por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 23 de abril de 2021

MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - José Nilton Mariano Saraiva

MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – José Nilton Mariano Saraiva


Independentemente do viés capitalista/socialista, durante muitos anos, nos mais diversos países do planeta Terra, o desenvolvimento econômico, decorrente da Revolução Industrial, sobrepôs-se e impediu que os problemas ambientais fossem considerados seriamente, como deveriam.

A poluição e os negativos impactos ambientais do desenvolvimento desordenado eram visíveis (já então), mas, ante os “benefícios” (???) proporcionados pelo progresso, eram irresponsavelmente justificados como um “mal necessário” e algo com que deveríamos conviver e nos resignar, para sempre.

Nos dias atuais, após a descoberta da camada de ozônio, do efeito estufa e do perigoso aquecimento global, a racionalidade parece ter sido posta em prática, e o conceito mudou radicalmente; assim, proteger o meio ambiente não significa impedir o progresso, bem como não se pode admitir um desenvolvimento predatório e insustentável.

Ante tal constatação, governos de todo o mundo reconhecem ser fundamental a conscientização coletiva da necessidade de se promover o desenvolvimento em harmonia com o meio ambiente, na procura de uma vida saudável e duradoura.

Para tanto, é por demais louvável a ideia de defesa intransigente da adoção do desenvolvimento sustentável, que tomou corpo e cresceu assustadoramente nas últimas décadas, norteando a ação dos órgãos públicos encarregados da defesa do meio ambiente, em todo o mundo.

No caso do Brasil, especificamente, a própria Constituição Federal estabelece que todos têm direito a um meio ambiente ecologicamente equilibrado, porquanto é o homem, o ser humano, a pessoa, não só como indivíduo mas como humanidade e como sujeito, a razão direta e prioritária do benefício de um meio ambiente sadio e autossustentável.

Pena que no atual governo isso tenha sido deixado de lado, daí hoje o Brasil não ser visto com bons olhos pela comunidade internacional, tendo em vista as criminosas e recorrentes queimadas e o agressivo desmatamento verificados na Amazônia e no Planalto Central do país (Pantanal), por parte de inescrupulosos empresários descompromissados com o país (sem que as autoridades ditas competentes tomem as devidas providências).

Eis que hoje (23.04.21), ao participar de uma reunião de líderes mundiais para tratar sobre medidas a serem tomadas visando preservar o meio ambiente, o “traste” que desgraçadamente nos governa, ao mendigar ajuda financeira para tal mister, mentiu despudoradamente ao afirmar... “determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando recursos para ações de fiscalização”.

Ao sair dali, sem a menor cerimônia e por trás das cortinas, autorizou um corte de duzentos e quarenta milhões de reais na pasta do Meio Ambiente.

UM "DIA DE MERDA" - Luis Fernando Veríssimo

 UM “DIA DE MERDA” – Luis Fernando Veríssimo


Transcrevemos uma "história real", vivenciada por um personagem famoso (Luis Fernando Veríssimo) e o fazemos porque, além de engraçada, coincidentemente, há alguns anos atrás, na mesma cidade (Rio) e no mesmo aeroporto (Galeão), passamos por situação (quase) idêntica (tomamos a liberdade de por em "caixa alta" algumas passagens que consideramos antológicas).

José Nilton Mariano Saraiva

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Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, mas nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse. Mas, atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o voo para Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutinhos de “busão”.

Chegando lá (pensei), tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranquilo, o avião só sairia às 16:30. Entrando no ônibus (sem sanitários), SENTI A PRIMEIRA CONTRAÇÃO E TOMEI CONSCIÊNCIA DE QUE MINHA "GRAVIDEZ FECAL" chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto. Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil, falei: Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso “largar um barro”.

Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e “segurei a onda”. O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1 hora, devido a obras na pista.

AÍ, O URUBU FICOU MALUCO, QUERENDO SAIR A QUALQUER CUSTO. Fiz um esforço hercúleo para segurar o “TREM MERDA QUE ESTAVA PARA CHEGAR NA ESTAÇÃO ÂNUS" a qualquer momento. Suava em bicas. Meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada, mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e...

Ops, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que HAVIA CAGADO. Um cocô sólido e comprido, daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério: CARA, CAGUEI !!!

Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. Que se dane, me limpo no aeroporto, pensei. Pior que isso não fico. Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte.

ARREGALEI OS OLHOS, SEGUREI-ME NA CADEIRA, mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés.

E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líquida, daquelas que queimam o fio-fó do freguês ao sair rumo à liberdade. E depois um PEIDO TIPO BUFA, que eu nem tentei segurar. Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado...

Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa, arrasador. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pelos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. TINHA MESTRUADO tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.

Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: Agora chega, né? Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo desesperadora, o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia.

Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o check-in e ia correndo tentar segurar o voo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma MALETA DE MÃO e saiu antes de qualquer protesto de minha parte. ÊLE TINHA DESPACHADO A MALA COM ROUPAS.

Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'. A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado, comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era história. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias mudaram de cor tingidas pela merda. Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar.

A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.

Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola 'V', sem camisa. MAS CAMINHAVA COM A DIGNIDADE DE UM LORDE INGLÊS.

Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' (fui até aplaudido) e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir: Nada, obrigado. Eu só queria esquecer este dia. UM DIA DE MERDA..."

quinta-feira, 22 de abril de 2021

PERDEU, "OTÁRIO" - José Nilton Mariano Saraiva

 Em “N” oportunidades, através de diversas postagens nos últimos dois anos (é só acessá-las), sempre advogamos que o Supremo Tribunal Federal contribuiu decisivamente para o “golpe” que findou por, não só impedir Lula da Silva de participar das eleições passadas, como também pela sua prisão (sem nenhuma prova), por ordem de um juizeco de primeira instância.


E que, haveria oportunidade, sim, para que esse mesmo Supremo Tribunal Federal se redimisse das decisões equivocadas tomadas e se reconciliasse com a população brasileira. Era só usar de isenção e voltar ao seu leito natural.

Pois é, chegou a hora.

Primeiro, ao finalmente reconhecer (antes tarde do que nunca), que um juizeco de primeira instância jamais poderia arrogar para si a condição de “juiz de jurisdição nacional” (como o foi Sérgio Moro durante certo período) anulando todas as condenações injustamente impingidas por ele ao ex-presidente, já que o foro utilizado (Curitiba, sede da tal Lava Jato) não era o competente.

Agora, ao reconhecer aquilo que metade do mundo e a outra banda já sabiam: que o juizeco atuou com desleal e extremada parcialidade e, politicamente, visando impedir que o ex-presidente voltasse ao poder (como aconteceu), daí a ascensão da excrescência que aí está (o Bozo).

Resta agora, para que finalmente a justiça seja feita em sua essência, prender Sérgio Moro e os procuradorizinhos raivosos de Curitiba e cobrar-lhes a devida indenização pelos 580 dias que o ex-presidente ficou detido ilegalmente (se possível trancafiando-os nas masmorras da mesma Curitiba). Aqui se faz, aqui se paga.

Perdeu, otário.

terça-feira, 20 de abril de 2021

A "FRUSTRAÇÃO" COM A IGREJA - José Nilton Mariano Saraiva

 A “FRUSTRAÇÃO” COM A IGREJA – José Nilton Mariano Saraiva


Particularmente, não compactuamos com o velho adágio popular que, de forma equivocada, medrosa e inconsistente, prega que “política, religião e futebol” não se discutem, já que considerados temas por demais polêmicos. Advogamos, sim, que se existem argumentos convincentes e consistentes, devam ser brandidos e utilizados na elucidação de dúvidas e querelas a respeito.

Assim (com o devido respeito a quem pensa diferente), e partindo-se do pressuposto de que reportar-se à “instituição Igreja” é necessário, permitimo-nos exibir a opinião de alguém que a vivenciou em toda a sua plenitude, porquanto por muitos anos um dos seus principais e badalados pastores: Leonardo Boff.

José Nilton Mariano Saraiva

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IGREJA, A GRANDE “MADRASTA” – Leonardo Boff

“O padre, o seminarista, é educado para ter um “VERDADEIRO CASAMENTO" com a instituição Igreja; assim, aquilo que a pessoa dá em termos de libido, de amor à sua companheira, à sua mulher, ele é educado a dar à sua Igreja.

Agora, há uma fase em que o padre desperta. Geralmente quando “cai na vida real”, como pároco, como agente de pastoral, aí ele se dá conta de que essa Igreja é UMA GRANDE MADRASTA. Que usa a força dele, sua libido, sua inteligência em favor dos interesses institucionais dela e não das pessoas humanas. Que ela, Igreja, não se interessa muito pelos problemas do homem da rua, que tem problema com limitação de natalidade, com eventual aborto, com fracasso no matrimônio e a vontade de começar um outro. Ela, a Igreja, não se interessa, ela é fria e sem piedade e aplica a doutrina.

E AÍ O PADFRE ENTRA EM CRISE, fica entre o pastor que sente o próximo, e a subjetividade que foi criada nele de ser o representante da instituição, da doutrina; e entra num conflito onde muitos sucumbem: ou ele abre e entra num novo estado de consciência e é um pastor que viola as doutrinas, ou ele se enrijece, recalca aquele mundo e fica o homem da instituição, do poder, da palavra rígida e até se transfigura. Ou, então, a terceira alternativa: MUITOS ABANDONAM.

E aí vão atrás das causas profundas que podem ser, digamos, O ENCONTRO COM UMA MULHER. Não é apenas o encontro com uma mulher, quer dizer, ao encontrar a mulher e descobrir o mundo da intimidade, da ternura, da compreensão, do companheirismo, da vida como todos os mortais vivem, que é carregada de valores, e que isso foi tolhido a ele, conclui: "Puxa, mas Deus não pode ser inimigo disso, Deus tem de ser pensado como um prolongamento disso ao infinito e não como corte disso". E aí, muitos então saem, profundamente FRUSTRADOS COM A INSTITUIÇÃO IGREJA.

Então, a educação é levada nesse sentido; POR FORÇA DO CELIBATO você não pode ter o intercurso sexual. Então, a mulher se torna a tentação próxima. E você é educado a não olhar nos olhos da mulher, porque ela é tentadora, de nunca conversar com ela sozinho, mas sempre acompanhado de outros”.


segunda-feira, 19 de abril de 2021

DE SUBSTANTIVOS, ARTIGOS E VERBOS (autor desconhecido)

 DE SUBSTANTIVOS, ARTIGOS E VERBOS (autor desconhecido)


Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanático por leituras e filmes ortográficos.


O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém para ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo; mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.


Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.


Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo; todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.


Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: abraçaram-se, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa.


Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.


Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas.


Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício.


O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.


O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva."


(Autor desconhecido)

domingo, 18 de abril de 2021

FORMAR UM FILHO... "DOUTOR" - José Nilton Mariano Saraiva

 FORMAR UM FILHO... “DOUTOR” – José Nilton Mariano Saraiva

Durante o pavoroso regime nazista comandado por Adolf Hitler (e evidentemente que sem entender da profundidade do tema), muitas mães implicitamente incorriam na traumática “escolha de Sofia”: aquele horripilante e pavoroso lance em que uma mãe judia prisioneira era literalmente obrigada a “sacrificar” um dos rebentos em detrimento de outro, porquanto, se não o fizesse, ali, na hora, ao invés de um (o menino ou a menina ???) os dois, seriam “premiados” com um banho letal de cianureto, nas câmaras de gás.

Pois bem, a reflexão é só pra lembrar que, desde tempos imemoriais, principalmente no seio de famílias menos favorecidas do “interiozão brabo” desse nosso Brasil varonil, principalmente na área rural (e temos parentes que aqui se incluem), o desejo acalentado e inconteste de pais e mães sempre foi o de ... “FORMAR UM FILHO DOUTOR” (aqui entendido como o graduar-se em Medicina). Para tanto, estavam a praticar a “escolha de Sofia”.

É que, por absoluta carência de recursos necessários à contemplação de mais de um (e como à época vigorava o conceito de que “onde come um comem dez” e o tal “controle da natalidade” era uma miríade distante), o “fazer filhos” era a regra de uma família paupérrima, na maioria das vezes objetivando uma futura e decisiva ajuda na luta pela sobrevivência, ali, na roça, no cabo da enxada (excetuando-se, como explicitado acima e restou comprovado a posteriori, aquele a quem se destinaria o “olimpo”, na cidade grande).

Mas aí, em muitas oportunidades, o próprio rebento “premiado”, depois de ralar muito e ser aprovado no mais concorrido dos vestibulares, depois de encher os pais de orgulho, depois de seis anos de dedicação “full time” visando tornar realidade o sonho dos pais, pois bem, não mais que de repente descobre não ter vocação para a coisa e que havia, sim, um meio mais fácil  de “se fazer na vida”: o ingresso na corrupta atividade política.

Assim, e lamentavelmente (devido à carência de profissionais numa área ainda tão prioritária) muitos dos que se formaram DOUTORà custa do esforço sobre-humano dos pais, nunca fizeram um simples curativo, sequer manipularam uma seringa, jamais prescreveram qualquer medicação a algum paciente e - quem sabe - jamais adentraram em um hospital ou posto de saúde, se mudaram de mala e cuia  para o “eldorado” mafioso da política carreirista. E para tanto, aí sim, passaram a usar e abusar da patente de “Doutor”, a fim de “abrir portas” (o vistoso e reluzente “anel no dedo” em muito contribuía).

Adstringindo-se à nossa praia (o Ceará) na capital e interior temos “doutores” em profusão no exercício dos cargos de vereador, prefeito e deputado (todos ricos), sem que nunca tenham exercitado a “atividade-fim” da formação acadêmica (e os filhos são encaminhados para tal).

Assim, o sonho dos pais, acalentado durante anos e anos, jaz esquecido e deixado para trás, por obra e graça dos “encantos” e da facilidade que a atividade política oferece de “se fazer na vida” rapidamente (mesmo que por métodos heterodoxos). Definitivamente, os tempos são outros.

Alfim, há que se destacar, sob pena de não o fazendo injustiçá-los, que os vocacionados para o mister, aqueles que realmente “vestiram a camisa” desde o ingresso na faculdade e até a pós-formatura não medem esforços, são, sim, dignos e merecedores de encômios e de reconhecimento público, pelo verdadeiro “sacerdócio” no dia-a-dia de uma atividade estressante e sofrida. Afinal, além de não os frustrarem, se mantiveram fiéis ao sonho dos pais de um dia... “FORMAR UM FILHO DOUTOR”.

Poderão, mais à frente, após “passados na casca-do-alho” de uma longa experiência no “laboratório da vida” (o exercício diuturno da Medicina) ingressar na arena política objetivando melhorar a vida dos menos favorecidos, aos quais acompanharam “pari-passu”. 

Para tanto, adquiriram ao longo do caminho o competente “know-how”.  

 

sábado, 17 de abril de 2021

O DESESPERO DO "CORONÉ" - José Nilton Mariano Saraiva

 O DESESPERO DO “CORONÉ” – José Nilton Mariano Saraiva

Arrogante, prepotente e falastrão, definitivamente o “coroné” entrou em desespero.

“Ex” íntimo de Lula da Silva, que o tornou Ministro de Estado quando exerceu a Presidência da República, bem que o “coroné” poderia se achar em melhor situação nos dias atuais, se tivesse aceito o convite para figurar como vice na chapa encabeçada pelo próprio Lula da Silva, na última eleição presidencial.

Fincou pé, porque pra ele só servia a “cabeça de chapa”, daí o PT lançar Fernando Haddad. Que, face a previsível impossibilidade do titular em concorrer, acabou guindado a “cabeça de chapa” do partido e (apoiado por um Lula da Silva preso), quase chega lá (o tempo de campanha foi muito curto).

O “coroné”, como é de conhecimento público, de novo, outra vez, novamente ficou pelo meio do caminho (pela terceira vez) e, derrotado, preferiu ir lamber suas feridas em Paris, omitindo-se na hora decisiva do pleito e com isso colaborando sobremaneira pra que hoje tenhamos essa excrescência na cadeira presidencial. Sim, o Bozo lhe deve muito e, intimamente, lhe é grato.

Retomando o fio da meada.

Com a prisão irregular e arbitrária de Lula da Silva (antes da eleição), e já visando concorrer na eleição seguinte, o “coroné” tratou de detratá-lo, de ofendê-lo, de humilhá-lo, de gozar com o infortúnio dos seus simpatizantes e da cúpula do PT (“o Lula tá preso, otário”, não cansou de repetir), na perspectiva de criar uma imagem negativa do próprio ante os direitistas e desavisados e, pois, preencher o vácuo provocado pela sua ausência.

Assim, no arraiá do “coroné”, havia uma única e cristalina certeza: as suas chances, com Lula da Silva fora da disputa, seria passar até com certa facilidade para o segundo turno, onde, na condição de bom tribuno (mesmo que mentindo muito) “trucidaria” e faria “picadinho” do Bozo, em razão do seu despreparo e incompetência.

Mas, eis que o Supremo Tribunal Federal, revendo as decisões/condenações que haviam sido impostas a Lula da Silva pela quadrilha de Curitiba (sob o comando do juizeco de piso Sérgio Moro), houve por bem, ante as irregularidades constatadas, anular todas elas, tornando-o “elegível” e apto a concorrer à próxima eleição presidencial, em 2022.

E aí, o desespero do “coroné” emergiu em todo o sem esplendor, porquanto ciente que: a) não tem a mínima chance se Lula da Silva entrar no páreo, e b) de que, quem “está” Presidente tem como se garantir no segundo turno (face os 30.0% de votos cativos).

A partir daí, o alvo é Lula da Silva e o PT, e a artilharia vai ser pesada nesses quase dois anos que faltam para a próxima eleição (até porque Lula da Silva não lhe deu ouvidos quando, pateticamente, implorou que ele desistisse de candidatar-se em seu favor).

Temos, agora, um problema[U1]  sério: como o Brasil está sendo isolado do mundo em razão de ter-se tornado uma “bomba relógio” próxima a explodir e espalhar o vírus letal a torto e a direito (isso face o Bozo não ter tomado as providências devidas no combate à pandemia), o “coroné” talvez não consiga viajar mundo afora pra afogar suas mágoas.

A não ser que se mande pra Sobral, onde manda e desmanda, casa e batiza, faz e desfaz.  

 


 [U1]

quarta-feira, 7 de abril de 2021

A "CIDADE MARAVILHOSA" - José Nilton Mariano Saraiva

A “CIDADE MARAVILHOSA” - José Nilton Mariano Saraiva

Cidade litorânea, agraciada com uma “beleza natural” ímpar, por anos a fio o Rio de Janeiro funcionou como a “capital” do Brasil e, portanto, sede do Governo Federal, com toda a sua estrutura ministerial, administrativa e de segurança reforçada e, por conta disso, recepcionadora de delegações do mundo inteiro, advindo daí uma economia pulsante e pujante.
Embora à época o marketing não tivesse ainda uma atuação tão determinante como nos dias atuais, a verdade é que a inexcedível “beleza natural” da cidade se impôs por si só, e os “alienígenas” que lá aportaram exerceram papel decisivo na sua propagação mundo afora, quando da volta às respectivas origens. Assim, o Rio de Janeiro tornou-se uma cidade segura, cosmopolita e logo (re)batizada de “cidade maravilhosa” (tantas eram as opções ofertadas, em qualquer segmento/atividade).
Mas, como todo processo desenvolvimentista tem seus ônus e bônus, no Rio de Janeiro não foi diferente; assim, descobriu-se que à beleza natural da cidade poder-se-ia acrescer um handicap poderosíssimo, que decerto atrairia mais e mais gente: surgiu então um tal “carnaval”, festa profana, de produção cinematográfica, com suas estonteantes mulheres seminuas, capazes de atrair e deixar a “gringarada” endinheirada de queixo caído e no mais alto e perene estado orgástico. Tanto é, que passou a figurar e tornou-se opção obrigatória nos “cardápios” das agências de turismo do mundo inteiro (era algo imperdível, garantiam os experts). E assim, ano após ano, eles nos propiciaram suculentas divisas (bônus).
Em contrapartida, tal enxame de turistas estrangeiros cheios do vil metal (que lhes permitia extravagâncias sem fim), potencializou o complexo de inferioridade de boa parte dos seus habitantes e propiciou um profundo sentimento de revolta dos “excluídos da festa”, oriundos não só da sua paupérrima periferia, mas, também, de outros estados brasileiros; iniciava-se ali a gestação do “ovo da serpente”, que mais tarde se materializaria em todo o seu terrificante e apavorante esplendor: as milícias (ônus).
Mas eis que, cumprindo promessa de campanha de que se vencedor do pleito presidencial “relocalizaria” a capital do Brasil para o centro do seu território continental, Juscelino Kubitschek (eleito) do nada erigiu no planalto central do Brasil uma bela, nova, planejada e moderna cidade, Brasília, que desde então tornou-se a capital de todos os brasileiros e, também, admirada por gregos e troianos.
Em decorrência, toda a estrutura governamental (e seus milhares de funcionários e respectivas famílias) tiveram que se mandar da “cidade maravilhosa”, a fim de assegurar a manutenção do emprego na nova capital. O Rio de Janeiro dançou solenemente (principalmente no tocante ao quesito segurança) e aí, literalmente, os “milicianos” tomaram de conta do pedaço, decretando o começo da decadência da outrora “cidade maravilhosa”.
Frustrados e talvez por vingança (perderam o status de capital do Brasil e a “segurança reforçada” da qual desfrutavam), os moradores da cidade decidiram (equivocadamente) que não mais se preocupariam quando das eleições do executivo e legislativo; e, assim, passaram a eleger figuras menores e medíocres, tais quais Negrão de Lima, Moreira Franco, Eduardo Cunha, Eduardo Paes, Sérgio Cabral, o índio Juruna, Pezão, Agnaldo Timóteo e, mais recentemente, os Bolsonaros.
Expulso do Exército por insubordinação e terrorismo, o paulista Jair Bolsonaro viu na atividade política a oportunidade para “se fazer” na vida, e assim, apoiado por periféricos, elegeu-se Vereador pelo Rio de Janeiro; antes de concluir o mandato virou Deputado Federal, repetindo a dose em sete oportunidades, a partir de então (durante esse tempo, pulou de galho em galho, demonstrando nenhuma fidelidade partidária), já que transitou por 08 agremiações: PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP, PSC e PSL.
Nesse ínterim (e aqui podemos constatar a irresponsabilidade do eleitor carioca) , conseguiu com que três dos filhos fossem eleitos e ingressassem para o legislativo (municipal, estadual e federal) aos quais repassou “nobres ensinamentos” da atividade política (dentre os quais as famosas “rachadinhas”, hoje por eles exercitadas com vigor e entusiasmo).
Conclusão: paradoxalmente, o processo de decadência do Rio de Janeiro (“cidade abençoada por Deus” no dizer dos poetas) parece ter servido de rampa de lançamento para a ascensão do não abençoado clã Bolsonaro.
Lamentável, sob todos os aspectos.