por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sábado, 21 de março de 2015
sexta-feira, 20 de março de 2015
Marconi Perrilo dá rumos na política - José do Vale Pinheiro Feitosa
O movimento das ruas no domingo passado abriu uma agenda de confrontos que se desdobram dia-a-dia. A previsão é difícil e funciona como adivinhação, o mais preciso é observar como os desdobramentos acontecem. Como, por exemplo, o comportamento do Governador de Goiás, Marconi Perillo, num palanque ontem junto à Presidente Dilma. Marconi falou como um quadro do PSDB e é por ai que devemos entender. Sem nada a respeito, mas coincidentemente no mesmo dia em que vazou um vídeo do "Doleiro dos Políticos" a acusar Aécio Neves de receber dinheiro de "tenebrosas transações" em Furnas.
E o que diz Perillo: "É indispensável dizer que recebi muitos conselhos, Presidenta, para não estar aqui. Eu disse que se eu, em todos os momentos, jamais concordei com a intolerância e com as injustiças em relação à Presidente, se eu sempre a recebi aqui respeitosamente, não vou temer comparecer a algum evento em que, eventualmente, alguma claque pode me hostilizar. Venho aqui como governador legitimamente reeleito do Estado de Goiás para receber uma Presidente da República que foi legitimamente reeleita e que tem o meu apoio à sua governabilidade. O Brasil não pode ser vítima da intolerância, do desrespeito...ser vítima de minorias que não querem uma democracia onde o republicanismo possa prevalecer. Nunca ninguém ouviu aqui em Goiás uma palavra minha que não fosse de respeito e de reconhecimento ao trabalho de Vossa Excelência."
"Não me importo com minorias que muitas vezes atuam tão somente com o objetivo de desrespeitar as pessoas. Não à intolerância, pela democracia no Brasil, pelo republicanismo e pelas muitas parcerias que temos hoje e ainda haveremos de ter daqui pra frente."
A verdade é que crises como estas além de poderem descambar para a negação da democrai como efetivamente querem alguns, também abre a oportunidade para o exercício da política e neste momento surgem muitas lideranças que marcam rumos. Não é possível adivinhar, mas as evidências apontam que a prática política de Aécio Neves não tem futuro maior. Serra é infinitamente mais experto (falando de lideranças mais proeminentes).
"BICUDOS NÃO SE BEIJAM" - José Nilton Mariano Saraiva
Farinha do mesmo saco,
só que até então momentaneamente no exercício de um cargo superior no Poder
Executivo, o senhor Cid Gomes bem que tentou tergiversar, enrolar de alguma
forma, fugir do confronto, quando do seu depoimento aos “colegas-políticos” do
Poder Legislativo Federal (Câmara dos Deputados) no momento em que ali
compareceu a fim de explicar-se sobre a alcunha de “achacadores” que houvera
impingido à maioria deles (de 300 a 400 - indistintamente), dias antes.
Ex-parlamentar e tendo
ascendido à Governadoria do Estado do Ceará por obra e graça de acordos não tão
republicanos nos bastidores, ao longo do tempo o senhor Cid Gomes acostumou-se
a lidar com os “amestrados cordeirinhos” da Assembléia Legislativa do Ceará,
vergonhosamente pródigos em satisfazer seus caprichos e vontades (vide a nebulosa
questão da construção do tal Aquário e/ou a indicação da cunhada Patrícia Gomes
para o cargo vitalício de conselheira do Tribunal de Contas do Estado, sem que
tenha a mínima qualificação técnica); pois bem, mal acostumado imaginou que com o papo furado que lhe é
peculiar poderia sair incólume da refrega.
Assim, num primeiro
momento insistiu que o encontro que tivera com estudantes da Universidade do
Pará (onde se pronunciara sobre) se dera em ambiente fechado, que a gravação da
conversa por parte de alguém não autorizado nada valia e, portanto, ilegal seria,
que quem ali se pronunciara fora a “pessoa física” e não a figura institucional
do Ministro de Estado (quanta babaquice) e, enfim, que tinha o maior respeito
pelo Legislativo, porquanto um ex-integrante, a nível estadual.
De nada adiantou,
porém. Sabedores da sua recorrente instabilidade emocional quando sob pressão,
do seu pavio curto quando questionado duramente, da sua pouca paciência para o
debate (já que acostumado a mandar e desmandar), os mafiosos e desacreditados parlamentares
federais foram astuciosamente atraindo-o para a armadilha, paulatinamente
minando-o psicologicamente, até que deu-se a explosão.
Assim, e como “bicudos
não se beijam”, quando instado a nominar os “achacadores” e ato seguinte rotulado
contundentemente de “palhaço” por parte de um dos seus inquisidores, Cid Gomes,
ao invés de humilhar-se num pedido de desculpas (como sugerido pelos
deputados-bandidos), resolveu abruptamente abandonar o recinto, sem que antes
haja jogado sobre eles e principalmente sobre os ombros dos componentes da base
aliada do governo, a pecha de achacadores, porquanto desleais para com a
Presidenta da República, desde sempre.
Aqui, um parêntesis para esclarecimento:
a respeito dos políticos com assento no Congresso Nacional, em nossa última
postagem abordando a questão da Petrobras afirmamos peremptoriamente que... “dentre os diversos senadores e deputados a
serem investigados, os presidentes das duas casas legislativas – Senado e
Câmara Federal – encabeçam a lista, numa prova inconteste de que o principal
antro de safadezas, corrupção e falcatruas ali se encontra; particularmente,
entendemos que não são apenas 300 ou 400 picaretas; do total de 594
parlamentares (513 deputados e 81 senadores) com muito, mas muito esforço
poderíamos livrar a cara de 10% e olhe lá. Chega de hipocrisia. Há que se achar
uma reforma política que obste toda essa cafajestice”.
Portanto, apesar de nunca
termos sufragado os Ferreira Gomes e Jereissatis da vida, não temos nenhum
constrangimento em admitir que o senhor Cid Gomes conseguiu verbalizar – e num
ambiente superlativo e repleto de holofotes - tudo aquilo que boa parte da população brasileira pensa a respeito dos
políticos: não passam de pessoas sem escrúpulos, que legislam em causa própria.
Só que acrescentaríamos: inclusive os Ferreira Gomes.
E se alguém tem alguma dúvida
sobre a barafunda e desonestidade que caracteriza seu modus operandi, basta
atentar para o multifacetado histórico partidário e/ou consultar professores,
médicos, militares e funcionalismo público do Ceará sobre o que acham dos
Ferreira Gomes.
Portanto, causa espécie que
queiram agora transformar o senhor Cid Gomes numa espécie de herói nacional, autentico
paladino da moralidade em razão de ter se estranhado com colegas da mesma
estirpe e que rezam o mesmo credo. E de uma coisa tenhamos certeza: com a hiper
divulgação do imbróglio, espertamente os Ferreira Gomes tentarão usá-lo para
creditar-se a vôos mais altos num futuro. Esperem para confirmar.
Em busca de nós mesmos - José do Vale Pinheiro Feitosa
Abaixo você poderá assistir a um vídeo em baixa resolução cuja história é contatada num texto. Ao assistir no blog que tive dificuldades pois o programa lê trechos e não todo o vídeo. Mas na verdade o vídeo todo tem mais de 13 minutos. Quem conseguir vai acompanhar toda a história.
Como o texto fica em letras muito pequenas, dificultando a leitura e se o vídeo for posto em tela cheia a qualidade da imagem não é boa, publico abaixo o texto completo do vídeo para quem desejar ler por completo.
EM BUSCA DE NÓS MESMOS
Primeira Foto
Quatro
universos se abraçam.
Dois corpos
fundindo seus limites,
e o espaço
transformando-se sempre;
em dois: o
que o passou e o que se passa.
Primeira filmagem
(5530)
Este vidro
empoeirado para se ver o presente
na contraluz
da reversão ao tempo fugidio,
no qual
andares soterram o planisfério da lembrança,
estranhando
estas ruas de rastros já deixados.
Terceira filmagem
(trechos mudos e falados da 4255 e 4202)
Este espaço
seguro que sobe e desce
entre a
memória e a voz,
ora desce
como uma saudade de tantas notas perdidas,
ora sobe
como alegria de saber-se narrativa
de ações
vividas.
Em tudo este
sobe e desce são como as ladeiras
de
Araraquara e Cantagalo.
Sequência de fotos do
interior do apartamento, do prédio e o filme 4751
Um ninho
construído nos galhos
de uma
enorme planta.
Embora
resfriado das munições de traçados mortais,
há no
derredor uma força transformadora
descomunal.
Apesar dos
silvos, trovejadas e relâmpagos,
garrancho a
garrancho fez-se
um ninho à
posteridade.
Onde
alegrias suaves como plumas,
deitavam os
amigos, parentes, o pai,
a mãe e....
Filme 4028 – trecho
da Kabedesh
Assim como a
dança do trancelim
que mistura
fitas coloridas,
no mastro
onde se trançava, um lar e Kabedesh,
a eritreia
com voz feminina de arrastar as ruas,
e acalmar os
sóis na companhia de Anneta,
Margarita e
o pessoal das embaixadas.
Filme fotos deles
curtindo o jardim, recebendo os amigos e o filme 4255 e 5118
Este norte
gregário que exercita
a comunhão
entre tantos,
é
estimulante porque evidencia outras formas
de agir e
pensar,
enquanto
deposita tantas porções distintas
sobre a
mesma base,
de uma
enorme injera vinda
deste teff
fermentado em água.
Um clube
assim como um trancelim,
uma injera diante da fome.
Onde se
festeja cada movimento
da
inspiração destes ares das terras altas,
como as
águias da Etiópia em rasante
sobre os
abismos,
pois aos
abismos nos acostumamos,
quanto mais
a uma piscina vazia.
O último filme (5614)
O Leão de
Judá foi abatido
em sua
própria jaula.
Um tempo que
emperra
desdenta a
engrenagem que move o regime,
e tudo de
acelera,
se destrói,
se constrói
no lugar,
onde os da
primeira jornada não estarão.
Mesmo assim,
soterrados
pelo sedimento do tempo,
retorna
feito uma pedra,
cuja
natureza surpreende
as
inteligências dos que se julgam únicos proprietários
do presente
diante da estante de Lucy.
Mas não
retornarão como um imperador,
agora parte
do todo.
E vêm
trazendo em seus colos
os filhotes
das horas agora badaladas.
Leõezinhos
que crescem com o mesmo sentido caçador.
Caçar o
tempo nas savanas da África.
A África que
fertilizou as Américas.
Por Rosa Guerrera
REFLETINDO..........
Todos os dias eu envelheço mais um pouco , e se fosse calcular quantas folhinhas já arranquei no meu calendário de vida , por certo daria um livro com um bom número de páginas.
Abrimos e fechamos cortinas com paisagens diferentes , recebemos vaias e aplausos nos palcos da vida ,conhecemos o frio da solidão ,o renascer de esperanças, e os ponteiros do relógio vão caminhando sempre mais e mais para a frente.
Caminhei muitas estradas, plantei muitas flore...s ,chorei muitas despedidas , criei atalhos, ultrapassei muitos obstáculos, e fui também derrotada em muitas batalhas que a vida me presenteou.
Muitas histórias eu teria hoje para contar...mas o tempo urge e eu preciso continuar .
Joguei todos os jogos que a vida me convidou a participar sem jamais me vestir em glórias quando saía vencedora .
Arquitetei sonhos que se desmoronaram no primeiro impacto de uma decepção .
Quantas e quantas pessoas passaram na minha vida , e em quantas vidas eu também passei !
Quantas partiram sem um adeus ,e quantas vezes saí também sem me despedir !
Cada ruga hoje no meu rosto parece carregar uma história ou uma saudade...Todo dia, é verdade que envelheço mais um pouco , mas sei que ainda possuo no meu livro de vida , algumas páginas em branco , e certamente antes de encerrá-lo, muitas outras histórias eu ainda terei tempo para viver e contar . (R.G.)
Todos os dias eu envelheço mais um pouco , e se fosse calcular quantas folhinhas já arranquei no meu calendário de vida , por certo daria um livro com um bom número de páginas.
Abrimos e fechamos cortinas com paisagens diferentes , recebemos vaias e aplausos nos palcos da vida ,conhecemos o frio da solidão ,o renascer de esperanças, e os ponteiros do relógio vão caminhando sempre mais e mais para a frente.
Caminhei muitas estradas, plantei muitas flore...s ,chorei muitas despedidas , criei atalhos, ultrapassei muitos obstáculos, e fui também derrotada em muitas batalhas que a vida me presenteou.
Muitas histórias eu teria hoje para contar...mas o tempo urge e eu preciso continuar .
Joguei todos os jogos que a vida me convidou a participar sem jamais me vestir em glórias quando saía vencedora .
Arquitetei sonhos que se desmoronaram no primeiro impacto de uma decepção .
Quantas e quantas pessoas passaram na minha vida , e em quantas vidas eu também passei !
Quantas partiram sem um adeus ,e quantas vezes saí também sem me despedir !
Cada ruga hoje no meu rosto parece carregar uma história ou uma saudade...Todo dia, é verdade que envelheço mais um pouco , mas sei que ainda possuo no meu livro de vida , algumas páginas em branco , e certamente antes de encerrá-lo, muitas outras histórias eu ainda terei tempo para viver e contar . (R.G.)
quinta-feira, 19 de março de 2015
Em Busca de Nós Mesmos - José do Vale Pinheiro Feitosa
Este casal morou na Etiópia entre 1976 e 1980. Para eles foi como a duração de uma vida toda. O país estava acossados por guerrilhas (como toda a África foi a época das libertações incluindo Angola, Moçambique e a luta contra o Apartheid). Aconteceu uma guerra verdadeira entre a Somália e a Etiópia na disputa do exército do Ogaden. A Etiópia foi salva pela União Soviética e com a ajuda de tropas cubanas.
Eles moravam um conjunto de prédios, cercado e com segurança absoluta. Lá vivia o pessoal das embaixadas e dos organismos internacionais. Mas ao mesmo tempo era uma vida de juventude, com tantas culturas se encontrando, gente do mundo todo, frequentando a piscina e um clube que havia por lá. Além de irem aos finais de semana para uma cidade metropolitana cheia de lagos em crateras de vulcões extintos.
Em Adis Abeba fomos procurar este conjunto no meio de transformações enormes em todo o desenho urbano. Mas por referências terminamos encontrando. E foi esse encontro com o passado que gerou este filme. Aqui em baixa resolução por causa da internet.
Fim de caso
por Vera Barbosa
"Esquece o nosso amor, vê se esquece. Vai sofrer, vai chorar, e você não merece. Mas isso acontece." Cartola, elegantemente, disse à moça que acabou. Mas, nem sempre, há sutileza. Normalmente, o fim é conturbado, em alguns casos agressivo e, se bobear, violento. E vem a perguntinha básica de quem sofre de amor: como é que alguém que me fez tão feliz, de repente, pode me fazer tão triste? Porque no amor é assim, quando começa e quando acaba. Ou não. Há quem saiba enfrentar o fim de uma maneira, digamos, mais... madura? Não sei. Equilíbrio, maturidade, inteligência emocional, chamem como quiser. O fato é que, quase sempre, dói. E dói muito. E a gente se vê meio perdida, sem rumo, como se nada mais pudesse ser bom. Entretanto, procure observar o comportamento das pessoas, a fim de aproveitar as lições diversas do desamor. Porque há quem saiba fazer do fim uma grande brincadeira, mesmo quando tudo está ruindo. Dizem que quem ama consegue absorver o impacto do golpe e deixar ir, ficando consigo mesma o tempo necessário para se recompor. Será? Não sei. Apenas torço para que, no fim, reste alguma poesia. Ainda que haja saudade, muita saudade.
- Ao som de Fim de caso - Dolores Duran
O PMDB APOSTA NA CRISE - José do Vale Pinheiro Feitosa
Façamos o seguinte: retiremos toda a visão estadual de Cid
Gomes e o coloquemos no cenário da política nacional nos termos desta crise que
efetivamente se encontra em curso.
A meu ver ontem a crise política mudou de tom e evidenciou
mais alguns rumos do PMDB. Considere que o PMDB vem deste o Governo Sarney (que
deveria ser Tancredo) funcionando como uma força de centro que viabiliza
projetos de governo no Congresso Nacional e nos governos estaduais e
municipais. No que seria o seu próprio governo (Sarney afinal virou PMDB)
Ulysses Guimarães montou uma espécie de meio parlamentarismo pois no Congresso
Nacional quem mandava era ele.
Nos governos do PSDB ele foi central para integridade do
projeto de Reforma do Estado (venda de estatais, redução de órgãos, de direitos
sociais etc.) e para o próprio projeto de poder com a aprovação da Reeleição.
Nos governos do PT foi a força que sustentou no Congresso Nacional as medidas
populares de redistribuição de renda e de fortalecimento do papel do Estado ao
mesmo tempo sustentou politicamente o governo diante da pressão oriunda da luta
de classe e do papel oposicionista da mídia.
Ondem com a saída de Cid Gomes o PMDB deu um passo no aprofundamento
da crise política do Governo Dilma. E isso não foi como a imprensa mostra, uma
decorrência do destempero de Cid ou de inapropriada fala deste. Três dias após
grandes manifestações da classe média, misturada a segmentos do fascismo e do
fundamentalismo religioso, quando a grande mídia, especialmente a Rede Globo de
Televisão, avançou o sinal em todos os sentidos, o PMDB aprofundou a crise.
Enfim o PMDB aposta na crise. Seja para tomar uma fatia
maior do governo, seja para implantar um meio parlamentarismo à moda Ulysses.
Nisso se estabelece uma crise institucional de grandes dimensões, pois a
dinâmica do Estado é presidencialista. Some-se este quadro à crise econômica e
às tensões internacionais e estaremos
numa turbulência de longa duração.
Nesta altura fica claro que o PMDB (ou setores dele) até se
imagina estimulado pelos golpistas do impeachment da Dilma. Que consideremos
gerará um grande problema. Com certeza não é a mesma experiência do Collor.
Agora tem uma direita furiosa, fascista nas ruas pronta para agredir e os
partidos de esquerda são muito mais fortes do que naquela época. Enfim um caldo
quente de conflitos políticos e sociais no horizonte.
Qualquer governo do PMDB, mesmo com apoio do PSDB e outros
interessados na crise, será um governo autoritário, cassando mandatos (podem perfeitamente
usar as operações da justiça: Lava Jato, Castelo de Areia etc.) seletivamente
para o projeto de governabilidade sem limite e sem fim. Perseguirá partidos
políticos, sindicatos e movimentos sociais. E claro vai proibir manifestações
na rua.
Manifestações que como bem lembraram alguns: é
um paradoxo. Os manifestantes pedem a ditadura e a volta dos militares cuja
primeira medida é calar os próprios sejam maconheiros ou não.
quarta-feira, 18 de março de 2015
terça-feira, 17 de março de 2015
Maria Do Socorro Moreira compartilhou a foto de Zilberto Cardoso de Oliveira.
Foto Histórica: Cine Cassino e o Café Crato, em foto atual, ambos pioneiros em suas atividades.
Vizinho ao Cassino passou a funcionar, em 1955, o Café Crato, primeiro café expresso da cidade e, provavelmente, do interior do Nordeste. O Sr. Orestes Costa, proprietário, homem dinâmico, deixou a marca da sua eficiência, organização e pioneirismo, possibilitando encontros e conversas, onde muitos fatos curiosos aconteceram.
Vizinho ao Cassino passou a funcionar, em 1955, o Café Crato, primeiro café expresso da cidade e, provavelmente, do interior do Nordeste. O Sr. Orestes Costa, proprietário, homem dinâmico, deixou a marca da sua eficiência, organização e pioneirismo, possibilitando encontros e conversas, onde muitos fatos curiosos aconteceram.
Etiópia - José do Vale Pinheiro Feitosa
A Etiópia tem mais de 90 milhões de habitantes, é formada
por várias etnias (reais, com territórios próprios, línguas independentes,
crenças e costumes numa fermentação transformadora entre a tradição e a enorme
pressão da globalização) e o país é dividido em dois: um de terras altas e
outro de terras baixas.
Nas terras altas, acima de 1.100 metros e chegando a mais de
4.000 metros, se encontra a alma da Etiópia com suas civilizações antigas e
cristã ortodoxa. Nas terras baixa, é o deserto (de Ogaden) e as encostas
férteis das terras altas, composta essencialmente por Harar e Dire Dawa. Aí
nesta região semidesértica predomina o Islã e toda a civilização decorrente de
sua expansão.
Então a Etiópia resulta da expansão semita em fusão com os
africanos em sua antiguidade e nos arranjos coloniais envolvendo franceses,
italianos e ingleses e principalmente de uma forte liderança, pertencente ao
povo Amhara mais organizado em termos civilizatórios, que foi Menelik II. Este
imperador pertencia a lendária dinastia salomônica que se originaria de Menelik
I, filho da Rainha de Sabá e do Rei Salomão de Israel. Portanto é uma dinastia patrilinear,
mas profundamente mítica.
O Século XX, inaugurado com o restabelecimento da tentativa
de unidade da Etiópia, foi dramático para sua história. Como dizia seu último
Imperador, Haile Salassié, a Etiópia tinha a aventurança e a desgraça de estar
cercada pela Europa (especialmente o colonialismo) e por isso sofreu todas as
consequências das duas Guerras Mundiais. E depois desta a Guerra Fria que na
prática foram as dores do parto da universalização do capitalismo e da globalização
financeira.
Por isso todo o Governo Salassié foi instável. No núcleo
central dele a grande crise social surgida do efeito comparação entre
desenvolvimento capitalista e atraso tradicional. Ao mesmo tempo a grande
dificuldade de unir as várias etnias num governo central ou seja sob égide de
um Estado Nacional. E no contexto internacional a disputa Estados Unidos da
América e União das Repúblicas Soviética e a luta pela libertação dos povos
colonizados na África.
No início dos anos sessenta, durante o Governo Juscelino
aqui no Brasil, o Imperador Salassié nos visitava e no curso de sua estadia
entre nós ele sofreu um Golpe de Estado preparado pela sua própria nobreza com
aliança de alguns generais. Juscelino ajudou o monarca a retomar o poder
emprestando-lhe dinheiro e avião. Daí em diante vieram secas que expuseram a
grande fragilidade do sistema social etíope centrado na concentração dos
recursos nas mãos de uma nobreza perdulária e ávida de privilégios. Resultou
numa arrasadora fome.
E a fome em queda do regime por um golpe militar comandado
essencialmente pelos jovens oficiais. A maioria dos quais formados na França e
Inglaterra. Além disso um forte movimento guerrilheiro dividido em vários
grupos como tendências esquerdistas vinculados à União Soviética e à China, e
outros financiado pelos EUA.
O regime imperial teve fim em 1975 e 1977 um conflito entre
os militares redundou na morte de um general e na assunção ao poder pelos
jovens oficiais que “decretaram” uma revolução socialista e a implantação do
socialismo na Etiópia. Isso num país disputado por vários movimentos armados e
com a Somália querendo tomar o Ogaden, incluindo Harar e Dire Dawa.
Quando um avião pousa no Aeroporto Internacional de Bole e seus
passageiros tomam as avenidas de Adis Abeba, vão encontrar um bairro em rápida
transformação, num ritmo acelerado típico da expansão das classes médias
globalizadas, funcionárias de multinacionais, do Estado, no comércio, serviços
e indústria. O povão nas cidades vive do comércio da indústria chinesa (como
aliás em quase todo o mundo) e no campo numa agricultura familiar tradicional
fazendo escambo nos mercados.
Um país capitalista preparado por uma revolução com o
carimbo de socialismo. O papel do socialismo foi efetivamente abrir a fechada
elite que se resumia à nobreza de sangue. E desse modo criar um Estado mais “moderno”
à feição da Europa e EUA. A feição em termos. Fica cada vez um país dividido
entre muito pobres e uns abastados falando inglês e consumindo em pequenos
lanches de final de tarde o que um pobre não consome (em termos de moeda) num
mês.
segunda-feira, 16 de março de 2015
As últimas escaramuças de Malvino Dié
Malvino Dié não podia ser considerado um típico modelo de militar reformado. Calmo, tranquilo,
pouco dado a arroubos e explosões, quase nunca se postando como senhor único da
verdade, ele demonstrava ter convivido mais em mesquitas do que em casernas. O quartel também não o
modelara como um direitista convicto destes que defendem a pena de morte, que
acreditam que bandido bom só se encontra nos campos santos, que comunista é praga que existe em tudo quanto é biboca.
Dié fazia parte de uma raríssima espécie de milicos com pensamento francamente
esquerdista, renegava os Anos de Chumbo e tinha o Capitão Lamarca como seu
ídolo maior. Sabiam muitos que tinha sido heroi de guerra, ex-combatente
enfrentara nazistas e fascistas com um denodo infernal. Ali foi carregando não
um patriotismo barato e imediatista, sabia que estava ajudando não ao seu país,
mas livrando a humanidade de suas ervas daninhas. Mesmo assim, Major Malvino
não contava vantagem, nem falava nunca do alto dos seus galões e da sua patente. Talvez,
por isso mesmo, fosse muito querido e respeitado em toda Matozinho.
Após
a aposentadoria, Dié resolveu retornar à sua terra. Rodara quase todo o Brasil
no exercício da profissão. Cansara de tanto arrumar mala e decidiu terminar o
sonho no mesmo lugar onde um dia o começou. Para ajudar o tempo passar e , para não
enferrujar definitivamente a garrucha, passou a ensinar Educação Física no Ginásio
Espiridião Carqueja e a fazer frequentes corridas solitárias como fundista. Mesmo
já adentrando os oitenta, costumava vencer garotos imberbes e viris, nas competições. Tudo isso fazia de Malvino um personagem mítico na vila e, antes de tudo, uma espécie
de conselheiro oficial de Matozinho. Quase todos admiravam sua educação, sua
fineza de trato, seu passado glorioso e, também, sua franqueza incisiva e
carrascante. Apesar da tranquilidade , da calma, Dié não tinha meias palavras :
elas saíam lentamente da sua boca, mas com força de bala dum-dum.
Eram
muitas e muitas as histórias em Matozinho onde o Major fora chamado a dar sua
opinião e o fizera com sapiência, encerrando ali discussões que se prolongavam
às vezes por dias e meses. Consta nos anais da vila que, diante da crescente
violência dos dias modernos, discutia-se, na praça, sobre as causas maiores
desta realidade. Alguns teimavam que as religiões eram o maior motor das guerras,
outros imputavam a violência às difíceis condições econômicas de boa parte da
população, outros à pouca efetividade da polícia e da justiça. Dié ia chegando na praça da matriz quando alguém
da conferência em que se discutia esse assunto resolveu passar a pergunta ao
Major:
---
Major, se má pregunto, quais são as coisas nesse mundo que, na sua
opinião, mais terminam em crimes, arranca-rabos e confusões ?
Malvino
sem pestanejou:
---
Dinheiro, rola, cu e priquito !
Alguns
dias atrás, Cunegundes Chinxorro, um antigo delegado de Matozinho, resolveu
pedir a opinião do nosso Ouvidor Geral, sobre um problema que estava vivendo.
Enviuvara há uns dois anos, vivia sozinho, com os filhos todos em São Paulo.
Arranjara, ultimamente, uma noiva bem mais nova , comentava-se , à sorrelfa,
que a paixão da mocinha tinha menos a
ver com Motel e mais com Pensão. O certo
é que o velho delegado criara alma nova, andava escamurçando , vestindo roupa
da moda, pintando o bigode e o cabelo e , segundo se comentava, virara um nobre
: tinha sangue azul de tanto tomar umas pílulas de botica que ressuscitavam até
defunto mal cheiroso. O certo é que pessoas mais próximas alertaram Cunegundes
do possível golpe, mas ele, que já
rejuvenescera mais de trinta anos, desde que conhecera a moça, não quis
acreditar naquelas potocas. Estavam é com inveja do capim novo que o velho
pangaré conseguira. De qualquer maneira, pelo sim-pelo-não , teve a ideia de
consultar o amigo Malvino, antigo colega
do Tiro de Guerra. Procurou-o em casa e o pôs a par da situação e pediu seu
sincero parecer sobre o caso. Como
sempre, Dié foi bastante objetivo:
---
Cunegundes, quantos anos o amigo tem ?
---
Interei 84 , mês passado ! Nós somos contemporâneos, Malvino !
---
E a noiva, meu amigo ? Quantas primaveras já viu ?
---
Dezesseis ! É uma florzinha de jasmim, meu amigo ! uma lindeza !
Dié,
então, pensou um pouco, olhos fixos na parede e fechou o relatório:
---
Não vai dá certo , não ! Você, Cunegundes, vai botar um motor de uma Ferrari
Fórmula I, num Ford Bigode 1921 ! Vai
ser caco de peça pra tudo quanto é lado, meu amigo !
Cunegundes,
meio desolado, tentou argumentar de lá. Tinha
oitenta e quatro, mas não estava de se jogar às traças. Ainda estava bem
conservado, não se trocava por um menino de quinze anos . Fora criado com
cuscuz e caldo de mocotó e não com galinha de granja, como esses frangotes de
hoje em dia. E por aí vai. O Conselheiro, por fim, pôs ponto final à
discussão com uma de suas parábolas usuais:
--- Você é que sabe, Cunegundes ! A testa é sua !
Mas ,depois, não diga que não avisei !
Ela dezesseis e você oitenta e quatro, sabe o que é isso , meu amigo ? Orelha
de boi ! Orelha de boi !
Chinxorro,
com cara de menino abestalhado tentando entender a Teoria da Relatividade,
mostrou-se confuso :
---
Orelha de Boi ? Qué que isso qué dizer Malvino ?
---
Você tá muito mais perto do chifre do que da virilha dela , entendeu , seu
Cunegundes ?
J. Flávio Vieira
Crato, 16/03/2015
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