Não é preciso se ser nenhum historiador (“peba” ou de “escol”) para reconhecer que a “diversão” predileta e preferencial do psicopata Adolf Hitler era a de eliminar, com requintes de sadismo e crueldade, todo e qualquer “judeu” habitante do planeta Terra, simplesmente porque os considerava o câncer da humanidade (aos menos avisados, o psicopata é aquele que “apresenta distúrbios mentais graves, onde prevalece comportamentos antissociais e amorais, sem demonstração de arrependimento ou remorso, bem como incapacidade para amar e se relacionar com outras pessoas, em razão do egocentrismo extremo e incapacidade de aprender com a experiência”).
Pois bem, Hitler, imbuído desse propósito macabro reuniu sob seu comando “bestas-feras” com a mesma patologia assassina, e patrocinou a maior carnificina que se tem notícia na história da humanidade. Tanto que, independentemente da idade, cor ou gênero, milhões e milhões de seres humanos foram eliminados por uma única e exclusiva razão: serem judeus.
Eis que, 80 anos depois, surge no continente sul-americano, (ou mais especificamente, no Brasil), uma figura (Paulo Guedes) que se assemelha em tudo ao ditador nazista, com uma pequena mas preocupante diferença: ao invés dos judeus (existem poucos no Brasil), o alvo prioritário, agora, são os integrantes da categoria “03 pês” (pobres, pretos e putas) ou aqueles menos desvalidos (que acabam de ser “premiados” com uma reforma da previdência que os deixará a pão e água, daqui a pouco).
Verdadeiro pária entre os colegas da Academia (já que adepto de conceitos anacrônicos de teoria econômica aos quais se aferrou e se manteve fiel sempre e sempre, nunca se reciclando), e que ficou conhecido pela alcunha de “tchutchaca” (gíria usada no Brasil para dizer que uma menina é bonita e atraente), em razão da sua predileção por banqueiros e financistas, Paulo Guedes sempre foi um ilustre desconhecido da população brasileira, já que atuava à sombra e desassombradamente no submundo do mercado financeiro, onde enriqueceu com extrema facilidade e em tempo recorde, certamente que usando métodos não republicanos.
Tanto é, que o Tribunal de Contas da União (TCU) está em seu encalço já há um certo tempo, em razão de fraudes cometidas em fundos de pensão das estatais, que lhe renderam milhões e milhões de reais, em desfavor dos cotistas (se o Brasil fosse um país sério já estaria atrás das grades).
Com tal “histórico”, somente num governo de um despreparado, como o atual Presidente da República, uma figura medíocre dessa teria vez e voz para mandar e desmandar, fazer e acontecer, como acontece atualmente.
Pois bem, hoje, com a Economia brasileira “patinando na maionese” (o dólar tá em valores nunca dantes imaginado, as indústrias ociosas ou semi e as importações maiores que as exportações, resultando daí um déficit corrente significativo) desde que assumiu o todo poderoso cargo de superministro (e sem ter quem o conteste, já que a mídia corrupta nada divulga) Paulo Guedes resolveu agora, numa tentativa de esconder sua incapacidade como economista e gestor, focar seus ataques nos componentes do funcionalismo público, aos quais rotulou de “parasitas”, porquanto têm “estabilidade no emprego” e “aposentadoria generosa” (palavras suas).
Se fosse uma pessoa detentora de um átimo de honestidade e se se dispusesse a usar um mínimo de seriedade em suas análises, Paulo Guedes facilmente chegaria à óbvia e incontestável conclusão que a “estabilidade de emprego” do funcionário público é resultante da sua admissão via concursal (portanto, sem apadrinhamento) e que sua “aposentadoria generosa” se dá em razão de, quando na vida laboral, ter contribuído com um significativo percentual da remuneração recebida mensalmente para a formação de um “fundo” (caixa de previdência) que lhe complementa a aposentadoria à frente e, portanto, nenhum favor o Estado lhe presta.
Covarde e frouxo, por natureza, dada à repercussão negativa da sua fala nos mais diversos ambientes (inclusive no seio da classe política), Paulo Guedes tentou sair pela tangente ao alegar que suas palavras foram “retiradas do contexto”, porquanto “reconhece a qualidade do servidor público”.
Definitivamente, trata-se de um tchutchuca de quinta categoria, desonesto e incompetente.
por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sábado, 8 de fevereiro de 2020
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
A
trajetória do economista Paulo Guedes é tão inexpressiva e vazia
que apenas dois fatos se destacam no decurso de toda a sua vida
acadêmica:
01) sua presença na equipe do governo do ditador chileno
Augusto Pinochet (interstício 1973/1990), onde participou da
implementação de um plano econômico que ainda hoje espalha seus
efeitos deletérios e maléficos sobre a população andina,
principalmente aos seus aposentados e pensionistas, hoje vivendo à
míngua em razão de; e,
02) sua posterior desastrada (para os
outros) atuação no mercado financeiro brasileiro (claro que à
falta de qualquer outra opção), onde atuou no manuseio de uma massa
gigantesca de recursos dos fundos de pensão de estatais, de lá
saindo (quando se descobriu a verdade) sob a acusação do
cometimento de portentosas fraudes em benefício próprio (dizem que
está “podre de rico”, em decorrência).
Fato
é que, com um “passado que condena”, reflexo da sua formação
superior em Chicago, considerada berço do ultra neoliberalismo, (já
que essencialmente “mercadista-privatista” e, consequentemente
sem nenhum apego à questão “socio-humanitária”, com todos os
efeitos perniciosos daí decorrentes), o certo é que num país sério
jamais uma figura como Paulo Guedes teria oportunidade de atuar
desabridamente em favor de um minúsculo segmento específico (os
abutres, formadores do tal “mercado”, como ele sempre foi), e em
desfavor dos menos favorecidos: toda uma população.
Quis
o destino, entretanto, que, tal qual uma alma penada, à sua frente
aparecesse de repente a figura desprezível de Jair Bolsonaro,
deputado integrante do baixo clero legislativo, sem noção de
absolutamente nada, em qualquer campo, mas que, por um aborto do
destino, foi surpreendentemente eleito Presidente da República,
oferecendo-lhe a ímpar oportunidade de comandar (na teoria e
prática) um país da imensidão do Brasil (tanto que o comparou a um
tal “Posto Ipiranga”, teoricamente um local onde tudo é
resolvido e todas as soluções são encontradas).
O
resultado, catastrófico e aterrorizante, está aí no nosso
dia-a-dia: uma nação de dimensões continentais, rica em recursos humanos e naturais, tida e havida com toda razão como uma futura potência
mundial (principalmente depois da descoberta do portentoso pre-sal,
no governo Lula da Silva), sendo literalmente entregue de mão
beijada à “gringarada”, ávida por sugá-la até nada mais
restar (não duvidem que se instalem aqui até militarmente após
assumirem a base de Alcântara), enquanto a privatização incontida
e desmesurada de empresas governamentais joga na rua e desemprega não
só pais de família, mas os próprios jovens (e tudo sob o comando
dele, Paulo Guedes).
Depois
do serviço feito e entregue, aí, lépido e fagueiro, o “chicago
boy” Paulo Guedes, como recompensa, assumirá alguma vaga
vitalícia num desses organismos americanos responsáveis por
desgraçar a vida de outros países, através de prepostos da sua
estirpe (como o fez Pedro Malan, outro vendilhão da pátria, na
época de FHC).
Quanto
ao seu patrão (Jair Bolsonaro, aquele que não sabe nada de nada)
voltará a comandar os “milicianos” do Rio de Janeiro, junto com
os filhos e com a proteção dos irresponsáveis integrantes do
Supremo Tribunal Federal (abonadores, desde sempre, de tudo isso que
está aí).
sexta-feira, 24 de janeiro de 2020
PUSILANIMIDADE DO STF - José Nilton Mariano Saraiva
Era
previsível que, já há algum tempo deixando-se quedar e vergar-se
passivamente ante um juizeco de primeira instância (Sérgio Moro,
que usou e abusou de transgredir diuturnamente o enunciado em nossa
Carta Maior), o Supremo Tribunal Federal teria dificuldades imensas
de se afirmar a posteriori, assim como de impedir que outros
“iluminados” do judiciário, escudados na leniência daquela
Corte para com o dito-cujo, adotassem o mesmo modus operandi. Afinal,
a porteira fora escancarada acintosamente e a vaca já fora pastar no
reino da impunidade (o brejo).
Pra comprovar, a confissão de uma Procuradora da República que atuara como auxiliar do próprio juiz e que desabridamente afirmou que o referido sempre foi um sequencial e costumaz transgressor do constitucionalmente estabelecido, porquanto o tal Supremo Tribunal Federal sempre fez vista grossa para as arbitrariedades e os abusos cometidos por ELE.
Pra comprovar, a confissão de uma Procuradora da República que atuara como auxiliar do próprio juiz e que desabridamente afirmou que o referido sempre foi um sequencial e costumaz transgressor do constitucionalmente estabelecido, porquanto o tal Supremo Tribunal Federal sempre fez vista grossa para as arbitrariedades e os abusos cometidos por ELE.
O resultado não poderia ser outro: com uma regularidade impressionante
“pipocam”, aqui e ali, decisões esdruxulas até de magistrados
de piso (iniciantes), afrontando literalmente o texto constitucional,
como se o “livrinho” não tivesse mais nenhuma serventia e
restasse inócuo.
Agora mesmo, em Brasília, um desses “iluminados” (aqui um “graduado” Procurador da República) entendeu ser absolutamente desnecessário investigar ou indiciar preventivamente alguém, a fim de só então proferir a denúncia, conforme estabelecem os trâmites legais e, monocraticamente, decidiu formalizá-la contra o jornalista Glenn Greenwald, por suposta associação com hackers.
Agora mesmo, em Brasília, um desses “iluminados” (aqui um “graduado” Procurador da República) entendeu ser absolutamente desnecessário investigar ou indiciar preventivamente alguém, a fim de só então proferir a denúncia, conforme estabelecem os trâmites legais e, monocraticamente, decidiu formalizá-la contra o jornalista Glenn Greenwald, por suposta associação com hackers.
Mesmo
sem nenhuma prova material e apesar de um laudo da Polícia Federal
tratando da mesma questão afirmar de forma contundente e peremptória
que... “não é possível identificar a participação moral e
material do jornalista Glenn Greenwald
nos crimes investigados”.
Como
se vê, o caos e a esculhambação reinante na área judiciária
tupiniquim tem como principal incentivador a pusilanimidade e
frouxidão do tal Supremo Tribunal Federal, que omisso foi e omisso
continua sendo, quando a questão envolve os mafiosos do executivo e
legislativo (desagradá-los, nem pensar).
E
assim, o juizeco-transgressor, agora entronado como Ministro da
Justiça e Segurança Pública, continua pouco ligando para as
excelências togadas. E então, haja a aprovação de cabeludas
“barbaridades” jurídicas, como indica o texto que Sérgio Moro
está a empurrar goela abaixo no nosso ordenamento jurídico, com
mudanças absurdas, especialmente no Código de Processo Penal.
Ante
tal quadro dantesco, se impõe indagar: por qual razão não
extinguir, logo e de uma vez por todas, o tal
Supremo
Tribunal Federal, porquanto desnecessário, já que nem cheira nem
fede (mas se omite, ao tratar de questões cruciais)
???
quarta-feira, 15 de janeiro de 2020
CERVEJA, PANELADA, SARAPATEL E BUCHADA - José Nilton Mariano Saraivaj
Independentemente da
raça, cor, sexo, religião, ideologia, credo, preferência clubística ou
política, os milhões de adeptos de uma “geladinha” (cerveja) ou da “marvada”
(cachaça), professam uma certeza absoluta: dia seguinte à homérica farra,
quando se excedem no consumo e acordam com aquele terrível “gosto de cabo de
guarda-chuva na boca”, nada mais apropriado pra curar a “ressaca braba” (que às
vezes dá vontade até de morrer), do que “forrar o estômago” com um revigorante
e bendito caldo (de mocotó, carne moída ou costela de boi), no capricho e
tinindo de quente, capaz não só de matar todos os vermes que “encontrar na
descida”, como também “levantar ou por de pé até defunto”.
No entanto, há que se ter cuidado com os “caldos da vida”. Sim, porque existem duas espécies de caldo: 01) o “caldo verdadeiro”, original, genuíno, que é aquele bem preparado, repleto de temperos e condimentos, capazes de lhe dar cheiro, sabor e “sustância”, e ainda operar o milagre de fazer seu usuário “renascer” das cinzas, a ponto de, sob o pretexto de “lavar o peritônio”, tirar o gosto ali mesmo com uma outra geladérrima, recomeçando a farra; e, 02) o “outro caldo”, o caldo falso, o caldo de segunda, o caldo de araque, que é aquele que é só uma espécie de água morna, desprovido de temperos e condimentos, sem gosto, sem cheiro, sem poder revigorante e, enfim, sem nenhuma serventia, capaz até de “bater e voltar”, ou seja, de fazer com que o seu usuário “bote até os bofes pra fora”, na hora. Esse, por suas características peculiares, findou sendo designado pelos biriteiros da vida com a alcunha de “caldo de bila” (portanto, quando você ouvir a expressão “caldo de bila”, lembre-se de que é algo fraco, inútil, sem serventia).
E a “expressão” pegou de uma maneira tal, foi tão bem assimilada por gregos e troianos, que quando queremos manifestar nosso descontentamento com algo ou alguém que não corresponde às nossas expectativas, em qualquer competição ou atividade, imediatamente professamos: é “mais fraco que caldo de bila”.
Tomemos como exemplo a Fórmula 1, um esporte por demais admirado no mundo todo e que, para nós brasileiros, num determinado momento da história, foi motivo de orgulho e respeito, quando tínhamos a nos representar nos mais diferentes autódromos dos quatro cantos do planeta os Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna da vida.
Quem não lembra das manhãs de domingo em que renunciávamos à praia, clubes, balneários, açudes, cinemas ou um outro divertimento qualquer, só pra ficar por duas horas frente à telinha, beliscando uma cervejota com tira-gosto de PANELADA, SARAPATEL e BUCHADA, vibrando com o “pé-pesado” ou as ultrapassagens sensacionais dos nossos “homens voadores”, campeões mundiais em seguidas temporadas ??? Quem não lembra dos pegas fantásticos e espetaculares entre Fittapaldi X Jack Stuart, Piquet X Mansel, Senna X Prost, Senna X Piquet, dentre outros ???
Foi então que o destino nos pregou aquela peça terrível, aquele momento dantesco, nos levando prematuramente o Ayrton Senna, numa calma manhã de domingo, durante uma corrida aparentemente tranquila, na Itália, após a quebra da barra de direção de seu carro, a mais de 200 quilômetros por hora.
Imediatamente a TV Globo, em razão principalmente dos milhões de dólares despendidos na transmissão de cada corrida, e temendo a perda dos exuberantes patrocínios, tratou de “fabricar” da noite pro dia um substituto para o Senna; e como não havia muitas opções naquele momento, literalmente foi “decretado” pela cúpula da Globo e nos imposto goela abaixo, que um jovem piloto paulista, novato na Fórmula 1, seria o novo “ídolo” da torcida brasileira; e foi assim que tomamos conhecimento da existência de Rubens Barrichello, logo batizado pelo chefão de esportes da emissora (Galvão Bueno) de “Rubinho” (certamente que numa tentativa de torná-lo mais “palatável” ante os aficionados da categoria).
Daí pra frente todos nós sabemos a história de cor e salteado: apesar do hercúleo esforço da Globo em alavancá-lo, do generoso espaço lhe disponibilizado, de lhe arranjarem inclusive um lugar na disputadíssima e então imbatível Ferrari (à época detentora dos mais possantes e velozes carros da categoria), o que se via nas pistas era um piloto atabalhoado, lento, medroso, excessivamente burocrático, sem qualquer pegada, além de potencial e exímio “quebrador” de carros, os quais não conseguia “ajustar” nunca (quantas vezes vimos o tal “Rubinho” em desabalada carreira durante as corridas - SÓ QUE A PÉ E NA CONTRAMÃO - em busca do carro reserva ???).
Sem carisma, desprovido de empatia e simpatia, sempre com uma desculpa pronta para os recorrentes fracassos nas pistas, inventor de uma comemoração pra lá de ridícula (uma tal de “sambadinha”) quando ocasionalmente ganhava alguma corrida, Barrichello aos poucos foi se eclipsando, sumindo, escafedendo-se.
Assim, a Globo optou por uma descarada inversão de valores: à falta de resultados, o locutor global tratava de potencializar o fato de “Rubinho” às vezes ficar entre os 10 que obtiveram melhor classificação nos treinos, além de insistir e persistir em nos informar ser ele o piloto que disputou mais de trezentas (300) corridas de Fórmula 1 (olvidando, no entanto e propositadamente, de nos cientificar dos resultados ou da relação entre o número de vitórias obtidas e os grandes prêmios disputados).
Por essa e outras é que poderíamos associar Rubens Barrichello ao nosso famoso “caldo de bila”: não fede, não cheira, não tem gosto, não propicia qualquer serventia ou bem-estar, enfim, um blefe portentoso.
domingo, 12 de janeiro de 2020
GILMAR MENDES E A "REPÚBLICA DE CURITIBA"
“A
República de Curitiba nada tem de republicana, era uma
ditadura
completa. Assumiram papel de imperadores
absolutos. Gente com uma
mente muito obscura, gente
ordinária. Se achavam soberanos. Gente sem nenhuma
maturidade,
Corrupta na expressão do termo. Violaram o
Código de Processo
Penal”.
quinta-feira, 9 de janeiro de 2020
AS "MENINAS DO PIMENTA " - José Nilton Mariano Saraiva
Desde
tempos outros, o Bairro Pimenta, no Crato, ostentava com orgulho o
título de “bairro nobre”, bairro dos poderosos, bairro da elite
municipal.
Lá,
residiam os “doutores” em geral (médicos, dentistas,
engenheiros e demais graduados da terra), bem como os de bem com a
vida (comerciantes, industriais, fazendeiros, profissionais liberais
e por aí vai).
E
também lá se localizavam os imóveis mais valorizados da urbi
(residenciais e comerciais), assim como o ambiente mais seleto e
charmoso não só do Crato, mas de toda a Região Cariri: o então
revolucionário Crato Tênis Clube, com suas concorridas “tertúlias”
ou “vesperais” às manhãs ou tardes de domingos, seus
fulgurantes e concorridos carnavais, mas de frequência absolutamente
restrita (adentrar o Tênis Clube, naquela época, só pra poucos, já
que verdadeira epopeia para “estranhos”).
No
entanto, apesar de toda essa “seletividade” latente, a joia do
Pimenta eram as suas “meninas”: belas, educadas, charmosas,
elegantes no vestir e no se portar (mas miseravelmente sumidas
durante toda a semana), aos domingos, em algazarra esfuziante,
desciam em “bandos” para a Siqueira Campos, onde (sabiam, sim),
detinham o poder de dilacerar, atormentar e arrebentar os corações
daqueles pre-homens/adolescentes carentes, ávidos e com o coração
a mil (dentre os quais também os residentes na “periferia”,
porquanto já então a praça era um espaço democrático) à espera
de, pelo menos, um piedoso olhar, mesmo que de compaixão (o
signatário, residente no Bairro Pinto Madeira, do outro lado da
cidade, era um deles).
Particularmente
(e numa outra perspectiva), devemos às “meninas do Pimenta” o
despertar prematuro para uma questão essencial: a necessidade
premente de tentar ser alguém na vida, a fim de, pelo menos, sonhar
com a possibilidade de transformar aquele “amor platônico”
domingueiro em realidade, via ascensão social (um bom emprego, um
título de doutor, e por aí vai).
Fato
é que o “statu quo” já se fazia, sim, presente àquela época,
de sorte que a blindagem, o hermetismo e a absoluta inacessibilidade
dos “periféricos” às “meninas do Pimenta”, já então era
uma realidade triste e palpável (quantas noites indormidas, quantos
belos sonhos alimentamos tendo por protagonistas algumas das beldades
da Siqueira Campos).
Alias,
sobre elas reportamo-nos anos atrás em uma das nossas postagens nos
blogs da vida, a saber: “enquanto as moçoilas em flor, devidamente
produzidas giravam, giravam e giravam em seu calçadão,
momentaneamente transfigurado em uma ativa, grande e concorrida
passarela, exalando beleza e frescor, nós, os marmanjos, de pé,
braços cruzados, às bordas do quadrilátero, atuávamos como
expectadores privilegiados de um seleto concurso de beleza, na
expectativa de um olhar receptivo”.
Doces
lembranças que, mais tarde (já na fase adulta), fizemos questão de
lembrar e reviver com inusitado e compreensível carinho, conforme
afirmamos em uma outra postagem: “e no entanto, aqui estamos nós,
desconhecidos, que nunca se encontraram, nunca se falaram, não têm
a menor ideia de como é o outro fisicamente, mas que, certamente, em
algum domingo da vida se cruzaram na praça Siqueira Campos,
vivenciando uma época fabulosa; e agora, através de reminiscências
comuns, constroem uma perspectiva real de amizade fraterna”.
“MENINAS
DO PIMENTA’… quantas saudades.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2020
"REGIÃO METROPOLITANA DO CARIRI", PROCURA-SE - José Nilton Mariano Saraiva
Num
país onde as leis são solenemente ignoradas, sem
que haja maiores cobranças e consequentes penalidades, não é de
espantar que a estadual Lei Complementar nº 76, de 26.06.2009,
subscrita
pelo Governador do Estado do Ceará, reste
totalmente desmoralizada.
Para
quem não sabe, referida Lei dispõe sobre a criação da Região
Metropolitana do Cariri e já em seu artigo 1º reza: “Fica criada
a Região
Metropolitana
do Cariri - RMC, face ao que dispõe o art. 43 da Constituição
Estadual, constituída pelo agrupamento dos municípios de Juazeiro
do Norte, Crato, Barbalha, Jardim, Missão Velha, Caririaçu, Farias
Brito, Nova Olinda e Santana do Cariri, para
integrar a organização, o planejamento e a execução de funções
públicas de interesse comum” (ipsis litteris).
Ora,
já aí, no corpo da própria lei, pela ordem como foram relacionadas
as cidades, se observava
uma tendência a se priorizar
e privilegiar
uma
delas, Juazeiro do Norte, colocada como “cabeça de chapa”, sem
maiores justificativas.
Afinal, por que não dispô-las
na
ordem alfabética tradicional
(Barbalha,
Caririaçu, Crato, Farias Brito, Jardim, Juazeiro do Norte, Nova
Olinda e Santana do Cariri) como é praxe.
Na
oportunidade (antes
mesmo da promulgação da tal lei em 26.06.2009),
antevendo o blefe que viria no futuro, que a criação da tal Região
Metropolitana não passava de uma fraude grotesca PARA
BENEFICIAR UMA ÚNICA CIDADE,
afirmamos de forma peremptória e incisiva, nos blogs da vida (em
03.06.2009):
“Desde
que haja honestidade de propósitos e compromisso com a seriedade,
Região Metropolitana implica a distribuição equitativa e
equilibrada, entre os diversos conglomerados urbanos que a compõem,
dos benefícios (principalmente econômicos) a serem recomendados ou
gerados por iniciativa governamental".
E
prosseguimos:
“Não
parece ser o caso da que será criada aí no Cariri (a tônica é,
sim, o ‘esvaziamento do Crato’ tanto que antecipadamente já nos
tomaram a UFC e agora atentam contra a Exposição) já que a
tendência explícita é a manutenção e solidificação de
beneficiamento de um só pólo, uma só cidade, um só aglomerado,
conforme ficou evidente na simples denominação da mesma, com a
turma do Governo já anunciando a plenos pulmões que chamar-se-á
por cima de pau e pedra, quer chova ou faça sol, Região
Metropolitana de Juazeiro (ou seja, as demais cidades serão meros e
insignificantes satélites a ‘orbitarem’ em torno de um pólo
centralizador
– independente, autônomo e que ditará as regras do jogo, para o
bem ou para o mal)".
Como
até
a “velhinha de Taubaté” tem consciência que no mundo atual quem
manda e desmanda, casa e batiza, faz e desfaz é o “vil metal”;
que potenciais investidores de empreendimentos de porte só se
dispõem a se instalar onde facilidades lhes sejam disponibilizados
pelo governante de plantão; e, principalmente, que quem movimenta e
faz a roda do progresso girar em determinada direção é o
“componente político”, o
que afirmamos naquela data se concretizou.
E
dessa
vez não
vamos aqui falar em “premonição”.
Na
verdade, a
razão de acertarmos mais uma (sob
o fogo cerrado de alguns “gênios”, aí
do Crato),
foi
que,
da forma como foi concebida e estruturada a tal Região Metropolitana
do Cariri, a
perspectiva era mesmo de deixar
órfãos ao longo do caminho, porquanto desde o princípio
flagrantemente direcionada a uma única cidade-pólo, na órbita da
qual girariam os satélites errantes e desprezíveis (cidades outras).
Perdemos
o bonde da história.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2020
A GARGALHADA FINAL - Demóstenes Ribeiro (*)
Embora
a sua família fosse considerada inteligente e um dos seus irmãos,
importante advogado, ele, sequer sem o ensino médio, era
frequentemente desprezado. No entanto, todos reconheciam a sua
facilidade de expressão e intuição oratória, notadamente quando
tomava umas cachaças.
Por
isso, adorava ser o locutor da amplificadora local, onde a sua voz
agradável consagrara o bordão “... senhoras e senhores
ouvintes, pontualmente, seis horas. É a hora do Ângelus, e com esse
prefixo musical, a difusora a Voz do Cariri – a sua D.V.C. -,
acionando modernos equipamentos e potentes alto-falantes, transmite
para toda a cidade e interior dos lares, as mais belas canções e os
acontecimentos palpitantes da nossa comunidade. Na locução, Erivan
e no controle de som, Francisco Pena!”
E
ele tocava a vida, noticiando pelo microfone, aniversários,
falecimentos, comerciais e propaganda política. Às vezes,
surpreendiam as edições extras da D.V.C., prenunciadas pela “marcha
fúnebre”, de Chopin, se alguém importante falecia, ou por uma
melodia alegre em datas festivas familiares.
No
entanto, ao se exceder na bebida, às vezes se atrapalhava. Entrou
para o folclore local, a vez em que, bastante embriagado, ao anunciar
o aniversário de uma criança, sobre o fundo musical “hoje
é dia do seu aniversário,
parabéns,
parabéns. Fazem votos que vás ao centenário, os amigos sinceros
que tens...” trocou o pai pela mãe, e disse
solenemente “hoje, belíssimo dia, é o aniversário natalício
do interessante garotinho Fernando Carlos. Nessa efeméride, seu pai,
Cecília da Silva e a sua mãe, Chico da Silva, lhe oferecem esta
linda melodia como prova de carinho e amizade.”
Porém,
o que o fazia ainda mais feliz era discursar presencialmente e de
improviso em comemorações ou fazer uma família inteira chorar,
falando à beira do túmulo quando do sepultamento de alguém muito
estimado.
Enquanto
isso, a cidade seguia sua rotina monótona, mas violência e vingança
sempre estiveram no ar e vez por outra sacudiam o lugarejo. Crimes de
pistolagem, feminicídio, enforcamento, traição política,
infidelidades conjugais e a expectativa por um ajuste de contas que
viria cedo ou tarde, preenchiam o imaginário popular.
Para
sempre lembrada, foi a briga entre três rapazes acontecida há mais
de vinte anos. Antes, amigos e companheiros, uma discussão banal
culminou com a morte estúpida de um e feroz inimizade entre as
famílias. Depois, morreram os outros dois, e nos filhos de um deles,
desde a tenra infância, plantou-se a maldição de que alguém mais
deveria morrer, pelo simples parentesco com um dos mortos.
Assim,
muitos anos depois, um senhor idoso – Emérson Menezes de Lucena -
foi surpreendido por um jovem que, a sangue frio, lhe disparou vários
tiros, numa morte que consternou a cidade.
No
cemitério lotado, à beira do túmulo, Erivan, muito comovido,
exaltava as qualidades do falecido, porém completamente embriagado,
trocou o seu nome falando “que nessa tarde sombria, triste e
pesarosa, quando a Porta do Cariri se despede do querido Emérson
Fernandes de Oliveira, vítima de uma violência tão covarde...”
Ao
ouvir essas palavras, outro Emérson, temido e odiado, o interrompeu
bruscamente: “o que é isso, Vanzim, eu tou vivo aqui, bem atrás
de você, não me mate não!” Por alguns segundos, tristeza e
choro deram lugar a uma risada discreta e abafada, mas refeito o
silêncio, veio do caixão uma sonora gargalhada macabra.
A
multidão debandou em disparada e deixou sozinho, “Seu”
Corrumbeque. O velho coveiro, benzeu-se três vezes, depressa
sepultou o cadáver e por muito tempo não quis enterrar mais
ninguém.
************************************
(*) Dr Demóstenes Ribeiro, médico-cardiologista, natural de Missão Velha, com atuação profissional e residência em Fortaleza-CE.
sábado, 4 de janeiro de 2020
A INDESEJÁVEL VOLTA DOS "XERIFES" DO MUNDO - José Nilton Mariano Saraiva
Não
se constitui nenhum segredo que os Estados Unidos da América já há
um certo tempo passam por sérias dificuldades no tocante a fontes
energéticas, principalmente à utilização do petróleo.
Mas
que, mesmo e
apesar de enfrentar
um corrosivo, desgastante e avassalador processo de decadência
econômico-produtiva,
se
nos apresenta (ainda) como a maior potência do mundo em termos
técnico-científico
e bélico,
embora a China e Rússia já “funguem” em seu cangote de forma
ostensiva
e ameaçadora.
Mas,
como a “fonte” que sustenta tudo isso - suas reservas
petrolíferas - rapidamente se exaurem em função da “farra” e
mau uso durante décadas (seu consumo interno sempre se manteve nas
alturas), sem que se lhes apresentem condições de diminuí-lo ou
haja qualquer outra fonte alternativa no médio prazo, há, sim, a
possibilidade iminente de um “stop” da atividade produtiva do
próprio país, dentro de certa brevidade.
Portanto,
pra que se mantenha a máquina em funcionamento há uma imperiosa
necessidade e um premente desafio de buscar, encontrar, extrair e
até “roubar” petróleo,
onde houver petróleo abundante e em excesso (leia-se Oriente Médio,
preferencialmente, e
Brasil, Venezuela dentre
outros), senão o país
mais poderoso do mundo inexoravelmente irá à lona, restará
nocauteado.
Para
consecução de tal mister, uma das mais eficientes armas utilizadas
até aqui tem sido a distorção de informações (tal
qual a utilizada pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial),
propagadas por uma mídia corrupta, amestrada e dócil, que tem papel
preponderante na fixação do uso de certos métodos heterodoxos de
“convencimento”, objetivando sejam atropelados ou aniquilados
aqueles que se lhes postarem à frente, ou, até, os que ousem
contestá-los ou confrontá-los (desde quando, por exemplo, os
americanos respeitam fóruns coletivos internacionais tipo a OTAN,
ONU, G-8, G-20
e tal, quando resolvem que têm de intervir mundo afora ???).
Assim,
nada mais conveniente e apropriado (pra eles, americanos) que se
autoproclamarem e tentarem
difundir e manter o galhardão de “XERIFES” do mundo, defensores
da raça humana e dos bons
costumes, protetores dos
desvalidos, última reserva moral do planeta, solução para todos os
males dos terráqueos, e
por aí vai, mesmo que a
sua belicista prática diária se contraponha à teoria.
Necessário,
para tanto, a provocação e manutenção infindável
de um “conflitozinho” básico com um país periférico qualquer
(contanto que abarrotado de petróleo) a fim de que, quando a coisa
apertar e se tornar necessário, possam descredenciá-lo, jogá-lo às
feras, pô-lo contra o resto do mundo, invadi-lo e, assim, tomar de
conta das suas portentosas reservas minerais.
Afinal,
quem não lembra do recentemente ocorrido no Iraque, quando os
"gringos", sob o fajuto e inconsistente argumento da
existência de letais armas químicas com potencial de destruir a
própria humanidade, acionaram sua mortífera e poderosa força
bélica com o objetivo único e exclusivo de apoderar-se do
petróleo iraquiano,
como realmente aconteceu (desde o começo desconfiava-se, e
posteriormente se comprovou
tratar-se de uma deslavada mentira o
argumento das armas químicas).
Para
tanto e sem nenhum escrúpulo, anunciaram e difundiram além
mares a intenção de
“caçar”, “julgar” e “assassinar” em tempo recorde o
ditador-presidente
Saddam Hussein. O que foi
feito de pronto e sem
maiores tergiversações (na
forca e com transmissão ao vivo e a cores para todo o planeta). .
Agora,
aqui pra nós, alguém tem
dúvida que aquilo ali foi um verdadeiro assassinato, mesmo se
sabendo tratar-se de um ditadorzinho
de quinta categoria ??? Que
aquilo foi uma
descarada “interferência
indevida” em assuntos internos de uma nação independente ???
Fato
é que, como não houve
maiores protestos ou reações (à
época),
hoje os “xerifes” do mundo se preparam para tomar de conta das
infindáveis
jazidas petrolíferas do vizinho Irã, mesmo que para tanto tenham
que provocar mais uma carnificina num país distante; para tanto, e
provocativamente, nada como
assassinar covardemente (via
aérea) uma
das figuras mais queridas dos iranianos, o general Qasem Soleimani,
segundo nome na hierarquia daquele país, sob
o argumento de
que ele estaria a se preparar para assassinar americanos por
todo o mundo (embora
nenhuma evidência haja, sobre).
Resta-nos
a pergunta que não quer calar:
se são tão valentes e
protetores da humanidade,
por qual razão não se metem com a Rússia, que se acha assentada e
também “lambuzada”
num mar de petróleo ??? Será que o arsenal nuclear russo os assusta
tanto ???
Teremos
um outro 11 de setembro ???
*********************************
Post
Scrioptum:
Quanto
ao Brasil, especificamente, não foi preciso qualquer conflito,
nenhuma arenga, sequer um
buchicho, já que o
tosco e desequilibrado que
está presidente da república (aquele
que bate continência para a bandeira americana e é capaz de
declarar publicamente, num
inglês macarrônico “I
love
you, Trump”)
entregou o
nosso pre-sal, de mão
beijada, aos gringos.
sexta-feira, 3 de janeiro de 2020
CONFIDÊNCIAS NA MADRUGADA - José Nilton Mariano Saraiva
Desde
tempos imemoriais criamos o saudável
hábito (ou seria
pura insegurança
???) de, ao sentar para tentar redigir
alguma coisa, termos ao lado um velho companheiro de luta: o
dicionário.
Assim,
logo após o seu lançamento no Brasil, em
2001, adquirimos o Dicionário
Houaiss (embora já tivéssemos o do
Aurélio) por entender tratar-se de uma
grande, necessária e imprescindível
obra.
Para
que tenhamos ideia da sua grandeza, basta atentar que, na
sua elaboração, nada menos que 200 (duzentos)
lexicógrafos
e especialistas no mister participaram da empreitada, e que
em
suas 2.924 páginas o “livrão”
nos
traz cerca de 228.500 verbetes, 376.500 acepções, 415.500
sinônimos,
26.400 antônimos
e 57.000 palavras arcaicas, além de um sem número de consistentes
informações técnicas, evidentemente que
versando sobre a Língua
Portuguesa (daí
também ter sido lançado em Portugal).
Sem qualquer
demérito ao “Dicionário
Aurélio”,
o Houaiss lhe dá de goleada. Temo-lo, pois, como um companheiro
inseparável,
sempre que – como agora – queremos colocar o preto no branco,
tentar passar alguma coisa pra você, aí do outro lado da telinha.
Pois
foi exatamente numa dessas íntimas trocas de “confidências na
madrugada” (vocês também conversam com o Dicionário, no
silêncio da noite ???) que a porca torceu o rabo: a palavra que
procurávamos (que
não nos recordamos no momento),
começava com a letra “P”, cujo vastíssimo banco de dados se
encontra relacionado entre as páginas 2.099 a 2.340 do Houaiss, para
onde nos dirigimos.
Uma
primeira pesquisa e a surpresa desagradável: nadica de nada da
dita-cuja. Pacientemente, creditamos o seu “não encontro” à
zonzeira típica da chegada do sono àquela hora da
madrugada,
razão porque nos dirigimos à cozinha para bebericar um gole d’agua
e “lavar a fuça”, objetivando acordar de vez.
Numa
nova tentativa, nada da palavra. Ficamos um tanto quanto
“baratinados”
e
murmuramos cá com os nossos botões: como é que pode, um “bichão”
desse tamanho (2924
páginas) não
ter uma simplória
palavra dessa.
E assim fomos nos deitar com a pulga atrás da orelha.
Pela
manhã, já descansado e alimentado, partimos pra encarar a fera de
frente, convictos
que
dessa vez ela não nos escaparia. Ledo engano. A tal palavra,
definitivamente, não constava do estupendo Houaiss. Inconformados,
tomamos então uma decisão radical: como que a procurar uma agulha
no palheiro, sofregamente
conferimos, uma a uma, da página número 01 à página número
2.924,
na
perspectiva da
falta de alguma página.
Xeque-mate.
Encontramos,
não só no
espaço dedicado à
letra “P”, mas, também, em mais duas outras letras (N
e O ???),
quatro ou cinco páginas faltando (em cada uma das
letras)
e, em seu lugar, páginas repetidas, num imperdoável erro de
impressão (ou organização, ajuntamento e por aí vai) para uma
obra de tamanho vulto.
Imediatamente
acionamos o site ao
qual o
havíamos solicitado via Internet (Livraria Saraiva) e fomos
orientados a devolver o Dicionário, via sedex (evidentemente que sem
custos) e,
semanas
depois, recebemos um outro exemplar de volta (e aí já completo),
com o agradecimento da editora responsável (Objetiva), que alegou
que no “lote” em que se encontrava o exemplar
que
adquirimos originalmente
teria
havido o tal problema (repetição e falta de páginas).
Se,
por conta disso, houve um
“recall” a
posteriori (solicitação
de devolução de um lote ou de uma linha inteira de produtos, feita
pelo responsável
pela impressão do
mesmo), não sabemos e nem nos foi dado conhecimento (mas, aqui pra
nós, se você chegou a adquirir um Dicionário Houaiss, confira pelo
menos a letra “P” à
procura de páginas repetidas e consequentemente à falta das que
deveriam ali constar,
ok ??? ).
No
mais, tirante esse detalhe (atípico), vale a pena investir no
Houaiss (e como vale).
quarta-feira, 1 de janeiro de 2020
AINDA SOBRE O "DESASTRE AMBIENTAL" NA AMAZÔNIA - José Nilton Mariano Saraiva
Durante
muitos anos, o desenvolvimento econômico, decorrente da Revolução Industrial, sobrepôs-se
e impediu que os problemas ambientais fossem considerados seriamente, como
deveriam.
A
poluição e os negativos impactos ambientais do desenvolvimento desordenado eram
visíveis, mas, ante os benefícios proporcionados pelo “progresso”, eram
justificados irresponsavelmente como um “mal necessário”, algo com que
deveríamos conviver e nos resignar, ad eternum.
Só nos
anos recentes, após a descoberta da camada de ozônio, do efeito estufa e do
perigoso aquecimento global, a racionalidade foi posta em prática e o conceito mudou
radicalmente: proteger o meio ambiente não significa impedir o progresso, bem
como não se pode admitir um desenvolvimento predatório e insustentável.
Assim, urge
que reconheçamos ser fundamental a conscientização coletiva da necessidade de
se promover o desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente, que é o que
muitos de nós tentamos fazer, individualmente, na procura de uma vida saudável
e duradoura.
Para
tanto, é por demais louvável a ideia de defesa intransigente da adoção do desenvolvimento
sustentável, que tomou corpo e cresceu assustadoramente nas últimas décadas,
norteando a ação dos órgãos públicos encarregados da defesa do meio ambiente,
em todo o mundo.
No caso
do Brasil, especificamente, a própria Constituição Federal estabelece que todos
têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, porquanto é o homem,
o ser humano, a pessoa, não só como indivíduo, mas como humanidade e como
sujeito, a razão direta e prioritária do benefício de um meio ambiente sadio e autossustentável.
Pena
que no atual governo do brucutu Bolsonaro tudo isso tenha sido deixado de lado,
conforme constatamos com as queimadas recentes na Amazônia, sem que o Governo
haja tomado qualquer providência para obstá-las.
sexta-feira, 27 de dezembro de 2019
O PODER E A FORÇA DA TV - José Nilton Mariano Saraiva
Basta
um rápido click no controle e lá estão elas: simpáticas, normalmente bem
afeiçoadas, impecavelmente “produzidas”, sorriso no rosto e dicção perfeita. São
as apresentadoras dos telejornais de certa emissora de TV, aqui de Fortaleza.
De
princípio, um tanto quanto tímidas, aos poucos vão pegando os “macetes” da
profissão e começam a se soltar, findando, em pouco tempo, por nos apresentar não
só a beleza física, mas também um trabalho de boa qualidade, competência e, às vezes, corajoso (uma delas, recentemente, numa
reportagem sobre o circo, se meteu dentro de um daqueles “globo da morte” e
ficou ali, estática, enquanto duas possantes motos zanzavam a toda velocidade
em torno dela).
Um
detalhe, no entanto, as caracteriza (pelo menos parte delas) e não é preciso
ser tão observador pra constatar: apesar de todo o treinamento e técnica que
adquiriram a fim de se habilitarem a se postar diante das câmaras (que inclui até
a forma como se deve empunhar um microfone), com a diária exposição midiática não
mais que de repente, elas não se seguram ou “esquecem” momentaneamente tudo que
aprenderam e fazem questão de orgulhosamente nos mostrar a consequência e
produto do trabalho: uma “argola” no dedo.
De ouro puro, normalmente
grossa e polida o suficiente pra ser visualizada a quilômetros de distância,
enfiada no dedo anular da mão direita (a que segura o microfone), como a nos
anunciar: “AQUI, BICHO, TÔ NOIVA”, VIU ???
A
coisa é tão séria que, recentemente, uma delas chegou a convencer o próprio “chefe”
a comparecer ao programa esportivo que apresenta, a fim que anunciasse ao vivo
e a cores que ela estava noiva.
O
que impressiona, entretanto, é a velocidade com que a tal “argola” transmuta-se
da mão direita pra a mão esquerda e a “necessidade imperiosa” que elas sentem de – mesmo
destras – empunharem o tal do microfone
agora com a mão esquerda, como a nos anunciar (num silêncio ensurdecedor): “OLHA
AÍ, CARA, CASEI, SACOU, ???”.
Mas,
como o número de fãs é expressivo e o assédio certamente que idem, de repente
lá estão elas no vídeo trocando INCESSANTEMENTE, até de forma acintosa, o
microfone de mãos, como se fizessem questão de mostrá-las agora sem nenhuma
“argola”, só nos faltando gritar: “E AÍ, BONITÃO, TÔ LIVRE, PODE CHEGAR
JUNTO”.
E
como a vida continua, dentro de pouco tempo a história recomeça numa velocidade
impressionante: a “argola” na mão direita, transferência para a mão esquerda e,
de repente... tomou doril, a “argola” sumiu.
quinta-feira, 26 de dezembro de 2019
ANTECIPANDO-SE AO FILME "DOIS PAPAS" - José Nilton Mariano Saraiva
Hoje, o sucesso do
momento é o filme “DOIS PAPAS”, que retrata tudo o que expomos no artigo abaixo,
anos atrás, nos diversos blogs para os quais colaboramos.
Premonição ???
************************************
Quem conhece um pouco da história da Igreja Católica Apostólica Romana
sabe perfeitamente que, por trás dos herméticos, vigiados e protegidos muros do
Vaticano, em seus corredores e porões, entre abraços de tamanduá, tapinhas nas
costas e falsos sorrisos, vige uma espécie de briga de foice em quarto escuro,
na oportunidade em que se tem de escolher um novo Papa; conchavos, corrupção,
falsidade, traição, oferecimento de vantagens, tráfico de influência e o
escambau são a essência dos encontros cardinalícios quando da escolha do
sucessor de Pedro.
O jogo é bruto e pesado (fala-se, inclusive, que João Paulo I – o
italiano Luciane – após pouco mais de um mês no trono, teria sido envenenado
por discordar do modus operandi vigente).
Assim, no Vaticano nada difere das diversas arenas políticas
espalhadas pelo mundo, quando da eleição de mandatários nos mais diversos
países. É o tal “componente político” a que tanto aludimos e que na cúpula da
Igreja Católica também se faz presente, sim.
Por essa razão (o penoso e desonesto trabalho de chegar lá e as
concessões que se tem que ofertar), normalmente quem consegue trata de segurar
o bastão até o instante em que “bate as botas”, nem que para tanto tenha que
enfrentar constrangimentos mil (conforme nos mostrou o carismático polonês João
Paulo II, que, acometido de todo tipo de doença - Parkinson, demência,
dificuldade motora, etc), não largou o osso de forma alguma.
Assim, de certa forma foi surpreendente quando, quase chegando aos
80 anos, o ultraconservador ex-integrante da juventude nazista, o alemão Josepf
Ratzinger, conseguiu sucedê-lo.
Só não surpreendeu foi sua postura de alheamento ao que acontecia
ao seu entorno, já que os ultrapassados e envelhecidos dogmas da Igreja
Católica jamais foram ameaçados: celibato, divórcio, aborto, contrareceptivos,
punição de padres pedófilos, alinhamento político do clero com causas sociais e
políticas do terceiro mundo, enfim, desafios típicos do contemporâneo foram
deixados de lado.
Mais surpreendente, então, foi ele anunciar que
iria “se mandar” (renunciar), deixando seu rebanho na orfandade (e de um pai
vivo), já que com apenas 08 anos sentado no trono.
E aí, a grande surpresa, a denúncia/revelação
“bombástica”, porquanto proferida por alguém que comandava a Igreja Católica
até então e, pois, conhecedor profundo das suas entranhas e labirintos: na
cúpula da Igreja Católica vige, sim, a
"hipocrisia
religiosa, o comportamento dos que querem aparentar, as atitudes que buscam os
aplausos e a aprovação" (ipsis litteris).
Portanto, se nada fez de
produtivo durante sua gestão de 08 anos à frente da Igreja Católica Apostólica
Romana, o alemão de certa forma se redimiu, ao anunciar aos seus pares, de viva
voz, aquilo que todo mundo já desconfiava: no Vaticano, cerne do cristianismo,
impera a discórdia, o jogo sujo, a luta (fratricida e desonesta) pelo poder. Enfim,
o “componente político”.
Assinar:
Postagens (Atom)