por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O acordo ou a corda

J. Flávio Vieira

Nas últimas semanas,  o Crato se viu assaltado por uma onda de seguidos suicídios. Alguns deles em pessoas jovens que deviam carregar nos olhos o dourado sonho da existência.  Este ato extremo, que leva pessoas a fugirem pela porta dos fundos, põem toda a cidade em polvorosa. Parentes e amigos jamais tirarão da mente um certo sentimento de culpa : -- Eu poderia ter pressentido os primeiros sintomas e , quem sabe, evitado a catástrofe ! Os conhecidos e transeuntes embebem-se num certo blues, como se perguntassem : o que há de errado neste mundo que ninguém o suporta sem algum tipo de anestesia ?
                                   Longe de ser um questão meramente doméstica, os suicídios alcançam, no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, quase 900.000 mortes ao ano. Este valor numérico , pasmem vocês, ultrapassa as mortes por guerras, os homicídios e desastres naturais somados ! E, o pior de tudo, desde a década de 70, os suicídios cresceram mais de 60 % e, ultimamente, têm tomado um vulto totalmente inesperado. Acredita-se que a crise econômica global possa ter contribuído para o aumento. O desemprego, o arrocho salarial, principalmente em países europeus, a instabilidade da economia em nações outrora prósperas, impulsionam o desencanto junto à juventude. Acredita a OMS que a urbanização desenfreada , certamente, tem exposto a população às agruras e estresse das cidades e megalópoles. Desde 2010, pela primeira vez, a maior parte da humanidade vive em zonas urbanas e não nas rurais.  Deixamos o campo e sua plácida tranquilidade,’ para a violência da rua, do trânsito, a competição terrível no mercado de trabalho. E mais que tudo, perdemos a identidade e passamos, na cidade grande, a ser apenas um número, no meio da manada, com a clara sensação de que corremos em disparada para o abismo logo à frente.
                                   Estudos têm demostrado que os laços sociais são fortes aliados na prevenção dos suicídios. Amigos, namorados e namoradas, parentes,  esposas, maridos,  filhos, companheiros de trabalho  e  de farra são os liames imprescindíveis que nos prendem à vida e lhes dão algum significado. Estudos feitos nos EUA demonstram que quase metade dos adultos se consideram solitários e este preocupante percentual é exatamente o dobro da década de 80. Este isolamento proporcionado pela urbe , certamente,  estaria impulsionando os casos de depressão responsável esta  por mais da metade de todos os suicídios.
                                   Basta refletir sobre os destinos da modernidade , para se perceber que nós mesmos destilamos nossa própria cicuta. As pessoas fogem dos relacionamentos sérios, como o trombadinha da polícia. As relações passaram ser na sua maioria transitórias e eventuais : amizades coloridas, rolos, ficas. Mulher ou homem que consiga uma certa ascensão econômica prefere a cueca ou calcinha do parceiro na cadeira, nunca no guarda roupa. Casamentos se dissolvem como gelo em Teresina: a primeira cara feia, o primeiro bate-boca ou arranca –rabo é motivo para o divórcio. Já há incontáveis casais que simplesmente optam por não ter filhos, sob a alegação de que atrapalha demais e dá muita dor de cabeça. A explosão da comunidade global fez com que a comunicação ficasse, aparentemente,  mais fácil, mais rápida com o Smartphone, a Internet, o WhatZapp, as Redes Sociais. A tecnologia aproximou absurdamente os distantes, mas afastou terrivelmente os próximos. Nas rodas de bar , já não se conversa: se tecla. Passamos a ter incontáveis amigos virtuais, mas praticamente deletamos os amigos reais. O Curtir substituiu o bate papo, o olho no olho, o toque, o abraço. Não bastasse isso, a vida profissional se tornou um verdadeiro campo de guerra. Já não temos companheiros mas competidores. O objetivo de todos é o mesmo do Flamengo :  vencer, vencer, vencer. Como em toda maratona poucos vão ao pódio e muitos são os derrotados.  Viver é consumir e aí daqueles que ferirem esse mandamento básico. De repente, uma grande turba percebe-se só no mundo aniquilada : sem família, sem amigos, sem agregados, sem companheiros.  O parto atravessado da vida não se suporta sem anestesia: álcool, lexotan, tabagismo, cocaína, fanatismo, religião,  moralismo...  A solidão no meio da turba talvez seja a mais cruciante solidão. Vale a pena continuar a jornada ?
                                   Há algo errado na viagem, quando tantos desembarcam antes da estação final.  É preciso mudar o roteiro, aproximar o grupo de viajantes para que possam dividir a estafa do caminho e desfrutar juntos a paisagem que passa definitiva na janela. Como o trem   segue sempre  para o descarrilamento inevitável, o companheirismo, a solidariedade, a  amizade , no final, serão a única atração verdadeira do nosso roteiro turístico. Não dá para viver sozinho, nem existe felicidade individual. São as nossas relações interpessoais que nos atam ao vazio da existência. Só temos duas opções neste mundo : o acordo ou a corda.


Crato, 08/10/14 

O RUMO NORTE É O NOSSO DESATINO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Quando nos apontam o rumo norte para o nosso destino, a morte abre as suas asas sobre o nosso desatino. Esta frase deveria ser um eco de razão a toda vez que um político, um líder ou um cidadão nos aponta os EUA como o nosso modelo de civilização.

Mesmo que o sonho do sucesso, a segunda chance, o mérito da conquista, o imenso prazer do consumir e pertencer a uma sociedade em que se agradece pelos empreendedores privados esteja a alavancar um desejo como compreensão da liberdade. Mesmo que seja isso, sempre imagine que o Brasil é grande, somos uma sociedade de mais de 200 milhões, temos uma cultura própria e capacidade de viver os nossos próprios sonhos e através da liberdade de nos realizarmos pelo nosso próprio conhecimento e arte.

Já temos problemas demais a enfrentar para desejarmos ser o gasoduto a alimentar a energia dos problemas dos outros. Os EUA formam um grande povo, a humanidade deve muito às suas instituições, à sua ciência e cultura. Mas o mundo tem sido vítima do imperialismo americano com suas agressões, golpes políticos, usurpação das riquezas, atraso e exploração dos povos e nem por isso os EUA têm a melhor sociedade. Nem muito inferior aos nossos problemas.

Os EUA inventaram, FHC e o PSDB embarcaram em seu ideário, a maneira mais soft de implantar seu “estilo” através do enriquecimento das suas empresas sobre a economia dos povos como o Brasil. As empresas vêm com toda a concorrência, mas com o estilo americano de ser (lobbys, holdings, oligopólio etc.) e para garantir um mercado fluído e sem conflito: inventaram as Agências Reguladoras. O papel delas é “controlar” o desejo dos consumidores por melhores serviços e menores preços. Dar um colchão de apoio ao “mercado”.

Leia o primor como os EUA defendem suas empresas através de trechos de um documento de empresas de fracking de gás de xisto para Ucrânia (aí toda briga com a Rússia): “Empresas norte-americanas podem investir diretamente na Ucrânia, levando com elas sua tecnologia. Empresas ucranianas podem contratar perfuradores norte-americanos com experiência, podem licenciar perfuradoras norte-americanas e empresas de tecnologia de sondagem sísmica por imagem, e podem importar equipamento norte-americano sofisticado de perfuração. O governo dos EUA pode estimular este desenvolvimento com programas patrocinados pelo Estado, como o Programa para Engajamento Técnico Não Convencional para Gás do Departamento de Estado.

É até óbvio, mas o Governo financia com impostos do povo dos Estados Unidos as suas empresas para que explorem as riquezas e a economia dos outros países. E fazem isso por cima de pau e pedra, por isso toda a briga na Ucrânia. Por isso eles bombardeiam países pelo mundo todo e acusam a Rússia pela anexação da Criméia como vestais numa noite sem lua. Na verdade toda esta guerra é que os EUA querem substituir o papel da Rússia como fornecedora de gás natural para a Europa,pela hegemonia da produção de gás de xisto por fracking.   

Nesta altura da nossa história a nossa principal reflexão, crítica e construção do futuro tem por base a nossa própria história. Não vamos seguir os passos de ninguém, os nossos problemas precisam ser resolvidos e não vamos adotar políticas que aumentem estes problemas ou então, retardem as suas soluções.
Os EUA não servem de espelho para nós os brasileiros. Vejam alguns dados do seu modelo de ser em alguns tópicos. A) Dois terços da população de Detroit não pode pagar as suas necessidades básicas e 46 milhões de americanos estão na pobreza; B) a taxa de mortalidade infantil dos EUA é a quarta mais alta entre 29 países mais desenvolvidos; C) a taxa de analfabetismo nos EUA entre adultos é de 14%, 21% dos americanos têm um nível de leitura inferior à 5ª série de estudo e 19% do diplomados do ensino médio não sabem ler; D) o sistema de saúde americano ocupa o último lugar em eficiência entre os 10 países mais desenvolvidos e tem o maior gasto per capita entre eles ($8.508).

Ora os EUA são um país bem sucedido e rico. Qual a sua questão? O modelo político, social e econômico com base puramente no liberalismo de mercado. Os números que lemos parecem até enganosos pois jamais imaginaríamos que eles fossem assim, mas são. São pelo excesso de individualismo, de exploração privada, de acesso por renda, de negócios lucrativos, de intermediações onerosas como advocacia, segurança e guerras geopolíticas.

Este modelo, por exemplo, transformou a educação numa mera fábrica de performance, sem preparar o ser humano e levando a que mães em desespero usem medicamentos nos filhos abaixo de 10 anos de idade apenas porque as professoras não encontram a performance que esperam. Isso sem contar a inúmeras fórmulas para atrair “consumidores”. E como consumidores os americanos ficam fora do ensino e tem tanta gente crítica ao governo brasileiro pelos nossos baixos níveis de educação.

O sistema de saúde americano, baseado em planos de saúde, é uma verdadeira esteira da era fordista, como as faculdades de medicina preparando especialistas, os laboratórios organizando o ensino, congressos e sociedades e as operadoras criando fundos que financiam a farra de médicos ultra-especializados. O grande problema, por exemplo, comparando-se com o sistema estatal inglês como gasto per capita de $3.405, é que não existem cuidados primário de saúde, não existe atenção básica, prevenção e promoção da saúde.

O Brasil precisa de um caminho próprio, especialmente longe de modelos que se mostram errados. Se não evoluímos para o modelo totalitário da União Soviética, igualmente, não precisamos adotar este capitalismo do Deus Mercado. Precisamos de uma união forte e de preparar lideranças que compreendam esta união e não se torne apenas meros empregas dos grandes negócios americanos.

Uma visão da política do governo Obama, dos presidentes de vários países por ai, incluindo ex-mandatários é de um salve-se quem puder onde todos se vendem para os grandes negócios e não atendem às verdadeiras decisões das sociedades. A posição dura da Polônia contra a Rússia na questão da Ucrânia é porque todo mundo estava “comprado” para empurrar o negócio do fracking de xisto. O filho de Joe Binden, vice-presidente dos EUA que lutou muito para a “democratização” da Ucrânia é diretor da principal empresa ucraniana de energia.


Esse é o mundo da decadência da sociedade de mercado.  

COMUNIDADE DE EXTERMÍNIO VESTINDO BRANCO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Generais e líderes nazistas no tribunal internacional de Nuremberg foram condenados por suas ações de guerra e extermínio. Ultrapassaram qualquer marca de humanidade mesmo no papel que lhes cabe que é a guerra. O mesmo pode ser dito a militares brasileiros que participaram de tortura a presos (nem sempre políticos ou militantes de esquerda) durante a ditadura militar. Eram soldados, guerreiros treinados para matar, mas mesmo assim cometeram crimes pois matar e torturar não é a missão específica mesmo parecendo ser.

Agora peguem um médico, ou outro profissional de saúde e o ponha na mesma função de um Mengele ou de assistente de tortura nas selas dos porões dos quartéis para acompanhar o limite e atestar com laudos falsos as causas da morte. Este é criminoso contra a humanidade e fere essencialmente a função quase divina de sua razão de ser: que é curar.

Médicos como Mengele são piores que a perversidade do guerreiro. Eles são traidores da função, da humanidade e praticam um ato que ultrapassa qualquer apresentação digna que possa ter. A respeito de que isso tudo?

Uma comunidade no facebook, com mais de cem mil seguidores, chamada “Dignidade Médica” acumpliciou-se aos porões da ditadura e aos banheiros dos campos de extermínio com Auschwitz na manifestação de alguns dos seus. Ao Conselho Federal de Medicina não basta responder com notas condenatórias, precisa buscar autores e punir exemplarmente. O MPF precisa agir com o mandato do direito.

O que manifestaram nesta comunidade do Face? Postaram frases como: “70% de votos para Dilma no nordeste! Médicos do nordeste causem um holocausto por aí! Temos que mudar esta realidade.” “Meus amigos, infelizmente temos de ser terroristas e nos colocarmos no nível de conversa que pobre entende!” “Colegas que votaram em Marina nesse primeiro turno, podemos contar com o apoio dos senhores para o segundo turno votando no Aécio.”

No dia em que grupos médicos chegaram a termos como estes, a profissão com um todo foi enlameada no fosso do maior nível de desinformação, analfabetismo e absoluto desprendimento da realidade. Aí temos a prova que mesmo a formação científica superior não é suficiente a promover humanidades como já sabíamos desde a Alemanha Nazista.

   

terça-feira, 7 de outubro de 2014

DILMA DEVE PROMETER O BOLSA INFORMAÇÃO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Fora um ou outro troll que frequenta os comentários, este blog tem opinião. Tem informação e, claro, pluralidade de pensamento. Nem sempre as pessoas se estapeiam porque pensam diferentes e isso pode estimular ainda mais o senso crítico de todo mundo.

Já nas denominadas “redes sociais” o pau come. As pessoas extravasam ódios, preconceitos e acusam nordestinos de não terem informação, serem pobres e comporem os bolsões de miséria que votam em que lhes dar esmola. Aí a questão central é o Programa Bolsa Família.

Junto com as malditas palavras de FHC, os jornais das famílias oligarcas também acusaram o nordeste e no resto um bando de paulistas idiotas diziam que trabalhavam enquanto os nordestinos passavam a vida deitados na rede só recebendo a grana para votar no PT.

Eis aqui alguns dados do Bolsa que não é a Bolsa que sobe e desce conforme as pesquisas eleitorais: o Estado de São Paulo (1,2 milhão) é o segundo estado em número de benefícios, perde para a Bahia (1,8 milhão) e está à frente de Minas, Pernambuco e Ceará cada um com 1,1 milhão. Outro dado: 49% dos benefícios são para pessoas com menos de 18 anos, portanto 42% tem menos de 16 anos e nem vota. Tira a criança do trabalho infantil.

E sobre receber a grana para manter a preguiça? 75% daqueles com mais de 18 anos trabalham e quem não trabalha é por falta de oportunidade. E tem mais, cara pálida: o valor médio do Bolsa Família é de R$ 168,00, isso qualquer preconceituoso gasta numa balada bebendo e comendo coisas caras. Isso não permite ninguém parar de trabalhar. R$ 5,6 por dia é ruim de viver sem outros ganhos.

Agora é preciso que se faça uma denúncia grave. É necessário, para uma boa condução do futuro do país, para que tenhamos um progresso verdadeiro, que o negligente governo Dilma crie um programa para melhorar o nível de informação de pessoas como FHC e toda a marola preconceituosa das “redes sociais”. Dos jornais das grandes famílias não é necessário a adesão ao programa, basta que eles paguem o imposto que devem ao país. 

Números em profusão - José Nilton Mariano Saraiva

Mesmo com a vitória insofismável da presidente Dilma Rousseff no primeiro turno (vantagem de 8.370.242 votos), os analistas globais já “decretaram” que os votos da candidata Marina Silva, no primeiro turno (22,1 milhões) deverão migrar para o candidato Aécio Neves e, assim a eleição será decidida a favor do tucano, no segundo turno (como se Marina Silva tivesse carisma ou poder de transferir tudo para quem decidir apoiar).

Se houvesse a preocupação de pelo menos analisar e comparar com imparcialidade os números atuais com as da eleição passada, veriam que naquela oportunidade os 19.6 milhões de votos da mesma Marina Silva não foram agregados na totalidade aos votos obtidos pelo candidato José Serra, no segundo turno, e que decidia a eleição com Dilma Rousseff.

Assim, enquanto Serra subiu de 33,1 milhões de votos para 43,7 milhões (10,6 milhões), quase que na mesma proporção a candidata Dilma Rousseff saltou de 47,6 milhões para 55,7 milhões (8,1 milhões), gerando uma diferença de 12,04 milhões para a candidata Dilma, ao final da contenda (ante os 14.5 milhões do primeiro turno).

Observa-se que a votação de Aécio, agora no primeiro turno (34,8 milhões ou 33,55%), praticamente se assemelha à votação de Serra naquela oportunidade (33,1 milhões ou 32,61%), embora caiba destacar que a votação de Dilma Rousseff, na época, foi de 47,6 milhões (46,1%) e, agora, tenha sido 43,2 milhões (41,59%), resultando que a diferença pró-Dilma no primeiro turno tenha oscilado negativamente de cerca de 14,5 milhões para 8,3 milhões, agora (em razão da votação paulistana).

No mais, Dilma Rousseff venceu em 15 estados da federação (inclusive na terra de Aécio Neves, Minas Gerais, no Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul), Aécio Neves em 10 estados e Marina Silva em 02.

Há que se destacar, ainda, que tivemos a omissão de impressionantes 38.797.556 eleitores ou 29,03%, a saber: se abstiveram de votar (27.698.475 ou 19,39%), anularam o voto (6.678.592 ou 5,80%) ou o deixaram em branco (4.420.489 ou 3,84%). Segundo os famigerados institutos de pesquisa, aqui a candidata Dilma Roussef foi a mais prejudicada, e se houver um retorno de parte deles ela colherá dividendos.

Enfim, se não surgir alguma novidade capaz de produzir efeitos devastadores, nada que um ajuste bem dado e uma maior participação da militância (principalmente em São Paulo) garantirão a permanência da atual ocupante do Planalto. Afinal, no cara-a-cara (debate) entre os dois candidatos, não poderá ser olvidado a comparação entre os dois modelos de governo em confronto: o do desenvolvimento inclusivo, onde se prioriza a redistribuição de renda, via inclusão social e a remoção das desigualdades sociais (Dilma Rousseff) e aquele excludente, que entrega de mão beijada ao mercado, via capital financeiro, o gerir da economia (Aécio Neves).   

Restaria a pergunta: pelos grosseiros e clamorosos erros cometidos (inclusive na “boca de urna”), os diversos institutos de pesquisa (que já anunciam novos dados a partir de amanhã), merecerão alguma credibilidade ou capazes serão de induzir o voto do eleitorado, a partir de agora ???




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Completando a postagem abaixo, reproduz uma postagem do jornalista Mário Magalhães em seu blog antes mesmo de FHC iniciar a campanha contra o marmiteiro

Um breve preâmbulo, sem intenção professoral: com o fim da ditadura do Estado Novo (1937-1945), sobreveio a eleição presidencial direta, em 2 de dezembro 1945. Os dois candidatos mais fortes eram altos oficiais das Forças Armadas: Eurico Dutra, do Exército, e Eduardo Gomes, da Aeronáutica. Deposto, o ditador Getulio Vargas apoiou Dutra. Sem traquejo político, o brigadeiro falou com desprezo da malta getulista que sufragaria o marechal. Um acólito de Vargas copidescou com malícia a declaração, espalhando que Eduardo Gomes zombara dos “marmiteiros''. Isto é, maldissera o povo simples, que levava comida em marmita para o trabalho.
A versão pegou, e ajudou Dutra a jantar Eduardo Gomes nas urnas.
Desde então, embora a expressão marmiteiros tenha caído no esquecimento, em todas as eleições os eleitores mais pobres são menosprezados como ignorantes que, como diria o Pelé, não sabem votar.
Isso vai acontecer de novo agora. Muitos sabichões tripudiarão sobre cidadãos _sem muitos direitos da cidadania, mas cidadãos_ como aqueles que ganham até dois salários mínimos, sejam eles eleitores da presidente Dilma Rousseff, que vai ganhar fácil o primeiro turno (mas provavelmente com menos de 50%), ou do governador Geraldo Alckmin, que em proporção terá ainda mais votos.
Para certos ditos bem esclarecidos, o povão inculto não sabe escolher.
Não imaginam esses demofóbicos, para empregar a sacada do jornalista Elio Gaspari, que os brasileiros mais pobres provavelmente têm mais consciência ao votar.
Porque da sua decisão pode depender um prato de comida, a escola para o filho e a chance de transformar em realidade o sonho de uma casa.
Nem o tempo apaga a intolerância: determinada intelligentsia vai continuar detonando os marmiteiros, que como sempre sabem o que fazem e querem ao digitar os números nas urnas.

FHC (Faculdade Harmônica de Confundir) - José do Vale Pinheiro Feitosa

A integridade é uma das coisas mais difíceis no ser humano. Falando em integridade como a capacidade até de mudar de opinião, mas tendo a capacidade de demonstrar que esta mudança faz parte da ordem geral e não do arranjo individual e oportunista.

Fernando Henrique Cardoso foi eleito Presidente da República por duas vezes em razão do plano de estabilização econômica do país. FHC foi eleito duas vezes no primeiro turno. Quem deu a vitória a ele foi o povão, o povo do nordeste, do norte, o povo das camadas sociais mais sofridas que se viam beneficiados com o fim a terrível inflação que corroía seus ganhos antes mesmo deles começarem a comprar as suas necessidades.

Mas FHC tem dois defeitos fatais. Um de personalidade: é um oportunista na raiz da medula. O outro é intelectual: pertence à cátedra do “paulistanismo” adversário mortal de um projeto nacional, preconceituoso, que tem horror a nordestino migrante e tudo que é crescimento e distribuição de renda é populismo. É a ideologia que defende a “meritocracia” e que voto em Aécio Neves cuja carreira é produto de sua família, incluindo o avô.

Como diz Carlos Orsi num jornal da Unicamp: “A Semana de Arte Moderna de 1922 foi, no plano ideológico, a iniciativa de uma “oligarquia racista, reacionária e ao mesmo tempo modernista”, para servir aos interesses de classe da elite cafeicultora e a um projeto de hegemonia paulista, que via o Brasil como uma colônia a ser explorada pela metrópole de Piratininga.”

Eis a declaração do prestidigitador no blog do Josias de Souza, portal do UOL: “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são mais pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados.” De uma tacada só o Príncipe dos Sociólogos tenta separar o inseparável, uma vez que informação (midiática é o que ele quer dizer) é acesso e acesso é riqueza monetária.


Além de tentar uma frase que não irrite os pobres, ele também comete outro erro sociológico: informação não depende apenas do Jornal Nacional, da Folha ou do portal UOL. O povo do nordeste tem seus métodos para se informar, tem capacidade para analisar e sobretudo sente o imediato de suas vidas com mais agudeza do que a crônica de um sociólogo rico que ganha fortunas dando palestras a empresários com horror a uma ordem social que os comprometam além dos seus negócios.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O DEBATE QUE O TRABALHADOR NÃO PÔDE VER - José do Vale Pinheiro Feitosa

Comecemos pelo principal. Desde a segunda metade dos anos 60 do século XX a Rede Globo de Televisão é a “mídia” nacional. A mediação dos fatos, fenômenos e ideias que acontecem e norteiam a sociedade brasileira. O jornalismo, especialmente o Jornal Nacional, as novelas e programas de auditórios deram a base para uma “identidade” nacional sujeita ao capitalismo industrial e financeiro e aliada aos EUA nos conflitos subjacentes à política internacional.

Existem muitas análises que demonstram que, agora já no andamento da segunda dezena do século XXI, a Rede Globo esteja em baixa em razão da mudança de paradigma do próprio papel das mídias. A rede mundial de computadores faz mais do que o telefone fez em termos de diálogos entre as pessoas. O telefone era ponto a ponto enquanto a rede de computadores se dissemina, viraliza como é do jargão.

Quando as empresas de mídia faziam a mediação da comunicação social e do conhecimento público fatalmente atendiam a uma sociedade de massa carreando-a ideologicamente num determinado rumo. Quando a rede de comunicação interpessoal surgiu o primeiro fato foi a diversidade de rumos, de interpretações e de entendimentos ideológicos.

Numa sociedade em crise econômica o fenômeno da rede é mais agudizado, existem mais análises, interpretações do que nos cursos acalmados da história. Como consequência desta crise já observamos perigosamente um quadro de aglutinações e alianças bélicas que prometem grandes conflitos, muita morte, doença e miséria. Basta observar a grande aliança “ocidental” para atacar o território do Oriente Médio onde grupos em desespero lutam. Acrescente a forte tensão ente EUA/União Europeia e a Rússia vazando tensões no rumo da China.

E agora o que me interessa nesta postagem. Alguém entre nós pode compreender o motivo que levou a rede Globo de Televisão a realizar um debate entre candidatos à Presidência da República depois das onze horas da noite e terminando depois de uma hora da madrugada? Haveria aí a necessidade de apenas ela ser detentora do fato para que pudesse, sozinha, fazer a mediação entre os candidatos já ausentes e a sociedade?

Nos dias seguintes, na ausência dos candidatos a rede Globo em seu jornalismo e na sua programação dramática (Hollywood é a grande escola ideológica do pensamento dominante) poderá “repercutir” o debate que ninguém viu? Deseja ela continuar tendo o bastão da mediação do conhecimento público?


Pode ser isso mesmo, como não pode. Pode apenas ser uma decadência que já não consegue mediar a própria grade de programação. Afinal a rede mundial de computadores se encontra ativa até o minuto final da apuração dos votos. 

BACEN - Autonomia X Independência - José Nilton Mariano Saraiva

Embora alguns teimem em ignorar, existe uma diferença abissal entre um Banco Central “autônomo” e um Banco Central “independente”. Não se trata apenas e tão somente de mera questão semântica. Foi o que, no debate da Globo, quis mostrar a Presidenta Dilma Rousseff à atarantada candidata Marina Silva, quando lhe questionou a proposta de, caso eleita, tornar o Banco Central “independente”.

É que essa tal “independência” do Banco Central configuraria, na prática, uma espécie de “nascimento-indesejado” de um pleno poder, um poder paralelo ou um quarto poder, porquanto sem ter de prestar contas ou dar satisfação a quem quer que seja.

E o primeiro entrave seria sua constitucionalidade. Como a nossa Carta Maior só reconhece três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – seria o caso de se aprovar uma emenda constitucional incluindo um certo poder “Central”, que cuidaria de elaborar e gerir tudo que se refere às políticas micro e macroeconômicas de um novo governo ??? 

Mas, e se os “novos inquilinos” de um Banco Central independente resolvessem exercer na plenitude a prerrogativa de independência, indo de encontro ao próprio planejamento governamental, não estaria caracterizada a total submissão do poder executivo ao novo poder vigente ???

Já um Banco Central “autônomo”, embora detenha a prerrogativa de elaborar e implementar planos e metas na condução da política econômica do Governo, há de, antes, sugerir, submeter ou obter o “aval” do Poder Executivo, que chancelará (ou não) o que for apresentado (como o é na atualidade). Tanto que, no organograma do Planalto, o Banco Central é o primeiro na linha de subordinação direta à Presidência da República.

Além do mais, não se pode esquecer o “detalhe” de que a política econômica do programa Marina Silva tem na sua linha de frente uma das herdeiras de um dos maiores Bancos do país, o Banco Itaú. Que certamente ficaria exultante em compor os quadros de um Banco Central independente.

Seria como se colocar uma raposa dentro do galinheiro. 


quinta-feira, 2 de outubro de 2014

A EPIDEMIA DO CAPITALISMO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Agosto de 1976. Até agora são 38 anos. Vivia-se a ditadura de Mobutu Sese Seko e o Zaire (que já fora Congo Belga) era um meio termo entre a velha estrutura da aldeia africana e as estruturas herdadas do colonialismo. Com a ditadura um desastre social e econômico.

No mesmo ano o Sudão também era um racha entre norte e sul. O norte muçulmano mais populoso e o sul tribal e com a religiosidade africana, toda baseada na espiritualidade dos eventos e fatos naturais. O sul do povo Banto o mesmo que também predomina em Angola.

Mabalo Lokela volta à sua casa e feliz com a incursão ao norte do Zaire, num Land-Rover na companhia do Padre Augustin da missão belga na aldeia Yambuku no noroeste do Zaire. Mabalo, também chamado de Antoine, tinha febre e febre era sinal de malária. Tomou uma injeção de cloroquina no hospital da missão belga e foi esperar a melhora em sua casa.

N´Zara aldeia do Sudão a pouco mais de cem quilômetros da fronteira do Zaire. Ugawa o homem mais rico da aldeia era dono de um clube de Jazz e ali os empregados de uma fábrica de algodão costumavam gastar parte do pequeno salário em bebidas e com as mulheres da casa. Ugawa adoeceu e como tinha grana foi para um hospital na cidade de Maridi cem quilômetros depois.

Mabalo comprara carne fresca de antílope para presentear a mulher. A partir desta compra uma tragédia acontece. A OMS se apavora, todos os laboratórios da Europa e o CDC americano tomam conhecimento de uma nova doença mortal que mata mais de 90% das pessoas em poucos dias.

Empregados da fábrica de algodão no Sudão adoecem com a mesma doença do dono do clube em que se divertiam. Seus familiares também adoecem, parentes são acometidos e num surto epidêmico toda a aldeia de N´Zara se encontra apavorada.

O hospital da missão em Yambuku espalha a doença em mais de uma centena de aldeias da Zona Bumba cujas pessoas recorriam a ele para se curar. As freiras, o padre, o pessoal auxiliar, atendentes são acometidas pela misteriosa epidemia e morrem um após o outro. Ugawa chega à cidade Maridi no Sudão e logo depois quase todo o pessoal do hospital morre assim como seus familiares. Maridi é sede da epidemia.

A região de Bumba fica perto do rio congo e de seu afluente, o rio ebola. Quando encontraram o vírus responsável deram a ele o nome de ebola e à doença igualmente. É esta que hoje, 38 anos após, continua sem prevenção, sem um soro, um quimioterápico ou uma vacina que proteja as pessoas. O Ebola se encontra ainda se espalhando nos hospitais miseráveis, os povos submetidos a quarentenas cruéis e a letalidade atingindo mais de 40% das pessoas que adoecem.

As razões sociais havidas no tempo de Mobutu persistiram, mas a “sustentabilidade” da doença e seu espalhado modo de se manifestar reproduz a larga exploração de minas, madeira e plantação para servir aos mercados estrangeiros. Os povos são expulsos das terras e o impacto ambiental é devastador para as condições naturais das florestas equatoriais da região.

A expulsão de suas terras ancestrais, a devastação das florestas, as levas populacionais em torno do agronegócio estão aproximando o ambiente natural e seus vírus das populações humanas urbanizadas. Hoje sabe-se que o mais provável reservatório natural do vírus ebola são os morcegos frugívoros que daí atingem mamíferos e depois o homem que manipula seu sangue e carnes.

Então recordando o tripé virtuoso do capitalismo: as grandes corporações continuam exaurindo a natureza na África, os laboratórios privados estão sujeitos aos capitais em bolsa de valores e ao sistema financeiro e os velhos e heroicos epidemiologistas, médicos, virologistas, entomologistas e outros profissionais que fizeram histórica até o final dos anos 70 todos estão como dizia Cazuza sobre seus heróis: mortos de overdose. A overdose do emprego e interesse dos grandes laboratórios que não têm interesse nos doentes de ebola.

Nove anos após a descoberta da epidemia de ebola, no dia de hoje, em 1985 morria em decorrência de uma infecção pelo vírus HIV um dos maiores mitos da beleza de Hollywood. Morria Rock Hudson que era grande amigo do papa do neoliberalismo: Ronald Reagan. Quando funcionários públicos, cientistas e movimentos sociais pediram recursos para enfrentar a doença, Ronald Reagan solenemente ignorou. Mas aí a morte chegou a um deles.


Don Francis, grande virologista, epidemiologista que viveu a maior parte de sua vida no campo combatendo epidemias, foi um dos técnicos mobilizados pela OMS para estudar a epidemia de ebola no Sudão. Don Francis foi afastado do governo por George Bush Júnior e hoje se dedica a trabalhar na produção de vacina para uma empresa comercial. Como aliás a partir de Reagan todas as verbas para manter os grandes laboratórios públicos, inclusive o CDC foram minguadas naquele ímpeto ideológico do Estado Mínimo.

O "precursor" do mensalão (II) - José Nilton Mariano Saraiva

Em adendo à nossa postagem anterior (A fala do “precursor” do mensalão), vide transcrição abaixo.
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DEBAIXO DO TAPETE – Em 8 anos de governo PSDB, mais de 4.000 processos engavetados pelo Procurador Geral da República.
O que é mais vergonhoso para um presidente da República? Ter as ações de seu governo investigadas e os responsáveis, punidos, ou varrer tudo para debaixo do tapete? Eis a diferença entre Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva: durante o governo do primeiro, nenhuma denúncia – e foram muitas – foi investigada; ninguém foi punido. O segundo está tendo que cortar agora na própria carne por seus erros e de seu governo simplesmente porque deu autonomia aos órgãos de investigação, como a Polícia Federal e o Ministério Público. O que é mais republicano? Descobrir malfeitos ou encobri-los?
FHC, durante os oito anos de mandato, foi beneficiado, sim, ao contrário de Lula, pelo olhar condescendente dos órgãos públicos investigadores. Seu procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, era conhecido pela alcunha vexaminosa de “engavetador-geral da República”. O caso mais gritante de corrupção do governo FHC, em tudo similar ao “mensalão”, a compra de votos para a emenda da reeleição, nunca chegou ao Supremo Tribunal Federal nem seus responsáveis foram punidos porque o procurador-geral simplesmente arquivou o caso. Arquivou! Um escândalo.
Durante a sabatina de recondução de Brindeiro ao cargo, em 2001, vários parlamentares questionaram as atitudes do envagetador, ops, procurador. A senadora Heloísa Helena, ainda no PT, citou um levantamento do próprio MP segundo o qual havia mais de 4.000 (quatro mil) processos parados no gabinete do procurador-geral. Brindeiro foi questionado sobre o fato de ter sido preterido pelos colegas numa eleição feita para indicar ao presidente FHC quem deveria ser o procurador-geral da República.
Lula, não. Atendeu ao pedido dos procuradores de nomear Claudio Fonteles, primeiro colocado na lista tríplice feita pela classe, em 2003 e, em 2005, ao escolher Antonio Fernando de Souza, autor da denúncia do mensalão. Detalhe: em 2007, mesmo após o procurador-geral fazer a denúncia, Lula reconduziu-o ao cargo. Na época, o presidente lembrou que escolheu procuradores nomeados por seus pares, e garantiu a Antonio Fernando: “Você pode ser chamado por mim para tomar café, mas nunca será procurado pelo presidente da República para pedir que engavete um processo contra quem quer que seja neste país.” E assim foi.
Privatizações, Proer, Sivam… Pesquisem na internet. Nada, nenhum escândalo do governo FHC foi investigado. Nenhum. O pior: após o seu governo, o ex-presidente passou a ser tratado pela imprensa com condescendência tal que nenhum jornalista lhe faz perguntas sobre a impunidade em seu governo. Novamente, pesquisem na internet: encontrem alguma entrevista em que FHC foi confrontado com o fato de a compra de votos à reeleição ter sido engavetada por seu procurador-geral. Depois pesquisem quantas vezes Lula teve de ouvir perguntas sobre o “mensalão”. FHC, exatamente como Lula, disse que “não sabia” da compra de votos para a reeleição. Alguém questiona o príncipe?
Esta semana, o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência, colocou o dedo na ferida: “Os órgãos todos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda liberdade garantida pelo governo. Eu quero insistir nisso, não é uma autonomia que nasceu do nada, porque antes não havia essa autonomia, nos governos Fernando Henrique não havia autonomia, agora há autonomia, inclusive quando cortam na nossa própria carne”, disse Carvalho. É verdade.

Imediatamente FHC foi acionado pelos jornais para rebater o ministro. “Tenho 81 anos, mas tenho memória”, disse o ex-presidente. Nenhum jornalista foi capaz de refrescar suas lembranças seletivas e falar do “engavetador-geral” e da compra de votos à reeleição. Pois eu refresco: nunca antes neste País se investigou tanto e com tanta independência. A ponto de o ministro da Justiça ser “acusado” de não ter sido informado da operação da PF que revirou a vida de uma mulher íntima do ex-presidente Lula. Imagina se isso iria acontecer na época de FHC e do seu engavetador-geral.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A RAZÃO DO VOTO - José do Vale Pinheiro Feitosa

Enquanto falo de Boulangerie em plena semana que antecede o próximo pleito eleitoral, o leitor tem todo o direito de pensar em certo “escapismo”. Não tanto ao céu e nem tanto a terra. Viver é abraçar a temática que se aproxima de nós em todos os sentidos. De dentro para fora e de fora para dentro.

No Ceará se aí votasse juro por Sant´Ana que para governador já sei em quem votaria. Na senatoria, teria muitas dúvidas se me resta alguma alternativa além de praticar o que nunca faço que é não me expressar. Para deputado nos dois níveis aí não teria dificuldades de bater a tecla.

E para presidente? Votaria pensando num discurso pronunciado por Getúlio Vargas no primeiro de maio de 1954 quando mais acirrada estava a luta política. A essência deste discurso era o anúncio de um aumento substancial do Salário Mínimo. A questão do Salário Mínimo é um dos maiores avanços do Direito Social do Trabalhadores, pois associa a remuneração do seu trabalho com aS condições básicas de sua sobrevivência com dignidade. Quando muitos se queixam hoje de seus valores não podem jamais esquecer que o problema não é a existência dele, mas sim a atribuição do seu valor e, claro, as fundamentações econômicas para lhe valorizar.

No discurso, Getúlio Vargas, ao defender o valor do salário mínimo contra a UDN, militares de direita e empresários, firma princípios dos quais um cidadão consciente não pode se eximir. Seleciono alguns trechos:

“Não me perdoam os que me queriam ver insensível diante dos fracos e injusto com os humildes. Continuo, entretanto, ao vosso lado. E continua Getúlio: “Tendes de prosseguir na vossa luta para que não seja malbaratado o nosso esforço comum de mais de 20 anos no sentido da reforma social, mas, ao contrário, para que esta seja consolidada e aperfeiçoada.”

E Getúlio radicaliza ainda mais ao transferir a luta pelos direitos sociais para os verdadeiros atores: “Para isso não cabe nenhuma hesitação na escolha do caminho que se abre à vossa frente. Não tendes armas, nem tesouros, nem contais com as influências ocultas que movem os grandes interesses. Para vencer os obstáculos e reduzir as resistências, é preciso unir-vos e organizar-vos. União e Organização devem ser o vosso lema.”  

E termina com o instrumento para tal localizando onde o poder deve se localizar: “Há um direito de que ninguém vos pode privar, o direito do voto. E pelo voto podeis não só defender os vossos interesses como influir nos próprios destinos da nação. Como cidadãos, a vossa vontade pesará nas urnas. Como classe, podeis imprimir ao vosso sufrágio a força decisória do número. Constituís a maioria. Hoje estais como o governo. Amanhã sereis o governo.

E Getúlio arremata dizendo com quem se pode e com quem não se pode contar: “Não deveis esperar que os mais afortunados se compadeçam de vós, que sois os mais necessitados. Deveis apertar a mão da solidariedade, e não estender a mão à caridade. Trabalhadores, meus amigos, com a consciência da vossa força, com a união das vossas vontades e com a justiça da vossa causa, nada vos poderá deter.”


A fala do "precursor" do mensalão - José Nilton Mariano Saraiva

No Congresso Nacional, o “baixo clero” representa aquela parcela significativa de parlamentares que, sem poder de influência e/ou brilho próprio, se dispõem a “negociar” o voto a fim de aprovar medidas de interesse dos parlamentares “graduados”.

O exemplo emblemático de tal situação deu-se na gestão Fernando Henrique Cardoso (FHC), quando os parlamentares corruptos integrantes do “baixo clero” foram acionados para aprovar uma emenda à Constituição Federal instituindo a reeleição para a Presidência da República (espécie de precursor do “mensalão”, só que pluripartidário). O preço pago foi de R$ 200 mil per capita, conforme depoimento dos deputados acreanos Ronivon Santiago e João Maia, dois dos felizardos agraciados.

Ainda à época de FHC, comprovado restou terem as empreiteiras e os grandes bancos exercido papel decisivo no apoio financeiro ao seu projeto de manter-se mais quatro anos no poder, através de doações vultosas àquele projeto.

A reflexão acima tem a ver com a recente passagem de FHC por nossa capital, a fim de participar de um evento político, quando, fiando-se na famosa “memória curta” do povo brasileiro, afirmou sem qualquer constrangimento: a) que eleição no país hoje é “compra de voto”; b) que no financiamento da campanha “quem dá para um, não pode dar para outro”; c) que “a democracia hoje é financiada por empreiteiras, pelos bancos e por quatro ou cinco empresas”. Ou seja, exatamente o que houvera praticado lá atrás (pena que a nossa mídia não o tenha inquirido sobre o ocorrido em seu governo);  d) de sobra, afirmou que a presidenta Dilma Rousseff "merece um Nobel por arrebentar o setor de petróleo, do etanol e da energia" (esqueceu de que no seu (des)governo a "Petrobras" quase vira "Petrobrax", a fim de tornar-se palatável aos ouvidos gringos) 

Agora, o mais incrível nisso tudo é que ainda exista alguém que se disponha a “pagar” caro para ouvir uma figura reconhecidamente corrupta, já que além da compra de votos para a reeleição, entregou a “preço de banana em fim de feira” a determinados grupos, boa parte do patrimônio nacional (Daniel Dantas está aí mesmo pra comprovar isso), sem que se saiba até hoje onde foi parar a grana arrecadada.


Lamentável ainda é tomar conhecimento de que “a fala de FHC contra Dilma foi bastante aplaudida pela platéia” (conforme depoimento de quem esteve presente ao citado evento).  

terça-feira, 30 de setembro de 2014

E por falar em Boulanger - José do Vale Pinheiro Feitosa


E por falar no General Boulanger lembrei-me de Jacques Boulanger apresentador de rádio e televisão, cantor de Quebec no Canadá. Boulanger em francês é o mesmo que padeiro. E seguindo a rota, busquei a música Le Sable et la Mer de 1969. Esta música gravada por Jacques Boulanger e Ginette Reno que é compositora, cantora e atriz canadense. Não sei vocês, mas esta é uma destas canções bonitinhas que me dar uma vontade de ouvir várias vezes.

E por falar em La Mer, passado pelo compositor dela Charles Trenet, belíssima voz  e por tanta gente que já a interpretou fui cair no popular Ray Connif numa interpretação especial que me levanta a saudade da fazenda Riacho do Meio, na cidade do Barro, junto aos meus tios e primos, no meio do sertão, numa radiola a pilhas ouvindo sem parar La Mer. 




L´AMOUR EST MORT - José do Vale Pinheiro Feitosa

Acabando de ler estas letras tudo pode acontecer, mesmo que o tédio da repetição nos garanta o “controle do tempo e dos acontecimentos”. Na cultura popular a dúvida é permanente especialmente quando se tenta marcar encontros no futuro, o nosso povo responde: “se Deus quiser”. Demonstrando que algo pode acontecer e o encontro não se realizar.

Não apenas os traços pessoais, mas as circunstâncias históricas são determinantes do comportamento na ocasião do acontecer. Assim como admirar a rapidez, a coragem, a sagacidade e lucidez de um ato no tumulto do acontecimento. Sempre é muito difícil separar o momento cultural da postura pessoal. São tão interpenetrados que não se separam as atitudes pessoais da coletiva. O valente, o grande líder é apenas o ponto do movimento geral de grandes momentos. Do comportamento geral e coletivo.

Napoleão sem a revolução burguesa, Lenin sem a revolução russa, Padre Cícero sem a crise popular, Moisés sem o retorno do povo judeu e assim por diante sem a denominação histórica não seriam o que foram. Observemos que o caminho é do povo, o indivíduo que se distingue é apenas uma forma simbólica de fabular o acontecimento.   

Em 30 de setembro de 1891, há 123 anos o General Georges Boulanger, militar francês, chamado por Cleménceau (Georges Cleménceau líder político francês no final do século XIX e durante a primeira guerra mundial) de aquele que “morreu como sempre viveu, como um subtenente”, suicidou-se sobre o túmulo de sua amante numa cidade perto de Bruxelas. E qual a fábula de Boulanger?

Boulanger era ministro da guerra no governo Cleménceau num período em que a França passava por uma baixa na sua moral em razão da derrota na guerra Franco-Prussiana e em que a burguesia nacional vivia a mais bela ilusão de classe eterna: a Belle Époque. A acomodação era a tônica da burguesia.

Mas Boulanger era popular e a crise econômica que se desencadeou a partir da década de 80 do século XIX, terminou por ampliar ainda mais o feitiço político pelo general. Ele foi incensado e por isso mesmo demitido pelo Presidente da República. Mas isso elevou a temperatura social e o povo partiu para colocar Boulanger na sede da República, mesmo que numa ditadura de cunho bonapartista.

Acontece que Boulanger ficou numa corda bamba e mesmo com os mandatários tendo abandonado o poder da República ele não teve coragem ou a fé de ocupar o vácuo. Terminou sendo ocupado por Pierre Tirard que pelo seu ministro do interior divulgou a iminente prisão do General que se refugiou em Londres e depois na Bélgica.  


Em Bruxelas reencontrou-se com sua amada que passava pelos últimos momentos sofrendo de uma tuberculose. Ela morreu nos braços do General em 16 julho de 1891. Dois meses depois o General Georges Boulanger, a esperança da França, dá o último suspiro sobre o túmulo do amor impossível.  

Sem "substância" - José Nilton Mariano Saraiva

Não é de todo verdade a versão de que, com a proximidade da eleição presidencial, os adversário-concorrentes estejam tentando “desconstruir” a candidata Marina Silva. Ela, sim, é que, por despreparo, por falta de firmeza e consistência político-ideológica e por recorrentemente desdizer o que houvera afirmado lá atrás, a cada debate mete os pés pelas mãos, a cada intervenção “ao vivo” se enrola nas próprias artimanhas e contradições, a cada desculpa apresentada mostra sua verdadeira face.
Já vimos, por exemplo, que mudou de posição da noite pro dia no tocante à questão da homofobia (constante do seu programa de governo), após o pastor Silas Malafaia dar-lhe um ultimato (puxão de orelhas) e ameaçar abandonar seu barco se não se retratasse e se não mudasse a versão original imediatamente (o que foi feito, de pronto).
Mais à frente, descobriu-se que nas diretrizes constantes do seu programa de governo (sempre ele), no tocante à questão tecnológica parte do texto fora simplesmente “copiada” de uma revista da USP e “colada” àquele documento, sem que sequer os verdadeiros autores tenham sido consultados e/ou creditados (e isso findou por causar um generalizado mau estar entre os integrantes da “academia”).    
Depois, Marina Silva chegou a “descredenciar” o mentor da sua política econômica, que houvera afirmado de forma contundente que o ajuste das contas do governo teria que necessariamente passar por um corte profundo das verbas destinadas aos programas sociais do governo. E aí, como o discurso não guardava um mínimo de conformidade com o contido no seu programa de governo, Marina Silva preferiu sair pela tangente, ao afirmar que “não era bem isso” o que o seu mentor econômico escrevera (só não traduziu o que ali constava).
Já no tocante à atuação dos bancos públicos, o programa de governo da candidata prega a necessidade de uma profunda diminuição ou encolhimento da sua atuação. Questionada sobre se os bancos privados estariam dispostos a praticar uma taxa de juros subsidiada e no longo prazo nos grandes projetos estruturantes (como o fazem os bancos públicos), de novo tratou de negar o contido no seu programa de governo (onde consta, sim, que os bancos públicos terão sua atuação diminuída). Afirmou que a sua fala houvera sido desvirtuada (de novo, não explicou).
Alfim, no mais recente debate na TV (Rede Record), foi questionada pela atual presidente Dilma Rousseff com relação ao seu voto quando da votação da CPMF. É que afirmara lá atrás ter votado favoravelmente à criação da mesma. E bastou uma “consulta” protocolar à documentação pertinente (ata da sessão) onde consta a posição de cada um dos parlamentares votantes - favorável (SIM) ou desfavorável (NÃO) - para restar constatado que o voto da parlamentar Marina Silva, registrado para a posteridade, é por demais claro e cristalino: em votações distintas, optou pelo NÃO (pega na mentira, tentou, sem sucesso, enrolar mais uma vez).
Fato é que Marina Silva “desconstrói” a si própria, ao mostrar que entre a teoria (seu plano de governo) e a prática (seu discurso, sua fala) existe uma oceânica distância,  absolutamente conflitante e dispare.

A pergunta é: não seria por demais arriscado levar alguém tão “sem substância” ao cargo maior da nação ???


segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Pelo que eu vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais, aparelho excretor não reproduz.” – Levy Fidelix, candidato a Presidente da República no debate de ontem na Record. É um parasita da legislação eleitoral. Já candidatou-se dez vezes e nunca foi eleito. Começou no PL, foi assessor da campanha de Collor, candidatou-se pelo PTR e hoje é dono do PRTB que serve para “oferecer” minutos na televisão a outros candidatos.


Levy, de tão estúpido, não se dá conta de que ele mesmo – sua existência – contraria sua tese de que aparelho excretor não reproduz.” – Jean Wyllys do PSOL no Twitter.

Arca



J. Flávio Vieira

                                                        Passados tantos anos, as imagens se vão turvando, surpreendidas, aqui e ali,  apenas pela fresta da saudade. A ausência, antes dolorida como uma chaga aberta, foi, aos poucos , se anestesiando, bafejada pelo bálsamo do tempo, mas a cicatriz  permanece ainda sensível como um queloide. A vida, depois do cataclismo, precisou ir tomando jeito. Recolhidos os estilhaços do cristal esfacelado, tentamos recompor o amálgama dos dias e das horas. Restou-nos o ranço final do caju sorvido , esse travo que  lutamos para não obscurecer o dulcíssimo sabor da polpa que o antecedeu. Afinal, a vida talvez seja exatamente isso : a capacidade de se ir reconstruindo nosso mundo a cada dilúvio prenunciado, catando e depositando na Arca os nossos despojos de guerra.
      
                                                               Fecho os olhos e tento te imaginar nonagenário, como serias hoje. O tempo te teria sugado todas as forças ? Manterias o vigor mínimo para apreciar os milagres da existência ? A inexorabilidade dos dias te levaria a um estágio no reino vegetal antes da mineralidade extrema, destino de todos nós ? Serias um velhinho lépido, com um mínimo de dignidade, ou apenas mais um objeto de decoração da casa ? Fecharias o ciclo da vida, retornando à outra extremidade da infância, ou obterias o privilégio da lucidez, do bom humor e da resignação que sempre te foram fortes aditivos  existenciais ? Desfrutarias de  uma vida ou apenas de  sobrevida ?

                                                               Estas perguntas ferem-nos como um punhal, talvez porque carreguem consigo a impossibilidade de resposta. Pesa-nos a certeza da imponderabilidade de tudo, do amálgama perecível dos segundos, da finitude líquida e fluida dos casos , ocasos e acasos. Nossos sentimentos assentam seus  sonhos de perenidade  na  amorfa e gelatinosa  nuvem da impermanência. Resta-nos, tão-somente, curtir cada vidrinho do cristal despedaçado , onde vemos refletido o divino acaso que nos pôs juntos na mesma viagem. Ali o caquinho do teu perene bom humor e que terminou contagiando toda a família. Acolá o fragmento do teu despojamento, pronto a enfrentar as vicissitudes sem a seriedade que elas pretendem nos exigir. Adiante o estilhaço da tua complacência ante o sofrimento e a perspectiva do abismo. Ao lado o pedacinho da tua inteligência que ainda reluz como se permanecesse imantada. Aos poucos refazemos o cristal que um dia embelezou esse mundo com seu brilho e sua transparência. Até parece que um dia não se esfacelou ante os arroubos do tempo. Ganha até um certo ar de perenidade, sempiternos fragmentos ungidos pela cola da Saudade. 

sábado, 27 de setembro de 2014

Dilma avança na classe C, que pode decidir a eleição (POR PAINEL - 27/09/14)
Efeitos do bombardeio - A campanha agressiva fez Dilma Rousseff (PT) avançar rapidamente sobre Marina Silva (PSB) na chamada classe C, com renda familiar de 2 a 5 salários mínimos. Há uma semana, as duas estavam empatadas no grupo com 34%. Agora a petista abriu sete pontos: 37% a 30%. Na simulação de segundo turno, Marina viu sua vantagem de 11 pontos no Datafolha dar lugar a um empate técnico: 47% a 44%. O segmento é o principal alvo da propaganda de TV e concentra quatro em cada dez eleitores.

Zona vermelha - O discurso petista de que Marina ameaça os programas sociais teve forte impacto no Nordeste. No segundo turno, Dilma dobrou sua vantagem na região, de 13 para 26 pontos. Se a eleição fosse hoje, ela venceria a rival por 59% a 33%.

Derretendo  - Marina encolheu nos dois maiores colégios eleitorais. Em São Paulo, perdeu seis pontos em duas semanas e agora tem 34%. Dilma ficou com 27%. Aécio Neves (PSDB) ganhou seis pontos e aparece com 22%.

Distribuindo - Em Minas, Marina perdeu sete pontos em duas semanas e agora tem 19%. Seus eleitores se dividiram entre os mineiros Aécio e Dilma. A petista lidera com 36%, e o tucano foi a 29%.

Satisfeitos - Em uma semana, a presidente recuperou quatro pontos entre os eleitores que aprovam seu governo: subiu de 71% para 75%. Entre quem acha a gestão regular, ela ganhou três pontos, e Marina perdeu seis.

Sonháticos - A candidata do PSB perdeu a dianteira entre os mais jovens. Caiu de 37% para 32% em uma semana. Dilma foi de 32% a 36%.

Revoada tucana - Marina também desidratou entre simpatizantes do PSDB. Há uma semana, alcançava 31% no grupo. Hoje tem 23%. Aécio subiu de 56% a 68%.

Sem euforia - Dilma foi orientada a não se empolgar com a possibilidade de vitória no primeiro turno. “É besteira entrar nessa agora. Temos que botar o pé no chão”, diz um alto conselheiro.


A nova Geni  - O PT preparou outra peça de rádio contra Neca Setubal, aliada de Marina e herdeira do Itaú. “Para os banqueiros, tudo. Para os bancários, neca”, diz o jingle.

O disputado "voto vagabundo" - José Nilton Mariano Saraiva

“Made in PSDB”, porquanto idealizado, arquitetado e lançado no governo FHC, o tal “fator previdenciário” foi uma dessas maldades inomináveis para com centenas de milhares de aposentados brasileiros (para editá-lo, à época um suposto e contestável déficit da previdência foi brandido). No entanto, e como restou comprovado a posteriori, a explicação mais plausível nos remete ao fato de o então Presidente da República e seus áulicos terem que arranjar um bode expiatório para a gravidade momentânea das contas do governo, daí nada mais cômodo do que considerar os “velhinhos do INSS” uma espécie de trambolho, mercadoria de quinta categoria e, pois, desmerecedora de quaisquer direitos. Portanto, tunga neles. Tanto é que, sarcasticamente, a partir de então passou a rotulá-los de “vagabundos”. E a tratá-los a pão e água.

Como não há nada melhor que um dia atrás do outro com uma noite no meio, eis que agora, de olho nos votos dos milhões de “vagabundos” brasileiros, o candidato tucano à Presidência da República, Aécio Neves, apadrinhado e referendado por FHC, resolveu ir de encontro aos ditames do chefe ao anunciar seu propósito de, se eleito, rever o tal “fator previdenciário”, reconhecendo-o como um ultraje àqueles que tanto deram pelo país (os aposentados). Como o fará, não detalhou. Entretanto, como já anunciou que se valerá de alguns dos integrantes do governo FHC, que editou o projeto original, fica difícil explicar a contradição de tal proposta. Até porque, seria uma espécie de “reprovação” (embora tardia) ao chefe.

De outra parte, pegando carona na proposta do concorrente, de pronto e de forma oportunista a candidata Marina Silva – aquela que se especializou em copiar, colar e assumir a paternidade de obras alheias, porquanto lhe falta substância, de pronto tratou de desfraldar a mesma bandeira, sem que, igualmente, tenha respostas de como o fará. Até porque, também alguns dos que estão ao seu lado hoje estiveram com FHC, no passado.

Fato é que entre as duas manifestações, uma constatação fica evidenciada: nenhum deles (Aécio ou Marina) até agora apresentou um novo projeto ou modelo em substituição ao “fator previdenciário”. E por uma razão simplória: porque inexistem estudos detalhados a respeito de como fazê-lo e porque a coisa é realmente complexa, não se resolvendo da noite pro dia.

Assim, os aposentados brasileiros hão de ter especial cuidado com o “conto do fator previdenciário”, que atualmente é vinculado harmoniosamente em “dose dupla” (por Aécio e Marina), com o objetivo único e exclusivo de ganhar o “voto vagabundo”.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

MEIO DIA - José do Vale Pinheiro Feitosa


Dias passados procurei muito identificar a biografia do compositor juazeirense Luis Fidelis. Fruto da ignorância de tanto tempo longe do Cariri e do Ceará, busca mas pouco há na internet. O motivo era a música Meio Dia que ouvira na voz do cantor paracuruense Raimundo Cabirote. Há na música uma natureza essencial: a melodia tem as raízes da nossa cultura nordestina. Pareceu-me uma joina no cascalho daquele forró eletrônico que é forró dalgum modo, mas nada mais tem do universo rural onde o forró nasceu. São pessoas das cidades usando os ritmos rurais em letras banais.

A música MEIO DIA tem trabalhador rural e seus sofrimentos. Tem isso não apenas na letra mas na melodia lamentosa que a acompanha.

Agora que alguém aí da região me ajude. Eu sempre achei que a música Flor de Mamulengo fosse do Abidoral, mas só encontro referência ao Luiz Fidelis. Tentei procurar nas entrevistas do Abidoral para Dihelson Mendonça, mas não sei se por falha de atenção, não consegui esclarecer. Alias, com alegria tomei conhecimento que o Dihelson fez um filme com o Abidoral Precisamos registrar tais valores da cultura. Parabéns Dihelson. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A filosofia conservadora pretende dominar a realidade em benefício próprio - José do Vale Pinheiro Feitosa

Entre a utilidade e a inutilidade há um largo continente. Sempre é assim toda vez que resolvemos distinguir as coisas a partir de uma afirmativa ou a sua negativa. Fora da distinção realizada existirão outros atributos das coisas que não cabem no marco de diferenciação. Em outras palavras existe um universo além da classificação de seus termos e conteúdo.

O filósofo inglês Roger Scruton, conservador, diz que “todas as coisas mais importantes são inúteis: amor, amizade, devoção, paz – essas coisas que apreciamos pelo que são e não pelo uso que podemos fazer dela.” E de fato num mundo materialista, consumista e utilitarista esta frase parece revelar algo pleno e, no entanto, deixa de fora toda história da humanidade em relação as inutilidades identificadas por ele.  

Toda a literatura humana e a tradição oral diz muito do amor, da amizade, da devoção e da paz. E diz muito não em termos contemplativos e apenas pelo seu valor intrínseco e significante. É que até onde se pode pensar nestes termos a utilidade é sua marca.

O que seriam os romances, as poesias, as canções e quase todas manifestações de arte e dos textos religiosos se não fosse o uso do amor, da amizade, da devoção e da paz. Em todos eles existe a conquista, a imposição, a concordância, a negação, a traição e o uso normativo como maneira de controlar as pessoas e as sociedades.

Basta que se lembre a famosa Pax Britannica, já em si uma réplica farsante da Pax Romana, para que se entenda a utilidade da paz para os objetivos do Império Britânico no domínio do comércio mundial e de colônias onde o sol nunca se põe. Que se entenda a devoção como útil à manipulação de pessoas sob a forma mais variada de uso, desde o religioso, passando pelo político até o circuito de amigos e da família.

Chega. Não preciso falar mais do amor e da amizade pois certamente o seu uso, também é claro a todos. Mesmo assim soa contraditório quando o filósofo diz que “a beleza é um objeto do amor” encontrando no amor uma dinâmica entre si e seu objeto e, no mundo, tudo que é dinâmico, ação, é passível de utilidade pelos seres humanos.

E novamente retornamos à diversidade. O Ocidente desenvolveu uma forma de compreender o mundo e traduz estas coisas como o filósofo: “O Sagrado e o Belo estão conectados em nossos sentimentos – ambos nos mandam ficar atrás, ser humildes e abandonar nosso desejo inato de poluir e destruir”. E conclui: “vários artistas hoje...têm um senso de que o que há de melhor em sua arte é o ato de consagração.”

Mas acontece que a dependência da arte à devoção e a consagração é uma parte da história humana, não é toda ela. Na própria arte ocidental existe inúmeras formas de arte relevante que denunciam, que confrontam a realidade, que tornam a história um objeto de análise racional.


A conservação é inerente ao desejo da permanência, mas o conservadorismo é uma forma de manter privilégios numa sociedade desigual e por isso quando as dores da desigualdade permanecem o ímpeto é superar, acabar a causa da dor.