por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 23 de junho de 2018



MAIS ATUAL QUE NUNCA – José Nilton Mariano Saraiva

Pela atualidade, trazemos de volta artigo de nossa lavra publicado após a acachapante derrota da seleção brasileira de futebol ante a seleção alemã (7x1), quando da Copa do Mundo realizada no Brasil em 2014. E o fazemos porque estamos a incorrer no mesmo erro. E isso todos sabemos onde nos levará. Portanto, segue o texto, publicado quatro anos atrás.

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A “PRESENÇA” da “AUSÊNCIA” – José Nílton Mariano Saraiva

Claro que, em razão da Copa do Mundo de 2014 ter se realizado NO” Brasil, tinha que ser “DO” Brasil, principalmente em razão do nosso “pedigree” na matéria.

Claro que, mesmo e apesar das limitações do nosso time, num jogo normal e incentivados por uma torcida numerosa e vibrante, tínhamos, sim, absoluta e plena condição de bater a seleção da Alemanha e seguir em frente.

Claro que, tal não aconteceu em razão da escolha de uma opção tática pra lá de equivocada da nossa experimentada comissão técnica (que, sabe-se agora, lamentavelmente não envelheceu só biologicamente) e pisou feio na bola (e isso em plena semifinal de uma Copa do Mundo) já que oferecendo “de bandeja” o meio campo aos alemães, onde eles sempre são mais fortes e trafegam com extrema facilidade.

Claro que, ao contrário dos alemães (como era previsível) quem tremeu foram alguns dos nossos (Fernandinho e Bernard, por exemplo) e isso comprometeu o desempenho do time como um todo.

Claro que, um placar desmoralizante e imoral desses (7 x 1) é algo improvável e atípico em um jogo de duas seleções poderosas, principalmente em uma disputa de Copa do Mundo e dificilmente (ou jamais) repetir-se-á (mas será lembrado, ad eternum, exatamente pela atipicidade).

Enfim, foi uma partida desastrada, surreal mesmo, tanto que os próprios alemães (demonstrando um “respeitoso constrangimento”), se abstiveram de comemorar como mereciam (e trataram de enfatizar isso, pós-jogo), porquanto claramente diminuíram o ritmo durante o segundo tempo (poderiam, sim, ter feito 10 ou mais gols, se continuassem com o mesmo vigor, tal a pasmaceira que tomou de conta dos nossos jogadores e seu “comando-caduco”).

No mais (e nisso parece ser proibido falar), tivemos também a derrota da mídia esportiva brasileira. É que, antes de se preocupar com os adversários do Brasil propriamente, a atenção maior foi, antes e durante a Copa (e até agora, após) tentar incutir da mente dos torcedores que a seleção tinha um novo “LÍDER” capaz de guiá-la ao “olimpo”, levá-la aos píncaros da glória, guindá-la ao panteão dos heróis imortais: o tal Neimar (cai-cai) que é apenas um bom jogador e não esse fenômeno que propagam.

Ora, amigos, “LIDERANÇA” não se encontra disponível nas prateleiras das bodegas do interior desse Brasilzão, nas gôndolas dos grandes supermercados das capitais ou nas bancas das feiras livres da periferia; “LIDERANÇA” não se compra, não se impõe, não se transfere e nem se atribui via decreto, bilhete, norma, portaria ou coisa que o valha. “LIDERANÇA” é algo de berço, natural, carismática, única, personalíssima. E disso o tal Neimar é desprovido, do dedão do pé à cabeleira moicana-tingida.

Assim, nada mais hipócrita que a recorrente imagem da TV mostrando no túnel de acesso ao gramado o tal Neimar  abraçando um a um os colegas, antes de cada partida, ao tempo em que o narrador global, empostando a voz, destacava sua forte “LIDERANÇA” ante os demais; nada mais cafona do que a imagem dos jogadores entrando em campo para uma semifinal de Copa do Mundo usando “bonés” personalizados, saudando o tal Neimar (fora do jogo, por contusão); nada mais ridículo que exibir, durante o canto do Hino Nacional, a camisa do tal Neimar, como se fora ele um “herói” já falecido, a quem todos devêssemos reverência (passa longe disso).

E talvez por isso mesmo, por se preocuparem demasiadamente com um “AUSENTE”, foi que os jogadores da seleção brasileira literalmente não se fizeram “PRESENTE” no jogo decisivo. Burra e irrestrita solidariedade.

Ainda por cima, nada mais inapropriado e extemporâneo que, a posteriori, trazê-lo de volta da boa vida que desfrutava na praia (para a concentração), depois de tê-lo dispensado (já que contundido), objetivando “LIDERAR” os colegas na batalha pelo terceiro lugar do torneio (aí, a emenda saiu pior que o soneto, porquanto o “distinto” se sentiu à vontade para, do banco, desrespeitosamente “assumir” o lugar do Felipão, no tocante à orientação dos que estavam em campo (e você já parou pra pensar num time “orientado” pelo tal Neimar ???). Deu no que deu.

Vida que segue.

A lamentar, que a menininha que “...não tava nem na barriga da minha mãe quando o Brasil foi campeão”, vá ter que esperar por um pouco mais de tempo pra ver isso (o Brasil ser campeão). Ou, quem sabe, seja a sua futura filha que terá o privilégio de).



segunda-feira, 11 de junho de 2018


MANIFESTO AO POVO BRASILEIRO  (por Luiz Inácio Lula da Silva)
"Há dois meses estou preso, injustamente, sem ter cometido crime nenhum. Há dois meses estou impedido de percorrer o País que amo, levando a mensagem de esperança num Brasil melhor e mais justo, com oportunidades para todos, como sempre fiz em 45 anos de vida pública. 

Fui privado de conviver diariamente com meus filhos e minha filha, meus netos e netas, minha bisneta, meus amigos e companheiros. Mas não tenho dúvida de que me puseram aqui para me impedir de conviver com minha grande família: o povo brasileiro. Isso é o que mais me angustia, pois sei que, do lado de fora, a cada dia mais e mais famílias voltam a viver nas ruas, abandonadas pelo estado que deveria protegê-las.

De onde me encontro, quero renovar a mensagem de fé no Brasil e em nosso povo. Juntos, soubemos superar momentos difíceis, graves crises econômicas, políticas e sociais. Juntos, no meu governo, vencemos a fome, o desemprego, a recessão, as enormes pressões do capital internacional e de seus representantes no País. Juntos, reduzimos a secular doença da desigualdade social que marcou a formação do Brasil: o genocídio dos indígenas, a escravidão dos negros e a exploração dos trabalhadores da cidade e do campo.

Combatemos sem tréguas as injustiças. De cabeça erguida, chegamos a ser considerados o povo mais otimista do mundo. Aprofundamos nossa democracia e por isso conquistamos protagonismo internacional, com a criação da Unasul, da Celac, dos BRICS e a nossa relação solidária com os países africanos. Nossa voz foi ouvida no G-8 e nos mais importantes fóruns mundiais.

Tenho certeza que podemos reconstruir este País e voltar a sonhar com uma grande nação. Isso é o que me anima a seguir lutando. Não posso me conformar com o sofrimento dos mais pobres e o castigo que está se abatendo sobre a nossa classe trabalhadora, assim como não me conformo com minha situação. 

Os que me acusaram na Lava Jato sabem que mentiram, pois nunca fui dono, nunca tive a posse, nunca passei uma noite no tal apartamento do Guarujá. Os que me condenaram, Sérgio Moro e os desembargadores do TRF-4, sabem que armaram uma farsa judicial para me prender, pois demonstrei minha inocência no processo e eles não conseguiram apresentar a prova do crime de que me acusam. Até hoje me pergunto: onde está a prova?

Não fui tratado pelos procuradores da Lava Jato, por Moro e pelo TRF-4 como um cidadão igual aos demais. Fui tratado sempre como inimigo. Não cultivo ódio ou rancor, mas duvido que meus algozes possam dormir com a consciência tranquila.

Contra todas as injustiças, tenho o direito constitucional de recorrer em liberdade, mas esse direito me tem sido negado, até agora, pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva.

Por isso me considero um preso político em meu país. 

Quando ficou claro que iriam me prender à força, sem crime nem provas, decidi ficar no Brasil e enfrentar meus algozes. Sei do meu lugar na história e sei qual é o lugar reservado aos que hoje me perseguem. Tenho certeza de que a Justiça fará prevalecer a verdade.

Nas caravanas que fiz recentemente pelo Brasil, vi a esperança nos olhos das pessoas. E também vi a angústia de quem está sofrendo com a volta da fome e do desemprego, a desnutrição, o abandono escolar, os direitos roubados aos trabalhadores, a destruição das políticas de inclusão social constitucionalmente garantidas e agora negadas na prática.

É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República.  

Assumo esta missão porque tenho uma grande responsabilidade com o Brasil e porque os brasileiros têm o direito de votar livremente num projeto de país mais solidário, mais justo e soberano, perseverando no projeto de integração latino-americana.

Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002, não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa.

Tive muitas candidaturas em minha trajetória, mas esta é diferente: é o compromisso da minha vida. Quem teve o privilégio de ver o Brasil avançar em benefício dos mais pobres, depois de séculos de exclusão e abandono, não pode se omitir na hora mais difícil para a nossa gente. 

Sei que minha candidatura representa a esperança, e vamos levá-la até as últimas consequências, porque temos ao nosso lado a força do povo. Temos o direito de sonhar novamente, depois do pesadelo que nos foi imposto pelo golpe de 2016. 

Mentiram para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, legitimamente eleita.  Mentiram que o país iria melhorar se o PT saísse do governo; que haveria mais empregos e mais desenvolvimento. Mentiram para impor o programa derrotado nas urnas em 2014. Mentiram para destruir o projeto de erradicação da miséria que colocamos em curso a partir do meu governo. Mentiram para entregar as riquezas nacionais e favorecer os detentores do poder econômico e financeiro, numa escandalosa traição à vontade do povo, manifestada em 2002, 2006, 2010 e 2014, de modo claro e inequívoco. 

Está chegando a hora da verdade. Quero ser presidente do Brasil novamente porque já provei que é possível construir um Brasil melhor para o nosso povo. Provamos que o País pode crescer, em benefício de todos, quando o governo coloca os trabalhadores e os mais pobres no centro das atenções, e não se torna escravo dos interesses dos ricos e poderosos. E provamos que somente a inclusão de milhões de pobres pode fazer a economia crescer e se recuperar. 

Governamos para o povo e não para o mercado. É o contrário do que faz o governo dos nossos adversários, a serviço dos financistas e das multinacionais, que suprimiu direitos históricos dos trabalhadores, reduziu o salário real, cortou os investimentos em saúde e educação e está destruindo programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Pronaf, Luz Pra Todos, Prouni e Fies, entre tantas ações voltadas para a justiça social.

Sonho ser presidente do Brasil para acabar com o sofrimento de quem não tem mais dinheiro para comprar o botijão de gás, que voltou a usar a lenha para cozinhar ou, pior ainda, usam álcool e se tornam vítimas de graves acidentes e queimaduras. Este é um dos mais cruéis retrocessos provocados pela política de destruição da Petrobrás e da soberania nacional, conduzida pelos entreguistas do PSDB que apoiaram o golpe de 2016.  
A Petrobrás não foi criada para gerar ganhos para os especuladores de Wall Street, em Nova Iorque, mas para garantir a autossuficiência de petróleo no Brasil, a preços compatíveis com a economia popular. A Petrobrás tem de voltar a ser brasileira. Podem estar certos que nós vamos acabar com essa história de vender seus ativos. Ela não será mais refém das multinacionais do petróleo. Voltará a exercer papel estratégico no desenvolvimento do País, inclusive no direcionamento dos recursos do pré-sal para a educação, nosso passaporte para o futuro.

Podem estar certos também de que impediremos a privatização da Eletrobrás, do Banco do Brasil e da Caixa, o esvaziamento do BNDES e de todos os instrumentos de que o País dispõe para promover o desenvolvimento e o bem-estar social. 

Sonho ser o presidente de um País em que o julgador preste mais atenção à Constituição e menos às manchetes dos jornais. Em que o estado de direito seja a regra, sem medidas de exceção. Sonho com um país em que a democracia prevaleça sobre o arbítrio, o monopólio da mídia, o preconceito e a discriminação.

Sonho ser o presidente de um País em que todos tenham direitos e ninguém tenha privilégios. Um País em que todos possam fazer novamente três refeições por dia; em que as crianças possam frequentar a escola, em que todos tenham direito ao trabalho com salário digno e proteção da lei. Um país em que todo trabalhador rural volte a ter acesso à terra para produzir, com financiamento e assistência técnica. 

Um país em que as pessoas voltem a ter confiança no presente e esperança no futuro. E que por isso mesmo volte a ser respeitado internacionalmente, volte a promover a integração latino-americana e a cooperação com a África, e que exerça uma posição soberana nos diálogos internacionais sobre o comércio e o meio ambiente, pela paz e a amizade entre os povos.

Nós sabemos qual é o caminho para concretizar esses sonhos. Hoje ele passa pela realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas, sem regras de exceção para impedir apenas determinado candidato. Só assim teremos um governo com legitimidade para enfrentar os grandes desafios, que poderá dialogar com todos os setores da nação respaldado pelo voto popular. É a esta missão que me proponho ao aceitar a candidatura presidencial pelo Partido dos Trabalhadores. Já mostramos que é possível fazer um governo de pacificação nacional, em que o Brasil caminhe ao encontro dos brasileiros, especialmente dos mais pobres e dos trabalhadores.

Fiz um governo em que os pobres foram incluídos no orçamento da União, com mais distribuição de renda e menos fome; com mais saúde e menos mortalidade infantil; com mais respeito e afirmação dos direitos das mulheres, dos negros e à diversidade, e com menos violência; com mais educação em todos os níveis e menos crianças fora da escola; com mais acesso às universidades e ao ensino técnico e menos jovens excluídos do futuro; com mais habitação popular e menos conflitos de ocupações nas cidades; com mais assentamentos e distribuição de terras e menos conflitos de ocupações no campo; com mais respeito às populações indígenas e quilombolas, com mais ganhos salariais e garantia dos direitos dos trabalhadores, com mais diálogo com os sindicatos, movimentos sociais e organizações empresarias e menos conflitos sociais. 

Foi um tempo de paz e prosperidade, como nunca antes tivemos na história.
Acredito, do fundo do coração, que o Brasil pode voltar a ser feliz. E pode avançar muito mais do que conquistamos juntos, quando o governo era do povo.

Para alcançar este objetivo, temos de unir as forças democráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada.

Daqui onde estou, com a solidariedade e as energias que vêm de todos os cantos do Brasil e do mundo, posso assegurar que continuarei trabalhando para transformar nossos sonhos em realidade. E assim vou me preparando, com fé em Deus e muita confiança, para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro. E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar.

Até breve, minha gente
Viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva o Povo Brasileiro!”

Luiz Inácio Lula da Silva
Curitiba, 8 de junho de 2018"


sábado, 14 de abril de 2018

LEVARAM NOSSA RADIO NA MARRA? Por Carlos Eduardo Esmeraldo


A Rádio Araripe do Crato foi a primeira emissora de rádio instalada no interior do Estado do Ceará, um régio presente do Sr.Assis Chateaubriand ao Crato. A sua concessão foi feita à nossa cidade e jamais a sua sede poderia ter sido mudada para outra cidade. Porém, seus proprietários aproveitaram a migração da transmissão em Amplitude Modulada, (AM) para a Freqüência Modulada (FM) e transferiram para outro município a sede da Rádio Araripe, assim como a mudança do seu nome. Na minha modesta opinião, os poderes constituídos do nosso município deveriam reivindicar ao Ministério da Comunicações o retorno dessa emissora para nossa cidade. E melhor seria se um grupo de empresários adquirisse essa importante meio de comunicação.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

A PALAVRA DO PROMOTOR

"ALIÁS, NESTA DITOSA REPÚBLICA DE CURITIBA, DE PRODÍGIOS IMENSURÁVEIS, NADA HÁ QUE NÃO NOS ESPANTE.
NOS LUGARES SOLITÁRIOS, ONDE TODA A VAIDADE HUMANA SE APAGA, PENDURADOS NOS LOCAIS DE COSTUME, ENCONTRAM-SE EM FARTURA E ESPLENDOR PAPÉIS HIGIÊNICOS ILUSTRADOS COM O ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO DA MORIBUNDA REPÚBLICA BRASILEIRA.
O PAPEL ASSIM ESTAMPADO, PRESTIMOSO AMIGO DAS HORAS MAIS AFLITAS, ESTÁ ALI À DISPOSIÇÃO E LIMPEZA DAS INTOCÁVEIS E IMPOLUTAS NÁDEGAS DOS NOTÁVEIS JURISTAS DESTA EXCEPCIONAL JURISDIÇÃO".


FUAD FARAJ (PROMOTOR DE JUSTIÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ).

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O MINISTRO E OS DONOS DO DINHEIRO – José Nílton Mariano Saraiva

Aécio Neves, Daniel Dantas, Roger Abdelmassih, Jacob Barata, Ike Batista, José Riva, Anthony Garotinho, Adriana Ancelmo, Beto Richa e Benedito Lira, dentre muitos outros (a lista seria infindável), têm alguma coisa em comum: 01) trafegaram na ilegalidade por anos e anos e, portanto, são comprovadamente marginais; 02) têm muito dinheiro; 03) depois de roubarem estratosféricas somas de dinheiro foram liberados da prisão por decisão monocrática do excelentíssimo senhor ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

E como na lista do Gilmar Mendes não figura um só pobre, sequer um remediado da classe média, o que metade do mundo e a outra banda pode pressupor é que, por caminhos que o mortal comum desconhece, o tal ministro deve receber, sim, algo em troca. Não no Brasil, mas, provavelmente, lá fora. O quê, fica a critério de cada um emitir algum juízo de valor.

Fato é que, embora já houvesse um certo ar de “desconfiômetro” da população em razão da postura ousada do ministro, agora temos uma outra grave denúncia pública de um juiz federal com atuação na cidade de Campos, no Rio de Janeiro, tratando da liberação do Anthony Garotinho por Gilmar Mendes, a saber:

Em um vídeo estarrecedor, o juiz Glaucenir Oliveira, que prendeu de forma extremamente polêmica – e, para muitos juristas, ilegal – o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, decidiu atacar o ministro Gilmar Mendes, que determinou a libertação do político nesta semana; na mensagem, o magistrado acusa Gilmar Mendes de ter recebido dinheiro em troca de decisão favorável: “a mala foi grande”, afirmou. Gilmar soltou Garotinho, apontando que não havia qualquer elemento que justificasse a prisão preventiva; procurado pela reportagem, o juiz Glaucenir ainda não se manifestou.” (ipsis litteris).

Arrogante, sarcástico e prepotente, Gilmar Mendes já humilhou advogados em sessões do Supremo Tribunal Federal, assim como “peitou” os colegas daquela Corte (em mais de uma oportunidade), por “ousarem” questionar suas bravatas (lembremo-nos que em um embate duríssimo, no recinto do STF, o ex-ministro Joaquim Barbosa o acusou de “coronel” e de destruir o Judiciário brasileiro).

Não esquecer, também, que nos dias atuais Gilmar Mendes funciona como principal “conselheiro-orientador” do ilegítimo presidente, e que, coincidentemente, sua esposa (do ministro) foi aquinhoada com uma polpuda remuneração (fala-se em mais de R$ 30.000,00) para funcionar como membro efetivo de um dos Conselhos da Itaipu Binacional.

Pode até não ter nada a ver, mas tudo isso nos faz lembrar o grande e sempre atual Nelson Rodrigues, ao afirmar que: “Se os homens de bem tivessem a ousadia dos canalhas, o mundo estaria salvo.”



sábado, 23 de dezembro de 2017

NOS TEMPOS DA “BRILHANTINA” - José Nílton Mariano Saraiva

Localizada ao oeste do estado do Rio Grande do Norte, quase que na fronteira com o Ceará, Pau dos Ferros era (à época) uma dessas agradabilíssimas minúsculas cidades interioranas (mudou bastante e hoje é uma espécie de “cidade-pólo”, maior que o Crato em todos os aspectos), em razão, principalmente, da índole receptiva do seu povo e de um detalhe não tão comum em cidades interioranas: a “beleza brejeira” e ao mesmo tempo esfuziante das suas mulheres, aliada ao extremo bom gosto e requinte com que se vestiam. Até parece que os famosos estilistas de moda, antes de lançarem suas revolucionárias coleções em Paris, Roma ou Milão, faziam de Pau dos Ferros uma espécie de “passarela-laboratório-experimental” às suas criações (como luxavam aquelas jovens e belas mulheres pau-ferrenses).

Vivenciamos tudo isso em meados da década de 70, quando para lá nos deslocamos a fim de cumprir adição de 90 dias no Banco do Nordeste do Brasil S/A (BNB), então a única agência bancária da cidade; e, embora realmente o trabalho fosse intenso (a ponto de se trabalhar de 10 a 12 horas por dia), a “diária” que se recebia compensava plenamente, além do que havia uma espécie de “cumplicidade” entre os que compunham a equipe beenebeana e a população da cidade.

O dia-a-dia.

Ao final da diária jornada de trabalho, a parada obrigatória era a “Sorveteria do Sales” (próspero comerciante local), onde sorvíamos uma “geladérrima”, ao tempo em que as paqueras se sucediam, furtivas ou abertamente, num clima leve e sadio. Os fins-de-semana, então, eram literalmente uma festa: num deles, por exemplo, tínhamos a escolha da “miss olhos” (obviamente uma amistosa disputa entre aquelas moçoilas adolescentes maravilhosas, para se avaliar quem tinha os “olhos” mais bonitos); na outra semana, a escolha do casal que melhor dançava; na outra, a escolha daquela que melhor desfilava, e por aí vai. Era uma festa permanente. E tudo dentro da mais pura inocência e simplicidade. O certo é que a “coisa” era tão legal e gostosa que, não mais que de repente, o tempo voou, os 90 dias exauriram-se e tivemos que voltar para Fortaleza (houve uma tentativa de prorrogação da adição, infrutífera).

Antes da volta, entretanto, foi firmado um compromisso, uma profissão de fé, um autêntico pacto de boêmios: sempre que houvesse uma festa que compensasse, seríamos acionados, tempestivamente. E assim, todos nós (mesmo os casados), que por lá passamos na condição de “adidos” (uns seis colegas, não necessariamente no mesmo período), findamos por voltar várias vezes.

Os ônibus que faziam o percurso Fortaleza-Pau dos Ferros eram os famosos “pinga-pinga” que, além de terrivelmente desconfortáveis, eram desprovidos de banheiro. Pois foi numa dessas viagens que o “inusitado” pintou no pedaço.

Já saímos da rodoviária de Fortaleza um tanto quanto “melado” (muita “birita” para – vejam só que desculpa mais esfarrapada - poder ter coragem de enfrentar a buraqueira, já que parte da estrada era de piçarra). Na chegada a Pau dos Ferros, seis da manhã, os notívagos “recepcionistas” (colegas do Banco) já estavam a nos esperar, à porta do ônibus, com um churrasquinho no ponto e aquela cervejota “fumacenta de gelada” (é que a “agência do ônibus” ficava estrategicamente localizada frente a um bar, que aos finais de semana funcionava 24 horas por dia, ao som maravilhoso de um Paulo Sérgio, Jerry Adriane, Carlos Gonzaga, Reginaldo Rossi, Valdik Soriano e por aí vai).

Os “trabalhos”, então, se iniciavam ali mesmo, sem nem escovar os dentes. De lá e durante todo o dia de sábado, os encontros, reencontros e novas amizades, na Sorveteria do Sales, na Churrascaria do Anísio e/ou no meio da rua, com aquelas mulheres monumentais.

À noite, após uma passada na “república” a fim de tomar um banho caprichado, vestir a “CAMISA VOLTA AO MUNDO” e a “CALÇA DE TERGAL”, passar uma “BRILHANTINA” no cabelo e colocar o perfume “LANCASTER”, o objeto de desejo: a esperada festa no único clube da cidade, que se prolongava até o sol raiar. Dali, depois do famoso “caldo de misericórdia” servido num posto de gasolina, volta à república pra mudar de roupa e todo mundo se mandava pra “barragem” (na verdade, o açude que abastecia a cidade e onde existia uma palhoça que servia “o melhor tucunaré de água doce do mundo”); e tome “mé”. Aí, já na base do famoso “cuba-libre” – mistura tanto saborosa como explosiva de Ron Montila e Coca-Cola.

Naquela tarde de domingo, Rivelino, famoso jogador que houvera se destacado no Corinthians, faria sua estreia no time do Fluminense (no Maracanã), jogando contra o… Corinthians. E, mesmo diante de uma televisão preto-e-branco com uma imagem pra lá de sofrível, na sala da casa do prefeito da cidade (tricolor roxo) formamos uma grande torcida do Fluminense (pra agradar o homem, é claro). E tome “Ron Montila”, acompanhado de uma miscelânea de tira-gostos: panelada, buchada, tucunaré, torresmo, churrasco, o escambau (era comida que dava no meio da canela). O certo é que o tempo, de novo, voou, e de repente chegou a “hora indesejada” do retorno.

E aí a velha história repetiu-se: já chegamos na “parada do ônibus” mais pra lá do que pra cá, “puto de raiva” por ter que voltar no melhor da festa e lá encontramos a colega do BNB Julieta, que fora adida e também houvera ido passar o final de semana. Após cumprimentá-la sentamos na poltrona (???) e… apagamos.

Lá pras tantas (entre duas e três horas da madrugada) após uma parada abrupta do coletivo a fim de desembarcar algumas pessoas que moravam na zona rural ao lado da estrada, “ressuscitamos” e, pior, com uma necessidade imperiosa e descomunal, de “descarregar”, “arriar a massa” (lembremo-nos que o ônibus não dispunha do famoso toilette). Falamos com o motorista e o trocador (existia um, sim, encarregado de recolher o dinheiro das passagens) e eles sugeriram que descêssemos o barranco e fizéssemos o “serviço”, enquanto eles procuravam e entregavam a bagagem do pessoal rural.

E só deu tempo mesmo de descer o barranco às pressas, arriar a bermuda e... tome merda, muita merda, merda em profusão, em pleno estado líquido e em “chicotadas” monumentais, brabíssimas (o “inusitado” dera o ar de sua graça e o Ron Montila e apetitosos tira-gostos finalmente cobravam seu preço).

Até hoje não conseguimos lembrar é se nos deixamos absorver pelo esplendor da belíssima lua no céu (em pleno meio da caatinga), se dormimos de cócoras ou, simplesmente, se sentamos em cima do produto; o certo é que, de repente, milagrosamente conseguimos “captar” a zoada de um carro acelerando. Ao olhar, desesperado, pra cima, rumo à estrada, divisamos o ônibus se afastando, lentamente. Não houve tempo para raciocinar: num átimo, nos despojamos da bermuda e da cueca, pegamos essa última e passamos de forma apressada no traseiro, a jogamos fora, vestimos novamente a bermuda e subimos a ribanceira feito um louco.

Contando com a providencial solidariedade do pessoal que havia descido (umas oito pessoas) que se puseram a “urrar” em plena duas horas da manhã, o ônibus parou mais à frente. Resfolegando, com os bofes saindo pela boca, suando em bicas por todos os poros, alcançamo-lo e, evidentemente, reclamamos do motorista e cobrador; eles alegaram que haviam “esquecido” e pediram desculpas.

Quando sentamos na poltrona (???), uma réstia da luz da Lua que refletia pela janela nos permitiu observar que a colega Julieta (ainda dormindo) imediatamente virou o rosto para o outro lado. Deixamos pra lá. Sentamos e... apagamos (de novo). Viagem que segue...

Oito horas da manhã, rodoviária de Fortaleza, sol a pino. A muito custo e após nos sacolejar bastante, a “dupla-sertaneja” (motorista e cobrador), consegue finalmente nos “trazer de volta”. De mau humor, com um terrível gosto de “cabo-de-guarda-chuva” na boca, doido pra chegar em casa, não ligamos para a cara feia dos dois, pegamos nossa sacola que estava na parte de cima e saímos.

E foi aí, ao tentar nos despedir da colega Julieta, que vimos a “merda” (literalmente) que tínhamos armado: é que ela (e demais passageiros), não só se recusava a aceitar o nosso cumprimento, como, também, olhava(m) fixamente para nossa mão estendida. Uma “palhinha” de sobriedade pintou de repente e, já acometido de um certo receio, um pressentimento estranho, um friozinho a nos percorrer a espinha, acompanhamos o mortífero olhar da Julieta e, só então, entendemos a dimensão da coisa: não só nossa mão, mas partes do antebraço, coalhadas estavam de fezes, em transição do estado líquido para o sólido. É que, na imensidão e solidão da caatinga iluminada por aquela lua belíssima, ao passarmos a cueca apressadamente no traseiro, ela não dera conta do recado e o “produto” houvera vazado, em profusão, para a mão e adjacências.

Nunca antes havíamos passado por algo semelhante, por situação tão constrangedora e vexatória. Na verdade, naquele momento a vontade era de morrer, sumir, meter-se em algum buraco, desaparecer do mapa, escafeder-se, se autotransportar para o Japão, China, um lugar qualquer longe, bem longe dali, do outro lado do mundo. Uma tragédia. Humilhação pra você nunca mais esquecer.

Pra completar, quando tentamos dá um passo à frente, agora, sim, sentimos a bermuda um tanto quanto apertada, muito presa ao corpo, obstando estranhamente nossa locomoção; é que ela simplesmente houvera “pregado” no traseiro, tal a quantidade de merda e a extensão da área em que se propagara.

Resultado ??? A vergonha foi tão grande que ficamos “baratinados”, perdemos a noção do tempo, da razão, do espaço e do ridículo, e sequer conseguimos atinar que na Rodoviária tinha um banheiro onde poderíamos fazer uma “meia-sola” (mini-banho) para nos livrarmos “daquilo”.

E assim, como nenhum taxista compreensivelmente nos aceitou como passageiro, tivemos que fazer o razoável percurso do Bairro de Fátima até o apartamento, no Centro da cidade, no “pé-dois”, sol a pino, cantando amor febril e sob os olhares desdenhosos dos transeuntes, que cortavam caminho, tratavam de passar por longe daquele “lixo-humano” e sua estranha coreografia. É que nos debatíamos com moscas, um exército de dezenas de moscas, a nos perseguir insistentemente; a fedentina era tão grande, o odor à nossa volta tão insuportável, até para a mais das insensíveis narinas, que poderíamos e merecíamos ser cognominados como uma “fossa ambulante”.

Quanto à colega Julieta, passou um certo tempo amuada, cabreira, chateada, sem querer papo nenhum, intrigada mesmo, pelo que era considerou falta de respeito e consideração. Hoje, casada, mãe de filhos, reside em Mossoró. Nas suas raras incursões à cidade de Fortaleza, nas vezes em que a encontramos, nos saúda efusiva e festivamente, embora um tanto quanto sui generis, diferente, inusual, esquisito até: “Diga lá... seu cagão”. E haja risadas, muitas risadas.

Coisas da vida...

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

MALUF E O “VELHO PADRE”

O octogenário padre brasileiro, que durante anos a fio tinha trabalhado fielmente e com afinco junto ao povo africano na difusão da palavra do Senhor, voltara debilitado ao Brasil (contraíra o vírus ébola) e, agora, doente e moribundo, internado no Hospital Geral de Brasília, é a notícia e manchete midiática da hora.

Em estado terminal, já nos últimos suspiros ele faz um sinal à enfermeira, que se aproxima. - Sim, senhor padre, o que deseja ? - Eu queria ter a oportunidade de conversar com quatro proeminentes políticos brasileiros, antes de partir, sussurrou o velho Padre, ditando-lhe os nomes. - Acalme-se, verei o que posso fazer, respondeu a enfermeira. De imediato, a Direção do hospital entra em contacto com o Congresso Nacional e logo recebe a boa notícia: todos, na condição de católicos, embora não praticantes, faziam questão de cancelar os compromissos do dia, pois não poderiam perder a oportunidade de visitar o velho Padre, moribundo.

A caminho do hospital, na ampla limusine de um deles, Paulo Maluf confidencia pra Jader Barbalho, Renan Calheiros e José Agripino: - Eu não sei porque é que o velho Padre nos quer ver, mas certamente, dado o seu prestígio internacional e sua popularidade junto aos pobres deste país, isso vai ajudar, e muito, a melhorar a nossa imagem perante a Igreja e ao próprio povo, assim como repercutirá internacionalmente, o que é sempre muito bom. Todos concordaram: realmente, ali estava uma grande e rara oportunidade para eles aparecerem e, tanto é verdade, que até fora enviado um comunicado oficial urgente à imprensa, detalhando a hora e o local da visita.

Quando ao “quarto” os “quatro” chegaram, com toda a mídia presente (rádios, jornais, TV, Internet, etc) o velho Padre pediu-lhes para dele se acercarem e, pousando sua mão direita sobre as mãos de Jader Barbalho e Paulo Maluf, e a esquerda sobre as mãos de Renan Calheiros e José Agripíno, agradeceu-lhes aquele gesto magnânimo, caridoso e cristão.

Houve um respeitoso silêncio, enquanto câmaras foram estrategicamente direcionadas aos cinco, já que repórteres televisivos transmitiriam ao vivo e a cores, em horário nobre, para todo o país, aquele grave momento; para tanto, aproximaram seus sensíveis microfones para, quem sabe, captar aquelas que seriam as últimas palavras daquele santo homem, que estranhamente, apesar de muito debilitado, apresentava-se com um ar de pureza e serenidade no semblante.

Então, Paulo Maluf, na condição de porta-voz dos demais (fazendo pose para as câmaras e imprimindo a devida impostação à voz), perguntou-lhe, contrito: -Santo Padre, desculpe a curiosidade, mas porque é que fomos nós – eu, Jáder, Renan e Agripino - os escolhidos, entre tantas pessoas ilustres das que compõem o nosso glorioso Congresso Nacional, para estar ao seu lado, neste momento tão especial ?

O velho Padre, com um sorriso angelical no rosto, serenamente afirmou: -Meus filhos, como vocês são testemunhas, sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo e seguir à risca, o "Pai Celestial", Nosso Senhor Jesus Cristo. -Amém, sussurraram, os quatro, em uníssono. E aí, o velho Padre fuzilou, contundentemente:

ENTÃO...COMO “ÊLE” MORREU ENTRE LADRÕES, EU QUERIA PRA MIM O MESMO”.

Ato seguinte, "bateu as botas"... sorrindo.

(Autor desconhecido)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

"CALDO DE BILA" - José Nilton Mariano Saraiva


Independentemente da raça, cor, sexo, religião, ideologia, credo, preferência clubística ou política, os milhões de adeptos de uma “geladinha” (cerveja) ou da “marvada” (cachaça), detêm a exclusividade de uma certeza: dia seguinte à farra homérica, quando se excedem no consumo e acordam com aquele terrível gosto de “cabo de guarda-chuva” na boca, nada mais apropriado pra curar a “ressaca braba” (que às vezes dá vontade até de morrer), do que “forrar o estômago” com um revigorante e bendito caldo (de mocotó, carne moída ou costela de boi), no capricho e tinindo de quente, capaz não só de matar todos os vermes que “encontrar na descida”, como também “levantar ou por de pé até defunto”.

Mas... há que se ter cuidado com os “caldos da vida”. Sim, porque existem duas espécies de caldo: 1) o “caldo verdadeiro”, original, genuíno, que é aquele bem preparado, repleto de temperos e condimentos, capazes de lhe dar cheiro, sabor e “sustância”, e ainda operar o milagre de fazer seu usuário “renascer” das cinzas, a ponto de, sob o pretexto de “lavar o peritônio”, tirar o gosto ali mesmo com uma outra geladérrima, recomeçando a farra; e, 2) o “outro caldo”, o caldo falso, o caldo de araque, que é aquele que é só uma espécie de água morna, desprovido de temperos e condimentos, sem gosto, sem cheiro, sem poder revigorante e, enfim, sem nenhuma serventia, capaz até de “bater e voltar”, ou seja, de fazer com que o seu usuário “bote os bofes pra fora”, na hora. Esse, por suas características peculiares, findou sendo designado pelos biriteiros da vida com a alcunha de “caldo de bila” (portanto, quando você ouvir a expressão “caldo de bila”, lembre-se de que é algo fraco, inútil, sem serventia).

E a “expressão” pegou de uma maneira tal, foi tão bem assimilada por gregos e troianos, que quando queremos manifestar nosso descontentamento com algo ou alguém que não corresponde às nossas expectativas, em qualquer competição ou atividade, imediatamente professamos: é “mais fraco que caldo de bila”.

Tomemos como exemplo a Fórmula 1, um esporte por demais admirado no mundo todo e que, para nós brasileiros, num determinado momento da história, foi motivo de orgulho e respeito, quando tínhamos a nos representar nos mais diferentes autódromos dos quatro cantos do planeta os Emerson Fittipaldi, Nélson Piquet e Ayrton Senna da vida.
Afinal, quem não lembra das manhãs de domingo em que renunciávamos à praia, clubes, açudes, cinemas ou um outro divertimento qualquer, só pra ficar por duas horas à frente da telinha, beliscando uma cervejota com tira-gosto de panelada e vibrando com o “pé-pesado” ou as ultrapassagens sensacionais dos nossos “homens voadores”, campeões mundiais em seguidas temporadas ??? Quem não lembra dos pegas fantásticos e espetaculares entre Fittapaldi X Jack Stuart, Piquet X Mansel, Senna X Prost, Senna X Piquet, dentre outros ???

Foi então que o destino nos pregou aquela peça terrível, aquele momento dantesco, nos levando prematuramente o Ayrton Senna, numa calma manhã de domingo, durante uma corrida aparentemente tranquila, na Itália, após a quebra da barra de direção de seu carro, a mais de 200 quilômetros por hora.

Imediatamente a TV Globo, em razão principalmente dos milhões de dólares propiciados pela exclusividade da transmissão de cada corrida, e temendo a perda dos exuberantes patrocínios, tratou de “fabricar” da noite pro dia um substituto para o Senna. E como não havia muitas opções naquele momento, literalmente foi “decretado” pela cúpula da Globo e nos imposto goela abaixo, que um jovem piloto paulista, novato na Fórmula 1, seria o novo “ídolo” da torcida brasileira. Foi assim que tomamos conhecimento da existência de Rubens Barrichello, logo batizado pelo chefão de esportes da emissora (Galvão Bueno) de “Rubinho” (certamente que numa tentativa de torná-lo mais “palatável” ante os aficionados da categoria).

Daí pra frente todos nós sabemos a história de cór e salteado: apesar do hercúleo esforço da Globo em alavancá-lo, do generoso espaço lhe disponibilizado, de lhe arranjarem inclusive um lugar na disputadíssima e então imbatível Ferrari (à época detentora dos mais possantes e velozes carros da categoria), o que se via nas pistas era um piloto atabalhoado, lento, medroso, excessivamente burocrático, sem qualquer pegada, além de potencial e exímio “quebrador” de carros, os quais não conseguia “ajustar” nunca (quantas vezes vimos o tal “Rubinho” em desabalada carreira durante as corridas - SÓ QUE A PÉ E NA CONTRAMÃO - em busca do carro reserva ???).

Sem carisma, desprovido de simpatia, sempre com uma desculpa esfarrapada para os recorrentes fracassos nas pistas, inventor de uma comemoração pra lá de ridícula (uma tal de “sambadinha”) quando ocasionalmente ganhava alguma corrida, Barrichello aos poucos foi se eclipsando, sumindo, escafedendo-se.

Na fase crepuscular da carreira, competindo por uma equipe de nível médio (Willians), Barrichello ainda assim conseguiu a proeza de fazer com que a Globo optasse por uma estranha e incrível “inversão de valores”: é que, à falta de resultados (quase sempre ficava lá na rabeira, quando não quebrava), o locutor global tratava de potencializar o fato de “Rubinho” às vezes ficar entre os 10 que obtiveram melhor classificação nos treinos, além de insistir e persistir em nos informar ser ele o piloto que disputou mais de trezentas (300) corridas de Fórmula 1 (olvidando, no entanto e propositadamente, de nos cientificar dos pífios resultados ou da relação entre o número de vitórias obtidas e os grandes prêmios disputados).

Por essa e outras é que poderíamos associar Rubens Barrichello ao nosso famoso “caldo de bila”: não fede, não cheira, não tem gosto, não propicia qualquer serventia ou bem-estar.

ALERTA

TOMEM MUITO CUIDADO. BRASÍLIA COMEÇA A SE ESVAZIAR. ESSA É A SEMANA DO INDULTO DE NATAL E TEREMOS MAIS DE 500 DEPUTADOS E 81 SENADORES À SOLTA PELO PAÍS. NÃO SAIAM ÀS RUAS E TRANQUEM BEM SUAS PORTAS E JANELAS.

(COMPARTILHEM PARA QUE SE TODOS SE PROTEJAM)

domingo, 10 de dezembro de 2017

Vestígios da Itália em Missão Velha - Dr. Demóstenes Ribeiro


Na calçada em frente, suavemente ensolarada naquela manhã de maio, o Coronel dirigia-se ao barbeiro. Terno branco, chapéu e guarda-chuva fechado à mão direita, como se fosse bengala, ele lentamente caminhava. Baixinho e gordo, um ar feliz envolvia o semblante bonachão, realçado agora pelo domínio do alistamento nas frentes de serviço do DNOCS. Era a seca de 58, ele controlava o PTB local e seriam muitas as vantagens resultantes dessa missão.

A barbearia, parada obrigatória na cidade, local sempre descontraído e de informação. Todos a freqüentavam, exceto monsenhor Antonio Feitosa, ao qual o barbeiro atendia com orgulho uma vez por mês na casa paroquial. Semanalmente, o Coronel cortava o cabelo. Hipocondríaco, exigia esterilização prévia da tesoura e da navalha, com álcool, em chamas. Aliás, tamanho o seu temor de doença, no cinema sistematicamente levava o lenço ao nariz ao assistir cena de faroeste com muita poeira, por receio de ficar resfriado.
Sem a truculência de outros caciques, jamais se ouviu falar de violência da sua parte ou de seus comandados. Sua força política advinha da fidelidade extrema de uma família numerosa e de agregados, isolados em região serrana do município, parte mais alta e amena, onde o pai e antecedentes, imigrantes italianos, estabeleceram-se em meados do século dezenove. As urnas da Goianinha decidiam a eleição municipal.

Ao invés do sul do Brasil, por que esses italianos escolheram Missão Velha, confins do Ceará? Ao que se fala, emigraram de remota região da Itália, cheios de sonhos, fugindo de violência e miséria. Ao chegar a Recife, o patriarca, artesão, mestre na fundição do cobre, encheu-se de esperança ao saber dos engenhos de cana-de-açúcar no Cariri, espaço para o seu ofício e a sua arte.

Destinados à Goianinha, pouco a pouco, a língua, o sotaque, quase todos os hábitos e tradições foram sufocados pela cultura local. A pobreza nordestina foi mais forte. Diferente do sul do Brasil, a geografia e o clima pouco se assemelhavam à velha Itália. Entre outras coisas, sumiram a culinária mediterrânea e a tradição do vinho.
A família cresceu miscigenada, mas alguma coisa ficou. Cearenses a conservar modo de vida que lembra aldeias e cidadezinhas da Itália. Os laços familiares rígidos, o bom humor, o casamento entre primos, as residências próximas, as mulheres pequeninas, muitas de olhos azuis, discretas no vestir e no comportamento, apegadas à Igreja e quando viúvas, de preto e lamuriosas. Acima de tudo, cordialidade e alegria de viver contrastando com a agressividade local. Extroversão expressa em vários deles pelo amor ao jogo de cartas, à diversão, à bebida e à música popular.

Anos depois, em disputa com um sobrinho, o Coronel não conseguiu fazer do filho o prefeito da cidade. A luta pelo poder desagregou a família e ele partiu para a serra paraibana, local de outros familiares; quem sabe, inconscientemente atraído pelo clima vagamente parecido ao da Itália. Todavia, diferente do pai, era, no quase exílio, imigrante desesperançado, revolta e desilusão.

Envolvido em luta inglória contra a realidade cruel, findou os dias em um mundo imaginário, pleno de fantasia e recordação. Na rede, a mamma entoava uma canção de ninar ou era o irmão Horácio a lhe embalar o sono com uma ária napolitana de Caruso? Houve a alegria irreverente dos filhos no carnaval ou tudo não passou de uma velha história de Veneza, contada por uma tia idosa na infância? Voltaria ainda o prestígio dos anos atrás?

Muito tempo depois, o menino que vira o homem gordo e baixinho, dirigir-se à barbearia, naquela manhã de maio, observara um missãovelhense discretamente receber a comunhão na Igreja da Paz. Sequer herdara o sobrenome italiano, mas no comportamento cordial, reverente e cerimonioso, ele expressava traços do tio e, talvez, de algum familiar distante, perdido em aldeia remota da Sicília ou do Mediterrâneo.










quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

GILMAR MENDES - por RICARDO BOECHAT

Temos um ministro do STF que não teme ser defensor explícito do crime organizado. Gilmar Mendes nem deveria ser impedido, deveria ser preso. Os laços de Gilmar e sua mulher com Jacob Barata são de amizade, comerciais e profissionais. O cunhado do Gilmar é sócio do Jacob. Jacob tinha o contato direto da mulher de Gilmar em seus contatos.

Esse senhor Barata, pelos crimes revelados por vários delatores, vem roubando diretamente da população mais pobre do RJ, comprando toda a cúpula e política fluminense e a fetranspor. O senhor Barata roubou, 10, 20 centavos por dia da população mais pobre do RJ, por anos a fio.

A suspeição de Gilmar Mendes teria o efeito de mostrar que ele nada a tem a ver com esses crimes, que a sociedade do cunhado e que a benção no casamento, foram coincidências. Mas como ele não se declarou suspeito, mesmo quando o “rabo abanou o cachorro” e com todas as manifestações do MP, demonstrando claramente que os elos são pessoais, comerciais e profissionais, a única opção a crer é que Gilmar tem muito a esconder tanto nessa relação como nas outras em que se posicionou de forma imoral.

Jacob Barata é um bandido violento. Provavelmente está roubando dos cariocas há 30 anos. É um milagre da Lava-Jato e adjacências que estejamos trazendo esse esquema à vista, à tona.

O Judiciário e o MP precisam tratar Jacob Barata de forma especial, com o peso expressivo da lei, pois ele vai entregar Gilmar Mendes. As últimas atuações do ministro são claras evidências de obstrução intencional da justiça, mandando às favas qualquer resquício de moralidade e racionalidade. Um acinte, um deboche.

Está muto claro que Gilmar é um infiltrado do “status quo” para explodir os esforços anticorrupção e redirecionar os entendimentos do STF para a frouxidão ética e moral, apenas com seus “afilhados e amigos”.

Derrubar Gilmar Mences é atravessar uma das últimas muralhas de proteção do sistema corrupto que moveu a política brasileira, nos últimos, pelo menos, 30 anos.

Os brasileiros podem até ser impotentes para derrubá-lo, mas a cada atuação do ministro, mais gente desacredita no país e faz questão de não apoiar qualquer movimento de recuperação econômica.

Gilmar Mendes é a certeza da impunidade, portanto é a incerteza econômica. Gilmar Mendes é uma ode à concorrência desleal, portanto é um inimigo da governança e da ética nos negócios. Gilmar Mendes é o Alien parasita no organismo brasileiro.

Ou é ele, ou é a nação. Jacob Barata não deve entregar Cabral, que é outro cadáver político, esse pelo menos não está fedendo em nossas salas. Tem que entregar Gilmar.

Acreditem. Gilmar Mendes convence os brasileiros a não lutar para tirar o Brasil dessa crise. Convence os brasileiros com mais capacidade, mais recursos e maior grau de empreendedorismo a cogitar seriamente sair do país. Gilmar Mendes é nosso ministro bolivariano.

Amigos, entendam a importância de combatê-lo. Não se enganem, é um elemento fundamental para a manutenção do status quo. Está entre nós e a esperança.

Assinem tudo, reverberam tudo, tudo que for contra o Gilmar. Esse cara quase torna a sonegação de impostos um imperativo ético. Ninguém merece pagar o salário desse imperador da imoralidade judiciária.

sábado, 2 de dezembro de 2017

HOUVE OU NÃO ??? - José Nílton Mariano Saraiva


No curso de Ciências Econômicas, e especificamente no estudo da disciplina “Estatística”, normalmente o próprio professor faz a analogia entre tal disciplina e o biquíni usado pela mulherada. É que, segundo se convencionou no recinto da própria Academia, tal qual o biquíni, a Estatística mostraria tudo, tudo, menos o “essencial”. O que é “essencial”, na Estatística e na mulher, fica a critério de cada um elucubrar.


Tal lembrança ocorreu quando tomamos conhecimento das manchetes estampadas na grande mídia, nos dias atuais, nos dando conta que o abusado e arrogante ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, pela terceira vez, em poucos dias, mandou soltar da cadeia o empresário Jacob Barata, incurso em sérias suspeitas de pagamento de propina à mafiosa classe politica do Rio de Janeiro, e por isso trancafiado repetidamente pela justiça daquele Estado.


No arrazoado divulgado pela mídia, inserto se acha que pesou em tal decisão o fato do ministro e esposa terem sido padrinhos de casamento da “Baratinha”, filha do meliante (o que demonstraria uma sólida amizade entre os dois), além do fato que o noivo seria sobrinho da mulher do ministro (o que justificaria tal privilégio).


Como, entretanto, foi a terceira vez em poucos dias que o ministro bate de frente com o Judiciário do Rio de Janeiro, com todo o desgaste que isso pode provocar, a mídia bem que poderia questionar não a amizade ou parentesco do casal com o empresário, mas, sim, se o ministro teria recebido “propina” para insistir e persistir na liberação do bandido.


Afinal, já restou comprovado, em diversas oportunidades, que no Judiciário brasileiro (principalmente no seu alto escalão) a corrupção corre solta e desenfreada, e, portanto, o “substantivo” a ser explorado por uma mídia séria e honesta seria: houve ou não pagamento ao ministro Gilmar Mendes ???