por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O PODER REAL E O PODER FORMAL


Aquela velha estória de manda quem pode obedece quem tem juízo continua valendo, apenas não fica claro qual poder o mandante ou o obediente dispõe. Às vezes o poder aparente de uma arma de fogo é neutralizado pela coragem do desarmado ou pelo preço a pagar se realmente o feito for realizado. Como por exemplo, no fato ocorrido ao final de uma festa nos anos 60 do século passado em frente ao Clube Internacional do Recife. Em disputa por uma bela moça, um dos pretendentes sacou um revólver, o outro imediatamente se aproximou e gritou: Eu compro! Revólver que atira sozinho eu compro! O valentão armado não atirou, desmoralizado foi tirado dali pelos amigos. (não vou citar nomes).  Nos macros acontecimentos da história, talvez sem o humor, algo parecido acontece. Do ponto de vista estritamente militar, fica claro que os vietnamitas não eram páreo para os Estados Unidos, no entanto, os vietnamitas ganharam a guerra. Que houve então? Os norte-americanos perderam a guerra politicamente. Os vietnamitas, cientes de suas carências militares, apelaram para a guerra de guerrilhas, de cansaço e desgaste. Para começar, inverteram o conceito de tempo nas guerras. Quase sempre, premidos pelos ministérios da economia de seus países, os generais contam com a pressa para a conquista da vitória. No caso vietnamita, eles de fato dispunham de tempo. Até a saída do último norte-americano em 1976, os vietnamitas já tinham experiência de quase mil anos de guerras. Guerras contra vizinhos e invasores. Os invasores mais perigosos e famosos foram os japoneses, franceses e norte americanos. Com tempo à disposição, os vietnamitas iniciaram a longa campanha internacional de divulgação dos horrores da guerra,  principalmente  denúncia dos crimes praticados em seu território. O número oficial de 58.000 norte-americanos mortos podia ser maior, pois existia por parte do comando de guerra vietnamita uma diretriz que orientava seus combatentes a não matar o inimigo e sim feri-los. De forma que foram cerca de 150.000 feridos levados de volta para casa. Foram mais de 200.000 famílias com alguma vítima direta do conflito. Era questão de tempo o início do questionamento da necessidade da guerra. Os vietnamitas praticamente ganharam a guerra dentro do território americano. A partir daí os americanos impuseram feroz censura em todos os conflitos que participam. Nem a solenidade da volta dos mortos é divulgada, como era antes. No caso das regiões produtoras de petróleo, a partir do final da 2ª segunda guerra mundial  todos os ditadores, reis etc. foram entronizados pelas grandes potências, o poder estava firme nas mãos das grandes refinarias de petróleo, estas quase sempre longe das fontes produtoras. Precisavam de representantes locais para fazer o serviço sujo. Com o passar do tempo, os antigos amigos começam a questionar a obediência cega às matrizes, tornam-se inconvenientes, precisam ser substituídos. A fonte de poder (petróleo) continua dentro desses países, daí a necessidade de armas e guerras para controlar a situação. No caso do Brasil, a situação é semelhante, como nos tornamos grandes produtores de commodities e matérias primas (algumas perecíveis) quase que unicamente para exportação, a fonte de poder está longe daqui, está no controle das bolsas de valores dessas commodities (açúcar – Londres; cereais – Chicago; ferro – Nova Iorque etc). É suficiente uma pequena alteração (artificial ou não) nas cotações dos preços para desestabilizar economicamente qualquer país que não esteja preparado para esses contratempos. Um dos motivos da onda de golpes militares no mundo patrocinados pelos EUA nos anos 50 e posteriores do século passado era exatamente montar a política de dependência econômica desses países, o máximo permitido seria um desenvolvimento industrial secundário. No Brasil a meta foi alcançada no final dos anos 70 do século passado, não havia mais necessidade da presença de militares amigos no governo.  O Brasil passa por um momento de afirmação, com a produção do pré-sal, o jogo do poder pode mudar, a fonte de poder voltando, pelo menos em parte, para dentro das nossas fronteiras. Do ponto de vista dos EUA, isso seria muito desagradável. Daí talvez, toda essa campanha mundial de desestabilização, não só no Brasil como de governos potencialmente capazes de pensar um pouco diferente e procurar caminhos próprios. Afinal colocar vassalos para tagarelar contra o governo e financiar desordens é barato e fácil de operar, nisso a CIA têm muita experiência e parece que está aplicando no momento.
Escrito por José Almino A. A. Pinheiro

Um comentário:

Manuel Fernandes disse...

Boa noite!
Adorei a narrativa, está de parabéns.
Gostaria muito de trocar dois dedos de prosa com o nobre escritor, caso assim ele tenha tempo e me conceda a deferência. Acredito termos interesses comuns sobre determinada matéria que estou pesquisando.
Para marcar um local e a hora deixo meu e-mail:
profmanuelfernandes@gmail.com.
Certo da colaboração amiga, deixo meu fraterno abraço.