por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 28 de junho de 2012

O "milagre da ressurreição" - José Nilton Mariano Saraiva

Logo que tomou conhecimento pela mídia de que era um dos relacionados pela nossa eficiente Polícia Federal como suspeito de envolvimento no desvio de R$ 3,1 milhões destinados à construção de banheiros na zona rural da sua cidade, o ex-Deputado Estadual e atual Prefeito de Ipu-CE, senhor Sávio Pontes, tomou “doril” e... sumiu.
Passou uma semana “entocado”, ninguém sabe onde (embora em contato direto com o advogado), e por isso foi agraciado pela polícia com o status de “foragido” da Justiça; papo vai papo vem, foi convencido pelo causídico a se entregar a essa mesma Justiça e ficou detido no quartel do Corpo de Bombeiros.
Depois de seis dias privando das mordomias da tal “prisão especial”, descobriram que não tinha curso superior e teria que “descer”pra um presídio comum, onde habita a escória do submundo; aí, antevendo a “barra” que iria enfrentar,  o distinto “sentiu-se mal”, descobriu que era portador de problemas cardíacos e, como tem “bala na agulha” (dinheiro de origem duvidosa) arranjaram pra que ficasse acomodado numa das suítes de um luxuoso hospital particular, aqui em Fortaleza.
Nesse ínterim, seu bem remunerado advogado (pago com dinheiro de origem duvidosa, lembremo-nos) continuou a mexer com os pauzinhos, até conseguir “sensibilizar” (a troco mesmo de que, Excelência ???) o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Sebastião Reis Júnior, a conceder-lhe decisão liminar decretando sua soltura imediata, sob a alegativa de que não atrapalharia as investigações e não corria risco de fugir (não custa lembrar que o mesmo já fora considerado “fugitivo” da Justiça, lá atrás).
E aí se deu o "milagre da ressurreição": de pronto, como se tocado por uma varinha mágica de uma fada madrinha magnânima, sua saúde foi restabelecida, a conta do hospital quitada às pressas, de forma que Sua Excelência já se encontra na rua, livre, leve e solto. E aí, por puro sarcasmo ou pra gozar com a cara de todos nós - abestados morais mortais-comuns - já se prepara para reassumir sua cadeira de prefeito de Ipu-CE, ao tempo em que anunciou aos quatro ventos que comparecerá à convenção do partido, no final de semana, objetivando lançar seu nome à reeleição de Prefeito do município (mesmo não tendo explicado ainda onde foi parar a grana dos banheiros).
É em razão de tão suspeitas decisões de determinados Desembargadores dos nossos tribunais superiores que não dá pra deixar de imaginar que alguma generosa “recompensa” lhes é destinada. Agora... como provar ???
Bolo de limão - Colaboração de Fátima Figueiredo


 Massa do bolo:
1 massa para bolo de limão
 1 gelatina de limão
 1 copo de iorgute natural integral a mesma medida do copo de óleo
 4 ovos
 1 colher de chá de fermento em pó

 Cobertura: 1 limão 1 leite condensado

 Modo de Preparo A receita é muito simples . Liquidificar todos os ingredientes por 3 min, e levar ao forno. Cobertura : bater no liquidificador o suco do limão e o leite condensado durante 1 min.

FECHADO NUM ABRAÇO - DE SOCORRO MOREIRA E ULISSES GERMANO

FECHADO NUM ABRAÇO
(Xotis - Letra: Socorro Moreira; Música: Ulisses Germano)

(REFRÃO)
Tu, que vives só partindo
Tu, que chegas de mansinho
Pisa as flores dos meus sonhos
Se aconchega em meu carinho

**** ***** *****
Meu amor é tão intenso
Mas não perde a lucidez
Sabe esconder o desejo
Deixa passar sua vez

(REFRÃO)

Quando o fim se anuncia
A tristeza se aproxima
Quando as respostas calam
O meu silêncio se anima

(REFRÃO)

Tenho o olhar arrastado
No presente do passado
Se te vejo no caminho
Eu te fecho num abraço

Crato.CE.


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Eurocopa - Por José de Arimatéa dos Santos


Imagem: Google Images

Futebol de primeira qualidade nos campos da Ucrânia e Polônia em que os jogadores do velho continente mostram um futebol refinado. Chegam a dizer que a "Euro" é uma mini copa do mundo, pois só faltam a Argentina e Brasil para completar a verdadeira plêiade dos grandes do futebol mundial.
Até o momento a Espanha não mostrou aquele futebol de "encher os olhos" e quem brilhou individualmente foi o jogador de Portugal Cristiano Ronaldo. Inclusive já apostam que o mesmo desbancará Messi na escolha do melhor jogador de futebol de 2012. Já a Alemanha mostra um futebol que ouso dizer que é o mesmo que o Brasil apresentava em tempos passados. O time alemão joga no ataque e não deixa o adversário respirar ou "gostar do jogo".
Qualquer uma das seleções que estão nas finais da Eurocopa têm todas as condições para a conquista do "caneco" e certamente com Brasil, Argentina e Holanda são times favoritíssimos a conquista da Copa do Mundo no Brasil em 2014. 

Manuel Bezerra Neto – Educação para transformação da sociedade



Professor, Filosofo, pesquisador marxista, comunista e bom de papo, Manuel Bezerra Neto compreende que a educação deve servir para transformação da sociedade. Preparando o seu segundo livro, Bezerrinha como é carinhosamente conhecido apontar as contradições da educação numa sociedade antagônica como a capitalista.  
     
Alexandre Lucas - Quem é Manuel Bezerra Neto?

Manuel Bezerra Neto – Até recentemente fui  professor assistente do Departamento de Educação  da Universidade Regional do Cariri – URCA. Milito na Educação desde a década de 1970. Iniciei nas minhas atividades na Educação Básica do Estado na área de Ciências Exatas (matemática e física). A partir de 2000 ingressei no Ensino Superior da URCA, na área de Ciências Sociais (Filosofia e Sociologia). Durante esse período estive sempre engajado na luta política como dirigente municipal e estadual no Partido Comunista do Brasil - PCdoB.

Alexandre Lucas – Qual a importância das tendências pedagógicas no âmbito das políticas para a educação?

Manuel Bezerra Neto – É preciso lembrar que as políticas educacionais são estabelecidas sempre em função dos interesses do Estado, bem como dos objetivos mais permanentes da classe dominante. Em decorrência disso é que são levadas em conta aquelas tendências pedagógicas que mais são convenientes e mais se adéquam tanto aos objetivos do Estado, quanto aos interesses que estão postos  em determinadas circunstancias, do ponto de vista, é claro, das classes dominantes. Assim, não vamos alimentar ilusões a respeito da educação escolar, uma vez que seu primeiro papel, sob o estado capitalista é explicitamente funcional, ainda que devemos reconhecer, não obstante, que ela se constitui por natureza, uma atividade contraditória.

Alexandre Lucas - Como você avalia as políticas públicas para Educação no Ceará?

Manuel Bezerra Neto – É muito simples perceber-se que elas ainda continuam orientadas pelas diretrizes de caráter neoliberal. Educação ainda é encarada como despesas para o Estado. Assim, despesa pressupõe retorno compensador, do ponto de vista financeiro, e não um direito universal do individuo. Isso significa conceder a educação enquanto fator de desenvolvimento socioeconômico, segundo a Teoria do Capital Humano porquanto para as classes dominantes investir em educação é estabelecer os meios que devem favorecer apenas o desenvolvimento dos meios de produção capitalistas necessários ao processo de acumulação do capital.

Alexandre Lucas – Qual a contribuição do Marxismo para a compreensão e proposição das tendências pedagógicas de caráter progressista?

Manuel Bezerra Neto – Ainda que Marx não tenha proposto explicita e sistematicamente uma linha pedagógica escolar, no entanto, o programa de Gotha define uma concepção de pedagogia que vai além dos conceitos burgueses de progresso humano, uma vez que ele chama a atenção para a importância e o sentido que uma formação humana fundada na associação indispensável entre educação e trabalho, escola pública gratuita (não necessariamente estatal, mas laica). Ele sempre acreditou que a natureza do homem se forma e se desenvolve tendo como principio a atividade produtiva; isto é, o trabalho como principio pedagógico por excelência. É simples perceber-se isto quando sabemos que as classes burguesas nunca encararam o trabalho como atividade dignificante para o individuo que não precisa trabalhar uma vez que ele vive da exploração da força de trabalho daqueles que não tem a propriedade dos meios de produção. Em síntese, elas nunca imaginaram nem desejaram ver seus filhos frequentando a oficina onde o filho do trabalhador está aprendendo um oficio ou aperfeiçoando suas técnicas de produção de mais-valia.

Alexandre Lucas – Em seu livro “Escola – Pedagogia da Reprodução” você aborda o caráter ideológico da escola capitalista e propõe alternativa?

Manuel Bezerra Neto – Quando dei aquele título ao trabalho não estava, de modo algum, concordando inteiramente com a concepção reprodutivista da escola porque, enquanto, os “reprodutivistas” faziam a crítica exclusiva da pedagogia burguesa como aparelho ideológico por excelência do Estado capitalista, eu procuro mostrar que ao lado da critica é preciso propor uma opção – não dualista, obviamente – pedagógica que possa contemplar sem discriminação os interesses, os valores e as concepções de todos na sociedade, principalmente das classes submetidas ao regime de exploração do capital. Ao mesmo tempo compreendi que era necessário também, junto com a tarefa de propor uma escola universalizada cuidar dos problemas concretos e imediatos da sociedade brasileira do ponto de vista do seu desenvolvimento autônomo, tendo em mira a redução drástica das profundas desigualdades sociais engendradas pelo capitalismo brasileiro, e para os quais só uma concepção pedagógica revolucionária poderia apresentar soluções viáveis para sua superação.

Alexandre Lucas – Você prepara o segundo livro “Educação e Consciência de Classe", Qual a abordagem desse trabalho?

Manuel Bezerra Neto – A questão da consciência de classe não é muito simples de ser abordada. Muitas vezes, corremos o risco de ou vê-la idealisticamente, tendo-se a ilusão de que é algo inevitável para o sujeito, em vista de sua pertinência de classe; que dizer, inevitavelmente, o burguês teria que pensar, enquanto burguês, operário como operário, etc. é uma visão um pouco simplista e reducionista pela qual seria suficiente apenas olhamos a posição de classe, para então apreendemos a consciência dos indivíduos que a integram.

A consciência não pode ser também uma função psicológica que nos ajuda a fazer avaliações “corretas” ou de censura das situações vivenciais nem dos indivíduos nem da própria história uma vez que inevitavelmente  ela, de qualquer modo, não deixa de estar vinculada se não as forças motrizes que põem em movimento povos e classes inteiras, que acaba induzindo uma ação durável capaz de promover grandes transformações históricas.

No campo da educação ainda que a consciência se forme na relação direta com a realidade, mesmo que mediatizada pelo conhecimento não podemos subestimar o papel ideológico desse conhecimento na organização e projeção das condições materiais de existência. Assim, a proposta implícita é, sobretudo demonstrar a relação entre o papel ideológico da educação e o desenvolvimento da consciência do individuo.

Alexandre Lucas – Qual a relação entre educação e prática social?

Manuel Bezerra Neto – A relação é explicita, pois a própria educação constitui-se de uma prática social inerente e indispensável ao conjunto das múltiplas práticas convenientes e adequadas para a configuração de uma dada realidade social. Não podemos imaginar prática educativa dissociada da prática social.     

                          
         
         

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Grande oportunidade - José Nilton Mariano Saraiva

Na tentativa de mostrar que é valentão, brabo, não teme cara feira ou foge à luta, quando cercado por sua cambada de áulicos ele costuma disparar a metralhadora verborrágica em todas as direções, normalmente faltando com o respeito a quem esteja no entorno.
Assim se deu, por exemplo, quando fez uma analogia entre os “MÉDICOS” e o “SAL” nosso de cada dia, já que ambos, no seu entendimento, seriam baratos, brancos, e disponível em qualquer lugar; como não houve qualquer reação por parte da categoria, mais sua fama de valentão se solidificou.
Dias atrás, quando os policiais militares e civis cearenses encetaram uma greve objetivando salários mais dignos, lá vem ele de novo detonando toda a categoria, sem dó nem piedade, ao afirmar que não passavam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS” QUE NÃO HONRAVAM A FARDA.
Mas foi aí que quebrou a cara, a “coisa” pegou e o “bicho” despertou: sentindo-se, com toda a razão, moralmente ofendidos, os policiais militares resolveram impetrar uma ação na Justiça objetivando fosse o valentão intimado a prestar esclarecimentos.
Aceita a justa reivindicação da classe ofendida, no princípio do mês de agosto ele terá a oportunidade de ratificar em juízo sua fama de valentão, de macho e de que não teme cara feira ou foge à luta. É só NÃO AFINAR e confirmar/reafirmar com todas as letras, pontos, acentos e vírgulas tudo que disse publicamente e que se acha registrado em áudio e vídeo: que os policiais militares do Ceará não passam de “MARGINAIS FARDADOS” e “BANDIDOS” QUE NÃO HONRAVAM A FARDA.
Só se espera que ele não venha com papo furado, com conversa mole, com a afirmação que a sua fala foi “descontextualizada” e por aí vai. Sim, porque aí está a grande oportunidade que o senhor CIRO GOMES terá pra não decepcionar seus adeptos e ganhar uma ruma de outros simpatizantes.
Particularmente, por conhecer os métodos e reações do referido senhor, não temos a menor sombra de dúvida: ele AFINARÁ.
Alguém duvida ???

domingo, 24 de junho de 2012

Lilian Carvalho é a nova presidenta do Coletivo Camaradas


Num clima de unidade, interação e convicção foi eleita  no último sábado, dia 23,  em assembleia geral realizada na Universidade Regional do Cariri – URCA, a  nova coordenação do Coletivo Camaradas.  

A assembleia elegeu para presidir a organização, a atriz Lilian Carvalho que além de atuar no teatro, é produtora cultural e psicóloga. Ela substitui o artista/educador Alexandre Lucas, um dos fundadores do Coletivo.   Lilian é uma veterana Camarada  que participa do grupo há quatro anos e se sente orgulhosa ao afirmar que participar de um coletivo que consegue discutir arte com posicionamento político.

Lilian acredita que é preciso manter a mesma linha de atuação  e acrescenta que o grupo deverá ampliar as suas ações para outras linguagens artísticas como a música e o teatro. Ela destaca será dado continuidade aos trabalhos de ações conjuntas com os coletivos locais e nacionais e destaca que será feito um esforço para intercâmbios internacionais. A atriz frisa que é necessário criar as condições para que o Coletivo tenha uma sede que possa servir como centro de formação artística e política  tanto para o Coletivo Camaradas como para outros grupos.

Inovação

A assembleia dos Camaradas inovou ao acrescentar na sua direção os cargos de Coordenação  sobre questões de gênero, afrodescendência, cultura e memória.

Outra inovação foi a aprovação do Conselho Consultivo que reúne nomes de personalidades do meio artístico e intelectual brasileiro, dentre eles, o do ex-secretário de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura, Célio Turino responsável por conceber o Programa Cultura Viva, o qual possibilitou a criação de quase três mil Pontos de Cultura espalhados em todo o Brasil. Considerado o maior programa de descentralização de recursos públicas para cultura e de empoderamento dos segmentos ligados a cultura e a arte no país.

Projeto em andamento

O Coletivo Camaradas desenvolve os seguintes projetos:
Laboratório de Estudos, Vivências e Experimentos em Arte Contemporânea – Leve Arte Contemporânea que é destinado aos alunos do Ensino Médio da Rede Publica do Crato;
Cordel Engajado  que consiste na distribuição gratuita de cordéis;
Projeto No Terreiro dos Brincantes em parceria com a URCA e a Secretária de Cultura do Crato que produz vídeos sobre grupos da cultura popular da região do Cariri;
E prepara a segunda edição da Mostra Nacional de Vídeos Brincantes que deverá ser realizada em agosto deste ano.    

Nova Coordenação Eleita

Coordenadora Geral - presidenta: Lilian  Carvalho de Araújo
Currículo resumido: Atriz, produtora cultural e psicóloga.
Secretaria geral: Ana Luisa Sombra Vicente
Currículo resumido: Academica do Curso de Pedagogia
Coordenador de Finanças – Tesoureiro  - Ricardo Alves    
Currículo resumido: Ativista do Hip – Hop e acadêmico de Geografia da URCA
Coordenador de Cultura e Memória – Jean Alex
Currículo resumido: Acadêmico de Pedagogia da URCA, músico e educador musical, líder da banda Sol na Macambira
Coordenadora de Comunicação: Leyliane Alves 
Currículo resumido:  Acadêmica de Comunicação Social da UFC
Coordenador de Projetos: Alexandre Lucas  
Currículo resumido:  Pedagogo e artista/educador
Coordenadora sobre questões de gênero – Dayze Carla Vidal da Silva
Currículo resumido:    Acadêmica de Ciências Sociais da URCA
Coordenação sobre questões de Afrodescendência  - Alice Maria Freitas Cortez da Silva 
Currículo resumido: Acadêmica de Ciências Sociais  da URCA  e integrante da UNEGRO
Conselho Fiscal
Jucimar   Rodrigues Lima
Currículo resumido: Estudante secundarista e integrante da banda Cratons
Diego Felipe do Nascimento 
Currículo resumido: Acadêmico de Geografia da URCA
Ivanilson da Silva Felix 
Currículo resumido:  Estudante secundarista

Conselho Consultivo

Jefferson Bob Gonçalves de Lima – Integrante da Nação Hip-Hop Brasil, integrante da Banda Ferreros e Produtor Cultural  - Potengi/CE
José André de Andrade – Ator, poeta e Produtor Cultural   - Juazeiro do Norte/CE  
Nívia Uchôa – Fotografa  e geógrafa – Juazeiro do Norte/CE  
José Cícero da Silva – Pesquisador, poeta  e Produtor Cultural  - Aurora/CE
Luis Parras – Fundador do Programa Nacional de Interferência Ambiental – PIA e do Centro Universitário de Cultura e Arte da UNE – CUCA, integrante do Grupo de Interferência Ambiental – GIA – Salvador/ BA
Mileide Flores -  Presidente da Sociedade Amigos da Biblioteca; Membro do Coletivo de Cultura do PCdoB/Ce; do Colegiado do Sistema Nacional de Cultura; do Fórum de Literatura do Estado do Ceará; da Rede Nordeste do Livro e da Leitura; Diretora da Livraria Feira do Livro – Fortaleza/CE;
Rosemberg  Cariry – Filosofo, pesquisador e cineasta – Fortaleza/CE    
Tales Bedeshi – Artista/educador, integrante do PIA – Belo Horizonte -MG
Célio Turino – Historiador, escritor e ex-secretário da Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultural – São Paulo – SP;
Gabriela Monteiro – Artista visual e integrante do PIA – Rio Janeiro – RJ
Luciana C M Costa – Mestranda em Artes Visuais, integrante do Coletivo Política do Impossível  e o PIA – São Paulo;
Lula Gonzaga – um dos pioneiros em cinema de animação do Brasil – Cineastra – Olinda/PE;
Salete Maria – Professora Universitária, advogada,  pesquisadora sobre gênero e cordelista – Juazeiro do Norte/CE;
Allan Bastos – professor e fotografo – Crato/CE
Cacá Araújo – Dramaturgo, poeta, ator e folclorista – Crato/CE  
Armando Teixeira Leão – Coordenador Executivo da UNEGRO e Mestre de Capoeira Angola
Ulisses Germano Leite Rolim – Professor, poeta e músico;   
Alexandre Santini  - ex-coordenador do Cuca da UNE e integrante do Companhia de Teatro Político  “Tá na Rua” – Rio de Janeiro – RJ
Maria Pinho Gemaque – Mapige – integrante do Coletivo Psicodélico, artista/educadora – Macapá – AP;
Alysson Amancio – Professor, pesquisador e coreografo – Juazeiro do Norte-CE    
Edival Dias – Professor, artista/educador e ator – Juazeiro do Norte/CE    


  


sábado, 23 de junho de 2012


Tudo que vicia começa com C (Luiz Fernando Veríssimo)

Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.
Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e,de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!
De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.
Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.
Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também - adivinha - começa com a letra c.
Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.
Impressionante, hein?
E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.
Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada "créeeeeeu". Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade. cinco.
Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o "ato sexual", e este é denominado coito.
Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.

CENTENÁRIO DE GONZAGÃO

SÃO JOÃO NA ROÇA - (Zé Dantas e Luiz Gonzaga) - 1952

a fogueira tá queimando
em homenagem a São João
o forró já começô ô
vamos gente
rapá pé neste salão
dança Joaquim com Zabé
Luiz com yaiá
dança Janjão com Raqué
e eu com Sinhá
traz a cachaça Mané
que eu quero vê
quero vê páia avuá


FELIZ SÃO JOÃO


2012 - CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA

                                          Luiz Gonzaga ao lado do poeta e parceiro Zé Dantas


     Observamos hoje, com tristeza, que a descaracterização do "São João" não está apenas na música, mas também na maneira como vem sendo comemorado. O que se vê hoje nas grandes cidades não passa de uma grosseira imitação.
É necessário que haja uma conscientização ainda maior no sentido de preservar esta que é uma das nossas mais tradicionais festas populares. Por tudo isto é que procuro refúgio no interior, seguindo o conselho de Zé Dantas e Luiz Gonzaga em "SÃO JOÃO ANTIGO", para ter a certeza de que não mudei, nem tão pouco o "São João". Quem mudou foi a cidade.

Marcos Barreto de Melo


SÃO JOÃO ANTIGO - (Zé Dantas e Luiz Gonzaga) - 1957

era festa da alegria
São João
tinha tanta poesia
São João

tinha mais animação
mais amor, mais emoção
eu não seu se eu mudei
ou mudou o São João
vou passar o mês de junho
nas ribeiras do sertão
onde dizem que a fogueira
ainda aquece o coração
pra dizer com alegria
mas, morrendo de saudade
não mudei, nem São João
quem mudou foi a cidade

sexta-feira, 22 de junho de 2012

A rua silenciou
A noite proibiu a estrela de piscar
Você dorme
Sem a vela do meu olhar

quinta-feira, 21 de junho de 2012




Quando o amor se desliga de uma construção, quando o barraco fica  sem portas, paredes,  teto... Pra que comprar a tinta , os lustres, a pia da cozinha?
O investimento está na  busca de outro amor. Melhor do que chorar a perda é pensar  que da próxima vez, vida ou hora, o relógio vai parar, no instante de felicidade que não foge !

socorro moreira



Meus escuros se enchem de mistérios
Ficam loucos , ficam cegos
e as respostam se distanciam de mim.
Quando nasce a lua ...
Não sei o lado que me aclara
quero colher toda luz
num só olhar
Mostro o céu
pra minha alma
Toco no imaginário
distante de mim.

(socorro moreira)



 Escureceu o céu, nublou o pensamento , pediu pão com café e um bom papo. Fico sentindo o friozinho que saiu da barriga , e se espalhou pelos braços.Gosto da rua  solitária . É como o recreio da alma, que passeia livre , e se embriaga
Acabei de fazer uma lista dos meus  mestres. Foi como se estivesse me matriculando no passado, mas podendo escolher a aula. Quero reprise das aulas de Dr. Zé Newton; as histórias das viagens de Dona Lurdinha Esmeraldo;o conhecimento científico de Dona Ivone;as aulas expressivas de Alderico, e aquele desenho leve, perfeito de Dr.Zé Nilo.
Na vitrola do meu pai , umas valsas, em tom baixinho. Um bilhete amoroso , guardado nas caixinhas das saudades, e aquela pétala de flor, que eu  quis  dentro de mim.
Vou calçar meu par de meias furadas , me enrolar no lençol de algodãozinho estampado, e ler , pelo menos uma página, de um livro de Jorge Amado.

socorro moreira

Espera ...- por Socorro Moreira

estou catando o feijão
e fugindo do fogão.
o amor devoto pelas panelas...
me dizem elas :
preferimos você na janela

de olhos perdidos
querendo um caminho.
respondo:
aqui é porto de poesia
os navios atracam e descarregam
rimas sentidas
às vezes leio e bebo
outras vezes olho de soslaio
assustada com o meu interior declarado

nos versos
amarro a fita do verbo
e deixo o coração solto
no encontro de olhares
- espelhos fatais !

Rio com um barulho desses

  Com a morte do velho Venceslau  Kandanga, após as lágrimas pouco sentidas, os filhos se reuniram para fazer o balanço do que interessava: o espólio. Estavam todos contendo uma indisfarçada felicidade. Venceslau vinha de uma ascendência abastada: fazendas, terras, imóveis e dinheiro em espécie eram perceptíveis nos velhos retratos espalhados na parede. O patriarca da família --- Kandic Kandanga --- teria vindo da Armênia, aí pelo início do Século XIX e, de mero vendedor de confecções, terminara por montar um imenso império fabril. Com as gerações e os inventários  que se sucederam,no entanto, os novos ricos foram pouco a pouco dissipando o patrimônio. Riqueza adquirida sem  suor, evapora como ele. Entre uma e outra amante, entre uma e outra excentricidade, entre uma e outra separação judicial, os cobres duramente conquistados por Kandic, esvaíram-se como por encanto.
                                   Aberto o testamento do tetraneto de Kandic, o velho Venceslau, não deu outra. Ficara apenas a casa do patriarca e   um prédio de cinco andares – o Edifício  Rio-- , sito num bairro não muito privilegiado, para ser rateado entre os dez filhos, três viúvas e seis netos de Venceslau.  Iniciou-se, imediatamente, a terceira guerra mundial. Familiares endividados, mantendo, porém,  a importância dos tempos áureos, cada um desejava levar o maior pedaço do último quinhão. Arrastando-se a pendenga, para o gáudio dos advogados, terminaram por ter que vender a casa para cobrir as custas judiciais e, sob risco de ficar a herança para os causídicos e não para os descendentes, entraram por fim num acordo. Resolveram, salomonicamente, dar um apartamento do edifício para cada  herdeiro e, depois de mais de dois anos, por fim, fecharam o inventário do velho Venceslau.
                                   Como estavam todos na maior pindaíba, morando de aluguel, mudaram-se todos para seus apartamentos recém herdados.  No primeiro momento, as coisas andaram bem. Todos se sentiram de alguma maneira felizes com o alívio financeiro. Mas era bem previsível : a bomba estava armada e com estopim faiscante e curto. As desavenças não demoraram. Conflitos relativos às pretensas melhores condições de um ou outro apartamento se tornaram frequentes.  Começaram os atrasos reiterados da taxa de condomínio, por incrível que possa parecer executados pelos mais remediados e não pelos mais pobres. Exatamente atrasavam aqueles que mais consumiam a água e a luz. A conservação do velho prédio estava péssima e já apareciam algumas rachaduras progressivas em algumas paredes.  Eram marcadas reuniões com os moradores,  geralmente inúteis, pois os inadimplentes faltavam. Um belo dia,  o esperado ocorreu: desligaram a luz e cortaram a água do imóvel. Aí a gritaria foi geral. Os pobres reclamavam com razão, pois estavam pagando pela irresponsabilidade dos outros. Os menos lascados empavonavam-se, mantendo aquele ar de importância que herdaram dos seus ascendentes e dizendo enfaticamente : --  é nisso que dá, querer ser simples e vir morar num muquifo desses!
                                   Marcaram uma reunião de emergência, mas ninguém compareceu: simplesmente porque nenhum queria arcar com a vaquinha necessária para sanar o problema. Uns dois meses depois, no escuro e seco como outubro em Picos, no meio da noite, ouviram-se um grande estralo e um pequeno tremor. Todos acordaram apavorados e desceram as escadas num átimo. Em pouco, toda a descendência do velho Venceslau estava de camisola e pijama no meio da rua. Chamada a Defesa Civil, após vistoria, o Edifício  Rio foi condenado: Está prestes a cair, não tem qualquer condição de habitabilidade, disse o Coronel responsável. Providenciadas , de urgência, algumas tendas, à noite,  o Síndico chamou, por fim, mais  uma Reunião de condôminos. Pressionados, por fim, os moradores , já sem teto, resolveram comparecer. As discussões foram longas e demoradas. Depois de umas cinco horas, finalmente, houve consenso. A Ata foi devidamente lavrada : O problema será resolvido pelas futuras gerações dos Kandic, marcaram , então, uma próxima reunião para daqui a vinte anos quando os futuros herdeiros do Edifício Rio, já taludos e em condições de deliberar,  deverão tomar as devidas providências. O convite já foi até redigido e o conclave já tem um nome : Rio + 20.

J. Flávio Vieira

versos sem papel - por Socorro Moreira



Você corta o filme
amarga o recado
deixa o mel
na porta do enxame
deixa a flor
na madrugada aberta
morrer na manhã


Sono que se vai
O lado vazio e silencioso da cama
Arrumo o lençol que fala...


Presente com tinta
Futuro sem papel
Passado amarrado
Pipas voam alto do além para cá...
Conquistam espaço
Na janela do quarto
vejo um pedaço do céu!

Colaboração de Edmar Cordeiro


Capuccino caseiro


Ingredientes
1 lata de leite ninho
1 lata ( pequena) de café soluvél
1 colher de café de bicarbonato
1 lata de Nescal ( pequena) ou Toddy
1 colher de café de canela em pó


Coloque no liquidificador todos os ingredientes e misture bem
Depois de misturado, coloque em potinhos para guardar
Quando quiser tomar misture o tanto desejado no leite bem quente e curta um capuccino gostoso e barato


A poesia de Lupeu lacerda !

O coração é um móvel estranho que
não cabe na sala
Que se esconde
no peito
Que não posso pegar
na minha mão
Nem polir com uma
flanela amarela
Mas é ele quem dita meu
poema
E que manda minha mão
escrever
Minha derradeira carta
De amor

O Laço de Fita – Castro Alves

O Laço de Fita – Castro Alves

Não sabes crianças? 'Stou louco de amores...
Prendi meus afetos, formosa Pepita.
Mas onde? No templo, no espaço, nas névoas?!
Não rias, prendi-me
                              Num laço de fita.

Na selva sombria de tuas madeixas,
Nos negros cabelos da moça bonita,
Fingindo a serpente qu'enlaça a folhagem,
Formoso enroscava-se
                                  O laço de fita.

Meu ser, que voava nas luzes da festa,
Qual pássaro bravo, que os ares agita,
Eu vi de repente cativo, submisso
Rolar prisioneiro
                        Num laço de fita.

E agora enleada na tênue cadeia
Debalde minh'alma se embate, se irrita...
O braço, que rompe cadeias de ferro,
Não quebra teus elos,
                               Ó laço de fita!

Meu Deus! As falenas têm asas de opala,
Os astros se libram na plaga infinita.
Os anjos repousam nas penas brilhantes...
Mas tu... tens por asas
                                Um laço de fita.

Há pouco voavas na célere valsa,
Na valsa que anseia, que estua e palpita.
Por que é que tremeste? Não eram meus lábios...
Beijava-te apenas...
                           Teu laço de fita.

Mas ai! findo o baile, despindo os adornos
N'alcova onde a vela ciosa... crepita,
Talvez da cadeia libertes as tranças
Mas eu... fico preso
                            No laço de fita.

Pois bem! Quando um dia na sombra do vale
Abrirem-me a cova... formosa Pepita!
Ao menos arranca meus louros da fronte,
E dá-me por c'roa...
                              Teu laço de fita.


Fonte:
ALVES, Castro. Espumas flutuantes. in Poesias Completas. São Paulo : Ediouro, s.d. (Prestígio)