por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 15 de setembro de 2018

LULA E SEU MAIOR DESAFIO - José Nilton Mariano Saraiva


Após mais de quatro anos de frenética atividade, quando se valeu inclusive de uma parafernália tecnológica digna de filmes hollywoodianos (grampeamento de telefones em larga escala, inclusive da Presidência da República) objetivando encontrar um suposto malfeito, o juiz de primeira instância Sérgio Moro   findou por condenar o ex-presidente Lula da Silva por um “ato de ofício indeterminado”.

Em português claro e cristalino: como não encontrou uma mísera e única prova capaz de sustentar um parecer minimamente verossímil e consistente sobre pelo menos algum resquício de crime que houvesse sido cometido pelo ex-presidente, o jeito foi admitir a “indeterminação”. E fazer uso de tal excrescência. 

Não se estranhe, entretanto, que tudo isso haja sido chancelado in totum pelos parceiros de longa data do juiz Sérgio Moro, com assento no Tribunal Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, porquanto tornou-se “comum” que aquela corte aprove tudo que vem de Curitiba, mesmo antes de seus integrantes tomarem conhecimento do que lhes será apresentado (vide o depoimento do seu presidente, Desembargador Trompson Flores, quando asseverou ser “irrepreensível” a denúncia de Sérgio Moro contra Lula da Silva, sem sequer dela ter tomado conhecimento prévio, conforme comprovado a posteriori). E hoje todos sabemos, porque publicizada, que nas 81 páginas de referida denúncia não consta uma única prova contra o ex-presidente. Apenas convicções, meras convicções.

A bem da verdade, referido imbróglio poderia ser facilmente elucidado pelo  tal Supremo Tribunal Federal, se ao menos cumprisse seu papel de “guardião” da Constituição Federal; e, no entanto, o que vimos foi aquela Corte Maior se “apequenar” vergonhosamente e atuar como um dos partícipes ativo e desassombrado do “golpe” parlamentar-jurídico-midiático, a partir do instante em que se recusou a julgar o “mérito” do impeachment da honesta presidenta Dilma Rousseff (de onde se derivou tudo o que vemos  hoje). 
 
Fato é que, a partir daí a palavra de ordem foi inviabilizar, de qualquer maneira, a pretensão do ex-presidente Lula da Silva de concorrer nas eleições para Presidente da República. Nem que para tanto a Constituição Federal fosse rasgada diuturnamente, prazos fossem agilizados em desfavor do ex-presidente, processos não fossem conclusos, decisões fossem tomadas ao arrepio da lei e sentenças fossem firmadas com base em meras convicções e achismos de um juiz provinciano deslumbrado.

E assim, estupefatos, tomamos conhecimento da detenção do ex-presidente Lula da Silva, com poucos meses de antecedência da eleição presidencial, quando todos os institutos de pesquisa apontavam uma sua vitória esmagadora, provavelmente ainda no primeiro turno.

Como de nada adiantaram os recursos apresentados às diversas instâncias (e por essas repassadas ao Supremo Tribunal Federal para uma decisão final), e a “MÁ VONTADE” tornou-se explícita no sentido de que aquela Corte não iria permitir em hipótese alguma que concorresse, Lula da Silva compulsoriamente viu-se diante do seu maior desafio: mesmo preso numa “solitária” e proibido de se comunicar com seu povo, apontar um sucessor e recomendá-lo à militância, às diversas alas do PT e àqueles que  de uma ou outra forma sonham com a volta dos velhos e bons tempos, de quando ele governou o país.

Daí a responsabilidade do ungido, Fernando Haddad, intelectual paulista vinculado ao PT e que durante os governos Lula/Dilma prestou relevantes serviços à nação.

Hoje, céticos, tremendo de medo e/ou mesmo mal-intencionados, alguns segmentos da mídia tupiniquim se põem a questionar se Lula da Silva terá o carisma e poder suficiente para transferir ao seu escolhido o “oceano de votos” que as pesquisas lhes atribuíam no momento em que foi arrancado à fórceps (pelo Judiciário) da corrida presidencial, capaz até de leva-lo à vitória em primeiro turno (mais de 40%).

Sem dúvida uma tarefa hercúlea, dada a exiguidade de tempo (faltam apenas três semanas para a realização do pleito) daí não se ter dúvidas que para Lula da Silva a hora é essa: provar que, para a maioria do povo, HADDAD é LULA, LULA é HADDAD

Para desespero do Ministério Público, Polícia Federal, Tribunais Superiores de uma maneira geral e, principalmente, Sérgio Moro e sua equipe de procuradores, adeptos de convicções, achismos e indeterminações.



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

INOMINÁVEL "FRAUDE" - José Nilton Mariano Saraiva


Sem qualquer escrúpulo e parecendo mesmo divertir-se com a crescente tensão da população em se preocupar com os rumos que o país atravessa, os prolixos, desonestos e preguiçosos integrantes do tal Supremo Tribunal Federal (STF) continuam a vomitar toda a sua arrogância, desfaçatez e intolerância  quando chamados a se manifestar sobre o “direito” (líquido e certo, num país democrático) do ex-presidente Lula da Silva em concorrer às próximas eleições presidenciais.

E não poderia ser assim, porquanto pelo menos dois documentos legais e em plena vigência garantem ao ex-presidente se habilitar a exercer tal direito: a nossa Carta Maior (Constituição Federal) e a Lei das Eleições.

A Constituição Federal, contundentemente reza, em seu artigo 5º, inciso LVII que: “ninguém será considerado culpado até o transito em julgado de sentença penal condenatória”. Ou, em português claro e cristalino, qualquer processo só se esvai após não mais existir ou quando se esgotarem quaisquer possibilidades de recorrência às instâncias competentes, qual seja, quando transcorrer o chamado “trânsito em julgado”. E todos sabemos que o juiz Sérgio Moro e seus cúmplices do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de Porto Alegre, não concluíram o processo onde Lula da Silva se acha incurso.

Já na Lei das Eleições (Lei 9.504, de 30.09.97) o artigo 16-A é inquestionável (ipsis litteris): “O candidato cujo registro esteja sub judice poderá efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição, ficando a validade dos votos a ele atribuídos condicionada ao deferimento de seu registro por instância superior”. Ou seja, e novamente: como o ex-presidente não teve o seu processo concluso pelo juiz Sérgio Moro e seus cúmplices de Porto Alegre, fica evidenciada a condição “sub judice” em que se enquadra o ex-presidente e, assim, tem ele o direito explicitado acima.

E entretanto, quando, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE),  relatou o processo que decidiria se o registro da candidatura do ex-presidente seria aceito ou não, o Ministro Barroso (do STF) optou por privilegiar uma lei ordinária, ou seja, a tal Lei da Ficha Limpa, em detrimento não só da nossa Carta Maior, bem como do que reza a própria Lei das Eleições, além de desprezar, ainda e também,  a recomendação de um Comitê da ONU com força de lei no Brasil (já que o país é um dos signatários) determinando fosse a Lula da Silva garantido o direito de participar das eleições em pé de igualdade com os demais candidatos.

Fato é que, a apenas 30 dias da realização das Eleição Presidencial e graças à insegurança e “esculhambação” jurídica vivenciada pelo país, pela total  e completa irresponsabilidade dos integrantes do tal Supremo Tribunal Federal, a Lula da Silva assiste todo o direito de recorrer não só ao plenário do famigerado STF, assim como à ONU, a fim de tentar obter o que lhe é garantido pelas leis vigentes no país: votar e ser votado.

Portanto, qualquer decisão em contrário pode e deve ser rotulada como uma inominável fraude.


domingo, 2 de setembro de 2018

ADEUS... "MANTOS SAGRADOS" - José Nilton Mariano Saraiva


Confeccionados em edições limitadas, virgens, intocados e inocentes, eram assim os uniformes dos nossos principais clubes de futebol, até bem pouco tempo. E tais predicados serviam para realçar a beleza, o esplendor e magia de cada um deles. Havia até uma certa timidez, certo receio, um excessivo respeito que nos impedia de maculá-los, acessá-los, sequer tocá-los.

O símbolo do clube - e só ele - soberano e galhardo, pontificava e realçava, à altura do peito esquerdo, sobreposto às cores respectivas. A camisa de um Vasco da Gama, um São Paulo, um Fluminense ou um Palmeiras se nos apresentava sóbria, elegante, indevassável, imaculadamente soberana em sua pureza. Nada capaz de nodoá-las. Além do símbolo-emblema à frente, apenas a numeração às costas. Era, pois, motivo de orgulho pra todos nós, torcedores. Pode-se inferir que foi ali, via imaginário popular, que se materializou seu batismo como “manto sagrado” (ou uma “segunda pele”).

Mas, aí, adentrou no campo de futebol um parceiro que mais tarde se revelaria por demais “guloso”, a televisão, já que trazendo a reboque um avassalador e temível rolo-compressor: os “patrocinadores”. Extremamente profissionais, poderosos, fortes, exigentes e cheios da grana, comendo pelas “beiradas” começaram o processo de demolição progressiva do romantismo imiscuído numa atividade até então praticamente amadora e, até, marginal.

Assim é que, num primeiro momento, as bordas do campo de futebol (laterais) outrora vazias, solitárias, desprezadas e sem qualquer valor mercantil, repentinamente se viram povoadas com dezenas de placas, anúncios, propagandas diversas; estáticas, em formatos variáveis e multicoloridos, tais instrumentos anunciavam desde bebidas alcoólicas a peças íntimas femininas, do másculo aparelho de barbear ao suave desodorante direcionado à mulher. Tudo isso veiculado pela TV, para milhões de telespectadores, tornou muita gente milionária.

Estava dado o primeiro passo para a “profissionalização” definitiva das nossas principais equipes. E então, mais que rapidamente, foi dado o passo seguinte: “vapt-vupt”, sem que sequer nos déssemos conta, das bordas do campo o insaciável e esperto “patrocinador” resolveu pular adiante, alçar voo rumo a um espaço mais visível, generoso, abrangente e em permanente exposição: e dessa forma, agindo sem quaisquer concessões ou escrúpulos, foi que os “mantos-sagrados” das nossas principais agremiações foram fria e calculadamente desvirginados, violentados, estuprados. Irreconhecíveis se tornaram, perderam a magia.

Ainda insatisfeitos, a partir de então os próprios jogadores de futebol foram literalmente obrigados e passaram a funcionar como eficientes “outdoors” ambulantes, a anunciar um produto qualquer. Para tanto, os novos “donos do futebol” trataram de instruir e catequiza-los a trocarem as camisas entre si, ao final de cada pugna, ou mesmo a as arremessaram para a torcida, objetivando, evidentemente, difundir a “marca”, fazê-la circular, se tornar conhecida além do campo de jogo ou do próprio estádio.

E tem mais: se antes os nossos craques se notabilizavam pelo belo sentimento-amadorístico do “amor à camisa” (pela qual só faltavam se matar em campo), pela siderúrgica fidelidade ao clube de origem (a ponto de dificilmente se transferirem para um outro) chegando mesmo a serem confundidos com a própria instituição (Pelé, no Santos, Roberto Dinamite, no Vasco e Zico, no Flamengo são exemplos emblemáticos), pois bem, como se não bastasse isso, repentinamente o patrocínio se individualiza na figura do próprio craque, avança sobre o esportista, peita e corrompe inexoravelmente o homem.

E haja “direito de imagem” pra cá, “direito de imagem pra lá”, que implica em usar um boné de uma determinada marca, uma chuteira de uma cor tal, uma prosaica “fitinha” (com a marca estampada) a prender o cabelo, e por aí vai, em troca de montanhas de dinheiro. 

Resumo desse capitalismo selvagem ??? A TV transformou o futebol num rendoso, inesgotável e próspero negócio, com dirigentes e jogadores “nadando” em dinheiro. E haja propina. Nem que para isso o torcedor seja dia-a-dia desrespeitado, ignorado, relegado a ser um mero objeto de consumo, simplório coadjuvante, sem nenhum poder de escolha; assim, os jogos tanto podem começar ao sol inclemente do meio-dia, como avançar pela madrugada e terminar no dia seguinte; o calendário vai de segunda a domingo e quem não achar correto que se exploda.

Quanto ao nosso querido “manto sagrado”, foi pro beléleu, voou pro espaço, escafedeu-se, sumiu; é mais fácil encontrar uma agulha no palheiro que localizar, mesmo com uma possante lupa, o “símbolo do clube” em camisas repletas de propagandas às mais diversas (e normalmente de um tremendo mau gosto). Até a seleção nacional se rendeu ao mercantilismo do patrocínio e a “amarelinha” já ostenta as tais “marcas”.

E a partir daí, ao passar a integrar permanentemente a grade de programação das TVs, o futebol deixou de ser uma atividade “marginal” e seus jogadores passaram à condição de verdadeiros “ídolos” (e literalmente disputados no tapa pelas mulheres).

Que, ante a perspectiva de também aparecerem na “telinha”, em bandos "descobriram" a magia de futebol e passaram a frequentar os estádios da vida (acompanhadas dos parceiros e da própria família), dando-lhes um colorido todo especial, mais familiar. Pelo menos, isso de bom nos propiciou a profissionalização do futebol.

sábado, 1 de setembro de 2018

"LENDA VIVA"


LULA DA SILVA 

ESSE HOMEM É UM FENÔMENO. UMA ÚNICA PESSOA CONTRA MONOPÓLIOS DE MÍDIA, PODER JUDICIÁRIO (CORRUPTO), POLÍCIA FEDERAL, MINISTÉRIO PÚBLICO, FORÇAS ARMADAS, GIGANTES EMPRESÁRIOS, MULTIDÕES DE ZUMBIS, UM IMPÉRIO CAPITALISTA E, MESMO SENDO UM “PRESO POLÍTICO”, DE DENTRO DE SUA CELA O CARA LIDERA TODAS AS PESQUISAS E AGORA CHEGA AO TOPO DO TWITTER MUNDIAL. DAQUI A 1000 ANOS AINDA ESTARÃO FALANDO E ESTUDANDO O FENÔMENO LULA. SOMOS PRIVILEGIADOS DE SER CONTEMPORÂNEOS DESSA “LENDA VIDA”.

(TRECHO EXTRAÍDO DA INTERNET).

DEZ ANOS: SEM LENÇO E SEM DOCUMENTOS - José Nilton Mariano Saraiva


O dia: 18/06/2008 (portanto, pouco mais de dez anos atrás). A hora: 11:00 da manhã. O local: sede do Departamento da Polícia Federal, Bairro de Fátima, Fortaleza-Ceará.

Miseravelmente só (já que a Associação dos Aposentados do BNB, na hora "h", tirara o “braço da seringa”, negando-nos a competente assistência jurídica e, portanto, deixando-nos na mais completa orfandade), sem lenço e sem documentos e “tremendo mais do que vara verde”, ali nos encontrávamos, a fim de atender à lacônica e fria Intimação recebida dias antes, a fim de “prestar esclarecimentos de interesse da Justiça”.

Na pequena e desconfortável sala, que mal cabia os dois “birôs”, um computador, um arquivo e a cadeira do “visitante”, os dois delegados da Polícia Federal nos receberam e cumprimentaram, burocrática e formalmente.

De início, um deles indagou-nos se sabíamos por qual razão ali estávamos. Ante nossa ignorância (já que na Intimação não constavam detalhes), sacou da gaveta o livro de nossa autoria “BNB-A Verdade Nua e Crua (Sobre a Era Byron Queiroz)", que havíamos publicado três anos antes (em 2005) e arrematou, convicto; “Para esclarecer e confirmar as graves acusações aqui contidas”.

Quem fizera a denúncia e entregara o livro ??? Silêncio sepulcral.

E então... começou o “bombardeio” (que durou cerca de duas horas). Experientes, preparados, passados na casca-do-alho, possuidores da refinada técnica de extrair do “convidado” aquilo a que se propõem, os dois não demonstraram seguir um roteiro pré-determinado: abriam o livro, aleatoriamente, em uma página qualquer, e indagavam sobre o ali posto. Vez por outra, refaziam uma pergunta feita lá atrás, na tentativa sutil de encontrar alguma contradição, algum escorregão, uma falha sequer; e tome perguntas, questionamentos, pedidos de esclarecimentos. Uma coisa de louco.

Como, ao receber a “Intimação”, houvéramos imaginado o que lá trataríamos (só podia ser sobre aquilo), reuníramos todos os documentos citados no livro e, assim, a cada indagação, disponibilizávamos, tecendo um breve comentário, a peça correspondente. E o melhor: a “tremedeira” passara, sumira, se fora, escafedera-se, e, repentinamente, uma aura de segurança e total tranquilidade se apossara do nosso ser.

O certo é que, ao final daquele calvário (para nós), depois de receberem e garantirem que anexariam ao processo o “caminhão” de documentos que lhes entregamos (mais de 200 páginas), a agradável surpresa: “Senhor José Nilton – confidenciou um deles – parabéns pelo pleno exercício da cidadania”; ao que o segundo, complementou: “Se todos agissem assim, esse nosso país seria bem diferente”.

O sol do meio da tarde brilhava forte e abrasador, quando de lá saímos, famintos, mas tranquilos, leve, em paz com a vida e com a nossa consciência. Resolvemos, então, elaborar uma espécie de “mini-relatório”, a respeito, que encaminhamos a alguns poucos colegas do BNB. E aí, nos dias seguintes, sem que fosse essa a nossa intenção, a “coisa”, tal qual um rastilho de pólvora, se espalhou, multiplicou-se e até em uma reunião da Diretoria do BNB o assunto foi ventilado. Colegas de agências do Banco, por todo o Nordeste, chegaram a solicitar da AABNB que, através do seu jornal mensal, mostrasse a “fuça” (rosto) daquele “doido” (o que foi feito, a posteriori).

Inacreditavelmente, no entanto, alguns colegas aposentados do Banco, aqui e alhures, sentiram-se ofuscados, visivelmente incomodados, incompreensivelmente contrariados, constrangidos até e, a partir de então, cortaram relações, passaram a nos denegrir, a lançarem insinuações malévolas a nosso respeito, à tentativa de nos desqualificar (mesmo em ocasiões em que o assunto não tivesse nada a ver).

Isso tem nome ??? Tem, sim !!! Qual ??? O cardápio é variado e cada um pode escolher o que achar conveniente e apropriado. Da nossa parte, uma certeza: vamos continuar a cobrar, fuçar, questionar, a, enfim, exercer nossa cidadania. Na plenitude. Contundentemente.

Post Scriptum:

01) Quando lançamos o livro (3.500 exemplares), unidades foram encaminhadas, pela Associação dos Aposentados do BNB (que, depois, como vimos, “tirou o braço da seringa”), ao Presidente da República, alguns Ministros de Estado, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais, Desembargadores de Tribunais, Governador do Ceará, Prefeita de Fortaleza, Vereadores da capital e Diretores e Superintendentes do BNB. Se leram, ou não, são outros quinhentos. Fizemos a nossa parte.

02) Byron Queiroz e demais integrantes da quadrilha, após ação impetrada pelo Ministério Público (que fora acionado pela AABNB), foram condenados, pela Justiça Federal do Ceará, a 14 anos de prisão, devolução do valor subtraído, suspensão dos direitos políticos por 8 anos, indisponibilidade dos bens e tal. Recorreram ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife-PE, e foram inocentados, por unanimidade (é vero, senhores, podem acreditar; afinal, o “padim” do homem era o todo poderoso tucano Tasso Jereissati).

03) Posteriormente (em 02.09.09), nova condenação da mesma Justiça Federal do Ceará. Com a mesma pena e as mesmas supressões de direitos. Nova apelação ao mesmo Tribunal Federal (Recife) e a repetência do veredito (inocentados, por unanimidade), o que nos leva à velha conclusão: para o Judiciário brasileiro, cadeia foi feita pra pretos, pobres e putas.

04) O “rombo” que Byron Queiroz deixou no BNB foi de “insignificantes” R$ 7,5 bilhões (isso mesmo, com “B”, de bola).

05) Como a refrega com os aposentados do BNB foi intensa e desgastante (até mesmo para um marginal), Byron Queiroz faleceu pouco depois em razão de uma copiosa e letal hemorragia digestiva (para azar do Lúcifer, que com ele passou a conviver a partir de então).





sexta-feira, 31 de agosto de 2018

O HOMEM QUE "PRESENTEIA" LIVROS (II) - José Nilton Mariano Saraiva


Embora sem conhece-lo pessoalmente (espero algum dia ter o prazer de), anos atrás, via Internet, contatamos o ilustre conterrâneo (embora nascido em Farias Brito é cratense indo e voltando), Elmano Rodrigues Pinheiro, em Brasília, pra saber da possibilidade dele nos orientar como poderíamos adquirir o livro "Direito à Memória e à Verdade" (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos), editado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, já que sabedores ser ele funcionário da Editora da Universidade de Brasília.

Dias após, ainda via Internet, Elmano nos orientou a procurarmos num determinado endereço, um caminhoneiro oriundo de Brasília e que chegaria a Fortaleza dentro em breve. E aí, recebemos em mãos o presentão: um autêntico "livrão/livraço", com exatas 500 páginas, medindo 30 x 23 x 04cm, pesando 02/03 k, que, admitamos, teria muitas dificuldades e custaria uma fortuna se tivesse que ser enviado pelos Correios.

À época, impossibilitados de agradecer pessoalmente, achamos por bem registrar de público, pela mesma Internet, a nossa satisfação. E aí, esboçamos e publicamos, nos blogs da vida para os quais contribuímos, o texto abaixo. 

Assim, no transcurso da “data maior” do Elmano, nesta data (31.08.2018), fazemos questão de “republicar” citada postagem, de anos atrás, já que tão atual.

***************************

O HOMEM QUE “PRESENTEIA” LIVROS - José Nilton Mariano Saraiva

Dentre as muitas variáveis que caracterizam o pleno exercício da cidadania, o acesso à leitura deveria constituir-se peça necessária, primordial e absolutamente imprescindível. E, na contemporaneidade, quando a competição por um lugar ao sol é das mais acirradas, evidente que a falta de leitura impossibilita o acesso de muitos a um outro mundo, obsta-o de ter uma visão mais abrangente da realidade, escraviza-o à criminosa permanência na longa noite da escuridão da ignorância.

Não há, pois, atitude mais nobre e digna do que possibilitar aos que não têm condição, a perspectiva de descortinar um novo horizonte, de abrir novas portas, de agregar valores outros. E isso é feito, primordialmente, através da leitura.

Assim, é motivo de tremenda satisfação saber que um “matuto” de Farias Brito, que morou no Crato, viveu no Rio de Janeiro e estabeleceu-se profissionalmente em Brasília, resolveu, por conta própria, ser uma espécie de “multiplicador” da cultura, “inusual farol” de um porto seguro.

É que, ao galgar o conceituado posto de produtor gráfico na Universidade de Brasília, entendeu ser chegada a hora de disseminar bibliotecas e distribuir livros pelo Brasil afora, doar-se de corpo e alma aos menos favorecidos, possibilitar-lhes o acesso à cidadania através do saber, do conhecimento.

E tudo isso, anonimamente, sem propaganda, sem alarde, sem fazer barulho nenhum, sem contar com qualquer verba de quem quer que seja. Trabalho de formiguinha: solitário, persistente, incansável, sofrido, mas... gratificante.

Certamente que apegado e imbuído àquela filosofia de “fazer o bem sem olhar a quem”, adotou o revolucionário e estimulante lema de que “o livro precisa ir onde o leitor está”, daí já ter distribuído livros para mais de 200 (duzentas) bibliotecas nordestinas (dentre as quais cerca de 50 do seu querido Ceará), perfazendo um total de mais de um milhão de livros doados. Que outros sejam estimulados a seguir seu exemplo.

O nome da “fera” ??? Elmano Rodrigues Pinheiro:

O “HOMEM QUE PRESENTEIA LIVROS”.

E que em função de tão dignificante missão, merece o reconhecimento e aplausos de todos nós.


terça-feira, 28 de agosto de 2018

UM DIA DE FÚRIA - José Nilton Mariano Saraiva


No filme americano “Um dia de fúria”, o bom ator Michael Douglas interpreta um cidadão comum que, desempregado e atormentado por problemas familiares (separação da esposa e perda da guarda dos filhos), de repente se vê preso em um monstruoso congestionamento de trânsito, na sempre movimentada cidade de Los Angeles.

Visivelmente transtornado com o calor sufocante e o estridente som de dezenas de buzinas, sem poder ir avante ou retornar em busca de vias alternativas, toma uma decisão radical: abandona o veículo ali mesmo, no meio da rua e segue a pé, já que compromissado com o aniversário da própria filha.

Só que, a partir daí seus problemas geometricamente crescem, porquanto vítima de uma tentativa de assalto e testemunha ocular de diversas pequenas ocorrências patrocinadas por pessoas outras (estupros, roubos, etc), ao longo do percurso. Ao final, extenuado, apoplético e vencido pelo cansaço, ao chegar ao local do evento, acaba por envolver-se numa briga fatal.

A reflexão acima vem a propósito do atual caótico transito da quinta capital de maior população do país (Fortaleza), com ruas e avenidas interditadas e com prazos alongados para a entrega, um teste para as coronárias de qualquer cidadão, verdadeiro martírio para os que necessitam enfrentá-lo. Ou será que é normal você gastar 50 minutos para vencer míseros 1,5 quilômetros ???

E o pior é que, se você conseguir escapulir (a muito custo) para uma das vias laterais, pensando numa melhor fluidez, literalmente quebra a cara, porquanto outros condutores tiveram a mesma iniciativa e, assim, todas se acham “entupidas” de carros, em razão das nossas estreitas ruas e avenidas terem sido projetadas para absorver um determinado número de veículos e não oferecerem condição de alargamento, como seria necessário.

Junte-se a isso uma sinalização comprovadamente deficiente, e a conclusão é que não dá pra vislumbrar qualquer solução no curto ou médio prazo (lembremo-nos que o metrô, decantado em verso e prosa e prometido para o período da Copa do Mundo de 2014, além de uma obra caríssima, dificilmente cobrirá o destino e a quilometragem necessária para atender a todos).

Assim, como as pessoas necessitam locomover-se à busca do ganha pão diário e/ou para atendimento de outras necessidades básicas, há que se submeter aos caprichos e eterna má vontade do insensível empresariado
dono de frotas de veículos sem a mínima condição de conforto e agilidade (estão sempre em atraso).

Uma das alternativas seria a utilização do transporte público para tal desiderato, através de vias exclusivas, mas este, além da frota reduzida, peca por praticamente inexistir. As pessoas se veem, assim, obrigadas a circular em condução própria, daí os monumentais engarrafamentos verificados.

Pra completar, os últimos números disponibilizados pelas revendas de automóveis de Fortaleza são de arrepiar: na média mensal, nada menos que 3.265 carros novos são despejados nas ruas de Fortaleza, além de 2.213 motos e 101 caminhões.

Onde vamos parar ???


sábado, 25 de agosto de 2018

Sabah





                                               A pracinha encarnava ,naquele domingo,  seu  destino sabático. Os meninos corriam em volta,  iluminando com sua alegria  a fonte que um dia já fora luminosa. Casais conversavam, despreocupadamente, nos bancos espalhados em meio aos jardins que um dia já haviam florido. Velhos, em rodinhas  esparsas,  tricotavam sua infinita colcha de fofocas. Mulheres de meia idade transitavam com ar circunspecto, em busca dos templos,  com seu rosário de pedidos de proteção às divindades de sua devoção. No parquinho,  outros meninos revezavam-se na gangorra, nos escorregadores, nos tubos, nas casinhas com uma felicidade cristalina, transbordando das retinas. Nas barracas pessoas empanturravam-se de filhós, de sucos, de sandubas , de salgadinhos. Uma senhora vendia pipoca , um outro ambulante, bombons. O moço , em uma das extremidades da fonte, alugava carrinhos e motinhas para as crianças nelas montarem seus sorrisos. Outros vendedores ofereciam balões e pequenos brinquedos com a orientação infalível para a gurizada : “Chora que mamãe compra!”
                                    Ao redor da pracinha,  as lanchonetes estavam prenhes de bocas famintas , em busca do maná infalível dos domingos, dia também sabático dos afazeres domésticos: as pizzas. Todos pareciam celebrar não a sagração do fim de semana, mas a perspectiva depressiva da segunda que prometia reencaixar  as engrenagens em moto-contínuo das suas vidas repetitivas e comezinhas, em copiar-colar. Nas ruas laterais, carros passavam céleres,  carregando caras fechadas que previam a continuação do trabalho de Sísifo.
                                    A igreja da sé , defronte,  já tinha empreendido seu repicar de sinos, um álacre alerta aos fiéis. Naquele dia, quebrando suas milenares tradições, saíra do templo para ver o mundo lá fora. O sacerdote, nas festividades da padroeira, celebrava o culto num grande palco, para uma  comitiva de beatos, que, com ar algo distante, regateava os loteamentos do paraíso, balbuciando, em mantra , orações e preces quase que maquinalmente. Ao redor do palco, religiosos acertavam os últimos preparativos para a quermesse que devia se iniciar logo ao final da missa.
                                    De repente, alguns estampidos secos. Sobre um dos bancos da pracinha o corpo ensanguentado e in extremis de uma mocinha. Alguns novos componentes acrescentam-se ao cenário: a polícia vasculhando casas vizinhas em busca do homicida, por fim preso. Uma criança chorando inconsolavelmente. Uma iluminação especial para a tragédia: incontáveis luzes de celulares filmando, com um indisfarçado ar mesclado de revolta e de satisfação, a prisão do assassino e  o corpo já sem vida da mocinha no banco, que esperaria horas pela vinda da cavalaria , para o gáudio das redes sociais.
                                    Ao redor, o mundo nada se modificou. Os meninos continuaram a brincar, as pizzas desciam calmamente de goela abaixo, as conversas, nas rodinhas, apenas ganharam um assunto a mais. A missa continuou seu rito impassível, com os fiéis pedindo bênçãos, desejando “a paz de Cristo”, prometendo cristãmente solidariedade, amor e confraternização entre os irmãos. Um corpo jazia exangue sobre o banco. Ao derredor, as almas afogaram-se num plácido e impassível oceano sem marolas ,  o pantanoso  Mar da  Normalidade.

Crato, 25/08/2018     

“PDT: BARRIGA DE ALUGUEL” – José Nilton Mariano Saraiva


Quem, algum dia, em sã consciência, imaginaria que o tradicional e glorioso PDT, de Getúlio Vargas e Leonel Brizola, se prestaria a servir como “barriga de aluguel” a fim de saciar a sede de poder de pessoas que vivem a usar a atividade política como um rentável meio-de-vida, daí não se importarem de trocar recorrentemente de partido, o fazendo por mera conveniência ???  
Como entender que uma agremiação de tantas batalhas e glórias, porquanto forjada na luta pelos direitos dos trabalhadores e dos mais necessitados, não mais que de repente se permita servir de hermético “bunker-protetor” de indivíduos sem identificação nenhuma com o ideário programático da sigla getulista ???  

Afinal, ao aceitar o ingresso dos Ferreira Gomes em seus quadros, o PDT nada mais fez do que relegar o belo legado de fidelidade e coerência dos seus dois encimados líderes, porquanto o histórico dos novos integrantes da agremiação não deixa dúvidas: para o atendimento de demandas pessoais, já se serviram de uma miscelânea de agremiações tão díspares quanto diametralmente heterogêneas ideológico-programaticamente, dentre as quais a antiga ARENA (Ditadura), PDS, PMDB, PSDB, PPS, PSB e PROS.

Além do que, ao aceitar sujeitar-se aos Ferreira Gomes, o PDT  traiu vergonhosamente um quadro histórico e da estirpe de um Heitor Ferrer, este, sim, um político digno, leal e merecedor do respeito de todos nós, mercê de uma atuação cuja característica maior é a coerência e o respeito à agremiação e aos seus eleitores,  daí o ”caminhão” de votos que consegue carrear em cada eleição (a propósito, Heitor Ferrer já deve ter sido expulso do PDT ou “convidado” a de lá se mandar).

Ou alguém tem alguma dúvida que a principal “imposição” (dentre muitas que se seguirão) dos neo-integrantes que o PDT  recepcionou, foi única e exclusivamente servir de “rampa” para que o senhor Ciro Gomes tente decolar como candidato à Presidência da República e, em termos locais, garantir que a vaga para concorrer ao Governo do Estado seja antecipadamente reservada para o atual detentor da prefeitura de Fortaleza (Roberto Cláudio), um mero “soldado” dos Ferreira Gomes ???

No mais, lembremos do “estrago” que os Ferreira Gomes causaram à família “Novaes” (irmãos Sérgio e Eliana), aqui de Fortaleza, que, de dirigentes estaduais do PSB, literalmente foram “obrigados” a de lá se mandar após a chegada dos sobralenses, só retornando e retomando o comando da sigla após o falecido presidente nacional da agremiação, Eduardo Campos, negar-se peremptoriamente a ceder a Ciro Gomes a vaga de representante do PSB na corrida presidencial, a ele (Eduardo) reservada ???

Como olvidar, ainda, o que o falastrão Ciro Gomes fez com o seu padrinho-político, Tasso Jereissati, responsável pela ascensão dele e da família Ferreira Gomes na política cearense ???)  

Enfim, a realidade é que, por falta de seriedade e respeito aos seus eleitores e simpatizantes, a esta altura o “atestado de óbito” do PDT já terá sido devidamente lavrado no cartório competente, e que na sua “laje-sepulcral” constará o vergonhoso epíteto de “barriga de aluguel”.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

"POPULAÇÃO CRÍTICA" DESMORALIZA "JUDICIÁRIO ACRÍTICO" - José Nilton Mariano Saraiva


Expirado o prazo regulamentar, foram registradas, por parte dos diversos partidos políticos, as candidaturas dos respectivos representantes que concorrerão à Presidência da República nas eleições do próximo dia 07.10.18.

Tabuleiro pronto e cartas na mesa, os dois principais institutos de pesquisa, DataFolha e Ibope, imediatamente foram a campo auscultar a população brasileira sobre qual o candidato da sua preferência visando retirar o Brasil do atoleiro em que se encontra, por conta da quadrilha que tomou de assalto o poder, via golpe midiático-jurídico-parlamentar.

E aí, a completa e contundente “desmoralização” (como um todo) do nosso “acrítico poder judiciário”: é que, sábio como o é, e reconhecendo o muito que foi feito até recentemente (quando éramos felizes e sabíamos disso, sim), o “povão crítico”, em seus mais diversos segmentos e regiões (classe social, raça, cor, idade e por aí vai), resolve ignorar  as manobras, achismos, convicções e falcatruas que o juiz Sérgio Moro (de Curitiba) e os componentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (Porto Alegre) usaram para condenar  sem provas e isolar numa solitária das masmorras de Curitiba o ex-Presidente da República Lula da Silva e o escolhe como o seu candidato favorito, e que venceria fácil ainda no primeiro turno.

Como, entretanto, o “golpe” ainda não foi concluso, porquanto pelas regras vigentes Lula da Silva ainda pode fazer um último e "legal" apelo ao tal Supremo Tribunal Federal (que até aqui tem sido partícipe ativo de toda essa bandalheira) para que a Constituição Federal e a Lei das Eleições se sobreponham à ordinária Lei da Ficha Limpa, a expectativa é que os prolixos, preguiçosos e medrosos integrantes daquela corte, ante o contundente e avassalador rolo compressor manifestado pela população através das pesquisas,  “acordem” de vez dessa letargia que ameaça jogar o Brasil num abismo sem fundo e, num átimo de constitucionalidade que ainda lhes restem (torçamos por isso), permitam que o ex-presidente (embora preso, injustamente) participe das eleições em igualdade de condições com os demais concorrentes.

Enfim, deixe que a população brasileira escolha livremente e sem amarras aquele que ela acredita seja capaz de tornar o país altivo e soberano, como o foi até pouco tempo atrás.  


sábado, 18 de agosto de 2018

"CEREJEIRAS EM FLOR" - José Nilton Mariano Saraiva


Prenhe de emoções, fotografia belíssima, mas com uma narrativa que exige permanente atenção (já que um tanto quanto arrastada e sonolenta), “Cerejeiras em Flor” não é, definitivamente, um filme que empolgue ou se direcione aos mais jovens; longe disso, adapta-se e parece ter sido produzido, sim, visando à velha-guarda, à turma passada na “casca-do-alho”, aos românticos de plantão, aos sessentões da vida.


No princípio, a primeira e impactante bordoada: a modorrenta rotina de um casal de americanos (classe média), já maduros, filhos dispersos no mundo, é quebrada com o recebimento por parte da mulher (Trudi), do duro e apavorante diagnóstico médico sobre um recente “mal-estar” do marido (Rudi): doença incurável, poucos meses de vida.

Sua opção, então, é poupá-lo daquela trapaça do destino, blindá-lo até o limite do possível e aproveitar ao máximo o tempo restante junto ao velho companheiro de guerra, sem que, evidentemente, ele desconfie de nada.

Como conhecer as “cerejeiras em flor” e visitar o “monte Fuji” (no Japão) sempre fora o sonho da sofrida Trudi, a sugestão ao marido de empreender aquela tão esperada (e adiada) viagem para visitar os filhos em Berlim/Alemanha e, principalmente, Tókio/Japão é feita; e, embora recebida sem muita empolgação pelo sistemático e monossilábico Rudi, é levada adiante.

E aí, já na primeira parada, na Alemanha, começam a se descortinar desagradáveis e amazônicas diferenças entre pais-filhos: para surpresa de ambos, a filha Karolin revela-se uma lésbica assumida (a ponto de beijar na boca a namorada, na frente dos pais, visivelmente constrangidos), enquanto o filho Klaus, a mulher e os dois netos não se mostram nem um pouco dispostos a acompanhá-los pela cidade. O clima pesado é latente.

Num passeio a dois, nos arredores de Berlim, um fatal, desagradável e imprevisto golpe: durante a estadia e pernoite numa simplória pousada, a sempre disposta e saudável Trudi não acorda pela manhã e jaz inerte sobre a cama: morte súbita, na madrugada.

Após a cremação do corpo, o caçula Karl (solteiro), que viera às pressas de Tókio para a cerimônia, a contragosto leva o pai para o Japão; executivo por demais ocupado, também não tem tempo pra dedicar ao “velho”; e aí, sozinho, vagando sem eira e nem beira, lenço ou documento, pelas ruas da cidade, Rudi se depara com uma jovem dançarina de butô (de nome Yu), ainda adolescente e (descobre mais tarde) órfã e moradora de rua. Aprende muito com ela.

E é através de Yu que Rudi resolve “MOSTRAR” à sua querida Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji; para tanto, no momento propício, por baixo das próprias roupas passa a usar as roupas da mulher e, quando do “DESABROCHAR DAS CEREJEIRAS EM FLOR”, ele simplesmente se despe das suas vestes e carinhosamente se porta como se fora a própria, dedicando-lhe aquele momento mágico. 

Já o segundo ato da homenagem à Trudi revela-se um tanto quanto mais difícil: hospedado (por vários dias) ao sopé do “tímido” (sempre escondido) monte Fuji, todas as manhãs ao abrir a janela do quarto se depara com o mau tempo a encobrir a montanha; já desapontado e prestes a partir, faz uma última tentativa e, então, depara-se com aquela visão estonteante, soberba, magnífica: à sua frente (ou literalmente aos seus pés) o monte Fuji revela-se por completo, coberto de neve, com toda a sua indescritível beleza e pujança.

Sai às carreiras, aproxima-se o mais que pode e, livrando-se das vestes masculinas “TRANSMUDA-SE EM TRUDI”, dedicando-lhe aquele momento sublime. Sozinho, ensaia passos de uma dança que dançara com a mulher lá na pousada, na noite anterior à sua morte e, como já cumprira com o seu dever – “MOSTRAR” a Trudi as cerejeiras em flor e o monte Fuji (que ela tanto queira conhecer) - não resiste a tamanha emoção e tomba morto.

Grande filme.





sexta-feira, 17 de agosto de 2018

HOJE.....BATEU A SAUDADE - José Nilton Mariano Saraiva


"ONDE ANDA VOCÊ, MARIA DE FÁTIMA ???” - José Nilton Mariano Saraiva

Em Fortaleza, num desses ambientes onde se reúnem mulheres a serem cortejadas, ela era unanimidade e compreensivelmente para ela convergiam os olhares, as fantasias e os corações daqueles alegres e falantes marmanjos, todos já “encharcados” de álcool até o gogó.

Assim, presumindo que com o nosso estilo discreto e reflexivo dificilmente conseguiríamos algo ante tantas feras de porte atlético privilegiado e verborragia (teoricamente) envolvente, preferimos ficar na nossa, observando o ambiente, curtindo o som e “deglutindo” uma geladinha.

De repente, às nossas costas, aquele toque suave e discreto no ombro; e, ao virarmos pra conferir, deparamo-nos com o mais belo (embora tímido) sorriso que alguém possa imaginar, seguido da sussurrada e inolvidável indagação: “E você, não quer ficar comigo ???”.

Foi assim que conhecemos a meiga Maria de Fátima. Altura mediana, clara, cabelos castanhos, olhos discretamente ao estilo japonês, nariz perfeito, dentes impecavelmente alvos, lábios carnudos e... “cheinha”. Já no quarto, ao desnudar-se, uma arrebatadora e deslumbrante visão, digna de ser retratada por um desses pintores clássicos, e posta num pedestal pra ser admirada por gregos e troianos: seios medianos e rijos, cintura fina, coxas firmes e pra lá de torneadas. Enfim, tudo no lugar. Uma deusa da perfeição.

Super-carinhosa, fala mansa, conversa aprumada, de pronto bateu aquela sinergia entre nós. A ponto de, ainda na cama, lhe indagarmos (com sinceridade d’alma) a “razão” ou o “por que” de uma mulher tão bela e educada frequentar um local daqueles; de onde ela era; de qual família e por aí vai.  Surpresa, ela afirmou que era a primeira vez que alguém fazia tais tipos de perguntas pra ela, que nunca alguém procurara saber da sua intimidade, que, enfim, encontrara alguém “diferente”.

Pra encurtar a conversa: de livre e espontânea vontade ela não aceitou qualquer “pagamento” e, na segunda vez que a procuramos ela simplesmente largou tudo, sob protestos da cafetina, e fomos curtir a vida em pleno dia, terminando por encontrar abrigo em nosso apartamento de solteiro (onde ela aprendeu, a partir de então e durante meses, a dormir “empacotada” em nossas camisas de seda – de mangas longas - que achava... ”gostosas”).

Em represália, fomos proibidos de adentrar o tal ambiente, já que os “seguranças” tinham ordem expressa de “baixar a cacete”, se fosse necessário; então, conjuntamente, arquitetamos que bastariam dois toques na buzina pra que ela “se mandasse” dali. E assim foi feito, a partir dali.

Foram meses de felicidade plena, durante os quais frequentávamos, de mãos dadas e sorriso no rosto, qualquer lugar que “desse na telha”, sem nenhum constrangimento de encontrar algum desses barões que com ela houvesse se relacionado.
Mas...

De repente, a meiga Maria de Fátima sumiu, evaporou-se, tomou Doril, escafedeu-se, deixando-nos literalmente na orfandade (deve ter havido algo de sério e grave, que jamais saberemos).
Hoje, apesar de casado (em processo de separação) e com dois belos filhos já adultos, tal qual os William Bonner da vida não cansamos de (mentalmente) perguntar:

Onde anda você, Maria de Fátima ???

Quantas saudades...


sábado, 11 de agosto de 2018

"ESCULHAMBAÇÃO" CONFIRMADA - José Nilton Mariano Saraiva


Às vésperas da eleição presidencial e com o preferido da população (Lula da Silva) preso numa solitária de Curitiba, sem nenhum pudor o Desembargador Gebran Neto (amigo íntimo do Sérgio Moro) que condenou o ex-presidente (e esticou a pena para 12 anos), vem a público para confirmar aquilo que metade do mundo e a outra banda já sabiam: Lula da Silva é um “preso político”, detido a fim de evitar que volte ao poder nos braços do povo (hoje, segundo as pesquisas, levaria no primeiro turno, com folga). Veja abaixo:
Jornal GGN - A coluna Radar, de Lauro Jardim, na Veja, trouxe o inimaginável: Gebran Neto, desembargador do TRF4, disse a amigos que atropelou o desembargador Favreto por considerar a 'única saída' para impedir liberação de Lula. É muito grave.
A declaração contida em Veja escancara o partidarismo dos juízes envolvidos com a prisão de Lula. Um desembargador atropela a lei para impedir que o ex-presidente seja liberado demonstra que a prisão é política sim e continua sendo o maior trunfo da Lava Jato. O que muda na percepção dos críticos da situação, é que esta é a primeira declaração clara sobre as manobras.
Segundo o colunista da Radar, de Veja, o desembargador preferiu cometer ilegalidades a evitar o que chama de 'um erro ainda mais danoso', que era a justa liberação do ex-presidente. Tal declaração teria sido feita no dia 8 de julho, quando o desembargador Rogério Favreto aceitou o pedido de habeas corpus em favor de Lula.
A situação beira o descaramento, quando vale tudo para manter Lula preso e calado, sem poder se valer de seus direitos fundamentais. Nem Moro poderia contestar a decisão de Favreto, nem Gebran poderia atropelar a decisão do juiz que estava de plantão. Os dois magistrados, em gozo de férias, agiram rapidamente usando, inclusive, os guardas da PF de Curitiba. Moro acionou os guardas e Gebran, e este veio célere reforçar a decisão. Por fim, entra o presidente do TRF4 que, longe de defender a legalidade da decisão de Favreto, interveio para derrubar o habeas corpus.
Somente o órgão colegiado do TRF4 poderia revogar a ordem de habeas corpus deferida por Favreto, não fosse, é claro, essa poltiização descarada da Justiça.
******************************
Fato é que, tivéssemos um Supremo Tribunal Federal que honrasse tal denominação, não só o desembargador Gebran Neto, como o juiz Sérgio Moro, estariam hoje vendo o sol nascer quadrado, não só por essa, mas pelas infindáveis arbitrariedades perpetradas ao longo da “perseguição implacável” ao ex-presidente (por quatro anos), sem que houvessem colhido nenhuma prova de supostos ilícitos.
Assim, embora com atraso, tal declaração de Gebran Neto escancara de vez o partidarismo dos juízes envolvidos com a prisão de Lula da Silva. Afinal, quando um desembargador atropela a lei para impedir que o ex-presidente seja liberado demonstra que estamos ante uma prisão política, sim, e que o mote usado pela Lava Jato (sobre corrupção) não passa de cortina de fumaça para acabar com o Estado Democrático de Direito, em nosso país.

MOVIDOS PELO "ÓDIO E INSENSATEZ" - José Nilton Mariano Saraiva


Encaminha-se o Brasil para uma eleição presidencial reconhecidamente “fajuta”, mesmo que revestida com o verniz de uma suposta legalidade lhe conferida pelos parciais, omissos e medrosos integrantes do tal Supremo Tribunal Federal (STF).

É que, ao se ajoelharem e silenciarem ante um juiz de primeira instância que, picado pela mosca azul, enxovalha e desmoraliza diuturnamente a nossa outrora respeitada Carta Maior (Constituição Federal), os togados sem moral do STF praticamente destruíram com o ordenamento legal nacional, daí a esculhambação jurídica hoje vigente no país.

Confessos e atuantes partícipes de uma farsa grotesca, que começou lá atrás, no impeachment da honesta presidenta Dilma Rousseff, “suas excelências” (com minúsculas mesmo) com receio de contraria-lo, findaram por se subjugar aos caprichos do juiz Sérgio Moro, que hoje praticamente lhes determina qual a agenda a seguir. Tanto é que, individualmente, alguns deles reconhecem os excessos do juizeco, mas não tomam nenhuma providência efetiva para obstá-lo.

Nesse diapasão, a prisão do ex-presidente Lula da Silva (objeto de desejo daquele juiz, desde sempre), embora sem nenhuma prova de qualquer suposto crime que lhe tenha sido “atribuído” (por ele e sua cambada de procuradores, depois de longos quatro anos de investigação), nos oferece a esdrúxula situação que hoje vivenciamos: embora detido e incomunicável numa solitária da prisão de Curitiba, Lula da Silva continua liderando com folga a preferência popular para as eleições que serão realizadas daqui a dois meses, e levaria fácil ainda no primeiro turno.

E, no entanto, o desenlace de tal imbróglio poderia ser facilmente resolvido num piscar d’olhos se, num átimo de honradez e clarividência que supostamente ainda lhes restem (será ???), os togados do STF levassem à mesa daquela corte a franciscana questão: pode uma lei ordinária (Lei da Ficha Limpa) se sobrepor ao que determina a Constituição Federal ???
Afinal, se a primeira (Lei da Ficha Limpa) reza que o condenado em segunda instância está impedido de concorrer, a segunda (Constituição Federal) é contundentemente clara: alguém só pode ser condenado após esgotados todos os recursos jurídicos disponíveis (é a tal presunção de inocência). E até os cosmonautas que habitam a estação espacial sabem, assim como  todos nós sabemos, que Lula da Silva foi condenado sem que as etapas do processo tenham chegado ao seu final; até porque nos “autos” não existe uma única prova que o incrimine, mas, tão somente, convicções, achismos e suposições de juízes e procuradores movidos pelo ódio e a insensatez e a serviço de interesses outros (tanto é que ali o “verbo” é usado sempre no tempo condicional: teria, seria, poderia e por aí vai).
Alfim, uma certeza: em tão pouco tempo, Sérgio Moro e seus procuradores deslumbrados de Curitiba destroçaram com o país. E o único líder com carisma, apoio da população e competência para traze-lo de volta aos trilhos chama-se Lula da Silva.  



sábado, 4 de agosto de 2018

PASSAPORTE-VITALÍCIO - José Nilton Mariano Saraiva


Definitivamente, o “livrinho” (Constituição Federal) perdeu a validade já faz certo tempo. É que, enquanto o Artigo 2º, Dos Princípios Fundamentais, reza que: “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”, na prática isso não corresponde à realidade.

E isso em razão de um erro grosseiro e crasso, lá na origem. É que, enquanto para se habilitar ao ingresso no Executivo e Legislativo o “postulante” há que submeter-se à vontade popular, via eleições livres e diretas, o ingresso no Judiciário – MAQUIAVELICAMENTE IGNORANDO O “DOUTO SABER” EXIGIDO - dar-se através da malfadada indicação política, com tendência de escolha daquele que seja expert em puxar o saco, babar ovo ou acoelhar-se desavergonhadamente.

E a prova definitiva de que referidos poderes não são iguais é que os futuros membros da cúpula do nosso judiciário (tribunais superiores) obrigatoriamente hão de se enfileirar em périplo para “beijar a mão” dos corruptos integrantes do Legislativo (deputados e senadores) assim como do Executivo (Presidente da República, Governadores, e por aí vai) a fim de conseguir a indicação que os habilitem ao “passaporte-vitalício” de uma vida sem aperreios (aqui inclusos os Tribunais de Contas, Estadual e Municipal).

Além de ultrajante em si, o resultado de tal modus operandi pode desaguar em cortes formadas por juízes e ministros despreparados, parciais e “devedores de favores” àqueles que os indicaram (que caracterizaria o famoso “rabo preso”).

Portanto, a equanimidade entre os três poderes passa necessariamente por uma mudança radical no modo de escolha dos futuros togados com assento no Supremo.

Como fazê-lo, eis a questão.