por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Os suspiros - Emerson Monteiro

Quando ouço alguém suspirar profundo, lembro de um provérbio popular destinado a essas situações, que diz: Quem suspira não tem o que deseja. Bela sabedoria humana perpetuada nessas tiradas impagáveis que o tempo transmite dos pais aos filhos, no vagar dos calendários. Vem pela tal oralidade, boa e ouvida, repassando o conhecimento decantado na mais fina literatura das pessoas que não têm a literatura oficial.

Bom, mas tratar disso indica outras colocações nestas palavras, onde os suspiros, aqueles respirares pespegados de emoção que saem sentidos do coração e esvoaçam no correr das jornadas. De quando se acorda com o peito dolorido das tantas insatisfações, procuras frustradas e esperanças encravadas lá por dentro feitas crianças guardadas que dormem sem querer logo nascer. Sujeitas até nem querer nascer mais, quando os suspiros encruaram e vêm bem fortes, chamando a atenção dos companheiros de quarto que andam ali perto às vezes até suspirando, gemendo e chorando, nesse vale das lágrimas quentes da longa estrada do chão.

Orar lembra, sim, este assunto. Invés de andar suspirando toda hora, há criaturas que rezam primeiro; de terço na mão, balbucia os lábios, olhos conformados e murchos de chorar. Esquecem mesmo de suspirar, partem para a ação de pedir aos santos, a Deus, os lenitivos que aguardam pacientes.

Quase ninguém, neste mundo, entretanto, pode usar a prerrogativa de andar de barriga cheia no que tange isso de felicidade, quando conformação virou fruta rara, posição firme dos apanhados experientes, os chamados realistas. Poucos respeitam a pulsação da natureza e ajeitam viver só no espaço das quatro linhas dos próprios limites, longe de pretender além do que lhe merece.

Os ensinos sagrados repetem as tais necessidade soberanas do respeito às leis que regem a existência, e não contrariam aquilo que recebem de direito. Contudo poucos agem assim. No entanto que jamais devam ultrapassar a conformação, sob pena de virar desilusão e desconforto.

Enquanto demorar a correspondência dos pedidos, suspirar compõe o quadro, e gemer alto pelo menos alivia o que a alma sente e a boca evita transformar nas palavras. Nesse meio turno, os suspiros cumprem a doce função das linguagens quase silenciosas, a demonstrar os sentimentos guardados a sete capas das saudades e dos sonhos queridos que permaneceram misteriosos.

domingo, 8 de janeiro de 2012


Desprendimento - por Socorro Moreira

Um ato que se repete .

Começa no primeiro instante,

no corte umbilical

E com isso a vida diz :

aprende a conviver, amar e separar !

Um amigo especial está fora de mim

Com ele se foi a poesia

ou a poesia persiste em mim?

Os amores não se perdem

quando as pessoas de nós

se despedem

O amor se inaltera, e até cresce...

Mesmo no silêncio !

Quem se desliga

não está impedido de sentir

e dizer : te amo !



Inanimada- Socorro Moreira

sábado nascente

tangendo a poeira da sexta

feijão sem tempero

peixe frito no azeite

farinha que engasga a saudade

o banho de sal

a essência floral

e a preguiça mortal

de esquecer que estás vivo

a vida não é velório

ela precisa de um grito

ser desenho animado

ser filme !

Linha do horizonte - por Socorro Moreira

Até a poesia do teu silêncio

me preenche

E o nosso encontro,

na linha do horizonte,

em qual Janeiro será?


Alma de gueixa- por Socorro Moreira




manhã chuvosa
mágoas lavadas
vivem o dom e o tom
novo dia !

água da chuva
lava teus pés cansados
na cânfora
adormecidos

sem cereja na boca
sem graúna nos olhos
ocidental nos anelos
calos de rendeira
azeitado desejo

um cheiro de flor
lembra a nossa história
acorda,
tá na hora...
o sol voltou !

sm

NO ESPELHO ... por Rosa Guerrera



EU!
Um muito de nada.
Um muito de tudo.
Sem subterfúgios,
Exigente, malcriada
,afoita , bandida...
Moleca, vadia , despreocupada
Por momentos delicada, noutros rude, desconfiada.
Outras vezes, meiga e atenciosa
.Amarga e doce ao mesmo tempo.
Discreta, calada ,observadora.
Não gosto das linhas retas,
Tortuosos são os versos dos meus poemas
Ando pelo avesso
quando me sinto menina no sorriso
e mulher no instante da paixão.
Não sou anjo nem demonio.
Mas conheço de perto o céu e o inferno dos homens!
.Sou dividida em mil pedaços !
Mas em todos esses fragmentos eu me encontro inteira
E continuo sendo EU.

Um Bonde Chamado seu Beijo - Elisa Lucinda



Quem encobrirá meu sono?
Beijará quem minhas costas no cotidiano?
Quem, no meio do frio, me cobrirá com lindas orelhas
e me dirá palavras indecentes nos ouvidos?
Quem, atrevido, me acordará com o ponteiro em riste
como um pássaro que não quer tudo
apenas o céu, a gaiola, o alpiste?
Quem que, quando eu dormisse, por mim zelasse
e eu, quando acordasse, lhe fizesse iogurtes brejeiros
massagens nos pés, cumplicidades de enlace?
Quem me agarrará por trás quando eu sair cheirosa do banho
e terá orgulho de eu ser guerreira e perfumada ao mesmo tempo?
Quem em bom senso dirá que muito me assanho
quem orientará a guerrilha diária a que me proponho
quem será inteligente e gostoso a meu lado como está no meu sonho?
Quem, a quem me disponho a cozinhar e fazer versos
quem racional e perverso cochichará nos tímpanos da minha alma
a doce ordem, a venal palavra: Calma?
Quem com sua alma me mostrará um mar vertical?
Quem, meu igual, me apontará andores reais, sem excesso de glacê no bolo
Com determinação de touro e a nobreza de poder ser banal?
Quem, coisa e tal, me beijará a boca e me enfiará as mãos
por debaixo da barra do segredo do vestido
e um dia passeará comigo no segredo contido na Barra do Jucu?
Quem, senão tu que eu elejo, eu planejo, pode habitar o lugar
a suíte que há tanto tenho reservado?
Quem, encomendado, pode me manter na confiança dos edredons
enquanto não chega?
Quem, com certeza, me visitará num outubourbon no gume da lira
de eu ser égua, cadela, mulher e sua?
Quem sobre mim sua, pinga, chove?
Quem que com lucidez resolve o abismo simples de prever o risco de sonhar
pra nele mesmo cair, rir
e se embolar?
Quem me dará a idéia de conceber a saudade no sentido tático
quem, não estático, de longe me fará cometer poemas de meia-noite?
Quem, sem favor, me estende o braço com rosas na mão
com explicação pro meu calor?
Quem, senão meu doido bondinho
meus olhos acesinhos, meu comedor...
Meu triz, meu risco
meu cristo redentor?

Elisa Lucinda

08 de Janeiro - Dia Nacional da Fotografia



Comemora-se o dia 08 de Janeiro como o Dia Nacional da Fotografia ou Dia Nacional do Fotógrafo. Mas há controvérsias... Calendários registram 6, 7, 8 e até 9 de Janeiro como dia do fotógrafo, dia da fotografia, dia nacional do fotógrafo e dia nacional da fotografia.

Já no dia 19 de Agosto, comemora-se o dia mundial da fotografia. Também há quem afirme que este é o dia do fotógrafo. E há ainda registros de comemorações no dia 15 de agosto. Já o dia do repórter fotográfico é 02 de Setembro...

Controvérsias à parte, foi no dia 19/08/1839 que a fotografia foi anunciada ao mundo oficialmente, em Paris, na Academia de Ciências da França, consagrando o Daguerreótipo, processo desenvolvido pelo francês Louis M. Daguérre.

Possivelmente, as datas em Janeiro referem-se à chegada do Daguerreótipo no Brasil, fato que aconteceu no primeiro mês do ano de 1840, exatamente no dia 16.

Segundo a literatura especializada, foi o abade Louis Compte que trouxe a novidade de Paris para o Rio de Janeiro, e apresentou o daguerreótipo ao imperador D. Pedro II (oficialmente, o Imperador foi o primeiro fotógrafo brasileiro).

Porém, segundo o historiador Bóris Kossoy, houve uma descoberta isolada da fotografia no Brasil, pelo pesquisador Hércules Florence, seis anos antes do anúncio oficial do feito de Daguerre...

Sem conhecimento das pesquisas na Europa, Florence descobriu a fotografia e foi a primeira pessoa a usar o termo, em 15 de Agosto de 1832, em Campinas - no interior do Estado de São Paulo.

Fonte: www.sergiosakall.com.br/

Convite - Agendem!



No "Quatro Estações",próximo dia 15, às 20 h, lançamento do livro de Geraldo Ananias.

Contamos com a presença de todos os  que fazem o "Azul Sonhado": colaboradores e leitores!


Quem gosta de contos de fadas?

Acabei de assistir  "Pele de Asno". Muito lindo!
E viva a TV Futura, que me jogou outra vez, numa infância perdida.

Pensamento do Dia. Liduina Vilar

Não gosto de aplaudir a tristeza. Mesmo sabendo que muitas vezes, ela nos faz companhia, quer queiramos ou não. Insisto, teimo, corro atrás da alegria, porque não concebo a vida sem ela.Caso saibamos utilizar a tristeza a nosso favor, iremos tirar disso ai, o lucro do crescimento, da motivação, do vencer as lástimas e os dissabores da existência. A vida tem condições de ultrapassar a "desalegria", porque existe o verde, o ar, a magia do sorriso... O doce e incrível dom de viver.

COCO ESPARRAMADO - por Ulisses Germano



Quando o sol se apagar

Na linha do horizonte

Vou deixar o meu refrão


Neste coco endoidante


Urubu não come fruta
                                                                                                       

A formiga é que labuta

Sem receber um tostão



Tu que já cuspiu no prato

Por favor queira apressar

Passarim não ler na pauta

Mas canta como uma flauta

Que assobia na goela




É Maria e é Luzia


Marisia e catolé

Cheiro forte da bacia

Coceira, bicho de pé


O jogo foi zero a zero

Gosto muito do bolero


"São dois pra lá, dois pra cá"




Vou parar aqui um pouco


Minha voz já tem idade
Mas se quiser dou o troco



Com a mesma intensidade


Ulisses Germano
Crato - CE


sábado, 7 de janeiro de 2012

As tietes do Vale do Silício - Emerson Monteiro

Vale do Silício, nos Estados Unidos, se trata de região privilegiada em termos de avanços tecnológicos, espalhando inventos novos pelo mundo afora numa velocidade supersônica. Nesse lugar, a partir de 1950 que inúmeras empresas da área da Informática pesquisam e ampliam o leque das opções de mecanismos, sobretudo da eletrônica e das comunicações. O Vale do Silício abrange várias cidades do estado da Califórnia, ao sul de São Francisco, como Palo Alto e Santa Clara, estendendo-se até os subúrbios de San José.

Com isto, desde essa matriz da tecnologia de ponta, chegam ao mercado todo tipo que mais imaginaram as pessoas dos componentes de transmissão do conhecimento humano de artes, cinema, fotografia, edições, música, arquitetura, telefonia, televisão, computação, internet, educação, gravações, etc. Porém, no mesmo perído, cresceu quase em nada o espírito da criatividade dessa gente bronzeada que ora ocupa postos de elaboração das redes avançadas de produção de imagens, peças artísticas em geral, pois verdadeira e avassaladora crise de qualidade dominou os setores dos bens simbólicos, quais sabotadores da informação moderna.
Na música, por exemplo, existem ótimas peças e grupos maravilhosos, oferecidos aos milhares nas lojas, em forma de cds e dvds, contudo, na grande maioria, obras dos talentos das décadas anteriores. Recentemente quase nada apareceu de revolucinário quanto aos valores da estética e do sentido inovador.

Daí se pensar que os vivos das gerações atuais permaneceram marcando passo, de olhos abertos só para as criações tecnológicas, sem, no entanto, corresponder ao mesmo peso de desenvolvimento material dos circuitos eletrônicos em moda. Qual dizem os provérbios populares, é muita galinha para pouco ovo. Escreveu não leu, surgem, nas belas rotinas do aparelhos magníficos, algo moderno que merece alguns minutos de atenção, pouco ou quase nada. Enquanto que violência, pornografia, mediocridade, zoada muita, mau gosto em profusão, embromação mil, parecem querer forçar a porta e invadir as casas onde os aparelhinhos sofisticados vivem bolando pelo chão, nos tapetes, quatos de despejo, nesse período que corresponde às novas ofertas e aquisições dos jovens consumidores, que, queira Deus, ainda não sejam peças alienadas de tanta fome do que é bom, feitos índios descalços apenas admirando as distantes estrelas do progresso verdadeiro.
 
 
 
ESPELHOS DO REISADO
(Ulisses Germano)

Minha roupa tem espelhos
Espalhados na fazenda
São azuis e são vermelhos
As cores de tua renda
Oh! Mateus primeiro os teus
Oh! Mateus são teus os meus
Desejos de vossa prenda!

A inveja é um desejo
De possuir o alheio
Por favor saia do meio
Meu espelho não tem cor
Mestre Aldenir falou
Mestre Aldenir cantou
Na boca de quem é ruim
Quem é bom não tem valor
 
Pra espantar o mau olhado
Que se espalha com o vento
Dou-te o espelho do reisado
Como agradecimento
Tudo nele é refletido
E o mau é repelido
Não sobrando um só lamento

(Dedicada ao mestre Aldenir um Rei nos dias de Reis!)

JOSÉ GONÇALVES- por Norma Hauer



Quem terá sido JOSÉ GONÇALVES?

Ele era, nada mais, nada menos, que o ZÉ DA ZILDA, nascido em 6 de janeiro de 1906, aqui no Rio de Janeiro.

Casado com Zilda Gonçalves, desde 1938, formou com ela uma dupla que começou a atuar na Rádio Transmissora, exatamente onde se conheceram e atuavam com o nome de “Dupla da Harmonia”.

Passando, nesse mesmo ano para a Rádio Cruzeiro do Sul, a dupla foi ali “batizada” por Paulo Roberto de ZÉ E ZILDA. Assim, mantiveram-se juntos até que Zé faleceu, prematuramente, em 10 de outubro de 1954, aos 48 anos.

Um dos maiores sucessos de Zé da Zilda, como autor foi o samba

AOS PÉS DA CRUZ,

gravado por Orlando Silva

Aos pés da Santa Cruz,

Você se ajoelhou

E em nome de Jesus

Um grande amor você jurou;

Jurou mas não cumpriu,

Fingiu e me enganou

P’ra mim você mentiu

P’ra Deus você pecou.

O coração tem razão,

Que a própria razão desconhece

Faz promessas e juras, depois esquece.

Seguindo esse princípio.

Você também prometeu.

Chegou até a jurar um grande amor,

Mas depois esqueceu.

O primeiro sucesso da dupla, como cantores, foi em 1954, no carnaval, com o samba “Ressaca”

“Tá todo mundo de ressaca,

Ressaca, ressaca, ressaca”...

Nesse mesmo ano, com o coro artístico da Odeon, fizeram outro sucesso:”Império do Samba”.

No ano seguinte, saiu a gravação de “As Águas Continuam”, embora ZÉ já houvesse falecido.

Com o falecimento de Zé, Zilda compôs em sua homenagem, os sambas :”Vai, Que Depois Eu Vou” e “Meu Zé” .

Em 1958. outro samba:”Amor, Vem me Buscar”, dela com Ricardo Galeno.

Em 1961 gravou, de Paquito e Romeu Gentil, ainda em homenagem ao Zé, o samba “Vem Amor”.

Ela não se conformou com a morte de Zé mostrando o grande amor que os uniu.

Isso é muito bonito, principalmente tratando-se de dois artistas unidos na vida e hoje na morte.

A ambos, nossa saudade.

O Doutor do baião - Humberto Teixeira - Por : Norma Hauer



POEMA IMORTAL

"Oh, viva encarnação do eterno amor universal
Visão de mil venturas entre o bem e o mal
Às vezes na saudade és o paraíso,
Às vezes verdadeiro inferno trazes num sorriso.

Oh viva encarnação de um beijo ardente,sensual
Imagem de um passado original.
Tu és ventura e desventura,
Presente e despedida,
És ponto e contra-ponto
És a própria vida.

Fogaréu em cena de ciúme
Tu és também o mar e és perfume,
Lago azul, onde desliza um cisne erradio,
Tu és também fremente mar bravio.
Demônio, angelical, eu sei melhor que outro qualquer.
Poema imortal, teu nome é Mulher.”


Essa valsa, uma das que mais exalta a mulher, foi uma espécie de marca de Humberto Teixeira na voz de Orlando Silva. Orlando já gravara de Humberto um samba para o carnaval de 1946: “Só Uma Louca Não Vê”, mas “Poema Imortal”, embora não alcançasse o sucesso que merecia, ficou imortalizada em sua voz.

Mas não foi só isso que Humberto , nascido sob o signo de Capricórnio, no dia 5 de janeiro de 1915, em Icatu, no Estado do Ceará compôs antes de se tornar conhecido como o “Doutor do Baião”. Dois sambas sinfônicos, gravados por Deo e o Coro dos Apiacais praticamente abriram as portas da composição musical para HUMBERTO TEIXEIRA: “Sinfonia do Café” e “Terra da Luz”, em que lembrava que foi no Ceará que, pela primeira vez, os navios negreiros foram proibidos de atracar no Brasil.

Em “Sinfonia do Café” fez uma exaltação ao café, e, por esse motivo, foi convidado a tomar parte do corpo editorial da “Revista do Café”, do extinto Instituto Nacional do Café.

SINFONIA DO CAFÉ


Vem dos montes abexins ou do Yemen...
Das lendas de Omar ou do pastor...
Floresceu em terras várias e distantes,
Mas aqui, somente aqui, conheceu o esplendor!
Bonito de ver!
Que lindo de ver, que orgulho de olhar!
O homem bendiz
A terra onde brota a riqueza sem par!
E canta feliz,
Nos meses de abril,
fazendo a "derriça"
Colhendo os rubis do Café do Brasil!

Café que nasce até nas serras
Que viceja nas terras
Onde dão a copaíba e o jacarandá!
Café que fez a glória de Palheta,
O valoroso bandeirante que nos trouxe
De bem longe,
O ouro-verde para o Grão-Pará!
Café que todo mundo bebe!
Ó fonte de riquezas mil!
Café que fez famosa a Paulicéia
E espalhou aos quatro ventos
E através dos sete mares
A grandeza do nosso Brasil!
Do nosso Brasil!

Humberto foi também responsável pelo lançamento de Francisco Carlos, um cantor que ficou conhecido como “El Broto” exatamente por gravar, de Humberto , para o carnaval, o samba “Meu Brotinho”

Meu Brotinho, por favor não cresça,
Por favor, não cresça,
Já é grande o cipoal..;.”

Esse foi o Humberto Teixeira antes de conhecer Luiz Gonzaga e com ele “estourar” com os baiões do qual o exemplo maior é “Asa Branca”. E também é exemplo de que os compositores são os grandes esquecidos, quando o cantor é exaltado. Quando se fala de “Asa Branca”, o nome de Luiz Gonzaga é exaltado, enquanto o de Humberto Teixeira, autor da letra, nunca é citado.

Ficando conhecido por seus baiões, candidatou-se a deputado federal pelo Estado do Ceará e, nessa qualidade apresentou um projeto, que se tornou lei com o nome de Lei Humberto Teixeira, que previa o envio de caravanas brasileiras ao exterior.

Em uma dessas caravanas, Dalva de Oliveira apresentou-se em, Londres e, com a orquestra de Roberto Inglês gravou um baião de Humberto Teixeira de nome “Kalu”.

Neste trabalho quis mostrar o Humberto Teixeira que conheci quando fomos colegas como funcionários na então Faculdade Nacional de Medicina,

Norma Hauer

Cuca do Amor


3 ovos

150g de margarina

4 xícaras de farinha de trigo

1 e meia xícara de açúcar

1 xícara de leite

1 colher (sopa) de fermento químico

1 limão

1 pitada de sal

400g de goiabada

3 colheres (sopa) de água

1 copo de requeijão

50g de queijo ralado


1 - Comece pela massa. Bata rapidamente os ovos e acrescente a margarina em temperatura ambiente. Mexa.

2 - Agora entra o açúcar, raspas da casca do limão, o sal e a farinha de trigo (de preferência peneirada). Misture.

3 - Por fim entram o fermento e o leite. Agora é preciso mexer até obter uma massa bem uniforme e lisa.

4 - Arrume a massa em uma fôrma untada com óleo.

5 - Agora a cobertura. Derreta a goiabada com a água. Cubra a cuca na fôrma com a goiabada. Coloque em colheradas, não importa que fiquem espaços sem goiabada. Por cima o requeijão, também em colheradas. Para finalizar, queijo ralado por cima de tudo.

6 - Leve ao forno preaquecido por 30 minutos. Sirva quente ou fria.


Dica do Anonymus: Você pode fazer o requeijão em casa. Coloque 300g de ricota picada, 100g de manteiga levemente derretida e meia xícara de leite quente no liquidificador. Bata por 5 minutos. Arrume em dois copos de vidro e leve para a geladeira até ficar bem gelado.


Luiz Melodia



Luiz Carlos dos Santos (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1951), mais conhecido como Luiz Melodia, é um cantor e compositor brasileiro de MPB, rock, blues, soul e samba. Filho do sambista e compositor Oswaldo Melodia, de quem herdou o nome artístico, cresceu no morro de São Carlos no bairro do Estácio.

Luiz Melodia foi muito influenciado pela Jovem Guarda, sobretudo Roberto Carlos.

Começou sua carreira musical em 1963 com o cantor Mizinho, ao mesmo tempo em que trabalhava como tipógrafo, vendedor, caixeiro e músico em bares noturnos. Em 1964 formou o conjunto musical Os Instantâneos, com Manoel, Nazareno e Mizinho. Lança seu primeiro LP em 1973, Pérola Negra. No "Festival Abertura", competição musical da Rede Globo, consegue chegar à final com sua canção "Ébano".

Nas décadas seguintes Melodia lança diversos álbuns e realiza shows, inclusive internacionais. Em 1987 apresenta-se em Chateauvallon, na França e em Berna, Suíça, além de participar em 1992 do "III Festival de Música de Folcalquier" na França.

wikipédia




Renúncia - por Socorro Moreira

Deletar um projeto de amor

é matar uma célula amorosa

O efeito tristeza

esvazia por momentos ,

por dias, toda a nossa alegria.

Mas , já dizia minha vó:

Amor unilateral não tem função ...

É solidão braba,

corrosiva !

Renunciar é deixar que a solidão se dilua

escorra , e perca a noção da nostalgia.

Já, já...

o tempo muda...

Volta a primavera,

e com ela

as cores da fantasia !

Ser poeta - por Socorro Moreira


Poeta
é ser dono de todos os sonhos
e não ter nenhum

Viver por palavras :
bolas de sabão de vida curta e bela
Vão, explodem com o toque do olhar

Poeta é a árvore que teima nascer
na areia do sertão
A gritar sua sede
A sonhar
com a nuvem carpideira

Poeta é silêncio
martírio de ser
Dizer-se poeta
é blasfêmia
Sentir-se poeta
é prosaico, simples !



Rabiscos da saudade- por Socorro Moreira

rasguei cartas e retratos

toquei fogo

no papel da paisagem

renasci mil vezes

o tempo cura

mas não apaga

a vida paga

o gozo das lembranças

que ficam adormecidas

em páginas amareladas

você dorme

enquanto escrevo

você sonha

enquanto acordo

tudo nos desencontra ...

e eu quis tanto ,

aportar em tua alma !

só peço à minha caixinha

de trecos,

uma borracha e um lápis...

pra apagar os conflitos

e rabiscar

um verso de saudade

por tudo que não vivemos

ou por um único momento,

em que fiquei nos teus traços.



Molhada de chuva - por Socorro Moreira

O mar ficou no seu lugar.

O sertão me acolhe

com pingos de chuva

num pensamento árido

Estou de volta

com o coração assanhado

Vivi tão grande distãncia ,

que aposto no ficar perto ,

vivendo em separado.

Desligo a tomada

Descarto o filme

que deixei queimar



Vida ... - por Socorro Moreira

No caminho da liberação

o pódio é o infinito.

É saltar para o futuro

sem lembranças doídas

É apostar na paisagem depois da curva

É tomar banho de chuva

e sentir que somos nuvens

É ficar nua

e descobrir o próprio corpo

brocado e bordado...

costurado pela vida.

É um voo em companhia de garças

É o amor divino selando alianças

É viver com simplicidade !

Caminhando - por Socorro Moreira


Caminhando ...
Uns caminhos voam, outros se colam
aos nossos pés cansados.

Caminhando...
Que importa o transporte,
a hora da chegada?

Caminhando ...
O nosso olhar cumpre etapas,
que nos sonhos se mostravam

Caminhando ...
Chegamos na linha do horizonte
e o limite é além, muito além !

Lembranças - por Socorro Moreira


Impossível traduzir a tua alma
Ela é uma esfinge para mim
Para outros,
sempre clara !
Nesse cartão escuro
eu juro que vou escrever
letras douradas.
Dobro-me às tristezas
Pago na íntegra ,
pingo por pingo,
o beijo que provei.
----------------------
Mar que avistei
que senti,
e nele me banhei
barulho na concha do ouvido
canção nunca esquecida
solfejo e grito !
------------------
Vivo nas entrelinhas
Minha cabeça vive uma poética enxaqueca
No meu coração ainda moram estrelas
Elas brilham no dia,
encantadas em natureza !
-----------------------------
olhos no teto
papo pro ar
alma solta
querendo te achar
coração batuca um verso
boca reza um mistério
nariz fareja jasmim
volta pra mim?
---------------------
Molhar a grama do jardim
é forrar a cama de esperança.

Quadrilha - colaboração de Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes



Em 1962 esta quadrilha representou o Instituto São Vicente. Identifiquei Maurício e Chico Almeida, Ronaldo Justino, Hélio, Kleber Peixoto, Tarcísio Loiola e a noiva, Amélia Pinheiro.
(Joaquim Pinheiro)

Alguns dentre nós estudaram no Instituto S.Vicente Férrer. Tenho lembranças vivas e saudosas daquela época. Naquele educandário minha base foi plantada , inclusive as amizades, que ainda hoje permanecem. Um abraço especial , nos amigos de outrora , que ainda hoje enfeitam , o mundo dos meus afetos.
(Socorro Moreira)

Mestras do Instituto S.Vicente Férrer- Colaboração de Joaquim Pinheiro



Descobri esta foto das professoras do Instituto São Vicente. Da esquerda para direita: D. Lírida Sabiá, Tia Anilda, Nadir Brito. Embaixo, D. Sélvia Sabiá, Zenilda Cardoso e D. Helena Mariano.
(Joaquim Pinheiro)
Aprendi a ler com Dona Nadir. Ela foi minha professora na série "B" do ensino primário. Acho que correspondia ao curso de Alfabetização atual. Lembro de todas com muito carinho.
Uma homenagem especial à Dona Anilda Arraes- Grande Educadora !
(Socorro Moreira)

Catando letras - por Socorro Moreira


Céu rosado
vento trancado
segura folhas douradas.

lágrimas soltas
escorrem caudalosas
no leito solitário.
----------------------
às vezes ele chega,
escreve uns traçados,
riscos truncados,
fantasmas reais

Um dia quero estar,
nas asas desse anjo
Voar
pra lá e pra cá ...
sorrir dos seus contos
Tomar chá...
Canela, Oxalá
Ser Gabriela,
ante o seu olhar !
---------------------

Voltou
enrolado nas suas falas
Éter
inebriando a sala
tossiu, roncou ...
Acordou meus pesadelos
Comoveu-me
Partiu ,
quando a lucidez do sol
incendiou a casa.
------------------
Não quero a posse
desejo apenas
um cruzar dos olhos
Cruzar é bordar
Implica em perigo
pergaminho, linho ...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012


 HOJE É DIA DE REIS - HOJE É DIA DO ASTRÓLOGO

Astrólogo – um artista que interpreta símbolos
                               Stela Siebra Brito
O papel do astrólogo aporta, além do conhecimento das teorias e técnicas astrológicas, a um saber mais abrangente, a uma compreensão dos fatores universais que se operam em cada ser vivente. Todas as coisas do Universo têm alguma relação com a natureza humana, com suas necessidades e potencialidades. É o relacionamento microcosmo e macrocosmo.
Na sua missão de fazer o cliente compreender essa universalidade
, o astrólogo deve indicar-lhe os sinais que lhe farão encontrar o significado de se estar no mundo, deve indicar-lhe os caminhos que apontam para essa unidade entre homem e universo. O astrólogo não precisa ser filósofo, mas desenvolver e recorrer à sua porção filósofo; o astrólogo não precisa ser religioso, mas ter uma reverência religiosa frente à vida; o astrólogo não tem que ser poeta, mas conhecer e amar a poesia da vida; o astrólogo não precisa viajar pelo mundo, mas precisa frequentar bibliotecas e livrarias; o astrólogo não precisa ser autor teatral, mas conhecer e compreender Shakespeare e os clássicos gregos; o astrólogo não precisa torcer ardentemente por um time de futebol, mas compreender a explosão de alegria do gol. Enfim, o astrólogo não precisa vender jornais na esquina, frutas na feira ou fazer literatura de cordel, mas compreender e aprender as simples e grandes lições da sabedoria popular. Como canta Milton Nascimento, “todo artista tem que ir aonde o povo está”. E o astrólogo é um artista e, como tal, sua função implica numa compreensão da vida por inteiro, para retratá-lo para o cliente no seu mapa astrológico.
O mapa astrológico, que revela a natureza da semente de cada pessoa e seu crescimento e frutificação, vai levá-la à completa e perfeita realização daquilo que ela tem em estado potencial. A apreensão e valorização dos sinais do mapa se faz numa interpretação, não só técnica, mas também dinâmica e intuitiva. No percurso do Mapa, da Primeira à Décima Segunda Casa, o astrólogo conduz a pessoa a uma viagem interior, onde tudo começa com a força impulsionadora da vida, representada por Marte, até a entrega netuniana.
Para passar essa compreensão, o astrólogo carece de um cabedal de conhecimentos e vivências, carece de usar símbolos e imagens, carece de, numa visão tradicional, ser um artista: sair da matéria e transcender. A poesia, por exemplo, pode e deve ser um recurso a ser usado pelo astrólogo, num convite ao cliente entender a chamada da vida, porque é preciso estarmos atentos aos sinais, considerando que a pessoa não escolhe, é escolhida.
Fernando Pessoa, num apontamento solto e depois incluído no início do livro Mensagem, ensina que o entendimento dos Símbolos e dos rituais simbólicos, requer do intérprete cinco qualidades: a primeira é a Simpatia pelo símbolo que se propõe a interpretar; em segundo lugar vem a Intuição, como uma espécie de entendimento do que está além do símbolo; a terceira qualidade é a Inteligência, relacionando no alto o que está embaixo. A Inteligência analisa e reconstrói o símbolo noutro nível; a seguir vem a Compreensão, expressa pelo conhecimento de outras matérias que permitam que o símbolo seja iluminado por várias luzes, por último a Graça, que é a mão do Superior Incógnito, o Conhecimento. O astrólogo como intérprete de símbolos deve enveredar pelo caminho dessas qualidades.

Reencontrar consigo mesmo - Emerson Monteiro

Isto por meio da simplicidade, neste solo cheio em demasia de heróis os mais diversos, pois chega o momento dos momentos quando as portas de saída e de entrada representam apenas o reencontro, nas bases de cada um de nós, seres viventes. As correntes do pensamento, os valores morais e as cólicas das refeições anteriores, juntos, formam essa rede valiosa de buscar, nas mínimas contradições, a essência da pura simplicidade. A gente vasculhou gavetas, despejos, estantes, e nada que representasse a paz que justificaria segurança valiosa diante de inúmeras apreensões.

Resta, por isso, o pouso da leveza original nas histórias interiores, na própria criatura de dentro, aquele foco central das existências no coração da pessoa, na alma alimento. Nessas ocasiões, os raios fortes das dúvidas perdem o furor. Pausas longas na dura caminhada sem trégua dissiparam os derradeiros bloqueios de avistar a praia suave do instante particular no simples das mil variações de objetos e significados... As palavras, com isso, deixam escorrer na pele o sentido de pisar os tetos macios do Universo. Fronteiros a nós, olhos arregalados, seres felizes brincam na forma das cores e dos movimentos quais habitantes de reinos da fantasia bem animada. Música que circula os ouvidos e penetra lavando a escuridão antiga, limpando as chaminés das veias e dos nervos. Resposta bem possível rega, enche de alegria espaços antes ocupados pelas dores desvanecidas.

Essa cura através da simplicidade caberá fiel no pátio de todos. Querer deixar acontecer e pronto, dúvidas somem, independente da fria vontade dos céticos. Ação de transformação que aguarda seus convidados nos refolhos da natureza amiga. Os agentes disso, andarilhos deste chão às vezes áspero e nunca desesperado, percorrerão os trilhos e passos dados em lugar dos cinzas dias, na saúde do tempo. Simplicidade que diz tudo o que havia de contar os personagens da inúmera jornada terrena.

Tanto disseram a respeito do assunto que aprendizes impacientes até abandonaram a crença na simplicidade, razão dos desassossegos ambulantes soltos nas ruas, e correrem, fugitivos, aos esconderijos profundos de erros e farsas, motivo das perdições que aparecem nas visagens dos filmes noturnos. Contudo cabe agir com harmonia e explicar aos passantes o valor das chances de amar o que é bom e ser feliz.

Recordando...


Dia de Reis




No dia 06 de janeiro comemora-se o dia de Reis, que na tradição cristã foi o dia em que os três reis magos levaram presentes a Jesus Cristo.

Cada um dos reis magos saiu de sua localidade de origem, ao contrário do que pensamos - que viajaram juntos.

Baltazar saiu da África, levando para o menino mirra, um presente ofertado aos profetas. A mirra é um arbusto originário desse país, onde é extraída uma resina para preparação de medicamentos.

O presente do rei Gaspar, que partiu da Índia, foi o incenso, como alusão à sua divindade. Os incensos são queimados há milhões de anos para aromatizar os ambientes, espantando insetos e energias negativas, além de representar a fé, a espiritualidade.

Melchior ou Belchior partiu da Europa, levando ouro ao Messias, rei dos reis. O ouro simbolizava a nobreza e era oferecido apenas aos deuses.

Em homenagem aos reis magos, os católicos realizam a folia de reis, que se inicia em 24 de dezembro, véspera do nascimento de Jesus, indo até o dia 06 de janeiro, dia em que encontraram o menino.

A folia de reis é de origem portuguesa e foi trazida para o Brasil por esses povos na época da colonização.

Durante os festejos, os grupos saem caminhando pelas ruas das cidades, levando as bênçãos do menino para as pessoas que os recebem. É tradição que as famílias ofereçam comidas aos integrantes do grupo, para que possam levar as bênçãos por todo o trajeto.

Os integrantes do grupo da folia de reis são: mestre, contramestre, donos de conhecimentos sobre a festa, músicos e tocadores, além dos três reis magos e do palhaço, que dá o ar de animação à festa, fazendo a proteção do menino Jesus contra os soldados de Herodes, que queriam matá-lo. Além desses personagens, os foliões dão o toque especial, seguindo o cortejo.

Uma tradição bem diferente da nossa acontece na Espanha, onde as crianças deixam sapatos nas janelas, cheios de capim ou ervas, a fim de alimentar os camelos dos Reis Magos. Contam as lendas que em troca, os reis magos deixam doces e guloseimas para as crianças.

Em alguns países fazem a comemoração repartindo o Bolo Rei, que tem uma fava no meio da massa. A pessoa que for contemplada com a fava deve oferecer o bolo no ano seguinte.

Na Itália a comemoração recebe o nome de Befana, uma bruxa boa que oferece presentes às crianças. No país não existe a tradição de se presentear no dia 25 de dezembro, mas no dia 06 de janeiro, dia de reis.

O dia de reis é tão importante na Europa que se tornou feriado em todo o continente.

Por Jussara de Barros
Graduada em Pedagogia
Equipe Brasil Escola

A IDA DA VIDA - por Ulisses Germano

DESENHO DE E.C. ECHER
a VIDA é serVIDA
na bendeja do tempo
envolVIDA em seus mistérios!
VIDA é pra ser viVIDA
e sempre, sempre agredecida
em sua constante mutação atreVIDA!
duVIDA? 
olVIDA:
a dúVIDA duVIDA 
da própria dúVIDA!
é vital evitar sofrimentos:
VIDA só tem ida!...

Ulisses Germano
Crato-CE.

 
 


quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Arrastão


Pois é, amigos, já tínhamos várias expressões para caracterizar as coisas, quando andam fora do prumo : “mais desmantelado que vôo de Anum”, que “queda de helicóptero” , que “rastro de carroça”. A partir dessa semana, acrescentamos mais uma ao nosso dicionário : “mais troncho que Greve de Polícia Militar” ! Já sabíamos de alguns outros desmantelos em movimentos paredistas , como Greve de Coveiros e de Médicos; mas o que aconteceu na última terça-feira foi bem além da nossa imaginação. De repente, talvez impelidos pelas fofocas disseminadas pelos próprios grevistas, estabeleceu-se o pânico: as cidades esvaziaram, o comércio fechou , o povo trancou-se em casa como se esperasse a chegada de um tufão. Junto à boataria generalizada , os espertalhões aproveitaram para pequenos furtos e para alguns crimes mais cabeludos. Até o Governador, insone, na madrugada, assinou rapidamente o aumento dos Policiais, aqueles mesmos que meses atrás tinham sido orientados a sapecar o cassetete na cabeça dos professores que lutavam também por melhores condições de trabalho. A data de três de janeiro será lembrada como o dia em que o Ceará parou.

No Crato, a coisa não foi brincadeira, amigos! Ninguém quis ficar de portas escancaradas. Até o Restaurante Guanabara, de Nenen , mais aberto que coração de mãe , e que há mais de vinte anos nem portas tem , deu um jeito de fechar : parece que botaram barricadas na entrada. Dr. Dedé cria um passarinho chamado “Abre-e-Fecha “, pois desde esse dia, me contou ele, depois do pânico, o bichinho, estressado, só Fecha, não abre mais de jeito nenhum, com medo dos bandidos. A Escola Aprendizes do Samba, do Alto da Penha, depois do sujigamento da terça-feira resolveu, este ano, não mais sair com um Carro Abre-Alas, trocou por um Carro Alegórico Fecha-Alas. Até os pequis maduros, na feira, no dia do pega-prá-capar, não abriam nem com golpes de marreta. E ,segundo as lavadeiras do Coqueiro, nunca na vida tinham visto tanta cueca e calcinha borradas. Foi um dia de juízo ou da falta de. Vejam essa : Nas Casas Populares, a única bodega que não fechou foi a de Pedro Belarmino. O velho fincou pé e disse que não abria nem para o “trem carregado de pólvora e com um doido em cima da carga fumando charuto”. No outro dia, quando as coisas se acalmaram, os vizinhos foram conversar com ele, impressionados com tamanha fortaleza. O velho , então, explicou tudo: tim-tim por tim-tim . Era homem de muita fé e tinha ali, na bodega, guardadinho, um protetor que lhe dava forças para ele nada temer. Acossado pela curiosidade dos vizinhos resolveu mostrar , devotamente, a sua proteção. Dirigiu-se para a porta aberta do estabelecimento e informou com convicção inabalável : --- Meu protetor está aqui atrás : Santo Inácio de Loyola ! Fechou a porta para apresentá-lo aos curiosos vizinhos. Lá, no entanto, só estava o pequeno altarzinho por ele construído, nada do Santo ! Num é que até ele tinha fugido , também, na terça-feira, com medo dos bandidos !

A história mais curiosa , no entanto, ocorreu com um professor da rede pública do Seminário : Florêncio Tupinambá. Estava dando aula, na tarde do dia fatídico, quando estourou a conversa do risco iminente de arrastão. Foram todos liberados e saíram em desabalada carreira para casa. Florêncio, no entanto, tinha uma gambiarra, ali pras bandas das “Cacimbas” e resolveu, pela proximidade, ir para lá. Terminou dormindo com a amante : um pouco por medo, um pouco pelo sabor do fruto proibido. De manhãzinha, ouviu no noticiário de Vicelmo a notícia de que a greve tinha acabado. E agora? Como voltaria para casa? Que explicações dar à mulher que era um misto de Diana Bobitt e Sherlock Holmes ? Criou, então, uma versão fantasiosa e dirigiu-se para casa. Em lá chegando, encontrou a residência cheia de amigos e vizinhos, a mulher e os filhos chorando, todos pensaram no pior. Tupinambá fez cara de vítima e disse que tinha sido assaltado e depois seqüestrado, quando vinha no dia anterior para casa. Em meio à apreensão da família, a versão foi engolida pela mulher sem engulhos. Acalmados os ânimos, Florêncio tomou o café farto que a esposa preparou e resolveu tomar um banho, sob pretexto de que passara a noite preso no matagal e estava um lixo. Na realidade, tentava apagar algum derradeiro vestígio que por acaso tivesse sobrado das presepadas da noite anterior. No quarto escuro, tirou os sapatos e jogou sobre a cama as meias, a calça, a camisa e a cueca. Dirigiu-se pelado ao banheiro. Quando saiu do banho , encontrou a mulher de mão de pilão em punho e , aos gritos, cobriu-o de porrada. Apanhou mais que galinha prá largar o choco. Só já no hospital , em meio à enxurrada de gazes e esparadrapos, descobriu como o plano fabuloso tinha ido de água abaixo. No afã de voltar para casa, pela manhã, ao invés de por a cueca, vestira a calcinha da namorada como peça íntima. Terminou a calcinha cheia de babados e bicos sendo flagrada pela jaracuçu da esposa, em cima da cama, enquanto tomava banho.

No dia seguinte, quando a comissão de professores da sua escola o foi visitar ( ainda penalizada pelo seqüestro) , o encontrou ainda de cara inchada e olhos de guaxinim. Perguntaram os colegas como tinha sido a greve, Florêncio disse que não tinha sorte com movimento paredista: era aquela a segunda vez que apanhava. Quando os colegas quiseram saber quem tinha sido o responsável, dessa vez, por aquela surra homérica, ele desconfiado, apontou para a mulher que preparava, com cara de poucos amigos, o almoço, na cozinha e acusou baixinho, com medo que ela ouvisse :

--- O governador, amigos, o outro governador ali !


J. Flávio Vieira

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012


Torta espelhada





Foto: Josemar do Carmo


para a massa


300g de bolacha maria ou de maisena


2 colheres (sopa) de margarina


6 colheres (sopa) de leite


para o creme


1 lata de leite condensado


1 copo de leite


2 colheres (sopa) de maisena


2 gemas


1 caixinha de creme de leite


para a cobertura


2 bandejas de morango


2 pacotes de gelatina de morango


300ml de água fervente


300ml de água gelada


1- Comece fazendo a massa, que será a base da Torta Espelhada. Bata no liquidificador, aos poucos, a bolacha. A ideia é que ela vire uma farinha. Com toda as bolachas trituradas, adicione a margarina e o leite. Misture bem até obter uma massa homogênea.


2- Coloque a massa em uma forma de fundo removível. Cubra todo o fundo. Com as mãos, aperte a massa para que fique bem compacta. Leve ao forno preaquecido (180°) por, em média, 10 minutos, ou até ficar dourada.


3- Dissolva o pó de gelatina na água quente. Em seguida, adicione a água fria. Leve a gelatina para a geladeira.


4- Para fazer o creme, misture, em uma panela, o leite condensado, as gemas, a maisena e o leite. Leve ao fogo, mexendo sempre, até engrossar. Tire a panela do fogo e misture o creme de leite. Mexa bem.


5- Hora de montar a torta. Por cima da massa de bolacha, coloque todo o creme. Cubra com os morangos previamente cortados. Por cima de tudo, entra a gelatina, que já deve estar firme para não ter risco de escorrer. Leve a torta para a geladeira por, no mínimo, duas horas. Antes de servir, ainda gelada, desenforme. Está pronta!




Lindo é saber

que estrelas estão sempre lá

quando nuvens escorrem nas retinas

Lua se assanha pro sol

que distante brilha.


Dividir o pão quando é só pedaço

Tirar suco da fruta

já bagaço .


Dormir com a barriga roncando

a fome do amor

sabendo que a cura está no beijo


Ouvir a melodia

e a letra florescer na garganta


Amar descaradamente

Esperando de janela aberta

que o céu devolva

o que já foi santo.


Saber que o tempo passa

mas sempre fotografa e guarda

a doce alegria de ficar pra sempre !

socorro moreira

São sempre linhas
as paisagens,
a cortarem geometricamente
nossas rotinas.
As curvas senoidais
das serras,
as retas dormentes
das planícies.
E nós:
pequenos pontos
num papel rasgado.
...
Everardo Norões