Quando ouço alguém suspirar profundo, lembro de um provérbio popular destinado a essas situações, que diz: Quem suspira não tem o que deseja. Bela sabedoria humana perpetuada nessas tiradas impagáveis que o tempo transmite dos pais aos filhos, no vagar dos calendários. Vem pela tal oralidade, boa e ouvida, repassando o conhecimento decantado na mais fina literatura das pessoas que não têm a literatura oficial.por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Os suspiros - Emerson Monteiro
Quando ouço alguém suspirar profundo, lembro de um provérbio popular destinado a essas situações, que diz: Quem suspira não tem o que deseja. Bela sabedoria humana perpetuada nessas tiradas impagáveis que o tempo transmite dos pais aos filhos, no vagar dos calendários. Vem pela tal oralidade, boa e ouvida, repassando o conhecimento decantado na mais fina literatura das pessoas que não têm a literatura oficial.domingo, 8 de janeiro de 2012
Um ato que se repete .
Começa no primeiro instante,
no corte umbilical
E com isso a vida diz :
aprende a conviver, amar e separar !
Um amigo especial está fora de mim
Com ele se foi a poesia
ou a poesia persiste em mim?
Os amores não se perdem
quando as pessoas de nós
se despedem
O amor se inaltera, e até cresce...
Mesmo no silêncio !
Quem se desliga
não está impedido de sentir
e dizer : te amo !
Alma de gueixa- por Socorro Moreira
manhã chuvosa
mágoas lavadas
vivem o dom e o tom
novo dia !
água da chuva
lava teus pés cansados
na cânfora
adormecidos
sem cereja na boca
sem graúna nos olhos
ocidental nos anelos
calos de rendeira
azeitado desejo
um cheiro de flor
lembra a nossa história
acorda,
tá na hora...
o sol voltou !
sm
NO ESPELHO ... por Rosa Guerrera
EU!
Um muito de nada.
Um muito de tudo.
Sem subterfúgios,
Exigente, malcriada
,afoita , bandida...
Moleca, vadia , despreocupada
Por momentos delicada, noutros rude, desconfiada.
Outras vezes, meiga e atenciosa
.Amarga e doce ao mesmo tempo.
Discreta, calada ,observadora.
Não gosto das linhas retas,
Tortuosos são os versos dos meus poemas
Ando pelo avesso
quando me sinto menina no sorriso
e mulher no instante da paixão.
Não sou anjo nem demonio.
Mas conheço de perto o céu e o inferno dos homens!
.Sou dividida em mil pedaços !
Mas em todos esses fragmentos eu me encontro inteira
E continuo sendo EU.
Um Bonde Chamado seu Beijo - Elisa Lucinda
08 de Janeiro - Dia Nacional da Fotografia
Comemora-se o dia 08 de Janeiro como o Dia Nacional da Fotografia ou Dia Nacional do Fotógrafo. Mas há controvérsias... Calendários registram 6, 7, 8 e até 9 de Janeiro como dia do fotógrafo, dia da fotografia, dia nacional do fotógrafo e dia nacional da fotografia.
Já no dia 19 de Agosto, comemora-se o dia mundial da fotografia. Também há quem afirme que este é o dia do fotógrafo. E há ainda registros de comemorações no dia 15 de agosto. Já o dia do repórter fotográfico é 02 de Setembro...
Controvérsias à parte, foi no dia 19/08/1839 que a fotografia foi anunciada ao mundo oficialmente, em Paris, na Academia de Ciências da França, consagrando o Daguerreótipo, processo desenvolvido pelo francês Louis M. Daguérre.
Possivelmente, as datas em Janeiro referem-se à chegada do Daguerreótipo no Brasil, fato que aconteceu no primeiro mês do ano de 1840, exatamente no dia 16.
Segundo a literatura especializada, foi o abade Louis Compte que trouxe a novidade de Paris para o Rio de Janeiro, e apresentou o daguerreótipo ao imperador D. Pedro II (oficialmente, o Imperador foi o primeiro fotógrafo brasileiro).
Porém, segundo o historiador Bóris Kossoy, houve uma descoberta isolada da fotografia no Brasil, pelo pesquisador Hércules Florence, seis anos antes do anúncio oficial do feito de Daguerre...
Sem conhecimento das pesquisas na Europa, Florence descobriu a fotografia e foi a primeira pessoa a usar o termo, em 15 de Agosto de 1832, em Campinas - no interior do Estado de São Paulo.
Fonte: www.sergiosakall.com.br/
Quem gosta de contos de fadas?
E viva a TV Futura, que me jogou outra vez, numa infância perdida.
Pensamento do Dia. Liduina Vilar
Não gosto de aplaudir a tristeza. Mesmo sabendo que muitas vezes, ela nos faz companhia, quer queiramos ou não. Insisto, teimo, corro atrás da alegria, porque não concebo a vida sem ela.Caso saibamos utilizar a tristeza a nosso favor, iremos tirar disso ai, o lucro do crescimento, da motivação, do vencer as lástimas e os dissabores da existência. A vida tem condições de ultrapassar a "desalegria", porque existe o verde, o ar, a magia do sorriso... O doce e incrível dom de viver.COCO ESPARRAMADO - por Ulisses Germano
Vou deixar o meu refrão
Tu que já cuspiu no prato
Por favor queira apressar
Passarim não ler na pauta
Mas canta como uma flauta
Que assobia na goela
É Maria e é Luzia
Marisia e catolé
Cheiro forte da bacia
Coceira, bicho de pé
O jogo foi zero a zero
Gosto muito do bolero
"São dois pra lá, dois pra cá"
Vou parar aqui um pouco
Minha voz já tem idade
Com a mesma intensidade
sábado, 7 de janeiro de 2012
As tietes do Vale do Silício - Emerson Monteiro
Vale do Silício, nos Estados Unidos, se trata de região privilegiada em termos de avanços tecnológicos, espalhando inventos novos pelo mundo afora numa velocidade supersônica. Nesse lugar, a partir de 1950 que inúmeras empresas da área da Informática pesquisam e ampliam o leque das opções de mecanismos, sobretudo da eletrônica e das comunicações. O Vale do Silício abrange várias cidades do estado da Califórnia, ao sul de São Francisco, como Palo Alto e Santa Clara, estendendo-se até os subúrbios de San José. ESPELHOS DO REISADO
(Ulisses Germano)
Minha roupa tem espelhos
Espalhados na fazenda
São azuis e são vermelhos
As cores de tua renda
Oh! Mateus primeiro os teus
Oh! Mateus são teus os meus
Desejos de vossa prenda!
A inveja é um desejo
De possuir o alheio
Por favor saia do meio
Meu espelho não tem cor
Mestre Aldenir falou
Mestre Aldenir cantou
Na boca de quem é ruim
Quem é bom não tem valor
Pra espantar o mau olhadoQue se espalha com o vento
Dou-te o espelho do reisadoComo agradecimentoTudo nele é refletidoE o mau é repelido Não sobrando um só lamento
(Dedicada ao mestre Aldenir um Rei nos dias de Reis!)
(Ulisses Germano)
Minha roupa tem espelhos
Espalhados na fazenda
São azuis e são vermelhos
As cores de tua renda
Oh! Mateus primeiro os teus
Oh! Mateus são teus os meus
Desejos de vossa prenda!
A inveja é um desejo
De possuir o alheio
Por favor saia do meio
Meu espelho não tem cor
Mestre Aldenir falou
Mestre Aldenir cantou
Na boca de quem é ruim
Quem é bom não tem valor
Dou-te o espelho do reisado
(Dedicada ao mestre Aldenir um Rei nos dias de Reis!)
JOSÉ GONÇALVES- por Norma Hauer
O Doutor do baião - Humberto Teixeira - Por : Norma Hauer
POEMA IMORTAL
"Oh, viva encarnação do eterno amor universal
Visão de mil venturas entre o bem e o mal
Às vezes na saudade és o paraíso,
Às vezes verdadeiro inferno trazes num sorriso.
Oh viva encarnação de um beijo ardente,sensual
Imagem de um passado original.
Tu és ventura e desventura,
Presente e despedida,
És ponto e contra-ponto
És a própria vida.
Fogaréu em cena de ciúme
Tu és também o mar e és perfume,
Lago azul, onde desliza um cisne erradio,
Tu és também fremente mar bravio.
Demônio, angelical, eu sei melhor que outro qualquer.
Poema imortal, teu nome é Mulher.”
Essa valsa, uma das que mais exalta a mulher, foi uma espécie de marca de Humberto Teixeira na voz de Orlando Silva. Orlando já gravara de Humberto um samba para o carnaval de 1946: “Só Uma Louca Não Vê”, mas “Poema Imortal”, embora não alcançasse o sucesso que merecia, ficou imortalizada em sua voz.
Mas não foi só isso que Humberto , nascido sob o signo de Capricórnio, no dia 5 de janeiro de 1915, em Icatu, no Estado do Ceará compôs antes de se tornar conhecido como o “Doutor do Baião”. Dois sambas sinfônicos, gravados por Deo e o Coro dos Apiacais praticamente abriram as portas da composição musical para HUMBERTO TEIXEIRA: “Sinfonia do Café” e “Terra da Luz”, em que lembrava que foi no Ceará que, pela primeira vez, os navios negreiros foram proibidos de atracar no Brasil.
Em “Sinfonia do Café” fez uma exaltação ao café, e, por esse motivo, foi convidado a tomar parte do corpo editorial da “Revista do Café”, do extinto Instituto Nacional do Café.
SINFONIA DO CAFÉ
Vem dos montes abexins ou do Yemen...
Das lendas de Omar ou do pastor...
Floresceu em terras várias e distantes,
Mas aqui, somente aqui, conheceu o esplendor!
Bonito de ver!
Que lindo de ver, que orgulho de olhar!
O homem bendiz
A terra onde brota a riqueza sem par!
E canta feliz,
Nos meses de abril,
fazendo a "derriça"
Colhendo os rubis do Café do Brasil!
Café que nasce até nas serras
Que viceja nas terras
Onde dão a copaíba e o jacarandá!
Café que fez a glória de Palheta,
O valoroso bandeirante que nos trouxe
De bem longe,
O ouro-verde para o Grão-Pará!
Café que todo mundo bebe!
Ó fonte de riquezas mil!
Café que fez famosa a Paulicéia
E espalhou aos quatro ventos
E através dos sete mares
A grandeza do nosso Brasil!
Do nosso Brasil!
Humberto foi também responsável pelo lançamento de Francisco Carlos, um cantor que ficou conhecido como “El Broto” exatamente por gravar, de Humberto , para o carnaval, o samba “Meu Brotinho”
Meu Brotinho, por favor não cresça,
Por favor, não cresça,
Já é grande o cipoal..;.”
Esse foi o Humberto Teixeira antes de conhecer Luiz Gonzaga e com ele “estourar” com os baiões do qual o exemplo maior é “Asa Branca”. E também é exemplo de que os compositores são os grandes esquecidos, quando o cantor é exaltado. Quando se fala de “Asa Branca”, o nome de Luiz Gonzaga é exaltado, enquanto o de Humberto Teixeira, autor da letra, nunca é citado.
Ficando conhecido por seus baiões, candidatou-se a deputado federal pelo Estado do Ceará e, nessa qualidade apresentou um projeto, que se tornou lei com o nome de Lei Humberto Teixeira, que previa o envio de caravanas brasileiras ao exterior.
Em uma dessas caravanas, Dalva de Oliveira apresentou-se em, Londres e, com a orquestra de Roberto Inglês gravou um baião de Humberto Teixeira de nome “Kalu”.
Neste trabalho quis mostrar o Humberto Teixeira que conheci quando fomos colegas como funcionários na então Faculdade Nacional de Medicina,
Norma Hauer
Luiz Melodia
Renúncia - por Socorro Moreira
Deletar um projeto de amor
é matar uma célula amorosa
O efeito tristeza
esvazia por momentos ,
por dias, toda a nossa alegria.
Mas , já dizia minha vó:
Amor unilateral não tem função ...
É solidão braba,
corrosiva !
Renunciar é deixar que a solidão se dilua
escorra , e perca a noção da nostalgia.
Já, já...
o tempo muda...
Volta a primavera,
e com ela
as cores da fantasia !
Ser poeta - por Socorro Moreira
Poeta
é ser dono de todos os sonhos
e não ter nenhum
Viver por palavras :
bolas de sabão de vida curta e bela
Vão, explodem com o toque do olhar
Poeta é a árvore que teima nascer
na areia do sertão
A gritar sua sede
A sonhar
com a nuvem carpideira
Poeta é silêncio
martírio de ser
Dizer-se poeta
é blasfêmia
Sentir-se poeta
é prosaico, simples !
Rabiscos da saudade- por Socorro Moreira
rasguei cartas e retratos
toquei fogo
no papel da paisagem
renasci mil vezes
o tempo cura
mas não apaga
a vida paga
o gozo das lembranças
que ficam adormecidas
em páginas amareladas
você dorme
enquanto escrevo
você sonha
enquanto acordo
tudo nos desencontra ...
e eu quis tanto ,
aportar em tua alma !
só peço à minha caixinha
de trecos,
uma borracha e um lápis...
pra apagar os conflitos
e rabiscar
um verso de saudade
por tudo que não vivemos
ou por um único momento,
em que fiquei nos teus traços.
Vida ... - por Socorro Moreira
No caminho da liberação
o pódio é o infinito.
É saltar para o futuro
sem lembranças doídas
É apostar na paisagem depois da curva
É tomar banho de chuva
e sentir que somos nuvens
É ficar nua
e descobrir o próprio corpo
brocado e bordado...
costurado pela vida.
É um voo em companhia de garças
É o amor divino selando alianças
É viver com simplicidade !
Caminhando - por Socorro Moreira
Caminhando ...
Uns caminhos voam, outros se colam
aos nossos pés cansados.
Caminhando...
Que importa o transporte,
a hora da chegada?
Caminhando ...
O nosso olhar cumpre etapas,
que nos sonhos se mostravam
Caminhando ...
Chegamos na linha do horizonte
e o limite é além, muito além !
Lembranças - por Socorro Moreira
Impossível traduzir a tua alma
Ela é uma esfinge para mim
Para outros,
sempre clara !
Nesse cartão escuro
eu juro que vou escrever
letras douradas.
Dobro-me às tristezas
Pago na íntegra ,
pingo por pingo,
o beijo que provei.
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Mar que avistei
que senti,
e nele me banhei
barulho na concha do ouvido
canção nunca esquecida
solfejo e grito !
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Vivo nas entrelinhas
Minha cabeça vive uma poética enxaqueca
No meu coração ainda moram estrelas
Elas brilham no dia,
encantadas em natureza !
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olhos no teto
papo pro ar
alma solta
querendo te achar
coração batuca um verso
boca reza um mistério
nariz fareja jasmim
volta pra mim?
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Molhar a grama do jardim
é forrar a cama de esperança.
Quadrilha - colaboração de Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes
Mestras do Instituto S.Vicente Férrer- Colaboração de Joaquim Pinheiro
Catando letras - por Socorro Moreira
Céu rosado
vento trancado
segura folhas douradas.
lágrimas soltas
escorrem caudalosas
no leito solitário.
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às vezes ele chega,
escreve uns traçados,
riscos truncados,
fantasmas reais
Um dia quero estar,
nas asas desse anjo
Voar
pra lá e pra cá ...
sorrir dos seus contos
Tomar chá...
Canela, Oxalá
Ser Gabriela,
ante o seu olhar !
---------------------
Voltou
enrolado nas suas falas
Éter
inebriando a sala
tossiu, roncou ...
Acordou meus pesadelos
Comoveu-me
Partiu ,
quando a lucidez do sol
incendiou a casa.
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Não quero a posse
desejo apenas
um cruzar dos olhos
Cruzar é bordar
Implica em perigo
pergaminho, linho ...
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Na sua missão de fazer o cliente compreender essa universalidade, o astrólogo deve indicar-lhe os sinais que lhe farão encontrar o significado de se estar no mundo, deve indicar-lhe os caminhos que apontam para essa unidade entre homem e universo. O astrólogo não precisa ser filósofo, mas desenvolver e recorrer à sua porção filósofo; o astrólogo não precisa ser religioso, mas ter uma reverência religiosa frente à vida; o astrólogo não tem que ser poeta, mas conhecer e amar a poesia da vida; o astrólogo não precisa viajar pelo mundo, mas precisa frequentar bibliotecas e livrarias; o astrólogo não precisa ser autor teatral, mas conhecer e compreender Shakespeare e os clássicos gregos; o astrólogo não precisa torcer ardentemente por um time de futebol, mas compreender a explosão de alegria do gol. Enfim, o astrólogo não precisa vender jornais na esquina, frutas na feira ou fazer literatura de cordel, mas compreender e aprender as simples e grandes lições da sabedoria popular. Como canta Milton Nascimento, “todo artista tem que ir aonde o povo está”. E o astrólogo é um artista e, como tal, sua função implica numa compreensão da vida por inteiro, para retratá-lo para o cliente no seu mapa astrológico.
O mapa astrológico, que revela a natureza da semente de cada pessoa e seu crescimento e frutificação, vai levá-la à completa e perfeita realização daquilo que ela tem em estado potencial. A apreensão e valorização dos sinais do mapa se faz numa interpretação, não só técnica, mas também dinâmica e intuitiva. No percurso do Mapa, da Primeira à Décima Segunda Casa, o astrólogo conduz a pessoa a uma viagem interior, onde tudo começa com a força impulsionadora da vida, representada por Marte, até a entrega netuniana.
Para passar essa compreensão, o astrólogo carece de um cabedal de conhecimentos e vivências, carece de usar símbolos e imagens, carece de, numa visão tradicional, ser um artista: sair da matéria e transcender. A poesia, por exemplo, pode e deve ser um recurso a ser usado pelo astrólogo, num convite ao cliente entender a chamada da vida, porque é preciso estarmos atentos aos sinais, considerando que a pessoa não escolhe, é escolhida.
Fernando Pessoa, num apontamento solto e depois incluído no início do livro Mensagem, ensina que o entendimento dos Símbolos e dos rituais simbólicos, requer do intérprete cinco qualidades: a primeira é a Simpatia pelo símbolo que se propõe a interpretar; em segundo lugar vem a Intuição, como uma espécie de entendimento do que está além do símbolo; a terceira qualidade é a Inteligência, relacionando no alto o que está embaixo. A Inteligência analisa e reconstrói o símbolo noutro nível; a seguir vem a Compreensão, expressa pelo conhecimento de outras matérias que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, por último a Graça, que é a mão do Superior Incógnito, o Conhecimento. O astrólogo como intérprete de símbolos deve enveredar pelo caminho dessas qualidades.
Reencontrar consigo mesmo - Emerson Monteiro
Isto por meio da simplicidade, neste solo cheio em demasia de heróis os mais diversos, pois chega o momento dos momentos quando as portas de saída e de entrada representam apenas o reencontro, nas bases de cada um de nós, seres viventes. As correntes do pensamento, os valores morais e as cólicas das refeições anteriores, juntos, formam essa rede valiosa de buscar, nas mínimas contradições, a essência da pura simplicidade. A gente vasculhou gavetas, despejos, estantes, e nada que representasse a paz que justificaria segurança valiosa diante de inúmeras apreensões.Resta, por isso, o pouso da leveza original nas histórias interiores, na própria criatura de dentro, aquele foco central das existências no coração da pessoa, na alma alimento. Nessas ocasiões, os raios fortes das dúvidas perdem o furor. Pausas longas na dura caminhada sem trégua dissiparam os derradeiros bloqueios de avistar a praia suave do instante particular no simples das mil variações de objetos e significados... As palavras, com isso, deixam escorrer na pele o sentido de pisar os tetos macios do Universo. Fronteiros a nós, olhos arregalados, seres felizes brincam na forma das cores e dos movimentos quais habitantes de reinos da fantasia bem animada. Música que circula os ouvidos e penetra lavando a escuridão antiga, limpando as chaminés das veias e dos nervos. Resposta bem possível rega, enche de alegria espaços antes ocupados pelas dores desvanecidas.
Essa cura através da simplicidade caberá fiel no pátio de todos. Querer deixar acontecer e pronto, dúvidas somem, independente da fria vontade dos céticos. Ação de transformação que aguarda seus convidados nos refolhos da natureza amiga. Os agentes disso, andarilhos deste chão às vezes áspero e nunca desesperado, percorrerão os trilhos e passos dados em lugar dos cinzas dias, na saúde do tempo. Simplicidade que diz tudo o que havia de contar os personagens da inúmera jornada terrena.
Tanto disseram a respeito do assunto que aprendizes impacientes até abandonaram a crença na simplicidade, razão dos desassossegos ambulantes soltos nas ruas, e correrem, fugitivos, aos esconderijos profundos de erros e farsas, motivo das perdições que aparecem nas visagens dos filmes noturnos. Contudo cabe agir com harmonia e explicar aos passantes o valor das chances de amar o que é bom e ser feliz.
Dia de Reis
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Arrastão

Pois é, amigos, já tínhamos várias expressões para caracterizar as coisas, quando andam fora do prumo : “mais desmantelado que vôo de Anum”, que “queda de helicóptero” , que “rastro de carroça”. A partir dessa semana, acrescentamos mais uma ao nosso dicionário : “mais troncho que Greve de Polícia Militar” ! Já sabíamos de alguns outros desmantelos em movimentos paredistas , como Greve de Coveiros e de Médicos; mas o que aconteceu na última terça-feira foi bem além da nossa imaginação. De repente, talvez impelidos pelas fofocas disseminadas pelos próprios grevistas, estabeleceu-se o pânico: as cidades esvaziaram, o comércio fechou , o povo trancou-se em casa como se esperasse a chegada de um tufão. Junto à boataria generalizada , os espertalhões aproveitaram para pequenos furtos e para alguns crimes mais cabeludos. Até o Governador, insone, na madrugada, assinou rapidamente o aumento dos Policiais, aqueles mesmos que meses atrás tinham sido orientados a sapecar o cassetete na cabeça dos professores que lutavam também por melhores condições de trabalho. A data de três de janeiro será lembrada como o dia em que o Ceará parou.
No Crato, a coisa não foi brincadeira, amigos! Ninguém quis ficar de portas escancaradas. Até o Restaurante Guanabara, de Nenen , mais aberto que coração de mãe , e que há mais de vinte anos nem portas tem , deu um jeito de fechar : parece que botaram barricadas na entrada. Dr. Dedé cria um passarinho chamado “Abre-e-Fecha “, pois desde esse dia, me contou ele, depois do pânico, o bichinho, estressado, só Fecha, não abre mais de jeito nenhum, com medo dos bandidos. A Escola Aprendizes do Samba, do Alto da Penha, depois do sujigamento da terça-feira resolveu, este ano, não mais sair com um Carro Abre-Alas, trocou por um Carro Alegórico Fecha-Alas. Até os pequis maduros, na feira, no dia do pega-prá-capar, não abriam nem com golpes de marreta. E ,segundo as lavadeiras do Coqueiro, nunca na vida tinham visto tanta cueca e calcinha borradas. Foi um dia de juízo ou da falta de. Vejam essa : Nas Casas Populares, a única bodega que não fechou foi a de Pedro Belarmino. O velho fincou pé e disse que não abria nem para o “trem carregado de pólvora e com um doido em cima da carga fumando charuto”. No outro dia, quando as coisas se acalmaram, os vizinhos foram conversar com ele, impressionados com tamanha fortaleza. O velho , então, explicou tudo: tim-tim por tim-tim . Era homem de muita fé e tinha ali, na bodega, guardadinho, um protetor que lhe dava forças para ele nada temer. Acossado pela curiosidade dos vizinhos resolveu mostrar , devotamente, a sua proteção. Dirigiu-se para a porta aberta do estabelecimento e informou com convicção inabalável : --- Meu protetor está aqui atrás : Santo Inácio de Loyola ! Fechou a porta para apresentá-lo aos curiosos vizinhos. Lá, no entanto, só estava o pequeno altarzinho por ele construído, nada do Santo ! Num é que até ele tinha fugido , também, na terça-feira, com medo dos bandidos !
A história mais curiosa , no entanto, ocorreu com um professor da rede pública do Seminário : Florêncio Tupinambá. Estava dando aula, na tarde do dia fatídico, quando estourou a conversa do risco iminente de arrastão. Foram todos liberados e saíram em desabalada carreira para casa. Florêncio, no entanto, tinha uma gambiarra, ali pras bandas das “Cacimbas” e resolveu, pela proximidade, ir para lá. Terminou dormindo com a amante : um pouco por medo, um pouco pelo sabor do fruto proibido. De manhãzinha, ouviu no noticiário de Vicelmo a notícia de que a greve tinha acabado. E agora? Como voltaria para casa? Que explicações dar à mulher que era um misto de Diana Bobitt e Sherlock Holmes ? Criou, então, uma versão fantasiosa e dirigiu-se para casa. Em lá chegando, encontrou a residência cheia de amigos e vizinhos, a mulher e os filhos chorando, todos pensaram no pior. Tupinambá fez cara de vítima e disse que tinha sido assaltado e depois seqüestrado, quando vinha no dia anterior para casa. Em meio à apreensão da família, a versão foi engolida pela mulher sem engulhos. Acalmados os ânimos, Florêncio tomou o café farto que a esposa preparou e resolveu tomar um banho, sob pretexto de que passara a noite preso no matagal e estava um lixo. Na realidade, tentava apagar algum derradeiro vestígio que por acaso tivesse sobrado das presepadas da noite anterior. No quarto escuro, tirou os sapatos e jogou sobre a cama as meias, a calça, a camisa e a cueca. Dirigiu-se pelado ao banheiro. Quando saiu do banho , encontrou a mulher de mão de pilão em punho e , aos gritos, cobriu-o de porrada. Apanhou mais que galinha prá largar o choco. Só já no hospital , em meio à enxurrada de gazes e esparadrapos, descobriu como o plano fabuloso tinha ido de água abaixo. No afã de voltar para casa, pela manhã, ao invés de por a cueca, vestira a calcinha da namorada como peça íntima. Terminou a calcinha cheia de babados e bicos sendo flagrada pela jaracuçu da esposa, em cima da cama, enquanto tomava banho.
No dia seguinte, quando a comissão de professores da sua escola o foi visitar ( ainda penalizada pelo seqüestro) , o encontrou ainda de cara inchada e olhos de guaxinim. Perguntaram os colegas como tinha sido a greve, Florêncio disse que não tinha sorte com movimento paredista: era aquela a segunda vez que apanhava. Quando os colegas quiseram saber quem tinha sido o responsável, dessa vez, por aquela surra homérica, ele desconfiado, apontou para a mulher que preparava, com cara de poucos amigos, o almoço, na cozinha e acusou baixinho, com medo que ela ouvisse :
--- O governador, amigos, o outro governador ali !
J. Flávio Vieira
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Torta espelhada
Foto: Josemar do Carmo
para a massa
300g de bolacha maria ou de maisena
2 colheres (sopa) de margarina
6 colheres (sopa) de leite
para o creme
1 lata de leite condensado
1 copo de leite
2 colheres (sopa) de maisena
2 gemas
1 caixinha de creme de leite
para a cobertura
2 bandejas de morango
2 pacotes de gelatina de morango
300ml de água fervente
300ml de água gelada
1- Comece fazendo a massa, que será a base da Torta Espelhada. Bata no liquidificador, aos poucos, a bolacha. A ideia é que ela vire uma farinha. Com toda as bolachas trituradas, adicione a margarina e o leite. Misture bem até obter uma massa homogênea.
2- Coloque a massa em uma forma de fundo removível. Cubra todo o fundo. Com as mãos, aperte a massa para que fique bem compacta. Leve ao forno preaquecido (180°) por, em média, 10 minutos, ou até ficar dourada.
3- Dissolva o pó de gelatina na água quente. Em seguida, adicione a água fria. Leve a gelatina para a geladeira.
4- Para fazer o creme, misture, em uma panela, o leite condensado, as gemas, a maisena e o leite. Leve ao fogo, mexendo sempre, até engrossar. Tire a panela do fogo e misture o creme de leite. Mexa bem.
5- Hora de montar a torta. Por cima da massa de bolacha, coloque todo o creme. Cubra com os morangos previamente cortados. Por cima de tudo, entra a gelatina, que já deve estar firme para não ter risco de escorrer. Leve a torta para a geladeira por, no mínimo, duas horas. Antes de servir, ainda gelada, desenforme. Está pronta!











