por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 21 de julho de 2011

Padre Cícero - Por José de Arimatéa dos Santos



Desde criança via a força do mito do Padre Cícero, principalmente nos dias 20 de cada mês em que seus devotos usam roupa preta. Em casa presenciava o quanto meus avós escutavam pelo rádio com carinho a missa em sua homenagem. Não só eles e mais uma grande parcela da população de Barbalha. Sempre gostei de andar pelas ruas a observar as pessoas e as coisas ao redor. E a audiência ainda hoje é incrível. Rádios com seus sons ligados nas alturas logo cedo da manhã na missa em homenagem a essa grande figura brasileira.
Cícero Romão Batista nasceu na cidade do Crato e o desenvolvimento da cidade de Juazeiro do Norte deve-se ao trabalho incansável de Padre Cícero que com seu carisma foi um verdadeiro catalisador e milhares de brasileiros, em especial nordestinos, se deslocaram e se deslocam para a cidade caririense de Juazeiro para trabalhar e viver segundo seus ensinamentos. E durante o ano com as romarias a cidade se agiganta mais ainda e as ruas, praças e igrejas se enchem de peregrinos em busca de paz e conforto espiritual.
A seu tempo Padre Cícero exerceu seu apostolado de maneira extraordinária e quero ressaltar principalmente o valor do trabalho e os seus ensinamentos ecológicos. Sem sombra de dúvidas considero Padre Cícero um vanguardista quanto ao tema ecologia. Já na sua época ensinava como o agricultor deveria cuidar da terra, água e plantações. Noções de cuidado com o meio ambiente era uma de suas preocupações. É tanto que é conhecida sua cartilha com ensinamentos de como sobreviver no semi árido nordestino. Todas as homenagens ao Padre Cícero e a Juazeiro do Norte, cidade centenária, são infinitas e bem vindas.
Foto: José de Arimatéa dos Santos

SILVINO NETO- SILVINO NETO


Foi em 21 de julho de 1913 que ele nasceu na cidade de São Paulo e faleceu em 11 de junho de 1991, aqui no Rio, sem completar 78 anos.

Ele era um gênio. Criou o que muitos hoje fazem mas não dizem a fonte. Aquilo que Chacrinha dizia:"nada se cria, tudo se copia", é uma verdade sempre.

Seu nome : Silvério Silvino Neto, que ficou conhecido como SILVINO NETO. Ele imitava, em seus programas radiofônicos, figuras de nossa política, a tal ponto que ia sempre preso ao terminar seu programa, principalmente antes da Hora do Brasil quando, em plena era de Getúlio Vargas, dizia:"vem aí a hora do espeto". Apesar disso, Getúlio gostava das imitações e, muitas vezes, mandava prendê-lo para que ele o imitasse frente a frente.
Foi também um dos pioneiros a fazer vários personagens sozinho, como a Pimpinela, Seu Acácio e Anestésio. Era a "Pensão da Pimpinela", era "Pimpinela, Anestésio e o Telefone" e outros programas de imitações.
Marcou sua presença atuando no rádio, como humorista, mas também como compositor. Foi o primeiro a comemorar o dia dos namorados com a bonita "Valsa dos Namorados", gravada por Francisco Alves e, depois, por Carlos Galhardo.
De sua autoria, Orlando Silva gravou "Uma Saudade a Mais, Uma Esperança a Menos", como gravou:

CIDADE BRINQUEDO
Autor Silvino Neto
Gravado por Orlando Silva

O Cristo Redentor é uma medalha pequenina
No rosário imenso da colina.
Bonecas delicadas quase todas moreninhas
Adornam suas ruas qual um bando de andorinhas.

Rio és pequeno para os olhos meus,
Olhos, que veneram os encantos teus
Adoro o teu céu da cor do anil
És a cidade brinquedo
Do bazar do meu Brasil.

Silvino Neto escreveu umas bonitas "Cartas Coloridas", que falam de amor", criadas por Carlos Galhardo. Mas antes de tudo ele disse que o "Adeus, são cinco letras que choram".
06:06 (7 horas atrás)
Norma
SILVINO NETO -2-
CINCO LETRAS QUE CHORAM
Autor: Silvino Neto
Gravada originalmente por Francisco Alves

Adeus, adeus,adeus...
Cinco letras que choram
Num soluço de dor.
Adeus, adeus, adeus...
É como o fim de uma estrada,
Cortando a encruzilhada,
Sonho final de um romance de amor.

Quem parte tem os olhos rasos d’água,
Ao sentir a grande mágoa,
Por se despedir de alguém;
Quem fica, também fica chorando
Com o coração penando
Querendo partir também”


Quero destacar ainda que Silvino Neto é pai do ator Paulo Silvino e avô de mais dois atores: Flávio Silvino e João Paulo Silvino. É uma família de artistas, mas Silvério Silvino Neto era um ator completo, o que não acontece com seu filho e netos..
NORMA

Fotos de Liduína Vilar - Noite de lançamento do livro "No AZULSONHADO"

NICODEMOS, EMERSON E LlIDUÍNA

"A INSANIDADE VIAJA PERTO DE NÓS EM QUESTÃO DE SEGUNDOS" 

(LlIDUÍNA BELCHIOR)

Ernest Hemingway



Ernest Miller Hemingway (Oak Park, 21 de Julho 1899 — Ketchum, 2 de Julho 1961) foi um escritor norte-americano.

Trabalhou como correspondente de guerra em Madrid durante a Guerra Civil Espanhola e a experiência inspirou uma de suas maiores obras, Por Quem os Sinos Dobram. Ao fim da Segunda Guerra Mundial se instalou em Cuba

Colaboração de Altina Siebra



Haja fôlego!!!!!

Exigências da vida moderna (quem aguenta tudo isso???)
ü Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
ü E uma banana pelo potássio.
ü E também uma laranja pela vitamina C.

ü Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir o diabetes.
ü Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
ü E depois uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
ü Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
ü Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
ü Uma taça de vinho tinto também.
ü Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
ü Um copo de cerveja, para... não lembro bem para o que, mas faz bem.
ü O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber...
ü Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
ü Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
ü E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
ü Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia. UFA!!!
ü E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
ü Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
ü Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia. CAGANDO NÉ!!!
ü Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito. TÁ DIFICILLLLL!
ü As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
ü Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
ü E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar das minhas amizades quando eu estiver viajando.
ü Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
ü Ah! E o sexo!!!! Todos os dias, um dia sim, o outro também.
ü Dizer EU TE AMO, toda hora. ''Ainda pego quem inventou essa neura...que saco!!!''
ü Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação. Se tiver tem que brincar com ele, pelo menos meia hora todo dia, para ele não ficar deprimido...
ü Na minha conta são 29 horas por dia.
ü A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!
ü Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes ao mesmo tempo.
ü Chame os amigos e seus pais, seu amor, o sogro, a sogra, os cunhados....
ü Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher. Não esqueça do “EU TE AMO”, (Vou achar logo quem inventou isso, me aguarde).
ü Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
ü Agora voce tá ferrado mesmo é se tiver criança pequena. Aí lascou de vez, porque o tempo que ia sobrar para você... já era. criança ocupa um tempo danado. Agora tenho que ir.
ü É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro e correndo.
ü E já que vou, levo um jornal... Tchau....
ü Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.

Luís Fernando Veríssimo

Sucesso.

O lançamento do livro "No Azul Sonhado" foi uma grande festa cultural. Com a presença de pessoas interessantes e interessadas na produção literária do Crato. Abrilhantado por intervençoes artísticas de João do Crato, Abidoral Jamacaru, Luiz Carlos Salaiel, Ulisses Germano, João Nicodemos, Stela Siebra, contamos com as palavras de Nezinho Patricio, Emerson Monteiro e Huberto Cabral. Aagradecimentos especiais a Bebeto Brito.
Laerton Xenofonte e Nívia Uchôa, garantem a qualidade das imagens captadas, que todos terão acesso nos próximos dias.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Pensamento para o Dia 20/07/2011


“A palavra Karma (ação) é curta e concisa. Mas, a ideia e os ideais que ela transmite são de grande importância para a humanidade. Eles são de dois tipos: material e espiritual, Loukik (conectado a este mundo) e Vaidik (extraídos dos Vedas ou determinações das escrituras). O Karma que apenas sustenta a vida é material. O Vaidik eleva o ser humano ao Divino e baseia-se nas escrituras. Karma não é simplesmente físico; ele é também mental e verbal. Karma reúne toda atividade do homem -- mundana, de acordo com as escrituras e espiritual. Todas as três vertentes estão, na verdade, entrelaçadas. As ações mundanas implicam em mérito ou demérito. As ações escriturais estão saturadas com a experiência de gerações de bons buscadores. O espiritualmente focado irá dedicar-se à purificação do coração, de modo que o Deus interior possa ser ali refletido.”
Sathya Sai Baba

Chegou o grande dia!



O convite foi amplo e irrestrito!

Agradecemos  com alegria as presenças queridas. Entendemos as ausências , e prometemos-lhes contar  o
acontecido, através de todo e possível registro.

Aguardamos  os amigos.

Abraços dos nossos escritores e colaboradores !

Lançamento do Livro "No Azul Sonhado"!

Local: ICC
Data:: 20.07.2011
Horário: 19 h

PORLlUPEU LACERDA


dona sebastiana cria um cachorro chamado sebastião. ele morde os vizinhos. dona sebastiana também morde os vizinhos. ela joga lixo nas portas dos outros e depois chama todo mundo de imundo. ela diz que fuma maconha a mais de trinta anos e nunca se viciou. dona sebastiana é assim, equlibrada dentro do desequilíbrio. canta. toca piano, e jura que nunca fez boquete. já rezou pra deus e pra baudelaire, já engoliu aspirinas e pequenas bolas de haxixe. em sua estante vêem-se livros de ginsberg, manuel bandeira e catulo da paixão cearence. sabe ler em braille, e tem um amor secreto que ela espalha aos quatro ventos: querubim da paixão. vendedor de bilhetes de loteria.

Desejos- POR JOSÉ FLÁVIO VIEIRA



Epílogo de ano é sempre assim, caro ouvinte. Bate às vezes aquela capiongueira : tantas coisas que podiam ter sido realizadas e que não foram ! Tantas oportunidades perdidas ! Tantos comensais que já não sentam conosco para a ceia! Tantas aspirações frustradas ! Pomo-nos , então, facilmente, no ataque fazendo projetos para o ano vindouro! Desta vez a coisa vai ! Vou parar de fumar! Em 2009 começarei um programa de atividades físicas ! A partir de janeiro , vocês vão ver: inicio a dieta e perderei essses 40 kilos de excesso ! Esta época de férias e de solidariedade algo superficial mostra-se também especial no quesito desejos : fazemos votos de felicidades e prosperidade para tudo e todos. Feliz Natal ! Felizes Festas ! Próspero Ano Novo! Dezembro traveste-se de um clima aparente de compreensão, de amizade, de fraternidade. Uma espécie de trégua na batalha desigual travada por toda a sociedade com muitos abatidos e feridos, nos outros onze meses do ano. Um escritorzinho bissexto como eu sente-se impelido a emergir nesta atmosfera algo enganosa de sorrisos fartos e amorfos chavões. Os raros ouvintes na rua já me olham com aquele ar interrogativo : será que esse incréu não vai fazer votos de realizações pra ninguém ?
Pois bem, por falar em anseios e em Natal, semana passada me veio à lembrança aqueles desejos tão freqüentes nas grávidas . De repente a buchudinha acorda na madrugada e avisa ao marido que está desejando comer jaca, torta de melancia ou outra iguaria qualquer facilmente encontrável às três horas da manhã. O esposo, coitado, arranca em desabalada carreira em busca da comida solicitada, temendo contrariar a natureza, sob risco da menina nascer com corpo em formato de Jaca ou o menino com uma barriga tipo melancia. Pesquisei – coisa de quem não tem muito o que fazer nesses dias morosos – e descobri algumas constatações científicas interessantes. O velho Vicente Vieira, meu avô, achava que tudo aquilo era encenação das grávidas, charminho pra cima do marido e concluía enfático “ Nunca vi uma desejar coisa ruim, é só chocolate, tapioca quente com nata, doce de leite com queijo de manteiga”! Pois bem, amigos, a ciência admite que estes desejos existem de verdade e devem-se provavelmente às intensas alterações hormonais que acontecem durante a gravidez. E mais , ultimamente sua freqüência tem aumentado muito em todo mundo, pesquisas comprovando que, atualmente, ¾ das gestantes sofrem desta compulsão . Infelizmente para os feios como o Heron, o Vicelmo, o Geraldinho, a Ciência não permite colocar-se a culpa da feiúra nos desejos maternos não satisfeitos : essa cara de carranca do São Francisco , meu amigos, foi azar mesmo e o jeito é se conformar com os erros eventuais da santa natureza. Se servir de consolo : talvez o que faltou em vocês a natureza colocou de sobra na Gisele Bündchen e na Juliana Paes. Valeu a pena o investimento!
Mas o que me despertou, semana passada, nesta época natalina, para os desejos? Uma amiga nossa, aqui de Crato, grávida em Fortaleza, sentiu, subitamente, o desejo irreprimível de comer algo totalmente inusitado. Imaginem o quê ! Um sanduíche do Enoque ! Talvez os mais novos não se recordem do fabuloso cachorro quente de Enoque.. Todo ano ele punha uma pequena barraca na Expô/Crato e vendia um sanduba simplesmente fabuloso que faz parte da memória gustativa de toda uma geração de caririenses, assim como a tapioca com fígado de canena , o caldo de mocotó de Bosquim, o Doce de Leite de Isabel Virgínia. Há alguns anos, inconformado com as altas taxas cobradas pela organização do evento e as misteriosas prestações de contas, ele desistiu. Enoque foi um jogador de futebol dos mais inspirados e ainda vivíssimo reside ali pras bandas da Caixa D´água. As novas gerações acostumadas àquele sanduíche de isopor da Mac Donalds e do Bob´s possivelmente não irão compreender o desejo da minha amiga. A mãe da nossa buchudinha procurou nosso sandwichman e ele preparou com todo gosto e requinte seu inesquecível sanduba que foi mandado de avião no mesmo dia, para a salvação do bebê que , caso contrário, corria o risco de nascer redondinho, insulso, insípido e inodoro como um Big-Mac.
Pois foi justamente esta historinha que me inspirou a escrever esta croniqueta de fim de ano. Todos nós ficamos grávidos de sonhos e aspirações neste período natalino. Pois aí vai também o meu desejo !Ah como seria bom se tivéssemos desejos parecidos como os de minha amiga. Se todos nós acordássemos na madrugada com aquela vontade insaciável de ouvir uma música de Abidoral, dançar um Reisado do Mestre Aldenir, comprar um quadro do Karimai, , sapatear um Coco da Dona Edite, usar uma Sandália do Mestre Expedito das Nova Olinda , botar na sala uma xilogravura de Maésio, deliciar-se com uma poesia do Marcos Leonel. Ah como o menino dos nossos sonhos nasceria bonito e robusto e o Ano novo romperia no horizonte com novos vagidos de paz e esperança !

26/12/08
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terça-feira, 23 de dezembro de 2008
O Veio da Vida
Acordou encafifado: meio barro, meio tijolo. Mundo se projetando algo sombrio, como um filme noir. As paredes da velha casa , opressivas , carregavam-se com aquele limo pegajoso e úmido das prisões.A vida resumia-se a alguns fragmentos desconjuntados do passado: um puzzle disperso, impossível de ser reorganizado.Rápido percebeu que faltavam resquícios de vida ao derredor , até mesmo porque o ambiente é apenas um mero reflexo das nossas luzes interiores. Quem sabe, adornando aqueles interiores com o verde frescor de alguma begônia, o mundo se re-imantaria de magnetismo vital ? Perambulou pelas ruas como quem procura um objeto inencontrável : o Santo Graal da felicidade desvanecida.
As rosas da floricultura lhe pareceram opacas e inodoras . Os pássaros na feirinha apresentaram-se profundamente silentes e apenas refizeram na sua alma a angustiante gaiola em que subitamente vira transformada, pela manhã , o seu “ Lar Amaro Lar”. Nem lojinha de animais de estimação melhorou-lhe o ânimo, sentiu-os como que empalhados e, num átimo, percebeu que o hamster, o periquito, o chihahua seriam incapazes de repovoar o deserto em que se transformara a casa. Sequer os peixes multicolores no aquário iluminado no cantinho da loja resplandeceram alegria e vivacidade.
Sentia-se como único sobrevivente de uma explosão nuclear, tentando refazer o mundo com os dispersos estilhaços que restaram. Desiludido , sem saber bem porque nem pra que, comprou de um vendedor introspectivo e frio, um aquário, sem água e sem peixes. Seguiu para casa com aquele trambolho e colocou-o , sintomaticamente vazio , na pequena estante da sala que abrigava a TV. Pressentiu, com os dias, que aquele aquário como que representava um retrato da sua alma: oca, ressequida e sem aparente utilidade. Aquela imagem, estranhamente, aumentou o ar denso e quase irrespirável da sala.
Saiu, no outro dia, em busca , de um habitante para o aquário. Na esquina encontrou um vendedor de fósseis e , num ímpeto, adquiriu um pequeno peixe petrificado. Em casa colocou-o cuidadosamente dentro do aquário. Com o passar dos dias foi como se a sala se iluminasse. Já não existiam objetos ao derredor, o fóssil no aquário da sala alegrava-lhe a vida, mas , por outro lado, mantinha-o hipnotizado e submisso. Não mais saiu à rua, deixou de atender telefone, a TV já não tinha qualquer sentido. Algumas semanas depois começou a notar que as paredes da casa se iam tornando mais escuras e compactas e avançavam em direção ao centro , como se fossem se encorpando, dia após dia. Começou notar em si mesmo a pele mais escura e endurecida e com o passar do dia se foram transformando em escamas. As articulações se foram emperrando até leva´-lo à total imobilidade. Um belo dia as paredes da sala o aprisionaram definitivamente. Desde então aguarda , ansiosamente, as pancadas do martelo que rompam o veio da pedra e mostrem seu testemunho petrificado para a estonteante mobilidade da vida.

Crato - 23/12/08
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Presente de Natal

--- Trimmmmmmm !!!!!!!

O estampido do telefone soou dentro da sua alma , como se tratasse de uma locomotiva a vapor. É que os últimos meses tinham sido terríveis. Funcionário de uma estatal, com salário minguado , mas regular, há um ano aderira a um destes fabulosos planos de demissão voluntária. Não dava mais para suportar o ambiente de trabalho: cobranças ininterruptas e o chefe olhando pra ele com aquele cara de carrasco , de “cuidado , você é o próximo!”. Pegou a indenização parca que lhe pagaram pelo seu suicídio prematuro e abriu um pequeno negócio de portões eletrônicos. De início a firma andou de vento em popa: com a incrível insegurança urbana, os homens precisam criar os seus castelos inexpugnáveis, pensando que assim podem se isolar do mundo. Chegou até a imaginar que a demissão tinha sido uma das melhores decisões que havia tomado. Em pouco, porém, o mercado se viu saturado, eram tantos e tantos outros , na mesma situação dele, dividindo a mesma fatia do bolo! Não bastassem as pequenas piabas iguais a ele, com a globalização entraram peixes grandes no aquário e aí , a ração só sobra para os tubarões! Quebrou e se encontrava naquela situação desesperadora: os amigos antigos se afastaram, os cobradores batiam à porta a todo instante, os filhos já tinham sido transferidos para escolas públicas, o aluguel atrasado quatro meses e ninguém mais aceitava seus vales. Os vizinhos diziam, com sorriso maroto: --“Não tem crédito nem para comprar a vista!”. Esse era o fosso verdadeiro em que se encontrava no exato momento em que o telefone tilintou , desesperadamente: talvez por isto foi que penetrou tão agudamente no fundo da sua alma.

--- Trimmmmmmmmmmm!!!!!!


Nos últimos dias aquele aparelhinho havia feito pacto com o demo. Atendê-lo configurava-se em causa imediata de aborrecimento. Cobradores circulavam sua casa , como aves de rapina e as chamadas eram uma espécie de aviso prévio do ataque faminto e guloso. Assim pediu à esposa que atendesse e desse uma desculpa qualquer: saiu, viajou, foi para a missa! A companheira atendeu contrafeita : já não mais suportava criar estórias fantasiosas e esfarrapadas. O semblante tenso da mulher relaxou um pouco quando ouviu a voz do interlocutor, do outro lado da linha. Conversou pouco e formalmente: tudo bem, tudo em paz, todo mundo com saúde! Virou-se aliviada para o marido e passou o fone:

--- Sua mãe!

Num primeiro momento, sentiu-se aliviado. Nada como ouvir a voz da mãe num momento destes. Certamente tinha sido o sexto sentido materno que havia , como um timer, disparado e a impulsionara a ligar imediatamente para o filho. A velhinha morava em outro estado e andava muito doente: perdera a vista praticamente, ouvia mal e deslocava-se com grande dificuldade. O filho pressentia, no entanto, que em meio à tamanha debilidade orgânica, havia uma força estranha e profunda, aquela energia materna, capaz de reacender as mais arrefecidas esperanças. No instante seguinte, porém, estacou absorto e vacilou : seria justo beber aquela última centelha de luz, da sua mãe ? Ela a cederia com o maior prazer e abnegação, mas seria justo?

--- Mamãe? Tudo bem ? Aqui tudo às mil maravilhas! Os negócios estão crescendo, como nunca imaginei. Sou agora um dos maiores empresários do estado! Reformamos a casa e estou falando com a senhora, neste exato momento, deitado numa cadeira , na beira da piscina olímpica aqui do quintal. A mulher arranjou um trabalho na procuradoria do estado e está ganhando uma nota preta. Troquei o carro esta semana , por um outro do ano e importado. Como o Collor, já não agüentava estas latas de sardinha nacionais! Queria até que o seu neto, mamãe, estivesse aqui para falar com a senhora, mas foi para os Estados Unidos, conhecer a Disney e só volta no fim do mês. Não vamos poder ir agora no final do ano, infelizmente, porque estou ampliando a fábrica, mamãe; logo que tiver uma folguinha, dou um pulinho por aí. Beijo, mamãe! Feliz Natal para a Senhora. Sei que a senhora tá feliz, sei, não precisa nem dizer.Tchau!
Defronte dele, a mulher embasbacada, parece que tinha visto fantasma. Ele, calmamente, desvendou o mistério: Ela, minha filha, está doente , já não pode vir nos visitar e ver a porqueira de vida que estamos vivendo e mesmo que viesse, está cega, não viria nada. Quantas vezes ela, na minha infância não fez o mesmo? Seu pai não tarda a chegar! Quando ganhar na Loteria te dou uma bicicleta! Vou arrancar este dentinho de leite, não vai doer nada!Esta foi a única maneira que eu encontrei de dar para ela um presente neste Natal!
A mulher , entre lágrimas, sorriu! Adivinhou que são afinal estas pequenas mentiras , estes leves engodos que tornam a vida suportável e que vão realimentando as nossas baterias gastas, pelo tempo afora . Sem este filtro cor de rosa, a vida que já é um curta metragem ,surgiria aos nossos olhos, violentamente, com seu verdadeiro , sombrio e cru preto-e-branco. Estas mentirinhas, afinal, são como um prisma que se interpõe entre o frio e translúcido feixe de luz da vida e que acabam por fazer a refração , muitas vezes a transformando na beleza fugaz, mas multicolorida do arco-iris.

19/12/08
Postado por jflavio às 07:41 0 comentários
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Natal

Mais uma vez, o final do ano. Os espíritos já se banham nas doces águas do Natal e do Ano Novo. As luzes natalinas iluminam as praças e os jardins. Mensagens emboloradas já circulam pelos correios e pela Internet. O comércio rejubila-se com a consumista solidariedade. Os meninos do Grangeiro já estendem seus sapatos nas janelas na certeza da vinda do bom velhinho. Os da Batateira, tristes e desesperançados, preferem recolher as sandálias, na certeza de que Papai Noel nunca faz escala por lá. Os perus calam seus guglus e os leitões recolhem temerosos seus pernis : serão imolados em sacrifício nos altares natalinos.As famílias durante todo o ano desunidas , com os ares natalinos se tornam reunidas e , em trégua , recolhem um pouco as armas, até o toque de alvorada do ano novo.Lábios sussurrarão preces maquinalmente , num fervor vazio e superficial. Os bares e restaurantes se apinharão de confraternizações: um sem número de empresas reunindo funcionários e criando um momento fraterno e solidário que acabará daqui a pouquinho, embora devesse se estender por todos os dias do ano. Nos templos , homens e mulheres contritos se darão as mãos efusivamente, desejando-se felicidades mil ; as mesmas mãos que logo em seguida se fecharão para os mendigos e se cruzarão no peito para a miséria do mundo. As ceias natalinas, quanto mais fartas, mais prenhes de alimentos estranhos e estrambóticos: figo, nozes,tender, lentilhas, chesters, panettones , champanhe, passas e uvas.Servem mais para alimentar a vaidade dos anfitriões do que o estômago dos comensais. A Ceia que modificou os destinos da humanidade não foi regada apenas a vinho e pão?
As festas trazem sempre consigo alguma atmosfera de tristeza e de saudade. Com o passar do tempo, pessoas queridas já não respondem à chamada. Talvez porque, como dizia Manuel Bandeira, estejam todos dormindo, dormindo profundamente... Um belo dia estaremos sós diante da grande Távora vazia de cavaleiros.Algumas recordações se espreguiçarão a um canto, o passado grávido se debruçará em algum móvel da sala. . Talvez , neste dia, um comensal de longas barbas sente conosco na longa e solitária tábua e divida conosco o pão e o vinho, não mais que isto. Perceberemos então que a mesa se tornou gigantesca , acolhendo nossa nova família que agora possui irmãos de incontáveis cores e raças. Celebram as primícias da vida, com sua essência de fugacidade e de mistérios, enquanto se vai servindo a ceia farta regada pelo milagre dos peixes e dos pães.
17/12/08
Postado por jflavio às 12:53 0 comentários
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
A Fresta

--- Não se esqueça de pôr a janela dentro da minha mala, minha filha !
Aquela frase, dita de supetão, turvou o ânimo de toda a família. D. Mafalda mostrara-se sempre um exemplo de lucidez. Viúva precoce , conduzira toda récua de filhos com cabresto curto.A duras penas, com o minguado salário de professora, realizara o milagre dos pães e dos peixes. Nada faltou aos meninos do essencial e, vezes por outra, permitia-lhes um ou outro artigo mais chique , pois entendia, perfeitamente : é do supérfluo que se alimentam os sonhos. Seu esforço e sua rédea apertada surtiram o efeito imaginado, aos poucos se deparou com os rebentos encaminhados , quase todos formados e tocando a vida sem maiores atropelos. Todos reconheciam o árduo trabalho da mãe que lhes dedicou o melhor de seus dias e retribuíam-lhe com o conforto, o afeto e o carinho tão necessários à velhice. D. Mafalda morava na antiga casa da família apenas com uma agregada de muitos anos e que praticamente já fazia parte do clã. Apesar da distância, os filhos ainda lhe eram ligados umbilicalmente . As rugas e as cãs que lhe foram ofertando os anos proporcionaram-lhe um ar tranqüilo de monge tibetano. Todos os problemas envolvendo netos, bisnetos, noras, genros e os próprios filhos, invariavelmente vinham bater à porta da velha senhora e seus conselhos não só abriam caminhos, desarmavam espíritos, como adquiriam força de lei.Ao quebrar, no entanto, o cabo da boa esperança , aí por volta da oitava década, o peso da idade começou a parecer mais perceptível. D. Mafalda apresentava lapsos freqüentes de memória, muitas vezes já não reconhecia parentes mais próximos . A velha mucama relatava : ela andava “tresvariando” e conversando “arisias”. Os filhos preocuparam-se de início, levaram-na à consulta com geriatra, mas aos poucos perceberam que a seiva que nutria o caule de D. Mafalda começava a secar e aqueles lapsos significavam a queda das primeiras folhas, o ressequimento dos primeiros galhos que antecediam o fenecimento da frondosa árvore.Reunidos os filhos, optaram por deixá-la morando no seu próprio cantinho e contrataram duas enfermeiras para acompanharem o tratamento da mãe, uma vez que a velha empregada , artrítica, já não possuía forças para cuidados mais continuados.
Poucos meses depois, a companheira inseparável de D. Mafalda , subitamente, vez a viagem derradeira. Dormiu na terra e acordou no céu, conforme se comentou no velório. A perda da amiga de luta abateu intensamente a inabalável matrona. Sentiu quase como se perdesse o esposo novamente. Nos dias mais difíceis, a secretária fora de tudo : irmã, colega, confidente e ajudara na criação dos meninos como se os tivesse dado à luz.Esta nova perda embotou visivelmente o ânimo de D. Mafalda. A partir daí parece ter se acentuado seu processo de demência. Nova reunião e os filhos acharam mais sensato transferi-la para a casa da sua primogênita. Leocádia , após o divórcio, morava praticamente só, pois a filharada já ganhara o mundo e tinha vida própria.A aterradora frase de D. Mafalda soara justamente no momento em que Leocádia arrumava os pertences da mãe , providenciando a transferência planejada.
---Não se esqueça de pôr a janela dentro da minha mala, minha filha !
Passado o primeiro estupor(Meu Deus, mamãe agora pirou de vez !), os parentes começaram a refletir sobre a frase pronunciada por Mafalda.Enquanto arrumava os velhos guardados, acumulados ao longo de tantos anos, cada um embebido de vida e de passado, Leocádia começou a pensar no pedido da mãe. Que bom seria se se pudesse levar a janela da nossa casinha , a cada mudança que se fizesse na vida ! Bastava colocá-la em uma das paredes da nova residência e teríamos fresta aberta para o éden .Ao sentir saudades dos antigos vizinhos , era suficiente apenas se postar diante da janela mágica e perguntá-los pelas novidades. À noite, quando o silêncio baixasse sobre a cidade, seria possível conversar com os conhecidos fantasmas do casarão antigo, ao se aproximar da janela que trouxemos na mala.O bulício da rua sagrada da nossa infância estaria sempre ao nosso alcance, se pudéssemos carregar aquele velho rasgão que nos uniria eternamente ao passado. Além de tudo, furtada a janela, qualquer dissabor que nos turvasse a alma, saltaríamos para o quintal da nossa juventude e nos banharíamos nos seus indevassáveis mistérios: a goiabeira confidente, o velocípede veloz, a tina com seus segredos aquáticos. Depois, voltado o enlevo, ajoelharíamos na úmida areia e colheríamos todos os cacos dos nossos sonhos partidos, das nossas ilusões fragmentadas, da nossa felicidade espedaçada nas calçadas da realidade. Teríamos então todo o tempo do mundo para tentar refazer o quebra-cabeça. Quando assim nos aprouvesse, nos seria dado o direito de fechar a janela e mergulhar no presente, mas cuidadosamente deixaríamos a tranca frouxa, para qualquer emergência mais premente.
É , pensou Leocádia com seus cacarecos, D. Mafalda, talvez ainda esteja mais lúcida do que pensávamos.No auge do delírio talvez tenha nos legado sua mais sábia lição : qualquer mudança que empreendermos na existência, nunca se deve esquecer de colocar na mala, uma janela. É que as portas da vida estão sempre à frente, mas a felicidade, a alegria, o prazer estão nas pequenas janelas que por acaso tivermos a capacidade de escancarar para o pomar da nossa juventude e da nossa infância.


15/12/08
 por jflavio

A TARTARUGA E ÉSQUILO- JjOSÉ CARLOS BRADÃO




A águia mergulhou das alturas e pegou a tartaruga
com as garras afiadas

Voou para as nuvens e o céu azul com o petisco
nas garras e no bico

Jogou a tartaruga para abrir o casco nas pedras
e saborear seu banquete

mas errou o alvo e acertou a cabeça de Ésquilo
que passeava a sua glória à beira-mar



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Quem se emociona com Susan Boyle- PORJOSÉ DO VALE FEITOSA



Sinal dos tempos é isso aí. Uma senhora de 47 anos, nascida e criada numa cidadezinha da Escócia, teve problemas de desenvolvimento mental na infância, mora sozinha com um gato, nunca teve namorados ou foi beijada e é pobre. Um dia aparece num programa de televisão inglesa de grande sucesso: Britains´s got talent. O nome: Susan Boyle. Uma senhora de porte baixo, gorda, já aparentando mais de cinqüenta anos chega ao palco para a incredibilidade do júri do programa. Uma incredibilidade encenada, feita para criar um clima na platéia e na assistência. Francamente demonstram não acreditar na calouro enquanto ela diz que cantará I Dream uma canção do musical Les Miserabilis. Aí outra jogada de emoção: a canção é a mensagem da personagem Fantine da peça no momento em que esta sonha superar definitivamente a vida miserável que leva.

Afinal tudo é produção, tudo é feito para platéias de uma economia em crise. O sinal dos tempos. Panis et circensis. Por isso mesmo o escritor Marcelo Carneiro da Cunha, no blog Terra Magazine de Bob Fernandes, pretende ser Susan Boyle. E pretende por ser um escritor que tem o quê dizer, pretende dizer e escreve sem parar mesmo não tendo o sucesso de um Paulo Coelho. Então ele quer algo divino (ou midiático pois é o caso de Susan Boyle): “aquele instante de boa e pura mágica, em todos os anos que vieram antes, todo mundo viu apenas o jeito desengonçado e improvável de Susan e não a artista”. Marcelo acredita que Susan tem a “essência” do artista, aquela que fala ao coração dos homens e se comunica com Deus. Não disse, mas foi isso que ficou subentendido em sua solidão de artista que não arrasta multidões.

Circulou pela Internet a mais cabal prova que estamos criando a cultura, como nossos teóricos bem o dizem, a estética da crise. Já vimos isso em filmes de época, em pintura, literatura e até mesmo da arquitetura. Voltemos aos anos 30 e tudo se encontra bem catalogado. A estética da manipulação das pessoas em sofrimento, para que aplaquem sua raiva com a ruptura do progresso que lhes prometeram e não veio. Esta manipulação não é nova, sempre ocorreu, mas agora ela se encontra nitidamente dirigida para este sentido. Basta identificar as explicações que a imprensa inglesa oferta ao seu público.

Para muitos Susan é uma mensageira vinda para acordar a humanidade das frivolidades mundanas, quando a feiúra da personagem é a contraprova de uma Gisele Brünchen dos saborosos anos do consumo americano. Ou então seria Susan um anjo de esperança neste desespero mundial da crise capitalista. Susan seria uma “madre” trazendo esperança para as famílias em franca decadência no tecido social, a falta de emprego, a dignidade e a sanidade mental. Enfim, aquela que tinha tudo contra si, para os padrões vigentes na produção cultural capitalista, supera-se e esta superação é uma mensagem potente para que tudo mude para permanecer como se encontra. Isso quer dizer: a crítica não se encontra ao modo de produção, mas vangloriar os esfarrapados que na loteria do improvável conquistam o prêmio em pleno coliseu televiso.

Tudo encenado, as emoções dosadas, a música da mesma dimensão do investimento financeiro em superproduções, pois sem aquela música, sem aquela emoção já de todo “elaborada” por milhões de pessoas que puderam previamente pagar um ingresso nas grandes cidades do mundo para assistir ao musical, ou compraram os CDs e DVDs.

Afinal é Susan o anjo da indústria de entretimento globalizada a serviço dos anos de crise. Serviço tão perfeitamente adequado ao momento tecnológico de modo a apenas assim ocorrer em razão do You Tube.
por José do Vale Pinheiro Feitosa

Amigo - Por José de Arimatéa dos Santos

Amigo é uma pessoa muito especial e é aquele ou aquela que nos momentos mais precisos está junto de nós. Quando é necessário o apoio ou a crítica lá está ele exercendo a verdadeira amizade. Podemos ter um milhão de amigos ou apenas um só amigo. Se realmente for amigo não importa a quantidade. Vale a qualidade. O amigo pode morar longe e mesmo assim suas palavras ajudam e muito na vida de seus semelhantes. É muito importante cultivar as amizades e procurar ter uma relação harmoniosa de forma que possa aceitar as palavras duras, quando necessário, da mesma maneira quanto aos elogios.
Se todos da humanidade procurassem cultivar a amizade de uma forma respeitosa a todos os seres humanos e com os demais entes da natureza certamente a paz e a solidariedade seriam fatos hegemônicos. Importante a amizade para que o mundo possa ser diferente e dessa forma que as diferenças sejam respeitadas. Podemos até não concordar com muita coisa, mas somos obrigados a respeitar. Isso é a democracia. O respeito tem um pouco ou muito com a amizade. Quem tem amigo vive melhor e tem a certeza de viver mais alegre e mais feliz. Simplesmente a vida é feita de amigos. Essa é a lei da convivência humana nesse mundo. Não posso esquecer dos nossos grandes amigos animais de estimação que sempre estão a nos dar força e muita alegria. Vamos viver a amizade. O amigo nos completa e a esperança por mais amigos verdadeiros se renovam hoje que é o dia do amigo.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Cícero Romão Batista



Cícero Romão Batista (Crato, 24 de março de 1844 — Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934) foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço.

Proprietário de terras, gado e dono de diversos imóveis, o Padre Cícero fazia parte da sociedade e política conservadora do sertão do Cariri. Tinha no médico Floro Bartolomeu seu braço direito e integrava o sistema político cearense que ficou sob o controle da família Accioli durante mais de duas décadas. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará e da Região Nordeste do Brasil.

Em março de 2001, foi escolhido O Cearense do Século em votação promovida pela TV Verdes Mares em parceria com a Rede Globo de Televisão.

wikipédia

JAIR AMORIM- Norma Hauer


Foi no dia 18 de julho de 1915 que nasceu no Espírito Santo o locutor jornalista e e compositor Jair Pedrita de Carvalho Amorim, que ficou conhecido como JAIR AMORIM.
Começou a trabalhar muito cedo primeiro como jornalista em sua terra e em 1940 , recebeu convite para dirigir a Rádio Clube do Espírito Santo, onde produziu vários programas e lançou-se como locutor de noticiários.
Em 1941, já no Rio de Janeiro, passou a escrever nas revistas “Carioca” e “Vamos Ler”, sendo em seguida contratado pela Rádio Clube do Brasil como locutor, onde conheceu o pianista e compositor José Maria de Abreu. Este, havia perdido seu parceiro mais constante (Francisco Matoso) e estava desinteressado em fazer novas composições.
Jair Amorim ofereceu-se como letrista para fazer parceria com José Maria de Abreu que não estava muito interessado, mas acabou cedendo, quando viu Jair Amorim fazer a versão do bolero Maria Helena, que acabou sendo gravado por Arnaldo Amaral.
". Em 1945, teve a primeira composição com José Maria de Abreu gravada: o fox canção "Brigamos outra vez", na voz de Orlando Silva na Odeon.
A partir daí vários foram os sucessos da dupla.,
Em 1948, depois de sair da Rádio Clube do Brasil, foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga. Quatro anos depois, retornou à Rádio Clube, onde passou a apresentar o programa "Discos na Vitrina".
Em 1949, teve gravados os sambas "Ponto final", por Dick Farney,"Não me pergunte", por Sílvio Caldas, e "Um cantinho e você", por Radamés Gnatalli ao piano, todos parceria com José Maria de Abreu,
. Em 1951, teve outra de suas parcerias com José Maria de Abreu gravada por Dick Farney, o samba "Sonhar". Ainda em 1952, compôs a valsa canção "Se ela perguntar", com Dilermando Reis, gravada por Carlos Galhardo.

Em 1956, teve gravadas, entre outras composições, os sambas "Hino ao samba", parceria com José Maria de Abreu, por Francisco Carlos e, "Conceição", parceria com Valdemar de Abreu, o Dunga, pelo Conjunto Farroupilha. Este último samba receberia ainda regravações de Dircinha Batista e Cauby Peixoto.
E foi com Cauby Peixoto que “estourou” em todas as paradas, sendo até hoje o “carro-chefe” de Cauby..
CONCEIÇÃO

Conceição
Eu me lembro muito bem
Vivia no morro a sonhar
Com coisas que o morro não tem
Foi então
Que lá em cima apareceu
Alguém que lhe disse a sorrir
Que, descendo à cidade, ela iria subir

Se subiu
Ninguém sabe, ninguém viu
Pois hoje o seu nome mudou
E estranhos caminhos pisou
Só eu sei
Que tentando a subida, desceu
E agora daria um milhão
Para ser outra vez
Conceição .
Em 1958 conheceu Evaldo Gouveia, na sede da UBC. No mesmo dia compuseram a primeira composição, "Conversa" de uma série de parcerias. A música foi gravada por Alaíde Costa, pela RCA Victor naquele mesmo ano.
Em 1959, com o mesmo parceiro compôs o bolero "Só Deus", gravado por Maysa na RGE. Em 1960, compôs com Evaldo Gouveia o samba-canção "Cantiga de quem está só", gravada por Agostinho dos Santos. Em 1962, a dupla compôs "Poema do olhar", que o cantor Miltinho gravou.;
Daí foram muitos os sucessos com seu novo parceiro:Evaldo Gouveia.
Em 1975 uma música marcou a carreira de Ângela Maria, como um de seus grandes sucesso até hoje: “Tango p’ra Tereza”, da parceria com Evaldo Gouveia.
JAIR AMORIM faleceu em 15 de outubro de 1993, em São Paulo, aos 78 anos.

Norma

O AFOGADO




















     O afogado

O mar trouxe o corpo à praia.
Era um estrangeiro, jovem e belo.
A boca aberta deixava ouvir, como se viessem
do outro mundo,
as vagas do mar e os gritos brancos das gaivotas.
Eu lhe fechei os olhos, azuis como o céu
através das órbitas de uma caveira.
A sua nudez lhe tornava a pele mais pálida.
Sorria perplexo, como se reconhecesse num espelho
a nossa estranheza.
Olhando-o, nós sabíamos:
também temos, em vida, o céu nas órbitas
e a morte nas pálpebras.



Um primor da MPB! Aposto que Aloísio vai gostar...





Aula de Matemática
Marino Pinto e Tom Jobin


Pra que dividir sem raciocinar
Na vida é sempre bom multiplicar
E por A mais B
Eu quero demonstrar
Que gosto imensamente de você
Por uma fração infinitesimal,
Você criou um caso de cálculo integral
E para resolver este problema
Eu tenho um teorema banal
Quando dois meios se encontram desaparece a fração
E se achamos a unidade
Está resolvida a questão
Prá finalizar, vamos recordar
Que menos por menos dá mais amor
Se vão as paralelas
Ao infinito se encontrar
Por que demoram tanto os corações a se integrar?
Se infinitamente, incomensuravelmente,
Eu estou perdidamente apaixonado por você.

MARINO PINTO- Por Norma Hauer


Foi aqui no Rio de Janeiro que ele nasceu em 18 de julho de 1916. Seu nome: MARINO PINTO, um compositor que obteve grandes sucessos em nosso cancioneiro.
Começou compondo em 1938 com Ataúlfo Alves, sendo que sua primeira gravação, na voz de Aracy de Almeida, já "estourou" . Foi o samba "Fale Mal, Mas Fale de Mim".

No ano seguinte,conheceu Wilson Batista e com ele compôs um dos sucessos, no ano seguinte, de Carlos Galhardo:"Deus no Céu e Ela na Terra".

Já um nome consagrado, passou a conhecer vários sucessos, com parceiros e cantores diversos.

Com Alberto Ribeiro, em 1941, compôs para Orlando Silva, o samba "Preconceito". Também com Alberto Ribeiro, um grande sucesso no carnaval de 1941, nas vozes dos "Anjos do Inferno":"Nós os Carecas"...

"Nós,nós os carecas,
Com as mulheres somos maiorais,
pois na hora do aperto
É dos carecas que elas gostam mais".

Foi um carnaval que os carecas ADORARAM.

No ano seguinte, em uma excursão pelo Norte e Nordeste, Orlando Silva lançou um samba de Zé da Zilda, com Marino Pinto, até hoje regravado por vários cantores:"Aos Pés da Cruz".

Luiz Vieira, quando comenta esse samba, gosta de dizer que a cruz não tem "pés"e sim um único pé.

Nesse mesmo ano, Isaurinha Garcia gravou "Teleco-Teco" e Carlos Galhardo, o samba "Largo da Lapa".

"Foi na Lapa, que eu nasci
Foi na Lapa que eu aprendi a ler.
Foi na Lapa que eu cresci
E na Lapa eu quero morrer".


Nos anos seguintes, novamente Carlos Galhardo gravava Marino Pinto, com "Seis Meses Depois" e "Desacordo", ambos Marino teve Waldemar Gomes como parceiro.

Mais uma vez com Wilson Batista, agora na voz de Déo "O Ditador de Sucessos", como foi designado por César Ladeira, gravou "A Morena que eu Gosto". Este samba projetou bem o nome de Déo.

Um grande sucesso de Dalva de Oliveira, foi composto por Marino Pinto ( tendo Herivelto Martins como parceiro) de nome "Segredo". Este samba foi explorado por Dalva durante seu "affaire" com Herivelto, apesar deste ser co-autor da composição.

Nessa época da separação de Dalva e Herivelto, os compositores apoiaram um ou outro. David Nasser, por exemplo, apoiou Herivelto e foi cruel com Dalva, em uma coluna que escrevia no "Diário da Noite".

Já Marino Pinto ficou ao lado de Dalva e, com Paulo Soledade, compôs outro grande sucesso, que também marcou o "affaire" : "Calúnia".

Este foi "forte"..."deixe a calúnia de lado se de fato és poeta...". Mais outro, este com Mário Rossi: "Que Será?", que também foi sucesso na voz de Dalva.

Em 1951 Getúlio Vargas regressou ao poder eleito que fora no final de 50 e Marino Pinto, seguindo a onda, compôs para Francisco Alves gravar, o samba "O Retrato do Velho"

"Bota o retrato do velho outra vez
Bota no mesmo lugar..."

Marino Pinto ainda fez parceria com Haroldo Lobo e Dalva gravou "Foi Bom"; com Tom Jobim "Aula de Matemática", gravação de Carlos José; outra com Paulo Soledade "Cidade de São Sebastião", gravação dos Anjos do Inferno e com Mário Rossi, gravação de Jorge Goulart, "Quem ainda não Pecou" e "Decisão".

Em 1959, João Gilberto "redescobriu" e regravou "Aos Pés da Cruz".

Encerrando, com chave de ouro, sua carreira, em 1965, Marino Pinto compôs uma obra-prima "Valsa de Uma Cidade", em mais uma parceria com Mário Rossi.

Nesse mesmo ano faleceu, no dia 28 de novembro, deixando uma grande bagagem musical. 

Norma

JECONIAS- por José do Vale Feitosa



- Quando nascer registro com o nome de Jeconias.

- Jeconias? De onde vem isso?

- De onde não tem Zé, Antonio, Manoel e Ananias.

- E isso é nome dos tempos de hoje?

- E interessa? Não quero é nome que todo mundo já tem.

- E sabes quem foi Jeconias?

- Nem quero saber. Eu quero é um nome diferente para meu filho.

- Mas poderia ser outro: Wolfgang, Setembrino, Giusepe, tudo isso é nome diferente.

- E daí? Eu quero é Jeconias e pronto. Está determinado.

- Mas Jeconias de que meu camarada? Qual o sobrenome?

- O meu e o da mãe dele!

- Jeconias Maria de Jesus?

- Ora se é o sobrenome dela e o meu!

- Mas é uma salada bíblica este nome.

- O quê?

- Uma mistura do velho e novo testamento.

- E daí. Não pode não?

- Pode, mas é esquisito para caralho.

- Então, vai ser Jeconias de Nada. Se for para agradar, vai ser assim.

- E o teu filho já começa com um nada de futuro?

- Ora porra e não é do nada que a vida de pobre começa mesmo?

- Mas o sujeito já levar um nome desse para cima e para baixo, isso já é demais. Aí as pessoas vão dizer "Qual é teu sobrenome?" Ele vai responder: "De Nada". Quem fez a pergunta fica confuso e diz "Não quero saber se teu sobrenome é importante ou não, eu só quero saber é como fica na tua certidão de nascimento". Escrito assim mesmo: "Jeconias de Nada". E então vão dizer " Ô fulano mando o de Nada para falar com beltrano".

- Esse argumento é fuga. Tu estás fugindo do que comecei falando. Eu disse que não quero é que o meu filho tenha nome comum: José Maria de Jesus, Antonio Maria de Jesus, Ananias Maria de Jesus. Eu quero um nome que se alguém chamar só tenha ele na sala em que estiver. Quando disserem: "Jeconias!". Será ele e pronto.

- Mas isso é nome arcaico. Ninguém mais usa isso. Então faz como todo mundo por aqui, junta sílabas do teu nome com o da tua mulher que vai ficar diferente do mesmo modo.

- Aí é que te enganas. Os evangélicos vivem agarrados na leitura da bíblia e o que tem de nome retirado dela não é sopa. Está cheio por aí de: Izaías, Melquesedeque, Ageu, Baltasar, Jessé e vai de lista adiante.

- Não tarda a aparecer Jeconias. Então junta teu nome com o da tua mulher.

- Meu nome é Tobias e o da mulher Ana, isso é bom para juntar nome feminino, mas masculino não dar. Se fosse mulher poderia ser Tobiana, Biana, Asana, Anabias. Nome de homem só dava Anato e isso eu não quero para meu filho. Vai ser é Jeconias mesmo.

- Mas que visgo é esse com este nome?

- E o que tu tem contra ele afinal de conta. Tudo que tu atacou dele eu já respondi e tu não larga a situação.
- Mas Jeconias? Não dar.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Vladimir Maiakovski


Vladimir Vladimirovitch Mayakovsky (em russo: Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский; Bagdadi, 7 de julho (calendário juliano) / 19 de julho (calendário gregoriano) de 1893 – Moscou, 14 de abril de 1930) foi um poeta, dramaturgo e teórico russo, frequentemente citado como um dos maiores poetas do século XX, ao lado de Ezra Pound e T.S. Eliot, bem como "o maior poeta do futurismo".

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