por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
domingo, 3 de setembro de 2017
sábado, 2 de setembro de 2017
SUCESSO NO FRACASSO
"É
impossível viver sem fracassar em algo, a menos que viva com tanto
cuidado que acabe não vivendo de verdade, e nesse caso você falha
por omissão.
O fracasso
me deu confiança que nunca tive passando em provas. Me ensinou
coisas sobre mim mesma que jamais poderia ter aprendido de outra
maneira. Descobri que tinha uma grande força de vontade e mais
disciplina do que imaginava. Também descobri que tinha amigos, que
valem mais do que rubis.
Saber que
você se reergueu mais sábio e mais forte que antes significa que
você tem no fim das contas, segurança em sua forma de sobreviver.
Você nunca vai se conhecer de verdade, ou a força de seus
relacionamentos, até que sejam testados pelas adversidades. Tal
conhecimento é um presente, ainda que duramente ganho, vale mais que
qualquer qualificação que já recebi.
Então, se
eu tivesse um “vira-tempo” diria a minha eu de 21 anos (tenho
hoje 42) que felicidade pessoal é saber que a vida não é uma
lista de aquisições e conquistas. Suas qualificações e seu
currículo não são a sua vida. Embora vão conhecer muitas
pessoas, da minha idade ou mais velhas que confundem as duas coisas.
A vida é
difícil, complicada e além do controle total de alguém, a
humildade de saber disso vai permitir que vocês sobrevivam às suas
inconstâncias…"
J.K.ROWLING
(madrinha de “formandos” em Harvard, em 2008)
sexta-feira, 25 de agosto de 2017
DITADURA DO JUDICIÁRIO - José Nílton Mariano Ssraiva
Pernósticos,
arrogantes, sarcásticos e aureolados (por conta própria) de um
certo grau de superioridade sobre os mortais comuns, os preguiçosos
e prolixos ministros que integram o Supremo Tribunal Federal
conseguiram o que seria impossível num país sério: que a sociedade
em peso alcunhasse o Poder Judiciário (brasileiro) como o mais
corrupto dos poderes (e, convenhamos, não é pouca coisa, se
levarmos em conta que temos um Legislativo repleto de ladrões e um
Executivo dominado por uma quadrilha de marginais, denunciados ao
próprio STF).
E
a figura emblemática e fiel de tal perversão é o truculento juiz
mato-grossense Gilmar Mendes, hoje o homem mais poderoso da nação
(a ponto de servir como conselheiro informal do gangster sem povo e
sem voto, Michel Temer, que “está” Presidente da República, via
golpe). Tivéssemos uma imprensa expedita, imparcial e atuante, a
pergunta que meio mundo e a outra banda gostaria que fosse feita,
desde lá atrás, seria: afinal, “QUANTO” ou “O QUÊ” o
ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, recebe por cada
um dos habeas corpus, que concede, vapt-vupt, beneficiando bandidos de
alto coturno ??? (lembremo-nos que aqui no Ceará, nos plantões de
final de semana, os senhores Desembargadores recebiam R$ 150.000,00
por cada HC concedido).
Afinal,
e é só examinar a lista de “clientes” de Sua Excelência pra se
constatar que é composta só de marginais de alta periculosidade,
mas de bolsos recheados de dólares, euros e outros “abre cofres”
(Daniel Dantas, o “médico-tarado”, o chefe do jogo de bicho e
por aí vai). E seria pouco inteligente imaginarmos que Sua
Excelência se disponha a passar pelo corrosivo desgaste que há
tempos enfrenta apenas e tão somente pra se afirmar como um juiz
independente e corajoso. Aí tem propina e propina alta.
No
mais, e até porque o temem (e “tremem” de medo de enfrentá-lo,
por alguma razão), as demais “Excelências” que compõem o
Supremo Tribunal Federal não diferem muito do Gilmar Mendes: todos
se julgam acima dos mortais comuns. Todos são sarcásticos e
pernósticos. Espécie de semideuses ou “deuses depravados”, aos
quais são permitidos abusos de toda ordem.
Ainda
agora, argui-se a suspeição de Gilmar Mendes para julgar
determinados processos, porquanto seria como legislar em causa
própria, tal o grau de intimidade que guarda para com os acusados.
Para tanto, no entanto (sem trocadilho) constitucionalmente caberia
as “Excelências” do STF tomarem tal iniciativa, pondo-lhe
freios. Mas, se são iguais, como esperar que o façam ???
Estamos,
pois, queiram ou não admitir alguns, sob o tacão da ditadura
judicial.
terça-feira, 15 de agosto de 2017
A hoje "VELHA SENHORA" - José Nílton Mariano Saraiva
Aliando
discrição, simplicidade e até traços de uma certa nobreza (por
mais paradoxal que possa parecer), ao vir ao mundo ela já
conseguira o que parecia impensável: a unanimidade, sobre sua beleza
e suas formas perfeitas, suas graciosas curvas e até sua postura um
tanto quanto aristocrática (para os padrões então vigentes),
responsáveis por sua caracterização como uma “gracinha”,
detentora de um charme indescritível, verdadeiro presente dos
deuses.
Embevecidos
e orgulhosos, os cratenses sentíamos imensa satisfação em
mostrá-la aos que aqui aportavam, em visitá-la periodicamente ou,
simplesmente, em transitar à sua frente ou arredores, admirando-a e
inflando o nosso ego com o que as pessoas dela comentavam; e, se
distantes nos encontrávamos do torrão natal por algum motivo, não
cansávamos de citá-la em conversas informais, ou mesmo recomendá-la
aos que pretendiam visitar a cidade do Crato.
E
assim sua fama cresceu, atravessou fronteira, espraiou-se rincões
afora. O astral era tamanho e a curiosidade tanta, que todos nutriam
o desejo interior de algum dia conhecê-la, mesmo que por um fugídio
e único momento, para simplesmente comprovar tudo o que dela diziam.
E vindo, e vendo-a, saiam satisfeitos, radiantes, solidários, a
difundi-la mais a mais por outras plagas. Era, realmente, de uma
beleza ímpar, diferente... avançada para os padrões da época.
Com
o passar do tempo, entretanto, dada à inexorabilidade do ciclo
normal da natureza, naturalmente a jovem cresceu, adolesceu, virou
adulta, transmutou-se e viu processar-se o arrefecimento de ânimo, o
rareamento das manifestações de simpatia; a chegada da rotina,
enfim, acabou com o seu encanto e tornou-a “normal”.
Além
do que, por falta de carinho, cuidados e incentivos, seu aspecto
físico compreensivelmente decaiu a olhos vistos, enquanto outras
beldades, turbinadas por energéticos e vitaminas, que a ela passaram
a ser negadas, apareceram ao longo do caminho, tomando-lhe o lugar e
adeptos, deixando-a no ostracismo e na saudade.
Os
que dela deveriam zelar e cuidar, simplesmente a abandonaram
criminosamente, deixando-a por muito tempo ao relento, exposta ao
sol, chuvas e trovoadas, enquanto seu “habitat” foi
indiscriminadamente invadido e ocupado por companhias nada
recomendáveis, sufocando-a sem dó nem piedade.
Hoje,
sua imagem é de dar pena e dó e dela até nos envergonhamos:
superada, decadente, isolada, decrépita, acanhada, sitiada, evitada
pelos antigos admiradores e também pelas novas gerações,
abandonada pelo poder público que tinha obrigação de cuidá-la,
ela é o retrato emblemático e pujante daquilo em que transformaram
o Crato ao longo desses últimos 40 anos: uma cidade cidade-fantasma,
cidade-dormitório, sem perspectivas, sem futuro, sem nada, a reboque
de migalhas governamentais.
Quem
te viu e quem te vê, RODOVIÁRIA DO CRATO !!!
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
A "ODISSÉIA" DOS "ESMERALDO" - José Nilton Mariano Saraiva
Imagine
um jovem casal, que houvera contraído matrimônio três dias antes,
de repente “se mandar” do Crato, a bordo de um “fuscão-branco”
apinhado de pertences, rumo ao desconhecido, mas de encontro ao
primeiro emprego do jovem engenheiro recém-formado.
Para
tanto, tiveram que trafegar dias e dias (varando terras inóspitas do
Ceará, Piauí, Maranhão e Pará), na maior parte do tempo por
estradas de barro ou piçarra, sujeitos a atoleiros ou derrapagens
imprevisíveis, já que à época “asfalto” era um sonho
distante.
E
que, em chegando ao destino pretendido (nos rincões do Estado do
Pará, estrada Tomé-Açu/Paragominas), instalaram-se à beira da
“selva amazônica” (vilarejo Quatro Bocas do Breu), numa rústica
“casinha branca” de madeira, longe de tudo e de todos, tendo como
fiel companheiro apenas um rádio de pilha para se conectar com a
civilização.
Para
a jovem esposa, então, que nunca houvera saído do conforto da casa
dos pais, uma verdadeira “provação” (mas que alicerçada na
fé), porquanto ficava o dia sozinha, enquanto o marido labutava na
construção da estrada, longe dali, com retorno apenas ao anoitecer
(anoitecer, aliás, que era desvirginado apenas e tão somente pela
luz do candeeiro, já que energia elétrica à noite, ali e à época,
nem em sonhos).
Posteriormente,
devido às fortes chuvas da região, que inviabilizariam o andamento
da obra em execução por meses e meses, o jovem casal teve que
embrenhar-se ainda mais Brasil adentro, e agora sim, cruzando a
portentosa selva amazônica rumo ao planalto central do país (estado
de Goiás). Loucura, coragem ou muita fé em Deus ???
Fato
é que o “previsível” aconteceu: dividindo aquele “projeto de
estrada” com possantes carretas, mas que mal rodavam devido às
precárias condições da malha, eis que o “fuscão-branco”
atolou de vez, obstruindo a passagem de todos. Como resultado e única
alternativa viável, uma inusitada decisão: o tal “fuscão” foi
suspenso, no braço, por dezenas de caminhoneiros (com o casal
dentro), e colocado de volta à estrada mais à frente, onde
prosseguiram viagem rumo à recém-inaugurada capital do Brasil,
Brasília.
Estes,
apenas dois “suculentos” detalhes da verdadeira “odisséia”
vivida por aquele jovem casal cratense que, após penar muito em
pleno início da vida matrimonial, mas com uma confiança inabalável
no seu “Deus”, conseguiram ao final voltar ao amado torrão
natal, o Crato.
No
mais, nas 303 páginas do livro “A PRAÇA DOS NOSSOS SONHOS”
(Memórias), o hoje maduro casal, conterrâneos Carlos Eduardo
Esmeraldo e Magali Figueiredo Esmeraldo, firmam um pungente e
inigualável tratado de amor incondicional ao Crato, em suas mais
variadas facetas: à praça dos sonhos (da Sé); a praça Siqueira
Campos (onde começaram a namorar); a praça de São Vicente; os
colégios onde estudaram; a feira semanal do Crato; as casas onde
moraram; os amigos; professores e por aí vai. Evidentemente, à
família foi reservado destaque especial, com menções a irmãos,
primos e, principalmente, aos respectivos pais/mães.
Uma
confidência: de tão agradável o livro, o “deglutimos” (lemos)
em “duas sentadas”. Resta, então, agradecer a Carlos Eduardo
Esmeraldo e Magali Figueiredo Esmeraldo, cratenses dignos do orgulho
de todos nós, pela brilhante obra produzida.
terça-feira, 8 de agosto de 2017
UM ABRAÇO NO GONZAGA - Dr, Demóstenes Ribeiro (*)
Seu Luiz, a coisa não foi boa
no seu centenário. A acauã danou-se a cantar, em dezembro não fez
barra, nem choveu no mês de São José. Teve seca, os animais
morreram, muita gente se desesperou e foi embora. Marcolino vendeu os
bois e abandonou Cacimba Nova, carregando a sua dor. Essa é uma
história conhecida, mas que poderia ser pior. Hoje, bem ou mal, o
povo escapa. O risco é viciar o cidadão.
O sertão mudou muito. O campo
se esvaziou e as favelas cresceram. Quase não existe vaqueiro, é
moto pra todo o lado e o jumento caminha pra extinção. O coitado
foi esquecido e desprezado. Se não é atropelado nas estradas, é
exportado e vira bife na China. Nem parece que é nosso irmão.
Xanduzinha e o cabra da peste
estão cada vez mais raros. E tem um pessoal esquisito, no Ceará não
tinha disso não e a gente até se atrapalha. Uma parte da mocidade,
longe dos livros e da utopia, foi entorpecida pelas drogas. Perdeu o
grito de guerra e a vontade de mudar o mundo. Muito assalto e
violência, dinamite e metralhadora, é um retorno feroz do cangaço.
Mas, como você sabe, a vida
aqui só é ruim, quando não chove no chão. Quando eu fecho os
olhos e começo a sonhar que acordo com a passarada, o bom tempo está
de volta. Pássaro carão cantou, anum chorou também, o pessoal
preparando o roçado e plantando milho. Em junho, com ele maduro,
vinte espigas em cada pé, dá pro São João e pro São Pedro, a
festa do maior brilho. Uma fogueira queimando, olha pro céu meu amor
e vê como ele está lindo!
Vem a safra, pisa o milho e
peneira o xerém. Quem no tempo de menino nas fazendas do sertão não
gostava de espiar as caboclas no pilão? O riacho de água fresca, a
estrada e a lua branca, o orvalho beijando a flor... Vez por outra me
recordo de Rosinha, a linda flor do meu sertão pernambucano. É um
passado que não passa, faz doer e amarga que nem jiló.
Mas o algodão se acabou e o
perigo é o dinheiro que a gente toma emprestado. A vaquinha chocalha
que é do banco e o banco é das ratazanas e dos urubus de sempre. E
ano que vem tem eleição: Sérgio Cabral, Angorá, Michel Temer,
petrolão... Gabiru pra todo o lado, só Deus pra nos proteger,
difícil a situação.
Gonzaga, véio macho, Sá
Marica parteira vem tendo muito trabalho. É criança que não acaba
mais. As meninas enjoaram da boneca e apareceu o azulzinho. É melhor
do que ovo de codorna, só perde pra capim novo - balança, Sinhá!
Porém, foi grande a alegria
no seu centenário. Muita festa no dia de Santa Luzia, pisada até
quebrar a barra. Chambinho do Acordeon, xote, xaxado e baião. Foi
danado de bom e aquele sanfoneiro é a sua cara. Ninguém sabe
quando, mas qualquer dia eu chego aí. Cantarei com você, Zé
Marcolino e Jackson do Pandeiro. Agora, vou pro Crato, matar minha
saudade e, com a benção do Padre Cicero, tomar cerveja com o Dário.
Um abraço sertanejo e meu
aboio lacrimado.
(*) Dr. Demóstenes Ribeiro, médico cardiologista.
sexta-feira, 4 de agosto de 2017
A "ESCOLHA DE SOFIA" - José Nílton Mariano Saraiva
Desde tempos imemoriais,
principalmente no seio de famílias menos favorecidas do interiorzão
brabo desse Brasil varonil, o desejo acalentado e inconteste de pais
e mães sempre foi o de... “formar um filho doutor” (aqui
entendido como o graduar-se em Medicina). Para tanto, e evidentemente
que sem entender da profundidade do tema, muitos pais,
implicitamente, incorriam na famosa “escolha de Sofia” (aquele
lance em que, literalmente, haveria de se “sacrificar” um dos
rebentos em detrimento de outro; no caso, por absoluta carência de
recursos necessários à contemplação de mais de um). E como à
época vigia o conceito de que “onde come um, comem dez” e o tal
“controle da natalidade” era uma miríade distante, o “fazer”
filhos era a regra em uma família paupérrima, objetivando uma
futura e decisiva “ajuda” na luta pela subsistência
(excetuando-se, como explicitado antes e restou provado a posteriori,
aquele a quem se destinaria o “olimpo”).
Mas aí, em muitas
oportunidades, o próprio rebento “premiado”, depois de ralar
muito e ser aprovado no mais concorrido dos vestibulares, depois de
seis anos de dedicação “full time” visando tornar realidade o
sonho dos pais, não mais que de repente “descobre” não ter
“vocação para a coisa” e que havia, sim, um meio mais fácil de
“se fazer na vida”: o ingresso na “corrupta” atividade
política.
Assim, e lamentavelmente
(devido à carência de profissionais numa área ainda tão
prioritária) muitos dos que se formaram “doutor” à custa do
esforço sobre-humano dos pais, nunca fizeram um simples curativo,
sequer manipularam uma seringa, jamais prescreveram qualquer
medicação a algum paciente e, enfim, se mudaram de mala e cuia para
o “eldorado” mafioso da política carreirística. E, para tanto,
aí sim, passaram a usar e abusar da “patente” de doutor a fim de
“abrir portas”.
Adstringindo-se à nossa praia
(o Ceará) dos dias atuais, além de na capital e interior termos
“doutores” no exercício do cargo de prefeito, sem que nunca
tenham exercitado a “atividade-fim” da formação acadêmica,
pululam nos parlamentos estaduais e federais um outro tanto que
adotaram o mesmo “script”.
E assim, o sonho dos pais,
acalentado durante anos e anos, jaz esquecido e deixado pra trás,
por obra e graça dos encantos e da facilidade que a atividade
política oferece de “se fazer na vida” rapidamente, mesmo que
por métodos heterodoxos. Definitivamente, os tempos são outros.
Alfim, há que se destacar,
sob pena de não o fazendo injustiçá-los, que os “vocacionados”
para o mister, aqueles que realmente “vestiram a camisa” desde o
ingresso na faculdade e até a pós-formatura, são, sim, dignos e
merecedores de encômios e de reconhecimento público pelo verdadeiro
“sacerdócio” no dia-a-dia de uma atividade estressante e
sofrida. Afinal, além de não os frustrarem, se mantiveram fiéis ao
sonho dos pais de um dia… “formar um filho doutor”.
Poderão, mais à frente, após
passados na “casca do alho” de uma larga experiência no
“laboratório da vida” (o exercício diário da Medicina),
ingressar na arena política objetivando melhorar a vida dos menos
favorecidos, aos quais acompanharam “pari passu”, diuturnamente.
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
"EXCELÊNCIAS BANDIDAS" - José Nílton Mariano Saraiva
Deputados
Federais cearenses que votaram favoravelmente a que Michel Temer,
Eduardo Cunha e Aécio Neves continuem a receber malas e malas de
dinheiro público para uso pessoal:
Danilo Forte (PSB) - SIM
Domingos Neto (PSD) - SIM
Genecias Noronha (SD) - SIM
Gorete Pereira (PR) - SIM
Macedo (PP) - SIM
Moses Rodrigues (PMDB) - SIM
Paulo Henrique Lustosa (PP) - SIM
Vaidon Oliveira (DEM) – SIM
Eles
vão querer seu voto no próximo ano. Fique de olho.
sábado, 29 de julho de 2017
"EMENDAS PARLAMENTARES" - José Nílton Mariano Saraiva
Anos
atrás, aqui em Fortaleza, no decorrer de uma comemoração
natalícia, tivemos a oportunidade de conhecer o (então) prefeito de
uma paupérrima cidade do interior do Ceará, mais especificamente de
uma urbe encravada na Região do Cariri. Na verdade, o dito-cujo já
houvera chamado a atenção no momento em que estacionou e
desembarcou de uma vistosa e potente Hilux, “tinindo de nova”.
Lá
pras tantas, conversa vai conversa vem, as generosas doses de “scott”
sorvidas conseguiram “destravar” a língua de Sua Excelência. E
ele começou, exatamente, pelo “avião” (como ressaltou) em que
desembarcara (a Hilux). Segundo narrou, acabara de receber de
“presente” de um determinado Secretário de Estado em troca de um
“favor” que lhe houvera prestado (vivenciávamos então o
primeiro governo Tasso Jereissati). Adiante, numa outra fala, sem
assombro discorreu que para ter acesso às tais “emendas
parlamentares”, destinadas aos municípios pelos “nobres” (???)
deputados federais, a condição sine qua non era que “pelo menos”
20% (vinte por cento) do valor ficasse retido com o próprio
(evidentemente que não “detalhou” como se conseguia fechar a
prestação de contas, a posteriori; no entanto, bem sabemos que nada
que um banal sobrepreço não resolva).
A
reflexão é só pra mostrar que de lá pra cá a coisa não mudou
nada. Agora, por exemplo, em busca de manter-se no poder a qualquer
custo, o golpista sem povo e sem voto (Michel Temer) avança tal qual
um rolo compressor sobre os mafiosos deputados componentes da base do
governo, e literalmente “compra” os seus votos a fim que consigam
livrar-lhe da cassação do mandato, através da liberação generosa
das tais “emendas parlamentares”. Que, repita-se, ao chegaram aos
prefeitos interioranos (se chegarem), naturalmente terão passado por
um processo de “poda” durante o percurso (de pelo menos 20%,
lembremos). Isso tem um nome, Corrupção. “Ativa”, por parte do
golpista sem povo e sem voto (Temer) e “Passiva”, por parte dos
escroques parlamentares. Por onde anda o único juiz do Brasil que
trata da corrupção, Sérgio Moro, que não intervém ???
A
propósito, em mais de uma postagem, neste mesmo espaço, já há um
certo tempo, afirmamos peremptoriamente que o exercício da atividade
política no Brasil se houvera transformado num “rentável meio de
vida” (e nada mais que isso), já que pelo menos 95% dos candidatos
a atividade parlamentar, independentemente da agremiação a que
estejam vinculados, adentram ao jogo político com o objetivo único
e exclusivo de “se fazer”, “se arrumar na vida”, sem qualquer
preocupação com a coletividade (assim, além do marombado salário,
verbas de todo tipo lhes são destinadas, além da oportunidade de
traficar influência em benefício próprio e por aí vai, desaguando
no enriquecimento ilícito ora visto).
O
absurdo é que o próprio Presidente da República, para se manter e
à quadrilha que o assessora, no poder, se dê ao desplante de ficar
ligando pessoalmente para parlamentares oferecendo-lhes uma grana
alta que poderia ser destinada a fins mais nobres.
No
mais, somente uma “reforma política” profunda e visceral, que
contemplasse o extermínio das tais “emendas parlamentares”, bem
como o fim do tal “fundo partidário” (dentre outras medidas),
teria o condão de mudar o rumo do Brasil. Mas, para tanto, os
próprios ladrões com assento no Congresso Nacional é que teriam de
tomar tal iniciativa.
Alguém
acredita nisso ???
segunda-feira, 17 de julho de 2017
O ADEUS AO "JUIZ NATURAL" - José Nílton Mariano Saraiva
Antecipadamente,
até a “velhinha de Taubaté” já sabia que Sérgio Moro
condenaria Lula da Silva na pendenga em que se transformou o caso do
triplex. E por uma razão simplória: desde o surgimento da tal
Operação Lava Jato o “objeto de desejo” daquele assanhado juiz
era acabar com o PT e impossibilitar que a sua estrela maior tivesse
(ou tenha) condição de concorrer nas próximas eleições
presidenciais de 2018, quando, certamente, terá oportunidade de
voltar ao poder nos braços do povo (conforme as pesquisas indicam).
Só que o “ranço” se
mostrou tão arraigado que, depois de chafurdar por mais de três
anos a vida de Lula da Silva e familiares e não encontrar nenhuma
prova cabal (nenhuma, é bom repetir), Sérgio Moro (auxiliado por
dezenas de procuradores arrogantes) viu-se enroscado e vítima da
armadilha que ele mesmo engendrou: assim, independentemente da
existência de qualquer prova, teria que condenar o ex-presidente,
porque, não o fazendo, se desmoralizaria perante a opinião
pública.
Para tanto, ancorado nas
“lunáticas convicções” do pastor-evangélico-procurador
Deltan Dellagnol (aquele do Power Point) e no depoimento informal
(onde não há a obrigação do denunciante de falar a verdade ou
apresentar provas) de um condenado pela justiça, Léo Pinheiro (em
busca de redução da pena), só restou ao juiz Sérgio Moro “encher
linguiça” pra preencher mais de duzentas páginas, sem, no
entanto, apresentar uma única prova contundente de algum ilícito
do ex-presidente. Um fiasco. Quem quiser conferir é só se debruçar
sobre o calhamaço, pra constatar.
Fato é que, dada a
fragilidade e inconsistência da peça acusatória, Sérgio Moro
sequer teve coragem (como o fez com muitos outros. impunemente) de
decretar a prisão de Lula da Silva, transferindo a “batata
quente” (responsabilidade) para os integrantes do Tribunal
Regional Federal, 4ª turma, em Porto Alegre.
Nesse ínterim, obedecendo
ao rito processual, em pouco mais de simplórias 60 páginas, a
defesa do ex-presidente encaminhou ao próprio juiz curitibano a
peça “embargos de declaração”, que é um instrumento
jurídico-legal usado para solicitar ao juiz revisão de
pontos da sentença; e ali (é só ter coragem de ler), literalmente
é “demolida”, ponto a ponto, a sentença proferida por
Moro (só que ele, naturalmente, recusará a argumentação usada).
Assim, como também cabe
recurso do ex-presidente ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região,
em Porto Alegre, se não prevalecer o “corporativismo”
exacerbado do Judiciário as chances de reversão ou mesmo anulação
da pena são as mais promissoras possíveis, é o que atestam
juristas de escol, face a fragilidade da peça acusatória
apresentada pela “República de Curitiba”.
Alfim, uma lamentável
constatação: a “esculhambação” jurídica vigente hoje no
país (onde um juiz de primeira instância estupra impunemente a
Constituição Federal, diuturnamente), deve ser creditada aos
prolixos e preguiçosos membros do Supremo Tribunal Federal, que
passivamente assistiram Sérgio Moro assumir o monopólio de tudo
que se referisse a corrupção, independentemente de onde ocorra. Em
suma, o princípio do “juiz natural” foi pro beleléu e Moro
reina absoluto como o único juiz do Brasil (determinando,
inclusive, a agenda do sonolento STF).
segunda-feira, 3 de julho de 2017
ADEUS, OÁSIS (Dr. Demóstenes Ribeiro)
Ninguém deveria errar duas vezes, eu jamais me perdoarei por
isso, mas o mundo não é como a gente quer. No entanto, foram
épocas encantadoras, inesquecíveis e de magia sem igual. Se você
viveu algo parecido certamente me compreenderá.
A primeira vez, em São Paulo, saindo da adolescência, eu fazia
um curso de História e ele, Direito Internacional. Quantas vezes
fugindo do frio e tomando uísque barato, ouvimos jazz na “Opus
2004,” assistimos filme-cabeça no “Belas Artes” ou
descemos a Rebouças num fusca azul, a caminho do Embu, para a
privacidade de um motel.
Lá fora o mundo era sombrio. A ditadura militar amedrontava,
mataram o Herzog e apareceu aquela militante carioca muito mais
bonita do que eu. Quando ela se exilou em Portugal, Rodolfo foi
atrás. Tanta légua, tanto mar, era abril, a Revolução dos Cravos
e ele ficou por lá. Quase morri. Voltei pra Fortaleza e decidi não
me envolver com outra pessoa nunca mais.
O tempo passava, eu vivia para o colégio e para os meus pais,
para os sobrinhos e para o trabalho na pastoral. Feliz dessa maneira,
se é possível ser assim. Chegou o aniversário da diretora e
decidiram comemorar no “Oásis.” Eu não queria ir, pra
mim aquele era um lugar de desespero, de homens tristes e de mulheres
complicadas. Mas, os “Brasas” tocaram uma balada, os
nossos olhares se cruzaram, o anjo do amor desceu sobre mim e
Fortaleza ficou a nossos pés.
No Dragão do Mar ou na Praia do Futuro, no Iguatemi ou no Zé
de Alencar, sob a lua de Iracema ou no sorvete da Beira Mar, foram
beijos ardentes e abraços carinhosos, constrangendo a quem nos
assistia, e toda a loucura de que a paixão é capaz.
Na minha família ninguém gostou: embora ele morasse sozinho,
ainda era casado. Pouco me importava, eu era de novo a adolescente
enfeitiçada e deslumbrada vivendo outra vez a primavera dourada. Às
vezes, ele era estranho, aparentava distância e temia que nos
observassem. Eu pensava que era discrição, receio, ou timidez...
Aproximava-se o final do ano, haveria a reunião familiar, nós
estaríamos juntos e eu o protegeria como uma fera – que ninguém
se atrevesse a maltratá-lo.
Veio o Natal, o Ano Novo, ele não apareceu e eu fiquei
sozinha. Preferiu a mulher e as filhas. Então, caiu a ficha e me
desesperei. Entrei na igreja aos prantos, arrastada pelo vendaval e
desabafei com o padre Renato: minha filha, ele é muito diferente de
você. Deus sabe o que faz, quem somos nós pra compreender a vontade
do Senhor?
Com o tempo, a paixão desvaneceu e nunca mais o vi. Jamais
percebi que fosse mais um solitário e mulherengo, que só pensava em
si e que não gostava de ninguém. Parece que eu escapei de uma boa.
Voltei à catequese das crianças, às aulas no colégio e redobrei o
cuidado com os meus pais. Reencontrei-me comigo mesma. Outro dia me
surpreendi sorrindo e o tempo aliviou a minha dor.
Hoje, sem querer, passei em frente ao “Oásis.” Fazia um
sol poente e a boate não funciona mais. Está sendo demolida, já
quase toda no chão. Eu fechei os olhos, contive o choro e quando o
sinal abriu, parti sem rumo, com um aperto no coração.
Acabou a festa, mas a vida continua. Aprendi a costurar,
faço artesanato, ontem mesmo paguei o professor de dança e vou
passar a noite inteira no Círculo Militar.
Dr.Demóstenes Ribeiro - Cardiologista/Fortaleza-CE)
sábado, 1 de julho de 2017
LICENÇA PARA... ROUBAR E MATAR - José Nílton Mariano Saraiva
Estupefatos,
num primeiro momento os brasileiros ouviram o áudio, em rede
nacional de TV, onde o Senador-bandido Aécio Neves acerta com o
empresário-mafioso Joesley Batista o recebimento de uma propina de
R$ 2.000.000,00 em 04 parcelas de R$ 500.000,00 e com um agravante: o
emissário-recebedor seria alguém... “que a gente mata ele antes
de fazer a delação” (nas palavras do próprio Senador). Ato
seguinte, em vídeo estarrecedor, ao vivo e a cores, o “eliminável”
emissário (o primo Fred, de confiança, do Senador) é visto
recebendo do preposto do empresário uma das parcelas, colocando-a
numa mochila e, depois, repassando-a para um segundo emissário do
Senador, dentro de um estacionamento, de onde seguiu para Belo
Horizonte para a entrega “delivery”. Como se vê, tudo dentro do
mais requintado estilo mafioso.
Num
segundo momento, atônitos e embasbacados, os brasileiros assistiram,
também ao vivo e a cores, as imagens/áudio do homem (ex-deputado
Rodrigo Loures) da “estrita confiança” do golpista sem povo e
sem voto (Michel Temer), acertando com o mesmo preposto do
emissário-mafioso o recebimento da primeira parcela SEMANAL de R$
500.000,00 (que se repetiria por 20 anos) e, ato seguinte, visto a
correr pateticamente pela noite paulistana, carregando uma mala com a
bufunfa para ser entregue ao Chefe (Michel Temer).
No
calor do momento, e até para dar uma satisfação momentânea à
sociedade, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin,
houve por bem afastar do Senado Federal o bandido Aécio Neves, ao
tempo em que lhe impunha uma série de restrições administrativas,
numa pseudo atitude moralizadora que mereceu aplausos da população,
ao passo que o emissário-presidencial (Rodrigo Loures) foi aquinhoado com a
prisão preventiva, objetivando prestar esclarecimento sobre o
destinatário da grana recebida.
Tudo
fogo de palha. Hoje, no encerramento das atividades semestrais do tal
Supremo Tribunal Federal, o ministro Marco Aurélio Melo, em decisão
monocrática, não só não atendeu ao Procurador Geral da República
(Rodrigo Janot), que houvera solicitado a prisão do senador Aécio
Neves, como houve por bem trazê-lo de volta ao Senado Federal (sem
restrições), enquanto o mesmo ministro que houvera decretado a
prisão de Rodrigo Loures, Edson Fachin, sensibilizado com o apelo da
família do meliante, resolve liberá-lo para uma prisão domiciliar
(com tornozeleira); aquela, onde o apenado se sente tão à vontade
que leva uma vida social das mais ativas (que o diga o tal Pedro
Barusco, que mesmo portando a dita-cuja, vive “melando o bico” na
orla carioca, conforme já flagrado).
Particularmente,
já há vários meses afirmamos neste mesmo espaço, de forma
peremptória e definitiva, que a esculhambação jurídica vigente no
país à época (e que se deteriorou sobremaneira de lá até cá)
deveria ser creditada à omissão e covardia dos integrantes daquela
corte, ao permitirem que o juizeco de Curitiba, Sérgio Moro,
estuprasse a Constituição Federal diuturnamente, findando por
destituir uma Presidenta da República eleita com quase 55 milhões
de votos.
É
pois, com a chancela do poder mais corrupto da república, o Poder
Judiciário, que agora Aécio Neves, Rodrigo Loures, Michel Temer e
integrantes da quadrilha que tomou de assalto o poder, estão com uma
perigosa licença em mãos. A licença para roubar e matar.
Impunemente e sem restrições. Sob o frondoso guarda chuva do STF.
terça-feira, 30 de maio de 2017
OBRIGADO, SENHOR - (Demóstenes Ribeiro)
Obrigado,
Senhor! - Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)
Eu ainda não havia nascido quando meu pai morreu afogado, salvando
um italiano. E nunca vi a minha mãe adormecida, fosse eu criança ou
adolescência afora. Ao me deitar, ela continuava na máquina de
costura; raiava o dia e já estava a trabalhar.
Herdei, assim, uma tendência incontrolável de só fazer o bem.
Mas, no serviço militar, surpreendeu-me a habilidade em manejar
armas. Tiro certeiro, jamais errei um alvo e com os prêmios que eu
ganhei, comprei uma pistola com silenciador.
Ao deixar o quartel e voltar para casa, fiquei indignado, pois a vida
da minha mãe mudara para pior. Havia o Borges, um grandalhão
barrigudo e irresponsável, exigindo dinheiro e a lhe maltratar.
Percebi o desespero da coitada em não saber como resolver essa
questão.
Aos poucos, descobri os hábitos do vagabundo e onde ele morava.
Certa noite, quando ele desceu do ônibus e a rua estava deserta,
deixei-o se afastar um pouco e acionei a pistola. Um tiro na cabeça
e mais um crime misterioso, apesar dos muitos inimigos que o filho da
puta deixara. Um dia, mamãe olhou nos meus olhos e disse,
serenamente, Deus lhe pague!
Daí em diante, embora bem de vida, uma dor esquisita na barriga
atrapalhava a paz que eu deveria sentir - um sofrimento que se
tornava insuportável. Levaram-me à Emergência e a visão da morte
se esboçava. Um Professor, cercado de estudantes, me deu uma atenção
que eu não esperava. Era úlcera perfurada. Ele me operou e salvou a
minha vida. Não tinha como lhe ser grato, exceto o tiro certeiro, o
melhor de mim, se algum dia ele precisasse.
Muito tempo depois, as amizades no Exército levaram-me para uma
multinacional responsável pela segurança de autoridades. Naquele
dia, FHC viria inaugurar o novo hospital e eu estava entre os
escalados. Em meio a tanta gente, vislumbrei o Professor. Não era
mais o homem vibrante que me curara. Acabrunhado, envelhecido,
triste. Não sou doutor, mas ele parecia sofrer de uma doença da
alma. Por fim, nos aproximamos.
- Mestre, lembra de mim? O Senhor salvou minha vida, sou Plácido,
tiro certeiro, da úlcera perfurada!
- Plácido, como vai, preciso de você, amanhã venha fazer uma
revisão.
No dia seguinte, a sós e com as portas fechadas, ele me falou da
sua desgraça. O casamento desandara. Foram-se as alianças, o
respeito e a amizade. Era vítima de chacotas e não mais conseguia
trabalhar. A mulher perdera totalmente a discrição. Às vezes,
chegava embriagada. Diziam ter vários amantes, nem o pior dos
inimigos faria tanta maldade. Como encarar os pacientes, os
estudantes, os colegas, a vida enfim? Você me prometeu, ele repetiu
muitas vezes, e sei que não me fará ingratidão.
Descobri toda a rotina da putana. Ela saía do estacionamento de
uma igreja e ia rezar num motel. Sem despertar suspeita, como a
esperar alguém, eu fiquei por perto. Parou um carro, a outra fez
sinal, ela entrou e beijaram-se na boca. A vaca, ainda por cima, era
sapato. Anunciei o assalto. Deram-me bolsas, telefones, relógios...
Em troca, um tiro em cada cabeça - pistola com silenciador.
Muito rápido, rua quase deserta, fugi no meu carro. Adiante,
saquei a placa fria e joguei com as coisas num matagal. As luvas, eu
queimei quando cheguei em casa. Após um banho, chamei um rádio-táxi,
fui pro aeroporto e embarquei pra Salvador. Um árabe importante
chegaria e eu faria parte da segurança.
No hotel, após uma oração, tomava o café da manhã e pensava
em minha mãe, quando o celular tocou. A ligação breve, sem muita
nitidez, veio de um telefone público. Mas era uma voz conhecida, de novo firme e alegre, dizendo tão somente: obrigado, Senhor !
quinta-feira, 4 de maio de 2017
VALE A PENA LER DE NOVO - José Nílton Mariano Saraiva
Senhores,
Na atual conjuntura, vale recordar artigo de nossa autoria publicado meses atrás nos blogs da vida.
Mariano
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JUDICIÁRIO – UM "PODER AVACALHADO” - José Nílton Mariano Saraiva.
Já se sabia que o Poder
Judiciário brasileiro faz tempo que abdicou da nobre função de
“guardião” da Constituição Federal para tornar-se num antro de
conveniências e conchavos mil, além de potencial receptor de
propinas e mimos de toda ordem, objetivando beneficiar quem tem “bala
na agulha” (a bandidagem de alto coturno ou pessoas de influência).
E um exemplo grave aconteceu
aqui mesmo em Fortaleza (atualmente é manchete dos principais
jornais), quando Desembargadores de “plantão” nos tribunais da
vida (ajudados por cerca de 40 advogados) em finais de semana
adotaram a “praxe” de conceder habeas corpus “a granel” a
bandidos (traficantes de alta periculosidade) ao “módico” preço
de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais, a “unidade”). E
isso, descobriu-se agora, já dura cinco anos, pelo menos.
Fato é que, até ser
descoberta a maracutaia, um festival de habeas corpus pôs na rua a
nata da criminalidade, enquanto as “excelências togadas” se
locupletavam junto às famílias por esse mundo afora (só um dos
Desembargadores concedeu OITO deles em um único final de semana).
Quando descobertos, e após julgados (quando o são) o “castigo”
é uma verdadeira dádiva para Suas Excelências: são aposentados,
compulsoriamente, recebendo o salário integral (algo em torno de R$
35.000,00 mensais), além de plano de saúde e por aí vai.
Se direcionarmos os holofotes
para o Sul do país, uma outra constatação da falência do nosso
Judiciário: após o surgimento da Operação Lava Jato, um juiz de
primeira instância consegue centralizar em sua Vara de Curitiba
todos os processos que se referem à corrupção, independentemente
de que ocorra no Acre, Ceará ou Rio Grande do Sul. Ou seja, para
combater tal tipo de crime, o Brasil só tem um único juiz: Sérgio
Moro.
E aí aconteceu o inevitável:
deram tanto corda ao próprio, que ele se achou no direito de
esquecer que temos uma Carta Maior, estuprando-o diuturnamente.
Assim, acabou a presunção de inocência, não mais existe
necessidade de provas pra se condenar alguém (basta que o juiz tenha
“convicção” que fulano ou beltrano é culpado), a condução
coercitiva é feita na marra (sem necessidade de qualquer notificação
antecipada ao suposto suspeito) e, enfim, o Estado Democrático de
Direito foi pro beleléu, escafedeu-se. Com um agravante: as ações
de Sua Excelência são seletivas e priorizam, comprovadamente, um
único partido, o PT, em sua “caçada implacável”.
Em condições normais, ao
Supremo Tribunal Federal caberia por um freio em Sua Excelência,
mostrar-lhe os excessos e arbitrariedades praticadas e, enfim,
fazer-se respeitar como poder autônomo. O que vimos, entretanto, foi
decepcionante: aquela egrégia corte negar-se a julgar o “mérito”
das questões, adstringindo-se a examinar tão somente o “rito”
processual. Autentica cafajestice, que resultou no golpe que afastou
uma Presidenta da República eleita com 54,5 milhões de votos, sem
que os que a sufragaram tenham sido consultados.
Fato é que Sérgio Moro,
incensado por uma mídia desonesta e embevecido pelo apoio de parte
da população acrítica, chegou ao clímax da desonestidade e abuso:
gravar uma conversa da Presidenta da República e depois publicizá-la
através da mídia. E a única atitude de um dos membros do STF (os
demais omitiram-se), foi repreendê-lo, sem maiores consequências.
Insatisfeitos e visivelmente
incomodados com a baixaria do juiz, 19 advogados de escol solicitaram
ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região a instauração de
Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o juiz Sérgio Moro,
na oportunidade sugerindo o seu afastamento cautelar da jurisdição
até a conclusão da investigação, por conta dos abusos
perpetrados.
E
aí deu-se a excrescência: o
Tribunal Regional Federal da 4ª Região, houve por bem arquivar tal
pedido, sob o argumento de que “...a Operação Lava Jato constitui
um caso inédito no Direito brasileiro, com situações que escapam
ao regramento genérico destinado aos casos comuns” e, portanto,
“...em
tal contexto, não se pode censurar o magistrado, ao adotar medidas
preventivas da obstrução das investigações”.
Em português claro e cristalino, segundo
Suas Excelências, embora as atitudes do Moro sejam flagrantemente
ilegais e inconstitucionais “...são aceitáveis porque a Lava Jato
é algo muito maior que a própria Constituição Federal”.
Face
o exposto, uma
alternativa seria o PT e o próprio ex-presidente Lula da Silva
forçarem
a barra e
partirem para a ofensiva, através da impetração
de uma
ação substantiva
e consistente junto
ao omisso,
medroso
e covarde Supremo Tribunal Federal, forçando-o
(o Supremo) a vir para o centro do ringue manifestar-se à
sociedade
sobre
(se
a Constituição Federal ainda tem alguma validade, ou se
daqui pra frente será usada apenas como papel higiênico).
Por
hora, a conclusão irretorquível é que no
Brasil dos dias atuais vige
um ESTADO
DE EXCEÇÃO,
para
o qual decisivamente contribuiu a nossa
"avacalhada" Suprema
Corte.
segunda-feira, 1 de maio de 2017
IRMÃ GERTRUDES - Demóstenes Ribeiro
Surpreso,
ele sofreu um impacto indescritível, quando a mulher, ainda jovem e
vestida de freira, entrou de repente e começou a falar:
“Vai
longe o tempo e sei que pareço ridícula com essa roupa, mas aprendi
que só a graça divina traz a qualquer um a razão de viver. Achei o
sentido e rezo para que também encontre o seu. Lembra que nos
conhecemos na mocidade? O colégio, a faculdade, o movimento
estudantil, a invasão da reitoria, como esquecer? Apesar de tudo,
vou em frente, caminhando, cantando e seguindo a canção.
Depois,
vieram os anos de chumbo e foi cada um pro seu lado. Eu continuei na
luta, fui pro Araguaia e entrei na clandestinidade. Quando Geraldo
caiu, me transferi pra São Paulo. Morei em favela e fui missionária
numa Comunidade Eclesial de Base até fechar-se o cerco e a partida
se tornar inevitável.
Em
Paris, acolheram-me em um convento. Vivi o drama de Tito e uma vez,
morta de saudade, lembrei da “Canção do Exílio” e
chorei um temporal. Mas, perdida a batalha, aos poucos, me despontou
a fé. Tantos anos depois, estou de volta. Virei a irmã Gertrudes e
daí esse hábito.
Agora
me diz, por que esse olhar reprovador? Não me faça ser cruel. A sua
profissão é como qualquer outra e você ainda não encontrou a
razão de viver. Na época da repressão, se revelou um estudante
acovardado, refugiado em livros e plantões. Logo depois de formado e
ainda hoje, se entrincheirou no trabalho, fugindo sempre, perdido na
indecisão. Naquele tempo, dizia que me amava, pensei que tudo daria
certo, mas você, assustado, tinha medo que nos vissem. Não era um
homem livre e nem sei se algum dia vai se libertar desse egoísmo
atroz.
Eu
estou suando, mas não sou estúpida nem faço nada errado, você bem
sabe. Não vivo enclausurada como lhe parece. A ação é o
fundamento da minha ordem. Nada de retiro e contemplação. À minha
maneira, como instrumento do Pai, no alívio da dor e da
desigualdade, faço a hora e ensino cidadania. Pouco importa os
desvios do caminho, o mensalão, o petrolão... Eu encontrei o meu
destino e peço a Deus, todos os dias, que lhe ajude a encontrar o
seu. Gostei de lhe ver e, vez por outra, relembre aqueles tempos, se
não for demais.”
Pálido
e confuso, o mundo girou e ele não disse palavra. Abraçou
fortemente a irmã Gertrudes, entre lágrimas e corações
disparados. E então, fecharam os olhos, deram-se os braços e aos
dezoito anos, desceram a avenida da Universidade, gritando “abaixo
a ditadura”, numa inesquecível passeata. Depois, era São Paulo, a
grama do Ibirapuera, o primeiro motel e, no show, a Elis Regina,
insuperável, cantando “Como Nossos Pais”.
De
novo em Fortaleza, houve o sorvete, o anoitecer e o caminhar de mãos
dadas, anônimos na Beira-Mar. Uma multidão os cercou e assistiu
espantada. Não mais pisavam o chão, não lembravam quem eram nem
onde estavam – subiram para a estrela acima e ninguém os via mais.
Uma vez,
sessenta e oito... A lua, a estrela, o céu, o mar... E as velas do
Mucuripe saindo para pescar.
Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista)
segunda-feira, 24 de abril de 2017
TORTURA: "FÍSICA OU PSÍQUICA" (ou O MILAGRE DA CONVERSÃO) - josé Nílton Mariano Saraiva
A priori, um esclarecimento:
em sendo agnóstico, não acreditamos em ocorrências de milagres ou
coisas tais. Assim, permitimo-nos refutar a teoria disseminada por
alguns de que em Curitiba, nas masmorras do juiz federal Sérgio
Moro, verdadeiros “milagres de conversão” estariam a ocorrer com
seus “hóspedes”, já que repentinamente renegam o que fora
explicitado antes e assumem o que lhes é determinado pelo juiz.
Paradoxalmente, entretanto, acreditamos que o apregoado e difundido
“milagre da conversão” pelo menos tem o condão de nos levar a
uma reflexão séria e pra lá de assustadora: afinal, na busca de
informações consideradas pelo representante do Estado (o juiz) como
necessárias, qual a metodologia mais eficiente e eficaz de se
torturar um ser humano: a física ou a psíquica ???
Como sabemos, na tortura
física vige a brutalidade e morbidez em toda a sua crueza e
iniquidade, quando “animais” travestidos de carrascos insensíveis
e orientados por superiores psicopatas (vide Luiz Antônio Fleury, do
Doi-Codi paulista, no tempo dos milicos), submetem o ser humano ao
auge da degradação física, em diferentes gradações do modus
operandi, tais quais: despir e pendurar a pessoa no famoso
“pau-de-arara” e em seguida arrancar-lhe os dentes à base da
porrada, até que se disponha a “abrir o bico”; extrair-lhes as
unhas (dos pés e mãos) lentamente e sem anestesia, com alicate;
submergi-los em afogamentos forçados, que se estendem ao limite do
suportável pelo ser humano; aplicar-lhes choques elétricos nas
partes íntimas (mamilos, vagina, ânus, língua, ouvidos e por aí
vai, em intervalos diminutos, fazendo-as urinar e defecar
involuntariamente; praticar sexo à força, com mulher ou homem,
pouco importa, no intuito de desmoralizá-los; fazer uso de um tal
telefone, quando a vítima recebe, de surpresa e por trás, violentos
safanões nos ouvidos, capaz de fazê-la perder a consciência
momentaneamente; e, alfim, interrogatórios que duram dias e dias,
sem intervalo, com o revezamento dos inquisidores (mas não da
pauta), de forma a que o preso não tenha direito a dormir e finde
por assinar qualquer papel que lhe seja posto à frente ou falar o
que queiram os juízes. A tais “métodos de convencimento”, foram
submetidos alguns brasileiros no tempo de vigência da ditadura
militar. Se uns poucos resistiram e NÃO “deduraram” (entre eles
a ex-presidenta Dilma Rousseff), boa parte não suportou e “entregou”
companheiros de luta. Em tais situações, pois, tínhamos as
“delações NÃO premiadas”, onde o corpo certamente ficou
marcado indelevelmente ao servir como mero e banal “instrumento de
convencimento”.
Já no tocante à tortura
psíquica, o método requer um pouco mais de “requinte e
sofisticação”, porquanto o padecimento se dá através da
deletéria “perturbação mental” do indivíduo. Assim, num primeiro momento
e objetivando ofertar ao indigitado a “vantagem” de uma “delação
premiada”, mesmo sem nenhuma prova material do suposto crime
cometido (mas só por convicção da autoridade competente),
conduz-se coercitivamente o suspeito para a cadeia, joga-se no fundo
de uma cela, onde permanece incomunicável por dias, até que se
disponha a “colaborar espontaneamente”. Não sendo a narrativa
“espontânea” do agrado do todo poderoso senhor juiz, temos o
imediato retorno do preso à cela, onde terá tempo de sobra para
refletir se aceita ou não confirmar a versão da autoridade
competente. Como prêmio pela colaboração, mais à frente terá
redução substancial de uma suposta pena.
As reflexões são só para
lembrar dois casos recentes e emblemáticos: ao ser preso, o
empresário-bandido Marcelo Odebrecht, indagado sobre se estaria
disposto a colaborar, via “delação premiada”, indignou-se e
peremptoriamente afirmou ante as câmaras televisivas não ser
“dedo-duro”, que tinha caráter, formação moral e religiosa,
que inclusive em casa houvera ensinado os filhos menores a jamais
praticar tal ato, e por aí vai. Com o tempo, mofando no fundo de uma
cela nada confortável para os seus padrões, deglutindo as
“quentinhas” da vida e já condenado a dezoito anos de prisão,
eis que esqueceu as convicções de outrora, o ter ou não caráter,
moral, religião e o escambau, e não só “botou a boca no
trombone”, como autorizou seus homens de confiança a também
fazê-lo. E a tal “delação do fim do mundo” está apavorando os
políticos corruptos que fazem da bela Brasília uma espécie de
refúgio de marginais (agora, se o Marcelo Odebrecht apresentará
provas contra todos, de tudo o que disse, aí é uma outra história).
Um outro portento da
construção civil, o empresário dono da OAS, Leo Pinheiro, que se
dizia “amigo” do ex-presidente Lula da Silva, num primeiro
depoimento cometeu a “ousadia” não só de NÃO acusá-lo em
momento algum, como até inocentá-lo, já que não praticara
qualquer crime; foi o suficiente para que as autoridades competentes
desconsiderassem tal documento, ao tempo em que “magnanimamente”
resolveram dar-lhe tempo para uma reflexão mais apurada, de modo
que, numa próxima oportunidade contemplasse, obrigatoriamente e por
cima de pau e pedra, Lula da Silva; para tanto, reverteram a prisão
domiciliar que lhe fora concedida, lhe acrescentaram dez anos à pena
original e o recambiaram de volta às masmorras de Curitiba. Foi o
suficiente e bastante para que Leo Pinheiro contrariando seus
advogados, desdissesse tudo o que afirmara no depoimento anterior,
agora acusando frontalmente Lula da Silva de tudo o que as
autoridades lhe atribuíam (embora ressalvando a não existência de
provas). Por não concordarem com o novo posicionamento do cliente,
seus advogados resolveram abdicar da causa. Só que este era o álibi para
que o juiz de Curitiba, Sérgio Moro, consiga seu “objeto de
desejo”: condenar o ex-presidente Lula da Silva e impedir-lhe de
candidatar-se em 2018.
Ante situações tão
díspares, e adstringindo-se ao tema-título do presente artigo, o
questionamento seria: para você, que está aí do outro lado da
telinha, qual o tipo de “tortura” mais eficaz e eficiente a fim
de que se consiga o tal "milagre da conversão", e que no
fundo privilegiam bandidos de alta periculosidade: a física ou a
psíquica ???
Enquanto você reflete,
lembre-se que Alberto Youssef, Paulo Roberto Costa, Sérgio Machado e
Pedro Barusco dentre outros, estão por aí, livres, leves e soltos,
farreando e gastando a fortuna obtida através de roubo (devolveram
uma ínfima parte) após delatarem antigos companheiros. Ou você
acredita que por usarem tornozeleira eletrônica permanecem reclusos
e silentes em suas mansões ???
Eugenio Aragão, ex-ministro
da Justiça, sintetiza magistralmente o que expomos acima, quando
afirma... “o mal da tortura é que não oferece provas sólidas da
verdade, mas apenas provas sólidas da (in)capacidade de resistência
do torturado”, ao tempo em que lembra que a tortura não é apenas
física, do pau de arara, do choque elétrico, mas também
psicológica.
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