por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Que me desliguem toda vez que tocar Just for Tonight - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Existem coisas que acontecem conosco. Tinha eu dezesseis anos de idade em férias entre dezembro e janeiro de 1964/65. No circuito Juazeiro e Petrolina. Naquele tempo não havia telefonia interurbana. Apenas rádio amador e telegramas. Em certo sábado de janeiro todos fomos para um sítio no vale do Rio Salitre. Uma das primeiras áreas irrigadas do São Francisco. Entontecido pelos amores da adolescência repetia a faixa de um long play com a trilha sonora do filme Hatari. A música Just for Tonight que se encontra aqui no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=hHGGFocDNRY&feature=PlayList&p=2066771E0F2826A2&index=10. Quando retornamos no domingo para a cidade, tão longo descemos do transporte e entramos na casa meu tio passou-me um cabograma do posto da VARIG: dava notícia que minha mãe morrera no sábado. A partir daí varamos a noite nos sertões de Pernambuco até o amanhecer já no Crato. Nunca mais consegui ouvir aquela música e não sou mágico e nem tirado a fantasias. Apenas não me deparei com ela até ontem à noite em paralelo com o que segue:


Simultaneidades desconhecidas,
Quando um amor vago prometia,
A centenas de quilômetros voavas,
E jamais por aqui pousarias.

Enquanto no sítio me divertia,
Apaixonado pela moça de perto,
O teu meio circulante transbordava,
Até o último suspiro e mais nada.

E dancei, com os passos da sedução,
Ainda mais significados pela música,
E noutro passo eras carregada,
Por uma multidão dramática e solene.

Aquela música entalhada no meu peito,
Just for Tonight, Henry Mancini, Hatari,
E nos desdobramentos de uma noite agônica,
Nunca mais ousei ouvi-la posto que prenúncio.

Entre a suavidade da canção de tons francesa,
Elsa Martinelli entre caçadores brutais,
Laçava o rinoceronte livre da minha vida,
Lancetava o plano de minha adolescência.

Nunca mais ousei ouvir aquela música,
Que tempo curto teve Gisélia em vida,
Quanto durei até para o filho gerar a neta,
E aquela mulher sonhadora acordou tão cedo.

Just for Tonight, entre parreiras do Salitre,
E tantos daquele tempo deixaram o tempo,
Como agora, novamente ouvindo-a,
Tangido por nuvens de lampejos.



 por José do Vale Pinheiro Feitosa

Flores- por socorro moireira



Volto aos meus sete anos, ou menos, quando minha mãe comprava rosas “La frança” , “avenca” e “sorriso de Maria”, no jardim dos Lino, perto de onde fica hoje a padaria P & Cia.
Com esse arranjo ela enfeitava os santuários da casa, ou a mesa da sala de jantar, nos dias festivos. Depois ela teve o seu jardim, numa casa do Pimenta, com todos os canteiros iluminados por roseiras.Hoje ela tem no muro, a trepadeira , cuja muda foi extraída dos terreiros da sua mãe, na Fazenda Santa Rita (Piauí).
Acho que o cratense, via de regra, adora flores. O comércio ainda é restrito. Considero como pioneira a esposa do Seu Ernani Silva. Era de lá que saiam os mais belos buquês.
Hoje temos outros floricultores, como Angélica... Mas, na casa de muitos de nós, existe sempre um pé de flor, ou senão um belo jardim!
As flores marcam as trilhas do meu caminho. Nem falo dos tantos lugares onde vivi como em Friburgo, que me arrodeava das orquídeas.
Falo dos ipês, flamboyants, dos jasmins, samambaias, e das trepadeiras que enfeitam os caminhos e muros de tantas casas.
E nem precisa ter muito espaço. Conheço um jardineiro que rega todos os dias a sua acácia. Passe por lá, na Rua José do Carvalho, entre seis e 8h da manhã, que verá.
Ele é nada mais, nada menos do que o místico e grande compositor Abidoral Jamacaru. Não conheço ninguém que entenda, e cuide tão bem das plantas, como aquele moço. Outro que me impressiona é o Blandino, e o próprio Salatiel... Pachelly, Bola, Ricardo, Samuel, Claude, Emerson são fotógrafos, cujas lentes não resistem a uma flor, seja ela a mais simples, a mais rara ou a mais bela!
Meu pai quando começou a namorar a minha mãe lhe presenteava todos os dias com uma margarida, e com ela minha mãe enfeitava os cabelos.
Hoje é dia de lembrar o colorido e perfume da vida. A vida brotando, no mistério da flor.

CRATO ASSIM COMO LÍGIA DO TOM JOBIM - por José do Vale Pinheiro Feitosa


Louvar-te sem esquecer teus pés de barro.
Amar-te tomando conta das tuas traições.
Sentir o sabor doce de tuas lembranças sabendo-as artifícios sobre o amargor.
E como Tom Jobim, no jamais com desejo de sempre, cantar-te.

Eu nunca sonhei com o Crato, / Nunca fui à Siqueira, / Não gosto de dança não vou ao Tênis / Não gosto de bica nem gosto de sal.

E quando de te me lembrei,/ Esqueci foi engano / O seu ponto não sei / Escorri na sarjeta as bobagens de dor / Que eu iria sofrer, não ... Crato Crato

Eu nunca quis vê-la do topo do alto / Num vale sem fim / De corpo pelado na praça bacana / Andar pela serra até o serão

E quando eu me desesperei / Não passou de insônia, a sua casa fechei / Fiz um xote rasgado das lixeiras da vida / Que juntei com você / É ... Crato Crato

E quando você me esquecer / Dos teus braços severos eu vou me vencer / Mas tuas fossas perenes / Me matam mais vezes que um tiro de sal / É... Crato Crato
 por José do Vale Pinheiro Feitosa

Mulher e Flor- Maria José Zanini Tauil




MULHER E FLOR

Romantismo é amor exuberante, exageros, sonhos e endeusamento da mulher amada.
Gonçalves Dias, além do indianismo, expressou, como todo poeta romântico, o sentimento amoroso na maior parte de sua obra.



(...) podia chamá-la -rosa
De musgo ou de Alexandria
Rosa de amor de poesia
Mais lhe não dava que o seu
Porque se essa flor mimosa
Já chegaste ao teu retrato,
Havias ver como a rosa
De repente esmoreceu!(...)

O eu-lírico, nesse caso rejeita a comparação da mulher amada à rosa. Continuando o poema, ele diz que é o amor que a musa sente por ele, que faz dela a mais bela
de todas as mulheres.

A comparação da mulher com a flor, talvez seja a mais utilizada pelos homens, graças ao perfume, beleza e delicadeza de ambas. Que mulher não gosta de ouvir tal galanteio?

Chamar mulher de flor virou lugar comum e caiu na banalidade. Evitando ser redundante, Drummond escreveu: "Minha prímula, meu pelargonio, meu gladiolo, meu botão de ouro. Minha peônia, Minha cinerária, minha calêndula, minha boca-de-leão. Minha gérbera, minha clívia..."

Quem não lembra de Cartola em " As rosas não falam, simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti"?

E você, minha amiga, já foi chamada de flor?

E você, meu amigo, estabelece essa comparação entre a mulher e a flor, ou, mais ousado, dá esse nome a uma pequena parte do corpo dela?



Maria José Zanini Tauil.

Qual a melhor religião ?- Recebida por e-mail



(Breve diálogo entre o teólogo brasileiro Leonardo Boff e o Dalai Lama. )

Leonardo Boff explica:

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre os povos, na qual ambos (eu e o Dalai Lama) participávamos,

eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:

- "Santidade, qual é a melhor religião?" (Your holiness, what`s The best religion?)

Esperava que ele dissesse:

- "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo."

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos o que me desconcertou um pouco,

por que eu sabia da malícia contida na pergunta - e afirmou:

“A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, é aquela que te faz melhor.”

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:

-"E o que me faz melhor?”

Respondeu ele:

- "Aquilo que te faz mais compassivo". Aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável, mais ético...

A religião que conseguir fazer isso de ti é a melhor religião..."

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando sua resposta, sábia e irrefutável...

Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo se tens ou não tens religião. O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o Mundo...

Lembremos:

"O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos".

A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas.

Se eu ajo com o bem, receberei o bem.

Se ajo com o mal, receberei o mal.

Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade:

- "terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros".

Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha.

Com o acender das luzes-Por: Rosemary Borges Xavier

Fala-se que à noite os gatos são pardos... Todavia ao acender das luzes... Cada qual mostra sua pelagem... E a luz se faz para que tenhamos discernimento do que há na escuridão...

BREVE



****

o tempo perdido
e s v a z i a
a poe sia

****
“LÍNGUA PORTUGUESA”
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Amote assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Olavo Bilac (1865 – 1918)

Faça sua inscrição Conversas Fotograficas


Conversas Fotográficas
Encontro com fotógrafos, artistas, estudantes e pesquisadores, que será realizado no Centro de Artes Violeta Arraes de Alencar Gervaiseau, Campus Pirajá – URCA Universidade Regional do Cariri, em Juazeiro do Norte – CE, nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2011, como parte das celebrações do dia mundial da fotografia. O evento é aberto à comunidade em geral.
A programação se constitui de palestras, mesa redonda, exibição de filmes, mostras fotografias, projeções. O evento tem apoio do Centro Cultural Banco do Nordeste,  do Fórum de Fotografia do Ceará, Poesia da Luz - Fotografia.
Como enviar suas fotos para projeção:
Nome Artístico você envia no e-mail:
Cidade:
Nome da Projeção caso tenha:
Envie através do link www.wetransfer.com
 Fotos  JPG em tamanho 3MB com dimensões no máximo 
5184x3456  e  15 fotos
As fotografias podem ser ensaios ou fotos avulsas.
Receberemos as inscrições até o dia 18 de Agosto de 2011 até 0:00
Aqui nós preparamos a projeção.
Os selecionados receberão certificado de participação.
Só receberemos as fotografias nesse e-mail conversasfotograficas@gmail.com
 Ficamos no aguardo da sua inscrição
 Cordialmente 
 Conversas Fotográficas

O tônico da alegria - Emerson Monteiro


As dificuldades importam pouco quando existe ânimo bom de olhar o mundo através das lentes do humor positivo. Revogar as tristezas e formar nuvens de tranquilidade significa doses de saúde em forma de causar sentido novo aos velhos desesperos das ausências de controle. Esse o jeito de dominar os sentimentos por meio dos pensamentos, que representa tudo nos momentos difíceis das estradas.

Ao pensar se abre a porta de receber os impulsos que vêm de fora. O sentimento mora na casa vizinha dos pensamentos. Antes de chegar ao sentimento, os impulsos primeiro batem na porta dos pensamentos.

Quando pisam os nossos pés, olhamos quem pisou, e o motivo. Em sendo nosso filho menor, por mero acidente, logo relevamos e até sorrimos em troca. Porém havendo as segundas intenções de um desafeto para nos provocar, sobe o fogo das respostas, o que haverá de se dominar a qualquer custo, para evitar desgostos e traumas.

Sim, isto para falar na alegria. Antes das risadas, queremos motivos. Raros, raríssimos, são os bons humoristas neste mundo. Programas ditos de humor, na televisão brasileira desta fase, por exemplo, causam mais contrariedades do que alegria. Filmes e atores que fazem rir custam a surgir. Marcaram época, Carlitos, Cantinflas, Oscarito, Chico Anísio, ligeiro desaparecem e deles poucos nascem.

Saber rir... que rara qualidade nos seres humanos. Dados à fria competição, perderam a virtude das boas risadas, do sorriso nos lábios, da gentileza e da esportividade. Meio que imitando as máquinas que fabricam com tanto gosto nas indústrias, os habitantes das cidades cavam um pezinho para xingar, agredir e soltar o instinto agressivo de suas máquinas individuais. Enquanto isso, estudos revelam o papel principal da alegria na manutenção da saúde. Querem paz no coração, no fígado, nos intestinos; horas agradáveis de sono; boa digestão; bons relacionamentos com os nervos; recebam de bom grado as circunstâncias felizes dos dias.

Este tônico vale ouro, o senso de humor que amacia as crises, desavenças e notícias desagradáveis, assim como o Sol clareia as sombras da noite e abastece de esperança a riqueza de todo dia.

Convite Missa de Sétimo Dia

A família Figueiredo convida parentes e amigos para celebração da Missa da Esperança em sufrágio da alma de Emília Figueiredo Pimentel, ao sétimo dia do seu falecimento a se realizar na Catedral de Nossa Senhora da Penha, ás 17 horas desta quarta-feira, dia 10 de agosto de 2011. Antecipadamente agradece a solidariedade de todos.

A NASCENTE DO RIO SÃO FRANCISCO





 
A NASCENTE DO RIO SÃO FRANCISCO


A Serra da Canastra é um conjunto
de montanhas
em forma de uma imensa canastra de couro.

As cercas de pedras costeiam os morros
desgraciosas
tirando graça de sua própria falta de graça,
como cercas naturais
até chegar a um Curral de Pedras.

A poeira esbranquiçada é um
pó de pedras
no campo amarelado pelo sol.

As sempre-vivas resistem entre as pedras.

Um casal de gaviões-carcará numa elevação de pedra
domina o horizonte.
.
O vôo negro e vermelho dos guaxos protege
os seus ninhos emaranhados.

Um tamanduá sossegado cruza a estrada e
some no cerrado.

No meio do mato uma pequena poça
cheia de girinos
se abre em dois filetes de água e
vem formar um riacho
deslizando de manso entre as pedras.

Aqui nasce o Rio São Francisco.


 ______________
 
 

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Por Rosa Guerrera


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A poesia que eu não escreví

Andei mares , terras , céus
Colhí flores , sofri espinhos .
Naveguei núvens de bonança
Turbulências e tempestades
E muitos versos nasceram das longas caminhadas
.
Quantas poesias perdí
por entre corações que não souberam entende-las .
E quantos aplausos recebi de mãos desconhecidas !

De repente você apareceu
como um verso escrito apenas para mim .
E como uma tonta , uma louca , uma criança talvez
Mergulhei na ternura do seu olhar e no sussurro das suas carícias .

Hoje entendo que mesmo depois do nosso adeus
Você foi exatamente aquela poesia que eu nunca consegui escrever.

TUDO É IMPORTANTE- Rosa Guerrera




Tudo na vida possui a sua importância e sua exata dimensão!.
Não importa o tempo que dure.
Não importa se nele estejam contidas lágrimas, sorrisos, angústias, paixões ou medos .
Tudo que vivemos , tudo que sentimos , tudo que fizemos possui sua peculiar importância dentro de nossos corações.
O riso que acontece hoje pode perfeitamente dar lugar a um choro de saudade, e vice versa.
Em cada sentimento vivido existe sempre histórias ! Histórias que a vida nos fez protagonistas de um círculo vicioso onde vamos repetindo falas e gestos num palco gigante , sujeitos a vaias e aplausos .
Impossível se apagar momentos passados .
Impossível também a tentativa de fugir da saudade.
Impossível ainda esquecermos pessoas que por longo ou curto período de tempo , existiram em nossas vidas .
Tudo realmente possui a sua importância e a sua exata dimensão.
E não importa quando aconteceu , desde que a eternidade possa ter sido vivida e conhecida... nem que tenha sido por um minuto apenas.


Ros@

Vila Grimaldi - por Everardo Norões


Aqui
as pedras
pedem desculpas
por não poderem
prestar
seu testemunho






Do Livro "Poeiras na Réstia".

Por Lupeu Lacerda


O barco é um rio feito
de madeira
De madeira também o homem que joga
a rede
Rede de água feita de nylon
É tudo água
O barco é uma ave pousada
numa arvore corrente
As correntes que prendem o
barqueiro a terra
São feitas de terra
É tudo terra


por lupeu lacerda

Momentos.- por Liduína Belchior




"Quero agarrar o instante já
Que de tão fugitivo não é mais,
pois tornou-se um novo instante.
Toda coisa tem um momento em que
ela é. E eu quero apossar-me do
É dessa coisa"(M Bethânia)


O instante já escorrega
pelas minhas mãos...
Quero segurá-lo, mas é
em vão.Os momentos importantes,
são simplórios e curtos, mas valem
preciosidades:escuto o sabiá cantar,
as folhas do coqueiro balançarem,
os risos das pessoas, os sussurros.
Caso me prepare, vejo até o infinito.
Mas me assusta o pensar no inexorável,
no inevitável,no imutável, no inabalável,
no inflexível.
As mãos tremem, o corpo responde e a
mente divaga.
O caminho entre o inflexível e o
flexível é muito curto. Por isso tenho que
estar atenta ao Amor" tirando sempre sua poeira".

Psicórdica - Por Adélia Prado





vamos dormir juntos, meu bem,
sem sérias patologias.
meu amor este ar tristonho
que eu faço pra te afligir,
um par de fronhas antigas
onde eu bordei nossos nomes
com ponto cheio de suspiros.

Colaboração de Joaquim Pinheiro


Cinco anos sem Arraes
Publicado em 12.08.2010

Ítalo Rocha

Foi num mês de agosto que o ex-governador Miguel Arraes se despediu da vida, depois de 57 dias de luta contra a morte, num leito de hospital, no Recife. Tinha 88 anos e deixou para trás um legado de obras que até hoje estão presentes na mente e no coração dos pernambucanos. Sua atuação política em prol de um estado democrático de direito também jamais será esquecida pelo povo brasileiro. Pagou um preço alto por isso, mas nunca transigiu na defesa dos seus ideais. Foi secretário de estado, deputado estadual, federal, prefeito do Recife e três vezes governador de Pernambuco.

Depois de duas eleições difíceis para deputado estadual (perdeu a primeira mas assumiu o mandato como suplente), foi surpreendido com um convite para ser candidato a prefeito. "Como, se tenho tão poucos votos?". Teria respondido aos representantes das forças progressistas que fora convidá-lo. As urnas provaram o contrário. Como prefeito, logo ganhou a simpatia da população. Investiu na alfabetização de jovens e adultos pobres, levou água para a periferia e implementou um novo traçado urbano que preparou o Recife para as décadas seguintes: concluiu a Av. Norte, abriu a Abdias de Carvalho e a Av. Sul, organizou a Imbiribeira, construiu a Ponte do Limoeiro e pavimentou a Av. Boa Viagem. Naquela época, a prefeitura ficava na rua da Aurora, separada do Palácio do Campo das Princesas pelo Capibaribe. Para atravessar o rio, Arraes contou mais uma vez com a ajuda das urnas. Sentado na cadeira que ocuparia por mais duas vezes, Arraes fez uma administração revolucionária, ganhou projeção nacional e passou a ter influência nos destinos da política brasileira.

No dia 31 de março de 1964, os militares golpearam o Brasil e tiraram do poder João Goulart. Depois redirecionaram a mira dos canhões para Pernambuco. Mais precisamente para o imponente prédio da Praça da República, no Centro, de onde Arraes comandava. Os militares propuseram ao governador a renúncia em troca da sua liberdade. Arraes não aceitou. Seria uma violação aos seus princípios éticos e morais. Saiu do palácio direto para o quartel do Exército, em Socorro, Jaboatão. Transferido para o quartel da Av. Visconde de Suassuna, na Boa Vista, foi levado para Fernando de Noronha. No ano seguinte foi liberado por força de um habeas corpus e viajou para o Rio. Para preservar sua integridade física, já que estava recebendo ameaças de morte, pediu exílio na Embaixada da Argélia e partiu para um longo exílio na África. Longe da sua pátria, foi um dos comandantes das articulações políticas da resistência à ditadura militar. Em 1979, foi um dos últimos exilados incluídos na lista de anistiados e retornou ao País.

Eleito deputado federal pelo PMDB em 1982, quatro anos depois recebeu de volta do povo de Pernambuco o mandato de governador que os militares haviam tirado com a força das baionetas. Voltou mais uma vez à Câmara Federal, agora como o deputado mais votados do Brasil. Na eleição seguinte ocupou pela terceira vez o cargo de governador do Estado. Como integrante da equipe de comunicação do seu segundo governo (1997/1990), comandada pelo jornalista Ricardo Leitão, tive o privilégio de acompanhar Dr. Arraes em suas andanças por esse mundo afora. Captei mensagens e tirei lições que carrego comigo pro resto da vida.

Homem simples, austero no trato com a coisa pública, tinha uma visão social abrangente. Tratava com fineza seus auxiliares, mas, quando se zangava, era aquela "tromba". De hábitos alimentares normais, ria muito quando mostrávamos a ele notas de jornais dizendo que ele no café da manhã costumava comer carne de sol, macaxeira e inhame e no almoço se refestelava com buchada e chambaril. Pela manhã, sua comida era simples. Pedaço de pão, bolacha, geleia e café. Nas outras refeições gostava de carne magra. Não exagerava à mesa. É tanto que nunca engordou. Nos discursos de campanha não gostava de citar obras que havia feito. "Peço votos pelo que haverei de fazer e nunca pelo que fiz". Detestava essa história da mídia de rotulá-lo de mito. "Tudo que faço e fiz pelo povo é concreto e não abstrato. Então, como posso ser um mito?".

Mas não perdia o humor com a confusão que percebia na imaginação dos mais humildes. Numa ocasião, nos grotões do Sertão pernambucano, Dr. Arraes estava reunido com um grupo de agricultores fazendo uma avaliação das obras do seu governo na região. Um dos trabalhadores, de uns 65 anos, barba por fazer, cabelos brancos e ralos, rosto sofrido e um semblante que irradiava pureza e ingenuidade por todos os poros, pediu para falar. "Dr. Arraes, o senhor já trouxe muito pra nós: luz, água encanada, equipamentos para irrigação e créditos. Faça chover também, Dr. Arraes, que aqui tá uma seca de lascar". Todo mundo morreu de rir com aquele pedido insólito. Mas a gargalhada mais sonora naquele momento foi a do "mito", que logo em seguida disse bem baixinho:"Ai se eu tivesse esse dom".

Dr. Arraes morreu no dia 13 de agosto de 2005 e levou consigo a imagem de um poema (Joaquim Cardozo) que ele tanto gostava: "Sou um homem marcado pelo tempo, mas essa marca temerária, entre as cinzas das estrelas, há de um dia se apagar".

Colaboração de CAIO MARCELO


BARRIGA É BARRIGA... Arnaldo Jabour


Barriga é barriga, peito é peito e tudo mais. Confesso que tive agradável surpresa ao ver Chico Anísio no programa do Jô, dizendo
que o exercício físico é o primeiro passo para a morte. Depois de chamar a atenção para o fato de que raramente se conhece um atleta que tenha chegado aos 80 anos e citar personalidades longevas que nunca fizeram ginástica ou exercício - entre elas o jurista e jornalista Barbosa Lima Sobrinho - mas chegou à idade centenária, o humorista arrematou com um exemplo da fauna:

A tartaruga com toda aquela lerdeza, vive 300 anos. Você conhece algum coelho que tenha vivido 15 anos?

Gostaria de contribuir com outro exemplo, o de Dorival Caymmi. O letrista compositor e intérprete baiano era conhecido como pai da preguiça. Passava 4/5 do dia deitado numa rede, bebendo, fumando e mastigando. Autêntico marcha-lenta, levava 10 segundos para percorrer um espaço de três metros. Pois mesmo assim e sem jamais ter feito exercício físico viveu 90 anos.

Conclusão: Esteira, caminhada, aeróbica, musculação, academia? Sai dessa enquanto você ainda tem saúde...

E viva o sedentarismo ocioso!!! Não fique chateado se você passar a vida inteira gordo. Você terá toda a eternidade para ser só osso!!!


Então: NÃO FAÇA MAIS DIETA!! Afinal, a baleia bebe só água, só

come peixe, faz natação o dia inteiro, e é GORDA!!! O elefante só come verduras e é GORDOOOOOOOOO!!!

VIVA A BATATA FRITA E O CHOPP!!! Você menina bonita, tem pneus? Lógico, todo avião tem!

E nunca se esqueçam: 'Se caminhar fosse saudável, o carteiro seria imortal.´

E lembrem-se sempre: Celulite quer dizer - EU SOU GOSTOSA! Em braile.