por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 18 de outubro de 2012

HEC(R)ATOMBE



 Este 2012, definitivamente, não anda carregado de bons presságios. Primeiro , os Maias ,cuja civilização perdurou de 250 a 900 D.C., previram, no seu complexo calendário de mais de cinco mil anos, um abrupto término em 21/12/2012, depreendendo daí, os catastrofistas , que esta é a data do Fim dos Tempos. Não bastasse isso, recentemente, em Terezina no Piauí, brotou um outro profeta do Apocalipse. Luiz Pereira do Santos fundou uma seita misteriosa e , de pronto, acertou o fim do Mundo para as 16 horas do último dia 12 de Outubro. O profeta, ex-zelador e ex-católico, arregimentou uma plêiade de mais de cem seguidores e com eles se recolheu, numa Favela chamada estranhamente de Parque Universitário, esperando o fim dos tempos. A maior parcela dos seus seguidores era de moradores de rua, traficantes, prostitutas e criminosos e ali se recolheram com a promessa que só com a intersecção dele teriam a salvação celestial.  Como a previsão deu  com os burros n´água, Luiz terminou preso. Populares , não ligados à seita, tentaram fazer com que a previsão, ao menos para ele, se concretizasse. Sendo no Piauí, é bem provável que o fim do mundo, neste outubro,  se fizesse pelo fogo . Ou não teriam sido os 42 graus que cozinharam o juízo do nosso profeta e o levaram a fazer cálculos mal enjembrados  e previsões tão estapafúrdias? Ademais, com seguidores de tão baixo nível social, Luiz não teve grande dificuldade em convencê-los que o fim estava próximo: moradores de rua, traficantes, prostitutas têm a morte e o fim como  parceiros próximos e constantes na caminhada. Vivendo o inferno de Dante aqui embaixo, qualquer outra perspectiva cheira imediatamente a purgatório e paraíso.
                                               E , segundo o grande oráculo da Siqueira Campos, há sinais inequívocos de que o mundo velho não emplaca 2013. Invocam até os nomes de alguns Maias antigos, nas suas previsões : Pedro , Zé e Geraldo Maia. Vejam como o fim do mundo está próximo, dizem eles,  pelos sinais advindos depois da eleição, o que já se chama de Hec(r)atombe.  Faltou insulina na farmácia da prefeitura e os diabéticos estão prestes a ter o seu fim antes do mundo propriamente dito; os Médicos do PSF entraram em greve com seus salários totalmente atrasados; as Clínicas, Laboratórios e Hospitais conveniados com o SUS têm contas a receber ainda de junho; Os Agentes de Saúde não receberam seus salários e ameaçam parar e, não bastasse isso, está havendo demissão em massa de antigos funcionários municipais . Além de tudo, para completar as sete pragas do Egito, o Conselho Municipal de Saúde da Cidade, sempre tão atuante, foi completamente deformado através de uma Lei do Executivo Municipal, aprovada pela Câmara no mês passado,  que fere a VIII Conferência de Saúde de Crato, seu Regimento Interno e todas as deliberações tomadas pelo colegiado nos últimos meses. Por que toda essa calamidade acontece , coincidentemente, em ano eleitoral e, mais, após uma fragorosa derrota nas urnas? Como se explica essa tragédia , numa administração que vinha, historicamente, cumprindo com todos os seus compromissos financeiros?egiado nos todas as deliberaç Sate dito. heira imediatamente a purgat as 16 horas do  Terá sido a campanha eleitoral a causadora maior do descontrole e agora, em dois meses, lhes acossa a sombra da responsabilidade fiscal ?
                                               Pelo visto, amigos, os Maias e Luiz Pereira acertaram nas suas previsões, ao menos, aqui em Crato, parece que o mundo vai se acabar  mesmo em 2012.

J. Flávio Vieira

Mostra Nacional IP será no Crato



Mostra Nacional de Vídeos sobre Intervenções e performances será realizado na cidade do Crato/CE  no período de 13 a 14 de dezembro deste ano,.  O evento é uma realização do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA em parceria com o Centro Universitário de Cultura e Arte da União Nacional do Estudantes – CUCA da UNE, Coletivo Desmascarado, Coletivo Camaradas, Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato , Pró-reitoria de Extensão e Pró-reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Regional do Cariri – URCA. Faça sua inscrição:  www.mostraip.blogspot.com

"Jogada Arriscada' - José Nilton Mariano Saraiva




Marcha a passos largos para o desfecho o julgamento da Ação Penal nº 470, conhecida pela alcunha de “mensalão”. Independentemente da condenação formal dos “réus” (políticos e empresários) envolvidos em maus-feitos, informalmente teremos um perdedor em potencial: a instituição Supremo Tribunal Federal (STF) e sua casta de iluminados e inatingíveis juízes (em conluio com a Procuradoria Geral da República), que deveriam se postar como austeros magistrados, julgando com isenção e equilíbrio, mas que, picados pela mosca azul, resolveram “politizar” a questão, numa tentativa de enquadrar o Poder Executivo.
Tanto, que o julgamento da citada Ação foi estrategicamente marcado para a antevéspera das eleições municipais brasileiras, numa tentativa inaceitável de influir nos seus resultados, conforme abertamente declarou, num misto de soberba e arrogância, o próprio Procurador Geral da República. 
De sua parte, o pleno do Supremo, atendendo a manifestação do seu relator, ministro Joaquim Barbosa, resolveu deixar pra trás toda a jurisprudência até então vigente nos julgamentos anteriores daquele colegiado, ao importar da literatura-jurídica alemã a polemica elasticidade da “jurisprudência do domínio de fato”.
Em outras palavras, não mais se leva em conta a presunção de inocência ou se torna necessário a existência da “prova- provada” pra condenar um réu, como reza a própria Constituição Federal e os códigos e manuais jurídicos brasileiros, ao assegurar que cabe ao acusador o ônus da prova, mas, simplesmente, agora a condenação poderá ser atribuída à subjetividade da presunção, indício ou suspeita que um magistrado do STF venha a ter sobre o comportamento daquele que está sendo julgado.
Uma "jogada arriscada", já que, a partir de então, para provar que tal procedimento não se trata de uma excrescência com objetivo determinado (prejudicar um partido político e, conseqüentemente, seu representante maior, o chefe do executivo federal), não só a literatura pertinente, mas todos os julgamentos que envolvam questão pecuniária deverão seguir pari-passu a nova jurisprudência (e aí o STF encontrará muita sarna pra se coçar, já que temos na fila o mensalão mineiro, as falcatruas do Daniel Dantas, a compra de votos para a reeleição de FHC, as privatizações imorais do mesmo governo, as falcatruas do Carlos Cachoeira e por aí vai).

Mentiras, Sonhos e Lendas Urbanas - José do Vale Pinheiro Feitosa


- É o espírito animal do capitalismo meurmão?

- Pôra meu! Uma grana dessa eu faria uma reforma no meu bar só para atrair a elite paulistana. Você ia vê só como o meu forró de final de semana ia ficar!

- Setecentos pau não é tanta grana assim. É preciso administrar.

- Achado não é roubado – os olhos se dirigem aos céus como a pedir perdão antecipado por eventuais falhas da frase.

- E se der uma enxurrada e os bueiros vazarem espalhando nota pela rua? Ia ser uma confusão igual ao “corre-corre” pelas balinhas no dia das crianças.

Todos imaginam o acontecido não com os ladrões em fuga, mas o deixado para trás dentro do esgoto segundo estimativa da polícia militar. Aconteceu no correr da semana. Uma gangue, com a mesma “tecnologia” da toca de minhoca do Banco Central em Fortaleza invadiu o cofre da Protege, empresa transportadora de dinheiro.

Num labirinto de bueiros, se arrastando, furaram o cofre e começaram a difícil lida de arrastar-se e caminhar com o esgoto na cintura carregando fardos de dinheiro. Um ônibus com um fundo falso parou bem em cima da tampa do bueiro e por este os fardos chegavam e abasteciam o piso do ônibus.

Seguranças da empresa viram pelo monitor de vídeo que ladrões andavam pelo pátio e avisaram à polícia. Na aproximação do prédio, os policiais notaram o ônibus de turismo parado e resolveram averiguar. O motorista apavorado disparou, esmagou um companheiro que naquele exato momento saía do bueiro para o piso do ônibus e na debandada geral deixaram o dinheiro para trás, mais dois sujeitos envolvidos na ação foram mortos, outros presos e a maioria fugiu.

Como as contas não fecharam. Faltavam setecentos reais, veio a hipótese de que o dinheiro na debandada tenha sido abandonado nos esgotos. Ninguém sabe é qual a realidade desse abandono. Se ele é uma desculpa para encobrir a parte que coube aos policiais no botim sendo assim uma deixa para a população criar fantasias. Ou será que faz parte do acerto do seguro? Nunca se encontrará a resposta exata.

Mas algo já sugere um acerto: a Protege contraditoriamente afirma que todo o dinheiro foi recuperado.
Aceitou o pagamento, digamos assim.

Quanto ao povo das ruas próximas têm uma boa lenda urbana para continuar sonhando com aquilo que nunca chega: uma grana inesperada e necessária a algum dos seus projetos.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Totalitarismo - José do Vale Pinheiro Feitosa


Quando nos defrontamos com a variação cultural temos a certeza de que a causa única (deus), responsável por todas as coisas, é uma parte e não o todo. Na verdade nem tudo se resume a sistemas duais, um sim e um não, uma probabilidade ou um determinismo, isso ou aquilo. Muito desta dualidade é meramente uma arapuca da mente preguiçosa a repetir continuamente o mesmo de si mesma.

Dada a natureza quase universal, a capilaridade com que se infiltra na vida e principalmente a totalidade que abrande praticamente todas as relações humanas, a moeda ou dinheiro se tornou uma verdadeira divindade monoteísta. É o móvel único a executar relações públicas à vista de todos e a executar outras escondidas ou clandestinas.

Claro que este Deus tem muito da natureza dos deuses gregos, tem uma teogonia nos Estados Nacionais e seus pesos relativos são disputados como o eram no Olimpo. Mas, descontadas as potências de cada deus, a dinâmica daí em diante dirige toda a vida humana: o emprego, a renda, a guerra, a conquista, o território e assim por diante. Por isso o Deus patriarcal dos Hebreus terminou dando uma guinada histórica e retornando à dependência permanente e recíprocA entre o Olimpo e Gaia.   

Esta é uma visão catastrófica da história humana ou da desumanização progressiva por dinâmicas universais e totalitárias a que os neoliberais chamaram de globalização financeira. Na verdade o projeto de domínio e poder absoluto não foi superado pela moderna democracia e a diversidade continua em permanente crise e ameaçada por forças totalitárias no sentido político da coisa à semelhança com a literatura de George Orwell em 1984 ao denunciar os sistemas totalitários da Europa nos século XX (União Soviética, Alemanha, Itália etc.).

A verdade é que o dinheiro evoluiu de uma situação de capilaridade e da totalidade das relações humanas para a totalidade absolutista no sentido político. Ontem assistindo a uma aula magna na Universidade Federal Fluminense sobre modelagem da natureza com os fins de se criar um desenvolvimento sustentável completou-me uma nova visão. A de que o Big Brother é uma realidade em evolução e marchando não para o controle pelos Estados, mas pelas corporações econômicas.

Todos lembramos aquele estudo Suíço realizado com as maiores empresas quando se viu que o capital e as decisões estão sendo tomadas por um núcleo duro muito restrito em relação ao conjunto. Isso despontando para o poder absolutista ou totalitário. E agora como a evolução do papel moeda para o dinheiro eletrônico os mecanismos estão se ampliando.

Hoje, um dos assuntos da moda em 2012, a mobilidade das pessoas é monitorada, avaliada, modelada e são criados padrões de controle. Controlados por quem? Pelas grandes corporações. Para se ter uma idéia de três mecanismo imensos e que todos em fazemos sem crítica alguma: a telefonia móvel, os cartões eletrônicos (débito e crédito) e as redes sociais na internet como o Facebook.

Com a telefonia móvel estão criando modelos que tentam controlar padrões que estariam na esfera da liberdade e da privacidade das pessoas e submetendo-as à decisão de pessoas por trás dos modelos. Ao usar seu telefone celular ele vai mudando de uma antena para outra de modo que é possível rastrear os passos de uma pessoa para onde ela for desde que use o celular. Ontem o professor dizia num tom “ético” que ao fazer estes estudos eles não enxergam uma pessoa, mas isso é uma grande bobagem. Só existe uma possibilidade de saber-se que este sinal que foi captado numa antena no Grajeiro e quinze minutos depois em Juazeiro se o telefone for identificado. Pode não ser a pessoa, mas certamente o assinante ou o dono do CPF está em questão. Lembram daquele episódio do assassino do cartunista Glauco em São Paulo? O assassino foi monitorado pelas antenas de celular. E o quê se dizer das conversas de Toninho Cachoeira?

Quanto aos cartões eletrônicos é impressionante: identifica mobilidade, ruas, cidades, países, o que se consome e quanto gasta. As administradoras de cartões eletrônicos têm verdadeiros bancos de mineração de dados para modelar padrões de consumo de cada cliente seu. Por isso existem aqueles bloqueios e aqueles avisos para se comunicar com o administrador do cartão. Agora é só refletir que isso é um salto para criar mecanismos de controle e indução de consumo.

As redes sociais viraram uma festa popular a serviço do big Brothers. Elas têm uma sintonia até mais fina sobre a vida. Elas têm as manifestações da afetividade de cada um, as suas preferências, as emoções, as intenções, as previsões e os “comportamentos” corriqueiros das pessoas. Quando as brincadeiras, aquelas fotos de família, aquelas piadas, os comentários são feitos, criam-se clusters comportamentais de grande utilidade em sistemas totalitários de controle, manipulação e mobilização política das pessoas.  

A liberdade e a discussão sobre a democracia se encontra muito além dos velhos esquemas de pensar do passado século XX. É preciso quase que esquecer os paradigmas e prestar a atenção para as mudanças naquilo que já não corresponde às afirmativas de então. O mundo mudou. E muito. A vida é muito diferente. E precisamos romper a preguiça com que a nossa própria inteligência e conhecimento nos cegaram.
  

terça-feira, 16 de outubro de 2012

OS POETAS JUDEUS





OS POETAS JUDEUS


Todos os poetas são judeus,
disse Marina Ivánovna Tsvetáyeva.
Não importa por quê.
Não importa o que ela quis dizer.
O que importa num verso é a emoção estética.
não o seu significado.

Todos os poetas são judeus,
eu ouço e sinto a emoção estética pura.
Os poetas dão nome às coisas?
As palavras dos poetas são pesadas como coisas?
Eu vejo apenas a verdade estética:
Todos os poetas são judeus.

José Carlos Brandão