CARTA ABERTA AOS CRATENSES
Vivemos a grande Festa da Democracia nestes dias que antecedem à Eleição para prefeito e vereadores da nossa Cidade
. Por todo canto se percebe este clima festivo: carreatas, ribombar de fogos, bandeiras tremulando, músicas, santinhos, passeatas, sorrisos fartos. A festa é tanta que corre o risco de esconder a grande responsabilidade que teremos no próximo dia sete de outubro. É preciso entender que ao confirmar o nosso voto, na Urna Eletrônica, estaremos juntos escolhendo a Saúde que desejamos para nosso povo; a Educação que pretendemos ter nos próximos quatro anos; a Segurança que almejamos para nosso município. Ao digitar o voto, nos responsabilizaremos pelos destinos políticos da nossa Cidade que vem, nos últimos quarenta anos, minguando a olhos vistos, se compararmos aos outros municípios da Região Metropolitana do Cariri. Anos após anos, frente a esta calamidade, temos ouvido a população se lamentar: “O Crato não tem Sorte!” Como se devesse a uma força sobrenatural a causa do nosso atraso. Nem percebemos que o poder de transformação está em cada um de nós. Pois bem, amigos, no próximo Domingo está em nossas mãos, novamente, escolher entre a Sorte ou o Azar do nosso Crato.
Poderemos jogá-lo nas mãos das mesmas oligarquias que estão no poder há mais de cem anos. Vampiros que sugam todo sangue da Vila de Frei Carlos e que, depois, nas campanhas, reclamam da sua anemia e garantem ter consigo um remédio salvador. Desconfiem das Campanhas Milionárias, patrocinadas por empresários e empreiteiros! O salário de prefeito e vereador é muito pequeno para irem com tanta sede ao pote! Olhem em volta! Não há ali filantropos ou caridosos! Não estão apoiando campanhas ou candidatos, mas fazendo um investimento. A conta virá depois para o povo pagar, com juros e correção! Rejeitem os fujões de debate, aqueles que se escondem por trás de carinhas simpáticas e juvenis! Se em plena campanha, caçando votos, não se dignam a discutir com a população suas propostas para resolver nossos crônicos problemas, se eleitos desaparecerão como por encanto! E voto, amigo , não se vende! Do mesmo jeito que não se comercializa honradez, honestidade, dignidade. O voto é a chave do nosso futuro. É preciso, pois, ter cuidado em que mãos vamos depositá-lo.
Durante toda Campanha Eleitoral, jogamos limpo. Respeitamos nossos adversários políticos com a mesma força que rejeitamos o vazio de seus programas de governo. Participamos, democraticamente, de todos os debates, discutindo e construindo junto com o povo novos rumos para nossa cidade. Percorremos todos os bairros e distritos do Crato, casa por casa, rua por rua, procurando cada pai e mãe de família, bem como os jovens. Mostramos a viabilidade desta Cidade Centenária, berço do Cariri, e que tem na sua vocação cultural, na sua potencialidade ecológica, os grandes filões a serem explorados para seu soerguimento e para o retorno aos dias de glória. Levamos, para nossa população sofrida, a lição quase profética ensinada por Lula e por Dilma que “cuidar bem do Crato é cuidar bem dos cratenses”. E é com esta pureza de espírito, com a alma banhada nos mananciais da ética e da democracia que nos sentimos dignos de entrar na sua Casa e pedir seu voto para Marcos Cunha Prefeito e para os vereadores do Partido dos Trabalhadores.
Viva o Crato !
Até a Vitória, Sempre !
13 Marcos Cunha Prefeito do PT Crato
por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
O HOMEM MAU
poesia & crônica: O HOMEM MAU: O HOMEM MAU Tiveram medo que ele se levantasse de sua tumba que as almas penadas não aguentassem a sua ruindade e o mandas...
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Cristina Dunaeva – Educadora e libertária cresceu escutando as histórias do avô Luis Carlos Prestes
Cristina Dunaeva – Educadora e libertária cresceu escutando as
histórias do avô Luis Carlos Prestes
A
neta do cavaleiro da esperança, o comunista que fez história no Brasil Luiz
Carlos Prestes diz que A figura de meu
avô me influenciou por sua prática cotidiana: ser humilde, abrir mão de luxo
material. Escutar e destaca enquanto à teoria, compartilho com ele a
compreensão da necessidade de transformação social, de lutar pelo fim do
sistema capitalista. Dunaeva fala também sobre artes, pesquisas e opressões.
![]() |
| Cristina e seu filho Pedro Uana Foto: Alexandre Lucas |
Alexandre Lucas - Quem é Cristina Dunaeva?
Cristina Dunaeva - Hoje em dia, sou mãe, estou
trabalhando como professora; as duas condições estas me levando,
inevitavelmente, a ser educadora.
Eu
nasci em Moscou (capital da Rússia), já faz um tempinho (naquela época, país
onde nasci chamava-se União Soviética, URSS), sendo filha de mãe russa e pai
brasileiro. Meu pai é filho de Luiz Carlos Prestes, aquela pessoa heroica que
foi batizada de Cavalheiro da Esperança e era líder do Partido Comunista Brasileiro.
Em 1970, durante a ditadura militar, toda a família Prestes foi para o exílio,
na URSS. Meu pai, já com 16 anos.
Cresci
escutando histórias sobre o Brasil. Estorias mirabolantes. Para mim, o Brasil
tornou-se um lugar muito sonhado. Como deve ter sido muito grande a saudade de
meu pai deste país, ele contava tanto sobre sua infância, sítio onde moravam,
bichos, mar, algumas viagens; mas, também, das dificuldades que passaram se
escondendo da polícia, de viverem muito tempo sem poderem ver seu pai, sempre
sumido, sempre trabalhando. Cresci também ouvindo a música brasileira, direto.
Eram fitas, LP's. Eu ficava fascinada, gostava muito. Aprendi português,
escutando Chico Buarque, Clara Nunes, muito samba, Secos e Molhados, Mutantes,
João Bosco, Elis Regina, Milton Nascimento; sinto-me eternamente grata a meu
pai por me introduzir neste universo sonoro; felizmente, ele tem gosto musical
de primeira.
Já
da minha família russa herdei o habito de muita leitura. Eu lia demais quando
era criança. Com 13, 14 anos já li toda a literatura clássica russa quase
inteirinha e muitos dos autores europeus e latino-americanos (que foram
traduzidos para russo, claro). Era algo comum na URSS: as pessoas, em geral,
liam muito. Lembro que trocávamos pilhas de jornais velhos pelas edições
completas de autores clássicos, existia a política estatal de incentivo à
leitura. E com o fim da censura passei a ler mais ainda: os últimos anos de
escola coincidiram com o fim da URSS, começo da perestroika; muitos
autores proibidos no período soviético foram traduzidos pela primeira vez para
o russo e editados – Kafka, Nietzsche, Freud; foi ótimo, e os livros, naquela
época, ainda eram baratos.
Então,
é isso: Cristina Dunaeva: educadora, melomaníaca, leitora apaixonada; também
sou anarquista, ateísta e busco ser libertária.
E
compartilho ainda das duas identidades que me deixam numa situação vulnerável,
ao mesmo tempo me instigando à luta diária: sou mulher e mãe solteira (uma
condição difícil e comum dentro da sociedade machista e patriarcal), e sou,
apesar de ter uma forte raiz nesta terra, imigrante.
Alexandre Lucas - Qual a sua ligação com as artes?
Cristina Dunaeva - Olha, me graduei em História, na
Rússia; meu TCC foi sobre Henri Rousseau, o Aduaneiro, e orientado pela
historiadora da arte. Interessei-me muito, durante a graduação, por este campo de
conhecimento – história da arte. E a escolha de Rousseau (artista “ingênuo”,
naïf; essa nomenclatura, ao meu ver, horrorosa, preconceituosa, discriminatória
e segregadora foi criada a partir da incorporação da produção dele à arte moderna)
não foi ocasional. Acontece, que em Moscou, em São Petersburgo existem grandes
museus de Belas Artes que frequentávamos e onde nos formamos: estes museus
todos seguem um padrão muito rígido de exposição daqueles objetos que são
considerados “a Arte” (egípcia, da antiguidade clássica, Renascimento, Barroco,
etc.) e de não exposição daqueles objetos que são considerados uma arte menor,
ou artesanato, ou amadorismo. Rousseau era único “intruso”, digamos assim, e me
despertou uma curiosidade forte.
A
partir daí, conheci artistas contemporâneos russos que eram taxados de
ingênuos. As possibilidades que eles tinham para expor seus trabalhos eram
ínfimas e pouquíssimos críticos de arte e pesquisadores os aceitavam como
artistas (ou Artistas, na lógica da História da Arte convencional e
eurocêntrica).
Depois
vim para o Brasil e passei a morar em Santos, onde me aproximei a anarquistas.
Conhecia pouco da teoria anarquista quando @s conheci, mas rapidamente me
identifiquei tanto com a teoria, quanto com a prática. Foi amor à primeira
vista. E, por incrível que pareça, só após vir morar no Brasil, conheci
anarquistas na Rússia, muit@s d@s
quais são artistas. Assim, me interessei pela produção de grupos como Voina (Война), banda Pussy Riot – artistas
contemporâne@s muito destacad@s hoje em dia na
Rússia.
E
no Brasil, no primeiro momento, continuei a pesquisa sobre a arte
marginalizada, e, agora, o que mais me provoca são as experiências artísticas
que questionam os valores capitalistas, valores introduzidos à força no
território sul-americano a partir da colonização, e que continuam vigentes e aceitos.
Alexandre Lucas - O que você pesquisa em artes?
Cristina Dunaeva - O que mais me interessa é a relação
entre a produção artística, entre a criatividade e a liberdade.
Pesquisei
Rousseau e o sistema das artes. A nomenclatura eurocêntrica, elitista, que
distingue vários tipos de arte segundo sua aceitação em mercados de consumo. As
ideologias que sustentam as nomenclaturas. É muita pretensão chamar algum
artista de naïf, de ingênuo, só porque ele não segue o padrão expressivo de tal
ou qual período, ou porque não intelectualiza seu trabalho (que não foi o caso
de Rousseau, aliás). Esta foi a primeira questão que pesquisei.
Depois
passei a trabalhar com a produção da vanguarda russa e soviética. Traduzi para
o português um dos textos mais importantes de Kazímir Maliévitch, um dos
“inventores” da arte abstrata, autor do famoso “Quadrado Negro” (1913-1915). Maliévitch,
como toda a vanguarda na Rússia, participou ativamente do processo
revolucionário entre 1905 e 1921. Em 1917, ele foi eleito o conselheiro para as
artes do governo bolchevique. Mas depois (rapidamente, já em 1919) rompeu com
Lenin e seu partido por não concordar com as medidas ditatoriais, com a
perseguição de anarquistas, de oposição socialista operária, com o massacre de
Kronstadt (em 1921). Maliévitch indissociava a arte e a criação, da liberdade.
Ele escreveu muito – vários volumes de tratados filosóficos e sociais, sempre
batendo nesta tecla: não existe artista sem liberdade; não existe verdadeira
transformação social sem liberdade. Com a proclamação de “realismo socialista”
na URSS (o único método aceitável pelo governo para a expressão artística),
Maliévitch não pôde mais produzir, foi preso e faleceu em 1935. Isto me tocou e
toca muito, sabe. A escolha lá, na URSS, assim como na Alemanha nazista foi,
para os artistas, entre a vida e a morte: ou você continua fazendo aquela arte
que você quer e morre, ou você segue as exigências do governo e prospera.
E,
hoje, após um longo envolvimento com a denúncia da guerra na Chechênia (é uma
região na Rússia que foi colonizada no século XIX; foi massacrada pelo Stalin,
em 1944; e proclamou independência após o fim da URSS, em 1991, sendo
massacrada novamente a partir de 1994), pesquiso aquela arte engajada, pois
trabalhei com fotógrafos e artistas que denunciavam esta situação. Mas aí,
existe um, porém: para mim, toda arte é engajada, pois não existe nada
politicamente neutro. Então, pesquiso a relação entre a produção artística de
tal ou qual período com a situação social da época (destacando o período
contemporâneo, tanto no Brasil, quanto na Rússia; o período revolucionário do
início do séc. XX e as sociedades totalitárias (URSS)).
Alexandre Lucas - Qual a importância da sua pesquisa do
ponto de vista social?
Cristina Dunaeva - Por, primeiro, compreender, analisar
e discutir o sistema das artes, o mercado das artes, a exclusão social de
certos tipos de produção artística (como, por exemplo, autodidata, marginal). É
necessário compreender o funcionamento deste mecanismo de exclusão para poder
transformá-lo.
Segundo,
por trabalhar a relação entre a criação artística e a liberdade.
Lembrando,
que a liberdade não é aquele valor capitalista, neoliberal, que nos fazem
adotar desde muito cedo. Não é a liberdade alienada, a liberdade de consumo.
Mas aquela liberdade, da qual Bakunin, meu conterrâneo anarquista, falava: Só é
possível ser livre respeitando a liberdade do outro. A partir do momento que a
minha liberdade passa a ferir a liberdade do outro, não é mais liberdade, é
autoritarismo.
Para
criar, ser artista é preciso ser libertári@.
Aqui,
eu gostaria de aproveitar a deixa e falar um pouco sobre a péssima situação que
se dá no meu atual lugar de trabalho e, consequentemente, de atuação social e
política: Centro de Artes Reitora Violeta Arraes Gervaiseau da URCA
(Universidades Regional do Cariri).
Trabalho
no Departamento de Artes Visuais e sou professora de História da Arte.
O
curso é uma Licenciatura, ou seja, um lugar onde futur@s
professor@s se formam.
E
o que observo? Uma situação que me deixa indignadíssima e completamente
perplexa.
Arte=Liberdade.
Ser educador=ser libertário=contribuir para a liberdade. Deveria ser assim.
E
no Centro de Artes é o contrário. Ambiente, tanto de aulas, quanto da
convivência cotidiana entre estudantes e professores, e professores entre si,
extremamente autoritário. Estudantes humilhados em sala de aula, desistindo de
curso e de cursar certas disciplinas por não aguentarem a pressão psicológica.
Professores chorando nas reuniões. Outros falando horas seguidas em reuniões
coletivas sem dar direito de palavra a colegas. Abusos de poder,
arbitrariedades. Dois professores do curso pediram exoneração por não se
conformarem com esta situação. Eu mesma estou passando por um processo de
recuperação de saúde abalada com o ambiente de trabalho.
Como
isto é possível? Numa universidade?
E
o mais preocupante é o silêncio em torno desta situação. Tanto por parte de
meus colegas professores que preferem se somar às práticas autoritárias ao
invés de combatê-las; quanto por parte de estudantes que, salvo algumas e
alguns, preferem a passividade.
Eu
nunca participei de um ambiente educador tão opressor. A única experiência
similar que recordo é a minha escola soviética, marcadamente autoritária, com
relações sociais distorcidas, humilhações, punições (não físicas, mas morais,
emocionais – situações de assédio moral). Mas lá tratava-se de uma sociedade
pós-totalitária. E aqui? O que se passa?
É
a herança do coronelismo, do sistema escravagista?
Esperança:
dois professores do Centro de Artes, Marcela Lima e Marcio Rodrigues, se opõem
ao autoritarismo; também sofrem perseguição por parte de resto do corpo
docente, mas Resistem, têm coragem. Estudantes que se manifestam de uma maneira
criativa questionando o silêncio da maioria e toda a situação. Poder olhar nos
olhos destas poucas e corajosas pessoas é muito gratificante.
Alexandre Lucas - Como você enxerga a produção
artística do Cariri?
Cristina Dunaeva - Olha, estou aqui um pouco mais de
dois anos. Pouco tempo para poder opinar sem ser supérflua.
Mas
vou tentar, ressaltando que careço de uma convivência maior e mais profunda com
moradores da região.
No
meu entender, aquilo que se passa no Cariri é tão, mas tão alarmante,
devastador e rápido que fico um tanto surpresa com pouca repercussão artística
destas grandes e desastrosas transformações sociais, ambientais e políticas que
sucedem na região.
Assista-se
com bastante complacência à chegada de grandes corporações capitalistas à
região, ao sucateamento da educação, do sistema de saúde. Ao crescimento das
favelas, à urbanização absolutamente caótica, à morte das pequenas propriedades
rurais (fim de uma tradição agrícola e comunitária milenar); à higienização
social; ao desmatamento absurdo da Chapada do Araripe; à poluição e à extinção
de rios, córregos, nascentes. Tudo isto ao mesmo tempo, agora. E, comparando
com outras regiões do país, este “desenvolvimento” acontece com velocidade
muito mais rápida e de forma muito mais violenta. É um cenário péssimo: será o
vale do Cariri uma nova Cidade do México? Poluidíssimo, com uma divisão social
gritante: periferia enxotada (como já é em Juazeiro e em Barbalha, cidades que
mais conheço, hoje em dia) no meio dos lixões e do esgoto; e bairros burgueses
glamourosos com fontes, praças, monumentos, bandeiras, centros culturais,
teatros etc.
Ser
artista e não reverberar isto me remete a uma situação de ditadura, de
sociedade repressora e reprimida.
O
mais atual e interessante dentro da produção artística contemporânea no Cariri
é, portanto, na minha opinião, justamente teu trabalho e de teu coletivo
(Coletivo Camaradas) com a educação, o despertar crítico, reflexivo e criativo
de estudantes; e, especialmente, do grupo Bando – que já realizou algumas
manifestações artísticas importantíssimas, como a ação no lixão de Barbalha, o
Procura-se da Beata Maria de Araujo, o É Proibido Proibir; as Feiras do Bando
(principalmente, a primeira) também são experiências muito necessárias para a
região, por praticar e evidenciar a viabilidade de uma ação autônoma,
autogestionária, independente do sistema institucional e capitalista das artes.
Destaco
também a arte de Dinho Lima, que trabalha com as questões ligadas às repressões
e às autorepressões dentro do campo do desejo, do corporal, do íntimo,
transformando, desta maneira, o corpo social. Algumas ações deste artista e a
exposição recente são muito atuais para a região.
Mas,
reafirmo, que são primeiras impressões, de relance.
| Cristina aos 3 anos com seu avô em Moscou Foto: LCP Filho |
Alexandre Lucas - Quais as lembranças que você tem de
Luiz Carlos Prestes?
Cristina Dunaeva - Convivi pouco com meu avô. Com o fim
da ditadura militar, ele retornou para o Brasil e nós ficamos na Rússia. Só
pude reencontrá-lo em 1988, quando ficamos 2 meses no Rio e, depois, no ano
seguinte, 1989.
Mas
cresci escutando histórias sobre a Coluna Prestes que meu pai e meus tios e
tias contavam. Lia livro de Jorge Amado que foi traduzido para o russo, o
“Cavalheiro da Esperança”. Então, antes do reencontro na década de 1980, meu
avô era para mim mais um personagem heroico, um ser grandioso, porém distante.
Quando
o conheci melhor no final da década de 1980, ele se tornou, simplesmente, um
vovô que curtia muito as crianças e a família.
Lembro
que era uma pessoa muito tranquila, muito quieta, mesmo no meio da maior
barulheira e brincadeiras a mil pela casa, ele, muitas vezes, ficava lendo ou
escrevendo tranquilamente, sem se aborrecer.
Era,
também, uma pessoa muito humilde que detestava luxo. A casa onde ele morava no
Brasil era muito simples.
E
lembro que ele escutava muito mais do que falava – para nós, crianças e
adolescentes (somos muitos netos: 23), foi importante.
Alexandre Lucas - As ideias de Luiz Carlos Prestes
contribuíram para sua formação política?
Cristina Dunaeva - Contribuíram demais.
A
figura de meu avô me influenciou por sua prática cotidiana: isso que já
escrevi, de ser humilde, abrir mão de luxo material. Escutar.
Enquanto
à teoria, compartilho com ele a compreensão da necessidade de transformação
social, de lutar pelo fim do sistema capitalista.
Só
optei por outros meios de luta. Sou anarquista e compreendo que o estado e os
mecanismos estatais de administração são ferramentas produzidas pela classe
dominante, ferramentas de controle e da repressão. Também não acredito na
possibilidade de transformação social por meio de organizações partidárias, já
que estas são estruturas hierárquicas, muitas vezes autoritárias. Não acredito
em lideranças, nem na democracia representativa.
Penso
que a revolução não é algum momento específico de revolta ou levante (sem tirar
a importância e a urgência destes), mas a revolução é um processo contínuo que
acontece aqui e agora em várias situações (as microrevoluções), em todos os
ambientes. Acredito que somente coletivos e grupos sociais que se organizam
horizontalmente, sem delegar o poder, sem necessitar de alguém que os comande
ou os doutrine, são agentes de transformação e de destruição do capitalismo. O
resto só irá reproduzir o sistema de dominação de umas pessoas sobre as outras.
Veja,
que venho de um país, onde, apesar da retórica marxista, a alienação de
trabalhadores não cessou de existir. Os meios de produção e a própria produção
pertenciam ao estado, ao governo que
decidia sobre o valor dos salários e a distribuição dos bens. Concordo
com os teóricos que entendem o sistema político e econômico da URSS como
capitalismo do estado.
No
Brasil, participei, no início da década de 2000 do movimento antiglobalização.
Foi um momento importante, no qual vários movimentos sociais e grupos autônomos
se juntaram. E as reivindicações foram estas: fim do capitalismo, autogestão.
Impedimos, por meio de manifestações em toda a América Latina, a implantação do
ALCA (Área de Livre Comércio das Américas).
E,
hoje em dia, existem inúmeras práticas de resistência social e de organização
autônoma, libertária e autogestionária. São quilombos, comunidades indígenas,
ocupações urbanas e rurais, grupos de artistas, movimentos estudantis e
inúmeras outras experiências que exercitam a democracia direta, que se
organizam por meio de assembleias (reuniões onde tod@s
participam em decisões e têm a mesma voz e o mesmo poder de decisão).
Não
sei qual seria a opinião de meu avô, mas sua companheira, minha vó, Maria
Prestes, compreende perfeitamente minhas posturas políticas e, em muitos
momentos, as apoiou. Já disse até que é anarquista, anarco comunista.
Alexandre Lucas - A sua avó Maria Prestes escreveu
recentemente o livro “Meu Companheiro”que conta a história dos 40 anos que
viveu ao lado “Cavaleiro da Esperança”. Você pretende fazer o lançamento do
livro no Cariri?
Cristina Dunaeva - Pretendo, sim. Só preciso organizar a
vinda dela. O livro foi relançado agora numa edição bilíngue (em português e
castelhano), e ela, Maria, está viajando pela América do Sul e pelo Brasil,
divulgando-o.
Será
importante uma passagem da Maria Prestes pelo Cariri. Lembra, que aqui se deu
um dos episódios marcantes da história do Brasil: quando os serviços do Lampião
foram requisitados pelos agentes do poder (Padre Cícero e Floro Bartolomeu)
para impedir a passagem da Coluna Prestes pela região do Cariri. Tentei
encontrar a documentação original (cartas trocadas entre estas figuras
históricas) que testemunha este acontecimento, mas até hoje não foi possível.
Talvez, com a vinda da minha avó, pudéssemos ter maiores chances de acesso aos
arquivos que guardam estes vestígios.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
domingo, 30 de setembro de 2012
Lili Marlene - José do Vale Pinheiro
Estão aí a versão da Marlene Dietrich e uma das versões brasileiras
Em julho 1914, durante
a crise do liberalismo econômico e uma vez esgotada a fórmula da belle époque, a
guerra abriu a fenda sobre o solo da Europa. Começava ali uma das maiores
carnificinas já vistas entre seres humanos. A guerra das trincheiras em que
generais e marechais filhos diletos da velha oligarquia e da nova burguesia europeia
torravam a vida de jovens deixando um vazio demográfico jamais recuperado pela
Europa.
Em 1915 Hans Leip,
um professor de Hamburgo é convocado para o matadouro da juventude. O Exército
Imperial Alemão indicava-lhe a lama, a pulga, a gangrena, a fome e o destroço
das bombas nas trincheiras. Hans Leip preserva sua humanidade escrevendo um
poemas para duas mulheres: sua namorada e sua amiga, configurando uma junção
chamada Lili Marleen.
Em 1937 já nos
espantos do Nazismo e de outra onda de carnificina o poema é publicado com o
nome de “A Canção de Um Jovem Soldado em Watch” com a adição de dois novos
versos aos três já existentes. Em 1938 Norbert Schultzer escreve uma canção
perfeita para o tom lastimoso do poema.
A guerra
espalhou-se sepultando jovens em valas comuns, arrasando os campos, consumindo
os meios de subsistência das populações, destruindo as fábricas e estradas e
deixando uma vasta fome entre todos. A guerra era ao mesmo tempo o mito imbecil
da glória pela pátria e a insanidade destrutiva onde tudo deveria ser vida.
Em 1939 uma cantora
alemã, de pouco sucesso, com a necessidade de sobreviver numa Alemanha irregular,
grava a canção para o esquema de propaganda nazista. Era o improvável: uma
canção doce para um momento marcial. Enquanto o panteão da simbologia nazista
não admitia outra coisa que não o espírito guerreiro, retilíneo e duro, uma doçura
tomou conta das fileiras.
A Rádio Belgrado
das forças nazistas, que transmitia músicas, propaganda do regime e notícias
para os soldados alemãs, na falta de coisa melhor tocou o obscuro disco com a
canção Lili Marleen na voz de Lale Andersen. O Marechal Rommel com o pulso do
sentimento dos seus soldados nas areias quentes da batalha dos desertos, gosta
da música e pede para repeti-la com frequência.
Os soldados queriam
mais vida do que morte e a melancolia era um borralho em sua alma. E foi nesse
clima que a canção se tornou o grande hits nas trincheiras. E por incrível que
pudesse parecer naquele ambiente de confronto e ódios: foi o sucesso entre
todos os soldados em guerra. Em todas as línguas, mesmo que não sabendo a
tradução da letra em alemão, a canção era tão perfeita para a letra que todos
entenderam.
Os americanos
rapidamente fizeram uma versão para os seus soldados e gravaram com Marlene
Dietrich, uma alemã que abdicara de seu país em favor dos EUA. O sucesso
mundial da Dama Dietrich foi superior ao original de Lale Andersen. Mas
história não ficou aí: existem versões em Francês, Russo, Italiano, Espanhol,
Húngaro, Estoniano, Português entre tantos outros. Aqui na minha coleção tenho
mais de 30 versões da canção.
Os brasileiros fizeram
duas versões, ambas militarizadas e feitas para os soldados nos campos de
guerra da Itália. Uma das versões segue abaixo. O poema original em alemão é assim:
Vor der Kaserne vor dem
grossen Tor
Stand eine Laterne, und steht sie noch davor,
Wollen wir uns da wiedersehen
Bei der Laterne wollen wir
stehen,
Wie einst Lili Marleen, wie einst Lili Marleen.
Unsre beide Schatten sahn wie einer aus
Dass wir so lieb uns hatten, das sah man gleich daraus
Und alle Leute solln es sehn,
Wenn wir bei der Laterne stehn,
Wie einst Lili Marleen, wie einst Lili Marleen.
Schon rief der Posten: Sie blasen Zapfenstreich
Es kann drei Tage kosten! Kam'rad, ich komm ja gleich.
Da sagten wir auf Wiedersehn.
Wie gerne wöllt ich mit dir gehn,
Mit dir Lili Marleen, mit dir Lili Marleen.
Deine Schritte kennt sie,deinen schönen Gang,
Alle Abend brennt sie,doch mich vergaß sie lang.
Und sollte mir ein Leid geschehn
Wer wird bei der Laterne stehen?
Mit dir, Lili Marleen.
Aus dem stillen Raume, aus der Erde Grund
Hebt mich wie im Traume dein verliebter Mund.
Wenn sich die spaeten Nebel drehn,
Werd' ich bei der Laterne stehn
Wie einst Lili Marleen, wie einst Lili Marleen
(Português)
Em frente ao quartel, diante do portão
Existe uma lanterna e ainda está em frente
Queremos vê-la outra vez
Sob a lanterna nos reencontrar
Como outrora, Lili Marlene!
Como outrora, Lili Marlene!
Nossas duas sombras, qual uma só
Que o amor era, você veria é igual
E tudo é o que povo pode ver
Se ficarmos junto à lanterna
Como outrora, Lili Marlene!
Como outrora, Lili Marlene!
Gritou o sentinela, para nos avisar
Pode custar três dias!
Camarada eu ainda sou o mesmo
Como dissemos adeus
Como gostaria de estar contigo
Com você, Lili Marlene!
Com você Lili Marlene!
Ela sabe que o seus passos, seu agradável caminhar,
Durante toda a noite a espera, mas há muito me
esqueceu,
E se me acontecer algum mal,
Quem estará sob a lanterna?
Com você Lili Marlene!
Com você Lili Marlene!
Da minha existência tranquila, a partir deste solo,
Assim teu lábios levanta-me como num sonho.
Quando se demore o redemoinho de névoa,
Devo ficar sob esta lanterna
Como outrora, Lili Marlene!
Como outrora, Lili Marlene!
Versão original da Lale Andersen
sábado, 29 de setembro de 2012
ELEGER SITUAÇÃO E OPOSIÇÃO NO MESMO E LEGÍTIMO ATO - José do Vale Pinheiro Feitosa
Na próxima semana, em todo o país, serão escolhidos os novos
prefeitos, os vice-prefeitos e o plenário da Câmara de Vereadores. Com a
votação eletrônica já na mesma noite do encerramento do pleito os vitoriosos
abrirão suas vozes em comemoração. As festas continuarão por mais algumas horas
e dias enquanto os equívocos que especulam aqueles que serão defenestrados da
administração pública se tomam ares de verdade. Mas nada mais enganoso do que
as comemorações como o pódio de uma medalha de ouro e as defenestrações para
satisfação de futuro candidatos aos cargos defenestráveis.
Engano porque poucos entendem o verdadeiro sentido da democracia.
Especialmente em ambientes com resquícios oligárquicos – se bem que de uma
oligarquia menor assim como menores eram alguns membros da velha nobreza. Todos
apenas enxergam os vitoriosos e aí é que reside o velho “coronelismo” a soprar
enxofres demoníacos sobre os sertões. E, claro, sobre este “vale de lágrimas” e
de tradicionais epidemias de dengue.
O que representam as eleições é a escolha da sociedade da
situação e da oposição. Ambas com um projeto político a ser executado. Ambas,
situação e oposição, contando com instituições para o exercício e desdobrar dos
seus ofícios. Nenhuma é menor que outra no campo real do dia-a-dia dos
municípios. E isso não é uma fantasia de palavras ao vento.
Em torno de 90% ou mais dos orçamentos municipais são
repasses da União e dos Estados. São projetos, programas, verbas carimbadas
para funções do Estado inscritas na Constituição Federal. Isso significa uma
dependência institucional e integral dos governos municipais ao Estado
Democrático de Direito. Portanto tanto quem pratica o exercício formal do poder
quanto quem se organiza politicamente para exigir os direitos sociais se equivalem
politicamente e na realidade da vida prática da sociedade.
Os fantasmas do interior e o arcaísmo do velho estilo de ameaçar
e arrebentar criaram o mito do “manda quem pode, obedece quem tem juízo.” Uma
das práticas desse coronelismo tardio é não fazer concurso público para não
criar uma burocracia estável e independente. Este coronelismo tardio usurpa os
recursos dos direitos sociais para criar uma rede de cargos comissionados,
funcionários temporários, fornecedores com pedágios de caixa 2 entre outras
práticas de superfaturamento e assim subjugar a oposição e a sociedade aos
projetos pessoais de apropriação privada das riquezas coletivas.
Enfim são escolhas eleitorais de pequenos poderes
absolutistas como existiram até a derrocada europeia destes regimes com as
Revoluções Americana, Inglesa e Francesa. Por isso é preciso gritar que o rei
está nu e eleger não só os representantes no governo como os representantes na
oposição ao governo. É preciso a militância contínua, representação não é sinônimo
de delegação das competências políticas da sociedade. É apenas a representação
de escolhas de políticas públicas eleitas para tal, mas sempre sujeita a erros
e acertos e aí cresce em igualdade o poder opositor.
Amanhã quando vencedores, quem sabe por baixo dos panos ou
com o discurso fluído da energia limpa, conspurcarem a linda paisagem do cimo
horizontal da milenar Chapada do Araripe, eu quero ser a oposição que exige a
proteção das paisagens naturais.
Miles Dewey Davis Jr (Alton, 26 de Maio de 1926 – Santa Monica, 28 de Setembro de 1991) foi um trompetista, compositor e bandleader de jazz norte-americano.
Considerado um dos mais influentes músicos do século XX, Davis esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a Segunda Guerra Mundial até a década de 1990. Ele participou de várias gravações do bebop e das primeiras gravações do cool jazz. Foi parte do desenvolvimento do jazz modal, e também do jazz fusion que originou-se do trabalho dele com outros músicos no final da década de 1960 e no começo da década de 1970.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
Pontes
Parecia previsível : não seria
nada fácil o dependurar das chuteiras para Sonevaldo Socó. Aposentadoria para
homem é sempre uma espécie de fim: a morte produtiva : aquela que precede ao
final golpe de misericórdia desferido pela
lâmina afiadíssima da Velha da Foiçona. De repente, após toda uma vida
de batalhas cotidianas, vê-se o sujeito recluso numa cela totalmente
desconhecida e inóspita: sua Casa. Como se um maratonista olímpico, de repente,
se visse , na imobilidade de uma cadeira-de-rodas. No caso de Sonevaldo, a
inadaptação parecia, de longe, bem mais
contundente. Era motorista de caminhão. Passara toda a vida na estrada,
transportando carretos Brasil afora. Aquela vida de Indiana Jones, sem destino
pré-determinado: as cargas é que o conduziam e não o inverso. Vivia no mundo,
passeava em casa! Socó conhecia praticamente todas as vias deste quase
continente brasileiro. A cada dia: novos
horizontes, novos conhecidos, novos amigos, novos amores. De dois em dois meses, aparecia em casa,
revia os filhos e a mulher, arrumava os teréns e caía na rodagem novamente. A
aproximação da aposentadoria, no entanto, trouxe-lhe mais paz que fastio. Mais
de quarenta anos de estrada , a juventude já embotada na poeira das rodovias,
Socó imaginou que merecia o recolhimento. Estaria mais próximo dos filhos e da
esposa, órfãos de sua presença por quase toda a
existência.
Os
primeiros dias com o pé longe do pedal do acelerador lhe trouxeram uma parente
tranqüilidade . Aos poucos, no entanto, foi descobrindo que o mundo mudará
totalmente enquanto vivia no meio do mundo. Os filhos haviam crescido e já
cuidavam da vida e tinham casa própria. A esposa já não era aquela mocinha
inocente e garbosa que ali deixara nas primeiras viagens, teimava em aparecer
com cãs e rugas salientes . Os amigos e
conhecidos estavam espalhados pelo país, não moravam naquela cidade que,
também, crescera e perdera o jeitão de Vila. Aos poucos o pijama de bolinhas e a cadeira de
balança começaram a pesar. Batia-lhe aquela sensação de gado, na fila,
aguardando a hora do abate. Tentou ocupar-se em trabalhos domésticos, até
descobrir que homem, em casa , não tem qualquer serventia. Imiscui-se em
assuntos de que ,de todo, não tem qualquer know-how. Rapidamente se desentendeu
com a empregada que há mais de trinta anos servia à família. Voltou-se, então,
para a esposa que tomou as dores da funcionária de tantos anos. No fundo, D.
Geni percebia que hoje era mais fácil conseguir outro marido que outra
empregada como Ambrosina.
Desencadeada
a “Guerra dos Cem anos”, Socó resolveu ganhar a rua e procurou os escritórios
mais apropriados à sua tribo : os botecos. Caiu na cachaça com uma voracidade
impressionante e , cheio de meropéias e de razões, começou a procurar emboança na rua e também em
casa.
O tempo, que já andava turvo, sujeito a
trovoadas e relâmpagos, tomou ares de tempestade. D. Geni já tinha gasto o guarda-chuvas e o pára-raios
com muitos vendavais e resolveu-se pela separação. Mais uma vez, antes da
audiência de conciliação, aconteceu o previsto : Enfarte ! O coração de
Sonevaldo não agüentou tanto repuxo. Interno, encaminhado à cirurgia ( três
pontes de safena e uma mamária), por fim, abrandou-se a raiva da esposa. Tocou-lhe a
alma um sentimento de culpa, ao ver o companheiro de tantos e tantos anos mais
chagado que São Francisco.
--
A culpa é minha, devia ter tido mais
paciência com ele !
Ao
despertar na UTI, Socó pôs-se a pensar com seus tubos, sondas e cateteres. Depois de percorrer tantas
e tantas vias, Brasil afora, chegara num ponto onde a estrada empacara. Não havia saídas e nem possibilidade
de se pegar um retorno. O tempo, então, lhe providenciará aquelas pontes,
abertas ao peito, por onde a vida , agora poderia fluir mansamente. Até onde ?
Até quando !
J. Flávio Vieira
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