por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 30 de maio de 2011

LUTO - José do Vale Pinheiro Feitosa

As palavras não são apenas os símbolos gráficos e as verbalizações. Elas conduzem a vida assim como o sangue a circular. Traduzem sentimentos e memórias, estes igualmente a seiva, o estrato do ser humano e que por vezes transformamos em extrato e carregamos para exalar em gotas.

Aquela que mais sentimentos e memórias me aplicam é a palavra “luto”. A tristeza profunda pela morte, pela separação sem retorno. E neste sentido o quanto acrescenta de tempo para manifestar os sinais desta tristeza. Entre nós o preto, com os japoneses o azul e o chinês o branco. E aí a minha tristeza se coletiviza não como a soma de todas as tristezas, mas como a contradição da minha tristeza, uma vez que o branco é o oposto do preto e o azul o sonho em construção.

Como serão os próximos tempos sem aquele ente de amor? Quando precisar uma palavra, trocar uma idéia e não for possível a não ser dentro da minha memória? Será que a solidão conseqüente ensinar-me-á a sorver o medo que já antevia e aconteceria, pois com todos isso era verdade?

E aí as perguntas já estão migrando o evento de dor para outra acepção da palavra luto que é a argamassa muito resistente tanto aos ataques externos como o fogo, quanto para manter os conteúdos que não podem escapar.

Porém, mais do que tais substantivos vamos encontrar a primeira pessoa do presente do verbo lutar: eu luto.

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