por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
domingo, 17 de maio de 2015
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
entre criaturas, amar?
amar e esquecer, amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho,
e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor à procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa, amar a água implícita,
e o beijo tácito, e a sede infinita.
Drummond
P.S Obrigada, amigo Jackson.Drummond é demais!
sábado, 16 de maio de 2015
Interrogação-por socorro moreira
A gente se ilude, quando se busca?
-Emoçao é combustível de vida
Sem brincadeira...
Como suportar o mundo
Sem artistas?
Sem artistas?
Minha inoperante arte
Busca no outro
Emocionante vida!
Busca no outro
Emocionante vida!
Poetas e músicos fragmentam
o gelo e a pedra...
o gelo e a pedra...
Desfragmentam o medo,
que em nós habita,
e conseguem trnsmutá-lo...
que em nós habita,
e conseguem trnsmutá-lo...
Sem leveza, como voar no pensamento,
e chegar, no ponto do suspiro?
e chegar, no ponto do suspiro?
(socorro moreira)
sexta-feira, 15 de maio de 2015
NADA ALÉM - José do Vale Pinheiro Feitosa
Um em Laranjeiras, outro na Lapa e o terceiro no Engenho de
Dentro. Três cariocas de origens sociais diferentes. Nasceram em anos próximos
e viveram o mundo desta civilização como ela é: necessária e ilusória.
E por primazia a necessidade se põe à frente das ilusões que
reconhecemos vãs. Porém quando se procura as coisas primeiras que são as essenciais,
imprescindíveis, indispensáveis ao final e ao cabo há um vazio preenchido pela
ilusão.
E ficamos em frente a écrans luminosos estimulados por
quimeras e devaneios. Uma maçã envenenada de doses sub-letais que me faz matar
por um mero objeto e me faz morrer pelo correr para pegar o bólido da
fugacidade.
Por isso o amor, mesmo reconhecido como uma grande ilusão me
faz querer a ilusão. Afinal Custódio Mesquita e Mário Lago, bem posicionados
socialmente, deram à voz de Orlando silva esta frase magistral: “Eu não quero e
não peço, para o meu coração, nada além de uma linda ilusão”.
"APROPRIAÇÃO INDÉBITA" - José Nilton Mariano Saraiva
Blog do Eliomar - Jornal O POVO - Prefeitura de Fortaleza reforma
Parque Parrreão I e tira placa que registrava obra de Juraci Magalhães
-15 de maio de 2015 às 9:37Ceará, Cidadania, Cidades, Desenvolvimento
sustentável, Política Deixe um
comentário
Com o título “Apropriação Indébita”,
eis artigo do economista José Nilton Mariano Saraiva. Ele critica decisão
da Prefeitura de Fortaleza que, na reforma feita no Parque Parreão I, situado
no bairro de Fátima, deu sumiço na placa que registrava o local como obra do
prefeito falecido Juraci Magalhães. Confira:
“Nas
administrações Juraci Magalhães e Antônio Cambraia a cidade de Fortaleza
experimentou um surto de desenvolvimento inquestionável; e para corroborar
isso, à época a muito bem bolada propaganda oficial anunciava que para se
constatar o progresso vigente na cidade bastava “abrir a janela”; lá estavam
viadutos, parques, novas ruas, praças, etc.
Uma
dessas obras e de grande utilidade foi o Parque Parreão I, localizado no Bairro
de Fátima (vizinho à Rodoviária, entre as avenidas Borges de Melo e Eduardo
Girão), porquanto um local destinado a pratica de caminhadas, atividades
físicas, reencontro de amigos e por aí vai; enfim, um agradável e aprazível
local sócio-recreativo-esportivo para onde acorriam os moradores de diversos
bairros, principalmente nas manhãs e finais do dia.
Compreensivelmente,
a fim de registrar para a posteridade sua marca, a administração de então
fincou numa das laterais do parque um modesto pedestal encimado por uma placa
onde registrado estavam os nomes do prefeito e secretário responsável
(Juraci/Cambraia), data da inauguração (03 de Setembro de 1993) e outras
informações básicas.
De
lá para cá, entretanto, o Parque Parreão I, por descaso e falta de manutenção,
enfrentou um desgastante e corrosivo processo de degradação, com o consequente
afastamento daqueles que o frequentavam, tendo em vista a “invasão da área” por
parte de desocupados e marginais de alta periculosidade.
Eis
que, na atual administração da cidade, houve a “recuperação” do Parque Parreão
I, só que com um detalhe ESTARRECEDOR e de uma DESONESTIDADE a toda prova:
mantido o pedestal original, a placa com os nomes de Juraci Magalhães e Antônio
Cambraia foi substituída por uma outra onde os frequentadores tomam conhecimento
que o Parque Parreão I foi “INAUGURADO” em 16.setembro.2014, na administração
do prefeito Roberto Cláudio Rodrigues Bezerra, tendo como secretário da
prefeitura um tal Samuel Antônio Silva Dias e chefe da regional IV o senhor
Francisco Airton Morais Mourão.
Além
do desrespeito patente a um dos maiores prefeitos de Fortaleza (já falecido),
tal atitude simboliza uma irresponsável e abusada tentativa de APROPRIAÇÃO
INDÉBITA, porquanto os fortalezenses que usam o Parque Parreão I (já há
décadas) sabem que o próprio foi idealizado e inaugurado pela dupla Juraci
Magalhães/Antônio Cambraia (no dia 03 de Setembro de 1993, é necessário que se
repita).
Conclusão:
como do jeito que está temos configurada uma situação ilegal, imoral e amoral,
ou verdadeira excrescência, se restar uma nesga de honestidade ao atual
prefeito da cidade a placa original (com os dados corretos) será reposta e, ao
seu lado, aí sim, um outro pedestal e uma outra placa informarão da
REINAUGURAÇÃO (e não “INAUGURAÇÃO”) do Parque Parreão I, na atual
administração.
É o mínimo que se pode esperar de pessoas com um átimo de sensatez e
clarividência”.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
quarta-feira, 13 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
GUERRA - PORQUE TE QUERO MORTE! - José do Vale Pinheiro Feitosa
Atrasado. Reconheço. Refiro-me às comemorações pelos 70 anos
do fim da Segunda Guerra Mundial. Seus mitos, mentiras e verdades.
Os mitos. O mito da Alemanha Nazista invencível.
Surpreendente, vingativa e dominadora. O mito que a ferocidade com uma boa base
de tecnologia, organização e disciplina vence a ordem o do mundo. Um mito
vencedor.
O mito dos Deuses Caídos. Derrotados. Até o roer os ossos
que deuses não deveriam ter. A enorme derrota da Alemanha Nazista e da Itália
Fascista. Onde Hitler (o covarde supremo) suicidou-se logo após estimular seus
soldados morrerem lutando. Onde Mussolini foi preso e morto tentando fugir para
a Suíça.
Mentiras sob os raios luminosos de feiticeiros do cinema. Onde
os EUA, Inglaterra e França se tornam OS ALIADOS e sozinhos vencem a guerra.
Mentiras para esconder vergonhas do amor a Hitler.
Onde nos EUA Chaplin foi perseguido por ridicularizar o
líder nazista. Onde os chanceleres Ingleses e Franceses operaram francamente para
jogar Hitler para cima da União Soviética. E vergonhosamente cederam os sudetos
num no acordo de Munique.
Onde os EUA, a Inglaterra e outros aliados atacaram os
alemães na África, mas não na Europa e deixaram a União Soviética lutar sozinha
até quase chegar às fronteiras da Alemanha ao mesmo tempo que ocupava todo o
Leste Europeu. Onde já com a Alemanha quase batida em seu próprio território
finalmente chegaram as cenas da Normandia cuja gloria é cantada em filmes e no
resgate do Soldado Ryan que presta loas a uma família de vítimas da guerra.
Mas não falam de 20 a 27 milhões de russos mortos na guerra.
Enquanto na Alemanha morreram 8 milhões, onde ingleses morreram menos,
franceses numa divisão de cooperação à Alemanha e guerra no final. Onde
italianos, brasileiros, holandeses e tantos morreram.
Onde os EUA fizeram enorme economia de vida e materiais para
no final, no campo esgotado da guerra, levar o botim e consolidar-se como um
Império diferente de todos os outros. Todos os demais eram saqueadores, mas
também civilizadores. Os EUA não têm contribuição original nenhuma, com
frequência até aprendem, mas saqueiam até a medula.
A verdade se encontra nas imagens tiradas em 2 de maio de
1945 pelos russos na Berlim arrasada, quando empunharam a bandeira Soviética no
alto do prédio do Reichstag. Verdade porque brotada do maior sentimento de
vitória sobre o povo que tanto lhes fizera sofrer e morrer.
Verdade porque mostra a miséria da guerra. Quando se examina
o ato heroico dos soviéticos no cimo do prédio semidestruído embaixo é tudo
terra arrasada. Fumaça. Lama. Morte. Soldados se matando. O povo perdido em
ruas que não são mais cidades, sem linhas de abastecimento e sem redes de
proteção.
A guerra é isso: mitos, mentiras e verdades.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
QUEM CHORARÁ COM ELE? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Com os olhos marejados, nariz vermelho, a face de sofrimento
um jovem, aqui em Paracuru, levantava uma questão central para o futuro do
país. Uma questão que machuca mais do que nunca pois praticamente exonera o
compromisso social com a demanda da família do rapaz.
A sogra, em franca insuficiência cardíaca, precisava de
urgente troca de uma das válvulas do coração. Antes que imagine tudo de ruim,
mire-se na explicação mais adiante. Ela demandava o direito dela à saúde dentro
do Sistema Único de Saúde, de acesso universal, gratuito, igualitário e com
participação social.
Depois de um périplo de empurra-empurra, incompatível com o
conceito de sistema, era jogada de um lugar para outro que não resolvia e nem
encaminhava a solução. Finalmente chegou a um hospital conveniado com o SUS na
capital cearense.
Para espanto familiar, não havia quem recepcionasse a
paciente, ninguém chamava um profissional e, finalmente, uma supervisora por
pressão familiar descobriu que no andar dos médicos, nenhum sinal deles havia.
E mais ainda, quando alguém apareceu não cuidou de encaminhar o caso.
Simplesmente enrolou a família no seu desespero.
Como se tratava de gente com prestígio social e político um
amigo foi acionado, telefonou para o “colega” no hospital que então partiu para
a ação que até então enrolara.
Continue comigo.
Uma das figuras mais populares de Paracuru, aposentado como
diretor da Universidade Federal, grande músico, detentor de enorme poder de
comunicação tem igual problema numa válvula cardíaca. Aí pelos, também
credenciados, Planos de Saúde.
O que aconteceu?
Um caso de estenose foi diagnostico há cinco anos e o médico
simplesmente não operou e deixou o estreitamente evoluir até um estágio
extremamente perigoso, com grande possibilidade de morte súbita. Em seguida não
atendeu mais ao paciente, a secretária passou a avisar que ele estava em
formação no exterior.
Na última revisão de imagem da lesão da válvula, ele ouviu o
tal doutor trabalhando normalmente. Quando foi a um cirurgião mais consciente,
este ficou perplexo com a atitude do “colega”. Francamente explicou que o plano
paga pouco pelo procedimento e o cara havia fugido do problema. Mas no extremo
da covardia e o espírito de ave de rapina jamais deixou claro para o paciente
que procurasse outro profissional. Simplesmente deixou que ele evoluísse até o
risco de morte.
Fique mais um pouco.
O sogro do rapaz que, então, revelou todo o desespero do seu
choro, aconteceu aqui mesmo em Paracuru. Um cirurgião que serve à cidade
simplesmente adiou a extração de um câncer de pele (o tipo mais agressivo o
espino-celular) para quarenta dias. E não adiantou o pedido de outro colega,
pai do rapaz.
Qual, então, o denominador comum das três histórias. O SUS e
Planos de Saúde foram tomados por um conjunto de abutres que no limite só pensa
em negócio. Em ganhar rios de dinheiro numa fragmentação de procedimentos que
reduzem a efetividade de qualquer tratamento e aumenta os danos à saúde.
Enfim, o modelo liberal e capitalista de exercício da
medicina tem se mostrado perverso, tolhendo a liberdade, a segurança e o futuro
da humanidade. Ou nos voltamos aos fundamentos do Controle Social verdadeiro,
não chapa branca, que bebe suas lutas nas demandas da sociedade e que jamais se
torna um capacho a serviço de prefeitos e vereadores, ou este modelo só produz
choro e desespero.
Não precisamos entrar numa caça às bruxas e nem no andar
meramente punitivo, mas precisamos antes de tudo colocar o interesse de todos à
frente da exploração comercial da saúde pública. Não se trata apenas de
desonestos profissionais de saúde, mas de um modelo que os estimula a isso. Já
vimos isso no tempo do INAMPS e estamos novamente na linha deste comportamento.
Talvez não explique tudo, mas parte da revolta desses
profissionais com o mais Médico venha desta antiética prática do negócio com a
doença. Negócio que se alimenta nos doentes reduz a efetiva do tratamento e
causa mais danos à saúde de mortalidade por causas evitáveis.
domingo, 10 de maio de 2015
LIBERDADE ÀS MÃES - José do Vale Pinheiro Feitosa
Mãe toda vez que busco tua definição, apesar da maternidade
que sou eu, encontro na raiz a mulher que me abriu a luz deste mundo. Mesmo
matéria da fusão com a matriz linguística pater,
sei que matriz é a mesma coisa que se manifesta em ti.
Tu mulher. Mesmo que minha voz seja feminina é a tua
condição de gênero, nesta divisão do trabalho, da renda, dos bens, do acesso
aos parâmetros desta civilização, que posso dizer: eis aí uma civilização
desgraçada. Aquela que discrimina a ti, mulher.
E não adiante toda esta ternura, por um dia apenas, se do meu
amor não surgir uma forte ação permanente para superar o rebaixamento das
mulheres em relação aos homens. É disso que falamos no dia das mães. Da condição
relativamente discriminada.
E quando canto o amor por ti mãe, preciso ouvir o
acompanhamento da melodia, entender os ruídos que a cercam. De outro modo o
encanto musical me aliena da tua condição. A tua condição de mulher.
O que do teu corpo fazem como mercadoria de consumo erótico.
Como suporte para o fetiche de roupas, joias, cremes e produtos gourmet. Do teu
útero que alugam para fazer crescer os delírios genético das classes
endinheiradas.
Tu mulher, quanto mais pobre, mais discriminada, usada e
descartada. Vítima de abusos. Atacada por uma moral que dizem religiosa e que
parecem retornar às pedras lançadas sobre o corpo frágil de Madalena.
E por ti, mãe, que medra até mesmo nas pedras, eu sei que tudo
isso nada tem a ver com qualquer fragilidade inerente. Jamais, em momento
algum, tive o menor indício de que esta discriminação tenha a ver contigo. Por
um mínimo traço que seja do teu ser de mulher a justificar o que esta
civilização desgraçada faz de ti.
E sei, mãe, é da tua coragem que a revolução onde se diz
igualdade às mulheres nascerá. Da tua luta. Da tua denúncia. Da tua liberdade.
Onde nenhum padrão de consumo, de negócio ou moral patriarcal irá tracejar o
teu destino.
sábado, 9 de maio de 2015
Belíssimo texto
As Profissões de Minha Mãe
Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental.
Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.
Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.
Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.
Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.
Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.
Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.
Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil.
Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.
Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.
Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.
Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.
Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.
E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.
Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.
Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.
O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.
Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.
Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.
Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.
Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.
Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.
Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.
Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.
Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.
Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.
Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.
Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.
Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.
Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.
Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.
Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil.
Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.
Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.
Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.
Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.
Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.
E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.
Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.
Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.
O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.
Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.
Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.
Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.
Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.
Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.
Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.
Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.
Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.
Redação do Momento Espírita
Autor: Momento Espíritak
Fossa em tom de bossa, samba, bolero, baião e rock and roll
por Vera Barbosa
Dor de cotovelo, com estilo, é outro papo! Sofrer com elegância faz toda a diferença. Letras densas e doídas, com uma pitada de charme da voz que mais se gosta de ouvir na vida, são alento para a alma. E, quando arranjos se modernizam e têm o tom vibrante e a entrega da intérprete, a lágrima vira festa! Noutro momento, o palco transforma-se em cabaré e a vontade é rasgar-se todo por dentro, afogando-se num copo de cachaça. Aí, é quando a gente se sente lá, com Lupi, em um de seus momentos de profunda mágoa - e o choro é incontido. Vou brigar com ela! Vingança? Nunca, isso é Loucura! Gal Costa e músicos brindaram-nos com momentos de raro prazer, o prazer da dor de amor. E, nesse contraditório, é que a gente entende que a Felicidade é breve. Mas existe.
![]() |
| Ela disse-me assim Gal Costa canta Lupicinio Rodrigues HSBC São Paulo - 08/05/15 |
![]() |
| De Camarote! |
sexta-feira, 8 de maio de 2015
E toda a história começa assim: um líder operário tenta
conciliar as classes sociais num projeto de governo. Logo de cara encontra o
preconceito de madame, mas ele grava um samba enaltecendo o amor acima da luta
de classes.
Mas madame tem mais do que preconceito de cor. Ela tem medo
da proximidade dos pobres. Mas madame não sabe que os grandes líderes de sua
classe pensam assim nela e nas panelas: “Aqui
tem a chave do meu barracão, pode voltar quando quiser, as panelas já estão
reclamando a falta de uma mulher”.
E madame bate panela para mostrar que o som da sua
inoxidável é mais metálico que o da vizinha. Só que madame não conhece Kathy
Calvin, presidente e Chief Executive Officer da United Nations Foundation. Tal
fundação foi criada em 1998 por contribuição particular, especialmente de Ted
Turner (ex-marido de Jane Fonda) para apoiar causas e atividades da ONU. O
trabalho da fundação está focado em diminuir a mortalidade infantil, o
empoderamento das mulheres e meninas, criação de energia limpa.
E madame que vive no varandão do seu apartamento batendo
panela contra o PT e Lula não sabe que Kathy foi identificada em 2012 pela
Newsweek entre as 150 mulheres que balançam o mundo, isso sem falar nas referências
do New York Times em 2011. Bem Kathy não tem nem um fio de cabelo que possa
lembrar a madame que seja uma marxista, bolivariana, petista ou coisa
assemelhada. Antes da ONU ela foi presidente da AOL Time Warner Foundation,
Vice-Presidente Sênior e Diretora de Comunicações da America Online, Diretor
Gerente Sênior da Hil and Knowlton que é uma empresa global de relações públicas
e foram muitos os cargos desta americana típica.
Agora madame, que bate panela e quer um fora Dilma e que
leve o PT junto vai ficar perplexa. Olha o que a Kathy disse sobre o governo destes
corruptos do mensalão e do petróleo. Disse isso após uma visita à Presidente
Dilma:
“Estamos
particularmente felizes de ver e aprender sobre o progresso que o Brasil fez em
termos de reduzir a fome e a mortalidade materna, a mortalidade infantil,
melhorando a cobertura para meninos e meninas. Melhorando a equidade de gênero
e assegurando que há uma inclusão no trabalho que tem sido feito para cidadãos brasileiros.
”
A Kathy raspa o fundo da panela de madame:
“Estamos impressionados
com o trabalho que já vem sendo feito no País para garantir que você tenha um
futuro com energia sustentável. Isso é algo que poder ser compartilhado pelo
mundo e onde o Brasil é uma grande liderança. ”
quinta-feira, 7 de maio de 2015
E a criatividade, por onde anda? - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Tenho
o costume de entrar no carro e ligar imediatamente o rádio. E o que
ouço? Músicas antigas dos decênios de 1950, 1960, 1970 e até 1980
regravadas por outros cantores que passam a anos luz de distância do
autores originais. Roberto Carlos é a principal vitima dos
aproveitadores. Possui o maior número de seguidores que nada tendo para
criar, usam a criatividade alheia. Até o cearense Belchior com seus
"galos, noites e quintais" já teve suas belas músicas regravadas por
outros cantores que preferem a comodidade de "nada criar e tudo
aproveitar", seguindo a máxima do grande sábio Lavoisier.*
Tenho feito solitárias observações com a certeza de não serem elas frutos de alucinações. Acontece que nos dias atuais, eu vejo em tudo uma grande falta de criatividade. Na arte, na música, na cultura, na economia e na política.
Se abro um jornal de qualquer cidade, vejo cópias fieis dos grandes jornais do Rio e São Paulo repetindo a mesma cantilena de mais de meio século atrás. O medo do comunismo "ateu e comedor de criancinhas" está timidamente sendo ressuscitado por alguns desavisados. Voltaram as passeatas nas ruas, nos moldes da desnecessária e inócua "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" e há até aqueles que na falta de algo mais original, clamam por uma imediata intervenção militar. Insensatos! Jamais souberam o que é a vida debaixo do tacão de uma ditadura.
Os jovens que viveram nos 21 anos da última ditadura não puderam exercer e desenvolver seu pensamento político. Foram reprimidos e muitos deles exilados, quando não vítimas de cruel tortura e até morte.
Saibam que foi desse meio que surgiram nossos políticos atuais. Copiadores das idéias reinantes na época do IBAD, da "Aliança para o Progresso" e submissos aos interesses da grande nação do norte. Daí a grande dificuldade de entenderem a democracia e respeitar a escolha da maioria. Provavelmente o ódio reinante de parte a parte seja a principal crise que é cantada e decantada em prosas, versos e reversos.
Agora o perigo é muito maior. O jogo dos interesses está mais forte, com o aumento das grandes reservas energéticas do nosso país, principalmente o petróleo sob nosso mar continental. Se não acordaram ainda, pensem na razão do grande bombardeio para condenar a Petrobrás, quando o montante ali desviado pela corrupção é bem inferior à perda de impostos pela Receita Federal dos recursos clandestinamente enviados para a Suissa via HSBC por destacados políticos, ricaços e alguns atores globais.
No Brasil, nossa imprensa está a serviço dos seus donos, que são capitalistas, cujo amor à pátria já jogaram na lata do lixo desde quando amealharam o primeiro tostão. E isso sim, é a criatividade que alimenta a lucratividade deles. O resto que "exploda", como bem dizia o genial Chico Anísio na pele do locutor "Roberval Taylor".
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
*Antoine de Lavoisier *1743; +1794: ("Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.")
Tenho feito solitárias observações com a certeza de não serem elas frutos de alucinações. Acontece que nos dias atuais, eu vejo em tudo uma grande falta de criatividade. Na arte, na música, na cultura, na economia e na política.
Se abro um jornal de qualquer cidade, vejo cópias fieis dos grandes jornais do Rio e São Paulo repetindo a mesma cantilena de mais de meio século atrás. O medo do comunismo "ateu e comedor de criancinhas" está timidamente sendo ressuscitado por alguns desavisados. Voltaram as passeatas nas ruas, nos moldes da desnecessária e inócua "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" e há até aqueles que na falta de algo mais original, clamam por uma imediata intervenção militar. Insensatos! Jamais souberam o que é a vida debaixo do tacão de uma ditadura.
Os jovens que viveram nos 21 anos da última ditadura não puderam exercer e desenvolver seu pensamento político. Foram reprimidos e muitos deles exilados, quando não vítimas de cruel tortura e até morte.
Saibam que foi desse meio que surgiram nossos políticos atuais. Copiadores das idéias reinantes na época do IBAD, da "Aliança para o Progresso" e submissos aos interesses da grande nação do norte. Daí a grande dificuldade de entenderem a democracia e respeitar a escolha da maioria. Provavelmente o ódio reinante de parte a parte seja a principal crise que é cantada e decantada em prosas, versos e reversos.
Agora o perigo é muito maior. O jogo dos interesses está mais forte, com o aumento das grandes reservas energéticas do nosso país, principalmente o petróleo sob nosso mar continental. Se não acordaram ainda, pensem na razão do grande bombardeio para condenar a Petrobrás, quando o montante ali desviado pela corrupção é bem inferior à perda de impostos pela Receita Federal dos recursos clandestinamente enviados para a Suissa via HSBC por destacados políticos, ricaços e alguns atores globais.
No Brasil, nossa imprensa está a serviço dos seus donos, que são capitalistas, cujo amor à pátria já jogaram na lata do lixo desde quando amealharam o primeiro tostão. E isso sim, é a criatividade que alimenta a lucratividade deles. O resto que "exploda", como bem dizia o genial Chico Anísio na pele do locutor "Roberval Taylor".
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
*Antoine de Lavoisier *1743; +1794: ("Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.")
Não vim trazer a paz, mas a espada - José do Vale Pinheiro Feitosa
Não tem futuro uma humanidade que entende o progresso como
um faça-se você mesmo, de modo egoísta e com argumentos de uma meritocracia que
justifica a exclusão. Este bate panelas que apenas estão vazias porque as
empregadas domésticas já as lavaram e as guardaram.
Há uma fonte permanente de desastres e morte no sistema de
acumulação de riquezas que explora outros povos de modo colonial e imperial,
extraindo seus potenciais e deixando milhões na miséria. Que após o desespero
de verdadeiros campos de concentrações e desgraça, como acontece na África,
ainda deixa que se afoguem nas águas do Mediterrâneo.
E quando a humanidade é vítima deste vício destrutivo é
preciso a revolução. Uma revolução que separe, que divida, que não pregue a paz
quando a espada é necessária para superar o veneno que corre no braço que bate
na panela, antes cheia, como se batesse nos pobres.
E há uma oração, de uma fonte tão universal no pensamento
dos brasileiros que é preciso escutá-la para situar-se. Alguém já ouviu o que
segue?
Não julgueis que vim
trazer paz a Terra; não vim trazer-lhe paz, mas espada; porque vim separar o
homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e os
inimigos do homem serão os seus mesmos domésticos.
Ou dito de outra maneira:
Eu vim trazer fogo à
Terra, e que que eu, senão que ele se acenda? Eu, pois, tenho de ser batizado
num batismo, e quão grande não é a minha angústia, até que ele se cumpra? Vós
cuidais, que eu vim trazer paz à Terra: Não, vos digo eu, mas separação; porque
de hoje em diante haverá, numa mesma casa, cinco pessoas divididas, três contra
duas e duas contra três. Estarão divididas: o pai contra o filho, e o filho
contra seu pai; a mãe contra a filha, e a filha contra a mãe; sogra contra sua
nora, e a nora contra sua sogra.
Pois como já se deduz pelo estilo, quem não conhecia esta
oração logo sabe a origem. Jesus Cristo sabia que mudar os homens gera
resistência. Os privilegiados da ordem corrompida não querem mudanças, os
acostumados a que nada mude não acredita nela, os que sofrem a opressão temem
mais açoites.
Então Jesus sabia desde dois mil anos passados, que a
mudança virtuosa gera oposição e um enfrentamento inerente. Toda revolução,
enfim, busca a paz, mas intimida enquanto se realiza. E não resta qualquer dúvida que Jesus, na
qualidade judaica do Messias, aquele que redime, sabe que o saber é evolutivo e
que a sua negação é causa de corrupção humana. Em outras palavras redimir, é
usar o conhecimento da realidade das pessoas para oferecer-lhe uma nova ordem
social de paz, de justiça e liberdade.
Se você não pensa assim, mas se diz cristão, precisa mergulhar
em águas batismais. Leiam sobre estes dados:
Atualmente 3,3 bilhões de pessoas vivem em regiões com transmissão
ativa de Malária. Isso compreende as América, África, Ásia e Oceania. Países
mais ao sul e ao norte, incluindo a calha do Mediterrâneo não têm transmissão da
malária.
Em torno de 1,2 bilhões de pessoas vivem em territórios com
risco elevado de pegar malária. Existem países na África onde para cada mil
habitantes 100 têm malária.
Estima-se que 198 milhões de pessoas pegaram malária em 2013
e 584 mil pessoas morreram da doença. A concentração de casos e mortes se
verifica na África – 82% do total de casos mundiais e 93% das mortes.
E tem mais: quanto mais pobre é o país e sua população mais
alto é a incidência de malária. A população mais vulnerável à doença: pobres, crianças,
mulheres gestantes, pessoas infectadas pelo HIV. A malária se tornou a doença da
exploração colonial e do avanço do capitalismo.
quarta-feira, 6 de maio de 2015
O JUIZ E O RÉU - José do Vale Pinheiro Feitosa
Comecemos pela religiosidade. A maioria dos brasileiros se
declara religioso. A principal corrente é judaico-cristã. Portanto há um Deus
pai, onisciente, onipresente, onipotente cuja única exigência às suas criaturas
é que o compreendam.
Nesta visão o princípio de todas as coisas é Deus e ele se
manifesta pela bondade (sem fim acrescentou o poeta do sertão) a tudo que nos
faz e decide. E a bondade é necessariamente compreensível. Ou seja, Deus
explica a bondade e a compreendemos.
Agora vamos a um canal de Diálogo durante depoimento entre
um preso da Lava Jato e o Juiz Sérgio Moro:
Cerveró – “Eu estou
preso há cinco meses, sem nenhuma culpa provada. Nenhuma acusação que o senhor
fez foi provada. ”
Juiz Moro – “Eu não
fiz nenhuma acusação senhor Nestor, foi o Ministério Público. ”
Cerveró – “Mas o
senhor aceitou a denúncia, baseado em ilações do Ministério Público”.
Juiz Moro – “Não vou
discutir com o senhor aqui as provas, vou avalia-las na sentença”.
Cerveró – “Mas qual é
o sentido de eu estar cinco meses preso, por que eu não posso responder em liberdade
ou em prisão domiciliar? Isso não pode ser analisado antes?”
Juiz Moro – “Não, o
processo está encerrado, praticamente”.
Cerveró – “Mas já me
custou cinco meses de cadeia. Qual foi o critério que o senhor usou para me
colocar preso preventivamente”?
Juiz Moro – “Eu não vou ficar discutindo minhas decisões
judiciais com o senhor. O interrogado aqui é o senhor, e não o juízo”.
Para os espíritos exaltados que se encontram na primeira
fila do apedrejamento, não custa lembrar que se um Juiz não pode se explicar a
quem acusa ou penaliza, ele pode tudo. Inclusive contra os exaltados, seus
antepassados ou descendentes.
A base da violência institucional (ditadura, achaques, agressões,
tortura etc.), que normalmente esconde outras intenções, é o biombo de quem não
se explica escondendo suas decisões e atos. Se Generais tão estúpidos tivessem,
no combate aos adversários da Ditadura o cuidado de prestar contas ao menos institucional,
agentes não teriam cometido as barbaridades inclusive decorrentes da psicopatologia
do torturador.
Então num e noutro caso, as Forças Armadas então e o Juiz de
Direito agora, adicionam outro atributo
a Deus: prepotência.
Para quem ainda não assistiu Travesthriller, vá até o Crato neste sábado dia 09 de maio de 2015 e confira a Feira Cariri Criativo que reúne empreendedores criatívos, grupos e coletivos de cultura e arte e organizações ligadas ao tema da Economia Criativa no Cariri.
Local: RFFSA
Rua Ratisbona, 63100-140 Crato-CE
Rua Ratisbona, 63100-140 Crato-CE
Programação:
07/05 (quinta-feira):
19h - Show Arajazz (UFCA)
19h - Show Arajazz (UFCA)
08/05 (sexta-feira):
19h - Show Cleivan Paiva
20h - Show Banda Nazirê
19h - Show Cleivan Paiva
20h - Show Banda Nazirê
09/05 (sábado):
17h às 19h - Oficina de arranjos florais de fibra de bananeira, com Têca Sales
18h - Cine Arte Clube (exibição dos curtas "Amor" e "Travesthriller", seguido de bate papo com os realizadores)
19h - Show Geraldo Junior e Os Virtuais
(Part de Beto Lemos e Dudé Casado)
17h às 19h - Oficina de arranjos florais de fibra de bananeira, com Têca Sales
18h - Cine Arte Clube (exibição dos curtas "Amor" e "Travesthriller", seguido de bate papo com os realizadores)
19h - Show Geraldo Junior e Os Virtuais
(Part de Beto Lemos e Dudé Casado)
terça-feira, 5 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
Por acreditar no espelho narcísico do sucesso. Talvez por admirar os EUA e sua vasta capacidade de lucrar. Quem sabe por repetir apenas o que os aduladores dizem na mídia. Mas a verdade é que Bill Gates e Steve Jobs é o ícone de uma certa idiotice acrítica do mundo empresarial. Nada como um empresário para desnudar a falsidade. Ricardo Semler, empresário brasileiro, filiado ao PSDB, bem traduz os dois personagens da religiosidade empreendedora:
Acho difícil esperar que tenham uma posição altruísta ou idealista em relação ao resto da humanidade. Figuras como Steve Jobs ou Bill Gates, por exemplo, não são muito diferentes dos grandes empresários americanos do fim do século 19, que expandiram as redes de eletricidade e ferrovias do país. São monopolistas, tentam quebrar os concorrentes, têm um ego enorme.
Acho difícil esperar que tenham uma posição altruísta ou idealista em relação ao resto da humanidade. Figuras como Steve Jobs ou Bill Gates, por exemplo, não são muito diferentes dos grandes empresários americanos do fim do século 19, que expandiram as redes de eletricidade e ferrovias do país. São monopolistas, tentam quebrar os concorrentes, têm um ego enorme.
Hoje é o dia de uma pessoa que amamos- Fabiana!
Parabéns, Faby !
Você que nos tem dado o presente da sua presença e que nos tem preenchido a vida de luz, de rios e cachoeiras. Você é que tem transformado, dia a dia, o pálido nanquim das nossas vidas numa ofuscante aquarela. Por tudo isso te amamos tanto e nem conseguimos imaginar como seria a paisagem dessa existência sem teu sorriso e tua doçura. Beijão !
Você que nos tem dado o presente da sua presença e que nos tem preenchido a vida de luz, de rios e cachoeiras. Você é que tem transformado, dia a dia, o pálido nanquim das nossas vidas numa ofuscante aquarela. Por tudo isso te amamos tanto e nem conseguimos imaginar como seria a paisagem dessa existência sem teu sorriso e tua doçura. Beijão !
domingo, 3 de maio de 2015
sábado, 2 de maio de 2015
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Por Norma Hauer- A nossa escritora de "Pelas Ondas da Mayrink"
"FRENESI"
É hoje, é agora, é momento...
Ânsia, desejo, ardência
Tudo me angustiava
Naquela espera sem fim.
Ânsia, desejo, ardência
Tudo me angustiava
Naquela espera sem fim.
Penumbra, cochichos,aconchego.
Beijos, abraços, loucura...
Não!...é demais assim;
Deixe-me, não me deixe,
Não faça isso!
Chega, chega, é demais!...
Não, não pare, continue...
Continue...
É o instante supremo do Amor,
Calmo, saboreando,
Vivido em cada segundo
Até o momento final
.
Agora é fogo,é o máximo...
Não, não pode ser deste mundo...
Vai muito além, é celestial...
Beijos, abraços, loucura...
Não!...é demais assim;
Deixe-me, não me deixe,
Não faça isso!
Chega, chega, é demais!...
Não, não pare, continue...
Continue...
É o instante supremo do Amor,
Calmo, saboreando,
Vivido em cada segundo
Até o momento final
.
Agora é fogo,é o máximo...
Não, não pode ser deste mundo...
Vai muito além, é celestial...
Estou "voando", viajando...
Num frenesi doído, sofrido,
louco, desejado, ansiado...
Num frenesi doído, sofrido,
louco, desejado, ansiado...
Não dá mais! Chega, chega, CHEGA!...
Que alívio, ah, que alívio!...
Que alívio, ah, que alívio!...
É o ápice! É o clímax! É o paraíso!
Depois... depois...
É o descanso dos guerreiros
É o relax... é o final.
É o descanso dos guerreiros
É o relax... é o final.
(Autoria de Norma S. Hauer)
PRIMEIRO DE MAIO. QUAL SEU SIGNIFICADO? - José do Vale Pinheiro Feitosa
Foi um Judeu que deu outra interpretação ao trabalho. Na
matriz religiosa judaica o trabalho fora um castigo do Criador ao homem. Que já
nascera com todos os atributos e por isso “no
suor do teu rosto comerás o teu pão...”
Engels, tomando a teoria evolucionista de Darwin para
compreender a diferenciação do trabalho como a matriz do ser humano, teorizou
sobre o papel daquele no desenvolvimento físico e intelectual desse. O homem é
fruto do trabalho não é um exagero de se dizer a respeito desta visão.
Acontece que Engels, assim como Karl Marx viveram as
consequências da Revolução Francesa que definitivamente desmontou a velha ordem
ocidental. Quando o capitalismo se organiza, a industrialização avança, a
navegação cria o sistema mundial de comércio e definitivamente se estabelece a
equação capital e trabalho.
Agora o trabalho não apenas cria o homem como o liberta da
exploração social do mesmo. É que a distribuição humana em classes sociais, que
se diferenciam pelo poder de apropriação do produto do trabalho, gera uma
contradição no modelo de economia capitalista que aponta para a revolução
libertadora das classes.
O século onde toda a consciência de classe evoluiu nos
trabalhadores foi o XIX e princípio do XX. Se a Revolução Francesa foi da
classe burguesa sobre a velha ordem aristocrática, a Revolução Russa seria a
classe operária sobre a ordem burguesa do capitalismo.
O dia do trabalho na maioria do mundo é comemorado no 1º de
Maio rememorando a luta de operários americanos pela jornada de 8 horas de
trabalho. A repressão policial aos operários americanos naquele tempo, caracteriza
o primeiro de maio como a luta do operariado contra a ganância da classe
burguesa ávida por mais lucro.
Daí nasceu o princípio dos direitos universais dos
trabalhadores que resultaram nos direitos sociais e, claro, sobre a base dos
direitos humanos já conformados com a Revolução Francesa. Em outras palavras,
numa sociedade livre e democrática, o capital pode jogar sua liberdade até as
margens do direito do trabalho à dignidade e à liberdade.
Portanto, nada é mais temático para um primeiro de maio do
que a manifestação dos trabalhadores, por meio de seus sindicatos, contra a
terceirização de atividades fins como manobra patronal para reduzir direitos
trabalhistas. Este é o sentido das coisas.
Vivemos, como antes, a luta de classes e esta é uma dinâmica
contínua e acumulativa até o limite de uma sociedade em que as classes cessem.
Em que o progresso é contingente à natureza e aos efeitos causados pelo consumo
de seus recursos.
Grande escritora!
Feed de Notícias
Café amargo
Chegou-me a velhice pela porta entreaberta. Quando dei por mim, ela já estava ao meu lado na sala de estar. Apontei-lhe a poltrona mais confortável, vendo a bagagem que a acompanhava, disse que poderia acomodar-se no segundo quarto, o do meio do corredor, iria eu mesma mudar os lençóis; falei dos hábitos da casa e dos espaços que a ela estariam reservados; assim que tomarmos um café, eu mesma lhe mostrarei cômodo por cômodo, moro aqui há mais tempo, tenho minhas manias, meus recantos preferidos e indevassáveis, nós nos daremos bem, acredito, basta que observemos as regras, respeitemos os limites, nenhuma, concordamos, invadirá o espaço da outra. Deixei-a na sala, a olhar os quadros dispostos nas paredes, a investigar as fotografias em cima do console e fui fazer o café. Bebemos de cabeça baixa, de vez em quando nos avaliávamos pelos cantos dos olhos, fingindo-nos de vesgas; está ao seu gosto, o café? Ela limpou os lábios com o guardanapo que lhe ofereci, resmungou alguma coisa que eu, embora lhe tenha deixado os dois ouvidos à disposição, não consegui decifrar.
Chegou-me a velhice pela porta entreaberta. Quando dei por mim, ela já estava ao meu lado na sala de estar. Apontei-lhe a poltrona mais confortável, vendo a bagagem que a acompanhava, disse que poderia acomodar-se no segundo quarto, o do meio do corredor, iria eu mesma mudar os lençóis; falei dos hábitos da casa e dos espaços que a ela estariam reservados; assim que tomarmos um café, eu mesma lhe mostrarei cômodo por cômodo, moro aqui há mais tempo, tenho minhas manias, meus recantos preferidos e indevassáveis, nós nos daremos bem, acredito, basta que observemos as regras, respeitemos os limites, nenhuma, concordamos, invadirá o espaço da outra. Deixei-a na sala, a olhar os quadros dispostos nas paredes, a investigar as fotografias em cima do console e fui fazer o café. Bebemos de cabeça baixa, de vez em quando nos avaliávamos pelos cantos dos olhos, fingindo-nos de vesgas; está ao seu gosto, o café? Ela limpou os lábios com o guardanapo que lhe ofereci, resmungou alguma coisa que eu, embora lhe tenha deixado os dois ouvidos à disposição, não consegui decifrar.
Houve um tempo em que me esquecia de sua presença, era só um lodo, uma penugem que, embora ocupasse o mesmo espaço da água, não molestava, nem sequer me parecia (também aos outros) perceptível. Um dia, a água começou a turvar-se, como se aquele lodo, que até então se mantivera quieto e verde nas minhas profundezas, tivesse amadurecido, mudado de cor, consistência e forma, tivesse não apenas se transformado em lama, mas, num só contorcido impulso, emergido, sem avisar.
Encontrei-a sentada na minha cadeira de balanço, aborreceu-me, mas não reclamei, se acontecer outra vez, reclamo; noite dessas, ela estava a sono solto na minha cama, apiedei-me de quem dormia tão pesado e deixei-a ficar; semana passada sumiu meu livro de cabeceira, reapareceu desmarcado; há três dias não encontro um dos meus discos de vinil, que são dispostos rigorosamente em ordem alfabética; sei que se vestiu de mim, ainda ontem, para passear pelas redondezas. Amanhã converso com ela, vou dizer que não está certo, havíamos combinado, amanhã, eu digo, tomo coragem, amanhã. Hoje, para me proteger de suas emboscadas, dessas suas feições e costumes que mudam tão rapidamente, devo me mudar para o quartinho das tralhas, único espaço em que esta indesejada hóspede não assentou ainda as sobras do seu corpo imenso, elástico, metamorfoseado. Tenho medo quando ela se volta, me dá boa-noite e some na escuridão do quarto, levando consigo, feito máscara pregada em seu rosto, o rosto que me pertence, que já me havia roubado dias antes; eu vi, e tive vergonha por ela, não por mim, por ela que parece não se importar de cometer um roubo atrás do outro. Custava me pedir? Não é para ser desse jeito, tratei-a bem, fiz de conta que estava a acolher uma visita bem-vinda, disposta a se demorar; que mal lhe fiz? Amanhã, sem falta, pergunto. Ela é astuta e eu não sou uma pessoa de prontas respostas, preciso me preparar para uma contra argumentação, descobrir dentro de minha memória algo que eu tenha feito de tão ruim que desencadeou, nela, esse comportamento desalmado. Pedir desculpas com jeito, voltar ao convívio aceitável. Amanhã, prometo, eu peço. Cometi alguma descortesia, é muito provável, mas quando, onde? Uma vaga lembrança faz dias me persegue, uma quase certeza de que posso ter me esquecido de adoçar aquele primeiro café de fim de tarde que servi à Velhice, depois de acomodá-la na poltrona mais confortável da casa, logo que ela me chegou pela porta entreaberta. Amanhã eu me certifico. Amanhã.
(rejane gonçalves)
Janeiro/2015
Janeiro/2015
Assinar:
Postagens (Atom)









.jpg)

