por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 18 de dezembro de 2016

A "ENTREGA" DE UM PAÌS - José Nílton Mariano Saraiva

Abaixo, documento da lavra de Pedro Sampaio Malan, então todo poderoso Ministro da Fazenda do Governo Fernando Henrique Cardoso, enviado ao FMI, em 1999, para anunciar um tal “AJUSTE FISCAL”. 
Como se pode constatar, já àquela época Fernando Henrique Cardoso, via Pedro Sampaio Malan, ofereceu ao FMI nada mais nada menos que: o BANESPA, BANCO DO BRASIL, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, BNDES, BNB, BASA, IRB, VALE DO RIO DOCE E PETROBRAS.
Hoje, lamentavelmente, tal programa é implementado pari-passu pelo sem povo, sem voto e sem moral Michel Temer, sem que os brasileiros ofereçam qualquer reação.























sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

"ESCÁRNIO" EXPLÍCITO - José Nílton Mariano Saraiva


A esculhambação jurídica vigente no país nos dias correntes foi denunciada pelo próprio ministro do STF, Marco Aurélio Mello, quando publicizou ter sido por orientação de um dos integrantes daquela corte (Gilmar Mendes) que o Presidente do Senado, Renan Calheiros houvera se rebelado e desobedecido à decisão judicial que o afastava da função, em razão de ter se tornado réu em um dos inúmeros processos em seu desfavor e que por lá tramitam (sequer dignou-se em “recibar” a notificação devida, ignorando solenemente o oficial de justiça).

Brigas internas à parte, o fato não se constitui nenhuma novidade para os que conhecem o descalabro ali reinante (STF), atestatório de que o nosso Poder Judiciário é o mais corrupto dos poderes da república. Ou alguém já esqueceu da recusa do próprio em apreciar o “mérito” do processo de impeachment que resultou na cassação de uma Presidenta democraticamente eleita ??? Ou da demora em penalizar o bandido Eduardo Cunha, permitindo-o conduzir o tal processo ??? Ou da concessão de dois habeas corpus, num mesmo dia, ao mafioso Daniel Dantas, sem maiores justificativas ??? Ou, ainda, dos eminentes Desembargadores cearenses que negociavam habeas corpus a traficantes ao “módico” preço de C$ 150 mil a unidade ???

Alguém até poderia questionar a alcunha de poder corrupto atribuída ao STF, quando se sabe que o Poder Legislativo abriga mafiosos de todo naipe, que ali estão apenas para “se fazer”, ou ganhar a vida, conforme já comprovado (particularmente, entendemos que dos 594 parlamentares com assento na Câmara Federal e no Senado, se salvam, com muito boa vontade, algo em torno de dez por cento e olhe lá). Só que o Poder Judiciário o suplanta em termos de gravidade e potencial dos ilícitos referendados.

Fato é que, embora seja algo que já vige há anos, a prostituição do Poder Judiciário se tornou mais visível e palpável com o surgimento da Operação Lava Jato, quando um juiz de primeira instância resolveu passar por cima da Constituição Federal sem maiores cerimônias e nenhum temor, sem que a egrégia corte do STF haja se manifestado em defesa da legalidade, mas, ao contrário, tenha chancelado in totum os abusos e inúmeras arbitrariedades comprovadamente praticadas pelo próprio. Deu no que deu.

Hoje, ao passar a viger a tese de que se o STF não consegue barrar sequer um deslumbrado juiz de primeira instância, useiro e vezeiro em trafegar na ilegalidade, como ter moral ou autoridade institucional para punir o mafioso e todo poderoso Presidente do Senado da República, por este se negar a cumprir uma decisão judicial emanada daquela casa ??? Além do quê, contando com o apoio do ilegítimo, sem povo e sem voto, e também corrupto chefe do Poder Executivo, Michel Temer.

Não é de estranhar, pois, que na primeira coletiva que deu após desmoralizar publicamente o Poder Judiciário (como um todo), Renan Calheiros tenha sido contundente e cirúrgico no escárnio explícito: “DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL É PARA SE CUMPRIR” (só não disse o porque de não fazê-lo; nem lhe foi perguntado). Uma vergonha.

E como, na condição de Presidente do Senado, Renan Calheiros tem o poder de interferir no encaminhamento de votações de emendas de interesse dos senhores ministros do STF (sobre abuso de autoridade e dos supersalários, por exemplo), a dúvida é se os referidos processos contra ele serão levados avante ou tornar-se-ão “moeda de troca” para mais um assalto contra o Estado, por parte das corruptas “Excelências” do STF.

A conferir.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

MISSA DO GALO - Dr. Demóstenes Ribeiro


A minha alma canta e eu vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudade, faz um domingo lindo, o sol é magnífico e a festa, universal. Saio do Cosme Velho e chego ao centro. Paro em frente à Academia, relembro patronos e colegas.

Como aceitar o suicídio do Pompéia? Ele escreveu o Ateneu, foi abolicionista e lutou pela república. Ainda era ainda moço e forte. Um Natal, um tiro no coração, silêncio e nunca mais. E o Gonçalves Dias? Tragado pelas ondas invejosas e não podendo dormir no chão amado, deixou a Canção do Exílio em todos nós.

Um dia, Castro Alves me procurou, recomendado pelo Alencar. Deu-me imensa alegria conhecer o poeta e sentir a força do gênio que iria cantar a liberdade, enfrentando a injustiça e a escravidão. Aliás, 13 de maio de 1888, um domingo, foi o único delírio popular de que me lembro de ter visto.
Agora é moda falar mal do Alencar, mas ele fez um retrato do Brasil como ninguém mais. Eu, quase um adolescente, o conheci de perto. Nesse tempo ele ainda ria. Depois, escrevi o prefácio de Iracema e me convenci de que nem tudo passa sobre a terra. José de Alencar é o meu patrono e a banalidade da morte jamais apagará aquele sol.

Olho essa estátua, recordo as palavras de Nabuco na sessão inaugural da Academia e as do Ruy Barbosa quando parti desse chão. Gostei muito do discurso do Ruy, mas, ao contrário de Nabuco, não éramos íntimos, tínhamos temperamentos diferentes, faltou-nos a prática necessária à amizade.

Não encontro a Livraria Garnier e na Rua do Ouvidor a confusão é geral. Sigo adiante, me emociono com um bater de sinos, a igreja da Glória me faz menino outra vez, mas a praia do Flamengo mudou demais. Muito mar e muito tempo, mar revolto, suicídio do Escobar... No calçadão, muita gente andando com cachorros. Aqui, Quincas Borba retomaria fumos de fidalgo e correria feliz.

Marcela e Virgília, Sofia e Flora, Sancha e Fidélia... Elas não eram para um tipo ciumento e permita-me cantar minhas saudades. Em direção à Ipanema, uma garota me lembrou Capitu. Não tirei os olhos dos seus quatorze anos, meu coração agitado, tempo infinito e breve até Carolina restituir-me o equilíbrio e a paz.

Saudades de mim mesmo... Rio de ontem e de sempre, lembranças e fantasias de um bruxo, ex-interno da Casa Verde, paciente do Simão Bacamarte. Dizem que Memórias Póstumas de Brás Cubas é um dos livros prediletos do Woody Allen, mas até hoje eu não sei se Capitu traiu o Bentinho ou se era ele quem desejava ardentemente o Escobar. Consultarei a cartomante – cedo ou tarde, ela descobrirá.

Por fim, lembrei do Astrojildo Pereira. Eu já estava partindo, quando um rapazinho, dizendo-se grande admirador, ajoelhou-se ao lado do meu leito, beijou-me a mão e saiu sem se identificar. Tempos depois ele seria um dos fundadores do Partido Comunista do Brasil. Euclides, que presenciou aquela cena, a descreveu numa crônica.

O Natal mudou, a noite caiu de todo e se não me apresso, perco a Missa do Galo. Ah, quase me esqueço, mas o Mário de Alencar não era meu filho: não transmiti a ninguém o legado da nossa miséria. 

Dr. Demóstenes Ribeiro (Cardiologista - Fortaleza-CE)

terça-feira, 22 de novembro de 2016

BANCOS DE "SEGUNDA LINHA" - José Nílton Mariano Saraiva


Não é possível que, principalmente os militantes do serviço público federal (aprovados em rigorosos concursos) e que ainda não foram vitimados pelo Mal de Alzheimer, hajam se surpreendido com o “anúncio fúnebre” do sem povo, sem voto e sem moral (Michel Temer), no tocante ao progressivo esvaziamento do Banco do Brasil (e demais bancos públicos), visando sua posterior extinção/privatização.

Afinal, na fase crepuscular da década de 90, o Governo Tucano (Fernando Henrique Cardoso), via Ministério da Fazenda (Pedro Sampaio Malan), firmou um Acordo Stand-By com o Fundo Monetário Internacional, onde, em troca de migalhas que teoricamente livraria o Brasil da falência absoluta, se comprometeu a entregar à iniciativa privada tudo que contribuísse para que o patrimônio nacional fosse pulverizado vapt-vupt (não houve jeito, perdemos parte expressiva do patrimônio e tivemos que se ajoelhar mais duas vezes, posteriormente).

Abaixo, só pra refrescar a memória, a prova do crime:

MEMORANDO DE POLÍTICA ECONÔMICA (de 08.03.1999), ENCAMINHADO AO FMI PELO MINISTÉRIO DA FAZENDA DO GOVERNO FHC (ACORDO STAND-BY)

Com determinação o governo dará continuidade à sua política de modernização e redução do papel dos bancos públicos na economia. O Banco Meridional uma instituição federal foi privatizado 1998 e em 1999 o sexto maior banco brasileiro, o BANESPA, agora sob nova administração federal será privatizado. Ademais, o governo solicitou à comissão de alto nível encarregada do exame dos demais bancos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, BNB e BASA) a apresentação até o final de outubro de 1999 de recomendações sobre o papel futuro dessas instituições, tratando de questões como possíveis alienações de participações nessas instituições, fusões, vendas de componentes estratégicos ou transformações em agências de desenvolvimento ou bancos de segunda linha. Essas recomendações serão analisadas e decisões serão tomadas pelo Governo antes do final do ano sendo que as determinações serão implementadas no decorrer do ano 2000. O Governo já se decidiu sobre a privatização da administradora de ativos afiliadas ao Banco do Brasil (BB) e do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB)” (ipsis litteris).
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Apesar da pressa, não deu tempo de “doar” tudo, face à defesa da sociedade e, posteriormente, com a assunção de Lula da Silva, quando o estado brasileiro foi retomado, tanto que de devedor do FMI passamos a credor daquele famigerado Fundo, de par com a adoção de uma política exterior independente, onde novas e poderosas parcerias foram estabelecidas (China, Mercosul, África e por aí vai). E a partir daí o Brasil ganhou o respeito internacional.

Vida que segue (e suas surpresas), fato é que hoje, após o “golpe” midiático, parlamentar, jurídico perpetrado, voltamos a uma fase de incertezas e pessimismo, principalmente ante a tenebrosa constatação que, embora fora do poder formalmente, a “tucanalhada” mais do que nunca se acha presente, porquanto o “gagá” enrolador que se acha Ministro da Fazenda (Henrique Meirelles) incapaz de uma ideia original, adotou definitivamente o modo/pauta tucano de ser e agir.

Assistir a tudo isso nos traz uma pesarosa e triste sensação de “DÉJÀ VU" (o equivalente popular a "eu já vi esse filme"), cuja medicação exige luta e enfrentamento, até porque ante um governo ilegítimo.

Mas, será que os famosos “coxinhas” que integram o serviço público federal (principalmente funcionários do BB, CAIXA, BNDES, BNB e BASA) que se esgoelaram, escreveram artigos e bateram panelas exigindo o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, estão satisfeitos com o papelão que fizeram e com o “presente” lhes está oferecendo o governo em termos de futuro ??? Teriam hombridade de ir às ruas defender seu emprego, o sustento da sua família ???