ATENÇÃO
“REDOBRADA”
- José Nilton Mariano
Saraiva
Em
sendo um país de dimensões continentais, naturalmente que o Brasil
se nos apresenta bastante heterogêneo no que concerne às suas
diversas regiões, em termos mercantis,
climático, mercadológico, cultural, esportivo
e
por aí vai.
Adstringindo-se
apenas a duas dessas regiões, porquanto emblemáticas da
diferenciação, constata-se que enquanto no “Sul-Sudeste” impera
um clima ameno e propício às mais diversas culturas, no “Nordeste”
desde sempre a inclemência do sol, aliada à falta de chuvas resulta
em imensas dificuldades para sua população, daí a necessidade de
um atendimento governamental prioritário para com esta parte do
Brasil, sintetizado, lá atrás, na fala do “Imperador-bufão”
Dom Pedro, que teria garantido que, se necessário fosse, venderia
até a última joia da coroa a fim de atenuar o sofrimento do povo
nordestino.
Se
verdadeira ou não tão demagógica intenção, fato é que, de lá
até cá a ideia de um tratamento diferenciado para a Região
Nordeste ganhou destaque, até que, durante a Assembleia Nacional
Constituinte (1988), restou reconhecida a urgente necessidade da
criação de um “fundo-financeiro” específico que propiciasse a
obtenção e alocação de “recursos estáveis” para
Região.
Estava
criado o FNE (Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste),
com recursos advindos da “renúncia fiscal” do Imposto de Renda,
por parte de pessoas físicas e jurídicas. Para geri-lo e
administrá-lo, uma instituição com “expertise” em Nordeste,
porquanto criada com essa precípua finalidade pelo presidente
Getúlio Vargas nos primórdios da década de 1950: o Banco do
Nordeste do Brasil S.A. (BNB).
E,
em sã consciência, ninguém pode negar que essa parceria foi e é
pra lá de eficiente, exitosa e eficaz, porquanto, a partir de então
a Região Nordeste deu um salto qualitativo imenso, por conta de
ações planejadas e executadas tanto no campo (agricultura) quanto
na zona urbana (via industrialização), graças ao financiamento e
assessoramento técnico daquela instituição.
Assim,
hoje temos um moderno e multifacetado segmento industrial, dos mais
heterogêneos e qualificados, que nada fica a dever aos grandes
parques industriais do mundo, além de cidades modernas e
acolhedoras, de par com uma agricultura diversificada e não mais
sazonal, já que, graças a um processo irrigatório ainda incipiente
(daí a necessidade comprovada de que a transposição do Rio São
Francisco seja concluída o mais breve) produz alimentos e cereais
outros, de primeira qualidade, inclusive e principalmente para
exportação.
Mas,
eis que, no decorrer do governo da Presidenta Dilma Rousseff, um real
“inimigo íntimo” se nos apresentou, quando da indicação
política do malfadado tucano Joaquim Levy, para o Ministério da
Fazenda; que, ao assumir, anunciou de pronto a intenção de efetivar
um tal “ajuste fiscal”, no bojo do qual havia a intenção de
“tungar” irresponsavelmente, em cerca de 30,0% (trinta por cento)
os recursos destinados à Região Nordeste, via FNE.
Tal
medida, se efetivada à época, representaria sério e indesejável
entrave na política de debelar as “desigualdades regionais”
(que deveria ser permanente e contínua), porquanto obstaria os
planos da Região Nordeste do Brasil de se livrar de vez das amarras
do subdesenvolvimento, além de configurar uma despropositada
volta ao passado, com tudo de maléfico que perdurou por longos anos;
e ainda, atingiria em cheio o BNB, esvaziando-o, porquanto retirando
da sua alçada a chancela lhe atribuída lá atrás no governo
Vargas, de instituição “indutora do desenvolvimento”
nessa carente região do país.
Obstada
num primeiro momento, de lá até cá novas investidas sobre
ingerências nos recursos do FNE são uma constante e, pois,
necessário a “ATENÇÃO REDOBRADA” e
contínua por parte dos diversos segmentos sociais da região,
visando “obrigar” a classe política nordestina a formar um “pool
multipartidário” objetivando tomar uma atitude drástica de
objeção ao pretendido desde a época do malfadado “ministro
tucano”, anulando um receituário que só interessa aos não
conhecedores das agruras nordestinas.