por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



terça-feira, 14 de abril de 2015

TIVE SIM - José do Vale Pinheiro Feitosa

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Claro que ouviram e conhecem este belíssimo samba de Cartola intitulado: "Tive Sim". Não compreendido como nossas histórias de muitas pessoas, vários amores, onde o momento da palavra sempre será o incomparável. Mesmo quando de fato é incomparável.

A curiosidade é que este samba foi composto e exposto ao público pela primeira vez entre maio e junho de 1968. Era a 1ª Bienal do Samba, promovido pela Record. Ali se reconhecia a fantástica safra de jovens compositores brasileiros ao mesmo tempo que salvaguardava a velha guarda na altura sem oportunidades.

Foram três eliminatórias e a decisão da colocação das finalistas. Para se compreender o universo dos participantes, entre compositores e intérpretes estiveram Chico Buarque, Edu Lobo, Cartola, Aracy de Almeida, Sidney Muller, Moreira da Silva, Adoniran Barbosa, Demônios da Garoa, Baden Powell, João da Baiana, Clementina de Jesus, Jair Rodrigues, Elis Regina, Ataulfo Alves, Ciro Monteiro, Marília Medalha, Claudete Soares, Agnaldo Rayol, Jorge Goulart, Oswaldo Nunes, Paulinho da Viola e por aí foi.

Imaginem o privilégio dos paulistanos com um elenco como este por oferta em noites memoráveis. Agora vamos ao resultado final acontecido no dia 1º de junho de 1968.

Quem ganhou a Bienal foi a música Lapinha, de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, interpretada por Elis Regina. Quase não foi inscrita pois naquela altura Paulo César Pinheiro era desconhecido e muito jovem. Baden Powell disse que se retiraria da Bienal e tiveram que aceitar. Inclusive Lapinha foi controvertida por um jornalista que disse ser a composição uma peça do folclore baiano.

O segundo lugar foi “Bom Tempo” de Chico Buarque de Holanda e defendida pelo próprio (Um marinheiro me contou/Que a boa brisa lhe contou/ Que vem aí bom tempo...). O terceiro lugar foi para “Pressentimento” de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho, defendido por Marília Medalha (ai! Ardido peito / Quem irá entender o teu segredo?...). O quarto lugar foi para “Canto Chorado” de Billy Blanco defendido por Jair Rodrigues (No jogo se perde ou se ganha / Caminho que leva/ Que traz.....).

Bem, logo a seguir falaremos do quinto lugar para “Tive Sim”. Antes vem o sexto lugar que foi para “Coisas do Mundo, Minha Nega” de Paulinho da Viola interpretado por Jair Rodrigues (Hoje eu vim minha nega / Como venho quando posso...). O destaque para esta canção é a leveza da melodia e um dos mais bem acabado poemas para um amor.


E “Tive Sim” de Cartola e cantada por Ciro Monteiro conquistou o quinto lugar diante de uma estrondosa vaia. Uma vaia própria de tempos agudizado em contradições, como foi 1968, onde as paixões afloram acima de qualquer referência. Onde a torcida prevalece sobre o debate e construção do melhor para todos. Assim como a direita brasileira, tocada pela grande mídia e o ódio dos privilegiados age em palavras e atos.

Um comentário:

socorro moreira disse...

Só coisa boa. Tive sim e Coisas do mundo, minha nêga - são músicas que eu escuto, peço, e canto.
"...Vou parar,pois não pretendo amor te magoar".
"...querendo aquele sorriso,que tu entregas pro céu, quando te aperto em meus braços..".Essa tem história!
Agradeço o inspirado escritor, que nos inspirou.Fez da nossa noite um sarau.Nem precisa da lua, nem de um violão.Tudo- samba-canção!
Abraço meu.