por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Carta de Sobral


Nós, reunidos em Sobral, Ceará, Brasil, de 23 a 26 de maio de 2012, no marco do primeiro “Nossas Américas, Nossos Cinemas”, participamos do primeiro encontro de jovens realizadores da América Latina e Caribe, unindo 16 nações, promovendo um intercâmbio entre gerações. Entendemos a juventude como um estado de espírito em luta, sem preconceitos e aberto e nos reconhecemos como povos irmãos.
Este encontro tem, como objetivo, refletir, compartilhar experiências dos realizadores audiovisuais e gerar ações sobre a linguagem audiovisual, a comunicação, com o fim de manter vivo um movimento integrador da nossa “AbyaYala” (América Latina e Caribe).
Trabalhamos com as heranças milenárias herdadas dos povos originários, transmitida aos povos transplantados, brancos pobres e escravos africanos trazidos por barcos colonizadores, e reinventados pelos povos presentes neste encontro.
Reconhecendo e recusando a ditadura do mercado que oprime nossos povos e seus imaginários culturais, seguiremos os seguintes princípios:
1.       Considerando A “DECLARAÇAO UNIVERSAL SOBRE A DIVERSIDADE CULTURAL”, da UNESCO, entre outros instrumentos internacionais que garantem a identidade e diversidade cultural a partir da produção cultural, entendemos a realização audiovisual como um direito humano;
2.       Exigir e proteger a plena vigência do direito à linguagem cinematográfica e audiovisual dos nossos povos, promovendo legislações que o garantam a cada uma de nossas nações;
3.       Entendemos o audiovisual como um fato político e artístico de ressignificação e transformação sociocultural;
4.       Apoiar os direitos do público com base nos conceitos marcados pela Carta de Tabor (1987), criada pela FICC (Federação Internacional de Cineclubes), para a formação de públicos pela ação dos cineclubes e das salas de cinema cultural, também apoiando e difundindo o dia 10 de maio como o dia do público;
5.       Garantir a alfabetização e educação audiovisual dos nossos povos, na sua dimensão artística e política, encorajando a leitura crítica dos meios de comunicação;
6.       Exigir o direito a livre comunicação, informação, expressão e acesso aos meios audiovisuais para todos os povos da América Latina e do Caribe;
7.       Defender o espectro radioeletrônico e a internet como bens públicos comunitários com a finalidade de preservar o espaço da comunicação sem censuras, tendo como referência a “LEY DE MEDIOS Y SERVICIOS DE COMUNICACION AUDIOVISUAL”, da Argentina, e a nova “LEY DE TELECOMUNICACIONES”, da Bolívia. Também nos declaramos abertamente contra o projeto “ACTA”, a lei “SOPA” e qualquer outro ato que ameace a liberdade de expressão dos povos e nos propomos a fomentar o uso das licenças “creativecommons” e bases operativas como o LINUX, e outros softwares livres;
8.       Acompanhar e estimular os processos já existentes na organização do setor audiovisual, que compartilhem os mesmos princípios levantados por essa Carta, e recomendar a sua criação a níveis locais, regionais e nacionais, onde não existam;
9.       Exigir dos Estados garantias constitucionais para os realizadores que sofrem perseguição e ameaças a sua integridade física e intelectual. Exigimos o tratamento especial diferenciado do realizador e realizadora audiovisual, da mesma forma que recebem os jornalistas com relação à proteção e reserva das suas fontes;
10.    Incrementar espaços e oportunidades de acesso à informação e capacitação integral, bem como tecnologias já existentes e por serem inventadas, com o fim de garantir o direito de produção e circulação do audiovisual dos povos da América Latina e do Caribe;
11.    Promover mecanismos de fomento, sustentabilidade e continuidade dos processos de produção audiovisual dos povos da América Latina e do Caribe;
12.    Promover a integração cultural latino-americana e caribenha, respeitando a nossa diversidade cultural com o fim de exercer um processo de compreensão de uma identidade comum;
13.    Fomentar o pensamento, trabalho e tomada de decisões de maneira coletiva, respeitando as particularidades e construindo nossos laços com base na transparência e horizontalidade;
14.    Estabelecer a regularidade e itinerância deste espaço, de caráter aberto em “AbyaYala”, com rotatividade dos representantes, que devem socializar localmente os debates levantados nos encontros;
15.    Instituímos a rede virtual como meio válido de vinculação e discussão;
16.    Defendemos a liberdade criativa de formatos e estéticas na linguagem audiovisual, respeitando e fomentando a diversidade dos imaginários culturais dos nossos povos e nações latino-americanos e caribenhos, não permitindo nenhuma hegemonia estética imposta;
17.    Promover a solidariedade, a cooperação e o trabalho associativo entre os nossos povos;
18.    Promover a produção audiovisual com atitude critica e superadora sobre os nossos imaginários, realidades, histórias, espaços comuns, semelhanças e contradições;
19.    Gerar uma interação direta entre as produções audiovisuais e os públicos, por meio de todos os formatos e linguagens existentes e por serem criados;
20.    Fomentar o uso das línguas ancestrais dos povos originários, e dialetos da América Latina e do Caribe para ampla difusão dos conteúdos audiovisuais produzidos pelas comunidades, tendo como referência o artigo 16 da “Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas” e outros instrumentos internacionais;
21.    Convocar para este espaço as nações e povos hoje ausentes neste encontro, procurando a integração e representação de todos os povos e nações que habitam os países da América Latina e do Caribe;
22.    Reconhecer como válida a experiência e formação não-acadêmica, acreditando na importância dos conhecimentos vivenciais nas áreas não-pedagógicas;
23.    Fortalecer o eixo fundamental dos espaços de formação e capacitação acadêmicos e não-acadêmicos, de realizadores audiovisuais, no exercício da memória e história de nossos povos;
24.    Cremos importante gerar o intercâmbio e distribuição de obras audiovisuais traduzidas nas línguas faladas no nosso continente. Nesse sentido, comprometemo-nos, de forma colaborativa, a traduzir, dublar e legendar as obras audiovisuais e documentos que produzirmos;
25.    Este processo não obedece a interesses político-partidários. Sendo este grupo multinacional, composto por diversos setores da sociedade civil, entidades governamentais, grupos prontos ao debate e à recomendação de propostas de políticas públicas para o audiovisual e à comunicação dos nossos povos.

Ações:
Decidimos pela criação de diversos grupos de trabalho responsáveis pelas seguintes ações:

Comunicação:
1.       Criação e manutenção de uma lista de comunicação via internet. O moderador da rede se alternará em cada um dos encontros;
2.       Criação de um Portal;
3.       Criação de um boletim eletrônico mensal.

Intercâmbio e Residência Audiovisual:
1.       Formar um grupo de coordenadores, um em cada país, para o desenvolvimento desta experiência na América Latina e no Caribe, com o compromisso de criar uma lista de anfitriões e residentes;
2.       As modalidades de residência serão definidas pelas partes envolvidas caso a caso.

Declarações:
1.       Declaramos nosso apoio à promulgação da nova lei cinematográfica e audiovisual do Peru, por parte das instituições de que participamos neste encontro, e o faremos, formalmente, por meio de uma carta;
2.       Manifestamos o apoio à criação e aplicação das leis de cinema e audiovisual que estão sendo debatidas no Paraguai, atualmente em etapa de construção;
3.       Expressamos nossa preocupação e exigimos de nossos governos cessar a guerra, o genocídio e a perseguição infligidos aos povos indígenas e afrodescendentes da Colômbia, e deter a onda de violência vivenciada em países como México que limitam o livre desenvolvimento dos direitos a justiça e a comunicação democrática;
4.       Apoio à continuidade e permanência da Jornada de Cinema da Bahia, encontro que já tem 40 anos de atividades e que corre o risco de não se realizar este ano. Ressaltamos que, no seu contexto, nasceu a Lei do curta-metragem no Brasil e a Associação Brasileira de Documentaristas;
5.       Apoiamos a realização do encontro Cariri / Caribe;
6.       Saudamos a designação de 2012 como “Ano Internacional da Comunicação Indígena” e a celebração do XI Festival de Cinema Indígena de cineastas dos povos originários, na Colômbia, em setembro deste ano;
7.       Expressamos nossa profunda preocupação diante do próximo Encontro de Desenvolvimento Sustentável Rio+20, diante da forma autocrática como foi definida sua agenda em muitos casos, e diante do fato de os acordos tomados pelos presentes governos comprometerem gerações presente e futuras;
8.       Solidarizamo-nos com o fim do bloqueio a Cuba;
9.       No mês de novembro deste ano, realizaremos uma reunião na Tríplice-Fronteira, na cidade de Iguazú, Misiones, Argentina, com a finalidade de preparar o segundo encontro de Jovens Realizadores da América Latina e do Caribe, a ser realizado em 2013 no Peru.


Sobral, Ceará, Brasil, 26 de maio de 2012.





Gilmar Mendes: O CANDIDATO? - José do Vale Pinheiro Feitosa


Se alguém pensa cobras e lagartos do Prefeito, do Governador, do ex-candidato à Presidência José Serra, de Fernando Henrique Cardoso, Dilma e Lula, como dizia Millor: livre pensar é só pensar. Quando um de nós se encontra na roda de amigos e correligionários e expressa suas cobras e lagartos, pode até alguém censurar as expressões, mas o comum é que se acrescentem mais alguns adjetivos.

Assim caminha a humanidade e até pode ser que as cobras e lagartos contribuam para o avanço das liberdades e da democracia. Mas certo é que promove reação e se não expressa em igual força pelo menos pensada. E pensar, como dito, pode ser apenas pensar, mas tem a natureza da acumulação para ações futuras.

Ir para as praças públicas e para os meios de comunicação e destilar veneno sobre alguém ou sobre instituições culturais, religiosas e políticas é a matriz do atrito e dos conflitos. Isso ocorre o tempo todo e daí surgem, a depender de certos fatores acumulados, as manifestações coletivas de luta e ódio.

Agora transportemos essa questão para o caso Gilmar Mendes ontem agredindo Lula com denúncias que são nitidamente fabulações suas sobre insinuações que correm na internet a comprometer-lhe com Cachoeira e Demóstenes. Mas as denúncias contra ele não aparecem na grande imprensa que é sua porta voz.

Mesmo que Gilmar Mendes, que pertence ao colegiado que preside o Poder Judiciário, dissesse o mesmo que disse ontem na imprensa a respeito do punguista que lhe arrancou vistoso cordão de ouro enquanto passeava pela beira mar de Fortaleza, estaria exorbitando e destruindo o equilíbrio do poder que lhe cabe. Gilmar Mendes, espera-se, seja processado por Lula ao investir contra a dignidade e o decoro do ex-presidente.

Agora vem a questão principal. E por que Gilmar Mendes diz cobras e lagartas de Lula? Um dos melhores presidentes* do país e um personagem de repercussão mundial? É simples como a oposição é esta lerdeza, as famílias que controlam a mídia nacional ocuparam a oposição e acharam o candidato de oposição dos seus sonhos: audacioso, boquirroto e sem medidas para o que diz.

Collor de Mello hoje aliado do governo desempenhou o mesmo papel. Jovem, arrogante e inexperiente não viu que do mesmo modo como criaram o personagem, bastava outro enredo para destruí-lo. O golpe militar de 64 e a partir daí no restante da América do Sul foi consolidado no encontro da OEA em 62 em Punta del Leste no Uruguai, mas ali era apenas uma senha do Governo Americana para que a elite civil desse o golpe. O golpe teve como instrumento os militares, mas a alma da ditadura foi civil e neste civil teve o papel fundamental dessas mesmas famílias e mais personagens como Chateaubriand.

Agora começam a construir a alternativa furibunda da oposição. A mídia não considera mais convenientes personagens elegantes como Fernando Henrique e nem meio barro e meio tijolo como Serra. Ela agora quer o troglodita, de porrete na mão e jogando pedras na trincheira dos adversários da mídia. Gilmar Mendes neste episódio desempenha este personagem.

Ele daqui a pouco irá se aposentar no STF, já tem o argumento e só falta o roteiro para assumir o papel. Vai radicalizar a política, não tem o menor respeito pelas instituições e nem pelo cidadão. Vem de uma família patriarcal de Mato Grosso que imagina o povo como o estrato sobre o qual pisa com suas botas de fazendeiro.

Se o roteiro atende aos objetivos da mídia ele tenta ser Presidente da República, se eleito for, ele não será um presidente diferente do que foi como Ministro do STF: jogando para a plateia seleta dos seus pares enquanto acusa o povo de se fartar demais e trabalhar de menos.

Caso a crise econômica mundial evolua, o personagem é ele ou alguém assemelhado. Se não acontecer isso e a elite tentar de qualquer modo o perfil será fragorosamente rejeitado pelo eleitor. Do mesmo modo como nas condições normais de temperatura e pressão a França jamais elegerá Jean Marie Le Pen.  

Agora vem o teste de sabedoria de Lula e do seu partido. Deixar Gilmar cavalgar nas costas do bem avaliado ex-presidente a assim conquistar a notoriedade popular que não lhe é presente? Sinceramente ao contrário do que muitos analistas dizem: Gilmar não é apenas um destemperado, ele queria lançar a bomba próxima às eleições, mas a Veja, acossada por denúncia detonou antes.
      
De resto é tudo política num ano eleitoral.   

terça-feira, 29 de maio de 2012

VEJA x MENDES: Rota de colisão ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Sobre o senhor Gilmar Ferreira Mendes o que se sabe, porquanto vastamente divulgado pela mídia, é que, mesmo sem ter exercido a magistratura (nunca passou num concurso pra Juiz), foi guindado, por indicação do amigo e então Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, à condição de Ministro do Supremo Tribunal Federal, após rápida passagem pela Advocacia Geral da União.

Se tinha ou não condição “técnica” de dá de conta do recado, pairava uma certa desconfiança, exatamente porque um dos pre-requisitos para o exercício da função seria o “notório saber jurídico”, que nunca pode ser testado e comprovado (afinal, aquela “sabatina” modorrenta e cheia de conveniência no Congresso Nacional, pela qual passam todos os “indicados”, não passa mesmo de jogo de cartas marcadas).

Fato é que, após sentar no “trono”, sua excelência deu-se à prática de declarações extemporâneas, atos e decisões que até os próprios colegas do STF teriam dúvida em compatilhar, tanto no tocante à relação profissional quanto ao comportamento na vida particular.

Profissionalmente, por exemplo, dentre as “n” intervenções questionáveis do próprio, causou espécie e foi objeto de azedas críticas nas diversas áreas e instâncias jurídicas a sua decisão de, em atropelando como um trator desembestado os ritos processualísticos, “desmoralizar” publicamente toda a categoria e principalmente o Juiz Federal Fausto Martin de Sancttis, ao conceder num mesmo dia dois “hábeas-corpus” para tirar da prisão o banqueiro-bandido Daniel Dantas (a “trôco de quê”, é a pergunta que nunca foi respondida; ou alguém acredita mesmo que não existe algo por trás).

Já no campo privado, sua excelência é citado como sendo um dos proprietários do IBDP-Instituto Brasiliense de Direito Público, instituição educacional brasileira, fundada em Brasília em 1998 (governo FHC), que oferece cursos, presenciais e on-line, de pós-graduação, extensão e mestrado na área do Direito. Só que com um enorme diferencial em relação às demais escolas do gênero: entre os professores do IBDP estão mestres e doutores que atuam no cenário jurídico brasileiro, dentre os quais os seus colegas do Supremo Tribunal Fedeal: Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mendes de Faria Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito, Nelson Jobim e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha; ou seja, alguns dos Ministros do Supremo também são funcionários, empregados, prestadores de serviço ou contratados, seja lá como possa ser definida legalmente a relação deles com o IBDP, do ex-Presidente do Supremo.
No mais, sabe-se que, íntimo do senador Demóstenes Torres, sua excelência teria, num passado não muito distante, viajado para a Alemanha em companhia do próprio, existindo a suspeita de que a farra/passeio tenha sido bancada pelo marginal-contraventor Carlos Cachoeira, que teria interesses a tratar com a dupla (longe do Brasil pra eliminar suspeitas).
Gilmar Ferreira Mendes parece ter esquecido (ou sua soberba e arrogância não o deixam enxergar) é que, na posição a que chegou “...não basta ser honesto, é preciso também parecer”. E, pelo andar da carruagem, aí ele não atenderia a nenhum dos requisitos.
Já no que se refere à acusação de que teria sofrido pressão do ex-presidente Lula da Silva sobre a conveniência de usar seu prestígio junto aos seus pares para postergar o julgamento do tal “mensalão” (formalmente desmentida por Nelson Jobim, presente à reunião), aí credite-se à má fé e a desonestidade do panfleto conhecido por Revista VEJA (tudo indica que o Gilmar Mendes não disse o que a VEJA disse que ele disse).     

Alguns escritos poéticos - Maio/20012


aconchego dos teus versos 
Como sustância do dia 
Injetei o sabor da tua melodia 
Nas veias borbulhantes que me destes 
Do riso que tirastes da face seca 
Fez tambor para batucar 
em olhinhos
Chuvosos de alegria
Cantoria de terreiro 
Brotando poesia 
Alumiando o destino guerreiro. 

Alexandre Lucas 

E o vento veio forte 
Como que quisesse me abraça a terra 
o sonho acelerou o medo 
disse que era Oxossi 
com a força da floresta 
nem sei o que é Oxossi 
mas sei que é diferente de oxe
no meio da madrugada tua voz foi minha água 
minha massagem de alma 
e a musica de ninar
que faz o sonho chegar. 

Alexandre Lucas 

Escolhi quebrar as estruturas 
E estourar as bolhas 
Nas quais eu me guardava 
Dançar com o fogo 
Para ressuscitar a alma 
Visitar os bosques 
Conhecer os cheiros 
E apreciar as estéticas florais 
Aprender com o toque que afaga 
E com a distância que aperta. 

Alexandre Lucas

Nega-índia 
Mestiça 
Misturada de saberes 
Mandingueira e caboclinha 
Meu rosário, cobertor e linha 
Frivião de carinhos 
Alimento de ternura 
Cultivo de culturas 
Alinhamentos
Que fazem ninhos. 

Alexandre Lucas 

Quando a saudade bate 
E o desejo sacode a alma 
Emendo a distância com a presença da lembrança 
E monto no lombo das palavras 
Para chegar de longe 
Como sino de capela 
Subtraio os dedos para encurtar os dias
Para nos fazemos jardim poesia. 

Alexandre Lucas

O café chegou cedinho 
Adoçado com doce de palavras
Com gosto de abraço quentinho 
Veio na ginga angolana 
com faca amolada 
para fechar o corpo 
e abrir a encruzilhada 

Alexandre Lucas 

Entre rios e mares
Somos águas
Que se fazem versos 
Para professar desejos 
Levamos pedras e desfazemos barreiras 
para recompomos o nosso itinerário
que deve ter o cheirinho do aconchego de criança 
e os batuques de um sonho libertário. 

Alexandre Lucas

O poema vida 
Embrulhou-se nos lençóis de sonhos
Fez vinda e ida 
Fez trincheira e guarita 
Saiu pedalando sobre as nuvens 
E dançando coco em cima do sol
O poema vida é assim mesmo 
Andarilho e guerreiro 
Traquino, inesperado
Que sai dobrando vidro 
e perfumando os caminhos com lavanda de primavera.

Alexandre Lucas

Que venha a guerrilheira com seus molotovs de ternura 
Com sua artilharia de revolução 
Com seu traquejo assanhado 
Com seu batuque afinado 
Para festejar o coração 
Que venha de Catirina
Para brincar no terreiro
E levantar purina
Que venha com asas libertárias
Para debulhar os céus
E cambalhotear 
Num mar e sacolejar os véus. 

Alexandre Lucas

O poeta joga a parede de concreto 
Cacos, traços e poeira se espalham 
E a alfaia anuncia a morte adulterada da verdade
E a poesia se refaz assanhada e doce
Inquieta e guardiã 
Nas brechas do asfalto do coração 
Brota cheiro, flor e canção 
Cumplicidade, lealdade e liberdade 
E um jarrinho de saudade
Esperando o calor do teu compasso 
E a água do teu abraço. 

Alexandre Lucas

Estou em dilúvio de ternura
Saciando  da maça de uma nova aurora
Compondo mistura
Num guisado instigado
De um tempero aprovado 
Com perfume encantado
Sigo alumiado
O rastro enfeitiçado
Que me embrulha para os teus braços.

Alexandre Lucas   

Rasgo-me de felicidade 
Quando tem tempestade de flores
E frutos de palavras doces 
Nado como golfinho 
Nos teus mares de prazer 
Trago o teu cheiro impregnado nos meus sonhos
e o teu olhar massageando o meu. 

Alexandre Lucas

Queria um buquê de mãos
Para cheirar e sentir 
A companhia catirina e companheira 
O gingado de olhos 
E o canto indecifrável de prazer
Depois queria o aconchego da luta, 
O carinho das palavras 
e um carrossel de sonhos. 

Alexandre Lucas

Teus versos
Engatilharam tiros
E dispararam sabores
E atrevido
Coloquei-me estendido
No centro do alvo
Intensamente aberto
Prazerosamente perfurável
E coloridamente florido
Para receber o alvejar das tuas balas
E o despertar de um coração adormecido.   

Alexandre Lucas

E as roupas se espalharam
Enquanto os  corpos se unificavam
E  mãos se transbordavam em tochas de prazer
Tecendo orações e ladainhas de desejos
Em louvor  de santa Eva
A bendita pecadora
Dos infinitos livramentos
 que com sua boca deliciosa
nos ensinou todos os  mandamentos.

Alexandre Lucas 

O meu tempero tem gostinho
De sabor irreconhecível
Tem cheiro de floresta
 e som de neblina, cantoria de trovão.
Tem feitiço, mandinga e revolução
Tem o preparo em panela de nuvens
Para ninar a alma com versinhos de céus.

Alexandre Lucas

O artista toca fogo no sol
Incendeia os mares 
Desenha uma maçã, pinta de azul e come
Veste um paletó de nudez 
E arregalas os olhos 
Escancara desesperadamente um sorriso
Faz cara de triste
Senta no vaso sanitário e canta alegremente 
Toma banho de chocolate 
Acorrenta-se com um rosário
e diz isso não é normal. 

Alexandre Lucas

Perseguirei os sonhos 
De jeito intenso 
Como os raios solares
Buscarei atingir a lua 
E o brilho caleidoscópico das estrelas 
Hoje sou fábrica de desejos
Fabrico a vida 
Com o toque dos nossos sonhos

Alexandre Lucas

Queria um buquê de mãos
Para cheirar e sentir 
A companhia catirina e companheira 
O gingado de olhos 
E o canto indecifrável de prazer
Depois queria o aconchego da luta, 
O carinho das palavras 
e um carrossel de sonhos. 

Alexandre Lucas

Nega dos maracás e das alfaias 
dos tambores encantados 
que benze meus desejos 
com teus acalentos sonoros 
meu som avexado 
e meu canto de ninar
Mulher dos toques e batuques
Que faz meu pensamento dançar... 

Alexandre Lucas
  

Gilmar Incendeia Sentimentos? - José do Vale Pinheiro Feitosa

Menos pessoal. Menos. Não precisa odiar o Lula só por ele ter levado pobres para as gôndolas dos supermercados. Por não ter mais aquela mão-de-obra por um prato de comida ou uma camisa de segunda. Não precisa achar que o PT é o último ato da política e que depois dele só uma nova ditadura.
A democracia é para todos e mesmo que coloquemos as opiniões individuais sobre o conjunto da sociedade, não precisa se tornar uma falange perseguindo quem pensa diferente. O vírus do golpe e da violência está aninhado em alguns corações. É a minoria, mas é preciso reconhecer que ela existe.

Por exemplo, hoje há um discurso hegemônico nos editorais das grandes corporações de comunicação, mas simultaneamente nas redes sociais e nos blogs o debate flui de modo plural. Alguns com muito desrespeito e mais virulência do que ideias, mas o conteúdo maior é a pluralidade.

Então vou dar uma opinião. Quem puder que leia a íntegra da entrevista dada ontem em Manaus pelo Ministro Gilmar Mendes do STF. Em momento algum ele afirma ter Lula o chantageado e pedido o adiamento do Mensalão como saiu na reportagem da Veja. Ao contar a ocorrência das conversas com Lula a versão dele é muito mais de conclusões próprias do teor das conversas do que propriamente um fala do ex-presidente.

Fica evidente na reportagem da revista Veja que Gilmar Mendes estava convicto que alguma ameaça recaia sobre ele por conta da sua proximidade com Cachoeira a partir da relação dele com Demóstenes. O teor da Veja é um surto persecutório do Ministro e a entrevista de ontem uma fabulação sobre a conversa que teve com Lula.

Ainda não dei opinião, mas agora vou. O Gilmar Mendes será um Ministro impedido no julgamento do Mensalão. Ele já anunciou o seu voto na matéria da Veja e na entrevista. Ele até editorou o julgamento que dará. Se existe alguém de bom senso entre os processados vai entrar com esta questão no STF.  
   
Por último sobre o Estado Policial que ele denuncia. Ele pode até citar procedimentos incorretos e pedir punição para quem os pratica. Não pode é negar a investigação para subsidiar o julgamento do Poder Judiciário quando apresenta ilações sem qualificar os eventos. Por exemplo, a magistratura não invalidou a Operação Sathiagraha que decorreu de uma investigação? Muitos brasileiros não gostaram desta decisão, mas continua valendo, comprovando que estamos num Estado de Direito Democrático.

Sem investigação policial estamos retornando ao Estado Monárquico em que o juiz é a mesmo tempo senhor do antes, do agora e do depois.   



Porque acho que não devo fazer exercícios físicos – por José Almino Pinheiro

 Há pouco tempo precisei fazer a renovação da carteira de habilitação. Além dos exames de saúde em geral, como os de vista, pressão sanguínea, me deparei com a exigência de fazer um exame estranho: o da bicicleta ergométrica! Me recusei a fazer tal disparate e, claro, seria reprovado. O cardiologista, curioso, provocou-me, queria saber as razões da minha recusa já que pagaria preço tão alto, ficando impedido de dirigir carros. Afirmei que o motivo era simples, queria viver muito! Minha família é de longevos, nenhum deles atleta. Disse também que acreditava em Darwin, e nas leis de Deus, já que foi o criador da natureza. Leis que por sinal ainda não foram revogadas, não ia desobedecê-las, não ia pôr em risco essa oportunidade hereditária. Lembrei que os próprios médicos prescrevem repouso e não exercícios para doentes. A internet está cheia de argumentos sérios e brincadeiras a respeito do assunto. Disse que acreditava e considerava os mais sensatos. Comentei que animais em geral não fazem exercícios, apenas no começo da vida treinam e exercitam movimentos e técnicas necessárias à sua sobrevivência.

Na natureza, excluindo seus predadores, o esforço físico que os animais realizam, desprendendo enorme quantidade de energia na obtenção de alimentos, faz com que, geralmente, vivam pouco em relação aos mesmos similares nos zoológicos. Os animais que vivem nos zoos de primeira linha, não precisam se preocupar com alimentos. Desfrutam de alimentação adequadamente balanceada por especialistas e possuem planos de saúde integral, vivem em média o dobro dos seus irmãos que se exercitam livremente nas florestas. Nunca ouvi falar, nem nunca vi, animais fazendo algo parecido com malhação, Cooper ou outro tipo de correria ou andanças, ao contrário, quando comem bem vão dormir. Não são loucos de gastar energia a toda hora a troco de nada. É uma das leis básicas da natureza em ação: a lei da conservação da energia. Lei apresentada pela primeira vez, em 1842, pelo Dr. Julius Robert Mayer que disse o seguinte: "Quando uma quantidade de energia de qualquer natureza desaparece numa transformação, então se produz uma quantidade igual em grandeza de uma energia de outra natureza”. O físico Max Planck em 1887 demonstrou o conceito de forma mais compreensível: “A energia total (mecânica e não mecânica) de um sistema isolado, um sistema que não troca matéria e/ou energia com o exterior, mantém-se constante”. O problema é que o nosso corpo não é um sistema fechado, portanto a energia duramente adquirida nos processos digestivos é liberada principalmente pelo calor gerado pela necessidade de nos manter vivos. A liberação dessa energia afeta diretamente a massa envolvida. O balanço energético dos seres vivos é negativo. Se o corpo libera energia e dejetos, não é um sistema fechado, significa que a massa do corpo e seus mecanismos vão para o beleléu.

Na Bíblia quase não há referências diretas a exercícios físicos, talvez a mais famosa passagem seja a de Timóteo 1 4:8 que nos informa: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”. Não condena, apenas desqualifica, o que nos faz pensar que, dito por Paulo e citado na Bíblia, passa a ser uma grande negativa ao exercício físico. Claro que naquela época todo mundo caminhava muito, o que pode ser enquadrado como parte da necessidade de sobrevivência. Nos escritos antigos as referências que encontrei a exercícios físicos, quase sempre fica para lutadores, gladiadores ou artistas de circo, esses além de minorias, morriam cedo. Os soldados comuns dos exércitos da antiguidade, geralmente eram agricultores convocados  na zona rural. Porque então essa loucura de malhação, corridas, academias? Fico admirado em ver multidões fantasiadas de atletas, suando nas academias e correndo por ai. Mas logo depois se enchem de picanhas, sanduíches e pizzas tais. As multinacionais de equipamento esportivo agradecem. Nunca dizem o óbvio: só se engorda ou emagrece pela boca.

No final, recebi o diagnóstico com restrições e severo acompanhamento da pressão arterial, e com ele a carteira de habilitação renovada.  

Recife, 23 de maio de 2012 




segunda-feira, 28 de maio de 2012

A República Arde - José do Vale Pinheiro Feitosa

Nesse final de semana o incêndio entre oposição e situação entrou em labaredas francas. A composição da oposição tem um ator principal formado pelos grupos Abril da revista Veja, o Estado de São Paulo, o grupo Folha e o sistema Globo de Comunicação e alguns atores secundário como o PSDB e o DEM. A situação tem a enorme força do Governo e de uma Presidenta com apoio popular, o PT e um grupo fluido de partidos que se alinham a qualquer governo. 

Ora isso na democracia é assim mesmo, um grupo ataca, o outro contra-ataque, o debate acontece, a sociedade se mobiliza e em boa situação de temperatura e pressão o debate evolui para um patamar superior. Isso tem sido a principal mecânica das democracias modernas e é tudo que ela oferece de superior a qualquer outro regime. 

Aqui no Brasil a mecânica não tem sido diferente só que as posições estão se acirrando. O que antes seria o jogo entre oposição e situação mudou de tom com as declarações de Gilmar Mendes, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, para a revista Veja nesse fim de semana. Lula hoje é um cidadão comum não tem cargo nenhum a perder, mas tem uma posição política sui generis no país e até mesmo no cenário mundial. É um dos líderes mundiais desta década. 

Não sei como vocês tomaram conhecimento do assunto, mas até onde cheguei parecia que o encontro entre Lula e Gilmar Mendes tinha acabado de acontecer e ele de tão indignado correu para páginas oposicionistas. Mas que nada. O fato se deu há um mês passado, está posto em cheque pois a testemunha do encontro, Nelson Jobim nega o que Gilmar disse. 

Realmente os grupos de mídia oposicionistas falam muito mal da situação da Venezuela, mas passaram para um patamar de conflito unilateral uma vez que por aqui não tem nenhuma liderança como Chávez provocando em resposta e se dirigindo diretamente ao povo. A posição unilateral da mídia, ocupando o espaço político dos partidos, ao invés de tratar da notícia, levou o debate político necessariamente para ela. 

A revista Veja está sob observação da CPMI, assim com a revista Época da Globo e atiram em resposta com toda virulência que extraíram da unilateralidade política do seu comportamento. Ao invés de discutir a sociedade, a politica, o governo e a economia querem liderar uma visão de mundo que sirva aos seus próprios interesses. Se afastando do ambiente público se tornam parte da disputa. Espera-se que a CPMI radicalize suas posições de ambos os lados nesta semana. 

Não se sabe ainda onde vai parar, mas já ficou nítido nesta semana que o tais grupos de comunicação pretendem criar uma barafunda pública a ponto de melar a CPMI. Isso comprova que a verdade fática parece se encontrar na investigação da Polícia Federal sobre o caso Cachoeira. E esta verdade é que os grupos de comunicação ultrapassaram todas as regras da conveniência política e pública. Sujaram a democracia.

domingo, 27 de maio de 2012

Por que mudou ??? Mudou por quê ??? - José Nilton Mariano Saraiva

"NÃO HÁ COMO DAR PERDÃO A CACHOEIRA PORQUE A LEI EXIGE QUE O RÉU, PARA QUEM SE PROPÕE O PERDÃO, TENHA COLABORADO NO DESVENDAMENTO DA CAUSA” (Márcio Thomaz Bastos, em 2004, quando ministro da Justiça, no escândalo Waldomiro Diniz).
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Hoje, o Márcio Thomaz Bastos figura como o principal defensor do Cachoeira, de quem receberá “apenas” 18 (dezoito) milhões de reais(dinheiro da contravenção, não nos esqueçamos). Prá você, aí do outro lado da telinha, quem mudou: o Cachoeira ou mudou o Thomaz Bastos ??? Todo homem tem mesmo seu preço ???