por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Reinos de pó



Ricardo III ,da Inglaterra, reinou por um período curtíssimo : entre 1483 e 1485. Sua enviesada ascensão à coroa , historicamente, parece eivada de crimes e assassinatos, o que sempre foi comum nas monarquias absolutistas. Para chegar ao trono, na sucessão de Henrique IV que morrera subitamente, Ricardo precisou dizimar inimigos  e, também, candidatos naturais ao cargo, além de utilizar de manobras jurídicas e armações como a anulação do casamento do seu antecessor por suposta bigamia.  Coroado , Ricardo levou Ricardo V e o Duque de York , seus sobrinhos, à Torre de Londres de onde nunca mais voltaram. Mexendo no instável castelo de cartas dos interesses da aristocracia inglesa, rapidamente, se iniciou uma enorme campanha contra o rei, sob suspeita de usurpação do trono  e que culminou com a Guerra das Rosas , encabeçada pelo Duque de Buckingham e Henrique Tudor , o Conde de Richmond. Em agosto de 1485, as tropas leais ao rei e as revolucionárias do Conde se confrontam na Batalha de Bosworth Field e Ricardo III termina abatido no confronto; dando-se início à Dinastia de Tudor. Apesar do reinado meteórico, ele se tornou , por sua dúbia personalidade, um dos monarcas mais populares do Reino Unido, tendo sido, inclusive, tema de uma das mais importantes peças de Shakespeare. Além de tudo, aumentando a aura de mistério, seu corpo jamais tinha sido encontrado. Ficou célebre o epílogo shakespeareano em que Ricardo III , a pé, sendo perseguido pela sanha do exército adversário, cita, no desespero,  a famosa frase : “Meu Reino por um Cavalo !”
                   No último dia quatro de fevereiro, quinhentos e vinte e oito anos depois da fatídica batalha, escavações num estacionamento em Leicester, no centro da Inglaterra, encontraram um esqueleto que, depois, se confirmou pertencer a Ricardo III. Tinha 32 anos na época da morte, uma profunda escoliose , sinais de trauma craniano por objeto cortante  e uma ponta de flecha entre as vértebras. Exames científicos como Datação pelo Carbono 14 e DNA confirmaram o fim do mistério que já varava meio milênio.
                   Ricardo III estava inumado num simples estacionamento e seu esqueleto não carregava quaisquer diferenças que por acaso o distinguissem de qualquer um dos   mais humildes plebeus do seu reino.  A confirmação da sua identidade , pelo exame de DNA, foi através da comparação com um dos seus últimos descendentes : Michel Ibsen, um marceneiro canadense, radicado em Londres e que não carrega consigo nenhum traço de  nobreza esperado  para um remanescente da Casa de York. O pretenso sangue azul que por acaso teria corrido nas suas veias, também, não tingiu a ossada encontrada, nem a tornou mais colorida e menos opaca do que os remanescentes de qualquer mendigo da Inglaterra. Na morte não há castas: é de pó que são construídas todas as coisas. Vaidade, riqueza, poder , ambição, egoísmo acabam todos no fim da batalha, quando o golpe de misericórdia já está armado e nós trocaríamos todas elas por um  cavalo que nos levasse para bem longe do equitativo  reino do nada, da escuridão e do pó.

J. Flávio Vieira


Texto de Susan Andrews.

Você se lembra daquela linda história do livro “O Pequeno Príncipe”? Bom, existe uma história mais tocante ainda que aconteceu de fato com o criador do Pequeno Príncipe, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry. Poucas pessoas sabem que ele lutou na Guerra Civil Espanhola e, certa vez, foi capturado pelo inimigo e levado ao cárcere para ser executado no dia seguinte.

Nervoso, ele procurou em sua bolsa um cigarro, e achou um, mas suas mãos estavam tremendo tanto que ele não podia nem mesmo levá-lo à boca. Procurou fósforos, mas não tinha porque os soldados haviam tirado todos os fósforos de sua bolsa. Ele olhou, então, para o carcereiro e disse: “Por favor, usted tiene fósforo?”. O carcereiro olhou para ele e chegou perto para acender seu cigarro. Naquela fração de segundo, seus olhos se encontraram e Saint-Exupéry sorriu.

Depois ele disse que não sabia por que sorriu, mas pode ser que quando se chega perto de outro ser humano seja difícil não sorrir. Naquele instante, uma chama pulou no espaço entre o coração dos dois homens e gerou um sorriso no rosto do carcereiro também. Ele acendeu o cigarro de Saint-Exupéry e ficou perto, olhando diretamente em seus olhos, e continuou sorrindo. Saint-Exupéry também continuou sorrindo para ele, vendo-o agora como pessoa, e não como carcereiro.

Parece que o carcereiro também começou a olhar Saint-Exupéry como pessoa, porque lhe perguntou: “Você tem filhos?”. “Sim”, Saint-Exupéry respondeu, e tirou da bolsa fotos de seus filhos. O carcereiro mostrou fotos de seus filhos também e contou todos os seus planos e esperanças para o futuro deles. Os olhos de Saint-Exupéry se encheram de lágrimas quando disse que não tinha mais planos, porque ele jamais os veria de novo. Os olhos do carcereiro se encheram de lágrimas também. E, de repente, sem nenhuma palavra, ele abriu a cela e guiou Saint-Exupéry para fora do cárcere, através das sinuosas ruas, para fora da cidade, e o libertou. Sem nenhuma palavra, o carcereiro deu meia volta e retornou por onde veio.

Mais tarde, Saint-Exupéry disse: “Minha vida foi salva por um sorriso do coração”.

O que foi aquela “chama” que pulou entre o coração desses dois homens? Isso tem sido tema de intensa pesquisa atualmente, na medida em que os cientistas estão se dando conta de que o coração não é meramente uma bomba mecânica, mas um sofisticado sistema para receber e processar informações. De fato, o coração envia mais mensagens ao cérebro que o cérebro envia ao coração! Como disse o filósofo francês Blaise Pascal: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”.

Estados emocionais negativos, como raiva ou frustração, geram ondas eletromagnéticas totalmente caóticas do coração, como se estivéssemos pisando no acelerador e no breque simultaneamente. Esse estado de batimentos desordenados é chamado de “incoerência cardíaca” e está ligado à doenças cardíacas, envelhecimento precoce, câncer e morte prematura.

Em estados de amor ou gratidão, nosso batimento cardíaco torna-se “coerente”. Isso diminui a secreção dos hormônios do estresse, reduz a depressão, hipertensão e insônia, melhora o sistema imune e aumenta a clareza mental. Essa é uma das razões pelas quais tem sido provado que as emoções positivas estão associadas à boa saúde física e mental – e à longevidade. Essa irradiação coerente do coração – essa “chama” de genuína afeição – pode afetar pessoas a uma distância de até 5 metros!

Logo, na próxima vez em que você estiver numa situação difícil, respire profundamente, lembre-se de Saint-Exupéry e do Pequeno Príncipe, e irradie a energia de seu coração. Como o Pequeno Príncipe nos lembrou, “somente com o coração podemos ver com clareza”!

By Susan Andrews.

 
MULHERES

    Janice Japiassu

 
Com um pano de seda encarnada

Costuramos as vestes do amor

Contra a negra descrença do amado

Acendemos uma vela sem cor

 
Replantamos no chão esse verde

Que a cultura do homem arrancou

Cultivamos sementes sozinhas

Com a certeza do céu e da flor

 
Não tememos a luz nem as trevas

Rastreamos a luz no escuro

Recolhemos a lágrima eterna

Não fechamos o céu com um muro

 
Não chamamos a dor de tolice

Nem o choro do amor de histeria

Não rimamos feliz com medíocre

Não fazemos do sexo, orgia

 
Do abandono fazemos os filhos

Retirando do corpo, alegria

Não compramos poemas vazios

Nem fazemos, do medo, teorias.



Onde, atados, os sonhos se partem

Fenecendo de pura asfixia

Impedidos da brisa da tarde

 
Habitamos o mar, o mistério

O profundo segredo da Terra

Conversamos com Deus, com o eterno

E jamais inventamos as guerras

 
Também nunca inventamos pecados

Nem serpentes, nem culpas, nem dor

Nem igrejas, governos, cadeias

Nós nascemos pras artes do amor

 
Somos antes, durante, depois

Dos infernos, dos céus, dos partidos

Nos encanta o corpo do mundo

Com sua alma de sangue e de viço
 

E rezamos pra Nossa Senhora

Jesus Cristo e pra Madalena

À Aristóteles, Comte ou Descartes

Preferimos a nossa Novena

 
É por isso que, em nós, o céu dança

E as estrelas também, se é preciso

Entendermos de tudo que é vida

De esfinges e de Paraísos.

 

Macabéa: essa moça não se conhece senão através de ir vivendo à toa.

Ela sabia o que era o desejo – embora não soubesse que sabia. Era assim: ficava faminta mas não de comida, era um gosto meio doloroso que subia do baixo-ventre e arrepiava o bico dos seios e os braços vazios sem abraço. Tornava-se toda dramática e viver doía. Clarice Lispector

Mais Clarice Lispector:  20/12/69  JB

Às vezes tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que, ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia.

Exercícios regulares para deixar o cérebro em forma

Neuropsiquiatra de Harvard mostra como atividades físicas nos tornam mais inteligentes. Exercícios frequentes são mais potentes que remédios

Os exercícios nos deixam mais inteligentes. Quem afirma é o neuropsiquiatra John Ratey, professor da Harvard Medical School e autor do livro “Corpo ativo, mente desperta” (Editora Objetiva). Em entrevista ao GLOBO, ele diz que os exercícios são mais importantes que qualquer remédio para as funções cerebrais:

— Fabricamos novas células cerebrais todos os dias e os exercícios ajudam mais que qualquer outra atividade.

O GLOBO: O que atraiu seu interesse para esta área?

JOHN RATEY: Inicialmente os exercícios eram vistos como menos potentes que as drogas antidepressivas, mas hoje sabemos que são tão bons quanto e, em alguns casos, até melhores que os remédios. Sempre fui um atleta e percebi em mim a importância dos exercícios para manter meu cérebro, humor e motivação nos melhores níveis.

Como os exercícios melhoram as funções cerebrais?

RATEY: Os exercícios regulam ansiedade e níveis de estresse, além de otimizar o aprendizado de três maneiras: melhoram os sistemas de atenção, a memória, a capacidade de aprendizado e a habilidade de perseverar e superar as frustrações que o processo de aprendizado eventualmente produz; criam o ambiente certo para nossas cem bilhões de células nervosas, fabricando mais neurotransmissores e receptores para registrar novas informações; e promovem o surgimento de novas células no cérebro, um processo chamado neurogênese.

Então a atividade física regular também nos deixa mais inteligentes?

RATEY: Sim. O exercício otimiza as chances de aprendizado ao nos deixar mais prontos para aprender, ao fazer com que o cérebro esteja preparado para se desenvolver e talvez até adicionando novas células nervosas às áreas envolvidas com a memória e o aprendizado. Mas é especialmente importante por aumentar a liberação do fator neurotrófico BNDF, um verdadeiro fertilizante para o cérebro por encorajar nossas células nervosas a crescerem, que é a maneira como aprendemos.

Os exercícios estão ganhando respeito como uma opção de tratamento?

RATEY: As pessoas estão gradualmente reconhecendo o fato de que a atividade física é uma terapia auxiliar útil para desordens mentais e médicas. Hoje o primeiro tratamento para a depressão ou a ansiedade são exercícios regulares. Há dez anos a Câmara dos Comuns do Reino Unido disse que os exercícios deveriam ser o tratamento primário para a depressão, então eles estão na mente das pessoas e começando a ter aceitação na comunidade médica.

Os exercícios também podem aliviar o estresse?

RATEY: Sim, tanto em termos de diminuir a resposta a situações de estresse quanto aumentando a resistência ao estresse. À medida em que a pessoa melhora o condicionamento, é preciso uma ameaça maior para disparar seu alarme de estresse, pois a atividade física muda a neuroquímica do cérebro, assim como trabalha no nível celular para proteger as próprias células do estresse.

Quais são os melhores exercícios?

RATEY: É muito bom juntar artes marciais com dança, como na brasileira capoeira. A questão é aumentar os batimentos cardíacos e mantê-los altos por um tempo, adicionando complexidade e coordenação que vão desafiar mais áreas do cérebro, estimulando a liberação de fatores neurotróficos e desenvolvimento. Outras atividades que ganharam popularidade, como a ioga, também ajudam a desafiar o corpo e a mente, provocando mudanças magníficas no cérebro.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Por Aurélia Maria Milfont

HILDEGARDO BENÍCIO RECEBENDO UMA DAS MUITAS CONDECORAÇÕES DA SUA CARREIRA. O MELHOR CONJUNTO MUSICAL DA REGIÃO: "HILDEGARDO E SEU
CONJUNTO".

Doutora Lúcia responde


Bom dia Dra. Lúcia! Meu nome é Layanne. É verdade que a  gente pode engravidar em um banheiro público?
Drª. Lúcia: - Sim! Acho melhor você parar de trepar lá!
 ____________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Eu sou a Vera e queria saber por que os homens vão embora logo depois de transar com a gente no primeiro encontro?
Drª. Lúcia: - Porque o encontro acabou. Caso contrário, seria casamento!  _____________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Me chamo Luciane e eu tenho um amigo  que quer fazer sexo comigo, mas ele tem um pênis de 20 cm. Acho que  vai  ser doloroso, o que faço?
Drª. Lúcia: - Manda ele pra cá que eu testo pra você !!  ____________________________________________ _________
Bom dia Dra. Lúcia! Eu sou a Rosa e eu queria um  conselho: como faço para seduzir o rapaz que eu amo?
Drª. Lúcia: - Tire a roupa! Se ele não te agarrar, caia fora que é  gay!  _____________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Terminei com meu Ex porque ele é  muito galinha e agora estou com outro. Mas ainda gosto do Ex e às vezes  ainda fico com ele! O que devo fazer?
Drª. Lúcia: - Quem é mesmo a galinha nesta história?  ____________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Rose e eu queria saber  porque  os homens se masturbam mesmo quando são casados?
 Drª. Lúcia: - Minha amiga...jogo é jogo...treino é treino!
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Bom dia Dra. Lúcia! Quero saber se a primeira a vez dói.  Tenho 21 anos e ainda não transei porque tenho medo de doer e não aguentar...
Drª. Lúcia: - Dói tanto que você vai ficar em coma e nunca mais  vai  levantar! Deixa de ser fresca e dê de uma vez... ô Cinderela!   ___________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Bruna! Eu queria saber se  posso tomar anticoncepcional com diarreia...
Drª. Lúcia: - Olha...eu tomo com água, mas a opção é sua !   ___________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Me chamo Jefferson e eu gostaria de  saber como faço pra minha esposa gritar por uma hora depois do  sexo!!!
 Drª. Lúcia: - Limpe o pinto na cortina !  ____________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Sou virgem e rolou pela primeira vez  um lance de fazer sexo oral. Terminei engolindo o negócio e quero saber se corro o risco de ficar grávida. Estou desesperada!!!
 Drª. Lúcia: - Claro que corre o risco de ficar grávida ! E a  criança vai sair pelo seu ouvido! 
___________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Meu nome é Suzi e eu gostaria de saber  qual a diferença entre uma mulher com TPM e um pitbull?
Drª. Lúcia: - O batom, minha filha, o batom !  ____________________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é o Fred! Me tire uma  dúvida: o que são aquelas saliências ao redor dos mamilos das mulheres?
Drª. Lúcia: - É “braile” e significa "chupe aqui".
 ______________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Quero saber como enlouquecer meu  namorado, só nas preliminares.
Drª. Lúcia: - Diga no ouvidinho dele..."minha menstruação está  atrasada"!  __________________________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Sou feia e pobre. O que devo fazer  para  alguém gostar de mim?
Drª. Lúcia: - Simples: ficar bonita e rica. _______________________________________________
Bom dia Dra. Lúcia! Aqui é a Léia, me diga, porque as  mulheres esfregam os olhos de manhã, quando acordam?
Drª. Lúcia: - Porque elas não tem um saco para coçar!

Coluna de música do José Teles, divulgando o pré-lançamento que acontecerá a partir das 19h, no Cine São Luiz, Recife.
Coluna de música do José Teles, divulgando o pré-lançamento que acontecerá a partir das 19h, no Cine São Luiz, Recife.
4. glorinha, in excelsis...

sem fita no pescoço
ou ladainhas
cunhãs
de fugidias pirapanemas
a mais moça
sonha terra-sem-mal
escapulário e figa
dois enjeitados curumins
a sífilis por chegar
orgasmo a soar clarinete
choro estagnado feito água
no regaço das bacias
o sagrado mijo do chope
a fermentar esperas
bolhas
a arremedarem galáxias
glorinha
seiva e luz
congregação dos desamparos
lavados nas águas da nascente
que nenhum silêncio esconde
a buscar um lugar qualquer nas plêiades de safo

(Everardo Norões)


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


"Súplica" - por Socorro Moreira




DONANA
(Ana Amélia Ferreira de Menezes. Filha do Cel. Aristides Ferreira de Menezes, esposa de Alfredo Moreira Maia,minha avó paterna. Dizia-se parente dos Monteiros, Bezerra, Lobo, Norões, Pinheiro, Gonçalves, Milfont, *Aires...
Com todos os antigos do Crato, tinha alguma afinidade. Por ela sou parente de muitos, e com muito gosto! ) Quando abri os olhos, e o entendimento, ela estava na minha vida .Pés e mãos miudinhos, testa alta, e o sorriso mais lindo do mundo !
Depois que enviuvou, vestia-se com sobriedade, comprimento no tornozelo, mangas compridas, preto mesclado de branco, meias de algodão, mantilha na cabeça, rosário no pescoço.
Tinha um temperamento romântico, nostálgico... Chorou tantas dores, que perdeu os cílios, mas não perdeu o brilho do olhar. Cochilava no balanço da cadeira, rezando o terço, e vigiando a rotina da casa. Nada He passava despercebido. Era antenada, e tinha as "ouças" boas, como dizia minha mãe Valdenôra. Cantava pra espantar os males, quando a tristeza lhe pegava a alma... Voz sonora, entoada, como a de um passarinho engaiolado. Dizia-nos que cantara, na mocidade, nos teatros de revistas (musicais), com a autorização expressa do Cel. Aristides. Ganhava todos os papéis principais, e nos contava em detalhes sobre as fantasias, compatíveis com os personagens que interpretava. Foi a Noite, A Morte, A Primavera, A Florista, A Saudade, A lua, etc. etc. Era contra a escravatura. Nasceu no ano em que a lei Áurea foi promulgada. Falava do tronco e do trabalho escravizado com muita angústia, e compaixão. Viveu os resquícios desse tempo de opressão. Eram escravas, as suas amigas de infância. Com elas dividia as bonecas de pano, e as rapas do tacho.
Tinha a barriga farta, e adorava cozinhar. Inventava sempre uma novidade, distribuía com todos, e escondia um pouquinho, para nunca faltar. Se a gente lhe fazia um desagrado, logo avisava: “Dessa iguaria, você não verá nem o azul”, mas nunca cumpria a ameaça. Com ela aprendi a fazer sequilhos, pão-de-ló com erva - doce bolo de goma frita, ou no forno, enrolado em palha de banana; arroz com quiabo , carne batida com jerimum , feijão com toucinho , sempre acompanhado de frutas : banana, caju ou manga, em todas as refeições.
Adorava os netos. Emprestava-lhes o colo com direito a cafuné, para o sono das primeiras horas. Alcovitou os nossos primeiros namoros, sentiu a dor dos rompimentos, nos chamava de "malvada”, quando a culpa era da gente. "Vai pra baixa da égua”, dizia pra quem lhe pisava nos calos, mas logo explicava: Não é nome feio... "Baixa da Égua” é um lugar que fica nas proximidades de Missão Velha. Será?
Fuxicava da gente, perante os nossos pretendentes: "Cuidado com essa menina. Ela tem chita, e é das miudinhas”! Mas, no fundo, torcia pra que ninguém ficasse pra tia!
Escapou da morte aos 40 anos, e foi salva por Dr. Gesteira. Depois disso, ainda viveu com saúde e lucidez, por 53 anos, com apenas um rim. Ativa, participando de todas as festas, viajando pra cima e pra baixo, visitando parentes, com energia invejável!
Chorava a infância perdida, a vida na fazenda, nos engenhos de cana, nas casas de farinha, a perda de filhos, marido, e o desprestígio de ir ficando "velhinha". Mas era linda!
Linda, linda, linda como diria Bianca (minha neta ) , se ela fosse viva !
Era viciada em novelas de rádio, romance de amor... Como tinha a visão quase comprometida, obrigava-me a ler em voz alta, uns tantos livros, que como tesouros, os guardavam. “Li e “reli: “O Moço Loiro”, “O Herdeiro do Castelo,” A Escrava Isaura”, A Moreninha”, "O Tronco do Ipê" - os seus preferidos! Nunca vou esquecer “O Conde Mário, e Aninha” ( Personagens do Herdeiro do Castelo).Os homens acabavam convertidos pelos atributos de mulheres virtuosas. E o amor vencia! Eram felizes para sempre... Ninguém morria! )
Classificava por estereótipos a raça humana, sem uma gota de preconceito... Isso era interessante: "Fulano é alvo, loiro dos olhos azuis, corado que o sangue quer espirrar; mulheres que não têm sangue negro são desbundadas; moças de sangue europeu possuem cabelos finos, e encaracolados; as índias têm cor de canela, pele lisinha, sem acne, cabelos lisas, sem dar uma volta... Mas a beleza vem de dentro... Ta na alma! Ela era qualquer coisa de índia, de mestiça, de portuguesa... Casca de uma alma nobre!
Adorava presentes, e presentear: corte para fazer roupa nova, óleo para o cabelo, travessa, mantilha, velas, água de cheiro, leite de colônia, sabonete de juá, travesseiro de plumas de aves, mesclado com folhas de eucaliptos, urinol e candeeiro ao seu alcance, santuário coalhado de santos. Não fazia promessas com PE. Cícero. Para ela, ele não era santo... Era primo!
Não comprava remédio em farmácia. Fazia suas próprias meizinhas: chá de flor de abacate, boldo, macela, casca de laranja, capim- santo, erva-cidreira, e uma cibalena diária. Vida longa. Sem química, alimentação cem por cento naturais... Deu certo!
Não sabia bordar, fazer crochê,mas  rezava num cochicho eterno.
Teve um casamento feliz, um marido amoroso, quatro filhos criados (um deles, adotivo), genros. Noras e uma pancada de netos.
Faz-me falta àquela mulher... Muita falta! Falta da sua raça, fortaleza, e da grandeza do seu coração, que cabia o mundo!
"Um sorriso de Maria”, para enfeitar sua noite de anjo!

* Aires não é um nome de família. A prole do Seu Aristides era conhecida como Aires: Maria Aires, Ana Aires (Donana), Fantina Aires, Paulo Aires, Pedro Aires, Rubens Aires, Alfredo Aires, Júlio Aires, João Aires, etc.
Foi mãe de uma ruma de filhos, mas apenas ficaram adultos: José, Moreirinha, Auri, Ivone e Valdir (sobrinho, filho do coração ).
De Alfredo Moreira Filho (Moreirinha ) : Maria do Socorro Moreira Nunes , Verônica Maria Nunes Moreira , ZéliaMaria Nunes Moreira , Alfredo Moreira Neto , Teresa Maria Nunes Moreira , e CatarinaMaria  NunesMoreira.
De Ivone Moreira Aragão : Aderbal Moreira Aragão  , Maryane Moreira Aragão , Teresa Maria MoreiraAragão, Antonio Moreira Aragão (4 filhos ) ,Maria das Graças Moreira Aragão , Ivone Moreira Aragão  e Fátima Moreira Aragão.

 De Auri Moreira Montoril : Francisco Moreira Montoril, Bartolomeu Moreira Montoril e Socorro Moreira Montoril.
De José Menezes: Ana Maria Menezes.
Os Bisnetos , nem dá pra contar...
E os Tataranetos? Muita gente a caminho...

 “Aço frio de um punhal foi teu adeus pra mim..."

É a voz de Donana cantando, e espantando os males.


P.S. Minha bisavó, Ana Leopoldina Maia era filha do Cel. Maia com Tudinha Pereira Maia(irmã da mãe de Pe.Cícero).
Minha avó, Ana Amélia Menezes Moreira era prima de Pe.Cícero em segundo grau; Meu pai, primo em terceiro grau

Socorro Moreira.

eu, ateu,
peço a deus
que me deixe também indignado
com a morte de qualquer desconhecido
afinal de contas
... somos todos desconhecidos uns dos outros

eu ateu,
peço a deus
que me ensine a dividir parte de minha parte
com os desvalidos de qualquer sorte
afinal de contas
o ponto final de todo ônibus
é a morte.
O PÁSSARO DE FOGO

Um pássaro de fogo me visita
com ele
viajo para além do mundo
...
Uma trama se tece
entre os planetas
no conchavo dos nossos olhos arde

enquanto alçamos para além
as asas náufragas
no espetáculo sonhado

O pássaro queima este poema
com o seu sucedâneo
em luz e sombra

armamos o contorno do dilema
o solilóquio cego
o drama prévio

Qualquer sentido as nossas línguas queimam

- poema antigo, do tempo do Emparedado (1975), que reescrevi.
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BentoXVI: Crise e exaustão conservadora




Dinheiro, poder e sabotagens. Corrupção, espionagem, escândalos sexuais.
A presença ostensiva desses ingredientes de filme B no noticiário do Vaticano ganhou notável regularidade nos últimos tempos.

A frequência e a intensidade anunciavam algo nem sempre inteligível ao mundo exterior: o acirramento da disputa sucessória de Bento XVI nos bastidores da Santa Sé.
Desta vez, mais que nunca, a fumaça que anunciará o ‘habemus papam’ refletirá o desfecho de uma fritura política de vida ou morte entre grupos radicais de direita na alta burocracia católica.

Mais que as razões de saúde, existiriam razões de Estado que teriam levado Bento XVI a anunciar a renúncia de seu papado, nesta 2ª feira.

A verdade é que a direita formada pelos grupos ‘Opus Dei’ (de forte presença em fileiras do tucanato paulista), ‘Legionários’ e ‘Comunhão e Libertação’ (este último ligado ao berlusconismo) já havia precipitado fim do seu papado nos bastidores do Vaticano.
Sua desistência oficializa a entrega de um comando de que já não dispunha.
Devorado pelos grupos que inicialmente tentou vocalizar e controlar, Bento XVI jogou a toalha.

O gesto evidencia a exaustão histórica de uma burocracia planetária, incapaz de escrutinar democraticamente suas divergências. E cada vez mais afunilada pela disputa de poder entre cepas direitistas, cuja real distinção resume-se ao calibre das armas disponíveis na guerra de posições. Ironicamente, Ratzinger foi a expressão brilhante e implacável dessa engrenagem comprometida.

Quadro ecumênico da teologia, inicialmente um simpatizante das elaborações reformistas de pensadores como Hans Küng (leia seu perfil elaborado por José Luís Fiori, nesta pág.), Joseph Ratzinger escolheu o corrimão da direita para galgar os degraus do poder interno no Vaticano.

Estabeleceu-se entre o intelectual promissor e a beligerância conservadora uma endogamia de propósito específico: exterminar as ideias marxistas dentro do catolicismo.
Em meados dos anos 70/80 ele consolidaria essa comunhão emprestando seu vigor intelectual para se transformar em uma espécie de Joseph McCarty da fé.
Foi assim que exerceu o comando da temível Congregação para a Doutrina da Fé.

À frente desse sucedâneo da Santa Inquisição, Ratzinger foi diretamente responsável pelo desmonte da Teologia da Libertação. O teólogo brasileiro Leonardo Boff, um dos intelectuais mais prestigiados desse grupo, dentro e fora da igreja, esteve entre as suas presas. Advertido, punido e desautorizado, seus textos foram interditados e proscritos. Por ordem direta do futuro papa. Antes de assumir o cargo supremo da hierarquia, Ratzinger ‘entregou o serviço’ cobrado pelo conservadorismo.

Tornou-se mais uma peça da alavanca movida por gigantescas massas de forças que decretariam a supremacia dos livres mercados nos anos 80; a derrota do Estado do Bem Estar Social; o fim do comunismo e a ascensão dos governos neoliberais em todo o planeta.

Não bastava conquistar Estados, capturar bancos centrais, agências reguladoras e mercados financeiros. Era necessário colonizar corações e mentes para a nova era.
Sob a inspiração de Ratzinger, seu antecessor João Paulo II liquidou a rede de dioceses progressistas no Brasil, por exemplo. As pastorais católicas de forte presença no movimento de massas foram emasculadas em sua agenda ‘profana’. A capilaridade das comunidades eclesiais de base da igreja foi tangida de volta ao catecismo convencional.
Ratzinger recebeu o Anel do Pescador em 2005, no apogeu do ciclo histórico que ajudou a implantar.

Durou pouco. Três anos depois, em setembro de 2008, o fastígio das finanças e do conservadorismo sofreria um abalo do qual não mais se recuperou.

Avulta desde então a imensa máquina de desumanidade que o Vaticano ajudou a lubrificar neste ciclo (como já havia feito em outros também).
Fome, exclusão social, desolação juvenil não são mais ecos de um mundo distante. Formam a realidade cotidiana no quintal do Vaticano, em uma Europa conflagrada e para a qual a Igreja Católica não tem nada a dizer. Sua tentativa de dar uma dimensão terrena ao credo conservador perdeu aderência em todos os sentidos com o agigantamento de uma crise social esmagadora.

O intelectual da ortodoxia termina seu ciclo deixando como legado um catolicismo apequenado; um imenso poder autodestrutivo embutido no canibalismo das falanges adversárias dentro da direita católica. E uma legião de almas penadas a migrar de um catolicismo etéreo para outras profissões de fé não menos conservadoras, mas legitimadas em seu pragmatismo pela eutanásia da espiritualidade social irradiada do Vaticano.

Na Igreja, o "vale-tudo" pelo poder


Dos 265 papas listados pela história oficial em quase dois mil anos, apenas quatro renunciaram: Bento IX (1045), Gregório VI (1046), Celestino V (1294) e Gregório XII (1415). E sequer eles foram precedentes comparáveis. Gregório XII, papa de Roma, foi forçado pelos cardeais a abdicar, enquanto os antipapas concorrentes João XXIII de Pisa (que não se confunda com o papa do mesmo título do século XX) e Bento XIII de Advinhão eram depostos, para por fim ao Grande Cisma do Ocidente e reunificar a Igreja. Bento IX renunciou para “vender” o cargo a Gregório VI que, por sua vez, foi “renunciado” à força pela maioria de seus bispos, com apoio do imperador Henrique III. Celestino V, um eremita respeitado como homem santo em Roma, foi eleito papa contra a vontade ao “ameaçar com a ira divina” o colégio de cardeais que se reunia havia dois anos sem chegar a um consenso. Em cinco meses no cargo mostrou-se completamente incompetente. “Aconselhado” pelo cardeal Benedetto Gaetani a abdicar, decretou o artigo do Código Canônico usado agora por Bento XVI. Gaetani elegeu-se papa Bonifácio VIII e por recear a influência do ex-papa, “mandou prender” o idoso Celestino, que morreu após dez meses de prisão. Bonifácio ficou quase nove anos no trono, mas se desentendeu com Felipe IV da França, quando este quis taxar a Igreja. Após se declarar superior aos reis e excomungar Felipe, foi capturado por tropas francesas que o “intimaram” a renunciar. Ao recusar, foi espancado e morreu três dias depois. Após a morte, sofreu a humilhação de ser destinado ao oitavo círculo do Inferno de Dante Alighieri, seu inimigo político, ao lado de Celestino V e Nicolau III.
Bento XVI
Sua renúncia evidenciou a incapacidade de controlar o conluio de interesses empresariais, políticos e clericais que ajudou a alimentar e hoje travam as tentativas de reforma tanto do Vaticano quanto da Itália – a corrupção secreta que viceja à sombra de qualquer autoritarismo. Provavelmente, será sucedido por um europeu igualmente conservador e intransigente para com os pecados da massa, mas mais tolerante para com os da Cúria, que manterá a Igreja no caminho firme, reto e seguro da decadência. 
(transcrito da revista Carta Capital)





Ilusões são geminadas com as esperanças.
 Invisíveis moram no céu.
 O olhar espreita estrelas tentando lê-las.
 E quando o céu é cego?
E quando o sol só vislumbra o tédio?
Quem sabe aconteça uma tarde de alegria?
Quem sabe um sonho surpreenda o sono?
No avesso da tristeza, o desejo de  ser feliz inexiste.
Cansaço das esperas.
Ressaca do encontro.
Preparamos a festa e choramos a despedida da orquestra.
O dia amanheceu e anoiteceu chuvoso.
Tempo úmido; telefone mudo; coração frio.
Na ordem prática da vida, resta sobreviver, até qualquer dia.

socorro moreira