por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 21 de novembro de 2012

PÃES DA VIDA - José do Vale Pinheiro Feitosa


Do Posto 4 em Copacabana, saindo da Constante Ramos, seguindo por Ipanema até a Afrânio de Mello Franco logo após o Jardim de Alá. Daí até a Lagoa Rodrigo de Freitas e passando pela sede de Remo do Flamengo, até um pouco além da sede de Remo do Vasco e entrando na Rua Maria Angélica no Jardim Botânico.

No varejo, no solado do pé, encontra-se a poupança da fama da cidade. Ainda em Copacabana o Márcio Braga, ex-presidente do Flamengo, Deputado Federal e dono de Cartório, teima em andar na ciclovia quando tem o calçadão inteiro para dividir com outros. Mais à frente o Nilo Batista, criminalista, ex-Governador do Estado com sua companheira Vera Malagutti. Adiante é o próprio Cangaceiro, alto, rosto fechado e passo certeiro, passou o Zé Ramalho. O Ruy Castro arredondou-se e formatou-se como um farto barril de Chopp. Bom a poupança da fama é vasta, mas não é nos calçadões de Copacabana, Ipanema e Leblon que minha narrativa ficará.

Logo na chegada à Lagoa, em frente ao Flamengo, avisto adiante todo o círculo da minha atenção. Uma mulher de estatura mediana, mais para magra, muito branca e com cabelos louros, quase prata. Veste uma bermuda creme claro, blusa branca com listras azuis marinho em sentido horizontal, como estampas de prisioneiros. Os tênis roubam as minhas pupilas: um róseo intenso, diria que solferino. A cabeça coberta com um chapéu branco, de tecido de modo que as abas deitam e balançam ao caminhar.

Ela segue num ritmo apressado de modo que é quase impossível acompanhá-la. Mas tento não perder o contato e sigo com curiosidade. Ela dobra na ciclovia e passa junto à montagem da Árvore de Natal da Lagoa já muito próxima de ser iluminada num sábado festivo. Minha atenção continua com a mulher e por isso percebo que ela se afasta da pista e vai até a beira da água e joga algo nela. É como se tivesse brincando de jogar pedras.

E vou ao encalço de sua movimentação. O caminhar dela excede à mediocridade: é um andar vivo, agitado, balançando de um lado para outro e os ombros com movimentos laterais e verticais. A cabeça pendula independente do tronco e seu rosto se desvia constantemente aos limites da paisagem, mas centra-se na margem da Lagoa. E preciso esforçar-me para acompanha-la.

Logo após o Clube Piraquê ela desaparece, mas logo a avisto na beira da Lagoa jogando algo novamente. Então percebo do que se trata: ela joga pedaços de pão para as aves que vivem na e da vegetação peri-lagunar: como o socozinho, o savacu, várias garças e inclusive o biguá. Mesmo com estas breves saídas eu não consigo chegar perto a ponto e examinar seu rosto. Ela segue na mesma marcha apressada.

E passo a notar outras características do seu caminhar: o braço direito normalmente é fixo com a mão segurando o canto anteroinferior de uma grande bolsa de pano branco onde ela carrega os pães para alimentar as aves. O braço esquerdo agita-se para frente e para trás e por vezes ao lado se afastando do seu corpo. Ela é um todo agitado e sai mais uma vez para, igual a Maria do João e Maria da história de fadas, deitar as migalhas de pão ao chão.

Foi aí que percebi a história. Aquilo tudo tinha um significado narrativo. Os socozinhos logo que a viram correram em direção a ela para então receber o alimento. Aí toda aquela observação passou a ter um sentido. As aves as reconhecem independente de antes ter sido lançado o pedaço de pão. Elas correm tão logo percebem a aproximação daquela mulher entre milhares de pessoas que circulam diariamente pela beira da Lagoa. E a curiosidade atormentou-me ainda mais.

Apressei o passo a ponto de que numa dessas saídas dela pude ver-lhe o rosto. Uma mulher nas vizinhanças entre a segunda metade dos cinquenta ou a primeira metade dos sessenta anos. Óculos escuros, rosto de nariz muito afilado, boca de lábios finos e queixo levemente pontudo, embora a face fosse mais arredondada do que cumprida, embora magra. Aí fiquei entre a conveniência ou não de perguntar-lhe se de fato as aves a reconheciam. Mas a estranheza das ruas é tamanha que é preciso ousadia para não encontrar um dissabor.

Estava naquela curiosidade endividada quando novamente ela vem apressada e passa ao meu lado e pergunto: eu percebi que as aves correram assim que ti viram. Elas te reconhecem?

Sim. Logo que me aproximo.

Você faz isso há muitos anos?

Muitos. Mas é preciso usar sempre esse chapéu. Se for outro elas não reconhecem.

E seguiu no passo apressado dela jogando pão para as aves da Lagoa. Eu fui maneirando o ritmo, estava chegando a hora de entrar na Rua Maria Angélica.

Como a Lagoa é circular, igual a um socozinho, espero encontrar o retorno daqueles pães da vida no próximo dia.     

terça-feira, 20 de novembro de 2012


A Guerra Vem Aí? - José do Vale Pinheiro Feitosa


As interpretações geopolíticas do violento ataque de Israel à Faixa de Gaza dão conta de uma ação conjunta Americano-Israelense que interessam às eleições de Netanyahu, à futura campanha de Hillary Clinton para substituir Obama, a testes de mísseis Israelenses e a treinamento para um futuro ataque ao Irã. O ataque israelense começou com um chefe militar do Hamas, matando-o com uma ação pontual de um míssil enquanto este era um negociador da paz.

No meio da fumaça e do sangue palestino, inclusive de crianças, quem sumiu do noticiário foi a Síria. A Líbia já não existe mais do ponto de vista da mídia ocidental. Surge o Egito como protagonista num jogo de balanço que não tem um toque militar, mas serve de protagonismo para Israel cessar os ataques por algumas horas. Quando parecia haver uma coincidência entre Israel e a Turquia em relação a mísseis lançados em direção à fronteira da Síria, eis que Erdogan critica Netanyahu.

O que se tem disso tudo? É que uma zona rica em recursos estratégicos para as economias em crise está aparecendo continuamente em matéria de conflito e morte. Isso parece um ensaio para as portas de um “body-trip” como evocavam os viajantes psicodélicos. Estará o mundo a eviscerar o verdadeiro sentido da atual crise do capitalismo? Aquelas mesmas crises que redundaram numa grande guerra distribuída em dois estágios: primeiro e segundo.

Faltaria o elemento geográfico da guerra? Afinal os atuais atores para um grande conflitos são intercontinentais, não se configuram apenas no território de um continente como foi inicialmente a Europa e só depois o Japão com o Eixo. Mas aí é que vem a questão do Oriente Médio. É o ponto onde o enredo intercontinental tenebroso se desencadeará envolvendo todo o sudeste Asiático, novamente o Japão e aí os rugidos maiores: a China e os EUA.

Nós aqui na América Latina somos parte desse conflito que como deve ser ressaltado não é meramente militar. O aspecto militar e o terror das mortes é uma superestrutura daquilo que a crise da estrutura econômica do capitalismo passa. Num grande conflito, todas as operações financeiras e comerciais se desarranjam e isso significa desabastecimento, redução da produção, enorme impacto ambiental e uma depressão simultânea a grandes conflitos sociais até nos bairros onde vivemos. 

Haverá um dia seguinte ao conflito? É da natureza da esperança humana, mas isso é desconhecido: pela primeira vez o desespero pode andar junto com bombas atômicas e outras estratégias de destruição em massa, além de grandes desarranjos físicos nas estruturas de reservas de água, de fontes de energia e assim por diante. Basta recordarmos a primeira guerra do golfo com as imagens dos pássaros afogados em petróleo para termos um símbolo do impacto ambiental.

Um cenário desse é um desespero dado que recente relatório da ONU aponta com clareza o efeito do aquecimento global e já associa claramente as recentes tempestades na América Central e Norte a esse processo. Os relatórios já apontam as áreas costeiras sujeitas a impactos mais próximos no tempo do que se imaginou. Com uma guerra de grandes proporções isso tudo pode tornar o “lar humano” numa esquife à memória, mas sem testemunhas a relembrar. Restarão apenas as teias de aranha entre uma tumba e outra.

Nossos blogs andam tão desanimados em comentários que peço se você conseguiu ler até aqui, pelo menos manifeste que o leu.  

Viva , infância feliz!


Sophia faz aniversário.
Vejo-me aos quatro anos, complexada por ser a mocinha da classe, e ainda estar no meio das garotinhas. Mas ela possui a irreverência e espontaneidade que eu não tinha. É livre, danada, e feliz!
Compartilho com esta menina um mundo de fadas em que vivi, e dele nunca sai... A realidade cuida em colocar os nossos pés fincados no caminho do destino. Às vezes pulamos degraus, mas a brincadeira nos manda retornar ao ponto inicial.
Aprendi que não precisamos da  pressa... Nem pra nascer, comer, amar,  morrer... Tudo tem seu gosto, se a vontade de proceder, estiver associada ao momento certo.
O incerto é previsível... Aí, Deus que nos proteja!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

José Mendes de Sá Roriz um Cratense Torturado e Morto - José do Vale Pinheiro Feitosa


Uma coisa interessante na história do Ceará é a participação de sua gente nos grandes eventos históricos do país. Não vou citar amplamente quadros da literatura, pintura, heróis, historiadores, fundadores de religião e assim por diante. Vou lembrar a contribuição de cearenses para as fileiras do Partido Comunista Brasileiro e por este engajamento viveram grandes perigos em sua vida.

O Médico Isnard Teixeira foi uma referência importantíssima, tendo vivido na Bahia e aqui no Rio orientou muita gente, entre elas Carlos Marighella. Quadros importantes do PCB eram cearenses, mas vou destacar uma pessoa muito especial: José Mendes de Sá Roriz.

Nasceu no Crato em 1927, filho de Belarmino de Sá Roriz e Leonina Mendes de Sá Roriz. Lutou na segunda guerra mundial, recebeu inúmeras condecorações e ali perdeu um olho. Durante um ataque na Itália Sá Roriz com risco de morte salvou a vida do General Cordeiro de Farias.

Reformado como 2º Sargento foi morar no Rio de Janeiro onde entrou para o PCB. Participou em movimentos sindicais, foi candidato a deputado federal e membro do Grupo do 11 fundado por Brizola.

Com o golpe de 64 foi preso, torturado e em 1965 foi exilado para o México. Lá ficou até 69 quando resolveu retornar ao Brasil pois um dos filhos estava com uma grave doença. Retornou clandestino.

A família de Sá Roriz vivia sendo presa para forçar o encontro dele. Em 28 de março de 1973 quadros da repressão invadiram sua casa, prenderam e torturaram seu filho mais novo de 17 e toda a família ameaçada até que Sá Roriz se apresentasse. Sá Roriz apresentou-se ao Marechal Cordeiro de Farias a quem salvara a vida, o filho foi libertado e Sá Roriz ficou 17 dias no DOI-CODI/RJ onde foi morto.

Esta história é para lembrar-nos que o ser humano se encontra sempre em primeiro lugar. Por isso mesmo práticas políticas violentas podem ser até justificadas na história, mas quando um país é tomado por um grupo político que “terceiriza” a violência para grupos a política é ferida e a corrupção humana mais perversa prevalece.

Espero que os gritos contra a corrupção não se tomem de espírito apenas pelos cofres públicos, mas tomem de horror igual e ao mesmo tempo pelo acúmulo de riquezas e pelos assassinos de alugueis e por aquele s que usurpam o poder popular para lhes perseguir.  



A Fala do Misantropo - José do Vale Pinheiro Feitosa


Jamais! Mostraria meu riso de satisfação a alguém. Minha alegria interior expô-la a esta gente gosmenta da qual guardo distância. Esta gosma que ri para balançar o rabo a seus ídolos e patronos. Que muda de ideia conforme os ventos assim como uma biruta de aeroporto.

Prefiro os becos desertos, os confins rurais, a imensidão da praia e apenas os siris. Tudo que é humano é falso e circunstancial. Trapos que abrem guarda-chuvas se os pingos caem, esfregam filtro solar quando a luz amanhece, entornam fermentados em natura ou destilados para se dispersarem no esquecimento que, afinal, nada  conseguem juntar.

Mais do que vacas mansas de presépio, se encontram na tropelia de porcos em disputa pela lavagem na cocheira. Suas abocanhadas antes das outras e por isso mesmo distribuída em duelos de abocanhadas entre si. São meros saqueadores de partes de outrem com a satisfação de enfeitar-se de um poder e visual que não possuem.

E tomo distância das suas invencionices, dos seus arroubos de arte, das artimanhas de suas narrativas e ideias. Tudo o que resta é uma balburdia resumida a eles mesmos. Apenas eles se entendem e sentem o que sentem não se sabe por qual sublimação da idiotice genérica.  

Mesmo os edifícios que são as suas expressões materiais na crosta do mundo se tornam rochas ocas a se deteriorarem rapidamente. As obras de arte, todas elas, expressionistas, figurativas, livros, artesanatos ou que mais houver, são a mais absoluta solidão do ser. E intenção mesmo que sob o sigma do absoluto nonsense tudo se resumirá ao que todas as obras humanas são: a solidão humana de sua compreensão. Apenas eles a entenderão. De resto serão apenas acidentes geográficos.

Tenho asco do contado desta gente. Nada do que lhes é símbolo perde o putrefato sentido de suas entranhas. Os suores, os cheiros, os dejetos, as caspas que se despregam do couro cabeludo, o sebo que brilha na testa e o esmegma da sujeira genital. Tenho nojo destes fluidos seminais que misturados geram estes seres sebosos, ensanguentados e melados de uma gosma viscosa à vista de um trançado e descartável cordão umbilical.

As eructações da gororoba ingerida e depois tornada um suco gástrico azedo que sobe feito uma chaminé em busca de uma saída diretamente às narinas que se deleitam com perfumes e se enojam com tais odores. O que não se dirá da extrema derrota da vida: entre roncos e sopros de esforço, com as pernas dobradas para não receber o conteúdo, destas veias cheias do pescoço e a vermelhidão do rosto a expulsão o bolo alimentar fétido das bactérias intestinais.

Detesto tudo que é humano e por isso estou longe desta humanidade degenerada. Vinculado a mim mesmo, sem outro móvel de repulsão. Sem a quem repulsar. Repulsar.

A mim mesmo. Pleno do mesmo fato da mesma natureza adversa. A minha pessoa física.   

domingo, 18 de novembro de 2012

O Supremo Tribunal Federal Condenou Olga Prestes - José do Vale Pinheiro Feitosa


Os punhos cerrados e o ódio acelerado recomendam aos contemporâneos dos fatos a razão do tempo até que o equilíbrio se restabeleça e as pessoas possam viver sem sangrar rotineiramente. Quem leu o recente livro Marighella o Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, escrito pelo jornalista Mário Magalhães há de perceber quanto os meios de comunicação são meros estímulos a punhos e ódios. Marighella em 35 é pintado com todas as humilhações pela redação a serviço das elites e do regime e em 45 como herói contra a ditadura. Bastava que se pensasse um pouco mais para compreender a razão pela qual em 27 de Agosto de 1947 o Supremo Tribunal Federal negou a extradição de um estrangeiro casado com uma brasileira, pois esta estava grávida e esse mesmo STF onze anos antes, em 21 de março de 1936 expulsou Olga Benário do País, recusando-se a testar seu estado de gravidez e permitindo que o Governo brasileiro a entregasse ao governo Nazista que a assassinou tão logo a filha nasceu.  

O Supremo Tribunal Federal com um provável parecer jurídico do famoso jurista Clóvis Bevilácqua, consultor Jurídico do Itamaraty aposentado – natural de Viçosa do Ceará e filho do Padre José Beviláqua e Martiniana Maria – votou pela expulsão de Olga Benário com o seguinte acórdão: A Corte Suprema, indeferindo não somente a requisição dos autos do respectivo processo administrativo, como também o comparecimento da paciente e bem a assim a perícia médica a fim de constatar o seu alegado estado de alta gravidez. E desse modo sem ao menos permitir que uma junta médica atestasse a gravidez de Olga os Excelentíssimos Senhores Juízes do Supremos Tribunal Federal assinaram contra o impedimento e, portanto, pela permissão da expulsão de Olga o Edmundo Pereira Lins pela Presidência e Bento de Faria o Relator. Votaram a favor: Hermenegildo de Barros (Vice-Presidência), Plínio Casado, Laudo de Camargo, Costa Manso, Octávio Kelly, Ataulfo de Paiva, Carlos Maximiliano, Carvalho Mourão e Eduardo Espínola. Unânimes num crime histórico.

Uma ressalva: já estamos falando aí nas decisões finais, pois analisamos um requerimento da ré, Olga Benário, detida na Casa de Detenção, impetrada pelo seu Advogado Heitor Lima. A biografia de todos os envolvidos vem ao caso, especialmente dos Membros do Supremo Tribunal Federal, uma vez que não são meros agentes da política, mas instituições dos poderes do Estado. O Presidente que assina a permissão da expulsão o relator Bento de Faria era um burocrata do direito nomeado para STF pelo autoritário Artur Bernardes que governou quase inteiramente em Estado do Sítio.   

Apenas para lembrar a citação de um dos ministros que votaram por entregar Olga para um Campo de Concentração Nazista: “Toda lei é obra humana e aplicada por homens; portanto imperfeita na forma e no fundo, e dará duvidosos resultados práticos, se não verificarem com esmero, o sentido e o alcance de suas prescrições”. E nisso vem a nossa perplexidade: como alguém pode pensar e não perceber o que fazia naquele ato? É que a tecnicidade a que muitos chamam de mérito é um instrumento contaminado a serviço do poder. Especialmente o poder discricionário. Quando a vida econômica é luxuosa, os mídias adulam e estimulam a vaidade no extremo da idiotice, a tecnicidade de um Celso de Mello é manjar do Olimpo.

A verdade é que a Olga, não se pode negar o desconhecimento dos Ministros daqueles momentos de atrocidades humanas, pois não ocorriam apenas no além mar, mas ali perto, alguns quarteirões entre o Supremo na Avenida Rio Branco e o Quartel da Polícia no Morro de Santo Antonio. Olga não era um monstro, fora enviada por demanda da Polícia Política Alemã e em sua correspondência com Prestes desde o Campo de Concentração onde afinal teve a filha o foi assassinada escreveu após a filha lhe ter sido retirada: Desde que Anita me deixou, mantenho todos os dias longas, longas conversas contigo. Que possa vir o dia em que estejamos novamente juntos! Abraço-te de todo o coração. Tua Olga.

Por isso mesmo estes arrufos tomando por base o Supremo com uma verdade última mostra-se mesmo uma vingança de punhos e ódios, sobretudo. Aliás, hoje vou marcar a frase da Presidenta Dilma para o Jornal El Pais sobre o julgamento do Mensalão  afirmando que como Presidenta da República não poderia se manifestar sobre decisões da Suprema Corte e completou: “Acato suas sentenças. Não as discuto. O que não significa que ninguém nesse mundo de Deus está por cima dos erros e das paixões humanas.” (O grifo é meu).



Amar verbo incondicional - José do Vale Pinheiro Feitosa







OUÇA A MÚSICA ENQUANTO SEGUE O POEMA


eu amo teus olhos baços,
não como lembrança do brilho de outrora,
amo as luzes finas,
penumbras que traduzem detalhes,
pupilas que escondem universos,
pálpebras pregueadas de resguardos,
amo teu olhar lento,
penetrando o irrevelado,
e assim me deixa leve,
leve de palavras não ditas.

como amo tuas rugas universais,
cada trajeto de tuas veias tortas,
as vigas musculares de tuas mãos,
as manchas solares de teu corpo,
amo a trajetória no tempo,
a longa espera dos espaços,
amo a delicadeza de tua pele frágil,
cada detalhe da superfície de teu mundo,
este mundo ao qual gravito.

amo teus cabelos opacos,
a rebeldia dos fios esquecidos da cor,
cada mecha que diz: até aqui vivi,
o modo displicente que parece pouco,
quando na verdade foram muitos anos,
e tantos que parecem evocativo sésamo,
sobre os ombros como se nunca houvesse fim.

amo tua coragem de viver,
pois a beleza não é estética plástica,
é um pouco de forma, um tanto conteúdo,
como uma fera que teima sobreviver,
uma criança que deita-se no colo para sonhar,

amo tua virtude de envelhecer,
sendo outra a cada passo
e a mesma no horizonte,
amo teu ardor de viver,
pois beleza não é grade da juventude,
ela é o que meus olhos amam,
como amo teus olhos baços,
tuas rugas universais,
teus cabelos opacos,
subterfúgio para amar tua coragem.

sábado, 17 de novembro de 2012

Jornal "O POVO" - José Nilton Mariano Saraiva

Abaixo, artigo de nossa autoria, publicado hoje, 17.11.12, na página principal (06) do jornal O POVO, de Fortaleza-CE.

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Uma tal “mosca azul” - José Nilton Mariano Saraiva
Embora bem encaminhado na vida (é funcionário graduado da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará), o sonho do cidadão Evandro Leitão, torcedor fanático do Ceará Sporting Club, sempre foi o de presidir o clube de coração e detentor da maior torcida do Estado. E contando com o apoio de influentes “cardeais” alvinegros, findou chegando lá. Dinâmico e preparado, graças à eficiência e seriedade do seu trabalho diuturno o patrimônio do clube foi fortalecido, a parte administrativa organizada e, mais importante, as finanças saneadas, redundando na volta do respeito à instituição Ceará Sporting. Assim, adquiriu credibilidade e status para formar um time competitivo e forte, que findou ascendendo à elite do futebol brasileiro, a primeira divisão. Mas, aí pintou no pedaço uma tal “mosca azul”. É que, empolgado com os holofotes, o revolucionário presidente foi induzido a acreditar que o espaço que ocupara já não comportava seu campo de ação, que poderia sonhar mais alto, que precisava buscar novos desafios. Houve, então, a guinada rumo à atividade política, naturalmente que ancorado na esperança de contar com os votos da imensa “nação alvinegra”. E aí teve início o “começo do fim” de um trabalho até então reconhecido até pelos adversários. Pois bem, candidato a Deputado Estadual, não conseguiu eleger-se, embora haja pavimentado o caminho para ser convidado a assumir uma Secretaria de Governo do Estado. Empossado e obrigado a dedicar-se “full time” à nova atividade, findou por constatar que não poderia servir a dois senhores ao mesmo tempo. Então, delegou poderes a um dos Diretores que, além de se mostrar inadequado para o cargo, resolveu seguir o chefe e enveredar na atividade política. Também não foi eleito. E o time, que voltara à segunda divisão (por falta de comando extra-campo ou de um simples murro na mesa), dia a dia cai pelas tabelas, cumpre este ano uma campanha prá lá de medíocre. Enquanto isso, Evandro Leitão já se declarou candidato nas próximas eleições. Foi ou não picado pela “mosca azul” ???    

Ronaldo Correia de Brito
Depois de publicado o romance Galileia, o escritor Ronaldo Correia de Brito voltou à fazenda onde nasceu, em Saboeiro, nos Inhamuns, Ceará, com uma pergunta na mente:

Luíz Ferreira, um dos personagens do livro "Estive lá fora", colhia 90 Kg de algodão como escrevera? A obra do vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2009 tem como cenário estes sertões cearenses.

De Recife, onde mora e exerce a profissão de médico, Ronaldo Brito foi para o Crato e de lá até Saboeiro onde pegou a estrada de 18 Km para a fazenda onde nasceu. Reencontrou a casa tão grande como imaginava. Ao procurar o paradeiro de Luíz Ferreira, agricultor amigo do seu pai de profissão vaqueiro e da sua mãe, soube que ele estava na roça. Lembrava que ele havia perdido o próprio pai e um filho de 15 anos de maneira muito trágica.

No caminho do roçado, o escritor encontra um sobrinho do agricultor que indica onde ele está e orienta para seguir pelo aceiro da caatinga. Ao subir o passador da cerca, o escritor avista o agricultor a semear na pedra três grãos de milho e três grãos de feijão cova por cova. “Muito alto, Luíz Ferreira se encosta-se à enxada, tira o chapéu e para”, momento em que lhe é perguntado:

- Sabe quem eu sou?

- Ronaldo de Ritinha -, diz Luíz Ferreira, e bota para chorar. As lágrimas esguicham e o rosto dele não se contrai. O homem emudece.

Ronaldo faz a pergunta:

- Quantos quilos de algodão você apanhava por dia?

-12 arroubas de 15 quilos cada. No total, são 180 Kg. Então cala definitivamente.

“O pego pelo braço e vamos andando até a casa enquanto falo, falo, e ele não diz uma palavra”, conta o escritor. Continua mudo ao chegar, até quando Ronaldo entra no carro, já para voltar, e ele toca no braço dele e pergunta:

- Você tem filhos?

- Eu já contei que tenho três filhos quando vínhamos da roça – ele observa. E o agricultor justifica não ter registrado a informação:

- Tive um passamento, não ouvi uma palavra. E acrescenta:

- João e Ritinha fizeram muito bem em levar você daqui. Aqui você não seria nada.

Nisso, a mulher de Luís Ferreira interveio:

- Se ele tivesse ficado aqui teria sido qualquer coisa que quisesse. O que importa é o que ele é.

“O sertão é um silêncio em meio às palavras. Nenhuma sobra. A quantia exata, como em Graciliano Ramos fez em “Vidas Secas”. As palavras contadas em covas, três e três”, conclui Ronaldo Brito.

O relato foi feito pelo escritor na X Bienal Internacional do Livro, no Centro de Eventos, em Fortaleza, sábado (dia 10).  O escritor havia cancelado outros compromissos da agenda para lançar o seu novo romance “Estive lá fora”, mas não providenciaram sequer um exemplar para aquisição e autógrafo e colocaram o evento num café, no barulho e agitação da feira, não em uma sala fechada.

Ronaldo formou uma roda com as pessoas que vieram ouvi-lo e abriu para perguntas o bate-papo que preferiu em vez de palestra proferida do palco com mediadores. Defendeu o silêncio como o espaço da literatura. Iniciou com a observação de que a literatura pede silêncio. Antes do início do diálogo, reclamou à organização do evento por não tere sido providenciado receptivo no aeroporto nem transporte do hotel até o Centro de Eventos. Cogitou de cancelar a apresentação, e até avisou alguns amigos que chegaram mais cedo e foram embora.

O escritor tem convites da França e Alemanha para conferências e assinatura de contratos de tradução com editoras europeias. No final deste mês, só não irá a evento literário em Frankfurt porque a data coincide com o casamento da filha também médica em Recife.

O Prêmio São Paulo de Literatura conquistado pelo seu primeiro romance, Galileia, trouxe o escritor cearense às capas dos jornais de circulação nacional com páginas nos cadernos culturais e nas revistas semanais. “Para chegar a isso, foi muito trabalhoso. É preciso ter organização e agenda, se tornar profissional. Ou se é um escritor profissional ou amador”, disse ele, ao comentar que se dedica à literatura com o mesmo profissionalismo dedicado à medicina.

Mas o escritor não é dado a glamourizar a profissão. “Marceneiro também tem agenda, padeiro e confeiteira de bolo”, compara. No caso, a sua agenda inclui entregar uma crônica ao jornal “O Povo”, de Fortaleza, de 15 em 15 dias e uma crônica semanal ao portal Terra Magazine, atender encomendas de um conto para uma publicação alemã e outro para uma revista da Universidade Brown, nos Estados Unidos.

No hospital, Ronaldo Brito conta que atende 26 pacientes por dia, e compara a profissão à de escritor. “Só trabalhamos com sensibilidades diferentes, com materiais diferentes. Ser médico me dá um grande pragmatismo: sabemos que temos três minutos para ressuscitar um paciente; passado esse tempo, ele tem morte cerebral”.

Clínico, o escritor conta que sempre trabalhou com desgraça em emergência e com doentes muito graves no hospital de trauma. “Pude sobreviver da medicina”, diz ele, e lembra que para isso chagou a acumular sete, cinco e diminuiu para três empregos. “Nunca me vendi à literatura. Faço o que desejo da forma que quero. A medicina me possibilitou fazer a literatura que sempre quis. Mas o mercado é muito violento: são cinco milhões de títulos que disputam 40 mil lugares”, assinala. 

Numa ocasião no hospital, ouviu um bendito como os que ouvia em caminhões de romeiros do Padre Cícero rumo a Juazeiro do Norte. O cântico parecia vir das profundezas da terra. Saiu à procura pelas enfermarias até que achou uma preta velha no leito com fratura de quadril. Ela explicou para ele que cantava “um hino evangélico”.  Mas Ronaldo Brito identificou um ponto nagô de terreiro.

- Não é - falou a mulher.

- Sou de terreiro. Sou capaz de identificar que é.

- O senhor é disso?  - ela pergunta.

Ele confirma.

- O senhor é feito? – ela quer saber, já cúmplice:

- Eu também frequentei – revela.

A preta velha chamava Nanã Buruku “para ela adoçar minha morte”. – O dia da sua morte se aproximava e ela cantava para que Nanã Buruku abrisse caminho para a morada dos mortos. O caso ocorrido numa enfermaria de hospital é citado pelo médico como literatura.

Em Pernambuco, no Estado Novo, a polícia perseguia os praticantes das religiões afro, os terreiros eram proibidos de realizar os rituais da religião dos orixás, informa Ronaldo Brito. Hoje, segundo ele, a perseguição é feita pelas igrejas evangélicas, de forma ainda mais eficiente.

Aos 61 anos, o escritor dá prova de maturidade na linguagem do conto, romance, crônica e teatro, sucesso de crítica e de público. Tem domínio de uma clareza conceitual do ofício que expõe com a destreza treinada de divulgador em saúde nas feiras no interior de Pernambuco. Agora, com o seu exemplo de dedicação, em vez de vender óleo de cobra, prega o amor à literatura.

“A literatura parte de cacos de memória. O resto é invenção”, diz Ronaldo Brito ao citar exemplos de Macondo na obra de Gabriel Garcia Marques e Mississipi nos livros de William Faulkner. O caso dele, as histórias que ouvia no sertão dos Inhamuns quando pequeno. Em uma delas, um homem assassina a esposa. Se tranca numa casa no quarto mais central e mais escuro e nunca mais é visto. O relato é do irmão do seu oitavo avô que veio de Portugal e, de Recife, desceu as margens do rio Jaguaribe. Matou a esposa com um punhal “reluzindo como ave prateada que retiniu” mas não foi mais visto e ela faleceu nos braços dos irmãos.

“Para mim, ele continua trancado no quarto. A história passa a ser um rio que passa. Tenho um ponto de tensão que funda a literatura”, diz o escritor. Neste ponto o autor cita Hermann Broch, escritor judeu austríaco que defende como saída para o artista moderno não perder a perspectiva do que está lá atrás. O homem não pode perder a perspectiva do mito, disse ele, que recomenda também imersão completa no logos, no conceito de Walter Benjamin.

É o sertão dos Inhamuns que permanece na base da literatura de Ronaldo Brito, a sua perspectiva mítica e de criação. Ao longo da sua literatura, Ronaldo Brito diz que tenta se livrar desse crime ocorrido na sua família.

Muitas perguntas da plateia servem de mote para introduzir uma história antes da resposta. Indagado sobre o trabalho do memorialista, Ronaldo Brito diz que “a melhor maneira de narrar a história é através da ficção do que sendo simplesmente historiador. Como exemplo, cita que nenhum livro se compara a “Guerra e Paz”, de Tolstoi, ao narrar como Napoleão foi derrotado na Rússia com a mescla de personagens reais e de ficção que possibilitam fixar a compreensão dos fatos melhor do que nos compêndios de história.

“O ficcionista é um historiador mentiroso, não preocupado em criar verdade, mas uma boa literatura”, afirma o escritor. Ele cita Jorge Luís Borges: a “Ilíada” foi mais importante para Homero que todo o povo grego. Se não fosse Homero, a Grécia antiga não existiria. Do mesmo modo, atribui a Euclides da Cunha ter inventado Canudos, que não teria existido, tendo sido fixada no imaginário com o livro “Os Sertões”.  

“Narrar é uma forma de esquecer. Não há coisa para o escritor sofrer mais do que a memória”, diz Ronaldo Brito. William Shakespeare, segundo ele, depois que se livrou da memória ao produzir a sua obra principal só escreveu sonetos sofríveis, virou comerciante e ganhou muito dinheiro. “Espero ainda ganhar muito dinheiro”, brincou.

Perguntaram uma vez ao escritor judeu polonês Isaac Singer, por que ele só escrevia sobre putas, bêbados e ladrões judeus, conta Ronaldo Brito. Ele respondeu que não iria escrever sobre espanhóis pois não conhece estas pessoas. O escritor contempla a grande construção do arquétipo humano. Desta fonte atribui a João Guimarães Rosa ter bebido em relatos de trovadores medievais da donzela que vai à guerra para criar a personagem Diadorim. “Todas histórias são comuns, um grande patrimônio da humanidade que se pode acessar como o Google”, compara.

Ronaldo Brito diz que anda fazendo pregação como Frei Damião pelo direito aos bens da cultura. “Acessem o conhecimento que vocês quiserem, recriem um conto chinês antigo”. Segundo ele, a autoria é uma invenção da modernidade, não existia quando Giotto pintava um afresco que era atribuído à corporação dos pintores. “Um tempo todos os bens serão acessíveis e serão propriedade de todos”, profetiza.

O estereótipo do escritor que recebe a inspiração e produz a sua obra é desfeito por Ronaldo Brito. O escritor que chega em casa à noite, toma um banho, põe uma camisa leve e liga o computador para escrever, para ele, não é bem assim. “É trabalho, doi nas costas, os olhos ardem”.

“Não acredito em musas. É sentar e escrever. Sentar e trabalhar”, conta o escritor. Ronaldo diz que quando chega do hospital não espera nenhuma musa. “Só gosto de escrever na minha casa, na minha mesa e em meu computador, com todos os livros ao alcance da mão”. Fora de casa, o que ele faz são anotações e tem uma infinidade de cadernetas. “Leio muito. Escolhi não frequentar bares e festas sociais, uma vida de asceta como monge beneditino com oração e trabalho. Uma ascese escolhida: escolhi viver para o meu trabalho”.

Conta que viveu obcecado com o personagem Cirilo do seu novo romance, que pulou em suas costas como o capiroto. “Fiquei doido. Aparecia até em sonhos. Nunca fui apaixonado como ninguém por ele. Fiquei desorientado: não sabia nem ir na padaria”. O processo de escrever, conforme o autor é um exercício de grandes êxtases. “Há momentos que exigem quando atravessar o deserto, pensando no oásis para dar num deserto ainda maior”.  

Aos 61 anos, Ronaldo Brito lembra uma história hindu que recomenda ao homem se recolher à floresta aos 60 anos de vida, e aos 80 se tornar mendigo. Diz que sente vontade da floresta mas no momento tem sido chamado para atender a sua agenda de escritor. “Entendo isso como uma missão”, afirma.

“Como o povo judeu, sou não pertencido”, diz o autor. Foram muitas andanças e não deu tempo de fincar raízes. Até os cinco anos ficou em Saboeiro na fazenda, foi para o Crato; depois Fortaleza e Recife, onde viveu e vive mais tempo. “Tive pela primeira vez a sensação de que Recife me acolheu. Conheço cada beco, cheiro e cor da cidade que vivi visceralmente. Acho que Recife está me incorporando como um dos seus intelectuais. Tenho necessidade de ser incorporado como cearense”, disse ele.

O médico acha Fortaleza linda demais, ensolarada demais. De Recife, fala do fedor do mangue, do peso da história, muita guerra e revolução. Por alguma coisa, ele acha que Recife casou com os seus primeiros cinco anos no sertão. Marca esta relação com a palavra ‘pathos’. Mesmo assim diz que se sente sem lugar, rejeitado.

Além de publicar livros de contos e romances, Ronaldo Correia de Brito incursionou na área musical e do teatro em parceria com o também médico e escritor cearense Francisco Assis de Souza Lima, com o texto “O Baile do Menino Deus” - uma brincadeira de Natal, como ele mesmo diz, depois transformado em musical e gravado para o selo Marcus Pereira em LP, depois Eldorado, que há 29 anos está em catálogo, agora CD.

“Nossos filhos estão crescendo e estão sendo educados com outras coisas, não vão ter nada das lapinhas que ouvimos na nossa criação”, recorda Ronaldo Brito do que disse a Assis Lima quando resolveram, de forma despretensiosa, escrever “O Baile do Menino Deus”, gravado em fita com o músico Antonio Madureira, então na Orquestra Romaçal. O espetáculo teatral “O Baile do Menino Deus”, adptação da mesma autoria, é a peça que ficou em cartaz de modo contínuo por mais tempo no Brasil, segundo o Ministério da Cultura, e em 2013 vai comemorar 30 anos de encenação no Marco Zero, em Recife.

A dupla Ronaldo Brito e Assis Lima lançou também “Bandeira de São João”, “O Pavão Misterioso” e “Arlequim” com música de Antonio Madureira. O livro “O Baile do Menino Deus”, da Editora Objetiva, que mostra a alma do natal brasileiro e nordestino  – comemora Ronaldo Brito –, já vendeu mais de 500 mil exemplares e virou obra de domínio público com autores vivos.
 

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Você nasce sem pedir e morre sem querer... 
Por isso, aproveite o Intervalo SENDO FELIZ!!! 
VOCÊ VALE OURO PARA MIM!  
cid:027e01c8eda8$d593c8e0$9000a8c0@local.datasupri.com.br
 Passados mais de
40 anos, eis o que aprendi:

O Tempo passa.
A vida acontece.
A distância separa.
As crianças crescem.
Os empregos vão e vêem.
O amor fica mais frouxo.
As pessoas não fazem o que deveriam fazer.
O coração se rompe.
Os  pais morrem.
Os colegas esquecem os favores.
As carreiras terminam.
Mas..... os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto
tempo e quantos quilômetros estejam entre vocês.
Um amigo nunca está mais distante do que
o alcance de uma necessidade,
torcendo por você,
intervindo a seu favor e esperando você de braços abertos;
abençoando sua vida!
Todos nós, quando iniciamos esta aventura chamada vida,
não sabíamos das incríveis alegrias ou tristezas
que estavam adiante,
nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.
 Moral da história:
A amizade não se resume só em horas  boas, alegria e festa.
Amigo é para todas as horas,
boas ou ruins, tristes ou alegres.
 CONSERVEM SEUS AMIGOS!
PERDOE AS DESAVENÇAS QUANDO HOUVER,
SEJA FELIZ AO LADO DELES PORQUE O VALOR QUE ELES TÊM
NÃO TEM PREÇO... 

 
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Gileno Alves Santa Cruz

Só Menescal




A flor se fecha mesmo antes do anoitecer.
Só conhece ela o outono?
Ou o inverno é a estação preferida por suas pétalas?
É uma flor arisca.
Dispensa a borboleta e afasta o beija flor.
Faz plissado em suas pétalas,
diz que é pra se defender dos besouros.
De noite, fecha os olhos, mas dorme sono agitado.
Só de madrugada se permite receber o orvalho.
Dorme nesta hora.
Aurora alisa sua face,
as borboletas chegam em seguida e fazem cachos nos seus longos cabelos,
querem colocar laçinhos...
ela acorda, espirra muito, sacode o orvalho das pétalas e sopra as borboletas para longe.
Não importa, no próximo amanhecer as borboletas virão para fazer longas tranças nos seus cabelos.
E assim voltarão todos os dias.
Os besouros também virão
e desmancharão as pregas das suas pétalas até a flor virar menina.
Ela vai sorrir. Vai querer dançar e depois voar.
As borboletas lhe emprestarão asas multicores.
Juntas viajarão pelas beiras de rios e açudes, cheirando o ar das manhãs, beliscando as goiabas maduras.
Quando o calor da tarde chegar receberão o abraço e a sombra fresca das mangueiras.
E à noite dormirão pousadas nos girassóis.
Acordarão cobertas de orvalho, esfregando os olhos, bebendo as delícias da manhã, iniciando nova viagem.
Até que a menina se reconheça mulher. Não precisará mais das asas das borboletas.
Seus desejos agora serão outros. Estará pronta para diferentes voos,
com suas próprias asas.
Fará graciosas coreografias para despedir-se das borboletas,
A flor menina,
agora flor mulher.
(Stela Siebra Brito)
Dedicado à minha irmã Lúcia. Faz tanto tempo que escrevi esse poema.