por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O efeito Kirlian em certa República estudantil da Fortaleza dos anos 70 - José do Vale Pinheiro Feitosa

Vou citar nomes de pessoas que provavelmente conheçam ou não: Jackson Sampaio professor da Universidade Estadual do Ceará; Gianni Mastroianni, médico endoscopista gástrico morando em Fortaleza, Barreto o qual só lembro o sobrenome, é publicitário e jornalista e pelo que sei mora em Teresina e o rebelde, filósofo e viajante da alma que acabo de esquecer o nome. Viviam numa república num bairro próximo da Faculdade de Medicina de Fortaleza. Freqüentei muito aquela república para tertúlias políticas clandestinas e culturais rebeldes.

O Tarcísio Tavares, o nosso querido Tarcisinho, médico cratense andava por ali, o Geraldo Acioly, Geraldinho que andou pela França e o reencontrei num governo petista em Fortaleza; o Marcos Penaforte, ex-deputado e secretário de Saúde do Ceará, o César Penaforte, irmão e hoje fazendo doutorado na Holanda; um quadro do Pecezão, o Cândido, com seu tronco dobrado para frente e os olhares laterais e para trás em busca dos agentes da ditadura em perseguição dele. O Tarcísio Baturité, morou muito tempo no Crato na casa de um tio que era funcionário da SUCAM, é médico, além do cronista e escritor Airto Monte. E muitos mais além da Lêda Araripe, médica psiquiatra, o José Wellington de Oliveira Lima, grande bioestatístico da UFC e José Wellington que o distinguíamos pelo sobrenome de Piauí, professor de Epidemiologia da Escola Nacional de Saúde Pública.

O ambiente nem se fala. Uma casa de subúrbio, com varanda, três quatros, uma sala e uma cozinha para esquentar água para o nescafé e leite em pó. Açúcar? Sem refino, em grumos e quase um formigueiro a passear no açucareiro. As baratas? Já sabemos, são covardes e não se dão à vista, a não ser para as mulheres. Uma casa despojada, algumas camas patentes de mola e muitas redes. Na porta o indefectível fusquinha cor de goiaba do Gianni Mastroianni. Com este descobrimos o universo de pores de sol na praia da COFECO, desembocadura do rio Cocó, das nuances de cores na borda do escurecer e o supremo da descoberta: a lua não era bidimensional. Era um perfeito 3 D (está na moda não?) aos nossos olhares filosóficos nas brumas que tanto mexeram com o “desbunde”.

Isso mesmo o “desbunde”. A reação do sistema na alma daquela juventude rebelde, estudiosa do marxismo, com profundo senso de urgência na mudança do status quo social e econômico do país. Não houve um só vetor para atingir amplamente aquela inegável adesão ao sistema ao mesmo tempo em que a “consciência ecológica” e “espiritual” avançava sobre mentes racionais e disciplinadas no materialismo histórico.

Este ambiente foi mais intenso no meu último semestre na capital cearense, a banda derradeira de 1972. E os debates eram imensos, intensos e freqüentes. Lembro da “seriedade” e do “horror intelectual” do nosso querido Jackson Sampaio. Junto com a infiltração de temas que tomaram vulto nas preocupações humanas ao correr do tempo como o desequilíbrio ecológico e outros espirituais que viraram moda, com apegos sinceros e outros escapista diante da época mais cruel da ditadura. Além do mais corria um bom debate sobre estética e, claro, diante de certa rebeldia underground muito que havia na cultura desde as roupas e os cabelos.

Um livro que marcou o “desbunde” daquela geração universitária em Fortaleza foi “O Despertar dos Mágicos” do jornalista francês Louis Pawles em parceria com Jacques Bergier. Um contraponto estimulante para certa “rigidez” da lógica e racionalidade de nossa militância política. Mas sem dúvida uma grande aventura escapista para a leitura histórica dos conflitos políticos, sociais e econômicos que vivíamos. Aí o debate corria madrugadas e os mais ortodoxos chegavam ir aos limites do medo com o fascismo.

Não foi sem razão que as religiões orientais entraram na vida daquela juventude que não encontrava mais novidades nas velhas crenças do ocidente. Junto com as porta das percepções da “Ilha” de Aldous Haxley subiram de valor os “experimentos” do “nirvana” e da “consciência cósmica”. E foi numa desta que os primeiros passos daqueles neófitos da grande viagem se viram expropriados por um hippie paulista e uma companheira uruguaia que prometiam a mais pura de que os Guajajaras do maranhão eram capazes de colher. Muita gente deixou de chegar perto do êxtase sob a mangueira de bruma rosa. O danado do hippie quase que rouba o enlevo da Cléo e Daniel do escritor Roberto Freire.

Aí a acumulação capitalista ocupou o espaço. Ou melhor, o negócio viu a oportunidade e inventou uma revista chamada Planeta. Que se diga de passagem não era menos honesta do uma Super Interessante da vida. Queria desvendar os mistérios do universo e convenhamos os mistérios são muito mais estimulantes dos que a aridez de complexos problemas humanos na crosta deste planeta incerto e de uma sociedade desigual. Uma técnica para dar credibilidade às “teses” da revista Planeta já não pode ser utilizada nos tempos atuais.

Toda teoria de poucas evidências, recheada com fatores de confusão e associando coisas apenas por que estão presentes no tempo e no espaço, do tipo os “deuses eram astronautas”, tinha um mote certo para se mostrar inquestionável. Eles diziam que a União Soviética atéia havia testado aquilo e concluíra pela verdade. Pronto, estava feita a prova, ler em russo não era para ninguém e menos ainda quem lesse não conseguiria ter acesso a textos da ciência russa naquela época mais intensa da guerra fria.

Uma das referências era o Efeito Kirlian que fotografava a aura das pessoas. Aqui estamos entre o budismo e o espiritismo kardecista. Aliás, o efeito Kirlian não foi descoberto por ele: foi descoberto pelo padre porto alegrense Landell de Moura em 1904. Muita gente adere ao pensamento e se encanta com as imagens luminescentes extraídas com a técnica Moura/Kirlian. De fato esteticamente têm um efeito arrebatador e permite extrair momentos de êxtase nas pessoas mais sensíveis.

A questão é que a técnica tem a mesma capacidade de enriquecer o olhar como existe com os raios x que até permitem aos médicos que conhecem a anatomia humana estudar problemas de saúde em órgãos internos que os olhos não enxergam. Agora mesmo existe uma nova técnica de ultrassonografia, desenvolvida para estudar a composição do queijo em queijarias francesa e que tem mostrado capacidade superior à própria biópsia hepática para estudar evolução de doenças hepáticas.

O efeito Kirlian, que é fotografar objetos submetidos a campos elétricos de altas voltagens e frequência e de baixa intensidade de corrente, encontra luminescências belas tanto nas pessoas, quanto nos animais, plantas e também em materiais inorgânicos. Embora os russos tenham em conta que podem estudar alguns efeitos emocionais e de saúde, nada é definitivo, mas o valor estético é notável. Basta procurar na internet que veremos belas imagens.

Quanto àquela república, acabei de telefonar para um dos moradores dela e nem ele foi capaz de lembrar o nome esquecido do nosso querido rebelde e viajante da alma. Contou-me o Geraldinho, muitos anos após, que um dia, numa das aulas terríveis de estruturalismo na faculdade de filosofia, o nosso esquecido levantou-se de repente e com as mãos sobre a cabeça, que parecia ferver, disse: ai meu Deus que saudades da minha jumentinha lá em Jaguaribe.

Mil palavras - Fábio Brüggemann



Cafés, os sem cafeína. Carnes, as mal passadas. Pães, os que eu mesmo amasso. Doces, os com pouco açúcar.

Governos, os que apenas governam. Políticos, nenhum, porque, segundo o poeta negro norte-americano, e. e. cummings (assim mesmo, em caixa baixa, como ele assinava), por outras palavras, não são humanos. Juízes, os que não se vendem por R$ 2 milhões.

Cidades, as que ainda não têm meninos cheirando cola nas ruas. Bares, os quais eu posso fumar, beber, conversar em paz e encontrar meus amigos.

Amigos, os que podemos ficar em silêncio sem que o silêncio nos incomode. Escolas, as que a elite babaca abandonou.

Livros, os que usam letra com serifa e não se pretendem cheios de firulas, que têm margens grandes e que cheiram bem.

Regras, as que devem ser quebradas sempre. Leis, uma única, a de que ninguém tem o direito de amedrontar alguém. Trabalho, só os que dão prazer, que não têm horário fixo para cumprir e que remunerem com justiça.

Cheiros, o que abrem as gavetas da memória. Mate, os mais amargos. Frios, os secos. Calor, só quando estou próximo ao mar. Mar, todos eles.

Poemas, os que não têm tradução. Prosas, as mais poéticas. Filhos, os mais amigos. Fumos, os de baunilha. Paisagem, as planas e altas. Cabelos, os mais curtos. Casas, as mais amplas, ensolaradas, de janelas grandes e com varanda.

Conversas, as que dão vontade de apenas ouvir. Artista, o que não faz concessão.Esperas, as que nunca têm fim, porque alimentam como o pão que não mata a fome.

Amores, os impossíveis. Cachimbos, os feitos de brezo. Remédios, os que não preciso tomar. Bebidas, uísque para sair e vinho para ficar em casa. Sucos, os do limão. Chás, os de hortelã com cidreira.

Lua, a mais redonda. Rios, os limpos, em que a água corrente faz lembrar o rio de Heráclito. Árvores, a araucária. Futebol, o que jogo às segundas-feiras.Estradas, as mais vazias. Roupas, as de algodão.

Papéis, os mais rugosos. Comidas, as que eu mesmo invento. Flores, as que não temem sua memória genética e que mostram ao homem o que ele não consegue admitir: que têm de morrer pra germinar. Mulheres, as que gostam de medir minha mão na sua.

Fábio Brüggemann


O "editar" textos - José Nilton Mariano Saraiva

Reza o velho (e sábio) adágio popular que “em panela em que muitos mexem a comida sai crua ou sai queimada”. Pois não é que na (vã) tentativa de sair da incômoda situação em que se colocou (teria usado inapropriadamente o termo “senilidade” na tentativa de descredenciar a respeitável octogenária D. Almina Arraes), a posteriori, no “discurso-defesa” proferido em sessão da Câmara Municipal do Crato, o líder do prefeito acabou metendo os pés pelas mãos ao (atabalhoadamente ou não) “transferir” ou “repassar” in totum para um aliado político (o atual presidente da SAAEC) o pesado ônus pelas graves acusações sofridas por aquela senhora (numa autentica versão crepitante do “fogo-amigo”), conforme se depreende do parágrafo que estranhamente não foi dado a conhecer ao distinto público, mas que diligentemente “transcrito” e veiculado pelo filho de D. Almina Arraes, Joaquim Pinheiro, na forma de comentário, a saber:

"Joaquim Pinheiro disse...
Vereador George,
Vc "esqueceu" de incluir no cariricaturas o parágrafo do seu aparte que transcrevo abaixo:
... foi exagero por parte da minha parenta que hoje é considerada na própria família como pessoa que está na iminência de ser interditada por conta da sua senilidade por questões já da idade, já criando fatos que não existiram ...(inaudível) inclusive, inclusive isto foi o motivo de defesa do próprio Presidente da SAAEC...
No dvd isto foi dito por S Excia, e não pela Vereadora Mara.
1 de novembro de 2011 18:57"

Como se vê, o “editar” textos - publicar só o que interessa e jogar pra debaixo do tapete aquilo que não é “conveniente” – não é e nunca foi uma política muito recomendável, porquanto alguém mais expedito e antenado poderá não concordar, divulgando-o ipsis litteris (como é feito, no momento).
E agora, vão também tentar descredenciar o Joaquim Pinheiro, já que ele deixa patente (também) não concordar com a estranha, risível e inacreditável “interdição” da mãe, conforme sugerido na peça do ilustre vereador-suplente ???

O Pássaro que Deseja a Paz. Por Liduina Belchior.

Numa família de voadores, onde compreende-se: pai, mãe e filhotes, uma das prioridades, além do amor, compreensão e união... É a paz. A mamãe ave cuida do ninho, dos rebentos, dos vôos rasantes e planados. O papai pássaro interage com esse processo, contribuindo com a provisão de sua casa-ninho, mas em comum acordo com sua companheira. Cuida também, da jornada do seu clã, participando ativo, corajosamente e democráticamente do amanhã de seus bichinhos. Este pássaro atuante e gestor, o que mais almeja neste momento, para o futuro eminente, é a harmonia e evolução de seus filhotes. O humano não é diferente dos pássaros, guardadas as devidas proporções. O equilíbrio familiar, emocional e sócio-econômico, são projetos essenciais de toda a família. Os filhotes-filhos, baseados nos valores morais e filosofia familiar, devem alçar seus primeiros vôos em em seu próprio lar-ninho. A família possui o compromisso de formar a personalidade e o caráter de seus filhos para que possam enfrentar os desafios da vida, baseados nos pricípios éticos e morais. Aqui está, no meu ponto de vista, a instituição família e seu árduo caminho. Para se conviver bem, é necessário o exercício e a prática dos valores básicos e convidar para o seu interior, o amor e a paz.

Pier Paolo Pasolini



Pier Paolo Pasolini (Bolonha, 5 de março de 1922 — Óstia, 2 de novembro de 1975) foi um cineasta italiano.




Amigos:

O SINAL é um sindicato nacional que reune várias regionais e tem como Presidente nacional o senhor Belsito.
SINAL - Sindicato Nacional dos Servidores do Banco Central.

A cartilha de dona Almina, espalhada por esse Brasil afora, está, com suas lições de informática colocadas de forma elucidativa, orientando, tirando dúvidas, tornando simples um caminho novo para muitas pessoas. 

(Stela Siebra de Brito)

Colaboração de Monalissa Esmeraldo


“A mulher moderna de hoje é a mulher simples, que carrega a felicidade dentro de si, e a revela em sorrisos enquanto resolve os seus problemas comuns do dia a dia. É a mulher que concilia as pessoas da sua vida, com os direitos e deveres que todos temos e faz desta soma uma solução colorida de esperança e alegria"

As luzes na visão - Emerson Monteiro


Quando o Sol nasce traz de dentro de si todas as cores para gregos e troianos contemplar numa admirável percepção. Independente do gosto das criaturas, clareia sem discriminação; brilha sobre maus e bons, luz intensa sobre as mais diversas e surpreendentes histórias. Mostra o filme das existências, isto livre de impor, a quem quer que seja, sua vontade poderosa, possibilitando a experiência viva do valor do olhar de todos.

Com isso, a chance de utilizar essa capacidade ofertada pelas tantas oportunidades indica o quanto resta aprender diante das películas exibidas no cinema esplendoroso da natureza humana. São as lições dos sonhos múltiplos, a generosidade que desenvolve o transcorrer dos filmes exibidos sem parar, sessão interminável. Hoje, uma superprodução a cores no jeito de Cecil B. DeMille e seus épicos imorredores tirados das páginas bíblicas. Amanhã, episódios em preto e branco dos contos de Edgar Allan Poe, recheados de surpresas e mistério. Na sala imensa os motivos mil para olhos abismados ganhar contornos variados, nos detalhes e no todo.

Caminhar, pois, ao sabor dos muitos instrumentos, a fim de melhorar qualidade, na mesa dos apetites vindos ao nosso gosto na função dos elementos. Buscar carinhosamente aprimorar esse saber pessoal diante dos meios, os valores individuais, eis o que praticar, invés de exigir dos outros. Descobrir no próprio ser as escolhas e realizar os instantes com sabedoria e bom gosto.

Conquanto o filme insista continuar todo tempo na tela do presente individual, cabe utilizar o enredo em proveito do aprimoramento, através das boas práticas adotadas. Ver o bem que queremos ao mundo inteiro, dentro de nós, através das lentes do enxergar, até que possa permitir crescimento amplo do amor, estilo inigualável onde nada muda se nós não mudarmos, qual ensinam os professores.

Além de tudo, há que continuar a projeção nas consciências, independente de questões particulares. As luzes das manhãs sempre chegam fortes à razão e ao sentimento e selecionar o que assistir só depende desse gesto das predileções do espectador, na visão mágica que se movimenta aqui em nossa frente.

No silêncio o pensamento é livre!


As estrelas conspiraram nesta madrugada. 
Mesma freqüência,milagre do encontro, éter do entendimento.
Versos musicais orquestram o momento- saudades de um tempo!

Carpete molhado
Vinho derramado
Lençol amassado
E o cheiro do amor.

Ele, o seu eterno
Ele, sem palavras...
Ele, e o seu obstáculo

Adormecidos, encantados
Nas décadas da espera

Promessa de um chá
Quem sabe um olhar
Festa de risos
No amanhecer
De novembro

Desejo na memória
O pejo, no desejo!

Ele cantando baixinho
uma leve cançao
que fala de amor...

Noah





Moça-flor


Moça flor é você a mais flor
Moça flor, tem a cor do amor
Seu olhar a brilhar e
essa lágrima leve querendo chegar
traz tristeza no ar
Moça flor, esta lágrima pura
é o orvalho da flor que chorou, que sentiu
Deixa o tempo passar, moça flor vai chorar,
É o amor...
Moça flor, tem a cor do amor...
Composição: Durval Ferreira e Lula Freire - 1974

Dia de Finados - por NORMA HAUER



As pessoas que partiram e deixaram saudade, podem ser lembradas em qualquer dia do ano. Assim parece não haver necessidade de um data especial
Mas por que foi criada uma data? E ela é exatamente 2 de novembro? Criada pela Igreja Católica,o objetivo foi que todos os mortos, principalmente os que não eram referendados, tivessem um dia em que se fizessem orações para eles, independente de serem amigos ou parentes.
Foi escolhido o dia 2, porque no anterior (1° de novembro) eram ( e ainda são) comemorados todos os santos, uma vez que há muitos considerados santos, que não têm um dia especial.
Não é essa data que dizemos ser o “Dia de São Nunca”?

No século XIII, foi escolhida a data seguinte (2 de novembro) para que todos os mortos sejam referendados.

E nós, atravessando séculos, estamos aqui seguindo a tradição de relembrar nossos entes queridos, como se eles precisassem de uma data para serem relembrados.

Tradição é tradição e, queiramos ou não, essa data nos traz grandes recordações quando vêm-nos à memória amigos e parentes que já partiram.
Pais, irmãos, primos, tios... amigos... nossa memória traz-nos suas presenças e assim, embora não precisemos de uma data especial para referendá-los, a verdade é que essa data faz o passado retornar.E com o passado retornando, lembranças felizes também retornam.
Só as felizes porque, “plagiando” Álvaro Moreyra, dizemos “As amargas não”.

NORMA

Se eu pudesse voltar ... - por Socorro Moreira


Se eu pudesse voltar,
Recife seria a minha !


Fui passageira constante
Transportes intinerantes
Acidentes contornei
Ilhada , sempre fiquei
Mesmo livre , me enterrei
Se eu pudesse voltar
não iria mais adiante !


Tuas pontes
carreguei entre os meus rios
mesmo secos, mesmo cheios
não perdi de ti o vício.
Se eu pudesse voltar,
eu juro...
Nunca teria vindo !


Mas já que nada é possível
Se voltar é precipício,
fico no Crato querido
com todo aquele juízo,
que perdi ao te deixar
Se eu pudesse voltar ...
Não sei bem o que eu faria !

Carlos Pena Filho - por Joaquim Pinheiro


Carlos Pena Filho, enfocado por você hoje, certo dia entregou uma letra para Capiba musicar. A intenção era gravar em ritmo de frevo para o carnaval do ano seguinte. O maior compositor de frevo, no entanto, vendo a beleza dos versos, afirmou que a poesia, era bonita demais para tocar apenas os 4 dias de carnaval. Dessa forma, saiu a música gravada por Maysa Matarazzo, Nélson Gonçalves, Ciro Monteiro, Claudianor Germano e muitos outros. Era uma das músicas preferidas de Tio Miguel. Veja a letra:

A mesma Rosa Amarela

Você tem,
Quase tudo dela,
O mesmo perfume,
A mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Só não tem o meu amor.

Mas nesses dias de carnaval,
Para mim você vai ser ela,
O mesmo perfume a mesma cor,
A mesma rosa amarela,
Mas não sei o que será,
Quando chegar a lembrança dela,
E de você apenas restar,

A mesma Rosa Amarela.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

O futuro - Por José de Arimatéa dos Santos

"O tempo não existe. Só existe o passar do tempo" - Milôr Fernandes
Difícil o ser humano que não teria a curiosidade de manipular o tempo e poder voltar ao passado ou correr até o futuro se tivesses essa capacidade. Eu de bate pronto não saberia dizer se ia querer voltar em meu passado para modificar alguma coisa. É uma situação complicada, pois muita água já rolou no rio de minha vida e a nossa existência é cheia de altos e baixos. Natural.
Vi esses dias no cinema o filme brasileiro "O homem do futuro" e fiquei impressionado pela qualidade do cinema tupiniquim. A película tem em seu enredo a história de um homem que através de uma máquina do tempo volta ao passado para modificar fatos ocorridos na vida dele. Interessante que o filme nos leva a questionar essa vontade de muita gente voltar no tempo para fazer os retoques necessários na vida pessoal.
Se fosse possível tal fato, acredito, a vida em geral seria mais bagunçada ainda. Por que na hipótese de mudar fatos de nossa vida lá no passado implicaria também em mudar a vida de muita gente ao nosso redor da época e de hoje. O homem do futuro, essa comédia romântica, nos leva por esse caminho tão tortuoso e complexo que é a vida de cada ser humano. E outra coisa que se revela é que nunca estamos só. Reforça o que aprendemos lá no início de nossas vidas escolares que o homem é um animal social.
Claro que alguns ou muitos diriam que ao voltar ao passado modificariam tudo que não deu certo em suas existências. Simples. Mas para mim acabaria com a mágica da vida que é o imprevisível e o que vai acontecer com cada um de nós daqui a um segundo ou amanhã. Para mim que venha o futuro. Só que cada um de nós possamos refletir e fazer o melhor para si e para os semelhantes.

A força das Palavras enfrentando as palavras da Força - José do Vale Pinheiro Feitosa

Lendo a “força das palavras” de Sérgio de Luiz Balsito, do Sinal Nacional, para Almina Arraes em que destaca “a lucidez e objetividade da autora no desenvolvimento da obra foram pontos de destaques nos comentário recebidos”, vem à memória o recente episódio das “palavras da força”. Todos nós ficamos confortáveis, pois somos capazes de distinguir uma da outra.

Uma vez que a força das palavras de pessoas como Almina Arraes fazem parte dos mistérios da eternidade enquanto tudo é aparentemente finito, a palavra da força é a desgraça do finito fantasiado da eternidade se desmanchando em pó. Enquanto a força da palavra vai além do combustível para mover a máquina do sucesso e deste modo tornando o sucesso um resto no principal que é a conquista de si mesmo como humano, a palavra da força não resiste nem às imagens que capturam os eventos.

A palavra da força edita o outro para garantir a força. Por isso acusa mentira nos outros quando mente. Ameaça a integridade alheia para esconder o próprio ardil. A palavra da força tem horror ao futuro e esconde o passado para manter um eterno hoje. A palavra da força não pode imaginar o futuro em que ela não esteja e nem reexaminar as imagens do vídeo do passado onde a farsa de agora se desfaz.

A palavra da força treme diante da responsabilidade de suas próprias palavras. As palavras da força mudam de cor, dançam de um lado para outro, num rodopio exuberante igual raios laser. E se os raios laser não cegarem a assistência, ao menos esconderão o palco das palavras que pedem interdição, os gestos que dizem loucura, as cenas de subterfúgios para não aparecerem as garras ferinas da palavra da força.

As forças da palavra de Almina Arraes não são para brandir o estatuto do idoso e nem criar um status bolorento de uma idade se encaixando no arranjo geral de uma sociedade solidária assaltada por egoístas conquistando a pepita de ouro a qualquer custo. Pelo contrário, as palavras de Almina têm força por que são includentes. Poder expressar sua arte de pintora. Ser parte do conclave de idéias ainda incipiente na internet e não temer as barreiras tecnológicas.

A força da palavra de Almina é por que é revolucionária, pela mulher e por todos aqueles que o capitalismo deseja interditar numa espécie de parque infantil com babás de meia idade dizendo o que devem fazer. Algum idiota que não consegue enxergar além da ponta do nariz irá argumentar com a senilidade, como se ao assumir a palavra da força não estivesse expressando a própria decadência.

Almina Arraes faça minha a força das palavras de Sérgio de Luiz Balsito, mas gostaria de fazer uma confissão: eu sou mais invejoso do que imaginava ser. Por que o Sérgio se antecipou antes de mim a explicar tão bem o seu papel revolucionário de um segmento ativo da nossa sociedade?

Acabei de ler uma história que lembra este contraste entre a força das palavras e as palavras da força. O jornalista Uruguaio Rodolgo Porey estava encapuzado ao lado de um estudante e ambos sendo supliciados por torturadores. Foi quando ouviu do estudante a frase: Me cago em dios (cago em Deus). De repente o chefe dos torturadores gritou de lá: Respete las ideas ajenas, mocito! (respeite as idéias alheias, mocinho!). E eles sendo torturados exatamente por terem idéias diferentes dos torturadores que o supliciavam por isso.

Almina Arraes está jogando um segmento esquecido da sociedade no debate da rede mundial e isso me orgulha muito enquanto cratense. Revolução é isso e os reacionários de sempre sonham em interditar. Mas se me orgulho de Almina mais ainda me orgulha o povo da minha terra que tão perto se aproxima em solidariedade a Almina.

Carta para D. Almina Arraes

Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2011
 
Prezado Joaquim,
 
Gostaria que transmitisse a sua mãe, Senhora Almina Arraes, os agradecimentos do SINAL NACIONAL pelos trabalhos desenvolvidos na Cartilha para informatização de idosos.
 
Referido material, de utilidade pública, teve uma grande procura por educadores e voluntários militantes em ONGs que tratam de motivação e informatização de idosos.
 
A lucidez e objetividade da autora no desenvolvimento da obra foram pontos de destaques nos comentários recebidos.
 
Colondo o Sindicato à disposição para apoiamento de outras iniciativas, ressaltamos a importância de estimular iniciativas como a Senhora Almina.
 
Saudações,
 
Sergio da Luz Belsito
Presidente do Sinal 

As oposições e o câncer na Laringe do ex-presidente Lula - José do Vale Pinheiro Feitosa

O câncer na laringe do ex-presidente Lula, como todo tumor maligno, tem capacidade de destruir as estruturas na qual se inicia e de se espalhar para outros órgãos onde os atingirá. O princípio geral de todo tratamento do câncer é destruir ou retirar as células cancerosas para que elas não causem os problemas citados. Por isso o presidente Lula fará quimioterapia que é a destruição das células cancerígenas para que não continuem causando problemas na sua laringe e nem se espalhe para outras regiões do seu corpo.

O câncer de laringe é o mais comum dos tumores malignos que atinge a região da cabeça e do pescoço e são tão comuns que chegam a representar 2% de todos os tipos de cânceres. Existe uma quantidade imensa de grupos, tipos e sub-tipos de cânceres, sem contar o estágio em que já se encontra a definir uma rota de sobrevivida ou cura.

O presidente Lula tem um tipo câncer em estágio inicial com muitas chances de cura definitiva. Mas o câncer de laringe nele é muito mais do que simplesmente uma doença atingindo uma pessoa. Nele o câncer é politizado, vai além de apenas sinais, sintomas, diagnóstico, tratamento e recuperação.

O câncer nele é no aparelho fonador, aquele que efetivamente articula a voz. E a voz é o instrumento, o veículo principal do pensamento do político. A sua voz é quem empresta emoção, quem realça fatos e diminui factóides. Desde sua liderança no movimento operário que sua voz move o espírito e a consciência da luta dos trabalhadores, especialmente em São Paulo. A sua voz foi central na formação de um dos maiores partidos das Américas e no exercício político no governo do Brasil.

Em Lula até mais do que em pessoas como Fernando Henrique, em comparação tomando um exemplo recente. Lula, como Brizola e outros grandes líderes nacionais vieram da cultura oral, daquela forma básica que é a voz. A voz em que a maioria dos brasileiros se comunica e transmite idéias. A voz em Lula é até muito mais que um instrumento de comunicação. Em Lula a voz é poder político de um momento histórico do povo brasileiro.

Por isso os seus adversários ficam tão excitados, rodeando o assunto sem quererem se expor em baixarias, sempre querendo saber por quanto tempo e se pode ser definitivo que esta voz se cale. Outro efeito do tratamento do câncer de Lula é a contradição que os adversários exploram pelo fato dele não fazer o tratamento num hospital público.

Desta exploração entre o público e o privado residem dois efeitos a colar na mente das pessoas: Lula é elitista e só quer as coisas boas da elite branca de São Paulo e por outro lado os hospitais públicos são muito ruins, por isso ele não se atreve a ir a um hospital público fazer o seu tratamento.

A oposição realmente está usando uma contradição política, mas sob bases mentirosas. É uma forma inteligente e precisaria outra inteligência para derrubar esta bobagem toda. Os hospitais de câncer públicos são mais consistentes que os privados e existe uma simbiose imensa entre os dois setores, especialmente pelo duplo emprego dos médicos e profissionais de saúde numa e noutra ponta. Eles são mais consistentes por que têm mais volume de atendimento, fazem pesquisa, têm estatísticas de protocolos de tratamento e são os principais centros de formação de profissionais de cirurgia e clínica oncológica no país. Fora disso só quem vai financiado pelo governo ou aqueles privilegiados que vão fazer formação no exterior com o objetivo de ganhar rios de dinheiro com a exploração comercial da doença.

Mas aí vem um sério problema do atual Ministério da Saúde. Nunca vi tanta inércia diante de uma manipulação da opinião pública como esta exercida pela oposição, especialmente na internet. Será que ninguém veio a público para colocar os pingos nos ii? Eu pelo menos não li nenhuma manifestação dos Conselhos e Sindicatos dos profissionais de saúde rebatendo este besteirol que vai colar como uma verdade.

Sob o elitismo de Lula isso decorre de fato de outro fenômeno pessoal e político. Lula tem um médico particular que circula na elite médica de São Paulo que vive do grande negócio de milhões de dólares entre o Sírio Libanês, o Alberto Sabin, a Beneficencia e assim por diante. O fenômeno político decorre primariamente da dicotomia criada no país entre o setor público e a saúde suplementar. A saúde suplementar, dos planos de saúde, passou a ser a grande fonte de financiamento de hospitais poderosos e tem muito prestígio no operariado especialmente paulista da origem de Lula. Muitos acordos sindicais, de natureza salarial se fazem com a concessão de planos de saúde coletivo. Poucos brasileiros sabem que os planos de saúde são fundos mutuais e que os principais financiadores são: os operários em seus acordos com patrões e o governo federal com a renúncia fiscal.

Outro dado da exploração política do câncer de Lula foi o oportunismo de demonstrar que Lula tem este câncer por que fuma muito e bebe bebida alcoólica em excesso. Novamente a idéia é uma manipulação por que se você pretende apontar a questão de indivíduo não pode interpretar isso desta maneira. O fato de beber e fumar são fatores de risco, extraído de estudos gerais da população e apontam uma probabilidade comparativa com grupos que não fumam e nem bebem. Não é uma causa específica, até por que o câncer foi o primeiro problema de saúde pública a derrubar os conceitos da das doenças infecciosas quando se tinha a idéia que uma doença como a tuberculose tinha como causa única o bacilo da tuberculose.

O câncer de laringe, como a maioria dos cânceres, tem múltiplas causas e nunca se sabe como elas contribuem especificamente. Então o que se deseja, mais uma vez, é usando uma evidência probabilística jogar para o público que Lula está pagando os seus pecados. Mas câncer nenhum é um pecado. Pode ser uma precaução, uma prevenção primária ou secundária, mas não um sentimento moral que evidentemente falta em quem faz tentativas de tirar tais ilações sobre a doença do ex-presidente da república.

Por José Carlos Brandão




POEMA MELANCÓLICO


Os telhados estão melancólicos, debruçados na beirada
das montanhas. As cigarras,
sonhando
um mundo livre de sanhaços,

quebram
as vidraças. O melro gostaria
de tocar
piano,
as teclas pretas e brancas convidam. Não é tempo das lágrimas

do arco-íris. É o tempo
dos girassóis,
das abelhas zumbidoras,
dos carrapatos
e das urtigas. Um soldado ergue um fuzil, aponta e atira. Uma pomba

cai morta.
Uma criança
cai morta.
As armas foram feitas para matar. E matam, sem piedade. Cumprem

sua função.
Um caranguejo anda de lado, medindo o terreno com suas
grandes pinças. O caranguejo
é triste. É triste
como uma caranguejola.

J. C. Brandão

Acontece com as melhores famílias de Londres- por Socorro Moreira



Há um mês comprei passagens para Fortal, num preço promocional. Guardei data e horário. Considerando o horário de BSB, cheguei a tempo hábil. Não constava meu nome e o do Victor, na lista de passageiros. Eu troquei as bolas. Deveria ter embarcado no vôo da madrugada (01h55min’), e o engano fez-me dormir até as 8:h. Corri com algumas providências e cheguei no aeroporto 12:55 h.
Pra embarcar noutro vôo a passagem custaria duas vezes o valor que eu havia pago.E foi o que aconteceu.Já estava à mercê de novos ventos.
Como isso pode acontecer comigo, que programo tudo direitinho?
Em minutos estava embarcando, decolando e aterrissando.
Enfim da janela do hotel, vejo uma nesga do mar.
Foi para isso que vim... Estava com saudades dos ares marinhos.
Aproveitarei estes dias pra passear, e esticar o bom da vida.
Ainda bem que esta viagem não me ausenta dos amigos. Estou por aqui.
Perdi apenas a grana do “souvenir”


DUAS QUADRAS E MEIA - Ulisses Germano

-É raro nascer humano
Eis um motivo, por certo,
Poderoso e soberano
Pra que fiques mais esperto:

O valor que tem a vida
É sutil e imutável
É impossivel ser medida
Pois transcende o comparável

Somos todos raridades
Únicos e imperfeitos!
(...)

Ulisses Germano
Crato-CE.




"O Mistério das 13 Portas" - Um outro Olhar

Tive o privilégio de assistir ao espetáculo infantil “ O mistério das treze portas”, na verdade, um grande evento que traz à luz os seres que fizeram história, nas suas transgressivas formas de ser e de conceberem a vida. Sujeitos massificados e excluídos socialmente, atingidos com as pedras do preconceito de uma sociedade que apenas lhes permitiu a mísera visibilidade do desdém e da zombaria, julgando-os com critérios absolutamente elitistas.

À medida que os nomes desfilavam naquele palco, igualmente reavivavam e se abriam lentamente “as portas” das minhas lembranças desses personagens que percorreram as ruas do Crato e deixaram suas marcas, resgatadas, hoje, graças a sua sensibilidade antropológica e de todos que tornaram possível o livro, e consequentemente, o espetáculo.

Parabenizá-los é muito pouco diante do coquetel cultural que degustamos ao sabor das músicas e da diversidade dos artistas. Jamais esquecerei o cântico performático de João do Crato que mesclou tão bem, corpo, voz e coração num só pulsar interpretativo.

Claro, que também deixo aqui algumas observações, que talvez sirvam de sugestões, a partir da minha limitada percepção crítica. A meu ver, a idéia do Mateus e da Catarina como apresentadores foi maravilhosa, no entanto, julgo que se esses mesmos personagens teriam mais brilho e mais aceitação do público infantil, dando ao texto um caráter de conotação de história como bem é feito no livro, sem aquele empilhar de folhas digitadas que lhes cobriam o brilho e acabaram comprometendo, relativamente, o show, dando-lhe uma ideia de um ensaio, apenas.

Quanto à apresentação musical, julgo que seria mais interessante e condizente com a proposta que os cantores estivessem TODOS, e não só alguns, caracterizados com o personagem que estavam representando, uma vez que se trata de um trabalho para crianças, e, a compreensão infantil opera mais com o concreto, o visto, e não o subjetivo. Sem contar, também, na expectativa criada no público adulto, em ver e relembrar os sujeitos ali anunciados, evidente que não se esperava um teatro naturalista na sua essência. No entanto, na minha forma de perceber, ali não era apenas um mero show musical; a música estava em função de um contexto maior, por alargar e aprofundar o texto e o resgate histórico que se pretendia dar no final, com o intuito de formar um tecido único, a partir de cada fio ali exposto.

Mas, acredite, meu caro Zé Flávio, nada afetou o brilho da tão inspiradora ideia, a composição e a poesia presentes no tributo ao Beato Zé Lourenço foi realmente encantadoras. Já fico no aguardo do abrir de outras portas, em que espectador e leitor adotando a postura da Alice do Lewis Carroll, adentrem em outros países das maravilhas culturais que sua inspiração como escritor pode e sabe tão bem proporcionar.

Blog do Rui Porão: MANDACARU, no mato sem cachorro | http://ruiporao.blogspot.com/2011/02/mandacaru-...MARIA DAS GRAÇAS DE OLIVEIRA COSTA RIBEIRO
IFCE- CAMPUS CRATO-CE


escapulário

Mal amanhece ou anoitece
eu tiro um pedaço do meu coração
e colo em um poema. No dia seguinte
a mesma coisa sem pensar duas vezes.

A minha sorte é que o coração de poeta
é igual a fígado de bêbado após um mês -

não viu nada,
não ouviu nada

e nem se lembra
da última pinga
ou do último
verso.

No clima de finados - por Socorro Moreira



Mais uma vez não visitarei a casa dos mortos. Fico na casa dos desterrados. Aposento limitado , cheio de fantasmas , zoada do futebol na TV, cochichos nos e-mails. Passei um tempo na rua. Um almoço que não era o meu; companhias ávidas por batata frita ; vontade de achar o que é meu. A cidade entristecida pelas velas de finados ; rosas guardadas, terços retirados das caixas.

Ah, meu pai, se eu pudesse resgatar tua presença ! Resgataria com certeza , outras a mais. Porisso quero acreditar na promessa do juízo final, na ressurreição da carne, e na comunhão dos santos...!

Haverá noutro plano um blogue de mesma natureza, se formando ? Aqui é um ensaio , um planejamento de reunião definitiva, mesmo que a gente não enxergue o corpo, não escute a voz, nem dispare o coração , no contato de todas as horas. São as nossas almas que, enfileiradas, e com espontaneidade vão se aproximando , e ficando !





o círculo é perfeito
mas existe uma cadeira vazia

um sonho descansa as suas pernas
se correr
pode atropelar a vila

o tempo corre
acelero, e retardo
o meu relógio
sou dona um tanto de mim

da outra metade abri mão
ela é solta , louca,
e vive na contra-mão


Até você chegar
Até você encontrá-la
Fico na gira
no ponto do conto e do canto
Centrada no que admiro 

socorro moreira



era gase ,véu de noite
um mês em cada ano
palavra cara
carne viva
corpo e dor

de manhã letras
cruzadas no amor
lua cheia da loucura
grega fala
não te escuto
rosa , rima
eu te sinto
violeta não te culpo
fogo pira
endoidamos
morremos tantos sonhos
e acordamos

eu te amei
no último vexame
cortados de serras
nos deixamos.


(Socorro Moreira)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Marketing político piorando a situação do político - José do Vale Pinheiro Feitosa

Ao invés de discutir política, de construir uma imagem junto à sociedade, os políticos atuais recorrem ao Marketing. Sob a forma de empresas especializadas, de assessorias de imprensa ou de outros tipos de assessoria mais política, o objetivo é manter a imagem pública do político numa situação adequada.

O Marketing age nas mídias, pois são estas que intermedeiam toda a mensagem de construção da imagem do político. Em recente episódio aqui na cidade vimos uma lição das dificuldades da tarefa e principalmente de erros comuns que provocam exatamente o efeito contrário do que se pretendia.
Aconteceu um incidente numa reunião política que envolvia um personagem destacado da cidade. O incidente poderia ter ficado restrito à reunião, mas ultrapassou-a e chegou ao conhecimento da pessoa que deste modo veio a público protestar sobre o que considerou ofensivo a si. Dado o protesto houve a manifestação de uma terceira pessoa considerando que aquilo resultava de uma prática reincidente e que dado o padrão cairia o incidente sobre a liderança maior a ele.

O que teríamos como marketing: desvincular a liderança do incidente e reduzir o incidente a algo insignificante, inclusive demonstrando carinho público pela personagem atingida. O que resultou do trabalho de marketing? Exatamente o contrário.

A cada ação de marketing realizada mais trazia a liderança maior para o centro do incidente. A repetição sistemática do seu nome com o incidente ampliou a sensação de que afinal ele tinha algo com o assunto. É como um anunciante repetindo o nome várias vezes de uma mercadoria até que ela se fixa na nossa memória.

Por outro lado o incidente foi ampliado ao invés de reduzido e esquecido. Por um longo período ficou sendo martelada a vingança, os processos na justiça, as desqualificações em torno do incidente, dando-lhe gás e sobrevivência. Na verdade até se preparou o público para o nascimento de uma grande montanha derivada do incidente. Ora todo mundo ficou doido para ouvir a exposição ampliada de quem naquela altura deveria era estar sendo preservada e associada a gestos magnânimos como, por exemplo, visitar a pessoa atingida e desfazer o que julgava uma trama.

Pelo contrário a ampliação do incidente com sua sobrevivência em mais um dia, apenas o pôs sob os efeitos perniciosos de uma trama que mesmo se não houvesse, agora passaria a existir. A “trama” dos erros do marketing político. E aí os recursos de marketing também são importantes para o efeito que se deseja. Por exemplo, se o político chama a sua família para o centro do incidente ele só está valorizando o mesmo. É como se jogasse gasolina num monturo que deveria estar se apagando.

Ao divulgar uma explicação havida no ambiente que originou o debate, o conteúdo da explicação deveria ser muito bem cuidado. Qualquer deslize, qualquer ampliação do debate como acusar terceiros pelos fatos e se eximir de todos eles ou qualquer referência à liderança maior, apenas provoca o efeito que não se desejava. Mais põe a liderança maior na roda e a si mesmo onde não gostaria de politicamente se encontrar.

Enfim o Marketing entrou na vida dos políticos e da política como consequência das ciências em torno da comunicação social, da psicologia social e da própria natureza dos meios utilizados. Por isso temos muitos problemas em face do seu uso.

A FACE COMUM DO BILIONÉSIMO SÉTIMO HUMANO, DO BLOQUEIO A CUBA E BOICOTE DOS EUA À UNESCO - José do Vale Pinheiro Feitosa

O que tem a vê a chegada da população mundial a 7 bilhões de humanos, a resiliência dos americanos no bloqueio comercial a Cuba e o boicote da contribuição dos EUA com a UNESCO só por que esta aceitou a Palestina como membro pleno? O denominador comum é a ideologia imperial de natureza anglo-saxônica.

Esperem aí que não estou forçando a barra. Posso cometer uma dificuldade interpretativa ao falar da criança simbólica que nasceu nas Filipinas como sendo o bilionésimo sétimo humano. Agora esclareço: o pavor conservador com a perda de seus privilégios diante desta população crescente. O Filipinozinho agora nascido, bem que a ONU lhe deu uma esperança capitalista, alguma poupança para estudar e à família um capital para começar um negócio. Agora os conservadores chorarem lágrimas de sangue malthusiana por conta do coitado inocente, isso já cheira à própria desconfiança no sistema que adere às suas almas. Nesta hora são piores que os comunistas: não confiam no capitalismo do Adam Smith. Agora a bem aventurança se ameaça.

O neo-malthusianismo, especialmente este da grande mídia, tem a sombra indelével daquelas teorias da Eugenia tão apreciadas pelos Fascistas. O sentimento mais exposto por estes é que está crescendo muita gente não branca e isso lhes subtrai substâncias para a defesa do seu imutável status quo. Não confessam isso, mas demonstram ao alardear a fome na África, a falta de Água no Oriente Médio e na China e falta de energia nos soquetes de suas lâmpadas. Tudo em nome do privilégio. Toda matemática deste povo é mentirosa e não tem o menor respeito. A população mundial cresce a proporções cada vez menores e chegará ao ano de 2100 em quantidade suficiente de meios para se manter, pois os já existentes atualmente são mais do que abrangentes para o consumo previsto no futuro. A fome que existe e o desastre do saneamento é a pobreza em face da concentração de renda.

Por isso os EUA e Israel sozinhos perdem na votação para todos os países pedindo o fim do bloqueio comercial a Cuba e ainda vem com papo de democracia enquanto assassinam políticos estrangeiros. Deve haver alguém de boa fé que ache que o problema se resume ao direito dos americanos negociarem com quem bem quiserem. Mas aí não venham com papo de comércio livre e não pratiquem a chantagem que praticam: se um navio sai do Brasil com uma carga para Cuba e para os EUA, eles não permitem o aportamento nos portos americanos. Não tem quem não fique com raiva de um argumento a favor disso.

Quando a UNESCO que cuida exatamente da paz abriga um povo que vive em luta e os EUA deixam de pagar suas obrigações com a Organização que é da ONU como represália pelo ato, este país se tornou um pária político ou no mínimo poderia ser enquadrado, não pelos critérios de Bush, mas certamente pelo critério da acepção da palavra: em algo do eixo do mal.

Enfim o denominador comum destas três notícias é a própria midiatização dela pelas corporações a refletir-se aderente nos corações dos setores reacionários e conservadores em todo mundo.


Nunca é demais,
Apostar
Todas no AMOR

Presença de Mia Couto no Azul Sonhado

IDENTIDADE

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem inseto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Raiz de Orvalho e Outros Poemas,1999.

chuva

Eu nunca fugi de mim
por isso nunca me cansei

nem dos versos
nem dos sonhos.

A chuva é um sinal
que mais tarde
vem vindo
arco-íris.

E todo arco-íris lava a alma
depois que a chuva
molha os cabelos
das rosas

e os bermudões
das orquídeas.

Se já adultos e velhos não vimos arco-íris algum
havemos de ter por encanto na memória
aquele desenho que fizemos
quando éramos crianças.

E se rosas e orquídeas
é papo de jardineiro tristonho
havemos de lembrar que um dia

mesmo de passagem
desejamos os canteiros
da praça.

O cansaço nem por morte minha
e a fuga de mim é um absurdo.



Nunca duvidem dos sentimentos melhores, que os cratenses distantes nutrem pela sua cidade. Espelho-me nos mais próximos, como: Zé do Vale, Zé Nilton Mariano, Joaquim Pinheiro, Dedê, Carlos e Magali, Domingos, Altina Siebra, Dario Lôbo, Stela Siebra, e muitos outros!
Sou acordada por eles com intimações poéticas, culturais e até políticas.
Estão presentes, tanto quanto nós, nos problemas e conflitos, que afetam o nosso dia a dia.
Agradeço-lhes pelo nível de informação, muito superior à minha- vida enclausurada num mundinho pequeno.
Aplausos para todos os interessados no nosso bem estar e soberana cidadania.
Abraços, agradecimentos, e todo meu carinho!

Amanhã viajo para Fortaleza por alguns dias. A gente permanece conectados!
Este nosso ponto de encontro não deixa o café esfriar.
Tenham um excelente início de semana!

Depilação Luiz Fernando Veríssimo( recebido por e-mail)


Estava eu assistindo TV numa tarde de Domingo, naquele horário em que não se pode inventar nada o que fazer, pois no outro dia é segunda-feira, quando minha mulher deitou-se do meu lado e ficou brincando com minhas 'partes'.
Após alguns minutos ela veio com a 'brilhante' idéia:Por que não depilamos seus ovinhos, assim eu poderia fazer 'outras coisas' com eles.
Aquela frase foi igual um sino na minha cabeça. Por alguns segundos fiquei imaginando o que seriam 'outras coisas'. Respondi que não, que doeria coisa e tal, mas ela veio com argumentos sobre as novas técnicas de depilação e eu, imaginando as 'outras coisas', não tive mais como negar. Concordei.
Ela me pediu que ficasse pelado enquanto buscaria os equipamentos necessários para tal feito. Fiquei olhando para TV, porém minha mente estava vagando pelas novas sensações que só despertei quando ouvi o beep do microondas.
Ela voltou ao quarto com um pote de cêra, uma espátula e alguns pedaços de plástico. Achei meio estranho aqueles equipamentos, mas ela estava com um ar de 'dona da situação' que deixaria qualquer médico urologista sentindo-se como residente.
Fiquei tranqüilo e autorizei o restante do processo. Pediu para que eu ficasse numa posição de quase-frango-assado e liberasse o acesso à zona do agrião. Pegou meus ovinhos como quem pega duas bolinhas de porcelana e começou a passar cêra morna. Achei aquela sensação maravilhosa!
O Sr. Pinto já estava todo 'pimpão' como quem diz: 'sou o próximo da fila'!
Pelo início, fiquei imaginando quais seriam as 'outras coisas' que viriam.
Após estarem completamente besuntados de cêra, ela embrulhou ambos no plástico com tanto cuidado que eu achei que iria levá-los para viagem.
Fiquei imaginando onde ela teria aprendido essa técnica de prazer: na Thailândia, na China ou pela Internet mesmo?
Porém, alguns segundos depois ela esticou o saquinho para um lado e deu um puxão repentino.. Todas as novas sensações foram trocadas por um sonoro PUUUUTA QUEEEE ME PARIUUUUUUU quase falado letra por letra..
Olhei para o plástico para ver se o couro do meu saco não tinha ficado grudado. Ela disse que ainda restavam alguns pelinhos, e que precisava passar de novo. Respondi prontamente: Se depender de mim eles vão ficar aí para a eternidade!!
Segurei o Dr. Esquerdo e o Dr. Direito com as duas mãos, como quem segura os últimos ovos da mais bela ave amazônica em extinção, e fui para o banheiro.
Sentia o coração bater nos ovos.
Abri o chuveiro e foi a primeira vez que eu molhei o saco antes de molhar a cabeça. Passei alguns minutos só deixando a água gelada escorrer pelo meu corpo.
Saí do banho, mas nesses momentos de dor qualquer homem vira um bebezinho novo: faz merda atrás de merda. Peguei meu gel pós-barba com camomila 'que acalma a pele', enchi as mãos e passei nos ovos.
Foi como se estivesse passado molho de pimenta. Sentei no bidê na posição de 'lava xereca' e deixei o chuveirinho acalmar os Drs. Peguei a toalha de rosto e fiquei abanando os ovos como quem abana um boxeador no 10° round.
Olhei para meu pinto. Ele, coitado, tão alegrinho minutos atrás, estava tão pequeno que mais parecia irmão gêmeo de meu umbigo.
Nesse momento minha mulher bate à porta do banheiro e pergunta se estava passando bem. Aquela voz antes tão aveludada e sedutora ficou igual uma gralha.
Saí do banheiro e voltei para o quarto. Ela estava argumentado que os pentelhos tinham saído pelas raízes, que demorariam voltar a nascer. 'Pela espessura da pele do meu saco, aqui não nasce nem penugem, meus ovos vão ficar que nem os das 'codornas', respondi.
Ela pediu para olhar como estavam. Eu falei para olhar a meio metro de distância e sem tocar em nada e se ficar rindo vai entrar na PORRADA!!
Vesti a camiseta e fui dormir (somente de camiseta). Naquele momento sexo para mim, nem para perpetuar a espécie humana. No outro dia pela manhã fui me arrumar para ir trabalhar. Os ovos estavam mais calmos, porém mais vermelhos que tomates maduros.
Foi estranho sentir o vento bater em lugares nunca antes visitados. Tentei colocar a cueca, mas nada feito. Procurei alguma cueca de veludo e nada... Vesti a calça mais folgada que achei no armário e fui trabalhar sem cueca mesmo.
Entrei na minha seção andando igual um cowboy cagado. Falei bom dia para todos, mas sem olhar nos olhos. E passei o dia inteiro trabalhando em pé com receio de encostar os tomates maduros em qualquer superfície.
Resultado, certas coisas devem ser feitas somente pelas mulheres. Não adianta tentar misturar os universos masculino e feminino.
Ainda dói...

A Bruxa de Portobello - Paulo Coelho





Ela me dizia que estava aprendendo à medida que me ensinava.

Todos buscam um mestre perfeito; acontece que os mestres são humanos, embora seus ensinamentos possam ser divinos – e aí está algo que as pessoas custam a aceitar. Não confundir o professor com a aula, o ritual com o êxtase, o transmissor do símbolo com o símbolo em si mesmo.

Cozinhamos reclamando da perda de tempo, quando podíamos estar transformando amor em comida.

As coisas não são absolutas, elas existem dependendo da percepção de cada um.

Sugeriu que, pouco a pouco, começássemos a preparar terreno para dizer que ela tinha sido adotada. (...) a pior coisa que podia acontecer é que ela descobrisse por si mesma – passaria a duvidar de todo mundo. Seu comportamento poderia tornar-se imprevisível.

“Diante de mim havia duas estradas
Eu escolhi a estrada menos percorrida
E isso fez toda a diferença” (Robert Frost)

A música é tão antiga quanto os seres humanos. Nossos ancestrais, que viajavam de caverna em caverna, não podiam carregar muitas coisas, mas a arqueologia moderna mostra que, além do pouco que necessitavam para comer, na bagagem havia sempre um instrumento musical, geralmente um tambor. A música não é apenas algo que nos conforte, ou que nos distraia, mas vai além disso – é uma ideologia.

- Por que não me dá a comunhão?
(...)
- (...) a Igreja proíbe que pessoas divorciadas recebam o sacramento.
(...)
- Cristo disse: “Vinde a mim os que estão agoniados, e eu os aliviarei”. Eu estou agoniada, ferida, e não me deixam ir até Ele. Hoje aprendi que a Igreja transformou estas palavras: vinde a mim os que seguem as nossas regras, e deixem os agoniados para lá!
(...)
Penso que, ao sair da igreja, Athena pode ter encontrado Jesus. E, chorando, se atirou em seus braços, confusa, pedindo que lhe explicasse por que estava sendo obrigada a ficar do lado de fora só por causa de um papel assinado, uma coisa sem a menor importância no plano espiritual, e que só interessava mesmo a cartórios e imposto de renda.

Quando escrevo, quando danço, sou guiado pela Mão que tudo criou.

O caminho é mais importante que aquilo que a levou a caminhar.

Para aqueles que viajam o tempo não existe – apenas o espaço.

Desde épocas remotas os seres humanos tinham um ritual onde fingiam ser outras pessoas, e desta maneira procuravam a comunicação com o sagrado.

Quando vc dança, sente desejo? Sente que está provocando uma energia maior? Quando vc dança, existem momentos em que deixa de ser você?
(...) parecia entrar mais em contato comigo, o fato de estar seduzindo ou não alguém deixava de fazer muita diferença.
Se o teatro é um ritual, a dança também. Além disso, é uma maneira ancestral de aproximar-se do parceiro. Como se os fios que nos conectam com o resto do mundo ficassem limpos do preconceito e dos medos. Quando vc dança, pode se dar ao luxo de ser você.

Nos conhecemos quando nos vemos no olhar dos outros.

Procurei, eu mesma, os galhos maiores, e os coloquei por cima dos gravetos; era assim a vida. Para que pegassem fogo, os gravetos deviam antes ser consumidos. Para que pudéssemos liberar a energia do forte, é preciso que o fraco tenha possibilidade de se manifestar.

Para sempre ser lembrado !


Enjôo da Folha de São Paulo com as manifestações dos seus leitores em relação à doença de Lula - sobre a coluna de Gilberto Dimenstein

Publicado na Folha de São Paulo este texto revela o comportamento de certas pessoas na internet. Profunda aversão ao contraditório e inimigos violentos dos oponentes políticos. O Gilberto faz parte do corpo Editorial da Folha de São Paulo e se mostra envergonhado com o fato vivenciado por ele em face das manifestações dos leitores de sua coluna com relação à doença de Lula. O que ele não considera e talvez não passe em sua consideração é que a Folha de São Paulo contribua na raiz deste ódio. O modo como caiu o nível até de comentaristas bem estruturados na grande imprensa certamente está na pedagogia desta raiva toda. Isso sem falar num verdadeiro ódio que emana em blogs de revistas como a Veja e outros. A vinculação entre os internautas virulentos e desumanos e a grande imprensa é tamanha que uma comentarista da Rádio CBN, chamada Lúcia Hipólito, torceu o assunto para tirar vantagens políticas além de querer aplicar em Lula uma teoria geral sobre câncer da laringe. Por isso o enjôo do Gilberto até causa dúvida em nossos frágeis espíritos: será que na verdade ele não estaria comemorando “uma enxurrada de ataques desrespeitosos” para demonstrar que o Lula não recebe solidariedade nem no câncer como disse o Lara Resende sobre a solidariedade mineira? Até o título da nota é estranho, pois ele não poderia se envergonhar do câncer de Lula, mas da manifestação dos seus leitoras a respeito do câncer de Lua. Mas isso pode se inserir na paranóia deste que vos escreve.

O câncer de Lula me envergonhou

Gilberto Dimenstein

DE SÃO PAULO

Senti um misto de vergonha e enjoo ao receber centenas de comentários de leitores para a minha coluna sobre o câncer de Lula. Fossem apenas algumas dezenas, não me daria o trabalho de comentar. O fato é que foi uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano. Pode sinalizar algo mais profundo.

Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?

Lula teve muitos problemas --e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção. Mas não foi um ditador, manteve as regras democráticas e a economia crescendo, investiu como nunca no social.

No caso de seu câncer, tratou a doença com extrema transparência e altivez. É um caso, portanto, em que todos deveriam se sentir incomodados com a tragédia alheia.

Minha suspeita é que a interatividade democrática da internet é, de um lado um avanço do jornalismo e, de outro, uma porta direta com o esgoto de ressentimento e da ignorância.

Isso significa quem um dos nossos papéis como jornalistas é educar os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência.