas dessa natureza?
      Tudo bem que um gato seja um gato e um passarinho seja um passarinho... Mas com um pouco de imaginação, um gato pode querer voar e cantar como um passarinho, ou um passarinho aprender a miar e conversar com o gato. Como diria um amigo meu, o mundo das fábulas é fabuloso!
      Enquanto poeta, transito livremente entre o estreito universo da razão e as infinitas possibilidades da transcendência. Afinal, poesia é transcendência.
      Uma criança de tão pouca idade, olha e vê o mundo com espanto, onde tudo é novidade. Um caramujo no jardim, uma borboleta sobre a flor, uma fileira de formigas... Tudo isso é ao mesmo tempo real e fantástico. Partes de um mundo a descobrir e reinventar. A lógica binária dos computadores não chega nem a arranhar o verniz destas realidades tão profundas e, por isso mesmo tão simples, quando tenta explicá-las.
      Sou irmão umbilical das metáforas, das metonímias, enfim da metalinguagem. Assim, acredito e tenho fé, que a Verdade - com "v" maiúsculo e a Beleza -idem- só podem ser alcançadas por esta via. Entenda-se como metalinguagem todas as formas de linguagem que transcendam aos estreitos limites racionais, incluindo as não verbais.
      Não que eu despreze a Razão e o conhecimento que dela decorre. Afinal toda esta conversa (para muitos, chata) está firmada em argumentos plenamente razoáveis. Prefiro considerar que a razão e suas ferramentas sejam como pedras num caminho pantanoso, onde devamos pisar com segurança para dar um próximo passo. E ainda que nos arrisquemos pisando no desconhecido, as pedras da razão devem ser nossas referências, nosso porto seguro entre um e outro movimento.
      Vejam que não posso abrir mão da metáfora, mesmo pra pensar a razão. Então vamos imaginar que a casca do ovo, em sua pequena espessura, contenha o universo racional. Toda a razão e todo o conhecimento racional ali estão contidos. Com este conhecimento é possível abarcar todas as realidades racionais. Tudo que existe no universo racional, contido na espessura da casca de um ovo.
      Admito que isso seja suficiente, para a maioria das pessoas. Acontece que no interior desta casca imaginária, no interior deste ovo-metáfora, existe mais um universo de fenômenos e possibilidades, totalmente desconhecido e inatingível pelas ferramentas do mundo racional. E como não bastasse, existe ainda o exterior deste ovo imaginário, que não compreende nem sua casca (o mundo racional) nem o seu interior.
     Ao descobrir-formular este pensamento tenho um susto imenso, quase um surto, e percebo que a Verdade e a Beleza são muito maiores e mais plurais do que poderiam supor nossos parcos recursos racionais.
     Penso com Leonardo (Boff) que a transcendência seja uma das necessidades humanas; assim como o alimento, o abrigo, a procriação; e se não fosse esta necessidade de transcender nossa condição humana, de buscarmos o além-de-Nietzsche, não teríamos supra-humanos como Leonardo (o Da Vinci); a Terra teria a forma de uma bolacha e seria o centro do universo; o espaço seria plano e Einstein e Deus estariam errados, e...
     Sinto muito pelos meninos inteligentes que são forçados a dizer coisa com coisa. Sinto por eles e por toda a humanidade.


                                                                                                                                                            
João Nicodemos .

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Zé Menezes !




 Violonista. Compositor. Multiinstrumentista, toca violão de seis e sete cordas, violão tenor, bandolim, banjo, cavaquinho, viola de dez cordas, guitarra amplificada, guitarra portuguesa e contrabaixo. Seu gosto musical foi despertado quando aos seis anos de idade ouviu a banda de música de sua cidade natal(Jardim-Ce). Começou a tocar requinta e depois cavaquinho ainda criança
Iniciou a carreira artística com apenas oito anos de idade quando foi convidado pelo maestro Arlindo Cruz para se apresentar profissionalmente em um cinema na cidade cearense de Juazeiro. Atuou posteriormente na orquestra do maestro Arlindo Cruz em apresentações na cidade de Crato, CE. Aos 11 anos de idade já era membro da Banda Municipal de Juazeiro. 
Incrível como desconhecemos os nossos valores.
Aplausos para este músico, internacionalmente conhecido,  com raízes no nosso Cariri.

Um "pequeno grande gesto" - José Nilton Mariano Saraiva

E de repente, de uma área não muita afeita a manifestações da espécie, porquanto povoada por “machões sarados”, aparentemente embrutecidos, e ainda por cima praticantes de um esporte onde o contato físico forte e ríspido é uma constante, uma atitude inusitada, um laivo de ternura e afeto, um “pequeno grande gesto”, que parece ter passado despercebido pela maioria dos que o vivenciaram, ao vivo ou via telinha (pelo menos não se ouviu ou se leu nada, a respeito).
Deu-se na frienta noite londrina, no novo e monumental estádio de Wembley, por ocasião de uma partida final da Copa dos Campeões da Europa, quando se enfrentaram as tradicionais e caras esquadras do Barcelona (Espanha) e Manchester United (Inglaterra), dois dos maiores expoentes do mundo futebolístico da atualidade.
Aos fatos.
Quase ao final (aos 43 minutos do segundo tempo) do aguardado confronto que mobilizou adeptos do futebol em todo o mundo, com o jogo já definido e o título assegurado em favor da excepcional esquadra do Barcelona (3 x 1), o técnico Guardiola (ex-jogador do próprio clube), numa atitude de grandeza e desprendimento, resolve prestar uma justa homenagem ao seu correto “capitão”, o marrento e aguerrido zagueiro Puyol, que, lesionado, não tivera condição de adentrar ao gramado, de início; então, faltando dois minutos para o término da pugna, convoca-o a substituir um companheiro, com o claro intuito de, naquele momento maior, no ápice daquela gloriosa jornada, braçadeira de capitão, fazê-lo erguer o troféu de campeão e, consequentemente, aparecer para a posteridade nas TVs de todo o mundo, ao vivo e a cores, e na primeira página dos principais jornais do mundo, dia seguinte.
Providenciada a substituição, daí a pouco o juiz determina o término do confronto. E foi então, no momento da premiação, ante um batalhão de fotógrafos e centenas de canais de televisão de todo o mundo, que se deu o inusitado, o imprevisível, aquilo que denominamos um “pequeno grande gesto”, pela espontaneidade e nobreza do ato: o guerreiro Puyol, evidentemente que fugindo do script armado pelo técnico-amigo Guardiola, mostra toda a sua humildade e excelência de caráter, ao abdicar de tamanha honraria e delegar ao discreto companheiro Abidal (lateral esquerdo), o privilégio de erguer o troféu, como se fora o verdadeiro “capitão” da equipe catalã.
Explica-se: meses atrás, Abidal fora desenganado pelos médicos, em razão da descoberta de uma grave e normalmente letal enfermidade (“câncer” no fígado) e fora afastado sumariamente das atividades esportivas; agora, após um tratamento pra lá de penoso, ali, ante um estádio ocupado por 80 mil pessoas e com a partida sendo transmitida pra bilhões de telespectadores em todo o mundo, além da confiança do técnico Guardiola em escalá-lo e mantê-lo durante toda a partida, agora, Puyol, o “capitão” de todos eles, que entrara ao final do jogo unicamente pra “exercitar o que lhe conferia a patente”, humilde e simbolicamente transferia pra ele, Abidal, o privilégio de erguer o troféu de campeão.
Uma cena de cortar corações e levar qualquer um às lágrimas (embora alguns teimem em afirmar que “homem que é homem não chora”). Pois, acreditem, “abrimos o berreiro”.

Tostões de memória- socorro moreira




Na década de 50 tínhamos o Rádio, o Cinema, as revistas ( Cruzeiro, Cinelândia...), e oxalá, algum jornal,  nos mantinham em contato com as notícias da Capital, do Brasil e do Mundo.
Guaraná, passas (caixinhas minúsculas), chocolates, biscoito Champanhe, ameixas, amêndoas, castanha do Pará e avelãs eram artigos de luxo. Tudo era artesanal, e primitivo: café torrado e pilado em casa, geladeira a querosene, fogão de lenha, filtros de barro, cascas de laranja penduradas no teto da cozinha, meizinhas  e latrinas no quintal, pinicos dentro do quarto, e até no corredor...Quartos apinhados de rede, família numerosa, feiras diárias, ou no máximo semanais: pra comprar secos e molhados.Mercearias , quase únicas, substituíam os supermercados atuais.O povo do Crato já tinha a mania de fazer compras no Juazeiro. Lá tudo era mais barato e fácil de achar. Lá,  novidades, em primeiro lugar.
Na década de 60 as famílias começaram a usar papel higiênico, e as garotas substituíram os “guardanapos” por “Modess”. Chegou luz de Paulo Afonso pra apagar velas e candeeiros, rodas nas calçadas e desabitar as salas de cinema. As modistas ainda tinham todo espaço, e as revistas em quadrinhos começaram a enfeitar as bancas de revista. Não faltava uma radiola nas salas, cristaleiras nas salas de jantar, e penteadeiras nos quartos.
Leite Moça e Creme de leite começaram a constituir a base dos nossos quitutes e doces.
Em 70 as casas que  cobriam botões, fivelas , lojas de tecido, entraram em crise com o advento das primeiras e definitivas boutiques.
Em 80  dançávamos em “boates”, e curtíamos músicas internacionais.Os eletrônicos , carros, quartos com suítes, pisos de cerâmica eram o sonho de consumo de todos os lares.Manaus e Paraguai eram muito visitados.
Nos anos 90 as atenções foram voltadas para uma política inflacionária. Desativaram o curso “Normal”, que formava professoras primárias, e a corrida saudável por um curso profissionalizante ou Superior motivavam, definitivamente, a população do Crato.
Nos anos 2000 deixamos de conhecer TODOS os moradores da nossa cidade. Gente de fora: professores, alunos, comerciantes, políticos e industriais assumiram uma nossa nova vida.
Todo o passado ficou para trás, menos as nossas lembranças que permanecem vivas.Hoje,na terceira idade,vivemos o cotidiano de esperanças mescladas de muitas saudades.
Envelhecemos e ganhamos um jeito novo de vida. Mais doenças, cujos tratamentos esticam o fim.
Péssimos programas de TV, gosto musical suspeito, contas de celular, luz, planos de saúde, prestação de carro, aluguel de casa, educação dos filhos e material escolar, alimentação, engolindo sem piedade o nosso parco salário. Tempos de conforto bastante oneroso!
O interessante é que a paixão, o amor, a poesia, os sonhos encantados nos enchem de alegria como um “PI”, em todos os tempos.
Nunca mais terei um pijama de flanela feito por minha mãe para enfrentar as noites frias de junho; nunca mais escutarei as histórias da minha avó Dadinha com cantigas e detalhes surpreendentes; nunca mais um tijolo de Joaquim Patrício; nunca mais um jogo clássico de futebol de salão: AAB X Votoran; nunca mais um corte de cabelo por Baysa; nunca mais um corso no carnaval; nunca mais a farda do colégio e os livros suados, debaixo dos braços.;nunca mais uma sessão de cinema no Cassino,nunca mais uma aula de Vieirinha, Alderico, Zé do Vale...Nunca mais quase tudo, quando justamente tudo parece estar ao nosso alcance.
Sejamos satisfeitos com novas realidades. Todo tempo tem a sua graça!
Um abraço aos amigos do meu tempo: Magali, Carlos, Henrique Cruz, Zé Flávio, Bastinha, Joaquim, Dona Almina, Abidoral, Walda, Zé do Vale,mariano, Stella, e todos os rostinhos carinhosos dos quais me recordo,ou encontro em meu caminho.
Nossa geração sobrevive pra contar histórias. Conte a sua!