por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 16 de abril de 2014

DESCOBRIMENTO DA ÍNDIA - José do Vale Pinheiro Feitosa

O Everest bem próximo a nós

Quem precisa atravessar continentes para pousar na Índia? Nenhuma noção do outro, da diversidade humana, da enorme diferença dos valores ocidentais pode ser maior do que encarar a própria cultura daqueles erroneamente chamados índios.  

Aqui mesmo nas florestas da América do Sul seria suficiente. Mas com dúvidas se isso é possível em razão do desmatamento e do avanço além das fronteiras em busca do látex da seringueira, do ouro e pedras preciosas, do capim das manadas bovinas. O ocidente plantou edifícios sobre a alma dos originários e diferentes povos deste novo mundo.

Então que se tome uma aeronave e pelos céus se cruze o Atlântico, a África, suba a Península Arábica e pouse em Délhi. Ao norte da Índia. A imensa, distinta, multiétnica, matriz de grandes civilizações, culturas e de tudo que se pode reconhecer como Oriente. Não do Oriente do mediterrâneo irmão siamês do Ocidente.

Do verdadeiro Oriente das planícies, dos planaltos, dos mares e da mais superlativa cadeia de montanhas da terra: o Himalaia. Em tudo diferente: desde os perfumes, sabores, das cores, dos olhares, das falas, escritas e artes. Raiz difusora de grandes e complexas misturas de religiões, códigos de viver, fazer história e inventar o futuro tais como o Hinduísmo e todas as suas imensas variações, o Islamismo, o Budismo e do outro lado das montanhas o Taoísmo e o Confucionismo.

E de repente todo o meu corpo se encontra nas ruas de Délhi, Katmandu, Calcutá, Siliguri e Darjeeling esta cidade já nas franjas do Himalaia. Planícies e montanhas. Rios sagrados que nascem nas alturas e fertilizam as planícies. A Índia é uma aventura de descobrimento e ruptura.

Descobre-se o oriente e a mais completa alteridade. E rompe-se com o circuito euro-americano do turismo de classe média brasileiro. Ainda bem que agora se voltando para a Turquia e o que restou das colônias gregas da Ásia Menor.


Falar na Índia como ritmo de desenvolvimento dos BRICS é menos do que se encontra uma vez se estando nela. Nenhum relato de viajante, imagens fixas ou móveis, literatura e artes pode dizer o que é se encontrar nas ruas e estradas da Índia. Faz parte daquelas coisas que se necessita respirar, comer, beber, andar e dormir para se entender a verdadeira dimensão.

Mafiosas "Excelências" - José Nilton Mariano Saraiva

Agora é oficial. Não se pode ignorar ou tergiversar.

O presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJ-CE), desembargador Luiz Gerardo Pontes Brígido, mostrando ser uma pessoa corajosa e destemida, declarou hoje (15.04.14) à mídia cearense aquilo que todo mundo já sabia, mas evitava imiscuir-se em razão da gravidade de que se reveste a questão e do “peso” dos atores envolvidos: a “corrupção” corria livre, leve e solta nos “plantões” de finais de semana daquela corte (e que a grana disponibilizada era coisa alta e apetitosa), face envolver bandidos de alta periculosidade.

Para se ter idéia do alcance e magnitude do problema, sabe-se que, irmanados, servidores daquela corte, advogados e até dois desembargadores participavam da perigosa quadrilha. O bem montado esquema, visando principalmente beneficiar bandidos envolvidos com o tráfico de drogas e assassinatos, constava da apresentação de “alvarás de soltura” apenas e tão somente no decorrer dos “plantões” dos finais de semana, quando à frente dos trabalhos estivessem os “sortudos” desembargadores que chefiavam o bando.

Para se ter idéia do alcance e propósitos das mafiosas “Excelências”, enquanto em dias normais a média de concessão dos tais “alvarás de soltura” se situava na faixa de 15 ocorrências, durante os “plantões” de final de semana (principalmente à noite) esse número saltava para 70 liberações (fala-se que cada liberação não custava menos que R$ 100.000,00).

Lamentavelmente, já se sabe que face à brandura das nossas leis, o tal “segredo de justiça” prevalecerá e não teremos oportunidade de conhecer quem são os corruptos (já identificados e denunciados ao Conselho Nacional de Justiça).


Agora, aqui prá nós: se tínhamos o Poder Judiciário como um fiel guardião contra os excessos praticados com os menos favorecidos, a quem agora recorrer ???

terça-feira, 15 de abril de 2014

O "GIRO DA RODA" - José Nilton Mariano Saraiva

As recentes e oportunas postagens do Zé Flávio e do Carlos Esmeraldo tendem sinalizar para o tão almejado “recomeço” do Crato (e o seu despertar para uma nova era), porquanto provocadoras de reflexões e debates sobre os erros cometidos no PASSADO e o que poderá ser feito HOJE na perspectiva de que tenhamos  algum FUTURO. 

De um lado, o Zé Flávio foca sua análise no saudosismo e pessimismo dos cratenses, deixando transparecer terem sido fatores determinantes e responsáveis pelo estado de hibernação que acomete a cidade já há uns 40 anos; aproveita a oportunidade e nos chama a atenção para a necessidade do estabelecimento de metas que representem a vocação da cidade, sugerindo cuidados com a Cultura e a Ecologia.

Já a vertente ofertada pelo Carlos Esmeraldo, além de reforçar o explicitado pelo Zé Flávio, basicamente nos direciona à necessidade de “união” do povo cratense em prol da cidade.

Particularmente, entendemos que há, sim, perspectiva de reversão do quadro, desde que nossa população se conscientize da necessidade de engajar-se mais efetivamente nessa luta.

Afinal, como negar que o Crato chegou a esse deplorável estado de paralisia em razão da irresponsabilidade do seu povo no momento de usar sua arma mais importante, o voto.

Sim, porque optar por um quadro político sem nenhum vínculo ou comprometimento mais sério com a cidade (nas eleições proporcionais), ou que na eleição majoritária (prefeito) escolha o candidato levando em conta a tal “tradição famíliar”, como recentemente fez o nosso povo, é algo imperdoável (assim como escolher pessoas despreparadas e que objetivam apenas “se fazer” na política, é crime).

Como mostrou o Carlos Esmeraldo em sua postagem, é através de uma representação política atuante e unida que conseguiremos a tão sonhada alavancagem da economia, E isso representa o quê ??? Ora, implantação de indústrias e atração de empreendimentos comerciais de porte, com a conseqüente criação de empregos, geração de renda, aumento do consumo, movimentação do comércio e, alfim,  benefícios para a cidade, via recolhimento de impostos e taxas. Assim, aumentando sua base arrecadadora, o poder municipal terá condição de investir em novos planos e projetos, que decerto beneficiarão a cidade e seus habitantes. A isso se deu a alcunha de o “giro da roda”. Portanto, façamos a “roda girar”, no Crato, e o resto virá em conseqüência.

Claro que, como mostrou o Zé Flávio, a chegada do progresso tem sua porção dicotômica (ônus-bônus, positivo-negativo e por aí vai), comumente deixando seqüelas, tipo aumento da criminalidade e de roubos, transito caótico e demais mazelas. E aí surge o grande dilema: crescer e se sujeitar a isso tudo (já que decorrência desse mesmo progresso) ou ficar “deitado eternamente em berço esplêndido” (à espera que as coisas aconteçam naturalmente), abdicando do desenvolvimento e tornando-se uma cidade dormitório (como o é o Crato hoje), onde apenas um restrito grupo de pessoas se beneficia. Mas, se optarmos por isso, como o poder municipal arranjará dinheiro até para saldar sua folha de pessoal  ???

Urge, pois, que comecemos a mudar o jogo, via realização de seminários e debates, objetivando “acordar” os habitantes da cidade no tocante a influencia do seu voto quando da escolha dos que nos representação nos mais diversos foros .

Em suma: para nos catapultar do marasmo vigente, educação, política e economia se nos afiguram como complementares e necessários, porquanto essenciais numa possível retomada de crescimento.

Post Scriptum


“Educando o jovem não será necessário punir o homem” (autor desconhecido). 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

NA MINHA RUA CABEM TODOS OS SONHOS URBANOS - José do Vale Pinheiro Feitosa

Com alguma dúvida vou meter minha colher nos textos dos queridos Zé Flávio e Carlos Eduardo. A dúvida parte da própria ausência na maior parte da história da minha cidade. Saí daí para estudar fora e nunca mais voltei para ficar mais do que uma semana. Portanto sou uma peneira incapaz de reter a realidade do território da minha própria natalidade.

Mas eles mesmo me deram elementos. Deixaram-me a impressão que a chamada conurbação implica em aprofundar mais do que um conflito histórico. Na cara que até hoje pairam lembranças da guerra entre Juazeiro e Crato ainda no início do século XX. Mas esse conflito pode implicar outra questão.

Ao invés de um conflito explícito, há implícito a negação de que uma única cidade não é suficiente para representar o que o território conurbado é. Inclusive é muito interessante esses aspectos pois as regiões metropolitanas trazem espaços dedicados como zonas comerciais, industriais, parques e lazeres, regiões dormitórios, zonas ricas e zonas pobres.

Mesmo assim os espaços dedicados estão cada vez mais se desfazendo por um processo de integralidade urbana em que se misturam todas as funções necessárias na vida urbana. Quer dizer no mesmo território se mesclam comércio, empregos, moradias, lazer e assim por diante.  

Quero dizer que a conurbação leva consigo o desejo da integralidade urbana. As cidades que a compõem serão interpenetradas pela mobilidade urbana, dependerão de suprimentos essenciais na escala conjunta e a vocação nunca será um fenômeno per si. Ela sempre dependerá das necessidades e demandas conjuntas.

Por isso mesmo o próprio conceito de metropolização e conurbação se deita na capacidade de se compor a realidade conjunta através da identificação, do planejamento e consecução da integralidade de serviços e necessidades onde as pessoas vivem e trabalham. Essa é a grande questão.


A grande questão é descentralizar, espalhar equipamentos urbanos em todas as cidades e bairros. Romper concentrações, especializações e vocações. Todos os sonhos urbanos cabem na rua em que as pessoas vivem. Quem na minha cidade não tem consciência da situação desigual entre o Bairro Gisélia Pinheiro quando comparado um bairro de classe média? 

domingo, 13 de abril de 2014

O que nossos vizinhos pensam do Crato? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Longe de mim o desejo de fomentar a rivalidade latente entre Crato e Juazeiro. Primeiro por que fui dirigente regional da Coelce em Juazeiro durante 15 anos. E ao retornar para Fortaleza, onde originalmente eu era lotado, sai de Juazeiro com muitos amigos e a maior das honrarias que um cratense poderá ter granjeado na vizinha cidade: o título de cidadão juazeirense. Segundo o coronel José Ronald de Brito, apenas cinco cratenses possuem tamanha distinção. Nesses 15 anos de convivência com os juazeirenses, somente ouvi deles palavras de admiração pelo Crato.

Vi em Juazeiro um povo dedicado ao trabalho, que luta para conseguir as benesses para sua terra. Para tanto, toda a comunidade unida se faz representar pelas suas lideranças políticas e de classes. Certa vez, eu testemunhei pessoalmente, uma caravana de juazeirenses composta de todos os seus representantes: deputados federais e estaduais, prefeito, vice-prefeito, vereadores, presidente de Associação Comercial, clubes de diretores lojistas e de serviços visitando o governador do Estado, a fim de solicitar para Juazeiro a sede regional de um órgão público. Jamais tomei conhecimento de movimentação semelhante dos nossos conterrâneos em benefício do nosso querido Crato. Convém lembrar que a pressão de um grupo é muito mais produtiva do que uma voz solitária.

Desejo deixar bem claro que particularmente eu concordo com parte das opiniões de um jornalista de Juazeiro, abaixo transcrita e que espero ser um palpite isoldado.

"---- assim como o povo do Juazeiro é responsável pelo progresso do Juazeiro, o responsável pela paralisia de Crato é o próprio povo de Crato - - - Cada cidade tem sua alma, seu espírito.  Desenvolvimento é resultado do espírito de um povo. O do Juazeiro é de trabalho e progresso, enquanto o de Crato é de diversão e lazer."

Finalizando, gostaria que o povo cratense tomasse conhecimento dessa declaração e se unisse para trabalhar pela nossa terra. Para tanto temos que formar novas lideranças, esquecendo que candidatos a cargos políticos de outras regiões não têm nenhum compromisso com o Crato. Tenho certeza que a coisa não está perdida.

Conforme recente análise realizada pelo competente médico e escritor cratense Dr. José Flávio Pinheiro Vieira, o  IDH do Crato, índice que mensura os indicadores de longevidade de um povo, sua qualidade de vida, de educação e renda, somente fica atrás do de Fortaleza e praticamente empatado com Sobral, que é o segundo colocado. E o Dr. José Flavio acrescenta: "Queiramos ou não, vivemos num éden".

Finalizando sua análise, o Dr. José Flávio conclui que devemos centrar nossas atenções em nossa vocação de centro irradiador de cultura e capital ecológico. O caminho é esse ai. Vamos à luta!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A Treva e o Arco-Íris




Existem momentos na vida onde
 a questão de saber se se pode pensar
diferentemente do que se pensa,e perceber
diferentemente do que se vê,
 é indispensável para continuar
 a olhar ou a refletir.

J. Flávio Vieira
                                    Há dois sentimentos correlatos  que pairam , como uma nuvem  negra, sobre a cabeça dos cratenses. De um lado , o Saudosismo crônico, perceptível, claramente, nas gerações mais antigas. Estas pessoas viveram,  plenamente, aquilo que se considera o apogeu da Vila de Frei Carlos: os três primeiros quartéis do Século XX. Conheceram uma cidade cônscia do seu passado glorioso, com  seus múltiplos pioneirismos : O Araripe, primeiro Jornal do interior do Ceará ( 1854); a nossa centenária Banda de Música; o Cinema Paraíso (1911), o primeiro do interior do Nordeste;  a primeira instituição educacional do interior do Ceará, o Seminário São José ( 1875); D. Bárbara do Crato, a primeira heroína brasileira; o Hospital São Francisco, primeiro de todo Sul Cearense. Saltam ainda aos olhos figuras históricas de porte nacional, nascidas, formadas ou criadas nas margens do nosso Rio Grangeiro :  o pintor Vicente leite; o cineasta e diplomata Hélder Martins;  o Senador Alencar; Tristão Gonçalves; os escritores Ronaldo Correia de Brito, Batista de Lima, Fran Martins; os cineastas Hermano Penna, Rosemberg Cariri, Jéfferson Albuquerque Júnior;  os poetas Zé de Matos, Cego Aderaldo, Geraldo Urano; o semeador de universidades , Martins Filho; o escultor Sérvulo Esmeraldo; místicos como o Padre Cícero e o Beato Zé Lourenço,  isto apenas para citar alguns.
                                    O outro sentimento que se junta ao nosso saudosismo inveterado é, certamente,  o  Pessimismo. Ele advém do destino tomado  por nossa vila, nos últimos trinta anos.  Os amantes do Crato carregam um certo complexo de inferioridade, um certo travo, quando percebem, claramente, que  se comparados, em termo de progresso, com outros municípios próximos , aparentemente ,  temos murchado e não mantivemos o mesmo ritmo de Juazeiro, Barbalha, Brejo Santo.  Atiram-se farpas para tudo quanto é lado, procurando culpados, principalmente na área política, pela suposta hecatombe. E traçam-se estratégias esquisitas , na busca de um remédio para a hemorragia , como copiar o Turismo Religioso do Juazeiro, atraindo os romeiros, construindo estátuas gigantescas que rivalizem com as do Padre Cícero. Ora, as cidades, como as pessoas,  têm sua própria  vocação .  Inclinações não se criam do nada, pela simples vontade, de um ou outro cidadão. Seria como um pai , tendo um filho com tendência natural para o comércio, tentar fazê-lo maestro de orquestra sinfônica.  Seria possível ?  Talvez, mas sem aptidão  inata, jamais se transformaria num Beethoven ou num Chopin.  
                                   A visão do  desfalecimento do Crato é vesga. Observamos apenas com um olhar profundamente capitalista.  Interessa-nos o olhar frio dos livros de Economia. Mesmo que aumentássemos imensamente o nosso PIB, o benefício viria para todos, ou apenas para a pequena parcela de ricos e afortunados ? Sempre tivemos uma vocação Cultural e ecológica por conta da nossa Chapada Nacional do Araripe. O progresso o que nos trouxe ? Só benefícios ? Em nome dele , desmatamos profundamente nossa reservas, poluímos nossos rios, destruímos todo o nosso patrimônio arquitetônico. O povoamento desordenado das encostas tem trazido prejuízos difíceis de se avaliar. Vale o progresso a todo custo ? O aparente desenvolvimento das cidades circunvizinhas( na realidade uma inchação) tem trazido junto seus imensos efeitos colaterais : trânsito caótico,  colapso na infra-estrutura, violência crescente.
                                    O último Índice de Desenvolvimento Humano no Ceará(IDHM) mostrou que perdemos apenas para Fortaleza , ficamos em terceiro no estado, empatados praticamente com Sobral ,que ocupa o segundo lugar.   Este índice mede três indicadores básicos : longevidade, educação e renda. Queiramos ou não, vivemos num éden. Hoje, com as grandes cidades caririenses  praticamente conurbadas ,  havendo um contínuo fluxo entre elas, há necessidade de buscarmos  este progresso a qualquer preço, sob risco de piorar a qualidade de vida dos nossos habitantes ? Por que não alimentarmos nossa vocação natural, centrando nossas atenções na Cultura da nossa terra e na nosso imenso capital  ecológico ?  Talvez o saudosismo e o pessimismo que invadem a alma dos cratenses dependam apenas  do ângulo para onde focamos nosso olhar:  se deste lado há treva, do outro corre um rio cristalino e um arco-íris circunda os céus.

Crato, 11/04/14

Carta de um Rei para outro Rei - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

A Armênia é um pequeno e milenar país da Ásia, sem saída para o mar, tendo o seu território apenas 30.000 km quadrados de área, após perder aproximadamente nove décimos de seu território original para o império otomano e também para a extinta União Soviética, que a anexou, como uma de suas repúblicas comunistas, numa prova de que os grandes países absorvem as nações mais pobres e menores em sua insaciável sede de poder, desde tempos imemoriáveis.   

Como todo país milenar, a Armênia é repleta de lendas. Entre as perdas territoriais que o país sofreu, encontra-se o Monte Ararat de 5.165m de altitude, atualmente pertencente à Turquia, que segundo o relato  bíblico foi o local onde aportou a Arca de Noé. (Gen, 8,4). Aliás, devido a fertilidade e beleza do Vale de Arax e da região de Van existe uma teoria entre o povo armênio, de que o Jardim do Éden era lá na Armênia.

No mundo artístico brasileiro, a atriz Aracy Balabanian é filha de Armênios, que fugiram do pais para o Brasil, quando houve um grande genocídio na Armênia, conseqüência da invasão do império Turco-otomano nos anos entre 1921 e 1923.

Nos primeiros anos do Século I, reinava na Armênia o rei Abgar. Segundo uma tradição armênia resgatada pelo cronista Agatangueghós, o rei foi acometido de uma doença tida como incurável pela insipiente medicina da época. Ouvindo falar de um poderoso profeta que percorria as margens do Rio Jordão, pregando o amor e curando doentes, devolvendo a visão aos cegos, a audição aos surdos e a voz aos mudos, o rei escreveu uma carta a Jesus pedindo que ele viesse até Edessa sua cidade, para curá-lo. A carta foi enviada por um mensageiro real e entregue ao destinatário poucos dias antes da paixão. Por meio do apóstolo Tomé, Jesus respondeu ao rei que não poderia ir curá-lo pessoalmente, mas que enviaria um de seus discípulos. Segundo a tradição armênia, o mensageiro retornou com essa resposta e uma imagem de Jesus estampada em um lenço.

Logo após a ressurreição de Jesus, o apóstolo Judas Tadeu chegou à Edessa e curou o rei Abgar. Em seguida, percorreu todo o país falando sobre Jesus e pregando sua mensagem. Converteu muitas pessoas ao cristianismo e realizou o batismo de adultos e crianças.   

O sucessor do rei Abgar perseguiu os cristãos, tendo mandado a assassinar apóstolo Tadeu e muitos dos que haviam aderido à nova religião, inclusive sua própria filha Sandujt, que havia se convertido ao cristianismo.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Fonte: Revista Família Cristã, N° 940; pág. 79



segunda-feira, 7 de abril de 2014


BYE BYE, BYRON – José Nilton Mariano Saraiva

Ao contrário do que pensam alguns, Byron Queiroz não infelicitou a vida apenas e tão somente dos funcionários (ativos e aposentados) do BNB. Basta conversar com quem teve o infortúnio de trabalhar sob seu tacão para constatar que por onde passou (tanta na iniciativa privada, como na função pública), sempre se portou de forma autocrática, desagregadora, desrespeitosa, insensível e inescrupulosa, principalmente com os da base da pirâmide. Com os superiores era diferente, porquanto já aquela época se especializara em manipular números, fraudar balanços, trafegar na ilegalidade, em prol da empresa à qual prestava serviços. Tanto é que, quando assumiu o BNB, numa reunião com os graduados da instituição, de forma sarcástica e debochada acusou-os de incompetentes e despreparados, já que conseguira viabilizar empréstimos do Banco para a tal empresa, apresentando balanços fraudados. Essa era a prova, regozijava-se, de que o quadro técnico do BNB era fraco.

Já no exercício da presidência do BNB, não tinha nenhum escrúpulo de “peitar” os auditores independentes, exigindo que o Balanço da instituição fosse estruturado à sua maneira, fugindo léguas das determinações emanadas dos dispositivos dos órgãos competentes (Banco Central, Conselho Federal de Contabilidade, Tribunal de Contas da União e Comissão de Valores Mobiliários). Tanto é verdade que, além dos recorrentes pareceres adversos da Auditoria Independente, o Ministério Público Federal num dos seus relatórios, fulminou: “...partiram de Byron Queiroz todas as diretrizes para a adulteração dos resultados nos registros contábeis do Banco” já que “...determinava quanto e como deveria ser o resultado dos demonstrativos contábeis do BNB e os demais (subalternos) encarregavam-se de operacionalizar as fraudes” (tudo isso foi confirmado por um dos seus Diretores, após briga intestina).

Graças à solidez e consistência das denúncias dos aposentados do BNB (que ele rotulara de despreparados) foi condenado pela Justiça Federal do Ceará em dois processos (14 anos de prisão, em cada um deles), mas, por injunções políticas da cúpula do PSDB (FHC e Tasso Jereissati), acabou inocentado pelo Tribunal Regional Federal, do Recife-PE.

Enfim, não é porque Byron Queiroz morreu que devemos nos compadecer, passar um borracha no passado e esquecer o terror e a tirania que foi sua era no BNB, cujo objetivo maior foi o de causar sofrimento e dor a muita gente. De “DNA” com características eminentemente nazistas, mau-caráter na acepção plena do termo, desonesto até a medula, Byron Queiroz foi uma figura desprezível e desprezada.


Agora, nas profundezas do inferno, Lúcifer terá um sério concorrente para praticar as suas maldades. Bye Bye, Byron.  

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Anais



J. Flávio Vieira
                                          
     Se havia um crime, em Matozinho, imprescritível e com pena de morte sumária era o tal do adultério. A galha, definitivamente, não se mostrava um adereço dos mais palatáveis naquelas brenhas. É que corno, amigos, por ali, sempre foi cargo vitalício. Impossível se livrar daquelas antenas depois de afixadas no meio da testa. Nem na morte ! Geralmente aquela situação acrescia-se à causa mortis:
                                               --- Morreu do coração ! Pobre do Astrogildo! Dizem que depois daquele molho de chifres, ele amofinou, afinou o pescoço e, ontem, parece que a raiz dos bichos  cutucou as coronárias e ele .... pum !
                                               A mitologia matozense arrolava um sem número de casos de tragédias consumadas por conta dos saltos de cerca.Capações, homicídios, surras homéricas.  Cidade pequena , os segredos tinham muros baixos. Peripécias amorosas desvendavam-se,  facilmente, ao olhar perscrutador de uma infinidade de fofoqueiras . A fofoca, aliás, sempre se mostrou um dos esportes mais tradicionais de Matozinho.
                                               Por incrível que possa parecer, Serrinha do Nicodemos ficava a pouco mais de vinte quilômetros dali. Pois lá, existia uma tolerância fora do comum para os casos de corneamentos.  Havia  um modernismo de costumes incompreensível  para um cafundó do Judas daqueles.  Diziam os matozenses que em Serrinha, como todos eram cornos atuais ou em potencial, ninguém podia falar de ninguém. As cidades circunvizinhas, por outro lado, malhavam o pau :
                                               --- “ Em Serrinha, só não reside entre dois cornos, é quem mora de esquina!”
                                               ---“Se der uma chuva de argolas em Serrinha, meus amigos, não cai nenhuma no chão!”
                                               Havia uma antologia de histórias envolvendo  os cornos mansos de Serrinha. Difícil sempre saber até onde terminava a realidade e onde começava a ficção.  O certo é que os serrinhenses não se exasperavam  com esses comentários. Aceitavam de bom grado as conversas e aprenderam, eles mesmos, a rir delas. Até ajudavam a propalá-las . Claro que , em casa, os forasteiros tinham que manter uma certa conduta. Nada de querer espinafrar demais o pacífico povo de Serrinha. O cão era quieto , mas nada de cutucá-lo com vara curta.  Pois aqui vão três dessas histórias que ouvi  lá mesmo em Serrinha, contada por Pedro “Chifre de Ouro”, um magarefe local. Só conto porque mantenho distância regulamentar.
                                               Serrinha era detentora de um tipo específico de corno: o Corno Azul. Segundo Pedro, a gênesis deste espécie deve-se a   Generino Penalba. Ele trabalhava na SUCAM e precisava viajar frequentemente pela zona rural. Graciosa, a esposa, ficava em casa de melé solto. Há mais de cinco anos,  mantinha um romance firme  com Sitônio, o vigia da rua.  Generino, um dia , soube das marmotas da esposa. Resolveu, então, voltar antes do fim de semana. Entrou em casa pé ante pé e escondeu-se embaixo da cama. Não tardou muito a mulher  sair da cozinha e abrir a porta para o namorado. Deitaram-se na cama e começaram o rala-e-rola.  Generino, embaixo, sentiu-se incomodado, agoniado com aquele funga-funga . Pensou em tomar alguma providência, mas manteve-se firme no posto. Terminado o movimento, Sitônio acendeu um cigarro e conversou com a amante, com ar relaxado de quem já degustara o fruto proibido:
                                               --- Meu bem ! Você gostou ? Eu estava pensando aqui comigo. Seu marido é um sujeito muito legal, muito compreensivo. Eu estou até pensando em dar um presente para ele. Vou comprar uma camisa. Você entrega como fosse uma lembrança sua. Qual será a cor de camisa que ele gosta, hein ?
                                               Antes que Graciosa adiantasse a preferência do marido, ouviu-se uma voz roufenha, vindo debaixo da cama, como se fosse alma penada:
                                               --- Azullllll  !
                                               Zé Pom-pom trabalhava como jardineiro na casa do prefeito de Serrinha.  Passava o dia na cidade e retornava à tardezinha para um sítio,  próximo à vila, onde morava. Um dia  alguém lhe  sussurrou: estava sendo traído. Quando saía  de casa  , um sujeito entrava e ficava namorando com a esposa até o finzinho da tarde. Pom-Pom ficou bravo, zuadou, ameaçou peixeira. Eles vão ver ! De manhãzinha, saiu para o trabalho e se escondeu, atrás de uma mangueira.  Era outubro, um calor de derreter tacho de fornalha. Lá para o meio dia, Zé viu o negrão entrando de casa adentro e fechando a porta. Acercou-se  para se certificar do fragrante. Ouviu uns uis e uns ais abafados e não teve dúvida. Correu, subiu no poste de energia elétrica  da casa e cortou os fios . Sorridente, olhou para uma pequena platéia que esperava , ansiosamente, o sangue escorrendo pelo chão e cantou a vingança:
                                               --- Taí, bando de filho de uma égua ! Trepem agora ! Quero ver é os pentelhos se incendiar ! Como esse calor vocês vão é morrer tudo tostado !
                                               Desde aquele dia, perdeu o Pom-Pom e  passou a ser conhecido como Zé do Poste.
                                               A última de Serrinha aconteceu na semana passada. Josa é um trabalhador rural , morador de um coronel  da região.  Saiu com uma lata nas costas para pegar água numa cacimba  mais ou menos distante. Precisava abastecer os potes de casa e as latas da cozinha. Na volta, já próximo de casa, ouviu um reboliço no mato e uns gemidos. Aproximou-se, com a lata cheia  no ombro , afastou um pouco o mato e tomou um susto. No chão estava sua mulher pelada, no maior escandelo com um vizinho, também nas mesmas condições .  Deu um supapo  danado e ameaçou:
                                               --- Bando de sem vergonhas ! Ói a putaria ! Eu só não jogo essa lata d´água no lombo de vocês,  porque tão com esses corpos quentes e é capaz de vocês estoporarem ! Joviu ?
                                               Esta foi uma das vinganças mais terríveis já acontecidas nos anais de Serrinha dos Nicodemos !

Crato, 03/04/14
                                              

quarta-feira, 2 de abril de 2014

O QUE FIZERAM COM AS FORÇAS ARMADAS

Na minha infância e adolescência, no interior, além do rádio, filmes e alguns livros, as referências e informações para formação dos jovens eram poucas. Além das familiares, algumas figuras regionais que, pelo comportamento e importância, nos eram apresentadas como exemplos de cidadãos corretos.    
Aparecia também outra referência, as Forças Armadas. Tinha grande admiração por soldados dispostos a dar a vida pela pátria. Em relação a isso, todos os meus conhecidos e colegas, tinham um sonho, uns queriam ser aviadores, outros paraquedistas, eu queria ser piloto de tanque. Como o mar nos era desconhecido, poucos desejavam ser marinheiros. Admirava os desfiles em comemoração ao dia 7 de setembro. Cheguei a tocar tambor na banda da escola. Era comum ver na rua ou em festas civis e bailes sociais, como convidados de honra, oficiais fardados que estavam de férias ou de passagem pela região. Nos bailes de debutantes, lá estavam cadetes para abrilhantar a festa, era visível a importância que se davam.
Onde foi parar tudo isso?  Onde está a confiança e admiração irrestrita que a população depositava nas Forças Armadas?  É preciso resgatar esses valores.  Como podemos confiar em quem vive fechado em quartel alimentando fantasias de bravura contra inimigos inexistentes? Ou estão dispostos, baseados em lorotas, a matar seus próprios conterrâneos desarmados? 
É constrangedor que o perigo da moda agora seja Cuba, país insular, pobre, pequeno, mais ou menos do tamanho de Pernambuco, sem exército nem marinha de guerra. País que há 50 anos está bloqueado pelos Estados Unidos, causa medo a quem?  Nossas Forças Armadas tem medo de Cuba? Que departamento de informações, inteligência e propaganda é esse?  Se não alimenta, por que não desqualifica esses boatos? O mea-culpa poderia começar reconhecendo os erros e crimes cometidos durante o regime militar. A desculpa usada pelos criminosos de que cumpriam ordens superiores, não é aceita pela justiça, é crime hediondo, está na constituição federal e reconhecido pelo Brasil em vários tratados internacionais. Os réus nazistas nos julgamentos de Nuremberg e outros, também alegavam cumprimentos de ordens superiores. É preciso contar a verdade sobre o golpe, deixar de agir como coiteiros, o que de fato, já não é possível negar ou esconder. As Forças Armadas merecem respeito, a instituição pertence à nação, não é um covil de malfeitores. Se queremos paz e desenvolvimento, é preciso agir, como por sinal fizeram militares de países (Alemanha, Espanha, Portugal, União Soviética, Chile, etc.) que passaram por experiência semelhante, mas que desejavam reconquistar a confiança e reunificar seus cidadãos.    
Jose Almino Pinheiro
31.03.14     

terça-feira, 1 de abril de 2014

Maribondo - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

 Há pessoas, animais e objetos que passam a fazer parte de nossas famílias, como se delas fossem membros pelo grau de benquerença e adesão.

O velho Malaquias, feitor do eito, foi o primeiro colaborador e companheiro do meu pai desde quando ele se estabeleceu como agricultor no sitio São José, creio que aí por volta de 1925 e privava de nosso convívio. Na época das chuvas liderava um grupo de trabalhadores no plantio de feijão, milho, e arroz e, na moagem cuidava do canavial, fazendo o replantio da cana ou preparando a queima do palhiço.

Entre os animais, ouvia falar do cachorro Tarzan, que morreu antes do meu nascimento, mas em cujo local onde foi enterrado, minha mãe plantou um pé de pequi, hoje uma frondosa árvore sexagenária, conhecida por "Pequizeiro do Tarzan" e, encontra-se ainda produzindo deliciosos frutos, além de preservar a memória do querido cachorro.

Outro animal que era a cara da nossa casa era o cavalo "Maribondo". Não sei qual sua raça, creio que era mesmo um cavalo "pé duro", mas muito bom de "baixos" como dizíamos de cavalo marchador. Somente meu pai podia montar nele. Qualquer outro que tentasse era impiedosamente derrubado.

Lembro-me de que o cavalo Maribondo era o meio de transporte que o meu pai utilizava em suas viagens para a Fazenda Mão Esquerda que ele possuía no estado de Pernambuco, distante cerca de 100 km do Crato. Ele costumava sair às 7 horas da manhã, lá chegando antes do dia escurecer.

Não sabia por que o cavalo Maribondo tinha esse nome, somente tomando conhecimento da razão há cerca de dois ou três anos. O cavalo pertencia ao Sr. Domingos Ferreira, um cidadão de Nova Olinda. Não sei se ele já era amigo de meu pai antes do cavalo ganhar o novo e definitivo nome. Muitas vezes ele visitava meu pai em nossa casa do São José.

O Sr. Domingos vinha montado em seu bonito cavalo para feira do Crato. Certa segunda-feira, amarrou o cavalo sob a sombra de um pé de fícus. Quando foi sair, o cavalo levantou a cabeça e assanhou uma caixa de maribondo, daquele tipo que a gente chamava de "boca torta." Os maribondos ferroaram cruelmente o cavalo que empinou e saiu dando pulos, atirando o pobre homem sobre o calçamento, a uma boa distância. Foi uma queda horrível que quase o deixou morto. Meu pai passava pelo local na hora e socorreu o Sr. Domingos que  precisou ser hospitalizado por vários dias. Não sei se daí surgiu a amizade entre os dois. O certo é que meu pai comprou o cavalo, pois o Sr. Domingos quis se desfazer dele. Por esse motivo, no São José ele passou a ser chamado de Maribondo.

Quando eu tinha pouco mais de doze anos e Maribondo já velho e cansado, tornara-se dócil e qualquer criança poderia montá-lo com segurança. Certo dia, Maribondo encontrava-se selado e meu pai gritou pelo meu nome, mandando que eu montasse no cavalo e fosse até o sitio Pau Seco levar um recado a uma pessoa. Pulava de contentamento, pois pela primeira vez eu iria montar o Maribondo, sem ser na garupa, como sempre acontecia quando eu acompanhava meu pai em suas andanças. De repente, ouvíamos a voz de mamãe que gritava pedindo a meu a meu pai que não fizesse isso, porque aquele cavalo iria me matar. Meu pai virou-se para mim e disse:
- Volte! Vá lavar os pés, porque sua mãe quer você num altar"!

Por Carlos Eduardo Esmeraldo