por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 27 de maio de 2012

Onde vamos parar ??? - José Nilton Mariano Saraiva

Se alguém tinha dúvida a respeito da "periculosidade" do tal Cachoeira, taí mais uma denúncia (abaixo) - seríssima - de alguém da credibilidade de um Luis Nassif. E, agora, revelando sem nenhum receio, a participação desassombrada, no "esquema" criminoso, de ninguem menos que um ministro do Supremo Tribunal Federal, o arrogante Gilmar Mendes. 
Agora, reflitam sobre o perigo que nos rondou(a): uma revista de circulaçao nacional (VEJA), a principal rede de televisão do país (GLOBO), um jornal com uma certa tiragem (Folha de São Paulo), um ministro do STF (Gilmar Mendes), um senador da república (Demóstenes Torres), todos a serviço e comandados por um marginal abusado (Carlos Cachoeira) disposto a pagar qualquer preço (com dinheiro da contravenção) a fim de derrubar um governo democraticamente constituído,  a fim de colocar os integrantes da sua quadrilha em postos chaves da nação (lembremo-nos que ao Demóstenes Torres já estava prometido uma vaga no Supremo). E agora um reforço de peso foi contratado a peso de ouro, com o dinheiro da contravenção: o ex-ministro do governo - Marcio Thomaz Bastoso. 
E o pior é que, quando chamados a depor numa CPI, os "coitadinhos" se valem e se escudam na própria Constituição Federal, a fim de se manterem calados. 
A quem recorrer, se até o Poder Judiciário já mostrou se achar contaminado ??? Onde vamos parar ???

José Nilton Mariano Saraiva 



À medida em que as peças do quebra-cabeça Cachoeira vão se juntando, vislumbra-se um quadro inédito na história do país. Tão inédito que ainda não caiu a ficha de parte relevante da opinião pública e, especialmente, do Judiciário. O desenho que se monta é uma conspiração contra o Estado brasileiro (não contra o governo Lula, especificamente), através de três vértices principais.
Havia o chefe de quadrilha Carlinhos Cachoeira. Sua principal arma era a capacidade de plantar matérias e escândalos, falsos ou verdadeiros, na revista Veja – o outro elo da corrente.
Durante algum tempo, graças ao Ministro Gilmar Mendes, seu principal operador – o araponga Jairo Martins – monitorou o sistema de telefonia do Supremo. E Cachoeira dispunha da revista Veja para escandalizar qualquer conversa, fuzilar qualquer reputação.
Essa é a conclusão objetiva dos fatos revelados até agora.
O que não se sabe é a extensão das gravações. Veja demonstrou em várias matérias – especialmente no caso Opportunity – seu poder de atacar magistrados que votavam contra as causas bancadas pela revista.
A falta de discernimento das denúncias, o fato da revista escandalizar qualquer conversa, a perspectiva de virar capa em uma nova denúncia da revista, seria capaz de intimidar o magistrado mais sólido.
A dúvida que fica: qual a extensão das conversas do STF monitoradas e gravadas por Jairo? Que Ministros podem ter sido submetidos a ameaças de denúncia e/ou constrangimento?
Gilmar colocou a mais alta Corte do país ao alcance de um bicheiro.

Um som guardado/quebrado


Uma linha na mão
Um traço no chão
Caminhar e prosseguir
Depois de tanto cair
Um sonho a viver
E por fim morrer
Se a flor não desabrochou
É porque algo faltou
Ferimento por dentro
Irá cicatrizar em um novo momento
Rosemary Borges Xavier

Tristeza do Zé – Zé Miguel Wisnik / Luiz Tatit


Tristeza do Zé – Zé Miguel Wisnik / Luiz Tatit

"Melodia de inspiração sertaneja que eu passei para o Luiz Tatit já com os dois versos iniciais e com o título, brincando com a 'Tristeza do Jeca' de Angelino de Oliveira. A letra foi sendo feita num diálogo entre partes de um e partes de outro." (Zé Miguel Wisnik)

 ‘té que foi tão bom fugir e te esquecer
não saber mais nem notícia de você
com a tristeza consegui me entender
com a saudade conviver
e com a dor não me doer

mas aos poucos tive que reconhecer
que a tristeza não parava de crescer
tomou conta da cidade e do país
tudo que é melancolia
dizem que fui eu que fiz

é só chorar
em palmas, teresina ou jequié
já vão avisar
que a origem é a tristeza lá do zé

já não quero nem lembrar que te esqueci
não sabia que a tristeza era assim
que ela segue seu caminho até sem mim
não tem pouso nem tem fim
se deixar vai invadir

evitar de se espalhar bem que tentei
mas também não é só comigo, eu reparei
a tristeza é todo mundo e é de ninguém
a tristeza ‘tá no fundo
da tristeza eu sou o rei

chorar chorar
no crato, em cachoeiro e macaé
já vão avisar
que a origem é a tristeza lá do zé

já não quero nem lembrar que te esqueci
não sabia que a tristeza era assim
que ela segue seu caminho até sem mim
não tem pouso nem tem fim
se deixar vai invadir

evitar de se espalhar bem que tentei
mas também não é só comigo, eu reparei
a tristeza é todo mundo e é de ninguém
a tristeza ‘tá no fundo
da tristeza eu sou o rei

então valeu
brasília diamantina e taubaté
canção leva eu
vem nas asas da tristeza quem quiser
matão belém
são paulo maringá chuí bagé
canção leva eu
vem nas asas da tristeza quem quiser
vem nas asas da tristeza quem quiser
vem nas asas da tristeza azul do zé

Zé Miguel Wisnik / Luiz Tatit

sábado, 26 de maio de 2012

Recordações- por Ignês Olivieri



Estava eu sem fazer nada em casa nessas férias e então resolvi visitar com alma de saudosista o bairro onde passamos parte da nossa infância, o Engenho de Dentro.

Peguei o ônibus 606 e como não pago passagem fica mais "prazeiroso" o passeio. Desci em frente ao Super Mercado Guanabara que eu não conhecia ainda e fiz algumas comprinhas leves (mulher adora supermercados). Como fica quase no começo da Rua Adolfo Bergamini, perto da linha do trem, resolvi voltar a pé para recordar um pouco e voltar a ver a casa onde morávamos, número 275.

Há alguns anos estive lá como já lhe contei e ela era uma escolinha. Entrei e visitei a casa onde alguns cômodos, como os quartos, eram salas de aula. Era tudo bem conservado, quase sem modificações, até a ampla cozinha, onde mamãe passava a maior parte do tempo estava lá daquele mesmo jeitinho com a janela aberta para o quintal cheio de árvores e então me transportei para o passado durante alguns minutos.

Hoje quando passei em frente ao 275 fiquei triste. A casa me parece abandonada ou com moradores sem capricho. Não é mais uma escolinha.

O que mais me chamou a atenção foram os portões que são os mesmos de quando morávamos lá. há + ou - 60 anos. Estão enferrujados e pixados por vândalos, mas são os mesmo. Sabe Rogério, acho que até a corrente é a mesma com cadeado e os elos grossos e pesados, os mesmos elos que faziam barulho quando você "fugia"...
O tempo também a deixou toda enferrujada e acho que se o portão ainda é o mesmo, a corrente também pode ser a mesma.

A varanda continua lá com alguns poucos azulejos portugueses originais. O piso mudou, passaram uma espécie de vermelhão por cima do piso português, imagina!

A entrada de carro, está diferente como se vê na foto. À direita da entrada, mamãe tinha um jardinzinho perto do muro em toda extensão.Sumiu com a camada de cimento.

Não pude entrar dessa vez mas já fiquei satisfeita vendo um pedacinho da nossa história de vida mesmo com as marcas do tempo evidentes.
Mas nós também estamos marcados pelo tempo...


Ignez.

Dadá - José do Vale Pinheiro Feitosa


Acabo de chegar da rua onde encontrei uma situação humorística. Vinha pela Rua João Pessoa, quase em frente à Siqueira Campos e encontrei meu amigo Mitonho quase que discursando para o grupo com quem conversava. Com voz de amplificadora ele repetiu muitas vezes o seu desejo: Eu quero mesmo é ser o Dadá!

Fiquei tonto. Mitonho estava com curto circuito no juízo. Há quanto tempo não se ouve falar no Dadá Maravilha. O Peito de Aço que desapareceu nas brumas do tempo e do esquecimento relâmpago da mídia.

Qual o quê? O Dadá era outro. Soube pela voz tonitruante do próprio Mitonho.

Dadá, o Idalberto Matias Araújo, o “grampeiro” mor da lama brasiliense. Dizia Mitonho: “O homem é pau para toda falcatrua. Descobriria até o Segredo de Fátima. Serviu ao SNI, à polícia, a político de “a” a “z”, bicheiro, trambiqueiro. O homem tem um prestígio danado! Ele é como um camaleão: é espião, grava grampos, ele mesmo distribui, é repórter das revistas e televisões mais importantes do Brasil, participa de complôs e de tanta coisa por dinheiro que até o pai eterno duvida.

Eu de boca aberta por Mitonho saber tanta coisa assim de um personagem que nós aqui no Crato nem fixamos o nome. Mas Mitonho continuou com seu palavrório em metralha: Dadá serviu ao Amaury Junior para descobrir as falcatruas contra a Campanha da Dilma e era o primeirão na ocasião de derrubar ministro. Dadá este homem de tantos patrões e tantos serviços é a pessoa mais importante do Brasil.

Menos Mitonho. Menos! Tem coisa muito pior. Quando se descobre um bueiro de esgoto e o cheiro toma conta do ambiente, esse não é o cheiro pior, tem odores muito mais penetrantes e fétidos. Você viu esse Amaury Junior? Leu o livro dele sobre a Privataria das estatais. Rapaz pense num cheiro de queimar a alma.

Pode ficar calado! – Mitonho está com a macaca mesmo – Eu sei de toda a sacanagem dos paraísos fiscais, das empresas fantasmas e da lavagem de dinheiro. Sou eu quem tem o quê dizer. Você pode confiar em mais alguém? Não! Desde os tempos da bíblia os trinta dinheiros arrebata até a alma do sujeito. Veja este Dr. Tomás Bastos,  que foi ministro da Justiça, pode? Que coisa mais sem medidas: agora aparecer ganhando um mar de dinheiro defendendo o sujeito que fu* com o Estado. Ameaçou autoridades, roubou, enriqueceu e não pagou nada de imposto de renda. A renda anual declarada pelo Cachoeira é menor do que a tua: 23 mil reais. Menos de dois mil por mês. E o doutor salta do mister da Justiça do Estado para ajudar a quem desmoralizou o Estado? Será que vai trabalhar de graça para este pobre que merecia a defensoria pública? Sinceramente eu olho para as coisas do mundo e só me vem as imagens terríveis das aves de rapina ou dos animais carniceiros!

Olhei de lado e vi a placa da Linea Office: qualidade e bom gosto que você merece. Taí uma rápida escapadela da radiadora de Mitonho.       

Convite!


domingo
08:00

Praça Cristo Rei / Francisco Sá / Praça da RFFSA / Praça dos Pombos
A partir das 8h da manhã

Haverá permuta e venda de máquinas de escrever, discos de cera e vinil, vitrolas, câmeras fotográficas analógicas, eletrodomésticos de época, móveis do tempo da vovó, cartazes de filmes e livros antigos.

Abrilhantando a primeira edição da Feira, ocorrerá a EXPOSIÇÃO DE AUTOMÓVEIS e de RÁDIOS ANTIGOS pertencentes a colecionadores da Região.

Vale também trazer aquele disco velho do fundo do baú e
outros objetos empoeirados e esquecidos no quarto dos fundos.


"Você que curte o retrô e o vintage poderá agora desfrutar de um
novo espaço no Cariri para apreciar e negociar artigos, obras e
peças antigas.

Será lançada no próximo domingo, 27 de maio, a Feira de
Antiguidades O RELICÁRIO, a partir das 8 horas, na praça Francisco
Sá (Pça dos Pombos, “Cristo Rei”) sob a sombra de árvores centenárias.

Haverá permuta e venda de máquinas de escrever, discos de cera e
vinil, vitrolas, câmeras fotográficas analógicas, eletrodomésticos de
época, móveis do tempo da vovó, cartazes de filmes e livros antigos.

Abrilhantando a primeira edição da Feira, ocorrerá a EXPOSIÇÃO DE
AUTOMÓVEIS e de RÁDIOS ANTIGOS pertencentes a colecionadores da
Região. Vale também trazer aquele disco velho do fundo do baú e
outros objetos empoeirados e esquecidos no quarto dos fundos.

Sabe o disco com lado A e lado B que você nunca mais ouviu na
vitrola, com aquele chiado característico? Pois, vai rolar um disc
jockey das antigas para você degustar o melhor da música de todos
os tempos. Traga também seu LP predileto para animar o domingo.

Imperdível! Venha e participe desse encontro retrô na praça. Convide
seus familiares e amigos.


FEIRA DE ANTIGUIDADES – “O RELICÁRIO”
Onde: Pça Francisco Sá (Cristo Rei), em frente à RFFSA, Crato-CE
Quando: 27-maio-2012 (domingo), a partir das 8 h da manhã
Realização: Antiquarius do Kariry / Prefeitura Municipal do Crato
Produção: Cláudio Reis
Apoio: Livraria Sebo Kariri / Secretaria de Meio Ambiente e Controle Urbano do
Município do Crato
Mais informações: claudioreis_@hotmail.com – (88)9939.5377


https://www.facebook.com/profile.php?id=100002164438800
Claudio Reis

...Depois, lá em casa


 




Existia um pedaço de lua no copo de cada um
Existia o violão de Abidoral
E o sax de Nicodemos
Existia a vontade de escutar, cantar, lembrar...
Noite de sexta
Colar de amigos
-Festa do improviso...
Tudo perfeito!

Ontem, na praça...

Salatiel, Zé Flávio, Fabiana,Jorge e Rogério

Festa de Aniversário do "Rapadura Cultural". Fim de tarde com amigos unidos pela música e alegria. Escutar Hildelito Parente ,Abidoral Jamacaru, Salatiel, Nicodemos, Batista, e tantos outros- foi demais!!!
Parabéns, Jorge!
Você é acendedor da nossa luz cultural!

1964: Golpe Militar a serviço do Golpe de Classe Leonardo Boff- Colaboração de Altina Siebra



Teólogo, filósofo e escritor
Fonte: Adital, 22/05/12

O objeto da Comissão da Verdade deve sim, tratar dos crimes e dos desaparecimentos perpetrados pelos agentes do Estado ditatorial. É sua tarefa precípua e estatutária. Mas não pode se reduzir a estes fatos. Há o risco de os juízos serem pontuais. Precisa-se analisar o contexto maior que permite entender a lógica da violência estatal e que explica a sistemática produção de vítimas. Mais ainda, deixa claro o trauma nacional que significou viver sob suspeitas, denúncias, espionagem e medo paralisador.
Neste sentido, vítimas não foram apenas os que sentiram em seus corpos e nas suas mentes a truculência dos agentes do Estado. Vítimas foram todos os cidadãos. Foi toda a nação brasileira. Para que a missão da Comissão da Verdade seja completa e satisfatória, caberia a ela fazer um juízo ético-político sobre todo o período do regime militar.
Importa assinalar claramente que o assalto ao poder foi um crime contra a constituição. Configurou uma ocupação violenta de todos os aparelhos de Estado para, a partir deles, montar uma ordem regida por atos institucionais, pela repressão e pelo estado de terror.
Bastava a suspeita de alguém ser subversivo para ser tratado como tal. Mesmo detidos e sequestrados por engano como inocentes camponeses, para logo serem seviciados e torturados. Muitos não resistiram e sua morte equivale a um assassinato. Não devemos deixar passar ao largo, os esquecidos dos esquecidos que foram os 246 camponeses mortos ou desaparecidos entre 1964-1979.
O que os militares cometeram foi um crime lesa-pátria. Alegam que se tratava de uma guerra civil, um lado querendo impor o comunismo e o outro defendendo a ordem democrática. Esta alegação não se sustenta. O comunismo nunca representou entre nós uma ameaça real. Na histeria do tempo da guerra-fria, todos os que queriam reformas na perspectiva dos historicamente condenados e ofendidos –as grandes maiorias operárias e camponesas– eram logo acusados de comunistas e de marxistas, mesmo que fossem bispos como o insuspeito Dom Helder Câmara. Contra eles não cabia apenas a vigilância, mas para muitos a perseguição, a prisão, o interrogatório aviltante, o pau-de-arara feroz, os afogamentos desesperadores. Os alegados "suicídios” camuflavam apenas o puro e simples assassinato. Em nome do combate ao perigo comunista, se assumiu a prática comunista-estalinista da brutalização dos detidos. Em alguns casos se incorporou o método nazista de incinerar cadáveres como admitiu o ex-agente do Dops de São Paulo, Cláudio Guerra.
O grande perigo para o Brasil sempre foi o capitalismo selvagem. Usando palavras de Capistrano de Abreu, nosso historiador mulato, "capou e recapou, sangrou e ressangrou” as grandes maiorias de nosso povo.
O Estado ditatorial militar, por mais obras que tenha realizado, fez regredir política e culturalmente o Brasil. Expulsou ou obrigou ao exílio nossas inteligências e nossos artistas mais brilhantes. Afogou lideranças políticas e ensejou o surgimento de súcubos que, oportunistas e destituídos de ética e de brasilidade, se venderam ao poder ditatorial em troca benesses que vão de estações de rádio a canais de televisão.
Os que deram o golpe de Estado devem ser responsabilizados moralmente por esse crime coletivo contra o povo brasileiro.
Os militares já fora do poder garantiram sua impunidade e intangibilidade graças à forjada anistia geral e irrestrita para ambos os lados. Em nome deste status, resistem e fazem ameaças, como se tivessem algum poder de intervenção que, na verdade é inexistente e vazio. A melhor resposta é o silêncio e o desdém nacional para a vergonha internacional deles.
Os militares que deram o golpe se imaginam que foram eles os principais protagonistas desta façanha nada gloriosa. Na sua indigência analítica, mal suspeitam que foram, de fato, usados por forças muito maiores que as deles.
René Armand Dreifuss escreveu em 1980 sua tese de doutorado na Universidade de Glasgow com o título: 1964: A conquista do Estado, ação política, poder e golpe de classe (Vozes 1981). Trata-se de um livro com 814 páginas das quais 326 de documentos originais. Por estes documentos fica demonstrado: o que houve no Brasil não foi um golpe militar, mas um golpe de classe com uso da força militar.
A partir dos anos 60 do século passado, se formou o complexo IPES/IBAD/GLC. Explico: o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD) e o Grupo de Levantamento de Conjuntura (GLC). Compunham uma rede nacional que disseminava ideias golpistas, composta por grandes empresários multinacionais, nacionais, alguns generais, banqueiros, órgãos de imprensa, jornalistas, intelectuais, a maioria listados no livro de Dreifuss. O que os unificava, diz o autor "eram suas relações econômicas multinacionais e associadas, o seu posicionamento anticomunista e a sua ambição de readequar e reformular o Estado”(p.163) para que fosse funcional a seus interesses corporativos. O inspirador deste grupo era o General Golbery de Couto e Silva que já em "em 1962 preparava um trabalho estratégico sobre o assalto ao poder” (p.186).
A conspiração, pois estava em marcha, há bastante tempo. Aproveitando-se da confusão política criada ao redor do Presidente João Goulart, tido como o portador do projeto comunista, este grupo viu a ocasião apropriada para realizar seu projeto. Chamou os militares para darem o golpe e tomarem de assalto o Estado. Foi, portanto, um golpe da classe dominante, nacional e multinacional, usando o poder militar.
Conclui Dreifuss: "O ocorrido em 31 de março de 1964 não foi um mero golpe militar; foi um movimento civil-militar; o complexo IPES/IBAD e oficiais da ESG (Escola Superior de Guerra) organizaram a tomada do poder do aparelho de Estado” (p. 397). Especificamente afirma: "A história do bloco de poder multinacional e associados começou a 1º de abril de 1964, quando os novos interesses realmente tornaram-se Estado, readequando o regime e o sistema político e reformulando a economia a serviço de seus objetivos” (p.489). Todo o aparato de controle e repressão era acionado em nome da Segurança Nacional que, na verdade, significava a Segurança do Capital.
Os militares inteligentes e nacionalistas de hoje deveriam dar-se conta de como foram usados por aquelas elites oligárquicas que não buscavam realizar os interesses gerais do Brasil; mas, sim, alimentar sua voracidade particular de acumulação, sob a proteção do regime autoritário dos militares.
A Comissão da Verdade prestaria esclarecedor serviço ao país se trouxesse à luz esta trama. Ela simplesmente cumpriria sua missão de ser Comissão da Verdade. Não apenas da verdade de fatos individualizados; mas, da verdade do fato maior da dominação de uma classe poderosa, nacional, associada à multinacional, para, sob a égide do poder discricionário dos militares, tranquilamente, realizar seus propósitos corporativos de acumulação.
Isso nos custou 21 anos de privação da liberdade, muitos mortos e desaparecidos e de muito padecimento coletivo.

[Leonardo Boff é teólogo, filósofo, membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra e escritor].
--

Dorival da Silva Almeida
fones:81 34292773,81 34392730

Rochel - Anjo do dia- 27.05



Anjo Rochel

Este anjo ajuda a encontrar os objetos
desaparecidos. Influencia na obtenção de
renome, fortuna e sucesso na economia,
política e justiça. Quem nasce sob esta
influência será dotado de força e energia,
sempre atuando de forma benéfica com
os mais próximos. Tem forte ligação
familiar e dá muita importância aos laços
de parentesco e amizades. Possui um
magnífico gênio inventivo podendo criar
meios que beneficiem a vida humana.
Tem uma forte missão que cumprirá com
sucesso. Grande capacidade de participar
dos problemas das pessoas amadas,
procurando sempre uma forma de
solucioná-los, conquistando, assim, os
grandes tesouros espirituais. Dotado de
forte intuição, que se manifesta através de
sua inteligência analítica, é totalmente
desligado dos impulsos das tentações
materiais. Tem facilidade de adaptação e
grande vontade de aprender, jamais
desistindo de seus objetivos. Nunca se
sente amedrontado ao enfrentar novas
provas. Lutador, estará sempre disposto
a enfrentar desafios. Poderá ser um
grande economista, advogado, juiz, político
ou trabalhar com comércio exterior. Grande
orador, seu talento estará a serviço das
boas causas.

Número de sorte: 12

Mês de mudanças: dezembro

Horário: das 22:40 às 23:00 horas

Salmo: 15





sexta-feira, 25 de maio de 2012

Pela Vitória da Democracia Inclusiva no Crato - José do Vale Pinheiro Feitosa


E por falar nas próximas eleições no município de Crato? Abre-se uma esperança enorme que o esperado que nunca chegou afinal chegue à nossa estação com a doçura da rapadura e muito ferro para resistir à pressão de um verdadeiro gigante adormecido. Venha com a vontade do povo, sem preguiça, aqueles finais de semana prolongados de dolce far niente em ensolaradas praias.  

Que tenha o espírito do seu tempo e sinta o pulso histórico deste município que é fundamental para a unidade do Cariri. Que não se limite a terceirizar as políticas públicas e seja, ele mesmo, os olhos do povo junto à máquina burocrática que deve servir ao povo. Que convoque o funcionalismo municipal para o peso das responsabilidades que lhes cabem como construtores do bem público.

Educação, Saúde, Meio Ambiente e Cultura em igual importância, com políticas articuladas entre si visando fazer mais com o mesmo e acelerar resultados no tempo de realização. O espírito do tempo é este que amanheceu e está acordado, que ultrapassou os limites do círculo de giz que pensava não poder ultrapassar e, no entanto, era uma falsa prisão. Apenas um risco no chão.  

Comprimento o espírito do tempo da minha cidade. Este sentido libertário do nosso povo. A reconstrução otimista de uma nova realidade do cotidiano dos cidadãos. Sem os passos pesados do abandono, do difícil acesso, do pouco para alguns e do nada para todos. O espírito do tempo como vontade de construir, liderar, ser norte e ao mesmo tempo o revisor dos próprios passos e crítico de suas próprias ações.

O professor universitário, crítico e literário Alfredo Bosi falando sobre o lugar das ideologias disse assim: “Durante o século XVIII, início do XIX, o nascente poder liberal conviveu sem pudor com a escravidão.” Mais adiante ao falar do movimento revolucionário francês e do americano, que forçaram um novo pensamento no seio dos liberais ele diz, ao comentar a lei do ventre livre: “A batalha foi renhida, pois a liberdade dos nascituros acabaria sendo o divisor de águas de dois liberalismos em oposição: o excludente, escravista e o democrático, abolicionista”.

Eis o espírito do tempo: a democracia inclusiva. Que radicalize ao máximo, no âmbito do território da minha terra, aquilo que está consagrado na Constituição Brasileira: um Estado Democrático de Direito. E o município é o Estado em domínio de poderes. Mas quando pensar em descansar reserve alguns minutos para criar o museu da memória do liberalismo excludente.       

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Acalanto


No último dia 17 de Maio,  a Academia Cearense de Medicina  resolveu homenagear um dos luminares da Medicina no Ceará : o Dr. Napoleão Tavares Neves. A justíssima homenagem  o fez adentrar nas hostes daquela instituição como Membro Honorário e deixou todo o Cariri de dentes à mostra. As  Academias têm uma enorme importância em elevar ao pedestal figuras de  grande merecimento e que tantas vezes passam quase que desapercebidas na Sociedade. Como organizações humanas , no entanto, têm política própria e tantas e tantas vezes deixam-se influenciar por pressões de grupos e terminam por cometer injustiças e desvios impensáveis. No caso do Dr. Napoleão, possivelmente, houve apenas um pequeno erro de timing: ele já merecia o Título há muitos e muitos anos. Talvez o fato de ter se estabelecido no interior do Estado tenha contribuído para o esquecimento. Todos os que clinicam longe do litoral fazem parte daquilo que se pode chamar Face Oculta da Medicina Brasileira.  Perdura um certo preconceito embutido : aquele mesmo que alimenta o primeiro mundo contra o terceiro, o Sul contra o Nordeste, a Capital contra o Interior. A simples lembrança da Academia para com o nosso Dr. Napoleão já quantifica a importância dele, capaz de dirimir fronteiras  até então intransponíveis.
                                               São 81  anos de vida e mais de 50 dedicados à Medicina. Nascido no Jardim, criado em Porteiras, radicado em Barbalha, Dr. Napoleão nunca se imiscuiu em briguinhas bairristas: como um Confederado sempre compreendeu a unicidade do Estado do Cariri. Percebe claramente que nossas  diferenças são mínimas e necessárias e que existem imensas similiaridades a nos unir. Sempre teve uma visão bastante sociológica  nas questões que envolvem o Juazeiro do Padre Cícero e também a saga do Cangaço.  Todas estas matérias podem parecer distantes da Medicina, mas não para o Dr. Napoleão que faz parte da última geração de esculápios  para quem a profissão médica estava umbilicalmente ligada ao Humanismo. A Sociologia , a História, a Filosofia,  a Geografia para ele são tão importantes para sua atividade como um livro de Anatomia de Testut. Hoje, diante de tanto aparato tecnológico, os novos profissionais esquecem a complexidade da vida que lhe é posta às mãos. Receitam, prescrevem como se estivessem consertando um Rádio ou uma TV. Não conseguem perceber  que além do enfarte, para lá da úlcera,  existe um espírito atormentado suplicando ajuda. Dr. Napoleão, ainda em plena atividade, seguiu sempre o grande preceito Jungiano:  “ Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.”
                                               Nosso médico segue uma genealogia profundamente humanística : Dr. Leão Sampaio, Dr. Pio Sampaio, Dr. Lírio Callou, Dr. Joaquim Fernandes Teles, Dr. Joaquim Pinheiro Filho.  Para todos eles, o atendimento era pronto , rápido, independentemente das condições econômicas do paciente.  E são muitas as histórias que envolvem sua vida profissional. Há alguns anos Dr. Napoleão assumiu uma equipe de PSF em Barbalha. Um sobrinho seu, médico, exercia a função de Secretário de Saúde na cidade e foi ele quem me relatou o acontecido. A relação do Dr. Napoleão com ele era de Tio para sobrinho :  uma cobrança pertinaz pelos direitos da população. Falta de medicamentos, exigüidade de exames complementares era uma coisa inconcebível. Um dia , me contou o sobrinho, ele lhe ligou exigindo que mandasse urgente uma Cesta Básica para uma família da sua área que estava sofrendo de uma doença terrível chamada fome.A Cesta era um remédio imprescindível para curar a grave doença. De outra feita, passando pelos corredores da emergência do Hospital São Vicente, ouviu um jovem médico receitando um pobre matuto. A queixa principal era que tinha sido mordido pro uma lagartixa. O jovem esculápio, sorrindo, liberou o paciente: podia ir para casa, não tinha problema nenhum: lagartixa não é venenosa. Dr. Napoleão voltou, chamou o colega e alertou-o. Podia proceder  a aplicação do Soro Anti-Ofídico. Para Lagartixa, Dr. Napoleão ? -- Perguntou o colega confuso. Dr. Napoleão, então, explicou o que a Ressonância Magnética e a Tomografia Computadorizada não diagnosticam : -- Meu filho, o matuto tem a crença de que se disser que foi mordido por cobra, não escapa da mordedura, por isso nunca revela que  foi por jararaca ou cascavel, diz geralmente o nome de outro bicho. O rapazinho voltou e , através de gestos, descobriu a verdade revelada e o Soro salvador foi administrado.
                                               A Academia Cearense de Medicina , no mesmo dia, homenageou muitos Napoleões : o médico, o historiador, o escritor,  o humanista, o orador inspirado,  o pai de família exemplar, o defensor intransigente do Cariri, o humorista fino, a ética de jaleco branco e, mais que tudo : o Homem . É quase impossível conciliar tantas qualidades numa só pessoa. Em meio a tantas, no entanto, acredito que se sobressaia a pessoa do Dr. Napoleão, um exemplo de humildade e generosidade.  Ele  tem uma raríssima doença oftalmológica:  só consegue ver o lado bom das pessoas. Todos a sua volta só têm qualidades: são inteligentes, bons, sóbrios, estudiosos, direitos e alegres. Nunca o vi tecer críticas a quem quer que fosse.Nas conversas com os amigos é aberto, bem humorado e não tem falsos moralismos. Memória privilegiada, carrega consigo uma enciclopédia invejável  de histórias  do nosso doce quotidiano regional. 
                                               Dr. Napoleão já me confidenciou que fica meio cabreiro com as homenagens, segundo ele, elas são sempre um pouco póstumas. Acredito que todos os nossos atos nesta terra sempre o são. A cada noite, nunca sabemos se a música que nos embala é um acalanto ou uma incelença.  Mas diante de uma figura com tanta vitalidade como ele, certamente é a vida que pulsa em cada título que lhe é conferido. Chesterton dizia que há grandes homens que fazem os outros se sentirem pequenos, mas o grande homem mesmo é aquele que faz com que todos se sintam grandes diante dele. Pois bem, meu caro Dr. Napoleão, todo o Cariri se sente enorme, gigantesco  diante da homenagem merecida que a Academia Cearense de Medicina acaba de lhe outorgar. 

J. Flávio Vieira

Poder + Magnanimidade = "Fundação" - José Nilton Mariano Saraiva

Tornou-se recorrente a exposição sistemática, na mídia, de relatos sobre a história de vida de empresários famosos, jogadores de futebol, artistas de cinema, cantores, apresentadores de TV e por aí vai, que, originários de famílias paupérrimas (preferencialmente ex-moradores de favelas), conseguiram construir fortunas jamais imaginadas ou amealharam um capital que nem em sonhos se fez presente.
E por presumivelmente terem vindo “de baixo”, por teoricamente deterem conhecimento do “outro lado” da vida, hoje, “coração repleto de amor ao próximo”, fazem questão de “ajudar os necessitados”, (re)distribuindo o patrimônio com eles, e coisa e tal. Aqui, uma particularidade-questionamento: oriundos de mundos diametralmente opostos e atuantes em atividades que normalmente não guardam quaisquer similaridades, que estranha força é essa que empurraria tais figuras a descobrirem algo em comum, um elo inquebrantável a os unir, uma força a lhes guiarem numa mesma estrada, a magnanimidade ???
E aí é que surge o outro lado da moeda, a “face oculta” da história de todos eles: é que, pra viabilizar tão “desinteressada e generosa” ajuda aos carentes, estranhamente o caminho escolhido é um só (e de mão única): a criação de uma “FUNDAÇÃO” (logo providencialmente batizada com o nome do pai, da mãe ou de algum parente próximo, porque... “sempre se dedicou aos pobres”); algo tocante, comovedor, capaz de derreter corações, levar às lágrimas, enfim, balançar com a estrutura de qualquer mortal-comum. E tome propaganda, exposição na mídia, xaropadas, homenagens póstumas, blá-blá-blá e coisa e tal, a fim de difundir a atitude tomada e fixar a imagem da benquerença da família.
Só que, nas entrelinhas dessa história toda um precioso detalhe sempre é cuidadosa e estranhamente omitido, convenientemente resguardado e nunca, jamais, lembrado: o que realmente se esconde por trás da criação de uma “FUNDAÇÃO” ???  Por que, unanimemente, existe uma espécie de “preferência nacional” por tal caminho, por parte dos ricaços da vida ???
Pois saiba você, aí do outro lado da telinha, que uma “FUNDAÇÃO PRIVADA” (não aquelas que visam resguardar para a posteridade a história de personalidades ilustres) é uma pessoa jurídica NORMALMENTE USADA PARA MANTER A POSSE DE PROPRIEDADES, CONTAS BANCÁRIAS E OUTROS BENS, “SEM QUE A IDENTIDADE DO (PSEUDO) “BENFEITOR” SEJA REVELADA” (em português bem cristalino e objetivo: trata-se de um “enoooorme” saco sem fundo, onde você poderá armazenar não só o patrimônio pessoal, assim como possíveis doações de terceiros, sem que tenha de prestar contas a seu ninguém, e tudo dentro da lei).
Além do que, muito mais que manter a confidencialidade da identidade do “DISTINTO”, uma FUNDAÇÃO PRIVADA tem ainda  (olha só que beleza)  as seguintes vantagens: 01) PROTEÇÃO DE BENS:  bens colocados (ou doados) em uma fundação privada geralmente ficam “FORA DO ALCANCE” DE EVENTUAIS CREDORES que possam surgir, como resultado de dificuldades financeiras, divórcio, litígio, etc;  (legal, não ???); 02) RETENÇÃO DE CONTROLE: a fundação privada permite que você “retenha o controle” (é mole ou quer mais ???) e possa decidir para quem o controle sobre seus bens será entregue quando você não possa mais exercê-lo; 03) ECONOMIA VITALÍCIA DE IMPOSTOS (aqui, o autentico e verdadeiro “pulo do gato”, o objeto de desejo de todos eles): durante toda a sua vida o “benemérito” realizará economias substanciais (estará isento do pagamento) de “IMPOSTOS SOBRE RENDA E GANHOS DE CAPITAL” (que coisa maravilhosa, não ???), como resultado da utilização de uma fundação privada; 04) ECONOMIA EM IMPOSTOS SOBRE HERANÇA: em caso de morte, o imposto sobre herança, que normalmente incidiria sobre o valor de seus bens, “seria erradicado”;  05) CONTINUIDADE: a fundação privada oferece meios pelos quais seus bens podem continuar sendo administrados de acordo com o desejo do fundador, mesmo após seu falecimento, de modo que os membros mais fracos de sua família possam ser protegidos dos demais, do mesmo modo que o membro perdulário de sua família possa ser protegido de si mesmo (já pensou, até depois de você “bater-as-botas” os benefícios permanecem); e 06) EVASÃO DE LEGITIMAÇÃO: uma fundação privada oferece meios pelos quais os seus bens possam ser passados sem percalços para sua “PRÓXIMA GERAÇÃO” sem interrupções, atrasos, custos substanciais, perda de confidencialidade, associada com o procedimento de legitimação necessariamente subseqüente, caso você não utilize uma fundação privada.
Sacaram ??? Entenderam agora o “porque” de tanta caridade ??? A razão de tanto ”desprendimento” ??? A incrível, recorrente e desmesurada avidez à busca de se criar uma “FUNDAÇÃO” ??? Observaram que, no fundo no fundo, quem tem muito não está realmente nem um pouco preocupado com o pobre ou o carente, mas tão somente USANDO-OS como uma espécie de “MOEDA-DE-TROCA” ??? É decepcionante e constrangedor, pois, constatar que a “magnanimidade” incursa no ato de criação de uma FUNDAÇÃO tem “pés de barro”, já que mero papo furado, conversa pra boi dormir.
Portanto, trate de “se ligar”, mantenha as antenas bem direcionadas: da próxima vez que ouvir relatos piegas e lacrimejantes sobre o “enorme coração” de fulano ou beltrano (Xuxa, Raí, Cafu e outros), pense no que está por trás da equação “PODER+MAGNANIMIDADE=FUNDAÇÃO”: muita hipocrisia e segundas-intenções. E tudo isso cuidadosamente acondicionado em embalagens reluzentes e enganadoras. Na literatura da “ciência econômica”, definiríamos tal artifício de “fetichismo”.
Ou será que agora você vai preferir criar sua própria “FUNDAÇÃO”  ???


AS TRÊS PALAVRAS MAIS ESTRANHAS                       Wislaya Szymborska 

Quando pronuncio a palavra Futuro
a primeira sílaba já pertence ao passado.

Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.

Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe em nenhum não-ser.
Tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves

A POESIA DE WISLAWA SZYMBORSKA

Wisława Szymborska (Kórnik, 2 de Julho de 1923Cracóvia, 1 de fevereiro de 2012) foi uma escritora polonesa.

Destacou-se como poetisa com uma obra que tem como tema as vicissitudes da Polônia moderna. Emprega uma linguagem simples e coloquial, herança do realismo social que dominou a Europa oriental, mas sua modernidade se revela no tom irônico e na complexidade formal de muitas de suas poesias.

Recebeu o Nobel de Literatura de 1996.   (Fonte: Wikipédia)


FOTOGRAFIA DO 11 DE SETEMBRO  
   
Pularam dos andares em chamas-
um, dois, alguns outros,
acima, abaixo.
A fotografia os manteve em vida,
e agora os preserva
acima da terra rumo à terra.
Ainda estão completos,
cada um com seu próprio rosto
... e sangue bem guardado.
Há tempo suficiente
para cabelos voarem,
para chaves e moedas
caírem dos bolsos.
Permanecem nos domínios do ar,
na esfera de lugares
que acabam de se abrir.
Só posso fazer duas coisas por eles-
descrever este voo
e não acrescentar o último verso.



Os filhos da época


Somos os filhos da época,
e a época é política.
Todas as coisas - minhas, tuas, nossas,
coisas de cada dia, de cada noite
são coisas políticas.
Queiras ou não queiras,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um brilho político.
O que dizes tem ressonância,
o que calas tem peso
de uma forma ou outra - político.
Mesmo caminhando contra o vento
dos passos políticos
sobre solo político.
Poemas apolíticos também são políticos,
e lá em cima a lua já nao dá luar.
Ser ou não ser: eis a questão.
Oh, querida que questão mal parida.
A questão política.
Não precisas nem ser gente
para teres importância política.
Basta ser petróleo, ração,
qualquer derivado, ou até
uma mesa de conferência cuja forma
vem sendo discutida meses a fio.
Enquanto isso, os homens se matam,
os animais são massacrados,
as casas queimadas,
os campos se tornam agrestes
como nas épocas passadas
e menos políticas.

CRIANÇA TEM CADA UMA...


Miguel, meu neto de 2 anos e 6 meses, “brincava”  com o cachorrinho da foto, ganho naquele dia, na frente da TV,  atrapalhando a visão do jogo Chelsea X Bayer no  último sábado.  O pai mandou que ele levasse o animal para o quintal e o deixasse em paz.  Logo depois, o cãozinho volta a latir na sala ao lado. O genro perguntou “Miguel , levou o animal para a casinha?”.  Ele respondeu “sim”.
Minutos depois novos latidos desesperados e o  pai perguntou: “Miguel, por que o cachorro está latindo? “
Resposta de Miguel:  “ Porque eu menti...”