por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 29 de julho de 2014

A CHEGADA DE ARIANO SUASSUNA NO CÉU - Autores: Klévisson Viana e Bule-Bule

 


Nos palcos do firmamento
Jesus concebeu um plano
De montar um espetáculo
Para Deus Pai Soberano
E, ao lembrar de um dramaturgo,
Mandou buscar Ariano.

Jesus mandou-lhe um convite,
Mas Ariano não leu.
Estava noutro idioma,
Ele num canto esqueceu,
Nem sequer observou
Quem foi que lhe escreveu.

Depois de um tempo, mandou
Uma segunda missiva.
A secretária do artista
Logo a dita carta arquiva,
Dizendo: — Viagem longa
A meu mestre não cativa.

Jesus sem ter a resposta
Disse torcendo o bigode:
— Eu vejo que Suassuna
É teimoso igual a um bode.
Não pode, mas ele pensa
Que é soberano e pode!

Jesus, já perdendo a calma,
Apelou pra outro suporte.
Para cumprir a missão,
Autorizou Dona Morte:
— Vá buscar o escritor,
Mas vê se não erra o corte!

A morte veio ao País
Como turista estrangeiro,
Achando que o Brasil
Era só Rio de Janeiro.
No rastro de Suassuna,
Sobrou pra Ubaldo Ribeiro.
 
Porém, antes de encontrá-lo,
Sofreu um constrangimento
Passando em Copacabana,
Um malfazejo elemento
Assaltou ela levando
Sua foice e documento.

A morte ficou sem rumo
E murmurou dessa vez:
— Pra não perder a viagem
Vou vender meu picinez
Para comprar outra foice
Na loja de algum chinês.
 
Por um e noventa e nove
A dita foice comprou.
Passando a mão pelo aço,
Viu que ela enferrujou
E disse: — Vai essa mesma,
Pois comprar outra eu não vou!

A morte saiu bolando,
Sem direção e sem tino,
Perguntando a um e a outro
Pelo escritor nordestino,
Obteve informação,
Gratificando um menino.

Ao encontrar João Ubaldo,
Viu naufragar o seu plano,
Se lembrando da imagem
Disse: — Aqui há um engano.
Perguntou para João
Onde é que estava Ariano.

Nessa hora João Ubaldo,
Quase ficando maluco,
Tomou um susto arretado,
Quando ali tocou um cuco,
Mas, gaguejando, falou:
—Ele mora em Pernambuco!

A morte disse: — Danou-se
Dinheiro não tenho mais
Para viajar tão longe,
Mas Ariano é sagaz.
Escapou mais uma vez,
Vai você mesmo, rapaz!

Quando chegou lá no Céu
Com o escritor baiano,
Cristo lhe deu uma bronca:
— Já foi baldado o meu plano.
Pedi um da Paraíba
E você trouxe um baiano.

João Ubaldo é talentoso,
Porém não escreve tudo.
“Viva o Povo Brasileiro”
É sua obra de estudo,
Mas quero peça de humor,
Que o Céu tá muito sisudo.

Foi consultar os arquivos
Pra ressuscitar João,
Mas achou desnecessário,
Pois já era ocasião
Pra ele vir prestar contas
Ali na Santa Mansão.

Jesus olhou para a Morte
E disse assim: — Serafina,
Vejo não és mais a mesma.
Tu já foste mais malina,
Tá com pena ou tá com medo,
Responda logo, menina?!

— Jesus, eu vou lhe falar
Que preciso de dinheiro.
Ariano mora bem
No Nordeste brasileiro.
Disse o Cristo: —Tenho pressa,
Passe lá no financeiro!

— Só faço que é pra o Senhor.
Pra outro, juro não ia.
Ele que se conformasse
Com o escritor da Bahia.
Se dependesse de mim,
Ariano não morria.

A morte na internet
Comprou passagem barata.
Quase morria de susto
Naquela viagem ingrata.
De vez em quando dizia:
— Eita que viagem chata!

Uma aeromoça lhe trouxe
Duas barras de cereais.
Diz ela: — Estou de regime.
Por favor, não traga mais,
Porque se vier eu como,
Meu apetite é voraz!

Quando chegou no Recife,
Ficou ela de plantão
Na porta de Ariano
Com sua foice na mão,
Resmungando: — Qualquer hora
Ele cai no alçapão!

A morte colonizada,
Pensando em lhe agradar,
Uma faixa com uma frase
Ela mandou preparar,
Dizendo: “Welcome Ariano”,
Mas ele não quis entrar.

Vendo a tal faixa, Ariano
Ficou muito revoltado.
Começou a passar mal,
Pediu pra ser internado
E a morte foi lhe seguindo
Para ver o resultado.

Eu não sei se Ariano
Morreu de raiva ou de medo.
Que era contra estrangeirismos,
Isso nunca foi segredo.
Certo é que a morte o matou
Sem lhe tocar com um dedo.

Chegou no Céu Ariano,
Tava a porta escancarada.
São Pedro quando o avistou
Resmungando na calçada,
Correu logo pra o portão,
Louvando a sua chegada.

Um anjinho de recado
Foi chamar o Soberano,
Dizendo: - O Senhor agora
Vai concretizar seu plano.
São Pedro mandou dizer
Que aqui chegou Ariano.

Jesus saiu apressado,
Apertando o nó da manta
E disse assim: — Vou lembrar
Dessa data como santa
Que a arte de Ariano
Em toda parte ela encanta.

São Pedro lá no portão
Recebeu bem Ariano,
Que chegou meio areado,
Meio confuso e sem plano.
Ao perceber que morreu,
Se valeu do Soberano.

Com um chapelão de palha
Chegou Ascenso Ferreira,
O grande Câmara Cascudo,
Zé Pacheco e Zé Limeira.
João Firmino Cabral
Veio engrossar a fileira.

E o próprio João Ubaldo
(Que foi pra lá por engano)
Veio de braços abertos
Para abraçar Ariano.
E esse falou: - Ubaldo,
Morrer não tava em meu plano!

Logo chegou Jorge Amado
E o ator Paulo Goulart.
Veio também Chico Anysio
Que começou a contar
Uma anedota engraçada
Descontraindo o lugar.

Logo chegou Jesus Cristo,
Com seu rosto bronzeado.
Veio de braços abertos,
Suassuna emocionado
Disse assim: — Esse é o Mestre,
O resto é papo furado!

Suassuna que, na vida,
Sonhou em ser imortal,
Entrou para Academia,
Mas percebeu, afinal,
Que imortal é a vida
No plano celestial.

Jesus explicou seus planos
De fazer uma companhia
De teatro e ele era
O escritor que queria
Para escrever suas peças,
Enchendo o Céu de alegria.

Nisso Ariano responde:
— Senhor, eu me sinto honrado,
Porém escrever uma obra
É serviço demorado.
Às vezes gasto dez anos
Para obter resultado.

Nisso Jesus gargalhou
E disse: — Fique à vontade.
Tempo aqui não é problema,
Estamos na eternidade
E você pode criar
Na maior tranquilidade.

Um homem bem pequenino
Com chapeuzinho banzeiro,
Com um singelo instrumento,
Tocou um coco ligeiro
Falando da Paraíba:
Era Jackson do Pandeiro.

Logo chegou Luiz Gonzaga,
Lindu do Trio Nordestino,
E apontou Dominguinhos
Junto a José Clementino
E o grande Humberto Teixeira,
Raul e Zé Marcolino.

Depois chegou Marinês
Com Abdias de lado
E Waldick Soriano,
Com um vozeirão impostado,
Cantou “Torturas de Amor”,
Como sempre apaixonado.
 
Veio então Silvio Romero
Com Catulo da Paixão,
Suassuna enxugou
As lágrimas de emoção
E Catulo, com seu pinho,
Cantou “Luar do Sertão”.

Leandro Gomes de Barros
Junto a Leonardo Mota,
Chegou Juvenal Galeno,
Otacílio Patriota.
Até Rui Barbosa veio
Com título de poliglota.

Chegou Regina Dourado,
Tocada de emoção,
Juntinho de Ariano,
Veio e beijou sua mão
E disse: — Na sua peça
Quero participação.

Ariano dedicou-se
Àquele projeto novo.
Ao concluir sua peça,
Jesus deu o seu aprovo
E a peça foi encenada
Finalmente para o povo.

Na peça de Ariano
Só participa alma pura.
Ariano virou santo,
Corrigiu sua postura.
Lá no Céu ganhou o título
Padroeiro da cultura.

Os artistas que por ele
Já nutriam grande encanto
Agora estando em apuros,
Residindo em qualquer canto,
Lembra de Santo Ariano
E acende vela pro santo.

Ariano foi Quixote
Que lutou de alma pura.
Contra a arte descartável
Vestiu a sua armadura
Em qualquer dia do ano
Eu digo: viva Ariano
Padroeiro da Cultura!

FIM

Autores: Klévisson Viana e Bule-Bule
(Copiado da Internet)

 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

UM MAU COMEÇO - José Nilton Mariano Saraiva

Pensava-se que a hecatombe resultante da fragorosa e imoral derrota do Brasil para a Alemanha por inacreditáveis 7 x 1  e o conseqüente fim do sonho do hexacampeonato serviria para que mudanças profundas fossem processadas no tocante ao comando do futebol nacional.

E a tal CBF, acossada pelo clamor popular e peitada por uma mídia que justificadamente não lhe deu sossego um só momento, a partir de então, acusou o golpe e logo entendeu que não tinha alternativa que não anunciar urgentes medidas nesse sentido.

E aí, a primeira grande decepção: para começar, a convocação do ex-goleiro da própria seleção, Gilmar Rinaldi, para ser o coordenador geral de futebol da CBF (de todas as seleções da CBF), mesmo e apesar da sua atividade (até o dia anterior), como “empresário de jogador de futebol” e, pois, sujeito a legislar em causa própria.

E o despreparo do referido senhor para o cargo ficou explicitado quando, em entrevista para o Grupo Bandeirantes (TV), dia seguinte à nomeação, foi de uma tremenda sinceridade ou de uma imaturidade a toda prova, ao declarar com todas as letras: “Eu não posso dizer que sou bonzinho, que sou honesto, mas...“ (o vídeo está disponível na Internet).

Notaram o detalhe ??? O coordenador de todas as seleções de futebol do Brasil (daqui pra frente), que até ontem vivia de percentuais de “comissões” pela venda de jogadores, admite com todas as letras e sem o menor constrangimento, que NÃO É HONESTO, mas que isso não influenciará o seu trabalho.


Questionamentos que se impõem: isso é ou não é um mau começo ??? há sinceridade ou sarcasmo na declaração do senhor em questão ??? com um perfil desses, teremos realmente mudanças daqui pra frente ???

quinta-feira, 24 de julho de 2014

"Poesia Reunida"
(Martha Medeiros)
Pensei que bastassem palavras
Pra me fazer entender...
Que nada
Às vezes minha voz parece dublada
Eu digo uma coisa, ele entende outra
Fica tudo sem começo nem fim
Quem dera eu pudesse contratar um dublê
Pra terminar certas cenas por mim

Antes me adorava
Depois me suportou
Antes de me enlouquecer
Você voltou
Depois de muito papo
Antes de amanhecer
Você me amou
Depois de muitos beijos
Durante a madrugada
Antes do nada que ficou
Agora sei como se sente
uma noiva abandonada no altar
Você podia tudo na minha vida
menos faltar
A administração da minha vida amorosa
não anda como eu queria
O primeiro pretendente
não pagou o que devia
O segundo, inadimplente,
não entregou a mercadoria
O terceiro, dependente,
deixou minha geladeira vazia
E o último, incompetente,
não estava na garantia
Abro amanhã meu coração
para uma auditoria
 
 
 

"Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que ...iguala tudo o que é vivo, porque tudo o que é vivo, morre."
(Em: O Auto da Compadecida)
Ariano Suassuna
 
  •  
SHOW DO ABIDORAL
LOCAL - SESC Crato.
Data - 25 de julho de 2014
Hora - 19h00...
Entrada - 02 quilos de alimentos não perecíveis.

IMPERDÍVEL!!!
Compareça e leve a família, as amigas e os amigos!

domingo, 20 de julho de 2014

D. Almina na imprensa novamente - A Revista Continente nº 139, editada pela CEPE, mês de julho/2012, publicou uma matéria sobre redes com o título "Redes - Ótimas para descansar". Nela, duas pessoas ligadas ao Crato são citadas: o médico e escritor Ronaldo Brito, e D. Almina Arraes, esta com direito a foto e tudo. A foto aparece com a legenda "Guardiã - Almina de Alencar, que tem coleção redes antigas e raras promove consórcios com peças bordadas para ajudar artesãs cearenses".
 

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Aninhar-se

Entender as mulheres
Não é tão aventuroso.

Risco de hospício
Ou jardinagem.

Basta-nos ouvi-las
(Escutá-las)

E abraçá-las
Naquelas noites
Em que as suas marés
E suas luas partem sem elas.

As mulheres até sobrevivem
Sem os seus amados, mas
Das suas luas e marés

Nem em sonhos
Podem viver
Distantes.


KAIKA, CONVIDA!

 
Amanhã a noite promete ser muito especial. A banda Os Águias de Barbalha promete fazer uma festa inesquecível, assim como são inesquecíveis o que de bom já passamos e ainda vamos passar nos salões do Crato Tênis Clube. Será uma noite onde rever amigos, fotografar, abraçar, dançar e amar será a tônica da festa. Vamos abraçar esse momento de uma forma bem especial. Vamos curtir e viver a alegria de estarmos juntos nesse momento tão bacana. Esperamos você lá para, juntos, "Dançar a noite inteira sem parar".
Foto de Kaika Luiz.



 
 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

A "contundência" dos números - José Nilton Mariano Saraiva

Aqueles que, meses atrás, ensandecidos e apopléticos, pregavam que “não vai ter Copa” ou que, se houvesse iríamos passar vergonha ante o mundo todo durante sua realização (o tal Ronaldo “Gordo” Nazário, por exemplo), a esta hora devem estar “bufando de raiva” com o sucesso da Copa das Copas, a maior de todas as Copas, a Copa do Mundo do Brasil.

Tal constatação pode ser observada nos números da pesquisa do Instituto Data-Folha, relativos à avaliação feita por 2.209 estrangeiros de mais de 60 países nos aeroportos de São Paulo, Rio, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Fortaleza, entre os dias 1º e 11 de julho.

São números contundentes e irrecorríveis, a saber: 

a) 95,0% dos turistas estrangeiros avaliaram a recepção propiciada pelos brasileiros como ÓTIMA ou BOA, daí estarem dispostos a voltar mais à frente, para um período mais longo (férias); b) 61,0% estiveram no país pela primeira vez nesta Copa do Mundo; c) 92,0 % dos visitantes elogiaram o CONFORTO E A SEGURANÇA dos estádios da Copa; d) 84,0% dos entrevistados avaliaram a organização da Copa como ÓTIMA ou BOA (12% a consideraram regular); e) 84,0% dos que nos visitaram rotularam de ÕTIMA ou BOA as atrações turísticas: f) 83,0% dos estrangeiros se disseram POSITIVAMENTE SURPRESOS com o Brasil;  g) 76,0% dos “gringos” aprovaram a qualidade do transporte aéreo e dos aeroportos; h) 73,0% consideraram ÓTIMA ou BOA a qualidade do transporte até as arenas;  i) 69,0% dos visitantes disseram que gostariam de morar no Brasil; j) 46,0% dos visitantes avaliaram a mobilidade urbana melhor do que o esperado; k) 41,0% aprovaram os sistemas de comunicação (aqui, precisamos  melhorar); l) 98,0% acharam os brasileiros simpáticos; m) 84,0% rotularam o brasileiro de honesto;  n) 92,5 foi a nota data pela FIFA para a “nossa” Copa do Mundo. 
       
Tão "contundentes" números nos fazem lembrar que, faltando apenas um mês para o início da Copa do Mundo, boa parte da imprensa internacional, tendo por base relatos de segmentos desonestos da mídia brasileira (a tal da VEJA, por exemplo), publicou matérias depreciativas em relação ao nosso país, duvidando que tivéssemos condições de patrocinar um evento internacional de porte como uma Copa do Mundo; particularmente emblemática foi a principal revista alemã “Der Spiegel”, que publicou uma edição que trazia na capa uma “bola de futebol” pegando fogo e cruzando o céu da Baía de Guanabara, como que alertando sobre os riscos que rondavam a Copa do Mundo; ou seja, quem se arriscasse a vir pra cá teria que ter muito cuidado, senão, não voltaria pra casa. A nossa Copa, diziam, estaria fadada ao fracasso e seria um iminente perigo em termos de segurança.
Mas, como nada é melhor que um dia atrás do outro (com uma noite no meio, evidentemente), hoje, ante a realidade de uma Copa do Mundo exemplar em termos de organização, segurança, mobilidade, recepção carinhosa do nosso povo e da infra-estrutura que encontraram no país, esses mesmos veículos tiveram a DIGNIDADE de se desculpar (em primeira página), ao tempo em que enalteciam o Brasil como uma grande, potente e bonita nação, habitada por um povo alegre e simpático.
Pra desespero dos “bufões ensandecidos”.


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Como entender um mistério? – Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Certa vez, eu e Magali, minha querida mulher e companheira por essas estradas da vida, fomos convidados para falar para um grupo de jovens casais que se preparavam para o casamento. É claro que além da nossa experiência pessoal, consultamos alguns livros. Num deles, vi algo que muito me emocionou e me transportou para quando eu me preparava para fazer a minha primeira comunhão, com as aulas de catecismo da minha querida e saudosa tia Esmeraldina. De repente, minha memória me fez ouvir a voz dela perguntando sobre o mistério da Santíssima Trindade: "O Pai é Deus?" "O Filho é Deus?" "O Espírito Santo é Deus?" A cada uma dessas perguntas eu respondia sim, sem nada entender. E acredito que ninguém ainda hoje entenda tais mistérios. Mas lendo o livro “Os Sacramentos” de Dom Hilário Moser*, encontrei uma definição de Deus que satisfaz a quem pensa como eu, em aceitar a existência desse mistério principal da nossa fé. Abaixo, tomo a liberdade de compartilhar com aqueles que se deram ao trabalho de ler este singelo texto, a mesma emoção que eu senti ao ler as palavras de Dom Hilário.      
 
“O nosso Deus não é um Deus solitário, é um Deus-Família. Ele é Pai que tem um Filho. E o amor que vai do Pai ao Filho e do Filho ao Pai é tão perfeito que é uma Pessoa, o Espírito Santo. Assim, em Deus há uma contínua corrente de amor entre as três Pessoas divinas. O Pai está todo voltado para o Filho, o Filho está todo voltado para o Pai, e o Espírito Santo mantém Pai e Filho voltados um para o outro. Este é o grande mistério da Santíssima Trindade. É difícil para nós, criaturas, entender esse mistério, mas assim é o nosso Deus e é assim que a Bíblia nos fala de Deus.”

Descobrimos que essas sábias palavras têm tudo a ver com a formação de uma família, onde o amor deve fluir entre o casal e os filhos, da mesma forma que circula na suprema divindade. O amor do marido para a mulher, o amor da mulher para o marido deve ser tão intenso quanto o amor dos pais para com os filhos e dos filhos para com os pais. Isto nada mais é que o reflexo do amor de Deus atuando sobre a família. Se todas as famílias do mundo colocassem esse mistério em suas vidas, vivendo sob o influxo do Espírito Santo, certamente não existiria tantas agressões entre os seres humanos, não haveria guerras, exploração do homem pelo homem e a pobreza; não somente a pobreza material, mas principalmente a pobreza moral, a maior de todas as misérias.   

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

* (Dom Hilário Moser é bispo emérito de Tubarão SC)

terça-feira, 15 de julho de 2014

A "presença da ausência" - José Nilton Mariano Saraiva

Claro que, em razão da Copa do Mundo de realizar “NO” Brasil, tinha que ser “DO” Brasil, principalmente em razão do nosso “pedigree” na matéria; claro que, mesmo e apesar das limitações do nosso time, num jogo normal e incentivados por uma torcida numerosa e vibrante, tínhamos, sim, absoluta e plena condição de bater a seleção da Alemanha e seguir em frente; claro que tal não aconteceu em razão da escolha de uma opção tática pra lá de equivocada da nossa experimentada comissão técnica (que, sabe-se agora, lamentavelmente não envelheceu só biologicamente) e pisou feio na bola (e isso em plena semifinal de uma Copa do Mundo) já que oferecendo “de bandeja” o meio campo aos alemães, onde eles sempre são mais fortes e trafegam com extrema facilidade; claro que, ao contrário dos alemães (como era previsível) quem tremeu foram alguns dos nossos (Fernandinho e Bernard, por exemplo) e isso comprometeu o desempenho do time como um todo; claro que um placar desmoralizante e imoral desses (7 x 1) é algo improvável e atípico em um jogo de duas seleções poderosas, principalmente em uma disputa de Copa do Mundo e dificilmente (ou jamais) repetir-se-á (mas será lembrado, ad eternum, exatamente pela atipicidade);  enfim, foi uma partida desastrada, surreal mesmo, tanto que os próprios alemães (demonstrando um “respeitoso constrangimento”), se abstiveram de comemorar como mereciam (e trataram de enfatizar isso, pós-jogo), porquanto claramente diminuíram o ritmo durante o segundo tempo (poderiam, sim, ter feito 10 ou mais gols, se continuassem com o mesmo vigor, tal a pasmaceira que tomou de conta dos nossos jogadores e seu comando-caduco).

No mais (e nisso parece ser proibido falar), tivemos também a derrota da mídia brasileira. É que, antes de se preocupar com os adversários do Brasil propriamente, a atenção maior foi, antes e durante a Copa (e até agora, após) tentar incutir da mente dos torcedores que a seleção tinha um novo “líder” capaz de guiá-la ao “olímpo”, levá-la aos píncaros da glória, guindá-la ao panteão dos heróis imortais: o tal Neimar (cai, cai) que, no nosso entendimento, é apenas um bom jogador e não esse fenômeno que propagam.

Ora, amigos, “liderança” não se encontra disponível nas prateleiras das bodegas do interior, ou nas gôndolas dos grandes supermercados das capitais ou nas bancas das feiras-livres da periferia; “liderança” não se compra, não se impõe, não se transfere e nem se atribui via decreto, bilhete, norma, portaria ou coisa que o valha. “Liderança” é algo de berço, natural, carismática, única, personalíssima. E disso o tal Neimar é desprovido, do dedão do pé à cabeleira moicana-tingida.

Assim, nada mais hipócrita que a recorrente imagem da TV mostrando no túnel de acesso ao gramado o tal Neimar abraçando um a um os colegas, antes de cada partida, ao tempo em que o narrador global destacava sua forte “liderança” ante os demais; nada mais cafona do que a imagem dos jogadores entrando em campo para uma semifinal de Copa do Mundo usando “bonés” personalizados, saudando o tal Neimar (fora do jogo, por contusão); nada mais ridículo que exibir, durante o canto do Hino Nacional, a camisa do tal Neimar, como se fora ele um “herói” já falecido, a quem todos devêssemos reverência (passa longe disso).

E talvez por isso mesmo, por se preocuparem demasiadamente com um “ausente”, foi que os jogadores da seleção brasileira literalmente não se fizeram “presente” no jogo decisivo. Burra e irrestrita solidariedade ???

Ainda por cima, nada mais inapropriado e extemporâneo que trazê-lo de volta da boa vida que desfrutava na praia (para a concentração), depois de tê-lo dispensado (já que contundido), objetivando “liderar” os colegas na batalha pelo terceiro lugar do torneio (aí, a emenda saiu pior que o soneto, porquanto o “distinto” se sentiu à vontade para, do banco, desrespeitosamente “assumir” o lugar do Felipão, no tocante à orientação dos que estavam em campo (e você já parou pra pensar num time “orientado” pelo tal Neimar ???). Deu no que deu.

Vida que segue.

A lamentar, que a menininha que “...não tava nem na barriga da minha mãe quando o Brasil foi campeão”, vá ter que esperar por um pouco mais de tempo pra ver isso (ou, quem sabe, seja a sua futura filha que terá o privilégio).


O Sensacionalismo da Imprensa - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Os nossos meios de comunicação, além de defenderem os interesses de seus donos, vivem de notícias. E quanto mais catastróficas e violentas elas são, maior é a sensação que seus repórteres experimentam ao darem a noticia. Eis um belo exemplo:

Em um domingo à noite de maio de 1971, eu voltava de uma sessão de cinema, quando a um quarteirão do prédio onde morava, uma chuva inesperada irrompeu com toda impetuosidade sobre a cidade de Salvador. E choveu sem parar durante três noites e três dias, como eu nunca havia visto antes. A chuva finalmente parou ao final da tarde da quarta-feira. Foram 850mm de chuva em menos de 72 horas, um dilúvio para o qual nenhuma cidade brasileira está preparada. As conseqüências, como se era de esperar foram deslizamentos das encostas desprotegidas, desabamento de residências, vidas humanas ceifadas, crateras abertas nas ruas por onde antes havia rede pluvial de esgotos. E a adutora para abastecimento d'água da cidade foi deslocada de seu curso, interrompendo o fornecimento por alguns dias.

Por uma singular coincidência, nosso professor da disciplina de hidrologia era um diretor da companhia de abastecimento d'água. Ao ser entrevistado por repórteres dos jornais, rádios e televisão ele explicou que uma chuva daquelas somente ocorreria de cem em cem anos, conforme a lei de recorrência das estatísticas hidrológicas. Para nossa surpresa, eis as manchetes dos jornais no dia seguinte ao da entrevista:
"Engenheiro confirma: choveu por cem anos em Salvador!"

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O "legado intangível" - José Nilton Mariano Saraiva

Silentes, omissos, protegidos pelo manto da escuridão (e torcendo fervorosamente contra, durante todo o desenrolar da competição), agora que o Brasil perdeu a Copa do Mundo mais fácil da história, os “engenheiros de obras prontas” de repente rompem o casulo e já tratam de culpar o governo pelo desastre do Mineirão, prenunciando que o resultado se refletirá nas próximas eleições presidenciais. Veremos.

Sabem, mas fingem ignorar: 1) que a CBF é uma instituição privada e, portanto, o Governo não tem ingerência ou como interferir nas decisões e falcatruas dos seus dirigentes corruptos, eleitos pelas também corruptas federações estaduais (exemplo: ainda hoje o tal Ricardo Teixeira, seu ex-presidente exilado em Miami, recebe uma gorda mesada mensal de dezenas de milhares de reais da CBF (dizem que mais de 100 mil reais), ninguém sabe a título de quê; e 2) que a Copa do Mundo do Brasil foi um sucesso, foi a Copa das Copas, a maior de todas as Copas, sim, e isso em razão da intervenção do governo brasileiro que, após concorrer e vencer a eleição da FIFA objetivando patrociná-la, dotou o país da infra-estrutura necessária a que todo corresse sobre os trilhos.  Ou alguém já esqueceu que meses antes era voz corrente (dos “eternamente do contra”) que os nossos aeroportos não iam ter condição de atender à demanda, que a mobilidade urbana inexistiria, que os turistas não encontrariam nenhuma segurança nas ruas e estariam entregues à sanha dos marginais, que os nossos estádios (ou arenas) não estariam prontos antes de 2038 (segundo a VEJA) ???

Pois é, pra desespero de todos eles tudo correu às mil maravilhas, não houve nada fora do normal e o nosso povo fez a sua parte tratando todos os visitantes com simpatia, distinção e cortesia (no que foram recepcionados).

Por isso, de uma coisa não tenham dúvidas: após a Copa das Copas a imagem do Brasil lá fora é uma outra, totalmente favorável, e isso se refletirá a médio prazo no aumento do fluxo de turistas e na conseqüente chegada de mais divisas. É o que poderíamos denominar de “legado intangível” (devido à eficiente e poderosa propaganda “boca-a-boca”).

E isso simplesmente porque os “gringos” (alemães, belgas, americanos, argentinos, africanos e por aí vai) adoraram o Brasil e literalmente redescobriram-no (só que mais moderno, mais aprazível, mais agradável, mais bonito e, enfim, com um povo extremamente agradável e solícito).


E os frustrados “bananas da vida” teimam em não reconhecer o óbvio.