por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Vixe !

  1. 12/12/2011 09h35 - Atualizado em 12/12/2011 09h39

    Igreja das Filipinas envia fiéis para site pornográfico por engano

    Link seria para acompanhar ao vivo posse de novo arcebispo.
    Igreja percebeu equivoco e mudou chamada para endereço certo.

    Da EFE

    Igreja das Filipinas colocou link errado para acompanhar posse de novo arcebispo (Foto: Reprodução)Igreja colocou link errado para acompanhar
    posse de novo arcebispo (Foto: Reprodução)

    A Igreja Católica das Filipinas enviou seus fiéis nesta segunda-feira (12) para um site pornográfico ao se equivocar com o link, que, teoricamente, seria para acompanhar ao vivo a cerimônia de posse do novo arcebispo de Manila.

    Em seu portal na internet, a arquidiocese anunciou na manhã desta segunda-feira (12) que a nomeação do arcebispo Luis Antonio Tagle poderia ser acompanhada por meio da página "tvmaria.com". No entanto, os fiéis que abriram o site encontraram a imagem de um travesti.

    Posteriormente, a Igreja, que achou que se tratava de um ataque hacker, percebeu seu equivoco e reenviou a chamada para o endereço "tvmaria.net". Mais de 80% dos 94 milhões de filipinos são católicos.

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    Favoritos

A dor do Amor...

Se você não conhece a dor
E não deseja sofrer,
Amigo, não se permita
Experimentar o amor.

(Proponho a construção coletiva, quem se habilita?)

BALANÇA




não se pesa um poeta
por palavras, apenas.
não se mede um poema
por sentidos, em cenas.

pois um poeta é o peso
e a medida do poema
(ine)exato.

a luz e o rigor,
o tamanho de uma cor.

(Poeta paraibano, Bruno Gaudêncio escreve no blogue Acaso Caos: http://acasocaos.blogspot.com/)

Escolhas de uma vida- Colaboração de José Nilton Simões





A certa altura do filme Crimes e Pecados, o personagem interpretado por Woody Allen diz: "Nós somos a soma das nossas decisões".
Essa frase acomodou-se na minha massa cinzenta e de lá nunca mais saiu. Compartilho do ceticismo de Allen: a gente é o que a gente escolhe ser, o destino pouco tem a ver com isso.

Desde pequenos aprendemos que, ao fazer uma opção,estamos descartando outra, e de opção em opção vamos tecendo essa teia que se convencionou chamar "minha vida".

Não é tarefa fácil. No momento em que se escolhe ser médico, se está abrindo mão de ser piloto de avião. Ao optar pela vida de atriz, será quase impossível conciliar com a arquitetura. No amor, a mesma coisa: namora-se um, outro, e mais outro, num excitante vaivém de romances. Até que chega um momento em que é preciso decidir entre passar o resto da vida sem compromisso formal com alguém, apenas vivenciando amores e deixando-os ir embora quando se findam, ou casar, e através do casamento fundar uma microempresa, com direito a casa própria, orçamento doméstico e responsabilidades.

As duas opções têm seus prós e contras: viver sem laços e viver com laços...

Escolha: beber até cair ou virar vegetariano e budista? Todas as alternativas são válidas, mas há um preço a pagar por elas.

Quem dera pudéssemos ser uma pessoa diferente a cada 6 meses, ser casados de segunda a sexta e solteiros nos finais de semana, ter filhos quando se está bem-disposto e não tê-los quando se está cansado. Por isso é tão importante o auto conhecimento. Por isso é necessário ler muito, ouvir os outros, estagiar em várias tribos, prestar atenção ao que acontece em volta e não cultivar preconceitos. Nossas escolhas não podem ser apenas intuitivas, elas têm que refletir o que a gente é. Lógico que se deve reavaliar decisões e trocar de caminho: Ninguém é o mesmo para sempre.
Mas que essas mudanças de rota venham para acrescentar, e não para anular a vivência do caminho anteriormente percorrido. A estrada é longa e o tempo é curto.Não deixe de fazer nada que queira, mas tenha responsabilidade e maturidade para arcar com as conseqüências destas ações.
Lembrem-se: suas escolhas têm 50% de chance de darem certo, mas também 50% de chance de darem errado. A escolha é sua...!

Hoje é o dia DELA!




Feliz aniversário, Magali!
Desejos de felicidade plena com abraços dos amigos do AZUL SONHADO!
Obrigada por existir , e fazer parte afetiva do nosso coração.

domingo, 11 de dezembro de 2011

17 de janeiro de 2012- Lançamento do livro de Geraldo Ananias, no Crato- Aguardem maiores informações!


Meu Amor, Meu Bem, Me Ame




Zeca Baleiro



Meu Amor, Meu Bem, Me Ame
Não vá prá Miami
Meu amor, meu bem me queira
Tô solto na buraqueira
Tô num buraco
Fraco como galinha d'angola...


Meu amor, meu amor manda
Não vá prá Luanda
Não vá prá Aruba
Se eu descer
Você suba aqui no meu pescoço
Faça dele seu almoço
Roa o osso e deixe a carne...



Meu amor, meu bem
Repare no meu cabelo
No meu terno engomado
No meu sapato
Eu sou um dragão de pêlo
Eu cuspo fogo
Não me esconda o jogo
Ou berro no ato...


Meu amor, meu bem me leve
De ultraleve
De avião, de caminhão
De zepelim...(2x)



Meu amor, meu bem, sacie, mate
Minha fome de vampiro
Senão eu piro
Viro Hare-Krishna
Hare Hare Hare
Não me desampare
Ou eu desespero...


Meu amor, meu bem me espere
Até que o motor pare
Até que marte nos separe...(2x)


Meu amor ele é demais
Nunca de menos
Ele não precisa
De camisa-de-vênus
Ouça o que eu vou dizer
Meu bem me ouça
O que ele precisa
É de uma camisa-de-força...(2x)



Você é a minha cura
Se é que alguém tem cura
Você quer que eu
Cometa uma loucura
Se você me quer!
Cometa!...



EL CID GOVERNA A DOR DO TRABALHADOR - por Ulisses Germano


Tu não cursaste o Mobral
Meu caro governador!
Alem do bem e do mal  
Hoje governas a dor

Não seja atabalhoado
Também não seja malvado
Respeite o educador.

Enquanto isso um professor, daqueles assalariados, fudido e mal pago, sobe no palanque democrático e descasca a verve no meio da Praça do Ferreira:

A impunidade delega ao podre poder, 
poderes ilimitados de conchavos nos mais diferentes seres desavergonhados que carregam o slogan:
"Tudo para o bem do povo da minha família!"
!

Partido das Questões Pertinentes P.Q.P.



"Eu vou tirar você deste lugar" - José Nilton Mariano Saraiva

Qual o homem que nunca se apaixonou por uma mulher da "zona" (cabaré) ???
A ponto, sim, de prometer ... "tirar você desse lugar" (já passamos por isso - e foi uma paixão brabíssima - daí essa nossa homenagem àquelas "profissionais").
Por onde andará a meiga Maria de Fátima ???

Eu sempre repito a cena, cantando a mesma canção ....

Amor De Fato
João Nogueira

Vamos arrumar a casa
ó nega
Vamos recomeçar o amor
Vamos abrir a janela
Que um novo sol vai entrar
Vamos limpar a poeira
E as plantas regar
O nosso amor é de fato
ó nega
Não pode se acabar

Arrumei um lugarzinho
É pequenininho
Mas dá pra morrar
Pintei tudo de branquinho
Rezei os cantinho
Com água do mar
Você vai ver que barato
Tem sala e dois quartos
E um pé de cajá
Chega pra cá pro mulato
Que um amor de fato
Não pode acabar
ó nega

Dia do tango



Carlos Gardel (Tacuarembó ou Toulouse, 11 de dezembro de 1890 — Medellín, 24 de junho de 1935) foi o mais famoso dos cantores de tango argentino, país ao qual chegou aos dois anos de idade.

Seu lugar de nascimento constitui uma questão controversa. Alguns sustentam que Gardel teria nascido no interior do Uruguai no departamento de Tacuarembó baseando-se em alguns documentos e matérias jornalísticas de época. seria filho do líder político local Carlos Escayola e de Maria Lelia Oliva, que tinha 13 anos. Outros dizem que Gardel teria nascido na cidade francesa de Toulouse como Charles Romuald Gardès, filho de pai ignorado e de Berthe Gardès (1865-1943). Gardel era esquivo sobre o tema e quando indagado dizia: "Nasci em Buenos Aires aos dois anos e meio de idade".

Cantor e ator celebrado em toda a América Latina pela divulgação do tango. Inicia-se como cantor ainda jovem com o nome artístico de El Morocho, apresentando-se em cafés dos subúrbios da capital argentina. Sua primeira interpretação formal se dá no Teatro Nacional de Corrientes, no qual também se apresenta Don José Razzano, com quem forma uma parceria por vários anos. Pela sensualidade de sua voz, que se presta muito bem à interpretação da milonga – gênero precursor do tango – torna-se conhecido a partir de "Mi noche triste" 1917.

Foi uma das primordiais influências de Amália Rodrigues.

A imortal Clarice Lispector- por rosa guerrera



Se estivesse viva, a escritora ucraniana criada no Recife Clarice Lispector estaria completando 91 anos neste sábado, dia 10 de dezembro. A capital pernambucana, onde a autora viveu por alguns anos - na Praça Maciel Pinheiro, no bairro da Boa Vista, no centro da cidade - não poderia deixar a data passar em branco. Varias homenagens foram prestadas a grande escritora e como fã que sou incondicional da grande e imortal poetisa , deixo aqui no nosso blog um pouco do muito que Clarice escreveu, e que ficou marcado para todo um sempre.

“A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre."




Clarice Lispector

O direito de ser feliz - Emerson Monteiro


Em meio ao fogo cruzado de depressões e medos, nas jornadas diárias que representam o espaço individual das existências, há um território valioso a ser preenchido, no interior das pessoas, o que exige uma coragem bem maior do que para vencer o grande inimigo, nas suas maiores guerras. Essa providência, contudo, requer apenas disposição de lutar diante dos obstáculos naturais de todo momento, independente daquilo que achem os outros. Na casa das ideias e das emoções, surge, sem parar num só instante, a tela cinemascope da presença da gente na gente mesmo, projeção contínua, e o projeto disso nada mais é do que a nossa vontade e seus filmes, que nascem de dentro, esta projeção que quem primeiro assiste somos nós, depois o contexto externo, formado pelas inúmeras pessoas em volta, testemunhas das nossas ações. Quem sabe do clima que vai rolar no momento seguinte somos primeiro nós.
E esse mecanismo precisa da dominação, do pulso anterior, do agente principal das cenas em movimento, autores do argumento, diretores, atores e espectadores do cinema chamado vida, nós. Há que haver pulso para viver, por isso. Ninguém deverá, de caso pensado, entregar aos outros, ou às circunstâncias, este tamanho direito de compor os quadros constantes do estado de espírito que significa a representação de mundo e das mudanças das horas, fardo constante que carregamos desde o princípio da existência.
Mais à mão, no processo pessoal dessa determinação de si para consigo, no que podemos denominar casa das máquinas ou laboratório dessa ação de elaborar a ciência dos dias, ficam os elementos com os quais se irão produzir a película única vista a cada momento, na história individual das criaturas, trabalho particular delas próprias, estrada principal da sua caminhada. Isso com que trabalhar, pois, o filme da presença pessoal das criaturas recebe o nome de vontade, ou força do querer, elemento valioso e único, insubstituível.
Na sabedoria do tempo, ouvimos dizer que “assim é, se nos parecer”, o que, noutras palavras, resume o conceito por demais conhecido de sermos os autores, ou sujeitos, das ações do mundo. Os objetos existem, porém aqueles que dão existência aos objetos, os sujeitos, somos nós. “Quem ama o feio, bonito lhe parece”, a tal coisa dita de jeito um pouco diferente.
Portanto, simples quais todos os valores originais da vasta natureza onde habitamos, a equação da sonhada felicidade apenas reclama a atitude positiva de trocar o padrão mental sob o qual desenvolvemos o ato de viver, livre das complicações e entregas a vícios e fraquezas de perder batalhas antes de entrar no campo. Levantar o ânimo e olhar com gosto bom, estas sejam as providências que farão a difereça, para melhor, qualquer ocasião. Avalie bem, e não desista de ser feliz.


"moinho de versos
movido a vento
em noites de boemia
vai vir o dia
quando tudo que eu diga
seja poesia"


"Confira:
tudo que respira
conspira."
Paulo Leminski


Eu embaço à toa meus óculos.Sou chorona, sem soluços .Choro as minhas saudades, choro a expressão humana, quando ela ocorre. Estou ligada nos homens.
Meu pai dizia que a gente era de uma família de noveleiras.Daquelas que começaram no pé do rádio, leram romances açucarados, e hoje se compensam nas novelas globais. Não deixo de fazer a devoção, mas ocupo o meu ócio desobrigada de muitas rezas.
Entreguei minha história de vida aos altos, e senti-me animada a continuar espreitando a madrugada, esperando a chuva cair (dormindo ou acordada), e visitando o nosso blog para ler as postagens dos seus autores, e postar a minha cota diária.
O fato é que cantei Noel com muito gosto, e vi o dia findar com muitos gostos !
Esse Blog , independente do silêncio de alguns , e de fatais ou eventuais mudanças , merece ter vida longa. Os administradores são os seus colaboradores e leitores. Divulguem as suas idéias, mostrem-nos o que nos falta aprender, acrescentem-nos ! Agradecemos!
Desejo a todo momento um Natal especial para todos nós, e um próximo 2012 de paz e alegrias.

socorro moreira

Noel Rosa por Norma Hauer



ELE NASCEU COM O COMETA HALLEY
Era o ano de 1910.
Terminara a "Revolta da Chibata", mas chegara o cometa Halley. Podemos imaginar como as´pessoas, temerosas com o "castigo de Deus" deveriam estar apavoradas, enquanto outras admiravam um dos maiores fenômenos naturais do início do século XX.

Mas em uma casa modesta da Rua Teodoro da Silva um casal aguardava ansioso a chegada se seu "rebento".

Era o dia 11 de dezembro de 1910. E quam estava nascendo? Alguém que viveria apenas 26 anos, mas que enriqueceria de tal modo nossa música pópular, que hoje, 99 anos depois é lembrado e amado ´por todas as gerações que vieram depois dele.

Seu nome: NOEL DE MEDEIROS ROSA , ou simplemste NOEL ROSA.

Ele começou a ficar conhecido quando, juntamente com Henrique Fôreis, o Almirante, e o "Bando de Tangarás" fez suas primeiras apresentações em uma das emissoras de rádio pioneiras, a Rádio Clube do Brasil.

Isso em 1929. Apresentou, ao violão, um choro de sua autoria de nome "Baianinha", que nunca foi gravado, mas que lançou seu nome em um tempo que os poucos receptores de rádio existentes ainda eram criadoos de modo artezanal, com cristais de galena.

Nesse mesmo ano, seu nome despontou em uma gravação de um samba que marcou definitivamente sua presença no meio muisical: "Com Que Roupa?". Ali ele mostrou seu talento e sua "charge" que o acompanhou em muitas de suas composições, como "Gago Apaixonado"; "Cordiais Saudações"; "Conversa de Botequim"; "A.E.I.O.U", "Cem Mil Réis"; "De Babado"; "É Bom Parar";
"Tarzan, o Filho do Alfaite", "O Orvalho Vem Caindo" e dezenas de outras.

Noel também foi romântico, como em "P'ra Que Mentir?"; Último Desejo"; Feitio de Oração"; "Não Tem Tradução; "P'ra Esquecer"... e sua única canção "Meu Sofrer", cujo nome depois de sua morte foi mudado para "Queixumes".

E seus sambas, enaltecendo Vila Isabel, o bairro que ainda hoje (e será sempre) o bairro de Noel?
"Feitiço da Vila" e "Palpite Infeliz" são dois que nos vem à lembrança quando se pensa em Vila Isabel.
Em Vila Isabel estão um túnel, uma estátua, uma escola e várias casas comerciais lembrando seu nome, o que nem era preciso porque falar em Vila Isabel é falar em Noel Rosa.

Noel ainda participou dos filme "Alô, Alô Carnaval " e "Cidade Mulher"; neste apresentou um samba exatamente com o nome de "Cidade Mulher", referente ao Rio de Janeiro.

"Cidade de amor e de pecado
Foi juntinho ao Corcovado
Que Jesus Cristo nasceu"

Noel participou também de várias peças teatrais, como "Deixa Essa Mulher Chorar";"Samba, Prontidão e Outras Coisas"; "O Barbeiro de Niterói";"O Poeta da Vila" e Seus Amores"...

Imaginar o que foi Noel Rosa em seus poucos anos de vida, tendo deixado mais de duzentas compósições (a maioria sucesso, como a sempre lembrada "Pastorinhas") é imaginar que tivemos um gênio entre nós que, como todos os gênios, viveu pouco e pouco cuidou de sua saúde.

Recentemente tivemos um filme sobre NOEL ROSA que o apresentou "rodando de bar em bar na Lapa" e nada falou sobre sua participação no rádio, principalmente no Programa Casé , o programa que o tornou conhecido em todo o Brasil.
Um boêmio da Lapa, jamais seria referenciado até hoje se não fosse lançado no rádio, o grande divulgador dos artistas de sua época. Cheguei a acompanhar os improvisos dele e de Marilía Batista com a música de "De Babado", no Programa Casé", na antiga Rádio Phiilips do Brasil (PRC-6).

NOEL ROSA faleceu em 4 de maio de 1937, há "apenas" 72 anos. Hoje é tão popular como se ainda vivesse.

Sobre NOEL existem dois livros que dizem tudo a seu respeito""Noel Rosa-Uma Biografia", de João Máximo e Carlos Didier e "No Tempo de Noel Rosa", de Almirante.

Prefiro este porque Almirante "viveu" NOEL ROSA.
Norma Hauer

HOJE EU SEI - Por: Rosa Guerrera




Que existe uma beleza muito mais marcante no outono da vida !

Hoje eu sei que toda alegria precisa ser prolongada quando o espaço é curto...

Hoje eu sei que em todo coração existe um canteiro vazio

a espera que sejam plantadas sementes de carinho ...

Hoje eu sei que a eternidade pode caber

perfeitamente num terno beijo dado com amor...

Hoje eu sei que só devemos guardar do passado

aquilo que realmente foi vivido e apetecido com verdades brilhantes ...

E mais que qualquer outra coisa .....

HOJE EU SEI ...QUE NÃO IMPORTA AS ESTAÇÕES DA VIDA ,

DESDE QUE O NOSSO CORAÇÃO PULSE

SEMPRE

NUMA ETERNA PRIMAVERA !!!!!


(E me permita o grande Oswaldo Montenegro, que eu conclua esse poema, com a frase mais linda que até hoje definiu a minha vida :

"QUE OS MEUS ERROS SEJAM PERDOADOS ..
POIS METADE DE MIM ...É AMOR !!!! ....
E A OUTRA METADE TAMBÉM ")

sábado, 10 de dezembro de 2011

Demis Roussos (en Italiano)

Olha ele aí de novo (praticamente no começo da carreira).
A voz é a mesma, mas a fisionomia... quanta diferença.

Valeu !!! - José Nilton Mariano Saraiva

Agora, que a poeira baixou, que a vida voltou à normalidade, que as nuvens negras no horizonte escafederam-se, que a quietude se faz presente, não poderíamos deixar de expressar de público o nosso comovido reconhecimento pela cadeia de solidariedade de que fomos alvo no decorrer de um momento difícil e conturbado do dia-a-dia (foram postagens, comentários, telefonemas, e-mail e por aí vai) .
É gratificante saber que, além de figuras já conhecidas, pessoas com as quais nunca trocamos uma só palavra pessoalmente (mas que vamos conhecer, sim) de repente manifestem preocupação com o nosso estado de espírito, com a nossa saúde, com o (não) evoluir do problema, apontando-nos alternativas, sugerindo rotas, identificando possíveis soluções.
Preferimos não citar nomes, porquanto poderíamos cometer algum lapso imperdoável, mas, independentemente, queremos que todos se sintam abraçados, que todos recebam a nossa palavra de agradecimento.
Valeu !!!
Estamos vivos !!!

Estou de volta!

Ainda arrumando o que desarrumei, mas voltando  à minha rotina cratense.

Saudades do convívio diário com vocês.

Abraços em todos os amigos!

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Apenas a vida - Por José de Arimatéa dos Santos

Foto: José de Arimatéa dos Santos
Imagem bonita cheia de vida e de verde que encanta nossos olhos e escutamos o cantar dos pássaros e o barulho dos galhos das árvores. Para mim é prazeroso está na mata e no silêncio ensurdecedor da floresta escutar o quanto a vida pode ser bem diferente em que a paz é possível e o amor entre as pessoas palpável.
E aquele barulhinho dos pássaros e as folhas que caem no chão fazendo aquele balé da vida, pois o chão do mato se transforma diuturnamente no solo fértil de muita vida e doçura.
Tanta qualidade de vida em que a poluição ainda está longe e para quem vive da mata sabe dar valor a cada centímetro de mata. Sabe de seus perigos por que o homem invade sempre com a violência de assassino da natureza. Mata o bicho, derruba as árvores e polui o rio. Que santa ignorância!
É necessário um outro olhar para a mata. Olhar de curiosidade e de contemplação. Estudar todo o ciclo da natureza para que a exploração seja de forma sustentável. Posso está delirando, mas muita comunidade na amazônia ou outro bioma nos dá aula da boa convivência com a mãe natureza.
Respeito e carinho. A mata também merece. Por que devastar um sem número de área de floresta? A vida pulsa a todo vapor nas matas e aquele clima tão peculiar das florestas nos diz muito. É microcosmo tão perfeito em que tudo funciona tão maravilhosamente.
Vale a pena pensar e viver a floresta. E está a passar da hora de mudarmos nossos conceitos e tirar das matas a riqueza, mas de uma forma mais equilibrada biologicamente em que a vida se perpetue séculos, séculos, séculos...

OFÍCIO - por Ulisses Germano

O ofício de todo artista/
é levar contentamento/
tendo sempre, sempre em vista/
o mais puro sentimento/
De fazer do seu cantar/
Uma forma de abraçar/
a vida a cada momento!


(Didicado ao poeta-cantador Geraldo Júnior)

"Velhinho de programa" (humor)

Idoso charmoso, com lindos olhos meio verdes (cobertos com cataratas), loiro (só dos lados), corpo malhado (pelo Vitiligo) e sarado (das doenças que já tive, menos do enfarto, recente). Atendo em motéis, residências, elevadores panorâmicos etc. Só não atendo em drive-in por causa das dores na coluna. Alegro festa de Bodas de Ouro, convenções e excursões da Terceira Idade. Meço pressão, aplico injeções e troco fraldas geriátricas, tudo com o maior charme. Atendo no atacado e no varejo. Traga suas amigas. Maiores de sessenta e cinco, por força de lei, não pagam, mas só terão direito a horário recomendável para a saúde. Serão concedidos descontos para grupos: quanto mais nova, maior o desconto. Por questões de vaidade, não serão permitidas filmagens, pois operei recentemente uma hérnia inguinal, e que se mostra meio anti-estética. Na cama, dou sempre três. Três opções sexuais para a parceira: MOLE, DOBRADO OU ENROLADINHO. Como fetiche, posso usar touca de lã, pantufas e cachecóis coloridos. Outra GRAAAAAAANDE vantagem: já tenho Parkinson, o que ajuda muito nas preliminares. TOTAL DISCRIÇÃO, pois o Alzheimer me faz esquecer tudo que fiz na noite anterior.

"Passagem do tempo" -

Só pra voces constatarem a "evolução" provocada pela "passagem do tempo".
Dois momentos distintos, mas nem por isso exuberantes do Demis Roussos.
Deleitem-se....

**********************


Ribamar - Por Norma Hauer





Ele nasceu no dia 9 de dezembro de 1919, aqui no Rio de Janeiro, recebendo o nome de JOSÉ RIBAMAR PEREIRA DA SILVA.
Foi um dos principais parceiros de Dolores Duran.

Conheci-o quando não era ainda um nome famoso, como funcionário do Ministério da Educação.

Na época já tocava piano e era conhecido como pianista entre seus colegas de rapartição.

Iniciou sua carreira de músico profissional em 1950, acompanhando Dolores Duran. Ainda nesse ano, venceu o concurso para escolha de um pianista de música popular na Rádio Nacional.
Em 1952 teve sua primeira composição gravada: o bolero "Duas vidas", com Esdras Pereira da Silva (seu irmão), na voz de Fernando Barreto. Atuou como violinista de Fafá Lemos e com outros grupos, formando em 1953 seu próprio grupo.

Quando ele lançou, de sua autoria e Dolores Duran, o samba "Idéias Erradas ", na voz de Carlos Galhardo, ofereceu-me o disco "ainda tininho", recém-saído da gravadora.

"Ternura Antiga" letra de Dolores, ele musicou após a morte da autora, que confiava nele para musicar alguns de seus versos. Isso quando ela não fazia letra e música.

Da dupla, podemos ainda "apontar""Quem sou Eu"; "Pela Rua; "Se eu Tiver ", isso sem citar o mais bonito "Ternura Antiga", cujo sucesso ela não conheceu.

Ribamar faleceu em 6 de setembro de 1987, sem completar 68 anos.

Tocando em boates e outras casas noturnas, conheceu Marisa "Gata Mansa", que o acompanhou por toda sua vida artística.

Foi um dos principais parceiros de Dolores Duran.

Conheci-o quando não era ainda um nome famoso, como funcionário do Ministério da Educação.

Na época já tocava piano e era conhecido como pianista entre seus colegas de rapartição.

Iniciou sua carreira de músico profissional em 1950, acompanhando Dolores Duran. Ainda nesse ano, venceu o concurso para escolha de um pianista de música popular na Rádio Nacional.
Em 1952 teve sua primeira composição gravada: o bolero "Duas vidas", com Esdras Pereira da Silva (seu irmão), na voz de Fernando Barreto. Atuou como violinista de Fafá Lemos e com outros grupos, formando em 1953 seu próprio grupo.

Quando ele lançou, de sua autoria e Dolores Duran, o samba "Idéias Erradas ", na voz de Carlos Galhardo, ofereceu-me o disco "ainda tininho", recém-saído da gravadora.

"Ternura Antiga" letra de Dolores, ele musicou após a morte da autora, que confiava nele para musicar alguns de seus versos. Isso quando ela não fazia letra e música.

Da dupla, podemos ainda "apontar""Quem sou Eu"; "Pela Rua; "Se eu Tiver ", isso sem citar o mais bonito "Ternura Antiga", cujo sucesso ela não conheceu.

Tocando em boates e casas noturnas,conheceu Marisa "Gata Mansa", passando a acompanhá-la ao piano, até sua morte em 6 de setembro de 1987, sem completar 68 anos.

Norma

Pelo amor de Manoel - Rejane Gonçalves



Pedro já chegara à eternidade velho. Incomodava-se, talvez por isto, ter que ficar quase sempre sozinho, ele e as mil e tantas chaves tilintando no bolso de seu camisolão, desassossegadas, por terem, elas e Pedro que se desdobrar entre aquele mundo de casa, o cuidado com as almas moradoras e ainda a prestimosa recepção às almas recém libertas do corpo. Não era fácil entender os sumiços, as saídas noturnas do Senhor e muito menos as desculpas, os motivos escusos de que se valia para abandoná-lo ali. Só. Imerso na estúpida brancura desse mar de nuvens.
Hoje, mais do que nunca, lhe parecera pouco convincente, poderia dizer até inacreditável o teor da explicação recebida, tanto que por não ser capaz de ultrajar o respeito encaliçado em sua mente de servo, fez que sim com a cabeça, quando Ele contara com voz mansa, igual se quisesse acalmar uma criança inconsolável, que àquela noite teria de mais uma vez se ausentar.
Moveria seu Espírito feito asas de uma imensa águia sobre a face de todas as águas. Era preciso, dissera, para satisfazer ao amor de uma criatura, na qual, num tempo muito mais distante do que seja qualquer tempo atrás, havia plantado um desejo, uma semente da criação de uma mulher, a mesma que Ele, com a barba por fazer e toda sua competência de Criador, não conseguira terminar. Da primeira vez por causa de uma estúpida preguiça. Da segunda, por tédio, fastio, sei lá. Da terceira vez por não suportar que os olhos, escolhidos para ela, fitassem o Eterno com a intimidade de um irmão gêmeo. Não achava justo olhar para dentro de uma velhice mais velha que a Dele. Era ameaçador. E que portanto ele, Pedro, entendesse. Precisava ir. Estar presente na hora exata de colher o poema na palma da mão.
Zangado, Pedro abriu o pesado portão de ferro, aquele que sempre fora reservado ao Senhor. Viu a túnica branca esvoejante se transmutar em alvas penugens de um pássaro descomunal. Seus olhos já acostumados à repetição desta cena, nela não mais se fixavam. Seu coração – mesmo que ordenasse cala-te, o que vês é puro artifício, magia primária apenas – nunca conseguiu se acostumar. Jamais obedeceria a ordem de Pedro e de novo bateu desgovernado ante a grandiosidade do espetáculo. Cada vez mais descontente Pedro desejou que o poema não ficasse pronto, e se ficasse que o poeta, zeloso de sua criação, conseguisse escondê-la do Criador.
Com o alvorecer, ele ouviria bochichos, veladas notícias das águas da Terra. Aquela foi a noite em que todas serenaram. Adejando sobre elas, o leve tremular das asas de Deus assemelhava-se a um pano translúcido que sobreposto à face das águas, controlasse suas ondulações, regendo o ritmo, suavizando o movimento. Era uma Bandeira hasteada, entregando-se e resistindo ao vento.


(texto escrito após a leitura do poema “Teresa” de Manuel Bandeira)
por Rejane Gonçalves

Soneto das Definições - Carlos Pena Filho


Não falarei de coisas, mas de inventos

e de pacientes buscas no esquisito.

Em breve, chegarei à cor do grito,

à música das cores e do vento.

Multiplicar-me-ei em mil cinzentos

(desta maneira, lúcido, me evito)

e a estes pés cansados de granito

saberei transformar em cataventos.


Daí, o meu desprezo a jogos claros

e nunca comparados ou medidos

como estes meus, ilógicos, mas raros.


Daí também, a enorme divergência

entre os dias e os jogos, divertidos

e feitos de beleza e improcedência.


Poema extraído do livro A Vertigem Lúcida

Poema sem "T"er - Socorro Moreira



Perdi o olhar que piscava estrelas
A boca que mordia a lua
O coração ardendo de luz!

Miro a noite, miro a vida
Vivo a sorte, conto os dias
No meu hoje você vai voltar.

Eu vou passar ... - por Rosa Guerrera


Eu vou passar na sua vida
Como por tantas outras já passei!
.
Vou passar como o rio que corre
Como o sol que brilha
Como um céu estrelado
Numa noite quente de verão ...
.
Vou passar como os pingos da chuva
Como o pássaro que voa
Em Direção ao infinito
Como as nuvens dispersas que
Velejam um abóbada Celeste ...
.
Vou passar ... mas não vou poder sair!
Porque, onde quer que você vá
Haverá um rio a correr
Um brilhar um sol
Um Céu um piscar estrelas
E um pássaro a voar
Em Direção ao infinito ...
.
E em todas essas coisas
Você me sentirá presa
Pertinho de você ...
Bem dentro do seu coração!
.
Mesmo que ...
Eu já tenha passado na sua vida ...

rosa guerrera

Versos Particulares -De Nicodemos para Normando




Esse moço, de quem falo,
ven travestido nos traços
que traço a nankim,
nas tontas notas que toco,
nos tortos versos que faço...

Esse moço, de quem falas,
eu encontro nos becos por onde passo
no silêncio das casas desabitadas...
nas cordas tangidas, nas notas levadas ao vento...

Na madeira que corto, buscando a forma, desnutrida de perfeição.
Nas invenções inventadas para cruzar a vida... esta longa jornada
tão curta e doída.
Nas cartas seladas, lidas e relidas, em silente saudade...

Não sei onde anda esse moço,
talvez aqui ao meu lado agora...
talvez agora a seu lado sorrindo...

Esse moço, de quem o Tempo nos privou,

Restam umas fotos, restam uns dezenhos...
Não há paredes que possam recebê-los...

e como dói!

por João Nicodemos

Nem morta - Alcione

Renovação


A Renovação na casa de Caçulino Viriaga terminou por se transformar num divisor de águas, nos eventos produzidos em Matozinho. Invariavelmente ,as renovações, por ali, mantinham um padrão quase que imutável. Convidava-se meio mundo de gente e o outro meio terminava indo mesmo sem convite. Pintava-se a casa previamente, com uma demão de cal virgem: a casa que ficava nova e reluzente. Os convivas compareciam com as melhores roupas: aquelas guardadas no fundo do baú para a missa do galo. A casinha atapetada de gente , dentro e fora, inchava mais ainda ante a sucessão de fogos que varavam o céu e explodiam numa algazarra danada, convocando mais gente para a festividade. Os santos na parede da sala vestiam-se de flores do campo e a imagem de Santa Genoveva , na mesinha da sala, aguardava pacientemente a entronização . O clima de festa era puxado pela bandinha cabaçal de dois pífaros, uma caixa e um zabumba. De repente o silêncio era exigido para o início dos trabalhos religiosos. D. Tudinha , a beata mais importante da vilazinha, debulhava, com ar circunspecto, os mistérios do terço, entremeado ainda de “Salve-Rainhas” e “Creio em Deus Pai”. Terminada a longa reza, após a entronização, os músicos eram os primeiros convidados ao jantar. O cardápio, invariável, trazia as inúmeras opções locais: porco na rola, galinha à cabidela, muncunzá e um aluá conservado em pote grande com fins de manter a geladíssima temperatura. Uma ou outra garrafa de mendraca terminava por aparecer de contrabando e a bandinha mantinha o rela-bucho, no terreiro batido, até altas horas.

Caçulino, naquele ano, sobre a influência de Federalina Gouveia, a esposa, resolveu modificar o padrão. A mulher tinha andado na capital, recentemente, e voltara embebida de ares grã-finos. Fora comprar umas bugigangas da china para vender numa banquinha de feira e contaminara-se com aquele importância besta. Começou logo modificando o nome do evento: Renovação soava muito brega. Avisava ao povo para ir a uma Festa de Arrepiar. Ouvira na capital um tal de Happy Hour e resolveu matozinizar o termo para facilitar o entendimento daquela ingrizia. Avisou ainda que a roupa tinha que ser passeio completo. Federalina danou-se quando os convidados lá chegaram de calça e camisa caquis, chapéu atolado até as orelhas e chinela currulepe : era essa a maneira que sempre completamente se vestiam para passear. Caçulino ,também, alijou a banda cabaçal da festividade e contratou uma bandinha com violão, reco-reco, bateria e mantiveram –sabe-se lá porque— os dos pifeiros. Tudinha também foi dispensada e chamaram um beata de Bertioga , carismática de carteirinha, D. Miralvina , para comandar a solenidade religiosa. Os santos na parede eram também totalmente estranhos : São Raimundo de Penaforte, Santa Gema Galgani e São Félix de Cantalice e entronizariam uma Nossa Senhora de Aquiropita.

Quando Miralvina começou a solenidade, a diferença era gritante. Cantava, gritava, cantarolava, mandava as pessoas botarem as mãos para cima , saltarem e dançarem. Um labacé danado. E mais, a solenidade, ou o showvação, se prolongou muito. Já eram quase dez horas quando Miralvina , enfim, puxou as Ave-Marias. Um Padre Nosso e uma Ave-Maria para a alma de fulano, um Padre-Nosso e uma Ave-Maria para a alma de Beltrano. Quando por fim terminaram todas as almas conhecidas, começaram as orações para todos os parentes e aderentes que tinham ido para São Paulo. Os convidados, com fome e sono, já estavam impacientes. Lá pras tantas Miralvina, pensativa, já sem opções puxava:

--- Um Padre Nosso e uma Ave-Maria para a alma de....

Jojó Fubuia, impaciente e melado como visgo de jaca, já gritou de lá:

--- Dos seiscentos mile cão ! É só quem tá faltando receber oração das almas do céu, inferno e do purgatório ! Vôte !

Terminado, por fim, a Showvação de Miralvina, todo mundo já estava de língua de fora. Uns três velhos já tinham dado pilôra , com fome : gente acostumada a jantar por volta das quatro da tarde. Encetou então aquilo que Caçulino já definiu com dificuldade e que cabra de língua engrolada não pronunciava: o Show Pirotécnico. Uns foguinhos de artifício, misto de lágrimas, busca-pés, pichites , rasga-latas e bufas-de-velhas. Após a pirotecnia de Caçulino , a Big Band ( assim ele a definiu) foi chamada para o banquete. Aí estourou uma outra surpresa, o Menu : um tal de Strognoff. Segundo o velho Balbino Silvestre ( um dos acometidos pela pilôra) era uma gogoroba danada: parecia um chouriço misturado com carne, só que salgado, como pia batismal. Depois da Banda, o povo entrou abaixadinho no tal de strogonoff, gostaram do tempero do bicho : uma fome canina que já os varava há mais de seis horas.

Quando a banda voltou e tentou recomeçar a festa, notou-se uma diferença substancial. Empacou. Os pifeiros não conseguiam soprar uma nota sequer. Caçulino, agoniado, os cobrou. Queriam música, festa, era prá isso que estava pagando. Só aí os pifeiros, desconfiados, informaram que seria impossível tocar. O quê? Tão ficando doidos? O que está acontecendo? O maestro, então, descobriu o malfeito:

--- Seu Caçulino, quando a gente estava jantando, um sem-vergonha veio aqui e passou pimenta malagueta na embocadura dos pífaros. Nós estamos com os beiços ardendo como se mordidos por maribondo de chapéu.

A confusão estava feita. Quem foi-quem não foi! Desconfiaram de Jojó, mas não existiam provas, nem testemunhas. Uma hora depois, Salustiano Onofre , um funcionário da prefeitura, começou a passar mal. Dor de barriga e vômitos. Terminou na botica de Janjão Cataplasma e quase embarca. Jojó ,comentando depois o acontecido, disse que ele se envenenou porque quis, não foi falta de aviso, o nome da comida já estava dizendo : Estraga Onofre. O certo é que quase todos os convidados se viram acometidos do mesmo mal de Salustiano: faltou moita a redor de duas léguas. Isso porque a timbaúba mais frondosa do sítio já estava reservada para Caçulino e Federalina que passaram a noite toda de cócoras e de sabugo na mão.

O desarranjo foi tão miséria, comentou Jojó dias depois na praça da matriz, que vocês não sabem da melhor:

--- Lembram do velho Gustavo Filomeno? Pois é, o homem é cheio de riquififes, segue uma dieta danada, não come isso, não come aquilo. Tudo faz mal prá ele, até água! Pois bem, foi para a Renovação de Caçulino e lá viu a novidade das comilanças e simplesmente não tocou em nada, nem na água benta!

--- Esse pelo menos escapou, né Jojó? ---Sacou de lá Onofre, de olho fundo, mais magro uns três quilos ! Pelo menos um, né?

--- Que nada, Onofre, que nada ! Não comeu nadinha, mas sentiu o cheiro ! Pois três dias depois, ia subindo a Serra da Jurumenha e foi soltar um peido, pois num cagou nas calças, rapaz?


J. Flávio Vieira

Musa afinando duas liras


 
                                                                                                     

A musa afina duas liras:
uma para o desejo,
outra para o delírio.



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Musa afinando duas liras
Interior de taça ática de figuras vermelhas e fundo branco de Erétria.
Data: -470 / -460
Paris, Musée du Louvre
Créditos: Marie-Lan Nguyen, 2005
 
 
 
 

FÉRIAS NO TERRAÇUS - PRÉ-NATAL

Estamos de férias. Dezembro é um mês mágico, com todas as pessoas em alto astral e no embalos das comemorações natalinas e de passagem de ano. A Sertão Pop Produções está fazendo este evento um dia antes do Natal, o pré-natal, em um sexta-feira que certamente será perfeita. Para isso convidou duas bandas que estão sendo destaque no cenário musical caririense. A Banda Cariri Blues, com o seu projeto "BLUIZ GONZAGA", onde faz uma releitura da obra do "REI DO BAIÃO" em ritmo de blues, um trabalho inédito e super gostoso de ouvir e curtir. A outra banda a deliciosa "LOSTHEOS" que se volta para o rock e o blues tocados com muita criatividade e bom gosto, é um dos maiores destaques da cena alternativa do Cariri, com uma legião de fãs impressionante.
Portanto, essa noite será realmente mágica, como é a magia do encontro, da alegria e da curtição.
Vamos nessa?

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OS VERSOS QUE ESCREVI
ERAM DE TINTAS DE SANGUE:
CADA GOTA UMA SÍLABA
CADA MANCHA UMA PALAVRA
ESPARRAMADA DE SINCERIDADE.

Ulisses Germano


Saracura-três-potes - Emerson Monteiro


Várias vezes, aos inícios e finais do dia, ouço o canto melancólico dessa ave ecoar nas encostas da serra onde moro neste Cariri. Também conhecida por saracura-do-brejo e sericóia, quase sempre é mais escutada do que vista, segundo as enciclopédias. Tanto é verdade que só avistei um exemplar numa rara ocasião, às margens do riacho que dá origem ao Rio Grangeiro. Ela vive nas áreas alagadas de mato fechado. O acorde do seu bonito canto forneceu-lhe os nomes pelos quais a denominaram.

Bicho arisco e razoável, a saracura ainda consegue fugir da sanha da nossa civilização que gerou dependência dos quadros da mãe natureza às leis dos países, de comum difíceis de execução.

Pois bem, enquanto o saudosismo não paga dívida e os tempos mudaram, agora ninguém mais se conforma deixar de derrubar as mangueiras para comer a safra, e sobreviver virou artigo de luxo, palavra de ordem nos tempos bicudos das aparências. Conservar por conservar pertence aos milionários desocupados, qual mostra o projeto do Código Florestal em andamento no Congresso brasileiro.

Cambaleiam e agonizam os panoramas ecológicos desde antigamente, quando jamais imaginaram os profetas a velocidade estonteante que dominou acontecimentos da Terra. Fico tanto meio contrariado diante das teses românticas que falam de preservação ambiental em conferências intermináveis de salões forrados com a mesma madeira de lei que defendem e ajudam a eliminar. Creio incoerente festejar derrotas, neurose que dói e sacode os impérios práticos na história continuada.

Gerações e gerações cresceram destruindo famílias e famílias naturais, quando querem salvar o que restou em museus e zoológicos fedorentos, de animais entristecidos, capturados nos ambientes originais ora extintos.

Mais cedo do que imaginava, ouço vagar nos corredores da consciência trechos da bela composição de Roberto Carlos: Seus netos vão te perguntar em poucos anos / Pelas baleias que cruzavam oceanos / Que eles viram em velhos livros / Ou nos filmes dos arquivos / Dos programas vespertinos de televisão.

Ah, mas deixe de lado isso de visão bucólica que, nalgumas horas sujeita relembrar sonhos abandonados na casa do sem jeito, nesse mundo de rascunhos perdidos no ar. Dispense, por gentileza, manias arcaicas que caíram em desuso e servem de alimento sintético às pretensiosas crônicas.