por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
A VERDADE DA HISTÓRIA - José do Vale Pinheiro Feitosa
Ontem saiu o relatório final da Comissão da Verdade sobre
torturas, mortes e desaparecimentos de cidadãos e cidadãs brasileiros sofrendo
por ordem e ação do Regime de Exceção que derrubou o governo constitucional de
João Goulart. Antes de mais nada este relatório não fala para os algozes e
vítimas do período, fala para cada um no tempo de hoje. No tempo de hoje e
nossas perspectivas de vida em sociedade.
Com a ressalva que na missão dessa Comissão esteve o período
até 1950, mas é importante que se tenha como referência o Primeiro de Abril de
1964 quando de modo sistemático as Forças Armadas, financiadas por empresas e
mobilizadas por lideranças civis começaram a mudar a ordem constitucional
vigente e atacar os adversários do dia anterior.
Quando, de modo disfarçado, por vezes nem tanto, alguns
começam a lembrar a suposta disrupção do Governo Goulart, a marcha
revolucionária de natureza cubana, entre outros argumentos, estamos diante da
justificação da ditadura. Esta é que é a verdade histórica. Justifica-se hoje,
como ontem, apoiavam mortes, torturas e desaparecimento.
Além do mais é importante que se tenha em mente que as “ordens”,
os “atos institucionais” e as “ações” da ditadura durante 21 anos não foram
pontos pacíficos. Sempre houve divergência dentro e fora das Forças Armadas,
dos empresários e das lideranças civis. Especialmente aquelas que efetivação
praticaram a disrupção franca do processo democrático em curso.
Castelo Branco foi eleito pelo Congresso vigente e só o foi
pela força do PSD e esta força significava Juscelino Kubistchek. A eleição
indireta, pelo Congresso Nacional, aconteceu em 11 de Abril sob “égide” do Ato
Institucional nº 1 lançado pela Junta Militar (Marechal Costa e Silva, tenente-brigadeiro
Francis de Assis Correia e Melo, Almirante Augusto Hamann Rademaker). Em junho Juscelino estava cassado.
Jânio Quadros foi cassado, Ademar de Barros em junho de 1966
e Lacerda em 31 de dezembro de 1968. Bom nesta altura já estavam cassadas todas
as grandes lideranças políticas que deram motivação ao golpe. Como é lógico
todos os adversários já o tinham sido perseguidos e presos desde o primeiro
momento da disrupção. Somente figuras importantes, mas secundárias em termos de
liderança nacional ficaram para sustentarem o longo manto cerimonial da ditadura
em curso (Pedro Aleixo, Milton Campos, Magalhães Pinto, etc.).
Ao mesmo tempo surgiram “lideranças” para em sua “juventude”
com o quadro desimpedido fazer suas “carreiras” sob as asas da “ordem” tipo José
Sarney, Antonio Carlos Magalhães, Hugo Napoleão, Marcos Maciel e assim seguiu a
lista. A presença a americana para armar e disparar o golpe é inegável, a nação
foi amiga e companheira, mandou exércitos para a República de São Domingos e
fez o papel do anticomunismo inerente por toda guerra fria. Eis o quadro.
Agora a verdade. O poder mesquinho dos desafetos, a
arrogância humana sem normas sociais, o poder da corporação, a ganância de
capitalistas e donos da terra, puseram uma máquina de torturar, matar e
desaparecer em curso. Esta máquina tomou as suas próprias decisões e fez o
papel sujo nos porões, mentindo para a sociedade e se escondendo numa trama
abjeta.
Agora a verdade. Quando a política é a eliminação do
contraditório a única linguagem possível é o curso virulento de ódios, temores
e maldades que são inerentes ao processo. Mesmo que alguns agentes sejam
dotados de uma psicopatia, o método e o curso da ação é que é causa. Portanto
segue toda a cadeia de origem e o comando, desde o Presidente, passando por
Ministros e chefes militares e líderes civis.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
A
LEI “ANTICORRUPÇÃO” - José Nilton
Mariano Saraiva
Se hoje os grandes “tubarões” (empresários de alto
coturno) das maiores empreiteiras brasileiras estão “encanados” (presos e vendo
o sol nascer quadrado) em razão do pagamento de propinas a “executivos-bandidos”
da Petrobrás, credite-se à Lei 12.846, de 01.08.2013 (vide Diário Oficial da
União de 02.08.2013), também conhecida por “Lei Anticorrupção”, sancionada pela
presidenta Dilma Rousseff.
Isso porque referida lei trata da responsabilização
administrativa e civil das pessoas jurídicas, por atos contra a administração
pública, nacional ou estrangeira. Aliás, não custa lembrar que antes havia como
que um enorme vácuo nessa esfera, por onde trafegavam livres, leves e soltos os
mafiosos de colarinho branco (de acordo com o Ministério Público, na Petrobrás isso
já ocorria há anos, contemplando vários governos).
A operação Lava Jato é, pois, o corolário do
combate sistemático à corrupção, que se iniciou a partir do momento em que à
Polícia Federal e ao Ministério Público Federal foram dadas condições e liberdade
de ação para investigar e prender bandidos de alta periculosidade da área
financeira. E a prova irrecorrível está na frieza dos números: enquanto entre
os anos de 1995 a 2002, no governo tucano de FHC (responsável por “abrir a
porteira”, literalmente, ao dispensar o processo licitatório na Petrobrás), a Polícia
Federal realizou 48 operações, com média de “TRÊS” A CADA SEIS MESES; já entre
2003 e agosto 2014 foram realizadas 2,3 mil operações, (média de “CEM” A CADA
SEIS MESES) com a prisão de 23 mil pessoas. Além do que, durante os oito anos
do governo Lula da Silva, 3.088 funcionários do Poder Executivo foram expulsos
e entre 2011 e 2013 na gestão Dilma Rousseff, 1.570 tiveram igual destino,
totalizando 4.658 banidos.
No entanto, como no Brasil quem tem “bala na agulha”
(grana, muita grana) geralmente consegue levar o desenlace do processo até o Supremo
Tribunal Federal, cujo “histórico” não é dos mais animadores no tocante à
penalização dos poderosos e políticos corruptos, por sempre encontrar uma brecha
qualquer para liberá-los das acusações (vide Daniel Dantas solto pelo ministro
Gilmar Mendes e Paulo Maluf liberado pelo então ministro Carlos Veloso), há o
receio de que haja marmelada ao final.
E o exemplo de tal beneplácito nos foi ofertado agora
mesmo e sem maiores delongas, quando o ministro do STF Teori Zavascki mandou
libertar o tal do Renato Duque, tido e havido pelo Juiz Federal Sérgio “seletivo”
Moro como um dos principais beneficiários da propina que correu solta na
Petrobrás durante todo esse tempo (dizem que a fortuna que tem em bancos
europeus é algo impressionante, e que agora poderá ser livremente movimentada).
Em conseqüência da soltura do mafioso, bancas
advocatícias pagas a peso de ouro pelos grandes “tubarões” já manobram para tentar
levar a decisão para o Supremo, onde certamente a chance de livrá-los de uma
penalidade mais severa é bem maior (lembremo-nos que quando se viu envolto numa
série de falcatruas (posteriormente confirmadas), Daniel Dantas recomendou aos
seus bem remunerados advogados que cuidassem dos seus problemas junto às
instâncias jurídicas inferiores, porquanto em chegando ao Supremo não haveria problemas – como restou
comprovado, com a ordem de soltura emitida por Gilmar Mendes.
E assim, embora que por vias tortuosas
(originalmente não se imaginava chegar a esse ponto), lamentavelmente a
operação Lava Jato, que tem tudo para representar um definitivo “passar a
limpo” o Brasil, corre o risco de frustrar a todos, ante a real perspectiva de
que haja um tratamento “diferenciado” a partir do momento em que Excelentíssimos
Ministros do STF começarem a julgar os processos envolvendo não só os poderosos,
mas também os políticos mafiosos com assento no Congresso Nacional (que todos
sabemos constituir o que há de mais abjeto e desprezível, daí a absoluta falta
de credibilidade da classe política ante à população).
Mas, em sã consciência, a verdade é que independentemente
de filiação partidária (PT, PSDB, PMDB, PDT e demais) ou do foro privilegiado
(julgamento pelo STF), a torcida de todos os brasileiros engajados e de boa fé é
que os envolvidos nesse esquema monumental sejam rigorosamente penalizados, seus nomes dados a
conhecer à sociedade, além do banimento da vida pública, e que sejam obrigados
a devolver o que roubaram.
Essa é a hora. A “Lei Anticorrupção” assinada pela
presidenta Dilma Rousseff foi elaborada objetivando debelar de vez esse tumor
maligno que de há muito dilacera com a nação. É agora ou nunca. Que o
Judiciário (STF) se não ajudar, pelo menos não atrapalhe.
Não é farsa. É o mesmo processo! - José do Vale Pinheiro Feitosa
Quem gosta de examinar fatos acontecidos na política
brasileira encontra vasto material digitalizado dos jornais brasileiros e dos
Diários do Congresso Nacional. Os jornais foram digitalizados pela Biblioteca
Nacional e os “Diários” pela Câmara dos Deputados.
Nos referidos acervos podemos examinar o vasto material dos
embates políticos após o fim do Estado Novo e, durante o período democrático, entender
como as forças agiram. Isso é importante porque muitas semelhanças existem com
as posições adotadas pela oposição ao atual governo federal.
Embora sejamos uma Federação, o papel centralizador da União
é muito forte de modo que as grandes questões políticas sempre envolvem a
disputa neste nível. A conquista do governo da União tem um peso político muito
grande em questões dos direitos de propriedade, das formulações econômicas e
fiscais, dos estímulos estratégicos, das alianças locais, do desenvolvimento e
crescimento relativo.
A famosa frase que a história apenas se repete como farsa
não foi bem compreendida por muitos. Quando se fala em repetição a referência
são os saltos qualitativos da história que implicam em novas fases, novas
forças produtivas, novas relações de classe, e assim por diante. Não se trata
de repetição os acontecimentos dentro do mesmo estágio de sociedade, pois
apenas são continuidades das forças em disputa.
Quando aconteceu a Revolução de 30 e uma parcela muito forte
da sociedade resolveu que iria incluir segmentos essenciais das classes sociais
no desenvolvimento do país sem optar pelas duas fórmulas então postas na mesa
(comunismo e fascismo), adotando a chamada fórmula democrática, criou um novo
problema. E esse foi a luta entre os setores privilegiados pela estrutura
econômica existente e pelo Estado contra enormes segmentos de trabalhadores,
camponeses e pequena classe média em busca de novas oportunidades.
Esta luta, diga-se de pronto, tinha como referência
ideológica o modelo americano de progresso individual e o modelo europeu
(pós-guerra) de desenvolvimento social. Não se tratava da luta contra o comunismo
ou a favor desse, mas da luta de um segmento privilegiado de referência
individualista e patrimonial e da grande massa em busca de um progresso
inclusivo.
O segmento privilegiado, compondo sempre a minoria, envolvia
setores da igreja católica (e sua estrutura de educação privada), grandes
latifundiários, setores industriais e financeiro, a estrutura de comunicação
social (de pessoas e famílias), segmentos tradicionais da classe média
tradicional com grupos atrelados ao aparelho de estado. O segmento de massa,
compondo a maioria política, já citei a sua formação e foi aí que a política a
partir de 1945 funcionou.
Vale dizer que após 1945 o papel das grandes empresas
multinacionais, especialmente no campo do petróleo (Shell, Esso etc.) e do
governo americano foi fundamental para criar uma “psicologia” anticomunista
para justificar a quebra do processo democrático e assim atacar a luta da
maioria. A minoria (União Democrática Nacional à frente) nunca conseguiu vencer
democraticamente o governo da União.
Um parêntese. Getúlio Vargas criou uma fórmula política
genial de formar a maioria: a união Partido Social Democrático (PSD) e Partido
Trabalhista Brasileiro (PTB). Enquanto esta maioria política não rachou a UDN
fez um jogo político violento na sociedade, no governo e no parlamento. Mas
nunca levou no voto.
A luta da minoria (UDN à frente) se compunha de algumas
forças: o dinheiro dos grandes capitalistas, do setor financeiro e dos Estados
Unidos da América (pelas suas instituições e empresas), a aliança com as
grandes empresas jornalísticas e setores reacionários do aparelho de estado
(Poder Judiciário, Forças Armadas, etc.) e todo o segmento social privilegiado
(que lutava desesperadamente para não perde-lo). E foi esta fórmula que criou
toda a virulência da luta da minoria e da manutenção de seus privilégios.
O que vivemos hoje é esse mesmo processo. A minoria com
quase os mesmos atores, juntado novas forças surgidas, politicamente ainda
conduzida pelo PSDB, a grande mídia familiar, grandes empresas com negócios no
aparelho de Estado, setores reacionários do agronegócio, dos bancos e os mesmos
setores reacionários do aparelho de estado (a referência no judiciário é Gilmar
Mendes a serviço de um partido político). Do outro lado a esperança da maioria
que tudo melhore dentro de um projeto que tem à frente o PT em aliança com o PMDB
que faz o papel assemelhado ao que o PSD tinha nos anos 50 e início dos 60.
Esta é a luta. Não tem comunismo no meio, não tem fascismo.
Tem apenas o processo democrático no qual se tenta melhorar a vida da maioria
em contraposição aos conservadores de classes privilegiadas. Agora a verdade é
que as classes privilegiadas quando sentem que não podem mais sustentar
politicamente as suas posições logo partem para a manipulação e quebra do
processo democrático. Aquele que a rigor é realizado pelo voto e pela participação
social.
Ideologicamente vão lembrar as velhas fórmulas
de propaganda do passado. Mas essas já não possuem referências no mundo. Por
isso o jogo continua. Embora estejamos vendo que na América Latina já foram
dados golpes pelo judiciário. Vejamos o papel de Gilmar Mendes e sua repercussão política.
domingo, 7 de dezembro de 2014
O poço de água e os últimos metros da caminhada - José do Vale Pinheiro Feitosa
Caminhada entre o Pecém e Paracuru os últimos metros.
Momento Taiguara - José do Vale Pinheiro Feitosa
Edição de várias músicas cantadas por Taiguara colhidas na internet. Não editaria com estas imagens, mas para facilitar o trabalho foi assim mesmo. Aproveitem o som e quem gostar, também, as imagens.
A verdade é que o pragmatismo burguês não comporta os
sonhadores. Olhados à distância com um riso de desprezo no canto da boca, os
senhores das posses e do dinheiro não acreditam que o mundo seja a eternidade
agora. Aliás eles acreditam na perenidade de seu capital sempre com ratoeiras
dentro dos bolsos com medo que os ladrões levem sua eterna vigilância.
Os sonhadores que questionam esta divisão de ambições. Esta
particularidade que levanta muros, a fé inabalável na ordem vigente. Os
sonhadores que, por momentos, sabem os empecilhos do amor entre as pessoas, mas
entendem que o ódio também é passageiro.
Os sonhadores perseguidos, censurados, torturados, mortos, desaparecidos.
Os sonhadores banhados, a cada dia, pelos ácidos que corroem todos os seus
sonhos de felicidade e paz. Os sonhos que se acabam porque outros sonhos
precisam começar.
E por isso esse momento do canto mais censurado da história
do Brasil. Foram 68 canções engavetadas pela intolerância de uma ordem que uma
canalha enraivecida deseja renascer. Nem um disco gravado em inglês pôde ser
lançado no Brasil. Nem seu disco gravado no Brasil em 1975, Imyra, Tayra, Ipi
com a fina flor da música instrumental brasileira (Hermeto Paschoal, Wagner
Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Noveli, Zé Eduado
Nazário) pode ser lançado. A censura não deixou.
Na semana que passou na Globo News, com Chico Pinheiro este
pessoal relembrou Taiguara. Que me lembre foi uma das únicas vezes nos últimos
anos que vi tão gente de primeira tocando junto.
sábado, 6 de dezembro de 2014
Uma raridade! - Compartilho postagem do amigo Zilberto Cardoso.
Quem provou o doce de leite de Izabel Virgínia?
Ainda é do meu tempo o seu famoso "Café".
O ponto que conheci ficava no antigo Bar Ideal(Bardeal), na Rua Santos Dumont.
Depois, sua sobrinha EUNICE, com receita similar, nos ofereceu aquele doce e mais : bolo de puba e canjica. Sabores inesquecíveis!,
Compartilhando de Rejane G Gonçalves
(Onde fica Pasárgada, Manoel Bandeira? bem que podias ter deixado nem que fosse um rabisco de endereço, amarelando em qualquer gaveta).
"A vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem mas as almas não....
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
"A vida
Não vale a pena e a dor de ser vivida.
Os corpos se entendem mas as almas não....
A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Vou-me embora p'ra Pasárgada!
Aqui eu não sou feliz.
Quero esquecer tudo:
A dor de ser homem...
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.
Quero descansar
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei...
Na vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Quero descansar.
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir)
Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar"
(MANOEL BANDEIRA - do livro "ESTRELA DA VIDA INTEIRA")
Aqui eu não sou feliz.
Quero esquecer tudo:
A dor de ser homem...
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.
Quero descansar
Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei...
Na vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Quero descansar.
Morrer.
Morrer de corpo e de alma.
Completamente.
(Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir)
Quando a Indesejada das gentes chegar
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar"
(MANOEL BANDEIRA - do livro "ESTRELA DA VIDA INTEIRA")
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
BALLADE POUR MA MÉMOIRE - José do Vale Pinheiro Feitosa
Ballade pour ma mémoire - Michel Legran e Francis Lai. Voz Liliane Davis
Sexta feira. Da solidão da noite onde as vozes silenciaram,
os meus olhos passeavam sobre o cinza da borda do canavial e, lá na linha do
alto, via as luzes da cidade. Tudo vida. Tudo continuação. E mais do que isso:
a música para nossos corpos se amarem.
Como esta balada pela minha memória. As luzes atrairiam as
pessoas para as mesas, garrafas embriagariam esta faina da responsabilidade
servil, os cabelos delas brilhariam como um visgo perfumado. E a música um
cupido a soltar flechas que realizam o encontro.
Un homme et une femme - Michel Legran e Francis Lai
Un homme et une femme olhares a dissolverem estas regras da
interdição. Cílios que enfeitiçam e todo aquele lago castanho é lenha acesa a
desdobrar cada sentido ao colar-se ao outro. Estes cheiros de perfume e corpo,
esta mão suave, a cintura que divide hemisférios, a erupção que abrasa este
encontro.
Uma luz suave a acolher toda a expressão que fecunda quereres.
Inunda lagos e promove a aproximação oculta entre o cais e o barco a abrir as
velas da privacidade. Afinal apenas os dois existem. Sem gêneros. Mas,
sobretudo números e graus. Muitos graus.
Un perfum de fin du monde - Michel Legran e Francis Lai.
Afinal somos um perfume. Um perfume dos limites do mundo. Um
extrato final dos motivos essenciais que contemplam este encontro da sexta
feira. Uma sexta feira para dar graças ao olfato, para levantar os braços aos
céus por toda esta força seminal.
Por nossos olhos, por nossas bocas. Pela febre
de tua face. Por esta música que encena todo este momento.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Ando devagar porque já tive pressa - José do Vale Pinheiro Feitosa
Fragmento de um vídeo sobre a procissão de Nossa Senhora da Soledade
entre São Gonçalo do Amarante e o Siupé.
Com o título de Procissão ao Siupé pode ser visto no Youtube
O Baião da Serra Grande - José do Vale Pinheiro Feitosa
A música de montanha. Assim como “eu nasci naquela serra,
onde a lua faz clarão.”
Tristeza do Jeca compositor paulista Angelino de Oliveira - cantada por Caetano e Maria Bethânia
Ou “na Serra da Mantiqueira, sob a fronde da mangueira,
sentadinha no seu banco, lá na encosta do barranco, mãe Maria vai sonhar."
Na Serra da Mantiqueira - composição de Ari Kerner - cantada por Gastão Formenti.
Ou ainda “se deus soubesse da tristeza lá serra mandaria lá prá cima todo o amor que já terra.
No Rancho Fundo - Ary Barroso e Lamartine Babo - cantada por Sílvio Caldas
Isso tem muito das músicas dos sertões. Dos sertões das
gerais. De perder o passo e a notícia nas quebradas da Serra do Mar.
Internar-se no continente e desaparecer de uma era, para surgir como a
“netarada”, dezenas de anos depois. Vindo conhecer o mar.
Lá em cima da serra se vive. Na cordilheira. Mais perto das
nuvens e a miúdo quando o pó do café se despeja nas borbulhas da água fervente,
as nuvens entram de porta a dentro. Entram com tanta força que o fogão perde o
sentido dos olhos e se apresenta apenas como quentura na fria madrugada.
O clima das serras. A luz serrana. As noites que sustentam o
piso do mundo por milhões de fios dourados suspensos nas estrelas. O galo que
não é apenas saudade, é a alegria de tornar a enxergar os grãos que surgem nas
ciscadas de suas unhas. A serra é a aventura dos vales, nas estes por
germinarem cidades, vivem roubando os fios que nos faz rosário.
E somos contas soltas no tempo de inventar moradas aqui na
serra. A serra deixada só neste Baião da Serra Grande.
Baião da Serra Grande - de Fred William, tocada por ele que tinha o nome real de Manoel Xisto
Aqui Baião da Serra Grande cantada por Emilinha Borba
A música também foi gravada por Mário Zan, do qual senti um respeito profundo num velho sanfoneiro lá da localidade dos Grossos em Paracuru. Seu Pedro Barros. Já com um pé nos passos finais da vida. Acabei de chegar de lá e continua ativo. E tem outra interpretação do sanfoneiro Zé Béttio que é muito boa.
Lá no meu pé de serra - José do Vale Pinheiro Feitosa
Zé, Luiz, Santana, Socorro, Zabelê, Biô, Pinga, Fila, onde é
que nossas substâncias estão e para onde elas vão? Sempre estou contando as
sementes das vagens a perguntar se estas substâncias são o ovo do chão ou a
fecunda obra das nossas imaginações.
E sei que a semente é algo tão evidente que esta dúvida não
deveria existir. Mas é que somos flor do tempo. Brotamos e murchamos. E tudo
que é divino, porque assim entendemos, logo pensamos seja todo o universo, que
se alue o tempo todo, mas nunca deixa de abraçar além do tempo.
Meu constitutivo essencial. Sabe gente. Estas questões
ilusórias, crentes ou radicais, agradam por mover emoções, orações e sentenças.
Mas fica sempre aquele grão inexplicável e onde estão nossas substâncias e para
onde elas vão?
Bom, vamos fazer um exercício qualquer. Jamais do nosso
peito uma canção falando da morada no alto da serra. Lá no topo do mundo como os
serranos se acham. Nós não!
Nós somos é pé de serra. Só vamos ao topo para apanhar piqui,
descascar abacaxi e beber um suco de maracujá peroba.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
A "coisa" vem de longe - José Nilton Mariano Saraiva
Desde a derrota em 26.10.14, quando foram atropelados
por um transatlântico de votos, a “tucanalhada” – à frente o aloprado e
apoplético “playboy do Leblon” (Aécio Neves) e o gagá FHC - insiste em
instituir uma espécie de terceiro turno da eleição presidencial.
Só que o mote usado - que os malfeitos na Petrobrás
começaram em 2003 com a ascensão do PT ao poder - é no mínimo cínico e desonesto.
O próprio ladrão-delator Paulo Roberto de Souza, funcionário de carreira da
Petrobrás desde 1978 (e que começou a ocupar cargos de Diretoria ainda na
gestão FHC), foi muito claro em depoimento à CPI, ontem, ao afirmar peremptoriamente
que desde o governo Sarney, passando pelos governos Collor, Itamar e FHC, a
prática era corriqueira naquela estatal. E já que emprestam tanta credibilidade
para o que ele diz, atenção: segundo o próprio, em outras instituições
governamentais a “coisa” também vigora e... no Brasil todo.
O detalhe, e todo mundo já tá careca de saber, é
que naquela época não havia disposição para se investigar, não havia coragem de
cortar na própria carne, resultando que tudo foi varrido para debaixo do tapete,
daí o monstro ter criado musculatura.
Portanto, querer fazer crer que o que acontece hoje
trata-se de uma “novidade”, não cola: é sim, uma lamentável “recorrência”, mas que
agora tende a ser enfrentada, depois de uma lei específica sancionada pela
Presidente Dilma Roussef, que permite alcançar corruptos e corruptores (e aqui
um parênteses: segundo ainda o ladrão-delator, Lula da Silva e Dilma Roussef
são sabiam de nada, ao contrário do que foi desonestamente divulgado às
vésperas da eleição pela revista VEJA-ÓIA).
A propósito, lá no distante ano de 1989 (há 25
anos, portanto) o competente jornalista Ricardo Boechat, da Rede Bandeirante, foi
agraciado com o Premio Esso de Jornalismo exatamente pela denúncia pública de
roubo na Petrobrás, daí sua indignação com a recente declaração de FHC de que
sentia vergonha com o que estava acontecendo naquela estatal.
Com a palavra, pois, o Boechat:
Acho que ele
[Fernando Henrique Cardoso] está sendo oportunista quando começa a sentir
vergonha com a roubalheira ocorrida na gestão alheia. É o tipo de vergonha que
tem memória controlada pelo tempo. A partir de um certo tempo para trás ou para
frente você começa a sentir vergonha, porque o presidente Fernando Henrique
Cardoso é um homem suficientemente experiente e bem informado para saber que NA
PETROBRÁS SE ROUBOU TAMBÉM DURANTE O SEU GOVERNO. “Ah, mas não pegaram ninguém!”
Ora presidente! Dá um desconto porque só falta o senhor achar que na gestão do
Sarney não teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Fernando Collor não
teve gente roubando na Petrobras. Na gestão do Itamar Franco não teve gente
roubando na Petrobras. A Petrobras sempre teve em maior ou menor escala
denúncias que apontavam desvios. EU GANHEI UM PRÊMIO ESSO EM 1989 DENUNCIANDO
ROUBALHEIRA NA PETROBRÁS. […] A
Petrobras sempre foi vítima de quadrilhas que operavam lá dentro formada por
gente dos seus quadros ou que foram indicados por políticos e por empresários,
fornecedores, empreiteiras. Então, essa vergonha do ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso é sim uma tentativa de manipulação política partidária da
questão policial”. (o que a “tucanhalada” tem a dizer, a
respeito).
No mais, convém registrar que das 09 (nove) empreiteiras envolvidas na Operação
Lava-Jato, 06 (SEIS) financiaram a campanha do “playboy do Leblon” (Aécio Neves)
– e é igualmente fundamental observar que 05 (CINCO) delas dividiram as obras
da Cidade Administrativa, uma obra faraônica, absurda e desnecessária que Aécio
empurrou sobre os mineiros, num custo superior a 2 BILHÕES de reais, em vez de
investir em obras de infra-estrutura que realmente beneficiariam o estado.
Aliás, estranhamente dois prédios IDÊNTICOS acabaram sendo construídos por dois
consórcios DIFERENTES, o que é inexplicável.
Teria o “playboy do Leblon” (Aécio Neves) alguma
justificativa para tamanha excrescência ???
JOÃO NICODEMOS - José do Vale Pinheiro Feitosa
Vamos falar assim: eu conheci João Nicodemos. Vi uma única
vez. Na casa do Roberto Jamacaru. Nicodemos, eu conheço desde que nasci e ele
mora numa casa depois da minha.
Se fosse dizer da flauta de bambu ou da rabeca, feitas na
maior parte das vezes pelo próprio, iria cair na arapuca dos pedaços de tempo.
Eu quero falar é do tempo pleno. Do modo de tocar que não é uma mera fração,
cada vez mais dividida dos tempos das notas musicais.
Um pé atrás para que me explique melhor. Eu sempre tive
muita pena de mim. Desafino. Não sei tocar nenhum instrumento musical. Memorizo
bem as músicas, mas não peçam que as cante inteira. Até porque seria
desagradável de ouvir as folhas de outono caindo entre uma nota e outra.
Aí outro lado da questão. Mas também tenho muita pena
daqueles que têm o chamado ouvido universal. Vivem pelo mundo comparando os
sons e classificando-os por semelhanças e dessemelhanças. Isso pode até chegar
num músico muito bem posicionado, mas não é o que desejaria.
E aí do meu estado penoso, comigo e com alguns, eu me dei
conta de gente como João Nicodemos tocando seus instrumentos. Caí perfeitamente
na minha falha tectônica. Ele é um contínuo, como já disse é tempo pleno, uma
narrativa sensitiva do mundo. Uma tradução auditiva do estado emocional que só
pode ser compreendido pela fusão de todos os sentidos, mais a memória e a
capacidade de refletir sobre o conjunto. Tudo num átimo de tempo.
Por isso digo que pleno. Como bem sabemos o conjunto dos
sentidos é maior do que soma de cada um individualmente. Baudelaire já traduzia
isso em seus poemas. E Nicodemos, com o som de sua rabeca, de seu bambu (como
era bom o tempo que dizia taboca) não é apenas audição, é a soma de toda a
nossa história expressa num momento ritualístico de sua revelação.
João Nicodemos, tem muita tarefa pela frente. Quem anda
neste diapasão carrega o grande peso do universo da arte. E arte é estado
permanente de inquietude e avançar sempre sobre a paisagem adiante.
E esta música brasileira é demais!
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