por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 24 de julho de 2011

Camaradas ocupam Aracati no Festival Nacional de Teatro de Rua

Apresentação de Willyan Teles


Performance "A Encaixotada" com Janaina Felix



Interação com o público a partir do cartaz "Vende-se"


Performance "A encaixotada" realizada por Janaina Felix

Performance "A louca" realizada por Noberlia Duarte Siebra


Oficina/Performance "A Obra" realizada por Alexandre Lucas


oficina/performace " A Obra" realizada por Alexandre Lucas


Lambe-lambe "Vende-se"




Lambe-lambe "Taba Boca"



Lambe-lambe "Pelo direito de Brincar"


Norbelia Duarte Recita "A Rosa"





Lambe-Lambe "Maria da Luta" produzido a partir de fotografia

Montagem dos Lambe-lambe na Calçada da Igreja Matriz de Aracati


Marlon Torres recitando



Durante o período de 20 a 23 de julho, a cidade de Aracati foi tomada pelos artistas dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, São Paulo e Rio de Janeiro por ocasião do VII Festival Nacional de Teatro de Rua do Movimento de Agitação e Resistência da Cultura Popular – FESTMAR realizado pelo Ponto de Cultura Instituto Aracupira Teatro e Cidadania/Frente Jovem. O Festival foi constituído por apresentações, oficinas, performances e intervenções urbanas.

De acordo com Teobaldo Silva o evento só foi possível por ter sido selecionado no Prêmio Funarte Arte Cênica na Rua 2010 e pelo aporte financeiro do Governo do Estado do Ceará e do Banco do Nordeste. Ele destaca que nesta sétima edição houve uma participação mais ampla dos artistas brasileiros e uma possibilidade de intercâmbios entre os grupos para realização de trabalhos em outras cidades.


O Coletivo Camaradas foi um dos grupo que participou do evento levando muita irreverência e engajamento político nos seus trabalhos. Os Camaradas realizaram uma oficina, cinco intervenções urbanas, duas performances e três apresentações. De acordo, Alexandre Lucas, essa foi uma das maiores produções realizadas pelo grupo. O Coletivo já realizou trabalhos em diversas cidades do Ceará, além dos estados do Rio de Janeiro, Salvador e do Distrito Federal.

Norbélia Duarte Siebra, estudante curso de Teatro da URCA, enfatiza que participou dos trabalhos e pode perceber a importância da arte como instrumento de consciência política.

Para Willyan Teles da Companhia Arriégua , a participação do Coletivo no evento deu para abranger assuntos diversificados e frisa que pra ele foi uma experiência nova na arte realizada na rua.

Janaina Felix, que realizou a performance “a encaixotada” na qual uma mulher é presa dentro de um caixote e auto se liberta diz que foi um trabalho que pode inovador a sua experiência estética e artística dentro do Coletivo.


Doze integrantes do Coletivo participaram do FESTMAR a partir do apoio da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Crato que garantiu o transporte para os Camaradas.


Camaradas presentes no FESTMAR:


Diego Tavares da Silva
Marlon Torres de Souza
Antonio Hamilton de Souza Holanda Junior
Cícera da Penha Mendes Ribeiro
Elizângela Brito de Sousa
Janaina Felix Julio
Alexandre Lucas Silva
Cícera de Araujo santos de Almeida
José Ailton Oliveira de Almeida
Saymon Vinicius Sales Luna
Willyan Teles Rodrigues
Norbelia Duarte Siebra

Números do Festmar:

21 Grupos
03 oficinas
40 espetáculos
02 Performances
05 intervenções urbanas
240 artistas
07 estados brasileiros

Coordenação do evento

Teobaldo Silva
Tinoco Luna
José Marcelo D2
Marcos Lima
Glenda Rayane
Chico Isidório
Plínio Teixeira

Por quem os sinos dobram-POR LUPEU LACERDA



Fico pensando nos meus mortos enquanto cazuza verbaliza meus sentimentos: “meus heróis morreram de overdose...” engraçado pensar no finito. No que se acaba. Na árvore que tomba sob o seu próprio peso incomensurável. Penso nos vivos que quero mortos. E nos meus mortos – tão vivos – debatendo comigo nos corredores mal iluminados do borba gato. Sebastiana me empresta comprimidos para dor de cabeça, me convida para acender velas, incensos, escutar músicas de maysa. Silencio. Gal costa “esqueçam os mortos, que eles não levantam mais”. Ela e bob dylan e caetano estão errados. Os mortos estão de pé. Cantando. Recitando poemas de amor e vida. Quero não pensar, mas não consigo. Minha vó está ali, sentada em sua cadeira de balanço, fazendo um crochê interminável. É real? É um filme de bunuel? Meu pai vem entrando agora, com uma pasta preta em cada mão. – pixote! Tudo bom? Eu? Tava no maranhão. – minha tia acabou de colocar seus óculos escuros, contar uma piada e perguntar: - será que ainda tem alguma cerveja na geladeira? Normando para o carro em frente ao bar de silvany, calças jeans surradísimas, um chapéu preto. Seu sax repousa no banco traseiro do carro. “esqueçam os mortos...” mortos não são feitos para se esquecer. São feitos para se lembrar. São para pontear nossa história. Ou pelo menos, a minha história. Meu mortos. Meu baú de brinquedos anti-matéria. Todos eles moradores do meu edifício, editando, contando e recriando a história da carochinha onde não existe final.
 por lupeu lacerda

Zezé Gonzaga



Zezé Gonzaga, nome artístico de Maria José Gonzaga (Manhuaçu, 3 de setembro de 1926 — Rio de Janeiro, 24 de julho de 2008) foi uma cantora brasileira.


Inscreve o nome de Bárbara Pereira de Alencar no Livro dos Heróis da Pátria. Autora: Deputada ANA ARRAES Relator: Deputado DR. UBIALI


I - RELATÓRIO

O projeto de lei em análise, de autoria da Deputada Ana Arraes (PSB-PE), objetiva inscrever no Livro dos Heróis da Pátria, situado nas dependências do Panteão da Liberdade e da Democracia, em Brasília-DF, o nome de Bárbara Pereira de Alencar.

Segundo a autora da proposição, “Bárbara Pereira de Alencar foi uma das primeiras heroínas brasileiras. Rompendo com os tabus machistas da época, ingressa na política com a finalidade de
participar dos movimentos de independência do Brasil onde destacou-se como revolucionária. A fantástica odisséia de Bárbara de Alencar, a primeira presa política do país, marcada pelo exemplo de patriotismo e valentia que anteciparam a independência do Brasil, a eleva ao mais alto panteão da glória nacional”.

A tramitação dá-se conforme o art. 24, inciso II do Regimento Interno desta Casa, sendo conclusiva a apreciação por parte da Comissão de Educação e Cultura (CEC). Cumpridos os procedimentos e esgotados os prazos regimentais, não foram recebidas emendas ao Projeto.
Cabe-nos, agora, por designação da Presidência da CEC, a elaboração do
parecer, onde nos manifestaremos acerca do mérito cívico-cultural.


II - VOTO DO RELATOR

No ano passado, a Câmara dos Deputados, em comemoração à Semana da Pátria, organizou uma bela exposição sobre um dos conjuntos arquitetônicos projetados pela genialidade do arquiteto Oscar Niemeyer- o Panteão da Pátria, localizado na Praça dos Três Poderes. em Brasília. A exposição denominava-se “A Construção da Memória Nacional: os heróis no Panteão da Pátria” e tinha como objetivo mostrar o papel do Poder Legislativo no processo de escolha dos heróis da nacionalidade, uma vez que a inscrição de um determinado nome no chamado Livro dos Heróis da Pátria é feita através da apresentação de um projeto de lei.

Entre outros aspectos abordados na referida exposição, o curador da mostra fazia a seguinte ponderação: “Uma outra crítica que se pode fazer ao Livro dos Heróis da Pátria é a quase total ausência de representantes do sexo feminino. Apenas uma mulher- Anna Nery – figura no Panteão da Liberdade e da Democracia. Pergunta-se: Onde estão as mulheres, que nos diferentes espaços da sociedade, participaram do processo histórico nacional?” (ORIÁ, Ricardo. A Construção da Memória
Nacional: os Heróis no Panteão da Pátria. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2010, p. 28).

O projeto de lei em questão vem corrigir esta distorção ao propor a inscrição do nome de Bárbara Pereira de Alencar (1767-1837) no Livro dos Heróis da Pátria. Numa História do Brasil, de viés oficial, ainda profundamente marcada pela figura masculina, talvez muitos brasileiros desconheçam quem foi Bárbara de Alencar- a revolucionária republicana. Vale a pena transcrever um trecho de sua biografia, presente no Dicionário Mulheres do Brasil- de 1500 até a atualidade (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000, p. 96): “Nasceu em Pernambuco e viveu na cidade do Crato (CE). Casada com o fazendeiro José Gonçalves dosSantos, teve três filhos: Tristão Pereira Gonçalves de Alencar e os padres José Carlos dos Santos e José Martiniano de Alencar (pai do escritor José de Alencar).

Envolveu-se, com dois de seus filhos e um irmão, na conspiração republicana deflagrada no Nordeste em março de 1817. Foram traídos pelo capitão-mor Filgueiras, compadre de Bárbara, que a fez prender na cadeia da vila de Fortaleza, em um cubículo minúsculo, onde não podia sequer levantar-se. Contase que gritava desesperada, dias e dias a fio, sendo ouvida na cidade. Até hoje, na Fortaleza Assunção, o poço onde ficou presa é visitado pela população, que
relembra seu sofrimento ao ler a inscrição: “Aqui gemeu Bárbara Pereira de Alencar sob a tirania
do Governador Sampaio”. Diz a lenda que, de madrugada, ainda se ouvem suas lamentações. Bárbara e seus filhos foram transferidos para a prisão de Pernambuco e depois para a de Salvador, na Bahia.

No episódio de transferência de Bárbara para os cárceres de Recife e Salvador ela foi mais um vez humilhada. Por decisão das autoridades, Bárbara foi vestida com um camisolão, traje igual ao da escrava que a acompanhava. Mas no momento em que subiu ao navio, uma negra na multidão, que olhava o embarque dos prisioneiros, jogou um xale para que se cobrisse, diminuindo seu constrangimento.

Em 1820, veio de Portugal a sentença que os libertou, concedendo anistia geral a todos os implicados na revolta”. Por seu ato de bravura, resistência e liderança na condução de um movimento de caráter republicano que, a exemplo da Inconfidência Mineira, pretendia libertar o Brasil do jugo colonial português, o nome de Bárbara de Alencar deve também figurar no Livro dos Heróis da Pátria, ao lado de outros próceres que lutaram, em diferentes momentos históricos, pela emancipação política do Brasil: Tiradentes, D. Pedro I, José Bonifácio, Gonçalves Lêdo, Januário Barbosa, Frei Caneca e tantos outros.

Assim, será mais uma mulher a ter o reconhecimento como heroína da Pátria Brasileira. Vale ressaltar, também, que a proposição em pauta está de acordo com a Lei nº 11.597, de 2007, que Dispõe sobre a inscrição de nomes no Livro dos Heróis da Pátria. Face ao exposto, manifestamo-nos pela aprovação do PL nº 522, de 2011.

Sala da Comissão, em de junho de 2011.

Deputado DR. UBIALI
Relator

Fonte: Site da Câmara dos Deputados - Brasília
Colaboração de  George Macário

Para entender a estratégia Lula-Dilma

Apesar de surpreender a gregos e troianos, a estratégia política de Lula-Dilma Rousseff é relativamente fácil de desvendar. A primeira peça do jogo é não imaginar Dilma dissociada de Lula. Não existe hipótese para ciumeiras, rompimentos. A diferença de estilo entre ambos não é semente para futuras disputas, mas peça essencial na sua estratégia. Primeiro, vamos às afinidades políticas e à continuidade de ambos os governos: 1) AMBOS SÃO SOCIAIS-DEMOCRATAS. Não se exija perfil revolucionário, nem mesmo estatizante, embora estejam longe de se constituir em neoliberais; 2) SÃO POLÍTICOS FOCADOS EM RESULTADOS SOCIAIS, COMO PEÇA CENTRAL DE LEGITIMAÇÃO POLÍTICA, Dilma dando mais atenção à gestão, Lula à política (mesmo porque tinha Dilma para cuidar da gerência); 3) na política econômica, a prioridade absoluta é o controle da inflação. Câmbio, desindustrialização, juros, é resto. E o resto é resto. Embora Dilma tenha formação desenvolvimentista, a realpolitik se sobrepôs às demais prioridades. Se a crise internacional piorar, pode criar vulnerabilidades nessa parte da estratégia. 4) no plano político, a lógica não é do confronto, mas da soma. Dilma aprendeu com Lula a dividir os contrários em dois grupos: os adversários e os inimigos. O primeiro grupo é para ser cativado ou cooptado.
Diferenças periféricas: as diferenças de estilo entre Lula e o Dilma são periféricas, embora importantes na montagem da estratégia política. NO PLANO ECONÔMICO E IDEOLÓGICO, SÃO GOVERNOS DE CONTINUIDADE. Muitos analistas – à direita e à esquerda – tomam a nuvem por Juno, as diferenças periféricas pelas essenciais. E acabam se confundindo na análise do governo Dilma e de sua estratégia política. Os fatores utilizados pela velha mídia para desgastar Lula (fazendo muito barulho, embora influenciando apenas 5% do eleitorado) são desimportantes e nada tem a ver com as peças centrais de sua política.
No plano político, nos últimos anos desenterrou fantasmas da guerra fria que se supunham extintos desde os anos 60. Na diplomacia, a questão iraniana. Na política interna, o pesado véu de preconceito contra Lula e o enfrentamento nos últimos anos. AS CRÍTICAS CONTRA AS POLÍTICAS SOCIAIS FORAM DEVIDAMENTE ENTERRADAS PELOS FATOS. Ao assumir, sem comprometer os pontos centrais de sua política, Dilma definiu um estilo diferente de Lula na forma, embora muito similar no conteúdo – inclusive surpreendendo os que supunham que partiria para um confronto direto com adversários. Colocou a questão dos direitos humanos como foco da diplomacia, deu atenção a FHC, compareceu ao aniversário da Folha, nos últimos dias convidou jornalistas brasilienses para conversas no Palácio, respondeu rapidamente às denúncias consistentes. Completa-se assim a estratégia: Dilma se incumbe do establishment, que rejeita Lula. No plano midiático, blogosfera para ela é como a Telebrás – serve apenas para ajudar a regular a mídia. O mesmo ocorre com movimentos sociais e sindicatos. Já Lula garante os movimentos populares, o sindicalismo, a blogosfera e a ala esquerda. E estende sua sombra sobre os adversários. Se endurecerem muito com Dilma, entra na briga. Se Dilma não se sair bem no governo, ele volta. Perto dessa estratégia, a oposição só tem perna de pau: um guru que ensarilhou as armas – FHC -, um político esperto, mas sem idéias – Aécio Neves – e um desatinado – José Serra. Cumprir-se-á o vaticínio do sábio José Sarney, de que a nova oposição sairá das entranhas do governo.
Linhas programáticas: Em relação à continuidade, é importante não confundir algumas linhas de ação que permanecem as mesmas desde o governo Lula – mas que têm dado margem a confusões. A primeira, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Criou-se a idéia de que, com Lula, a Telebrás assumiria todo o trabalho de levar a banda larga até a última milha (a casa do cidadão). Nunca foi essa a idéia. A Telebrás foi ressuscitada com o objetivo de levar linhas de transmissão ligando cidades, atendendo provedores independentes, fortalecendo as linhas de transmissão, mas sem a pretensão de atuar no varejo. A possibilidade de atuar no varejo foi acenada apenas para demover as resistências das operadoras em aderir ao plano. Não significa que seja um bom plano. 300 mb de tráfego por mês a 35 reais é brincadeira. Tem que se aprimorar a negociação. Mas a estratégia de amarrar as teles a compromissos de universalização é correta. O segundo ponto é a chamada "lei dos meios". Criou-se a idéia de que o projeto de Franklin Martins imporia limites aos abusos da mídia. A radicalização de Franklin foi muito mais no discurso do que propriamente nas propostas. A não ser a questão limitada da propriedade cruzada, o projeto era muito mais uma defesa dos grupos nacionais contra as grandes corporações internacionais e as teles. A CEGUEIRA DA VELHA MÍDIA A IMPEDIU DE ENTENDER A LÓGICA DO PLANO. Autor: Luis Nassif

Nota de Falecimento

Comunicamos o falecimento do médico cratense José Ricardo de Figueiredo ocorrido em Fortaleza, onde ele residia, na noite da última sexta-feira, dia 22 de julho de 2011. José Ricardo era o primeiro dos oito filhos do casal Aníbal Viana de Figueiredo e Maria Eneida de Figueiredo.

sábado, 23 de julho de 2011

Por Nívia Uchôa





Vera e Luís Felisberto

Graça Barreto

Cobertura fotográfica do lançamento do livro "No Azul Sonhado"- Por Nívia Uchôa

Emerson Monteiro e Raimundo Bezerra Filho




Nicodemos, Salatiel e Evânio

João do Crato,.Blandino, Salatiel, Socorro, Nicodemos, Ulisses,Jurandir Temóteo, Abidoral Jamacaru


Geraldo Ananias, George Macário, Nezinho Patrício, Raimundo Filho e Daniele Esmeraldo













Stela Siebra














Maryfran Nunes Oliveira



Os mrestres da fotografia e vídeo ( Nívia Uchôa e Laerton Xenofonte)




Teresa Moreira e Marisa Sobreira

João Marni


Dona Almina

Rosineide Esmeraldo

Tales e Socorrinha




Missão Cumprida!



AGRADECIMENTOS ESPECIAIS A TODOS  QUE CONTRIBUÍRAM NA REALIZAÇÃO DESTE SONHO..IMPOSSÍVEL CITAR TANTOS NOMES !

fotos Nívia Uchôa

Miragem- socorro moreira


(Para Ulisses)

Outro dia lá em casa
Da janela eu avistei
Uma sombra da imagem
De mulher que desejei
Pés descalços
Alvoroçados
Saia leve, flor do mato
Projeto de sol manchado
Cabelo despenteado
Travo doce
Na flauta da ilusão.

Por Norma Hauer - GADÉ

Uum nome estranho para quem nasceu em 23/07/1904, sendo batizado como Oswaldo Chaves Ribeiro. Mas foi como GADÉ que ficou conhecido em nossa música popular,como pianista e compositor.
Nasceu em Niterói, onde se apresentava como pianista, vindo mais tarde para o Rio de Janeiro para exercer um cargo no extinto Lóide Brasileiro, de saudosa memória.
Como compositor, teve suas músicas gravadas pelos grandes vultos de sua época, como Carmen Miranda, Joel e Gaúcho, Almirante...
Com Herivelto Martins e Dalva de Oliveira, esteve na inauguração da Rádio Inconfidência de Belo Horizonte e aqui no Rio foi pianista nas Rádios Clube, Mayrink Veiga, Tupi e Nacional.
Suas músicas mais famosas eram todas de um humorismo sutil. Assim, com Joel e Gaúcho, gravou "Estão Batendo"

Estão batendo,
Se for comigo diga que não estou.
É a mulata que há muito tempo você abandonou.
Está zangada, de cara feia trás um vassourão na mão...
Pelo que eu vejo, ela está disposta
A fazer barulho e te meter a mão...”

Ou, ainda com Joel e Gaúcho,"Que Barulho é Esse ?"

Que barulho é esse,oh Juracy, aí no corredor ?...meu chatô não é pomar de amor"

Com Odete Amaral gravou "Quem é que Paga a Gasolina?

“Quem é que paga a gasolina p’ra você andar
"pelas ruas da cidade a bancar o lorde,
bancando Pintacuda, a 120 a hora"....

Pintacuda era um corredor italiano que fez parte do "Circuito da Gávea", vencendo-o duas vezes. Imaginar o que foi aquele Circuito nos anos 30 e compará-lo com as atuais corridas de Fórmula 1 é o mesmo que comparar água com vinho.
Em compensação, nenhum carro com a velocidade dos atuais poderia correr no Circuito da Gávea, cheio de curvas perigosas.

Voltando a GADÉ, lembremos que Almirante foi quem gravou as mais bem humoradas de suas composições, como "Faustina"

“Oi, Faustina, corre aqui depressa,
Vai ver quem está no portão.
É minha sogra com as malas,
Ela vem resolvida a morar no porão.
Vai ser o "diabo", vamos ter sururu com o vizinho"...

Almirante gravou também "Vou-me Casar no Uruguai", naquele tempo em que não havia divórcio no Brasil e era comum os "desquitados" irem "casar no Uruguai", para dar satisfação à sociedade hipócrita da época.


A letra da música “Vou-me Casar no Uruguai” terminava mais ou menos assim:

Você se vista e vá p’ra casa de seu pai,
Que vou juntar minha bagagem
E vou casar lá no Uruguai”


GADÉ faleceu em 27 de outubro de 1969, aos 65 anos.

Norma

"Porque hoje é sexta..."



Rodoviária de Paranavaí-Pr- Imagem de Edmar C ordeiro Lima


Por José Carlos Brandão



O CÁRCERE DE BÁRBARA DE ALENCAR

Eu vi o cárcere de Bárbara de Alencar.
No subsolo, a pequena cela de tortura;
Atrás das grades, pedras, paredes de pedras,
A cela onde um homem não cabe em pé.

Bárbara recebia uma só refeição por dia,
Mas era muito: alimentava-se de pedras
E de orgulho ferido e erguido como bandeira.
As pedras eram cabras mansas para Bárbara.

Ordenhar: Bárbara tirava leite das pedras.
“Quem me pedirá contas de meus atos?
Meu marido, meus filhos, o meu Ceará?

Quem combate o bom combate não sucumbe.
Eu colho na derrota toda a minha vitória.”
Ouvi a voz de Bárbara, viva, nas pedras.



A FRESTA - José Flávio Vieira




– Não se esqueça de pôr a janela dentro da minha mala, minha filha! Aquela frase, dita de supetão, turvou o ânimo de toda a família. D. Mafalda mostrara-se sempre um exemplo de lucidez. Viúva precoce, conduzira toda récua de filhos com cabresto curto. A duras penas, com o minguado salário de professora, realizara o milagre dos pães e dos peixes. Nada faltou aos meninos do essencial e, vez por outra, permitia-lhes um ou outro artigo mais chique, pois entendia perfeitamente que é do supérfluo que se alimentam os sonhos. Seu esforço e sua rédea apertada surtiram o efeito imaginado, aos poucos se deparou com os rebentos encaminhados, quase todos formados e tocando a vida sem maiores atropelos. Todos reconheciam o árduo trabalho da mãe que lhes dedicou o melhor de seus dias e retribuíam-lhe com o conforto, o afeto e o carinho tão necessários à velhice. D. Mafalda morava na antiga casa da família apenas com uma agregada de muitos anos e que praticamente já fazia parte do clã. Apesar da distância, os filhos ainda lhe eram ligados umbilicalmente. As rugas e as cãs que lhe foram ofertando os anos proporcionaram-lhe um ar tranquilo de monge tibetano. Todos os problemas envolvendo netos, bisnetos, noras, genros e os próprios filhos invariavelmente vinham bater à porta da velha senhora, e seus conselhos não só abriam caminhos, desarmavam espíritos, como adquiriam força de lei. Ao quebrar, no entanto, o cabo da boa esperança, aí por volta da oitava década, o peso da idade começou a aparecer mais perceptível. D. Mafalda apresentava lapsos frequentes de memória, muitas vezes já não reconhecia parentes mais próximos. A velha mucama relatava: ela andava “tresvariando” e conversando “arisias”. Os filhos preocuparam-se de início, levaram-na à consulta com geriatra, mas aos poucos perceberam que a seiva que nutria o caule de D. Mafalda começava a secar e aqueles lapsos significavam a queda das primeiras folhas, o ressequimento dos primeiros galhos que antecediam o fenecimento da frondosa árvore. Reunidos os filhos, optaram por deixá-la morando no seu próprio cantinho e contrataram duas enfermeiras para acompanharem o tratamento da mãe, uma vez que a velha empregada, artrítica, já não possuía forças para cuidados mais continuados.
Poucos meses depois, a companheira inseparável de D. Mafalda, subitamente, fez a viagem derradeira. Dormiu na terra e acordou no céu, conforme se comentou no velório. A perda da amiga de luta abateu intensamente a inabalável matrona. Sentiu quase como se perdesse o esposo novamente. Nos dias mais difíceis, a secretária fora de tudo: irmã, colega, confidente e ajudara na criação dos meninos como se os tivesse dado à luz. Esta nova perda embotou visivelmente o ânimo de D. Mafalda. A partir daí parece ter se acentuado seu processo de demência. Nova reunião e os filhos acharam mais sensato transferi-la para a casa da sua primogênita. Leocádia, após o divórcio, morava praticamente só, pois a filharada já ganhara o mundo e tinha vida própria. A aterradora frase de D. Mafalda soara justamente no momento em que Leocádia arrumava os pertences da mãe, providenciando a transferência planejada.
– Não se esqueça de pôr a janela dentro da minha mala, minha filha!
Passado o primeiro estupor (Meu Deus, mamãe agora pirou de vez!), os parentes começaram a refletir sobre a frase pronunciada por Mafalda. Enquanto arrumava os velhos guardados, acumulados ao longo de tantos anos, cada um embebido de vida e de passado, Leocádia começou a pensar no pedido da mãe. Que bom seria se se pudesse levar a janela da nossa casinha, a cada mudança que se fizesse na vida! Bastava colocá-la em uma das paredes da nova residência e teríamos fresta aberta para o éden. Ao sentir saudades dos antigos vizinhos, era suficiente apenas se postar diante da janela mágica e perguntá-los pelas novidades. À noite, quando o silêncio baixasse sobre a cidade, seria possível conversar com os conhecidos fantasmas do casarão antigo, ao se aproximar da janela que trouxemos na mala. O bulício da rua sagrada da nossa infância estaria sempre ao nosso alcance se pudéssemos carregar aquele velho rasgão que nos uniria eternamente ao passado. Além de tudo, furtada a janela, qualquer dissabor que nos turvasse a alma, saltaríamos para o quintal da nossa juventude e nos banharíamos nos seus indevassáveis mistérios: a goiabeira confidente, o velocípede veloz, a tina com seus segredos aquáticos. Depois, voltado o enlevo, ajoelharíamos na úmida areia e colheríamos todos os cacos dos nossos sonhos partidos, das nossas ilusões fragmentadas, da nossa felicidade espedaçada nas calçadas da realidade. Teríamos então todo o tempo do mundo para tentar refazer o quebra-cabeça. Quando assim nos aprouvesse, nos seria dado o direito de fechar a janela e mergulhar no presente, mas cuidadosamente deixaríamos a tranca frouxa, para qualquer emergência mais premente.
É, pensou Leocádia com seus cacarecos, D. Mafalda talvez ainda esteja mais lúcida do que pensávamos. No auge do delírio talvez tenha nos legado sua mais sábia lição: qualquer mudança que empreendermos na existência, nunca se deve esquecer de colocar na mala uma janela. É que as portas da vida estão sempre à frente, mas a felicidade, a alegria, o prazer estão nas pequenas janelas que por acaso tivermos a capacidade de escancarar para o pomar da nossa juventude e da nossa infância.

J.Flávio Vieira









Parabéns, André Ricardo!

Que a vida te conserve a vontade de cantar, dançar, amar, ser feliz!

Meu muito amor!

Socorro Moreira

NADANDO EM ÁGUAS CLARAS- Carlos Esmeraldo



Numa noite úmida de fevereiro, sentindo-me inadaptado à cidade grande e seus inúmeros rostos estranhos, vi-me, como que de repente, envolvido por uma onda acolhedora, que me lançou no meio de um mar de águas mornas, claras e aconchegantes. Meu corpo flutuava livremente, sem necessidade de esforço para me manter na superfície daquela água deliciosa. Ao meu lado, uma multidão de rostos desconhecidos também flutuava. O sentimento de cada um daqueles banhistas parecia fundir-se ao meu, num processo de unificação sobrenatural. Inexplicável descrever com precisão a emoção que sentíamos. Um bem-estar invadia nossas almas, e aquele prazer inesquecível, que toda criança experimenta num banho de piscina, era comum a todos os companheiros daquele inacreditável passeio aquático. Um velhinho simpático se aproximou de mim, sorrindo. Então comentei com ele:

– Que banho maravilhoso! Sinto-me outro homem. – Ele então me perguntou:

– Você não sabe onde está?

– Não. – Respondi. E enquanto a brisa nos transportava suavemente para a praia,
ele me disse:

– Você morreu. Estamos na vida eterna.

– Que bom! – Exclamei com alegria. – Agora vou rever meu pai e minha mãe, que
estão aqui! – Ao que fui imediatamente contrariado pelo bom velhinho:

– Já faz mais de dez mil anos que estou aqui, e ainda não encontrei nenhum conhecido.

– Também pudera. Há dez mil anos, a população do mundo não era nem duzentos mil habitantes. Agora, não, eu conheci muito mais gente que já morreu que o senhor. – Disse-lhe eu, todo convencido, enquanto, sem que nos déssemos conta, estávamos na praia. Era uma estreita faixa de terra espremida entre aquele lago mágico e um alto, que nos lembrava o morro do Seminário do Crato.

Na encosta dessa pequena elevação, uma multidão incalculável se espremia olhando para o topo da montanha. De repente, vi duas mocinhas conhecidas lá do Crato, que estudavam em João Pessoa, e haviam morrido num desabamento da casa em que moravam, numa noite de grande chuva. E disse pro meu amigo:

– Está vendo? Já encontrei duas conhecidas. Aquelas duas moças são lá do Crato. – Disse-lhe, em tom de vitória. Ele retrucou imediatamente:

– Aquelas duas moças tem dois mil anos que morreram. Elas viveram na época de Cristo. Não podem ser do Crato, porque essa cidade ainda não existia. – Completou o amigo. Em seguida, ele acrescentou:

– É hora de Jesus chegar.

Aquele velhinho transpirava bondade por todos os poros, e me transmitia uma segurança e bem-estar nunca antes experimentado. Ajeitei-me nas pontas dos pés para poder melhor visualizar o Mestre, ansiosamente esperado. O meu bom companheiro explicava que todos os dias, àquela mesma hora, o Senhor vinha nos visitar.

De repente, um forte clarão surgiu por trás de uma nuvem, e a multidão toda se agitava. Jesus estava chegando! À medida que Jesus se aproximava do morro, um vento forte balançava nossos cabelos e refrescava o forte calor daquela noite. O clarão aumentava de intensidade, fechando nossos olhos automaticamente. Fiz um esforço enorme para abrir meus olhos. Precisava ver Jesus. Naquele exato momento, a luz fluorescente do banheiro fora acesa, e o tique-taque do despertador me lembrava um novo dia de muito trabalho.

( do livro "No Azul Sonhado ")

A ÁRVORE E A SEMENTE DE UM NOVO TEMPO- Bernardo Melgaço




Certa vez, um pássaro pousou no galho de uma enorme árvore, numa floresta. Em seu bico, carregava uma pequena semente que, por um descuido, deixou cair lá de cima. A pequena semente, ao cair, se chocou contra o chão e, meio atordoada, procurou refazer-se do susto. Em seguida, ainda assustada, olhou para a árvore imensa, e disse:

– Senhora árvore, por favor, me ajude. Eu não sei me defender. Tenho medo de ser comida e morrer. Vejo que a senhora é muito alta, forte e experiente.

Então, a árvore respondeu, dizendo:

– Querida semente, tu és muito pequenina, mas não tenhas medo, que farei balançar os meus galhos de modo a saltar algumas folhas sobre ti, e assim estarás salva dos predadores que existem nessa floresta. Eu tenho mais de um século de experiência.

E assim fez se balançar, e várias folhas caíram sobre a semente, de tal forma que ainda sobrou um pequeno buraco para ela respirar e olhar para a grande árvore. A semente agradeceu, dirigiu-se novamente à árvore, e disse:

– Puxa vida, cem anos! Por favor, gostaria que me dissesse como é ser um dia uma árvore grande, forte e bonita, como a senhora!

A árvore, com muita doçura, respondeu:

– Querida semente, és muito pequenina ainda para compreender essas coisas. Mas, mesmo assim, direi algo de instrutivo. Eu sou uma espécie de árvore entre milhares e milhares que existem por aí, na floresta. Todas – inclusive tu serás também assim, um dia! – são constituídas de três partes básicas: a raiz, o tronco e a copa. Todas elas têm um duplo crescimento: um em direção às profundezas do chão, e o outro em direção ao firmamento do céu.

Em outras palavras, uma parte tua estará enraizada na escuridão do mundo do chão-terra, e a outra estará buscando luz, energia e claridade na imensidão do cosmo. Somos assim, ou seja, temos dois impulsos de crescimento. Um nos puxando para baixo, e o outro nos puxando para cima. Essa situação nos põe em conflito, porque são duas forças que nos remetem para lados opostos. O mundo do chão é escuro, às vezes úmido, às vezes seco, muitas das vezes duro, sofrido e bastante concreto. Esse crescimento é a base de nossa estrutura física. Por isso, temos que escolher com cuidado e prudência as substâncias e os alimentos que a natureza desse mundo nos oferece.

Terás momento de fome, sede, calor, frio e solidão. À noite, ficarás no escuro, e de dia serás aquecida pelo Sol; no verão, serás alagada pelas águas da chuva; no inverno, serás coberta de neve. O cupim e o homem são os nossos maiores predadores, por isso, não guarde teu tesouro na terra, guarde-o no céu. Mas, não te preocupes, porque o nosso Criador nos fez com sensibilidade para nos protegermos, e selecionarmos as coisas sem errar.

Nada é dado, mas tudo é conquistado com perseverança e mérito. O teu esforço pessoal é o caminho para a tua fortaleza no mundo interior do chão. Nunca te esqueças de cuidar da parte superior da copa, que te liga ao mundo transcendente do céu. Ela é extremamente importante, tanto quanto a parte de baixo da raiz. Terás um desafio muito grande, que é alimentar a tua raiz, fortalecendo-a cada dia, e ao mesmo tempo voltar-te constantemente para a luz transcendente do Sol da vida. Agradece sempre esse aprendizado, porque é uma lei da vida criadora.

Terás momentos difíceis e penosos, principalmente quando a espécie humana se aproximar de ti. Muitos deles perderam a sensibilidade, e não nos enxergam como uma parte sagrada da mãe natureza, mas como meros objetos para as suas riquezas egoístas. E mesmo que os homens te ataquem com serras, martelos, foices e palavras de ordem agressiva, entende que a tua missão é servir e morrer em vida dando sombras, frutos, alimentos, abrigos e água em tuas raízes.

A vida é uma árvore que deverá dar bons frutos; os homens são árvores também. Muitos deles vivem apenas dentro do chão, na escuridão, e não percebem o valor da copa e da luz do céu. Um dia, o homem perceberá, um pouco tarde, que o mal está na raiz. Nesse dia, novas sementes crescerão orientadas pelo céu de um novo tempo.

Aceita ser transformada no altar da vida: é a Lei!

Bernardo Melgaço