por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 14 de abril de 2011

Zuzu Angel


Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, (Curvelo, 5 de junho de 1923 — Rio de Janeiro, 14 de abril de 1976) foi uma estilista brasileira, mãe do militante político Stuart Angel Jones e da jornalista Hildegard Angel.

Carta de Stuart para sua Mãe

"Mãe, você me pergunta se eu acredito em Deus.

Eu te pergunto: Que Deus? Tem sido minha missão te mostrar Deus no Homem, pois, somente no homem ele pode existir. Não há homem pobre ou insignificante que pareça ser, que não tenha uma missão.

Todo homem por si só influencia a natureza do seu futuro. Através de nossas vidas nós criamos ações que resultam na multiplicação de reações. Esse poder que todos nós possuímos, esse poder de mudar o curso da história, é o poder de Deus. Confrontado com essa responsabilidade divina, eu me curvo diante do Deus dentro de mim." Stuart Edgard Angel Jones".

Victor Assis Brasil



Victor Assis Brasil (Rio de Janeiro, 28 de agosto de 1945 — Rio de Janeiro, 14 de abril de 1981), foi um saxofonista brasileiro e um dos mais aclamados instrumentistas do jazz nacional

Sociologia Familiar - Ulisses Germano


A
função social 
dos avós
é
"estragar"
os netos!

Ulicis
14abril11

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Don't let it die - Por José do Vale Pinheiro Feitosa







Teve um tempo que a vida era tão suprida por esta cidade que uma simples canção popular como “sentado à beira do caminho” me dava uma solidão de abandonado como se nunca mais houvesse uma porta de casa para retornar.

Algum tempo passado, já noutra cidade, minha companheira da vida atendeu uma avó e sua neta que iria vacinar-se. Cumpria o calendário infantil obrigatório. Ao anotar o nome da criança, a atenção dela voltou-se para avó: se ao invés de atendê-la fosse meu marido ele estaria aqui feliz da vida. A avó iluminou-se desde sua linda cabeleira até o mais distante de seu ser. Queria saber quem era aquele fã, de onde viera, como vivia. Ao contar-me, o sucedido lembrei-me da música “beijinho doce” na voz da célebre atriz da chanchada Eliane em dupla com aquela avó no acordeom: Adelaide Chiozzo.

Os americanos deram sucesso a cantores de vozes suaves, que interpretavam músicas românticas como um violoncelo. Entre eles Perry Como, em dupla com Chet Atkins, cantando “and i love you so”. Os brasileiros tiveram muitos iguais, a lembrar um cantor que brincou e não gravou tanta coisa romântica, mas surpreendia com aquelas canções de chacota com uma voz tão suave, feito “joão bobo”, “farinhada” na voz de Ivon Cury. Tempos depois, ali na Rua Constante Ramos, onde morávamos em Copacabana, sempre o encontrava na porta de sua casa noturna: Sambão e Sinhá. Ele nos cumprimentava com um sorriso tão amplo e simpático que lembrava o antigo presidente do Brasil: JK.

Igual pareceu-me a noite passada que jamais ouviria composições novas com o mesmo conteúdo daquelas canções. São outros tempos, os artistas já não têm importância, agora tudo é um produto de mercado como Lady Gaga, completo por uma empresa produtora, em que o papel principal, quando existe, apenas é uma peça.

“I am so hurt” tão puxado nos fluxos de ar das cordas vocais que a voz aguda de mulher se debulha em grãos de tons graves e um tanto roucos, como se existissem apenas para seduzir os homens. Timi Yuro com este nome oriental e uma voz de cantora de jazz negra.

Igual a voz rascada, quase debochada, não sei se era ou apenas o era por que assim existia, de Hurricane Smith. Este nome de cowboy que nasceu nos idos da década de vinte do século passado e evaporou-se do mundo por volta de 2008. E foi no remoto ano de 1971, quando a consciência ecológica explodiu igual ao feminismo e ao comportamento sexual livre que ele gravou esta canção: “D´ont let it die”.

Ao lado da montanha,
A flor a crescer.

À margem do rio,
Onde a água flui para sempre.

O mistério da vida na floresta
A longa e graciosa história da vida na terra.

Não deixe isso morrer.
Não deixe isso morrer.

A liberdade do tigre,
Do canguru,

Depende de mim,
E depende de você.

O que vemos é o que escolhemos,
O que mantemos ou perdemos para sempre

O mundo é nosso para chorar por ele
Mas, e se é tarde demais para recomeçar?

Não deixe isso morrer
Não deixe isso morrer

Ou dia adeus, amém.
Ou dia adeus no fim.


 por José do Vale Pinheiro Feitosa

Fotos de Nívia Uchôa


O LAGAR DO MEU AVÔ- Por Barbosa Tavares





Lá estão. Os resquícios do que fora outrora um lagar. A dorna desmantelada, arcos enferrujados num canto distendidos, a trave de carvalho encastoada na parede de granito e a enorme pedra ovular que fazia gemer o bagaço , espremendo-lhe todas as gotículas do néctar de Baco.

As teias de aranha enoveladas nas frinchas das telhas, as traves enegrecidas e carcomidas, testemunhavam, inequívocas, a voracidade aniquilante dos anos transcorridos sobre duas gerações.

O tempo na sua desolação , tragou parte do legado vinícola dos avoengos. O lagar onde noutros tempos se celebrara o contentamento do mosto a fermentar, a coroação da vindi- ma, a alegria de haver vinho novo, revejo-o na constatação inequívoca da decrepitude impediosamente lavrada nos utensílios do lagar—as telhas partidas, as traves carcomidas, os novelos urdidos pelas teias de aranha, reacendem a efemeridade de nossos dias.

Revisito os homens de pés espalmados e pedregosos, as luzidias uvas negras esmagadas num estalido seco, o movimento cadenciado das pernas--músculos retesados--as calças arregaçadas ate à virilha.

Finda a tarefa, o vermelho-sangue do mosto, escorrido pelas pernas , as graínhas e pele das uvas, empastavam-se na cabeladura das pernas e, os pisadores assemelhavam-se a lutadores acabados de sair da mais sangrenta peleja.

Na parede de granito havia uma candeia mortiça, assente sobre um pedaço de chapa encastoada numa frincha, pela qual trepava um caprichoso fio de fumo que se impregnava nos refegos da pedra e sugeria a ideia de arte espontânea.

Naquela penumbra, com a noite serenada de estrelas e sinfonia dos grilos, ressoava a alegria dos pisa-uvas, enquanto contavam historietas, com gracejos e a alegria rufava com a sonoridade de estrepitosas gargalhadas.

No final, aguardava-os um bacia de esmalte, esboicelada, o sabonete da veia azul-- era assim que minha avó lhe chamava-- um jarra e a mais macia das toalhas, para enxugar pés doridos de tanto esmagar uvas e seus cadraços

Para cumular de glória campestre aquela azáfama vinícola, celebrava-se uma fraterna bacalhoada, tragada à luz da candeia, com uma travessa comum e a malga escorria fios de vinho pelos bordos a circular de boca em boca, que se limpava com as costas das mãos rugosas em terra talhadas.

Na lareira, estralejavam resinosos ramos de pinheiro e casca de eucalipto.O meu avô arrancava um minúsculo graveto de lume e atiçava o pavio duma centenária candeia negra que nem tição , que tresandava petróleo e, seria hoje, uma honrosa relíquia de museu.

Desciamos umas escadas de pedra, toscas , pré-históricas. Com uma mão em forma de concha sobre a candeia , eu apaziguava as sopradelas do vento que faziam da chama um bailado.

O meu avó, trôpego de lentidão , eu , com a malga encochada nas mãos , seguia-lhe os passos. Com uma sovela, desventrava um pedação de estopa do ventre de uma ancestral e bojuda pipa, e o vinho jorrava em arco , cachoando na malga.

Ainda ouço as invectivas de meu avô:" rapazinho, essa luz pra riba, alumia mais pra baixo, pró outro lado, assim". Eu, perante aquelas barbas grisalhas de patriaca, limitava-me respeitosamente a obedecer e sustia, como convinha ,a minha infantil crispação a remoer-me em silêncio vertido no interior da alma: "o diabo do velho é mesmo chatarrâo"

Entravamos na loja, que é para as bandas da serra o local de arrecadação do vinho e da salgadeira. Assomava as narinas a frescura húmida do térreo chão, o bafio da salmoura , o aroma das cebolas em madeixas pendentes de toscas e denegridas traves de carvalho e as incontáveis teias de aranha que repousavam em novelos suspensos, na quietude ba-fienta daquele penumbroso frescor.

Havia uma bexiga de porco defumada, amarelecida, torrada pelo tempo, pendente duma trave. Nunca soubera da sua utilidade, enquanto criança. Há tempos dei comigo ensarilhado a cogitar, afinal, para que serviria a tal bexiga? Num relance, imaginei que seria para esquentar a água com que se apaziguavam as dores de ventre e outras mazelas da vida aldeão arredada do convívio dos alópatas.

Que não restem dúvidas, tudo se esvanece no tempo, até alguns nacos das miticas recordações da infância, que julgavamos imorredoiros, fenecem nas olvidáveis teias , urdidas, na descompaixão do tempo inclemente.

E logo, me assomou à mente, aquela tirada, arguta e cruel do filósofo ,lida não sei quando e onde, de um rigor imperecível: "poderás perdoar tudo o que quiseres, mas o tempo não perdoa a ninguém"



Brampton, Ont. Canada

Novembro de 1998



DIANA, A VERDADE DO MITO- Barbosa Tavares





Não foi simplesmente a morte de uma princesa. Diana, aquela rapariguinha tímida, de olhos enrramados em ternura, adulada pela imprensa que humanizara a coroa com um sorriso cativante e coração aberto para os padecimentos do mundo , descerrando portões de esperança num mundo crivado de indiferença pelos dramas alheios.

Mais rebelde e obstinada que a sua imagem sugeria, não seria apenas a menina inconformada com a rigidez dos preceitos reais—que culminara no divórcio—mas conquistaria os corações sobretudo, pela graciosidade e afecto com que quebrou a frieza altaneira da monarquia, relegando-a para um plano subalterno.

Deixou-se tocar e tocou mãos deformadas, destituídas de esperança, concedendo rosto humano ao mito da princesa encantada em actos da mais profunda ternura. Personificou a beleza do espirito na ternura da sua compaixão pelos dramas de gente com rosto.

Esta magia, firmou-lhe desde já, um lugar no panteão da imortalidade. Tal como afirmaria um jornalista inglês, num rasgo visionário: " a vida além-túmulo da princesa, ja comecou".

Soube beneficiar da imprensa para os seus propósitos humanitários e viria a ser vitimada pela mesma na versão mais cruenta que esta pode apresentar: a implacável perseguição de obstinados "paparazzi", sedentos de captar os notáveis e famosos em actos--puramente comezinhos--para o vulgaríssimo cidadão.

Tal como pretendia, tornou-se a "princesa dos corações", por gestos e palavras ao serviço de missões devotamente filantrópicas.

A sua personalidade cristalizou-se no apogeu da sua beleza física e espiritual, razão porque já figura na galeria dos mitos que ainda perduramn e perdurarão: John Kennedy, Jack Onassis e irmã Teresa—outra gigante da compaixão humana sucumbida.

Pese a quem afirme que a sua filantropia se deveu, parcialmente a uma espécie de combate com o príncipe Carlos na disputa de projecção política—após o seu destronar palaciano—não deixa de impressionar que uma princesa cumprimente um leproso, uma vítima da Sida ou abrace uma criança desventurada com a maior e genuína candura deste mundo.

Sabe-se agora que houve casos, não revelados em que Diana se preocupou em realojar destituídos de abrigo e manteve contactos com pais de crianças vitimadas por implacáveis doenças.

Certamente terá cometido erros amorosos. Por exemplo: deixar-se conduzir para o matrimónio real por um príncipe cuja capacidade emocional era visivelmente limitada e seguramente comprometida com outro (a) alguém.

Admitira com impressionante candura que caira em relação adúltera. Se o acto não é de louvar, louve-se-lhe a coragem. O mundo perdoa-lhe. Para um coração magnâmino, haverá sempre condescêndia. Deixou-se enredar em nova paixao, mas a felicidade amorosa, estava-lhe vedada.

Por isso Diana, sonhadora do amor que não desfrutou e desvelada arquitecta da justiça humana, dispõe de toda a Eternidade para ser amada.

Brampton, Ont,Canada

Setembro de 1997



Horas Rubras





Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas...

Oiço olaias em flor às gargalhadas...
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p'las estradas...

Os meus lábios são brancos como lagos...
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras...

Sou chama e neve e branca e mist'riosa...
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"


BEIJO NA BOCA Martha Medeiros



Uma vez a atriz e cineasta Carla Camuratti declarou, numa entrevista, que um bom beijo é melhor do que uma transa insossa. Quando a escutei dizendo isso, pensei: "então não sou só eu". Estou com Carla: o beijo é a parte mais importante da relação física entre duas pessoas, e se ele não funcionar, pode desistir do resto.

A Editora Mandarim lançou um livro que reúne ensaios de diversos intelectuais a respeito do assunto. O nome do livro é O Beijo - Primeiras Lições de Amor, História, Arte e Erotismo. Os autores discutem o beijo materno, o beijo nos contos-de-fadas, o beijo traiçoeiro de Judas, os primeiros beijos impressos em cartazes, o beijo na propaganda, o mais longo beijo do cinema e todas as suas simbologias. Às vezes o livro fica prolixo demais, mas ainda assim é um assunto tentador. Procure-o nas melhores casas do ramo. O livro, porque beijo não está à venda.

Todo mundo sonha com aquele beijo made in Hollywood, que tira o fôlego e dá início a um romance incandescente. Pena que nem sempre isso aconteça na vida real. O primeiro beijo entre um casal costuma ser suave, investigativo, decente. Aos pouquinhos, no entanto, acende-se a labareda e as bocas dizem a que vieram. Existe um prazo para isso acontecer: entre cinco minutos depois do primeiro roçar de lábios até, no máximo, cinco dias. Neste espaço de tempo, ainda compreende-se que os beijos sejam vacilantes: tratam-se de duas pessoas criando um vínculo e testando suas reações. Mas se a decência persistir, não espere ver estrelinhas na etapa seguinte. A química não aconteceu.

Beijo é maravilhoso porque você interage com o corpo do outro sem deixar vestígios, é um mergulho no escuro, uma viagem sem volta. Beijo é uma maneira de compartilhar intimidades, de sentir o sabor de quem se gosta, de dizer mil coisas em silêncio. Beijo é gostoso porque não cansa, não engravida, não transmite o HIV. Beijo é prático porque não precisa tirar a roupa, não precisa sair da festa, não precisa ligar no dia seguinte. E sem essa de que beijo é insalubre porque troca-se até 9 miligramas de água, 0,7 grama de albumia, 0,18 de substâncias orgânicas, 0,711 miligrama de matérias gordurosas e 0,45 miligrama de sais, sem contar os vírus e as bactérias. Quem está preocupado com isso? Insalubre é não amar.

UM NOVO VERSO- Por Rosa Guerrera



APAGUEI MAIS UMA PAISAGEM DA MINHA JANELA DE VIDA ( NEM SEI QUANTAS JÁ APAGUEI ) .

MINHAS PEGADAS VÃO FICANDO PERDIDAS NUM TEMPO QUE SE FOI...

ENQUANTO AS VERDADES ABERTAS TEIMAM EM ME FAZER CONTINUAR .


A ALEGRIA DO POETA FOI E SERÁ SEMPRE A ESPUMA DE UMA DOCE BEBIDA QUE DEIXA NO FIM UM SABOR DIFERENTE NA BOCA.


ENXUGO A LÁGRIMA E DIVISO NOVA PAISAGEM NO VASTO HORIZONTE ...

PRECISO IR EM FRENTE ...SEGUIR!

ESQUECER TALVEZ DE LEMBRAR, OU ATÉ LEMBRAR VEZ EM QUANDO O QUE DEVE SER ESQUECIDO...

NÃO IMPORTA!

UM SORRISO PARA O QUE SE FOI... E UM SORRISO PARA O QUE VIER.

NASCE ASSIM UM NOVO VERSO...
por rosa guerrera

Eu, Modo de Usar:- Por Martha medeiros



Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.

Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar!

Rosa Passos






Rosa Maria Farias Passos (Salvador, 13 de abril de 1952), mais conhecida como Rosa Passos, é uma cantora, violonista e compositora brasileira.


BEM TE VI - Teresa Barreto de Melo Peretti


Bem-te-vi.
Bem-te-vi, pássaro do meu bem querer.
Bem quem te vê.
Bem que te quero
povoando o jardim do meu Recanto,
regando os arvoredos de alegria,
bebendo do orvalho e do perfume da natureza,
adoçando a vida com o mel das flores.
De papo amarelo, bico longo e forte, agudo é o teu canto.
Bem- te- vi, bem - te- vi, o teu canto soa o teu nome.
O teu cantar embala os meus sonhos.
O teu cantar me traz felicidade e recordações de tempos de outrora,
onde esse cantar soava em outros jardins; no jardim da minha infância.
A saltitar entre as árvores do meu jardim,
um canto escolheste para construir o teu refúgio. Sabiamente, entre as folhagens secas e pequenos cipós, arquitetaste o teu ninho, para, comodamente, abrigar a sua cria.
Atento, acalenta e alimenta os seus filhotes, protegendo-os dos predadores, até o momento de libertá-los para o mundo.
E, assim, a tua vida continua. Voando, suavemente, entre campos e campinas, entrando e saindo dos quintais e jardins, sem pedir licença, tão grande é a tua liberdade.
No meu Recanto, fico a imaginar quantas belezas tu avistas
e o quanto tu encantas o meu coração.
Na leveza de tuas asas, sentimentos de paz.
Voa, voa, bem-te-vi.
Voa na velocidade dos meus pensamentos.
Com os teus vôos rasantes, povoas outros jardins, levando a tua pureza e o teu encantamento,
mas, não esqueças que o jardim do Recanto do meu peito é o canto do teu cantar.
Bem-te-vi , pássaro do meu querer.
Fica feliz quem bem te vê, oh, pássaro feliz!

Maria Teresa Barreto de M. Peretti – (Tetê)

Um filme, uma música


Um filme, uma música


Um filme, uma música



Chico Anísio - Por Norma Hauer


ELE TAMBÉM É COMPOSITOR
Ele nasceu em Maranguape, no dia 12 de abril de 1931, recebendo o nome de Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho, mas ficou conhecido com o nome que o revelou para a arte: CHICO ANÍSIO.
É humorista, ator, escritor, compositor e pintor brasileiro, notório por seus inúmeros programas humorísticos na Rede Globo, onde possui contrato até 2012.
Ao lado de Chacrinha, Chico é considerado um dos maiores nomes de todos os tempos da televisão brasileira.
Sua família veio para o Rio de Janeiro quando ele tinha seis anos de idade. Iniciou no rádio, na Rádio Guanabara, onde exerceu várias funções: radioator, comentarista de futebol, etc.
Participou do programa Papel carbono de Renato Murce. Trabalhou, na década de 1950, nas rádios "Mayrink Veiga", "Clube de Pernambuco e Clube do Brasil.
Nas chanchadas da década de 50, Chico passou a escrever diálogos e, eventualmente, atuava como ator em filmes da Atlântida Cinematográfica.
Na televisão, sua estréia foi na TV Rio no programa “ Noite de Gala”
. Em 1959, estreou o programa Só Tem Tantã, lançado por Joaquim Silvério de Castro Barbosa, ou simplesmente Castro Barbosa, mais tarde denominado de Chico Total.
Uma de suas primeiras composições foi o “Hino ao Músico”, gravado por Chocolate, que imediatamente obteve grande sucesso.
Em 1965 no ano do 4° centenário do Rio de janeiro,uma música sua, em parceria com João Roberto Kelly fez grande sucesso na voz de Dalva de Oliveira:”O Rancho da Praça 1 1”.
Desde 1968, `tem contrato com a Rede Globo, onde conseguiu o status de estrela num "cast" que contava com os artistas mais famosos do Brasil; e graças também a relação de mútua admiração e respeito que estabeleceu com o executivo Boni.
Após a saída de Boni da Globo nos anos 90, Chico perdeu paulatinamente espaço na programação, situação agravada em 1996 por um acidente em que fraturou a mandíbula.

É irmão da também atriz Lupe Gigliotti, com quem já contracenou em vários trabalhos na televisão; do cineasta Zelito Viana; e do industrial, compositor e ex-produtor de rádio Elano de Paula. Também é tio do ator Marcos Palmeira
Alguns de seus filhos também são artistas.
Citar tudo que Chico Anísio fez na TV é estender demais este assunto, assim, cito apenas Chico City, seu primeiro trabalho na Rede Globo; Chico Anysio Show; “Escolinha do Professor Raymundo”; Chico e Amigos e Zorra Tiotal.
Chico também participou de várias novelas, sendo seu mais recente trabalho na novela “Caminho das Índias”.
Para terminar quero colocar aqui a letra daquela que é para mim sua mais bonita composição:” Rio Antigo”, gravação de Alcione

RIO ANTIGO
Quero um bate-papo na esquina
Eu quero o Rio antigo
Com crianças na calçada
Brincando sem perigo
Sem metrô e sem frescão
O ontem no amanhã
Eu que pego o bonde 12 de Ipanema
Pra ver o Oscarito e o Grande Otelo no cinema
Domingo no Rian
Me deixa eu querer mais, mais paz

Quero um pregão de garrafeiro
Zizinho no gramado
Eu quero um samba sincopado
taioba, bagageiro
E o desafinado que o Jobim sacou

Quero o programa de calouros
Com Ary Barroso
O Lamartine me ensinando
Um lá, lá, lá, lá, lá, gostoso
Quero o Café Nice
De onde o samba vem

Quero a Cinelândia estreando "E o Vento Levou"
Um velho samba do Ataulfo
Que ninguém jamais gravou
PRK 30 que valia 100
Como nos velhos tempos

Quero o carnaval com serpentinas
Eu quero a Copa Roca de Brasil e Argentina
Os Anjos do Inferno, 4 Ases e Um Coringa
Eu quero, eu quero porque é bom
É que pego no meu rádio uma novela
Depois eu vou à Lapa, faço um lanche no Capela
Mais tarde eu e ela, nos lados do Hotel Leblon

Quero um som de fossa da Dolores
Uma valsa do Orestes,zum-zum-zum dos Cafajestes
Um bife lá no Lamas

Cidade sem Aterro, como Deus criou
Quero o chá dançante lá no clube
Com Waldir Calmon
Trio de Ouro com a Dalva
Estrela Dalva do Brasil

Quero o Sérgio Porto
E o seu bom humor
Eu quero ver o show do Walter Pinto
Com mulheres mil
O Rio aceso em lampiões
E violões que quem não viu
Não pode entender
O que é paz e amor

Chico esteve recentemente muito doente, ficando vários dias na UTI, ligado a inúmeros aparelhos para sobreviver, mas está de volta a sua residência e, brevemente, a seu trabalho.
Completa hoje 80 anos.

Norma

A nossa identidade antropológica - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Os historiadores não são isentos de sua própria história. Nem o matemático ou o físico. E a própria história além de eventos vividos é também a narrativa (explicativa) das gerações que antecederam tais eventos. Por tal, como exemplo, o cearense acha que é um unidade narrativa, com seus mitos fundadores (mesmo que literário em Iracema) e toda a “odisséia” até os dias atuais. Todos acham assim?

Os Estados Nacionais, que se formaram de fragmentos díspares e contraditórios num passado não tão remoto assim têm a sua narrativa feita por mitos fundadores e pensam sua formação como uma unidade étnica e de origem comum. Isso já foi derrubado há muito tempo, mesmo um país que exagerou no tema como a Alemanha ariana, se descobre tão fluido em sua origem quase que igual a estes das Américas com etnias de todos os continentes.

Estamos o tempo todo tentando descobrir uma “identidade” como povo e a cada vez caímos no denominador comum da humanidade. Isso não foi sempre assim, uma religião poderia criar um senso de identidade, um território também, ou uma atividade produtiva ou cultural, mas tudo foi se transformando numa unidade planetária, ainda inconclusa, mas cada vez mais evidente nas comunicações e nas percepções de produtos e até mesmo do meio físico como o clima.

Esta questão da dissolução do antigo modo de enxergar fratias, procurar a ordem monárquica, o eixo divino, a linearidade da formação dos povos pode bem ser vista na análise do povo Judeu. Façamos um esforço de analisá-lo na perspectiva sionista que é a visão que melhor identifica a sua linearidade bíblica e que se manteve intacta por mais de dois mil anos. Qual a visão histórica dos judeus sob o ponto de vista do sionismo?

Segundo esta visão o povo judeu existe desde a entrega da Torá no monte Sinai e hoje são os descendentes diretos e exclusivos. Saíram do Egito com Moisés para a Terra Prometida, edificaram o reino de Davi e Salomão, que originou a Judéia e Israel. O judeu manteve-se o mesmo apesar dos dois exílios que experimentaram: depois da destruição do Primeiro Templo, no século VI a.C., e após o fim do Segundo Templo, em 70 d.C. Esta última diáspora durou 2 mil anos e eles se dispersaram pelo Iêmen, Marrocos, Espanha, Alemanha, Polônia e ao mais remoto da Rússia. No entanto eles preservaram os laços de sangue e mantiveram sua unicidade.

Enquanto isso a Palestina era a mesma Terra Prometida à espera do seu povo original. Ela pertencia aos judeus, e “não àquela minoria desprovida de história que chegou lá por acaso”. “Por isso, as guerras realizadas a partir de 1948 pelo povo errante para recuperar a posse de sua terra foram justas. A oposição da população local é que era criminosa”. (1)

Acontece que esta narrativa do povo judeu é um mito religioso, de uma religião que foi poderosa em muitos continentes antes mesmo do cristianismo ou do islamismo. Religiões que tinha a linearidade étnica como formulação divina, mas não como prática biológica, antropológica e até mesmo social. Como todas as religiões modernas tenderam para o denominador comum da humanidade, em muitos continentes, em muitos povos e muitas realidades sociais diferentes.

Os judeus modernos pertencem a origens sanguíneas diferentes, mesmo com práticas de consanguinidade em casamentos, seria impossível se manter a etnicidade semita em tão largo espaço do planeta e em tanto tempo. Os judeus da Europa central são europeus centrais, os ibéricos vieram com berberes e outros povos e assim por diante. Quando tentamos localizar as nossas origens familiares estamos falando de antepassados numa escala geométrica.

A verdade é que a humanidade que nos une cada vez mais será a nossa identidade, que continuará fluindo para outras formas de cultuar a identidade. Não sejamos infelizes por isso, mas ao contrário, muito mais ciente qual seja o nosso mundo.

(1) – trecho retirado do artigo “Como surgiu o povo Judeu” de Shlomo Sand, historiador da Universidade de Telavive.

De Nicodemos para Everardo Norões


Que café gostoso
que poema saboroso
sorvi as palavras
no calor da xícara
meu tetrabisavô
se arrepiou de saudade

salamaleikam! poeta!


terça-feira, 12 de abril de 2011

POEMAS DE ISOPOR: COISA COM COISA - por Ulisses Germano



UMA COISA É UMA COISA
OUTRA COISA é OUTRA coisa
PODE NÃO SER lá GRANDE COISA
NÃO DIZER COISA COM COISA
MAS QUANTO MAIS EU COiSIfico A COISA
MAIS EU fico COISIFICADO NA COISA EM SI
QUE COISA!

Ulisses Gemano
Crato, 12-4-11= 27 = 9



a palavra em teu verso
tem caligrafia própria:
ligação inevitável
entre a Timo e o cerebelo

belo!! belo!! belo!!

Simplesmente ótimo !!! Não sei quem escreveu, mas quem assina é o TREMA ...
É uma tremenda aula de criatividade e bom humor, por sinal, com acentuada inteligência. A consequência não poderia ser outra: uma agradável leitura...



Despedida do TREMA

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disseram que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica s e passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nós nos veremos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.

Adeus,
Trema.


ANIVERSÁRIO DO MESTRE DIMARANGE JOSÉ MORAES - O DIDI MORAES



Amigo José Moraes
Que hoje aniversaria
Sabe que o tempo é voraz
E vive da própria cria
Quem toca um instrumento
Faz do presente um evento
Parceiro da hamonia!

Ulisses Germano
 


Escritura amorosa - socorro moreira


-3 x 4 do coração
-3/4 do coração
-Restou ¼ vazio
Descompletado
da presença antiga.

-1/4 triste
Que aprendeu a ser sozinho.

-Ele me pedira um 3 x 4
-Achei mínimo,
(entreguei-lhe 4 quartos)
Para revezar na eternidade
Sonhos incomuns.







O mais triste na meia idade
É perder a faculdade do encanto

Dizem que o coração não envelhece
Digo que ele se cansa

Escolhas imediatas
Preferem a solidão
Perdemos a curiosidade
de viver um novo amor

Os encantos antigos
No tempo cristalizado
Começam a ficar derretidos ...
-Escorrem no vão do infinito.


Simone de Beauvoir




Simone de Beauvoir (9 de janeiro de 1908 - 14 de abril de 1986), filósofa, ensaísta e escritora francesa.




A morte parece menos terrível quando se está cansado.
Simone de Beauvoir

O homem é livre; mas ele encontra a lei na sua própria liberdade.
Simone de Beauvoir

Eu passava muito bem sem Deus e, se utilizava o seu nome, era para designar um vazio que tinha, a meus olhos, o clarão da plenitude.
Simone de Beauvoir


Por vezes a palavra representa um modo mais acertado de se calar do que o silêncio.
Simone de Beauvoir


O escritor original, enquanto não está morto, é sempre escandaloso.
Simone de Beauvoir


Não se pode escrever nada com indiferença.
Simone de Beauvoir

O homem sério é perigoso, pode transformar-se em tirano.
Simone de Beauvoir


Todas as vitórias ocultam uma abdicação.
Simone de Beauvoir

Viver é envelhecer, nada mais.
Simone de Beauvoir

O compromisso multiplica por dois as obrigações familiares e todos os compromissos sociais.
Simone de Beauvoir

Em todas as lágrimas há uma esperança.
Simone de Beauvoir

AMANHÃ




PATATIVA DO ASSARÉ
ANTÔNIO GONÇALVES DA SILVA
ASSARÉ-CE = 1909-2002


Amanhã, ilusão doce e fagueira,
Linda rosa molhada pelo orvalho:
Amanhã, findarei o meu trabalho,
Amanhã, muito cedo, irei à feira.

Desta forma, na vida passageira,
Como aquele que vive do baralho,
Um espera a melhora no agasalho
E outro, a cura feliz de uma cegueira.

Com o belo amanhã que ilude a gente,
Cada qual anda alegre e sorridente,
Como quem vai atrás de um talismã.

Com o peito repleto de esperança,
Porém, nunca nós temos a lembrança
De que a morte também chega amanhã.

A cultura dos atentados - Emerson Monteiro

Qualquer órgão da mídia que pretenda sobreviver à velocidade dos trens velozes desta fase contemporânea há que divulgar, com ênfase, os desmandos e práticas perversas dos grupos terroristas espalhados pelo mundo, noutras praças, noutras regiões. Sensacionalismo corre solto e alimenta faixa extensa de telespectadores e leitores. Alguém que observe notará, todo dia, nos cantos perdidos de jornais presos nas bancas, as notícias iguais, agora pequenas, de onze, quinze, vinte, vinte e dois civis assassinados sem julgamento, com explosão de bombas em países de que nem ouvira falar até então. Além de toda previsão, talvez nas mesmas proporções em que a raça cresce, tristes grupos exercitam a tara de eliminar vidas, qual disseminando o terror para reduzir a fome, na visão doentia dos autores, falsos moralistas e dementes vingativos de todo gênero.
Disso conclusão pode tirar, na mania de racionalizar a que pessoas se acostumaram em frente das telas acesas. Quer participar dos destemperos e das indigestões cotidianas. Participar de qualquer modo. Participar, nem que pronunciando palavras de efeito retardado, tipo: - Horrível isto; ah, meu Deus, quanta barbárie; monstro à solta; vamos rezar; fazer um minuto de silêncio às vítimas; etc.
Espécie de passividade crônica invade a consciência e prende as atenções, num bloco frágil de dores e traumas, distância e impotência. Detrás disso, lá estão os velhos códigos da continuidade. Tanger adiante o rebanho, produzir para viver, ouvir e esquecer.
Os efeitos do comportamento nos quadrantes da grande humanidade geraram, pois, espécie de monstro coletivo nunca previsto nos manuais políticos. O poderoso mercado econômico, contudo, sobreviverá e retrabalha, grosso modo, seus materiais recolhidos nas fezes da besta sagrada que domina os esquadrões da morte e funcionam às escondidas, nas horas caladas dos aparelhos administrativos. O menor existiria em função do maior, o que virou a lei de prosseguimento da história, sem mais questionamentos. O indivíduo anônimo e o grande Estado que busquem conciliar seus interesses nos poucos lugares ao sol de prolongar a vida na face do Planeta através das conferências ecológicas.
Nessas trágicas e dolorosas explosões do inesperado, nos endereços lotéricos das ocasiões, seguem os elementos da discórdia e da concórdia, agarrados entre si, no romance do sadomasoquismo, vistas motivações das forças maiores. Por isso, nada de a quem reclamar pela sorte desses tempos cinzentos. Baixar a cabeça e supor que o vexame das notícias amargas diz respeito aos outros somente, noutros filmes afastados, montados em painéis estranhos, à margem das rodovias marcianas, longe das tintas fortes dos monitores a invadir as casas de porta com o sangue limpo do cordeiro pascal.

" Zé Nilton estou feliz
Ao ler seus versos rimados
É tão gostoso saber
Que o Maestro é lembrado
Agradeço o seu carinho
Vou guardar o seu recado."

( Aurelia Benicio )




SIDERAL - por Stela Siebra

ASCENDENTE LIBRA:
Oriente-se pela balança!
Busque o equilíbrio.

Orientar-se pela Balança de Libra significa acionar a tônica do equilíbrio, que se traduz em sempre pesar e medir cada ação e decisão. É natural para você que tem Ascendente Libra agir sempre com ponderação e equilíbrio. Lembre que a opinião e a vontade dos outros vão ser sempre levadas em consideração. Portanto, diversas alternativas serão analisadas e julgadas, antes de você tomar suas decisões.

Os relacionamentos são muito importantes na sua vida. Quando está sozinho, você se sente desorientado. É essencial para você o agrupamento, as associações, as parcerias, em suma, estar "casado". É igualmente natural o senso de justiça. É bom, portanto, se perguntar nos momentos de desorientação: "estou agindo de forma justa nessa situação ou com essa pessoa?"
Você sempre vai achar que está agindo adequada e corretamente. Porém, analise a questão de maneira mais apurada. Pense mais. É certo que você sempre procura agir com imparcialidade. Todavia, no desejo de legitimar o que considera justo e direito, e na busca do equilíbrio, você pode algumas vezes ser crítico demais ou indefinido demais.

Recorra, então, à sinalização do signo oposto ao seu Ascendente, que é Áries - definido como de ação enérgica, rápida e auto-afirmativa. Você precisa desses princípios para complementar-se.

Uma outra orientação é mudar de estratégia ou, ainda, verificar se não é o momento de encontrar o verdadeiro equilíbrio. Preocupe-se primeiro com a sua harmonia interna. Busque-a, contate-a e deixe que ela flua em direção às outras pessoas e aos ambientes. Assim, a partir da sua harmonia, você poderá conviver melhor com as tensões e hostilidades do mundo externo.

Por fim, acenda a estrela do seu Ascendente Libra buscando reger-se pelo seu idealismo estético, já que você aprecia tanto o que é belo, agradável e harmonioso.



No mapa astrológico o Ascendente é considerado o impulso de orientação, porque é o signo que está subindo no horizonte oriental no momento do nascimento. Por isso é ele quem inicia o percurso do Mapa astrológico pelas 12 Casas. É a ponta da Casa I, a casa da nossa identidade, aquela que mostra nossa fachada, nosso temperamento e comportamento. Daí a importância do Ascendente, porque o princípio desse signo é quem vai dar o horizonte de nossa vida, simbolizando nossa forma de expressão imediata e espontânea. O Ascendente é como nos mostramos como somos vistos, como inauguramos a vida.

Navegar-Por Rosemary Borges Xavier

A internet é uma teia alimentar
Tudo nela tem
Tudo ela dar
Cabe a nós saber aproveitar
Sem depredar
Vamos gente compartilhar
Pois ela veio para ficar

Um filme, uma música...


Bolo Chiffon




Ingredientes

135 g de farinha de trigo
4 g de fermento químico
35 g de amido de milho
110 g de gemas
80 g de açúcar
100 g de óleo de canola
100 g de suco de limão
40 g de água
raspas finas de 1 limão
330 g de claras
2 g de sal
1 g de cremor tártaro
120 g de açúcar

Preaqueça o forno a 180ºC e separe uma forma de bolo Chiffon de 24 cm bem limpa. Peneire a farinha de trigo, o fermento, o amido e reserve. Bata na batedeira as gemas com os 80 g de açúcar, até ficar branco e leve. Acrescente o óleo, aos poucos, até homogeneizar bem (esse processo é similar ao de fazer maionese). Adicione então o suco de limão, a água, as raspas de limão e misture. A seguir, coloque os ingredientes secos peneirados (de uma vez só) e bata por 1 minuto, parando aos 30 segundos para raspar as laterais. Em outra tigela da batedeira, bata as claras com o sal e o cremor tártaro até que comecem a montar e, só então, acrescente o restante do açúcar, aos poucos. Quando os picos estiverem ligeiramente firmes, pare de bater e comece a incorporar as claras à mistura de gemas. Deposite a massa na forma e puxe um pouco da mistura para as paredes. Leve ao forno preaquecido por cerca de 50 minutos. Retire do forno, encaixe a peça na forma e vire de cabeça para baixo. (passo-a-passo para desenformar o bolo)
A Forma
A forma especial desenhada para o Angel Cake e para o Bolo Chiffon é algo bem diferente do que estamos acostumados a utilizar. Porém, tem várias funções especiais, sem as quais não é possível desenvolver essas receitas. Não podemos untar as formas. Elas devem estar muito limpas e isentas de qualquer traço de gordura porque ambas receitas se utilizam das paredes da forma para se estabilizarem no forno. A massa adere à parede da forma criando uma espécie de degrau para a massa, que vem logo atrás.

O segundo motivo importante para usarmos essa forma é devido ao resfriamento do bolo. Se vocês observarem a foto, verão que a forma tem três pezinhos na sua borda e um suporte alto. Eles estão lá, porque o bolo é "sempre" resfriado de cabeça para baixo. Se ficar na posição normal, o seu próprio peso vai fazer com que o volume final diminua consideravelmente. Desta forma, os bolos são virados ao saírem do forno e permanecem assim por pelo menos uma hora. Se a forma estivesse untada, o bolo se desprenderia e cairia. O fundo é solto para podermos desenformar com facilidade.

Mais Dicas:
- Usar ovos em temperatura ambiente para que se consiga o maior volume possível na batedeira.
- Ovos gelados resultarão em uma massa com menos volume, consequentemente mais baixa e pesada. No caso de claras, a tigela da batedeira deve estar isenta de qualquer vestígio de gemas e/ou gordura, pois os lipídios prejudicam o desenvolvimento da albumina, diminuindo consideravelmente o volume final na neve
- Bater as claras com um pouquinho de açúcar apenas e bater ate dar ponto de neve firme, que não caia na batedeira.
- Bater a farinha para desenvolver o glúten  e dar a estrutura do bolo.
- O amido, diferentemente da farinha, não contém glúten; por isso dá estrutura à massa, sem contudo deixá-la muito dura
- Espalhar a massa na forma e subir pelas paredes da forma e pelo buraco central com uma espátula para que a massa cresça bem.
- 1g de gelatina equivale a 4g de agua
- Os melhores cremes de leite tem 35% de gordura. Eles montam melhor e ficam mais firmes.
- O óleo de canola é ideal para bolos que são muito delicados. Qualquer outro deixaria um sabor residual desagradável.

Marshmallow 

• Ingredientes
• 1 xicara chá de água
• 10 colheres sopa de frutose
• 3 claras
• 5 gotas de essencia de baunilha
1. Ferva a água e a frutose até engrossar e formar uma calda amarelada
2. Bata as claras em neve e adicione lentamente a calda quente, batendo sempre
3. Junte a essência de baunilha e misture até encorporar.

Recheio(Baba de Moça)


* Ingredientes
* - meia xícara (chá) de açúcar
* - 1 colher (sopa) de manteiga
* - 6 gemas
* - 1 lata de Leite Moça
* - 1 vez a mesma medida de leite de coco
* - 1 pedaço de casca de limão



* Modo de Preparo

1. Misture o açúcar com 3 colheres (sopa) de água e leve ao fogo baixo, sem mexer,até formar uma calda em ponto de pasta
2. Junte a manteiga e retire do fogo
3. Passe as gemas por uma peneira e junte-as à calda
4. Acrescente o Leite Moça, o leite de coco e a casca de limão
5. Mexa bem e leve
6. novamente ao fogo baixo, sem parar de mexer, com uma colher de pau até obter consistência cremosa


* Morei em Bela Vista(MS). Tínhamos uma boleira , acionada em todas as festas e comemorações. Maísa fazia a receita do bolo chiffon, cobria com marsmallow, e decorava com nozes e cerejas. Recheava com baba de moça. Nunca  experimentei nada igual.  Vale a pena ter uma balança por perto. 

Receitas pesquisadas na Internet, e experimentadas.

Olhares e beijos- por socorro moreira

Foto de Daniela Moreira


Lembro alguns olhares
(uns que arrancavam a alma
e atiçavam beijos)
Lembro- me ,
desde o primeiro !

Escondidos de todos ...
(temiam testemunhas)
- Os maiores beijos !

Sinto falta do beijo
não trocado
nunca repetido
nem afiançado

Pele tatuada
de dentes e cheiros
Pele esgarçada
do calor de beijos.

Eram leves,
insistentes,
e quase
enchuvarados ...
Eram elos do amor
na veia do a(feto)

CAFÉ- Por Everardo Norões




Desencarno arábias
de uma xícara morna
de café.
E um fio negro
me assedia a boca.

(Através da janela
o galho de pitanga
ostenta seu adorno
encarnado).

Viajo
pelo negror do pó:
Dar-El-Salam,
Bombaim,
Áden
(sem Nizan, sem Rimbaud):
as colinas ocres,
a poeira dos dias.

De onde vem o grão
dessa saudade?

Desentranho arábias
dessa xícara fria.
Enquanto aguardo o dia
que não chega.

Desacordo e sorvo
a sombra morna
do que sou
na borra
do café.

Entre as raízes e o olho do pé de macaúba - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Foi uma tarde destas dos tempos sem medição quando nos encaramos. Pedro Belém e este que vos narra. Entre nossos olhares corria um vão maior que muitos séculos. Na aparência nossas idades não tinham mais de 50 anos de diferença, mas nossas almas se distanciavam de modo descomunal: entre as raízes e o olho de um pé de macaúba. Pode não parecer muito, mas tente vencer esta distância subindo pelo tronco da fera espinhosa.

Pedro Belém não tinha imagens para recordar-lhe o que a mente resguardara. Nem fotos ou desenhos. Os mortos do seu tempo passado apenas estavam vivos na sua memória. E ele tinha somente os significados e significantes do seu discurso para dizer-nos como eram e o que eram para ele.

Não havia uma música de fundo a determinar-lhe a saudade e nem uma nota lânguida que acendesse alguma centelha de um momento qualquer de sua vida acontecida. A música era recordada como festa, como evento, seja nos terreiros ou embaixo das latadas nas danças de volteio.

Por certo que nos olhos de Pedro Belém ressurgiam as imagens das paisagens que se reconheciam como algo de então, mas para isso havia uma distância para as pernas já ocupadas pelo trabalho diário. Quando coincidia, Pedro parava com seu olhar amoroso, cuidadoso daqueles momentos ali vividos e a paisagem, ou pé de bogari, ou a ribeira do rio se tornavam o momento eterno daquele homem da distância secular.

O gosto de Pedro bem lhe dizia do conforto do sabor conhecido. Daquela papa de Carimã das noites de inverno, quando se encostava no ombro da mãe para se aquecer em tudo que a proteção tem de calor para embainhar o corte do frio. Nunca mais, na sua solidão de solteirão, bebera uma gemada quente justamente quando a fraqueza do resfriado mais aberta deixava as portas das terminações a partir de onde mais nada havia.

Pedro Belém contava com bem pouco das lembranças dos sentidos para ditar-lhes os acontecidos que lhe dão espírito de povo. Só e quando a natureza espontâneamente ou por uma coincidência de suas obrigações lhes punha à mostra destes eventos sensitivos que tão bem ligam o presente e o passado. Em compensação, Pedro só contava com ele mesmo para dizer quem era, quem foi e pretendia ser.

Muito diferente do que é lá no olho da macaúba. Com seus momentos marcantes, um filme para lembrar aquele instante, um perfume artificial para despertar amores e lembranças sensoriais, uma música para despertar as lembranças de alguém, uma imagem em movimento para capturar uma síntese de pensamento. Pedro Belém e eu nos encaramos com um vão de séculos, não dos séculos um a um, cada cem anos que passou, mas uma espécie de aberração secular, que em pouco menos da metade deu um salto como se virasse a página inteira para outra era.

E os espinhos não me deixam descer até as raízes da macaúba.

Por José do Vale Pinheiro Feitosa

Nota de Ulisses Germano




A história da xilogravura do nordeste brasileiro passa por Walderedo Gonçalves. A memória curta e tacanha não consegue alcançar a grandeza da beleza de sua forma íntima de xilogravar. Repito para os desavisados: "A história da xilogravura Nordestina passa inevitavelmente por Walderedo Gonçalves". Não aceita? Pergunte para o Stênio de Diniz, ou mesmo para os xilogravuristas como Carlos Henrique ou Maecio! Eles são sabedores da escola formadora da xilo em nossa região: -Dê-me uma caixa de fósforo e alguns palitos, e eu abrirei as portas e os cofres do paraíso!


Ulisses Germano


DE REPENTE UMA LUZ

Transfiguração - Portinari - Igreja Matriz São Bom Jesus da Cana Verde - Batatais, SP



DE REPENTE UMA LUZ

Estou só no centro da cidade.
De repente uma luz me cega.
É dia nas casas dos homens.


COTA

Estendo a minha mão
à porta da casa dos homens.
Também quero minha cota
de pão e solidão.


ÀS VEZES NÃO ME BASTA A MORTE

Às vezes não me basta a morte.
Não me basta saber um pedaço de terra
definitivamente meu.

Às vezes não me basta o azul.
Estou de tal modo vivo
que o meu corpo não me contém.

Às vezes não me bastam os olhos.
Não me bastam os pulmões.
Não me basta um poema.

As palavras explodem no meu peito.
A terra explode nos meus olhos.
Sou apenas uma forma luminosa.


AMÉM

Sou filho da dor
e caminho orgulhoso
de meus irmãos.