por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Por que é golpe? - José do Vale Pinheiro Feitosa

A instabilidade social e as manifestações populares, aliadas a grupos políticos organizados militarmente, deixam no ar a ação de ruptura dos regimes que hoje funcionam baseados no sufrágio de candidatos. A questão está mais ou menos assim: um grupo deseja romper as políticas de renda, falta de proteção social, desemprego, despejo por dívidas e se manifesta. Grupos distintos, com outros propósitos políticos, aproveitam a ocupação das ruas e vão para o confronto militar franco.

Na Síria, na Ucrânia isso é bem visto. (Claro que por fora, acirrando posições países fortes tomam partido financiando um lado ou outro e até os dois). A Ucrânia é mais grave porque há um problema crônico básico de setores étnicos em relação à Rússia (imperial ou soviética). Estes setores ocuparam o campo da extrema direita política, são organizados, perduram há muitos anos de tal modo que aderiram ao Exército Nazista durante a invasão da União Soviética na Segunda Guerra. 
  
A situação na Ucrânia é de tal modo um retorno ao nazi-fascismo original que judeus já são perseguidos por lá. Este Jam Koum, um dos bilionários do WhatsSpp vendido para o Facebook, migrou há alguns anos para os EUA em razão das perseguições feitas contra judeus. E isso foi no final da União Soviética, em 1989, e no ano de 2004 aconteceu na Ucrânia a tal Revolução Laranja que foi comemorada como um grande ato político pela mídia ocidental.

A revolução laranja, dez anos atrás, se deu com uma revolta popular em razão de uma fraude eleitoral em que o segundo lugar Viktor Yanucovych (esse mesmo atual presidente) foi confirmado no lugar do que teria sido o primeiro colocado que é Viktor Yushchenko. A eleição foi anulada, Yushchenko disputou e venceu. Acontece que o paraíso não chegou e Yuschenko se desgastou e quem está no poder é o outro Viktor.

Mais do que uma insurgência contra o Governo, o que se tem por trás é a ruptura do processo em que a maioria vence a eleição. No caso da Venezuela isso é nítido e mesmo quem torce contra Maduro, deve imaginar que no mínimo o país tem uma grande divisão e que por eleições vão fazendo projetos de seguir adiante. O mesmo processo que elegeu Maduro, poderá eleger Capriles nas próximas eleições.

O que deseja esse López? Provocar ruptura para ele mesmo ser o autor e aí Capriles e companhia vai para o espaço. A oposição na Venezuela nunca se uniu e por isso perde tantas eleições. É preciso compreender um pouco a formação social da Venezuela. Por muitos anos uma parcela da população foi privilegiada com o Petróleo do país. Tinha uma vida de classe média até superior a de outros países latino-americanos.

Essa parcela educava os filhos nos EUA, tratava a família e tinha casas por lá onde passava as férias. Essa parcela se alienou do seu próprio país e do seu povo. O Leopoldo López fez a maior parte de seu ensino básico e de sua formação universitária nos EUA. Isso significa que parte da identidade e das ligações dele são com aquele país.

O que ele propõe nas ruas é a ruptura dos resultados das eleições no curso do mandato do eleito. Além do mais ele tem usado táticas de movimentação que recordam o ocorrido em 2002 no golpe contra Chávez. Por exemplo o aparecimento de mortes por balas perdidas em manifestações para depois gerar mais tensão social.


Leopoldo López não só participou do golpe de 2002 como, nesse momento, se diz orgulhoso do fato. Ou seja defende abertamente um golpe. A BBC Brasil o classifica assim: popular, carismático, imprevisível, arrogante e sedento de poder.  

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