por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 11 de maio de 2016

PRIMEIRO ATO DE UM GOVERNO SEM VOTO

THE NEW FLAG OF BRAZIL
 






... MAS PODERIA SER ESSA, TAMBÉM... 







Parabéns aos que o apoiam.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

BRAVOS RAPAZES AMERICANOS...... Por Carlos Eduardo Esmeraldo

Nos primeiros dias do mês de abril de 1964, há 52 anos, o genial Chico Anísio, em seu programa humorístico de grande audiência exibido pela extinta TV Tupi aos domingos à noite, lançava um desafio aos tanques ainda nas ruas. Realizava uma representação do descobrimento da nossa pátria. Nela Cabral e seus companheiros de aventuras discutiam qual nome dar à nova terra. Quando então passou sobre suas cabeças um grande Avião da Pan América. Então Cabral olhou para o alto e disse para o escrivão Pero Vaz de Caminha:
- Anote ai companheiro Caminha; em homenagem àqueles que voam nesse gigantesco pássaro metálico, o nome dessa terra será BRASIL, sigla de "Bravos Rapazes Americano Sorrateiramente Irão Levando."

Jamais pude saber se aquela tirada de mais puro humor era uma critica à situação política em que o país foi mergulhado naquela época, ou se foi simples deboche. Mas depois desse dia, fomos privados por várias semanas do delicioso programa humorístico de Chico Anísio, sob a justificativa da televisão de que ele se encontrava com estafa e por recomendação médica passaria vários dias em repouso.

Provavelmente, não por coincidência, tivemos nos últimos dias vários "rapazes" brasileiros viajando para a terra do Tio Sam, com despesas pagas pelo erário público que eles tanto defendem quando se trata dos gastos de outros. Será que foram em busca de apoio ao golpe por eles manipulados com tanto ardor?

É triste ver nossos representantes na Câmara dos Deputados! No último dia 17, quando se desenrolou um confusa votação, nossa Câmara Federal mais parecia uma casa de correção repleta de menores infratores. Entretanto estavam os nossos representantes a violarem a procuração que a maioria do povo brasileiro lhe destinou. Com comportamento infantil, eram adultos irresponsáveis, muitos deles pesando sobre os ombros denúncias de corrupção. A cada voto desrespeitaram vários mandamentos da Lei de Deus, a saber: "Não tomar o seu Santo Nome em vão", (2°);  "Guardar os domingos e festas", (3°); "Não levantar falso testemunho" (8°) e "Não cobiçar as coisas alheias" (10°).

No meu limitado entendimento, considero bastante preocupante os próximos dois ou três anos. Os espírito do lacerdismo continua vivo. Mas ao contrário do golpe perpetrado em 1964, que nos levou a longos 21 anos de escuridão, o atual poderá gerar conflitos bem maiores, pois temo haver reação, qualquer que seja o desfecho. Alguma prova de que os ânimos se encontram  inflamados já foram dadas.

Muito equilíbrio será exigido de nossos políticos e particularmente de cada um de nós. Enfim precisamos de muitas orações.  

Que Deus abençoe nosso país e nos livre de um novo período ditatorial.

Por Carlos Eduardo Esmeraldo

segunda-feira, 2 de maio de 2016

UM TIRO NO CORAÇÃO - Demóstenes Ribeiro (*)

Mal anoiteceu, caí num sono profundo e veio a confusão de imagens. Juscelino inaugurava o Orós e na multidão - mostrada pela revista “O Cruzeiro” -, vestindo terno branco, reconheci o meu pai. Jânio chegou e partiu, Jango faria as reformas de base e o Brasil nunca mais seria o mesmo.  
O comício da Central assegurava isso. A UNE, a CGT, o PCB, o dispositivo militar, os sindicatos... Arraes, Brizola, José Serra e o Presidente da República visivelmente emocionado. Os militares, ao meu redor, me deixavam tranquilo. Se eles estavam conosco, como impedir as conquistas populares?
Poucos dias depois, foi repetido o velho truque de nos salvar do comunismo. De novo, noite de terror, tempo sombrio e a ditadura de Vargas renascia piorada. Entre outros, trucidaram o Padre Henrique, mataram o Herzog e sumiram com o Rubem Paiva. Filinto Müller escapou, mas tem muita gente na fila do tribunal de Nuremberg.
Ao sair do cinema, Ustra e Fleury pareciam estar no meu encalço. Não encontrei o meu carro e fui vítima de um grupo de pivetes. Na TV, um ônibus ardia em chamas, a mãe desesperada não sabia o que fazer com o filho vencido pelas drogas e mais um jornalista era decapitado pelo estado islâmico.
Parecia que eu estava em Brasília e um mar de lama, de ondas gigantescas, ia tudo afogando. Ouvi piado de pássaros. Aves de rapina iam e vinham em revoada. Tudo lembrava o Catete e agosto de cinquenta e quatro. No supermercado, a madame não perdoava a bolsa família e o direito das domésticas deixara a elite injuriada.
Voltei à infância. Revi sertanejos mendigando, enterro de anjinhos e mocinhas se prostituindo pra não morrer de fome. Entrei na capela. Outra vez, estava sob o olhar de São Francisco e me surpreendi com a lápide: “requiescat in pace.” A vida inteira me falaram dessa briga, mas nunca me disseram que ele estava sepultado ali.
O sol foi se pondo e me tomei de melancolia com o “Samba Triste,” no saxofone de Stan Getz. Mil corvos pousaram na janela. Traziam no bico a “Última Hora” e sua manchete apavorante: “Um Tiro no Coração!”
O pesadelo foi horrível. Eu tremia e suava em bicas, quando escutei voz infantil. Graças a Deus, alguém veio em meu socorro e começou a me puxar pela perna: vovô veim, vovô veim, acorda preguiçoso! Era a minha neta, Beatriz, pondo um ponto final nessa noite insuportável.
Aliviado, abracei minha princesa e jurei nunca mais me exceder em caipirinha na feijoada da sogra.

(*) Demóstenes Ribeiro - médico-cardiologista, natural de Missão Velha e atiante em Fortaleza.