por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quarta-feira, 28 de maio de 2014
segunda-feira, 26 de maio de 2014
O que é isso, "Excelências" ??? - José Nilton Mariano Saraiva
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ),
em Brasília, valendo-se dos dados e volumosa documentação disponibilizada pelo
Tribunal de Justiça do Ceará (TJC) chegou à mesma e, agora, definitiva
conclusão deste: realmente, comprovado restou que “alvarás de soltura”, em
profusão, eram liberados nos plantões dos finais de semana do Tribunal de
Justiça do Ceará, a troco de uma “recompensasinha” que variava entre R$ 100 e
R$ 150 mil reais, para cada alvará concedido.
À frente de tão inusitada “maracutaia”,
dois "ilustres" Desembargadores (ainda em atividade) e mais quatro
“excelências” (já aposentados), que contavam com a valiosa ajuda de cinco
"nobres" advogados (atuantes), e um servidor terceirizado daquele
Tribunal.
Lamentando que o tal “segredo de
justiça” impeça que tenhamos acesso às identidades desses
“gatunos-togados-engravatados”, responsáveis por tamanha excrescência (ou mesmo
que saibamos se serão penalizados ou se prevalecerá o velho corporativismo), só
nos resta indagar: O que é isso, “Excelências” ???
domingo, 25 de maio de 2014
Nas ondas do Rádio - Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Acredito
que eu seja um dos poucos ouvintes de rádio que troca alguns programas
televisivos pelo rádio. Sou viciado em rádio desde os anos de 1959-60,
pouco depois da época de ouro do rádio brasileiro. Ainda não existia
para nós cratenses a imagem da televisão. Somente nos restava as ondas
do rádio para nos conectar com o mundo.
Sinceramente, eu acredito que o rádio nos possibilita desenvolver a criatividade, coisa que não ocorre com a televisão, que já nos trás tudo pronto. Um locutor de rádio de voz bonita, ou um cantor que a gente ouve, mas não vê sua imagem, deixa-nos a imaginar como seria o seu tipo físico. Durante muito tempo eu ouvia as transmissões esportivas com Oduvaldo Cozzi pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Depois, pela facilidade de sintonizarmos no Crato a Rádio Globo, passei a ouvir Waldy Amaral e admirava muito os comentários de Rui Porto. Nas emissoras paulistas lideravam as transmissões esportivas excelentes locutores: Geraldo José de Almeida ("Brasil patrão da bola"), Edson Leite, Pedro Luis e Fiori Giliotti. Não via as imagens deles e imaginava como eles deveriam ser pelo timbre de suas vozes. Achava que Oduvaldo Cozzi fosse um homenzarrão, pois sua possante voz não nos deixava qualquer dúvida. Quando vi numa revista uma fotografia dele, me decepcionei: era um homem magro e de estatura mediana.
Atualmente permaneço ligado no rádio. Logo ao despertar, sintonizo a CBN no meu radinho portátil de cabeceira para me informar do que se passou no dia anterior por esse Brasil e pelo mundo. Um pouquinho mais tarde, após uma hora de caminhada, acompanho pela internet as noticias do Crato, através do Jornal da Radio Educadora do Cariri comandado pelo competente Antônio Vicelmo, a quem escuto há mais de 40 anos.
Há alguns dias, lembrei-me que no ano de 1961 acordávamos no Crato ouvindo um programa matinal comandado pelo animado locutor Antonio Maria da Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Àquela época, para mim, havia três pessoas distintas com esse mesmo nome. O locutor de rádio, o cronista do jornal Última Hora que diariamente chegava às bancas de revistas do Crato e o compositor de tantos sucessos musicais como "Ninguém me ama", que aqueles que como eu são beneficiários do novo estatuto do idoso devem lembrar: (Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor..) "Valsa de uma cidade" (Vento do mar e o meu rosto no sol a queimar, queimar. Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar. Rio de Janeiro, gosto de você...). Felizmente, o google esclareceu minhas dúvidas. Antônio Maria de Araújo Morais, nascido em Recife foi um radialista, que iniciou na Rádio Clube de Pernambuco, passando depois pela Ceará Rádio Clube, Rádio Sociedade da Bahia de onde se transferiu para o Rio de Janeiro. Antonio Maria era mais conhecido simplesmente pelo segundo nome Maria, e ocupou importantes cargos de direção nas emissoras de rádio e televisão dos Diários Associados e ao mesmo tempo foi um compositor inspirado. Antonio Maria foi também apresentador de programas de televisão e dizem que quando entrevistava alguma personalidade, às vezes fazia perguntas que beirava à agressão. Certa vez, entrevistava a senhora Sandra Cavalcante, secretária do governador Carlos Lacerda e candidata a deputada estadual pelo antigo Estado da Guanabara. Futricas políticas atribuíam à candidata a fama de uma pessoa "mal amada". Pois não é que numa entrevista com a secretária, Antonio Maria resolveu cutucar a onça com vara curta?
- É verdade que a senhora é uma pessoa "mal amada"? - Indagou o entrevistador.
- Posso até ser, senhor Maria, mas não fui eu quem compôs aquela música "ninguém me ama."
Cronistas da época afirmam que com essa resposta ela conseguiu os votos de que precisava para se eleger. Nos primeiros anos do golpe militar assumiu a presidência do recém criado Banco Nacional de Habitação e depois de uma tentativa como candidata a governadora do Estado na primeira eleição direta ficou em quarto lugar . Mas então não mais vivia Antonio Maria para lhe dar oportunidade de conquistar mais votos.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
Sinceramente, eu acredito que o rádio nos possibilita desenvolver a criatividade, coisa que não ocorre com a televisão, que já nos trás tudo pronto. Um locutor de rádio de voz bonita, ou um cantor que a gente ouve, mas não vê sua imagem, deixa-nos a imaginar como seria o seu tipo físico. Durante muito tempo eu ouvia as transmissões esportivas com Oduvaldo Cozzi pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Depois, pela facilidade de sintonizarmos no Crato a Rádio Globo, passei a ouvir Waldy Amaral e admirava muito os comentários de Rui Porto. Nas emissoras paulistas lideravam as transmissões esportivas excelentes locutores: Geraldo José de Almeida ("Brasil patrão da bola"), Edson Leite, Pedro Luis e Fiori Giliotti. Não via as imagens deles e imaginava como eles deveriam ser pelo timbre de suas vozes. Achava que Oduvaldo Cozzi fosse um homenzarrão, pois sua possante voz não nos deixava qualquer dúvida. Quando vi numa revista uma fotografia dele, me decepcionei: era um homem magro e de estatura mediana.
Atualmente permaneço ligado no rádio. Logo ao despertar, sintonizo a CBN no meu radinho portátil de cabeceira para me informar do que se passou no dia anterior por esse Brasil e pelo mundo. Um pouquinho mais tarde, após uma hora de caminhada, acompanho pela internet as noticias do Crato, através do Jornal da Radio Educadora do Cariri comandado pelo competente Antônio Vicelmo, a quem escuto há mais de 40 anos.
Há alguns dias, lembrei-me que no ano de 1961 acordávamos no Crato ouvindo um programa matinal comandado pelo animado locutor Antonio Maria da Rádio Tupi do Rio de Janeiro. Àquela época, para mim, havia três pessoas distintas com esse mesmo nome. O locutor de rádio, o cronista do jornal Última Hora que diariamente chegava às bancas de revistas do Crato e o compositor de tantos sucessos musicais como "Ninguém me ama", que aqueles que como eu são beneficiários do novo estatuto do idoso devem lembrar: (Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor..) "Valsa de uma cidade" (Vento do mar e o meu rosto no sol a queimar, queimar. Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar. Rio de Janeiro, gosto de você...). Felizmente, o google esclareceu minhas dúvidas. Antônio Maria de Araújo Morais, nascido em Recife foi um radialista, que iniciou na Rádio Clube de Pernambuco, passando depois pela Ceará Rádio Clube, Rádio Sociedade da Bahia de onde se transferiu para o Rio de Janeiro. Antonio Maria era mais conhecido simplesmente pelo segundo nome Maria, e ocupou importantes cargos de direção nas emissoras de rádio e televisão dos Diários Associados e ao mesmo tempo foi um compositor inspirado. Antonio Maria foi também apresentador de programas de televisão e dizem que quando entrevistava alguma personalidade, às vezes fazia perguntas que beirava à agressão. Certa vez, entrevistava a senhora Sandra Cavalcante, secretária do governador Carlos Lacerda e candidata a deputada estadual pelo antigo Estado da Guanabara. Futricas políticas atribuíam à candidata a fama de uma pessoa "mal amada". Pois não é que numa entrevista com a secretária, Antonio Maria resolveu cutucar a onça com vara curta?
- É verdade que a senhora é uma pessoa "mal amada"? - Indagou o entrevistador.
- Posso até ser, senhor Maria, mas não fui eu quem compôs aquela música "ninguém me ama."
Cronistas da época afirmam que com essa resposta ela conseguiu os votos de que precisava para se eleger. Nos primeiros anos do golpe militar assumiu a presidência do recém criado Banco Nacional de Habitação e depois de uma tentativa como candidata a governadora do Estado na primeira eleição direta ficou em quarto lugar . Mas então não mais vivia Antonio Maria para lhe dar oportunidade de conquistar mais votos.
Por Carlos Eduardo Esmeraldo
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Empeleita de Cristo
Os anos terminam por nos proporcionar algumas licenças poéticas
que sempre foram quase um monopólio das
crianças. Aos mais erados , quebrado o Cabo da Desesperança, se lhes torna
perfeitamente permitido mentir. As mulheres utilizam, geralmente, esta licença
com a data de nascimento. Começam, pouco a pouco, uma contagem regressiva e,
tantas vezes, acabam se tornando mais novas que os filhos e netos. Nunca se
sabe , quando precisam declinar os anos, se se referem a qual das muitas idades
que possuem : a Real que é um segredo mais guardado que os de Fátima; a Cartorial
que muitas vezes são muitas e variadas e sempre carregam consigo a velha
história que os pais aumentaram a data de nascimento para que pudessem votar;
e, finalmente, a da Aparência, esta, de longe, a mais importante. Já os homens
direcionam esta licença poética para a virilidade. Aí mentem como cachorro de preá,
se apresentando aos amigos como verdadeiros Don Juans seniors, capazes de
maratonas sexuais inatingíveis mesmo
para adolescentes com fogo em dia. E lá vamos todos nos enganando um pouco, com
fins de tocar as inexoráveis limitações que nos imprimem os ponteiros
opressivos do relógio. As mulheres ,meio maracujás-de-gaveta, buscam remoçar da cintura para cima e os
marmanjos madurões e pelancudos, da cintura para baixo.
O
velho Xilderico Capanema, por incrível que possa parecer, fugia à regra. Antes
dos tempos áureos e de anil do Viagra, do
alto dos seus setenta e lá vai pedrada, enfrentou, impavidamente, os determinismos
da Lei da Gravidade. Não mentia para quem quer que fosse, nem a idade, nem os achaques que os anos lhe
trouxeram ao vigor. Usava o lema típico do caboclo setentão:
--- A garrucha velha tá enferrujada ! Se encarcar
o dedo no cão é danado pra bater catolé! Mas enquanto houver língua e dedo,
mulher não me mete medo!
A
sinceridade de Xilderico tinha lá seus efeitos colaterais. Se abria mão das balelas já próprias da idade , não engolia
o caga-gomismo dos colegas da mesma geração. Na frente dele, neguinho ,já
tendente à papa , não se apresentava com consistência de barra de ferro. Aos
poucos, Capanema se foi tornando um desmistificador. Utilizava todos os meios
disponíveis para armar dossiês e
desmascarar os gabões de Matozinho. Pagava a preço de ouro quengas na Rua do
Caneco Amassado simplesmente para saber detalhes de alcova de alguns amigos e
colegas metidos a cavalo-do-cão. Foi ele quem descobriu que o velho Anfrízio,
que dizia não se trocar por um rapaz de
quinze anos, pagava a “Das Virgens”, uma quenguinha de “O Sorriso da Noite”, para ela simplesmente espalhar que ele era um
garanhão ainda na ponta dos cascos. Soube
ainda que Salustiano Canabrava era conhecido entre as meninas de vida fácil por
“Retratista”. Só a peso de ouro conseguiu, com D. Maria Justa, uma das mais
famosas cafetinas da cidade , desvencilhar a causa do apelido:
---
Salustiano brochou já faz mais de vinte anos ! Ele agora trabalha como fotógrafo de praça : é só no Lambe-Lambe
!
O maior pábulo de Matozinho nesta área, no
entanto, chamava-se: Alderico Cilibrino. Funcionário aposentado da Receita
Estadual, o homem se apresentava como um varão bíblico. Contava histórias de
orgias que fariam Casanova entrar em depressão. Pois Xilderico, cavouca daqui, cavouca
dali, descobriu que o homem tinha o
apelido, nas rodas cabarelísticas de “Campainha”. Novamente, nosso Poirot
matozense caiu em campo e revelou-se a melindrosa razão, depois de molhar ,
novamente, as mãos pouco éticas de Maria Justa:
---
Como uma campainha, Alderico só buzina se meter o dedo. Em ladeira bucetina, o carro velho dele só sobe se for reduzido !
De
posse de tamanho dossiê, na frente de Xilderico, quem tivesse rabo de palha,
não acendia fósforo. Ele, assim, podia
tossir toda sua sinceridade sem ser incomodado e principalmente, sem risco de
confronto.
Semana
passada, na Praça da Matriz, alguém resolveu dar uma conselho a Xilderico. Ele
devia pintar o cabelo branco, que já parecia uma roça de algodão, assim era
capaz de remoçar uns quinze anos. Capanema sacou a sinceridade que vinha
cultivando há muito tempo e cuspiu :
---
Adianta, não ! E o pau, sobe ?
Um
dia, no mesmo escritório da Praça,
Xilderico debulhava suas queixas relativas à tempestade dos anos, quando alguém
lembrou de uma solução possível . Havia chegado um pastor de uma igreja
pentecostal na cidade e andava fazendo milagres como no tempo de Salvador. Quem
sabe se Xilderico fosse lá e, na hora da bênção, quando o pastor pedisse para
colocar a mão em cima de um lugar que tivesse alguma doença, ele colocasse,
discretamente, as mãos no meio das pernas, como se estivesse em barreira na
hora de bater uma falta ? Quem sabe ,
assim, um milagre se faria e a virilidade não voltava? Xilderico, com a franqueza de sempre, rifugou o tratamento :
---
Adianta não ! Esse pastor pode até melhorar os moribundos, mas não ressuscita
os mortos ! O milagre de Lázaro, amigos,
é empeleita pra Cristo !
Crato, 23/05/14
quarta-feira, 21 de maio de 2014
"Voa, passarinho, voa" - José Nilton Mariano Saraiva
Para os “analfas” da vida (como o encimado), para
que alguém se credencie a integrar a corte maior do país (Supremo Tribunal
Federal), necessário que, além do douto saber (conhecimento técnico
específico), seja dotado de sensatez, discernimento, prudência, responsabilidade
e parcimônia na hora de julgar e expressar-se, fazendo-o de forma clara e
cristalina sobre as diversas demandas jurídicas que lhe chegam às mãos.
Lamentavelmente, entretanto, por aqui o “poder
econômico” e o “poder político” continuam a interferir no “poder judiciário”. Assim,
tornou-se recorrente a Polícia Federal investigar, o Ministério Público
oferecer denúncia e o Poder Judiciário “bater fofo” na hora H, especialmente se
o alvo da ação for alguém “com bala na agulha” (muita grana).
Quem não lembra, por exemplo, que num passado não
tão distante, o ministro do Supremo Marco Aurélio Mello mandou soltar o bandido
Alberto Caciolla, que houvera dado um monumental “cano” (rombo) no mercado
financeiro, ao tempo em que sugeriu que, se fosse ele (já que tinha cidadania
italiana), se mandaria para Itália. Obediente,
foi o que fez o marginal, dia seguinte.
Já o também ministro do Supremo, Carlos Veloso (hoje aposentado), mandou
soltar o Paulo Salim Maluf e o filho Flávio Maluf, que haviam sido pegos com a
mão na botija. Indagado sobre quais razões para fazê-lo, Sua Excelência
candidamente disse que, teve “pena” de ver pai e filho presos, juntos. E o Maluf, como se sabe, até hoje não pode ir ao
exterior, já que procurado pela Interpol (e não teve sentença final
condenatória e como tem mais de 70 anos, sua pena, se houver, prescreverá em
2014).
Mais recentemente, o arrogante ministro Gilmar Mendes, na condição de
presidente do Supremo Tribunal Federal, desmoralizou publicamente o Juiz
Federal Fausto de Sanctis, ao mandar soltar (em duas ocasiões) o maior bandido
do Brasil, Daniel Valente Dantas, que houvera sido trancafiado por determinação
do juiz em apreço (por roubo). E o Daniel Dantas, que junto com Maluf é um dos quatro
brasileiros a constar na lista do banco Mundial como responsável por lavagem de
dinheiro e desvios milionários, muito provavelmente deve estar operando novas
maldades. Já o seu denunciante, delegado Protógenes, passou por maus momentos.
Agora, o recém nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori
Zavascki, depois de ordenar que todos os inquéritos e ações penais da Operação
Lava-Jato (assim como os mandados de prisão), fossem suspensos, reconhece
ter-se precipitado e volta atrás, desdizendo o que dissera antes. Só que com um
“pequeno detalhe”: o marginal-mór, o chefão de todo o esquema, aquele que
comprovadamente meteu com vontade as duas mãos no erário público, senhor Paulo
Roberto Costa (que estranhamente fora liberado, sozinho) não voltará à prisão.
Continuará livre, leve e solto, provavelmente destruindo possíveis provas e,
quem sabe, arquitetando uma previsível fuga do país.
Afinal, a “senha” já lhe foi apresentada: “VOA, PASSARINHO, VOA”, se
possível pra bem distante daqui (ou alguém já esqueceu que o PC Farias, todo
poderoso tesoureiro do Collor de Mello, foi bater na Tailândia ???).
segunda-feira, 19 de maio de 2014
"Simeone" - José Nilton Mariano Saraiva
Quando no exercício da sua atividade profissional (jogador de futebol),
o argentino Diego Simeone ficou conhecido pela alcunha de “madeira de dar em
doido”, popularmente adotada no meio futebolístico pra designar aquele jogador
voluntarioso em excesso, de uma exacerbada valentia. Com Simeone, do pescoço
pra baixo (evidentemente que do adversário) era tudo canela. E haja porrada, a
torto e a direito. Às vezes até deslealmente. Às reclamações porventura
existentes, a velha máxima: futebol é jogo prá homem, se quiser moleza vá jogar
gamão.
Pois bem, apesar desse excesso de valentia, e até por isso mesmo, Simeone brilhou não só na Argentina, mas mundo afora; mas, de tanto
viajar e de tanto se dedicar e mostrar a velha garra portenha, cedo cansou,
encerrando prematuramente a carreira.
Dedicou-se à função de treinador. E eis que consegue levar o modesto
time do Atlético de Madrid (no qual atuou e foi campeão como jogador) ao título
espanhol, depois de 19 anos na fila, desbancando os milionários e poderosos
Real Madrid e Barcelona, que sobraram na curva. Sem dúvida, um feito
espetacular e que alavancará sua carreira profissional.
O que chama a atenção no time por ele treinado é que seus comandados
refletem a imagem e semelhança do antigo jogador Simeone, em termos de
obediência tática, de dedicação, de entrega, de doação, de valentia, de vigor
físico. Todo isso, aliado a um preparo físico excepcional, faz com que a equipe
“simeonesca” se defenda em bloco e em bloco parta para fulminantes ataques (tal
qual a seleção da Holanda, de 1974), daí a dificuldade dos adversários em
derrotá-la. Claro que, aqui acolá imprevistos acontecem, mas normalmente a
vitória é certa (foram apenas 04 derrotas em 38 jogos).
O título do Campeonato Espanhol foi mais um exemplo do sucesso do clube
durante a "Era Simeone". Afinal, esse foi o quarto título até o
momento do treinador desde que assumiu o comando em 2011: Liga Europa
(2011-12), Copa do Rei (2012-13) e Supercopa da Europa (2012).
E no próximo final de semana disputará com o Real Madrid, em campo
neutro (Lisboa), o mais expressivo dos títulos em termos de Europa: a
"Liga dos Campeões da Europa". Independentemente do resultado,
Simeone já mostrou que veio para ficar. Definitivamente.
domingo, 18 de maio de 2014
Man of a Many Words - Alexandre da Mata & The Black Dogs
Socorro "O Batera dessa Banda foi meu Parceiro durante temporada em Tokio", essa banda é Show!! Apreciem sem Moderação..
Estivemos nas festividades comemorativas, dia 15, próximo
passado, quando André Figueiredo foi agraciado com o título de cidadão
cratense.
Embora não seja partidária tenho sempre imensa simpatia pelo
PDT de Brizola.
André incorpora a ideologia do partido, e vem se revelando
um líder, nas lutas pela melhoria da Saúde e da Educação do nosso país.
Acompanhado de Camila Arraes (nossa queridíssima amiga e conterrânea),
fica fortalecida a nossa esperança de feliz representatividade para o nosso Crato
- nosso Cariri!
Parabéns, André Figueiredo. Você é um dos nossos!
sábado, 17 de maio de 2014
E... "o mundo não acabou" - José Nilton Mariano Saraiva
Quer admitam ou não os
extremistas, foi um duro golpe ao movimento “não vai ter Copa nem Olimpíadas”,
a ausência da população às suas manifestações, Brasil afora. É que, ao anunciarem
de forma estridente e antecipada uma mega manifestação, espécie de “fim do
mundo” nas cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo, a idéia preconizada é que
seria esta a grande oportunidade da população brasileira mostrar todo o seu
repúdio e descontentamento com o Governo, face os gastos com as tais “arenas”
onde realizar-se-ão os jogos do torneio futebolístico (só que, conforme restou
constatado, os tais gastos com as “arenas” nem foram do Governo).
E, no entanto, o que a TV
nos mostrou foram alguns gatos-pingados atrapalhando o transito e o ir a vir
das pessoas nas grandes cidades, carreando para si a antipatia de boa parte da
população, incomodada com a impossibilidade de chegar ao seu local de trabalho
e/ou voltar pra casa ao anoitecer, ao fim de mais um dia de labuta. Pra
completar, os famigerados e covardes “black-blocs” se aproveitaram da ocasião
para mais uma vez exercitarem seu mafioso modus operandi: quebradeira generalizada
do patrimônio público e particular, de par com o desrespeito para com os que
não aprovam seus métodos criminosos de agir (e não venham com o papo-furado que
se tratam de vândalos: são criminosos, mesmo; marginais de alta periculosidade,
na acepção plena do termo).
Fato é que, como estamos
às vésperas de uma eleição presidencial, com a realização de uma Copa do Mundo
de Futebol em nosso país antecedendo-a, nesses poucos dias que faltam para o
início da competição novas manifestações deverão eclodir, objetivando
prioritariamente “provocar” ou instigar o Governo a partir para o confronto (inclusive
físico, de suas tropas com os baderneiros), do que se beneficiariam os
candidatos da oposição, tão carentes de idéias e discurso. Aliás, estes devem estar
babando e torcendo para que o Governo radicalize, a fim de colherem os
dividendos.
No mais, como o Brasil
já está sob os holofotes da mídia internacional, nada melhor para os marginais
e membros da oposição o desgastar o Governo através do “botar pra quebrar”, o
provocar acintosamente, o chegar às raias da irresponsabilidade (como o fazem
os tais “black blocs”), tudo em nome de uma suposta “democracia”. Só que aí
estão propositadamente confundindo “democracia” com “anarquia”. E isso já foi
percebido pela população, daí a não adesão ao movimento e, sim, sua repulsão.
Há que se ressaltar que
ninguém é contra nenhum tipo de manifestação, desde que realizada dentro da
ordem e da legalidade. Todo mundo sabe, por exemplo, que a repercussão das
manifestações ocorridas em junho do ano passado se deu por não terem sido
patrocinadas por radicais, sindicatos ou movimentos políticos de cunho
revanchista (contra o Governo). Foi algo que brotou espontaneamente, daí o
realce.
Cabe, pois, ao Governo,
a tarefa de, nos limites constitucionais, obstar a anarquia e entender que o
momento é de ter paciência e sensatez para suportar tudo isso; daí tais
movimentos serem respeitosamente acompanhados pela segurança institucional
(polícias estaduais).
Portanto, por ora a
notícia é alvissareira: ontem, dia 16.05.14, ao contrário do que pregavam os
profetas do caos (os eternamente do contra), “o mundo não acabou”. Estamos todos
vivos. E, mais importante, teremos Copa, sim senhor.
Aleluia, aleluia !!!
sexta-feira, 16 de maio de 2014
Completudes
J. Flávio Vieira
Francisca Eudóxia da
Conceição. Um nome enorme ! Nem carecia
de sobrenome! Eram três nomes próprios se espremendo, como podiam, num só
epíteto. Podia ter sido , sim , opção dos pais, se ela , um dia , os tivesse
conhecido. Uma embirra qualquer deles ou uma escolha simples pela sonoridade
das palavras: uma paroxítona, a martelada de um ditongo crescente, no meio, com
ares de proparoxítona e finalmente a
oxítona como fecho. O mais provável, no entanto, é que tenha sobrado para o
tabelião, o batismo da menina pobre, sem parentes ou aderentes conhecidos. Ao
menos sobraram formas carinhosas de denominá-la : Chica, Dodó, Ceiça. Criada por outras almas pobres e, por isso
mesmo, generosas, Francisca desde cedo seguiu o curso inexorável do seu destino
de órfã. A luta pela sobrevivência tangeu-a da escola. Pequenina ainda ensaiou
aprender o bê-á-bá, mas rápido descobriu que não levava jeito para as letrinhas
e os números. Começou como uma espécie
de babá mirim de casais mais abastados e, já taluda, fez-se empregada
doméstica. Disposta, trabalhava como um mouro, mas facilmente se percebia que a
disposição física buscava compensar uma
leve deficiência mental. Mocinha , enrabichou-se por um caminhoneiro – Cacildo
do Truck-- e andou juntando os trapos. O amancebo, no entanto, durou pouco. Um
belo dia, uns dois meses depois de casada, Ceiça saiu em desabalada carreira de
casa e fugiu de Cacildo, a partir daquele dia, como o vampiro do alho. Os
patrões apertaram de um lado e do outro tentando saber a razão do desencanto
súbito com as hostes matrimoniais. Ela, no entanto, desconversava, ficava
trombuda e mantinha silêncio obsequioso.
Eram
muitas as histórias de Dodó, espalhadas de casa em casa, por seus múltiplos
patrões. Um dia o dono da casa chegou
mais cedo , com ar pesado e cara de pouca conversa. Trancou-se no quarto e
ligou um som com um disco de músicas clássicas: Ravel, Mozart, Schubert. Dodó
ficou encucada com aquela trilha sonora . Que diabos estava acontecendo ? Acostumara-se
às triviais que curtia : breganejo ou
forró puxado para o caribenho. Quando a patroa chegou já à noite, ela,
preocupada, derramou sua apreensão:
---
Patroa, a coisa tá feia ! O patrão chegou cedo em casa , se trancou, e só
ouve umas músicas estranhas,penosas , aquelas músicas de quando morre presidente...
Chica
morava numa casinha “tomara que não
chova” , na periferia da cidade. A vizinhança , na sua maior parte, era um
ajuntamento de damas da noite e que borbuletavam por perto, em busca de clientes
eventuais. No quenguismo, Chica percebera, havia uma clara estratificação
social. Perto dela ficara a zona chamada de “farinhada” e que abarcava os mais
lascados dos clientes : bêbados, trabalhadores rurais que vinham para feira,
drome-sujos. As meninas, também, tinham perdido o aroma da juventude e, por
isso mesmo, foram sendo jogadas, pouco a pouco, para clientes menos exigentes.
Um dia, a
patroa percebeu que a funcionária chegava com sinais claros de noite mal
dormida: olhos remelentos, bocejos, cochilos pelos cantos. Interrogou-a sobre a
razão de tamanha moleza: entrara também na farra ? Dodó, então, explicou as razões da
indisposição. Passara toda noite acordada, por conta da zoada e burburinho das
meninas nas suas galinhagem e garipagem
. Para tanto, usou um coletivo sacro-profano
totalmente inusitado :
---
Não dormi um pingo, patroa ! A noite toda foi uma putaria só, lá na rua ! Um mundo de quenga viçando !Era a
Diocesa das Rapariga ! Vôte !
Um
dia, as funerárias da vila lançaram uma
novidade que rapidamente se alastrou, tornando-se um dos sinais de status : o carrinho para
transportar o caixão. Antigamente o féretro carregava-se nas mãos dos próprios
parentes e amigos que se iam revezando neste mister. Ceiça estava varrendo a casa
quando ouviu um burburinho na rua. Aproximou-se da janela e percebeu tratar-se
de um enterro. Coroas carregavam coroas, na frente ; meninas velas acesas e
parentes soluçavam pelas beiradas, seguindo a turba. Dodó estava acostumada àquela
atração de cidade pequena: a casa onde trabalhava era próxima ao cemitério
local. Notou, no entanto, uma coisa esquisita. O caixão, aderira a uma novidade
que não conhecia, vinha em cima de um
carrinho e empurrado pelos circunstantes. Rápido, ela gritou para dentro de casa,
alertando a patroa da inovação :
---
Chega, Madrinha ! Corre ! Vem olhar um
defunto andando de bicicleta !
A
história da súbita separação de Chica
sempre fora um dos maiores mistérios da vila. Que teria acontecido ? Por
que deixara Cacildo, assim tão intempestivamente e, mais, de forma tão definitiva?
Nem adiantava pressionar Dodó, ela se
danava e fugia do assunto como lobisomem do sol. Um dia, no entanto,
numa confissão, Padre Arcelino pressionou. Por que ela tinha quebrado o sagrado
sacramento do matrimônio?
---Casamento
que Deus uniu, D. Francisca, só a morte separa ! Isso é pecado grave !
Chica,
chorosa, então, resolveu quebrar o segredo mais guardado que o terceiro de
Fátima.
---
Seu padre ! Eu cumpria minhas obrigações. Naquele dia, o diabo Cacildo chegou
bêbado e com o cão nos couros. Pois , seu padre, ele queria era me acunhar por
trás, já pensou? Espia ! Eu fiz foi
rifugar ! Ele pensava o quê? Que eu era
mulé compreta ? Naaaannnn !
Crato, 16/05/14
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