por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 5 de abril de 2015

"RATIFICAÇÃO" - José Nilton Mariano Saraiva

Na edição de hoje da “Folha de São Paulo” o competente jornalista Jânio de Freitas RATIFICA - à sua maneira; evidentemente - aquilo que já havíamos comentado ontem na postagem "A Petrobras e o Pragmatismo Chinês" no tocante ao sucesso do pré-sal; à campanha negativa contra a Petrobras por parte de maus brasileiros e; paradoxalmente; o apoio e estímulo incondicionais por parte dos “pragmáticos” chineses. Confira abaixo.
(Obs: estamos sem a vírgula; daí o uso do ponto e vírgula)

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De olho no óleo, por Janio de Freitas - (Folha de São Paulo – 05.04.15)

A pressão para que seja retirada da Petrobras a exclusividade como operadora dos poços no pré-sal começa a aumentar e, em breve, deverá ser muito forte. Interesses estraula)ngeiros e brasileiros convergem nesse sentido, excitados pela simultânea comprovação de êxito na exploração do pré-sal e enfraquecimento da empresa, com perda de força política e de apoio público. Mas o objetivo final da ofensiva é que a Petrobras deixe de ter participação societária (mínima de 30%) nas concessionárias dos poços por ela operados.
Como o repórter Pedro Soares já relatou na Folha, a Petrobras está extraindo muito mais do que os 15 mil barris diários por poço, previstos nos estudos de 2010. A média da produção diária é de 25 mil barris em cada um dos 17 poços nos campos Lula e Sapinhoá, na Bacia de Santos (de São Paulo ao Espírito Santos). Perto de 70% mais.
Não é à toa que, se a Petrobras perde a confiança de brasileiros, ganha a da China, que a meio da semana concedeu-lhe US$ 3,5 bilhões em empréstimo com as estimulantes condições do seu Banco de Desenvolvimento.

Por Norma Hauer

MOREIRA DA SILVA ... E O PRIMEIRO DE ABRIL
Ele gostava sempre de dizer que nascera em um primeiro de abril, mas que não era de mentira. Esse primeiro de abril foi no ano de 1902.
Assim, todos os anos, nessa data, desfilava em carro aberto pela Rua da Carioca comemorando seu aniversário, para mostrar que estava vivo.
Seu nome : Antônio Moreira da Silva, que se tornou conhecido como MOREIRA DA SILVA – O Tal, cognome que lhe deu César Ladeira ao levá-lo para a Rádio Mayrink Veiga, em 1937, depois de descobri-lo no Cassino Atlântico.
Antes de ingressar no rádio, cantava música romântica em bares e bailes, o que hoje parece impossível ter acontecido com o sambista que incentivou sua carreira cantando sambas de breque. Não foi o criador desse estilo de cantar (Luiz Barbosa, também da Mayrink, já o fazia, mas com pequenas frases.)
Foi no Teatro Méier, interpretando o samba “Jogo Proibido” que interrompeu a música e “desfilou” seus breques, entusiasmando a platéia e fazendo-o adotar o estilo até o fim de suas apresentações aos 96 anos , em 1998.
Não foi o cantor que mais gravou, mas foi o que cantou durante mais tempo. Afinal, viveu 98 anos , lúcido até o fim.
Sua primeira gravação foram dois pontos de macumba: “Ererê” e “Rei da Macumba”, em 1931, na Odeon. Mas seu primeiro sucesso foi o samba “Arrasta a Sandália”, em 1932.
Em 1935 outro grande sucesso:”Implorar”,de Kide Pepe e Germano Augusto.
Já sendo um nome conhecido, em 1938 foi a Portugal, ali tomando parte em um filme de nome “A Varanda dos Rouxinóis”, de Leitão de Barros.
Regressando ao Brasil no mesmo ano, voltou à Mayrink, indo depois para a Rádio Tupi.
Em 1940 e 1941 dois sambas “estouraram”:
“Etelvina, acertei no milhar
Ganhei quinhentos contos,
Não vou mais trabalhar...
Você dê toda nossa roupa aos pobres
E a mobília, podemos quebrar (isso é pra já)
Etelvina, vai ter outra Lua de mel
Você vai ser madame, vai morar num grande hotel
E telefone para o Mané do armazém
Porque não quero ficar devendo nada a ninguém
Eu vou comprar um avião azul
Para percorrer a América do Sul
Até que enfim agora sou feliz
Vou percorrer a Europa toda, até Paris...
E os nossos filhos, oh, que inferno,
Eu vou pô-los no colégio interno...
Mas de repente, mas de repente...
Etelvina me chamou, está na hora do “batente”
Mas de repente...
Etelvina me chamou...
Foi um sonho, minha gente.
“e O “Amigo Urso “
"Amigo Urso, saudações polares,
Ao leres esta, hás de te lembrares"
Ele a regravou, corrigindo o “português” assim:
"Amigo Urso,saudação polar
Ao leres esta, hás de te lembrar"
Daquela“ grana” que eu te emprestei,
Quando estavas mal de vida e nunca te cobrei,,,”
A primeira gravação foi recolhida e, quem a adquiriu, ficou com uma raridade.
Dois sambas foram sua marca em 1952: “Olhe o Padilha” e “Na Subida do Morro”.
Padilha era um delegado “durão” que não admitia certas “intimidades” na rua e mandava prender quem as cometesse.
Morengueira, brincalhão, gravou o samba que “estourou” como um dos maiores sucessos daquele ano.
Seu primeiro LP, já nos anos 60, recebeu o nome de “O Último dos Malandros” e em 1963 gravou uma série de composições de Miguel Gustavo, lançados em um LP, aberto com “O Último dos Malandros”.
Em outros LPs gravou Noel Rosa com “Conversa de Botequim”; regravou “Acertei no Milhar”, alterando sua letra para “ 500 cruzeiros” ao invés de 500 contos e regravou, ainda, “Na Subida do Morro”.
Em 1979, convidado por Chico Buarque, fez parte de um LP com o nome de “A Ópera do Malandro” na qual, em dueto com Chico, gravou “Meus 12 Anos”.
Em 1980, viajou pelo Brasil com o “Projeto Pixinguinha”; em 1989 lançou um LP denominado “ 50 Anos de Samba de Breque” e, em 1992, foi homenageado pela Escola de Samba “Unidos de Manguinhos” com o samba-enredo “Moreira da Silva-90 Anos de Samba”.
Com Dicró, e Bezerra da Silva gravou um LP de nome “Três Malandros in concert”, numa sátira aos “Três Cantores in concert”, com Pavarotti e Cia.
Ainda, em 1995 teve fôlego para se apresentar no Projeto Seis e Meia do Teatro João Caetano.
E em 1998 num LP de nome “Brasil são Outros 500”. encerrou sua carreira com “Amigo Urso”.
Ele dizia que viveria 100 anos, mas a morte o levou em 6 de junho de 2000, aos 98.

sábado, 4 de abril de 2015



A PETROBRAS E O "PRAGMATISMO CHINÊS" - José Nilton Mariano Saraiva

Sábios, pacientes e pragmáticos, os chineses não dão murro em ponta de faca e nem admitem marola com coisa séria. E por serem muito criterioso em tudo o que fazem, é que atingiram a condição de maior potencia do mundo, da atualidade. Não entram em aventuras que venham a lhes causar problemas futuro, daí só investirem quando o retorno é certo e onde haja a garantia de manutenção das regras por parte de um governo institucionalmente estável. Especialmente em termos econômico-financeiros, o rigor na “seletividade” dos parceiros é sua marca maior, beirando ao extremismo. Em assim procedendo, o chinês não se deixa ludibriar por qualquer canto de sereia e não desembarca em nenhum desses portos chinfrins da vida.

Por isso, e embora a desonesta mídia brasileira haja adotado um silencio sepulcral sobre, é gratificante tomar conhecimento, e tratar de difundir aqui e alhures, que o “pragmatismo chinês” prevaleceu mais uma vez, porquanto, mesmo com o vendaval de denúncias e a posterior confirmação de malfeitos perpetrados por alguns aloprados na Petrobras (sem a participação do chefe do poder executivo), resolveram investir pesado na empresa, concedendo-lhe um empréstimo de estratosféricos U$ 3.500.000.000,00 (três bilhões e quinhentos milhões de dólares) além de acenarem com a perspectiva da concessão, mais adiante, de novos e portentosos investimentos.

E isso, repita-se, apesar de toda a campanha negativista e malévola encetada contra aquela estatal e seus funcionários por uma oposição raivosa e sectária (ainda lambendo as feridas do inconformismo por ter perdido uma eleição que considerava certa) e difundida com estardalhaço por uma mídia corrupta e desonesta, que também fracassou em sua tentativa de eleger o representante da “gringarada” (o playboy do Leblon, Aécio Neves) por essas bandas.
 
E os chineses fizeram tal opção por uma razão simplória e objetiva, mas que alguns maus brasileiros (incensados por políticos corruptos e irresponsáveis), teimam em querer manter à sombra: é que, independentemente das dificuldades momentâneas que atravessa, a Petrobras é, sim, uma das maiores empresas do mundo em termos de prospecção e extração de petróleo em águas profundas (em face da sofisticada tecnologia de ponta que desenvolveu ao longo dos anos) e que lhe permitiu descobrir as fabulosas e até então virgens jazidas do pré-sal a 7.000 metros de profundidade e a milhares de quilômetros de distância da costa brasileira (um feito inigualável).

Além do que, o que se comenta entre especialistas (e os chineses devem tomado conhecimento, evidentemente) é que hoje a Petrobras estaria até “economizando” em investimento pelo fato de os poços do pré-sal serem mais produtivos que o esperado. Por exemplo: num poço em que se previa produzir 15 mil barris-dia, em média, produz, hoje, 25 mil barris a cada 24 horas. E isso, queiram ou não admitir os “eternamente do contra” (sempre de plantão) é uma monstruosidade, em qualquer idioma, tendo em vista que no Mar do Norte a média é 15 mil barris de petróleo por poço/dia e, no Golfo do México, são 10 mil barris de petróleo por poço/dia. Pois bem, no campo de Lula, um só poço produz tanto quanto um do Mar do Norte e outro do Golfo do México, SOMADOS. E mais: alguns dos poços do pré-sal chegam a produzir, entre óleo e gás, 45 mil barris-dia de média e na produção do poço de Libra espera-se rendimento de 50 mil barris diários.

Assim, a alvissareira perspectiva é que, como o faz hoje a pragmática China no mundo sempre haverá alguém para “negociar-conceder” créditos a uma empresa detentora de um capital intangível insuspeito e que literalmente se acha fincada sobre as maiores jazidas de petróleo recentemente descobertas. Portanto; a tendência é que depois da casa arrumada novos e potenciais parceiros deverão aportar por essas bandas em breve.

Conclusão: mesmo ante a ação criminosa naquela estatal de meia dúzia de bandido-engravatados (de alta periculosidade), de par com mafiosos políticos e empresários inescrupulosos – cujo objetivo maior sempre foi, é e será entregar o pré-sal à “gringarada” – tal não ocorrerá. Isso porque, detentora de tantos predicados, a Petrobrás impor-se-á sobre o vendável de falcatruas de que foi vítima – apesar da recorrente e desesperada tentativa da “tucanalhada” de enxovalhá-la e denegri-la dia a dia.

No mais, aprendida a lição (mesmo que de forma traumática e dolorosa), a partir de então é tratar de blindá-la hermeticamente, visando obstar qualquer outra "investida-bandida", principalmente da abjeta e desprezível classe política brasileira.



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Os elos de uma só cadeia

J. Flávio Vieira

“Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!
No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

Castro Alves ( “Navio Negreiro”)

                                               O lenga –lenga parece cantiga de grilo : não tem fim. Desde os anos 90 roda,  no Congresso,   Projeto de Emenda Constitucional que busca reduzir a Maioridade Penal no Brasil. Em meio ao tiroteio interminável da nossa violência urbana, com frequentes casos de menores envolvidos em delitos, a grande Mídia – reflexo das classes mais privilegiadas do país que lhe patrocina—tem levado a maior parte da população ( mais de 80%)  a crer nesta medida como fundamental para a atenuação da nossa violência urbana. Recentemente a Comissão de Constituição e Justiça apreciou a PEC 171/93, apresentada pela Frente Parlamentar de Segurança Pública, vulgarmente conhecida como  Bancada da Bala, e a proposta foi aprovada por mais de 70% dos votos. Deve agora seguir os trâmites legais e ir, depois, à  votação  na Câmara e no Senado.
                            Nado contra a maré mais uma vez.  Acredito que a Emenda, se aprovada, não só não atenuará o problema, como tende a piorá-lo. Continuaremos  matando algumas formigas na boca do formigueiro, imaginando que assim solucionaremos o problema da saúva no milharal. E as razões que me levam a pensar assim são transparentes. Primeiro , as estatísticas mostram que apenas uma fatia mínima dos jovens , algo em torno de 0,5%, comete delitos. Estes, na sua maioria , são pobres, pouco alfabetizados, negros e residem em áreas em que o Estado sempre se mostrou profundamente omisso. Eles são , na verdade, vítimas do sistema perverso onde estão metidos e não agentes da violência das ruas.  Punir apenas, isenta totalmente o Estado da sua culpabilidade e estaremos, mais uma vez,  mexendo apenas nos efeitos e colocando no baú as causas.  Além de tudo, se resolvesse cadeia para criança, o problema estaria , de longe, resolvido. Temos uma Pena de Morte tácita nas ruas para os menores infratores. Nos últimos vinte anos,  os homicídios de crianças e adolescentes cresceram 350%,  só em 2010, foram assassinadas 24 crianças e adolescentes a cada dia.  
                            Aplicada a nova Maioridade Penal, os presídios,  já perversamente abarrotados, se encherão , agora, de crianças, sujeitas a todo tipo de agressão. Já possuímos a quarta maior população carcerária do mundo.  Delinquentes menores se matricularão, automaticamente, em verdadeiras universidades do crime . Os presídios brasileiros têm uma vergonhosa taxa de reincidência de 70% e a do sistema socioeducativo aplicado, com toda falha desse mundo, não chega a reincidência a 20%. Aprovada a PEC, feriremos , de morte, o Estatuto da Criança e do Adolescente e mais : a Emenda parece de todo inconstitucional. Além de tudo, para nós que nos preocupamos tanto  com a imagem do país no exterior, estaremos agredindo acordos internacionais importantes como  a Convenção sobre os Direitos da Criança e do Adolescente da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Declaração Internacional dos Direitos da Criança compromissos assinados pelo Brasil. Por outro lado, a elite brasileira que tanto se preocupa em copiar modelos estrangeiros precisa saber que das 57 Legislações internacionais existentes sobre Maioridade Penal, apenas 17 preconizam maioridade abaixo de 18 anos, ou seja a minoria de tão-somente 29%. Os índices de delitos entre jovens no Brasil de 10%, por outro lado, estão abaixo da média mundial  que é de 11,6%.
                            A aprovação da PEC 171/93, assim, não é só inócua, como perigosa e irresponsável. A chave para minorar a delinquência juvenil no país está na Educação e não na punibilidade. O Estado precisa  olhar para todos e não tratar alguns como filhinhos do papai e os outros como enteados. É preciso , sim, continuar na luta contra a desigualdade social. As vozes que hoje se levantam  a favor da diminuição da Maioridade Penal  são a reencarnação daquelas mesmas que um dia se puseram contra o fim da Escravidão e  a favor do genocídio de Canudos e do bombardeio do Caldeirão.  Elas continuam hasteando os mastros dos seus Navios Negreiros e reerguendo seus Pelourinhos pelas praças deste país.


Crato, 02 de Abril de 2015

segunda-feira, 30 de março de 2015

Noite mágica! Lançamento do livro de Geraldo Urano

O Ferrolho do Abismo e Prato de Estrelas

Evento que reuniu pessoas que eu gosto e admiro.
Depoimentos belíssimos de  Zé Flávio, Abidoral Jamacaru, Pachelly, Claúdia Rejane,João do Crato ,Calazans Calou,Rafael, , Salatiel., Emerson Monteiro...


 poeta Bebeto




Família!


O bolo da festa.Lindo!

Músico: Calazans Calou




Vera e Roberta




POETA!


Justíssima homenagem ao grande poeta cratense.



" um homem caminha na tarde do brasil
uma laranja cai do pé
uma boca azul como a terra beija o sol
são três da tarde
olhem pra mim
não sou uma gracinha?
desci da nave com minha roupa brilhante
e tomei uma Coca-Cola na esquina"


Escolha aleatória de um dos seus poemas.
Pensei que iria ler , Geraldo Urano ,de uma  só vez...mas  não !
O livro  é de  cabeceira.




 

sexta-feira, 27 de março de 2015

Harar - José do Vale Pinheiro Feitosa



Um dia tomamos conhecimento de um lugar. Diferente. De tudo que temos como realidade. Assim como os contos das mil e uma noites. Chegando até nós pelos arcos dos palácios, entre as alamedas dos jardins internos, esgueirando-se através dos muros e saindo pelas amplas trilhas dos desertos.

Muitas noites em torno de brasas a fazer chá. Muitos sóis queimando todo o movimento das possibilidades, reduzindo-as a um silêncio introspectivo das caravanas abrasadas. Através o ermo até chegar ao destino com sua preciosa mercadoria.

A mercadoria da história. Chegando à porta daquele lugar, que agora sabemos ser Harar a capital muçulmana. A quarta mais importante cidade do Islã, após Meca, Medina e Jerusalém. E escolhido um entre cinco dos seus portões que representam as virtudes do Islã.

Escolhido e penetrado no burburinho do mercado interno. Contemplando suas mesquitas. As madraçais onde as crianças aprendem sobre as trilhas da terra e dos céus.  Deixado suas novidades nos depósitos, ido até Alá e prestar-lhe conta de seus atos perante o mundo.

Amar. Os belos olhos que penetram meu peito não para bisbilhotar meus segredos, mas para cevar nas suas entranhas um ramo que perfume, que irriga os desertos como um jardim, colore os céus como suas roupas e faz do lago um imenso cristal habitado por flamingos, patos e peixes a pular na superfície.


Harar chegou até meu conhecimento como um lugar. Um lugar para penetrar seus muros, vender as mercadorias e extrair da vida toda a promessa de felicidade que o mundo guarda para aqueles que a buscam. 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Imagens do Povo da Etiópia - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nossos valores, especialmente aqueles pelos quais somos capazes de arrastar a babá do bebê, vestida de branco como convém à dignidade de classe média, para tirar um selfie com bebê e tudo em plena passeata do “bate panela”. Completando a informação.

Nossos valores refletem a possibilidades de acesso ao mundo material dos modelos de civilização. O que ela nos oferece se torna cultura que é outra maneira de falar de tais valores.

O nosso ideal é ter um carro. Nunca um “bate panela” irá, com convicção, a uma passeata em prol do transporte em bicicleta. O carro é seu “fetiche” cultural, sem ele não existe representação social.

Isso é verdade para os motociclistas. Converse com qualquer neurocirurgião sobre o que pensam desta epidemia de lesões decorrentes do enorme trânsito de motocicletas na sociedade brasileira. Mas vá dizer isso a quem tem uma e a usa.

Mas o meu assunto é a Etiópia. E tenho alguma pressa pois logo o blog estará aliviado, por um tempo, das minhas incursões. E hoje é sobre isso mesmo. Como numa determinada região de Etiópia (Gonder, Bahir Dar e Lalibela) vimos o povo a pé em longa tiradas à beira da estrada.

Com suas vestimentas típicas. Mantos para se abrigar do frio e do sol, saia coloridas e compridas. Cores intensas e primárias. Os homens desde da fase de transição entre criança e ser adulto, avançando na idade usam cajados de madeira.

É costume vê-los com o cajado cruzado nos ombros e com os braços descansando sobre ele. Já na região mais muçulmana, entre Dire Dawa e Harar, onde existe um comércio de chat (uma planta usada como estimulante) e várias cidades intermediárias, o povo andava em vans e no chamado tuc-tuc uma cabine para três pessoas montada sobre a estrutura de um triciclo.

A cidade de Lalibela impressiona pela religiosidade cristã. Um cristianismo primitivo. Ortodoxo. Vindo de era distante. O rei Lalibela construiu igrejas impressionantes em rochas abaixo do nível do chão. Como os cristãos da Etiópia tinham dificuldade para fazer peregrinações a Jerusalém (é isso mesmo ainda no século XI eles iam da Etiópia ao Oriente Médio) em razão do domínio mouro, Lalibela transformou a cidade, que passou a usar seu nome, numa verdadeira Jerusalém.

A um riacho denominou Rio Jordão e monte das Oliveiras a outra formação na proximidade. E são onze igrejas em monólito com túneis ligando-as, sistema de abastecimento de água e escadas para se descer até elas.

Existe um local para feira. Só que ali não existe moeda intermediando. São trocas no estilo escambo. O povo vem das elevadas montanhas, com mais de 3 mil metros de altura, com seus produtos, trocam e voltam a subir em destino de suas casas.

Um rio Jordão, um Monte das Oliveiras, igrejas em pedra, a visão que se tem do povo com os sacos de produtos nas costas é de um tempo bíblico. De um povo bíblico em plena África. O vídeo abaixo mostra isso.




A paisagem da Etiópia é belíssima. E o Tucum a habitação mais típica de toda a região. O vídeo abaixo vai mostrar isso mesmo.  


quarta-feira, 25 de março de 2015

"INJERA" - José do Vale Pinheiro Feitosa

Feita da farinha do “teff” fermentada, com a troca de três águas, a “injera” é na prática assada numa grande e redonda forma de cerâmica sobre o fogo e tampada a maior parte da cocção. A matéria prima do fogo pode ser o carvão, lenha, gravetos ou fezes seca de gado.

Nos restaurantes populares e no sofisticado Yod Abissinica de Adis Abeba a injera é servida à moda tradicional, com porções de carnes, legumes, cereais, molhos, pãezinhos feitos com a farinha do teff. Come-se com as mãos, pegando pedaços da injera junto com porções de suas coberturas. Se você é uma pessoa de consideração para o anfitrião, ele pode até pegar uma porção e servi-la em sua boca.

Na velocidade do asfalto deslizado o Sami traduziu todas as lembranças dos já vividos e os desejos dos desconhecidos. Estancou a bota de sete léguas bem no centro de uma vila. Onde o povo vivia como é de cada dia. Sem teatro, apenas o discurso de sua história e tradição.

Do outro lado da pista, entre as casas de taipa uma fumaça com gente em volta. Sami nos transportou para a intimidade da vila. Onde se assava a injera. Todos os seus passos, toda a sua arte, seu modo paciente e andante, lento desnovelar processo de ser. Uma vila da Etiópia. Mesmo que à beira do asfalto.

E aquelas máquinas de filmar. Fotografar. Aquela pele, aquela cor de cabelos, aquelas roupas, a curiosidade em forma de uma gente estranha entrou na roda da injera sendo assada. Parte importante da vila veio para conhecer aqueles modos, aquelas maneiras de se apresentar, olhando-os repetidamente através das lentes de vidro de máquinas silenciosas.

Com alguma interação por certo. De curiosidade recíproca. De um lado é possível que tenham sobrado algumas conversas, comentários e vagas e fugidias lembranças. Do outro lado ficaram gravadas estas imagens. As imagens que podemos repetir milhares de vezes.


Fazer um eco duradouro até não se sabe quando, mas por certo duradouro, daquele breve momento onde toda a força de um povo se comprovou como forma de imagens em movimento e instantâneas. Talvez tão duradoura sejam quanto a certeza de assar outras injeras e junto aos seus fazer uma refeição coletiva. 


Lançamento das Poesias Completas de Geraldo Urano

Imperdível !
Domingo
Dia 29 de Março - 19:30 H
Instituto Cultural do Cariri


terça-feira, 24 de março de 2015


"TEFF" - José do Vale Pinheiro Feitosa

Três razões para se ir à Etiópia: geografia, história e onde se notificou o último caso da única doença já erradicada pela humanidade (varíola). Amigos lembrando a pobreza, a violência africana e a insurreição islâmica, que apesar motivam mais que os circuitos do consumo e das fotos no “face”.

A geografia da Etiópia é belíssima, um platô elevado, montanhoso, cheio de vales, incluindo o famoso Vale do Rift (fenda geológica vindo da Península Arábica e penetra a África até a região dos lagos) e muitos lagos que dispersam, generosamente, águas para os países vizinhos.

Ao mesmo que tem um semideserto (Ogaden) de terras baixas, aí a depressão de Afar dos primeiros seres humanos. Vulcões extintos, alguns que espirram, lagos em crateras, vegetação de estepe, florestas em terras altas e nas encostas onde o café surgiu, grande evento cultural (falaremos a respeito).

Existe a belíssima fauna e flora africana. A fauna com elefantes, leões, jacarés, hipopótamos, girafas, monos. Tudo que é África. E a flora das estepes e florestas, das zonas semidesérticas arbustivas e acácias, de espinhos longos e agudos, produtora de tanino, que só as girafas tornam comida.

A história da Etiópia é a antiguidade. Especialmente pela proximidade do Mar Vermelho e do Oceano Indico, como métrica das rotas de navegação para a Índia, Península Arábica, Oriente Médio, Egito e Roma. Sobre a mirra e o incenso, pense na Etiópia e sua vizinha Eritréia. No comércio do golfo de Aden e as trocas com as riquezas das terras altas.

A mitologia que envolve a formação imperial e de antigas civilizações é outro eixo africano qual foi o Egito. Vamos a outra exclusividade, não exportável qual aconteceu com o café. O grão de “teff”: o menor cereal do mundo, quase do tamanho do alpiste. A sua farinha é um alimento riquíssimo em minerais, especialmente ferro e nos aminoácidos formadores da vida.


O teff é a base da alimentação do povo da Etiópia. Como “injera”, o principal prato feito com o “teff”. Ali se domesticou o “teff” há milhares de ano com um dos principais produtos de sua agricultura. No vídeo vê-se um resumo desta história, inclusive como a alimentação feito a “injera”.  Mas veremos como o “teff” começa a ser “apropriado” pelo “experto” nutricionismo de “famosos” como a panaceia de mais um milagre alimentar a secar gorduras e muscular as exposições narcísicas. 




Não veio de fábrica? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Quem ainda ao comprar um carro em qualquer concessionária não foi abordado por vendedores insistentes oferecendo gel protetor dos assentos, liquido que conserva a pintura, presilhas de plásticos com refletores de luz para sinalização das portas e tantas outras coisas a mais, todas elas desnecessárias? Não sei se hipnotizado pela boa conversa do vendedor, ou muitas vezes para se livrar dele, caímos na tolice de comprar, mesmo sabendo que estamos com o saldo bancário zerado pela comprar de porte que realizamos, com pagamento à vista ou cheios de prestações que podem durar até vinte e quatro meses.

Pois vou passar uma receita que aprendi com o meu saudoso sogro, o Dr. Aníbal Figueiredo. Se ao sermos abordado por qualquer vendedor, do mais requintado, daqueles que o sujeito pede uma caixa de absorvente e o vendedor termina vendendo até barco a motor, aos mais simples vendedores de óculos escuros tirando nosso sossego na praia.

Basta fazer a pergunta acima. "Veio de fábrica"?  A resposta geralmente é negativa. "Então não é necessário", emendamos imediatamente. Ao aplicar essa salvadora pergunta o vendedor vai embora de fininho. Já consegui desarmar os argumentos de todos os vendedores que me procuraram no momento de fechar qualquer compra, até nas lojas e grandes magazines.

Boas compras e apliquem a sugestão acima. 
  

segunda-feira, 23 de março de 2015

O SOM DO SILÊNCIO

 
                           Uma bela canção que atravessa décadas sempre nos emocionando.