por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
MAIS ATUAL QUE NUNCA
Dilma Resistente
Acabe com o podre da imprensa brasileira e inevitavelmente o chão do PSDB se abre. Os tucanos só se sustentam pela blindagem da mídia que ao mesmo tempo bombardeia o PT, pelo mesmo motivo: defender seus intere$$e$
sábado, 6 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
DANÇANDO O BAIÃO - Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro (*)
Se não fosse uma mulher,
o frio e a solidão do sul teriam destruído a minha crença no
futuro e eu estaria no Nordeste, abandonando a pós-graduação. Eva,
embora tão diferente de mim, para o bem ou para o mal, foi uma
paixão avassaladora, o fato irresistível contra o qual homem nenhum
poderia lutar.
O meu sogro ficou viúvo
logo após o nascimento de Eva. Júlia Strauss, uma das tias
paternas, alguns anos mais velha do que Eva, administrava a casa.
Ele, Mr. Hermann, gostava de ser chamado assim, pois tinha orgulho de
sua origem europeia e disfarçava a amargura da viuvez, refugiando-se
no trabalho. Em São Leopoldo, praticamente mudara-se para a “Oficina
Baviera” e tinha certeza de que a colonização portuguesa e a
formação mestiça brasileira eram a causa irreversível do nosso
atraso.
Um dia, ele se irritou
quando lhe falei que enxergava exatamente o contrário. Na verdade,
reverencio o gênio lusitano e os nossos antepassados, por um país
tão grande, unido pelo idioma único e pela mistura de raças.
Portanto, nada mais estranho do que eu naquela família, a
contragosto vencida pela nossa determinação, pois meses depois eu e
Eva estaríamos casados.
O velho se transformou
quando Mathilde nasceu e ficou extremamente feliz ao batizarmos a sua
primeira neta com o nome da avó. A mãe, as tias, os primos eram
toda a atenção para a criança, mas o tempo passava e eu me sentia
cada vez mais só.
Eva perdera o
interesse pela profissão e Júlia Strauss, surpreendendo a todos,
ingressou no curso de Ciências Sociais. Embora discreta, exibia,
progressivamente, visível transformação. Não era mais a
solteirona gordinha, voltada exclusivamente às questões domésticas,
à sobrinha e ao bem estar do irmão. O terninho escuro, os cabelos
presos e os óculos de aros grossos, deram-lhe um ar de professora,
parecia uma intelectual. Em alguns fins-de-semana, ela vinha a Porto
Alegre e ficava conosco, tinha cursos de imersão.
Eu seguia a minha vida
com Eva, Mathilde e os estudos do doutorado. Às vezes, ainda mais só
quando elas iam para São Leopoldo e eu não podia viajar. Num desses
dias, Júlia veio para uma aula e noite de sábado, quando eu já ia
me recolher, saiu bruscamente do quarto de hóspedes e invadiu a
sala. Cabelo solto, olhos azuis, ela parou em frente a mim e atirou o
roupão.
Completamente nua, eu
fiquei maravilhado. Como não acreditar no Brasil se estavam ali os
peitos duros, a bunda firme e a boceta envenenada? Nos intervalos,
ela ria descontroladamente – como ela ria! - e cantarolava
baixinho, conhecia Luiz Gonzaga e João do Vale, a música nordestina
seria o tema da sua dissertação.
Mr. Hermann nos cobrou
outro neto e Eva, encantada com a maternidade, só pensava no
enxoval. Já não me sentia tão intruso e reconhecia o esforço da
família para que eu e Júlia terminássemos o trabalho. Eva e
Mathilde freqüentemente passavam os fins-de-semana com o avô,
enquanto Júlia vinha a Porto Alegre levantar o material de pesquisa.
Decidi-me por um
biocombustível e Júlia voltou-se sobre a autenticidade dos afetos
no inconsciente nordestino traduzido na música popular.
Necessitávamos um tempo de recolhimento para a redação final e um
amigo de Mr. Hermann nos emprestou um chalé em Gramado. Assim, num
último “tour de force,” ficamos completamente
isolados.
Na volta, nosso
progresso e a defesa próxima das teses, foram comemorados com um
churrasco. Quando Eva anunciou a gravidez, todos brindaram o novo
neto. Mr. Hermann, alegre como nunca, convencera-se de que o
sertanejo era, antes de tudo, um forte e fez questão de apresentar a
nova cozinheira, Nilzete. Ao final, riso malicioso, a baiana me
contou que mais uma Strauss estava interessada no Nordeste e sonhava
aprender comigo como se dança o baião.
*************************
(*) Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro é médico-cardiologista, natural de Missao Velha e atualmente morando e exercendo o ofício em Fortaleza
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
O "FOTÓGRAFO" - José Nílton Mariano Saraiva
Ciro
Sabóia Gomes, o problemático filho de Ciro Ferreira Gomes e
Patrícia Sabóia, continua aprontando. Recorrentemente envolto em
confusões (mormente aos finais de semana), dessa vez o bafafá se
deu na comunidade conhecida como Baixa Pau, no Poço da Draga, favela
localizada de frente pro mar, ao final da Praça de Iracema, aqui em
Fortaleza. Foi atingido por um tiro de revólver, sem maiores
consequências.
Diligentes,
e antes que a mídia tupiniquim tomasse conhecimento, vapt-vupt os
zelosos e cuidadosos pais trataram de emitir um comunicado conjunto à
sociedade, dando sua “versão particular” sobre o caso, vazado
nos seguintes termos:
"Em
atenção à opinião pública, informo que um dos meus filhos sofreu
tentativa de assalto próximo à Praia de Iracema, em Fortaleza, por
volta das 21h deste sábado. Ele foi ferido com um tiro mas, graças
a Deus, sem maior gravidade e não corre risco de morte. Nossa
família agradece a todas as manifestações de solidariedade que
estamos recebendo".
Como
esqueceram de explicar o que fazia nas proximidades de uma favela
perigosíssima, em plena noite de sábado, um jovem que tem acesso
aos mais sofisticados “points” da vida social da cidade, a
tendência é que algum morador da comunidade finde “pagando o pato”
e a verdade jamais será esclarecida, daí o comunicado à opinião
pública perder substância (faltou a parte mais relevante).
No
entanto, pra “refrescar a memória” dos que sofrem de “amnésia”
ou já ingressaram nas agruras provocadas pelo “alzheimer”, é
bom atentar para a notícia divulgada por um segmento da mídia da
capital cearense, três anos atrás, a saber (ipsis litteris):
(abre aspas) 24/11/2012
15h12 - Atualizado em 24/11/2012 20h47
Filho
de ex-ministro Ciro Gomes é detido por porte de droga no Ceará.
Droga foi achada no carro de Ciro Saboya após acidente de transito.
Segundo a AMC, Ciro avançou o sinal vermelho e colidiu com outro
carro.
O filho do ex-ministro Ciro Gomes, Ciro Sabóia Gomes, de 27 anos, foi detido na manhã deste sábado (24) por porte de droga, após se envolver em acidente de trânsito que deixou uma pessoa ferida. Segundo a polícia, após o acidente foi descoberta uma pequena quantidade de maconha no veículo de Ciro Saboya Ferreira Gomes. O G1 tentou entrar em contato com o advogado de Ciro Saboya, mas não obteve retorno. O motorista não quis falar com a imprensa.
O
acidente, de acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito e
Cidadania (AMC), ocorreu por volta de 6h15, no cruzamento entre as
Ruas Costa Barros e Idelfonso Albano. Segundo testemunhas relataram
aos agentes da AMC no local, o carro Honda Fit conduzido por Ciro
Saboya avançou o sinal e colidiu com o Volkswagen Fox. Segundo
agente da AMC, Leonardo Duarte, ele se recusou a fazer o teste do
bafômetro.
O
filho do ex-ministro foi conduzido para o 2º Distrito Policial, onde
prestou depoimento. Cirinho, como é conhecido o filho mais velho de
Ciro Gomes, foi levado para realização de exames em um carro do
Instituto Médico Legal e depois retornou para a delegacia para
continuar o depoimento, sendo liberado em seguida. De acordo com a
Polícia Civil, ele foi liberado por ter cometido crime de menor
potencial ofensivo.
Duas
pessoas estavam no outro carro envolvido na colisão, uma teve
ferimentos leves e passa bem. Ainda
de acordo com agentes de trânsito, a documentação do veículo de
Ciro Saboya estava atrasada e o veículo foi retido. (fecha aspas).
Convém
lembrar, a propósito, que naquela oportunidade e por influência do
tio-governador (Cid Gomes) o distinto sequer foi autuado e a imprensa
fez um silêncio sepulcral sobre a
ocorrência (apesar de dirigir bêbado, recusar-se a fazer o teste do
bafômetro, circular com
a documentação do veículo atrasada, ter sido encontrada maconha no
carro e ter causado ferimento em pessoas outras, o crime foi
considerado pelas autoridades... “de menor potencial ofensivo”,
daí ter sido liberado).
Alfim,
antes que alguém
questione sobre, segundo
consta a profissão do
referido senhor é “fotógrafo” (portanto, se você possui
ou mesmo conhece
alguma fotografia do dito-cujo, considere-se um privilegiado).
quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Nasci numa família formada por pai, mãe e avós paternos.os tios, filhos de Donana: Auri e Ivone, já haviam concebido alguns dos seu rebentos.Era uma casa feliz,principalmete,musical.Todos eram amantes de música, e meus ouvidos capatavam um pouco de tudo, ou quase tudo.O filho mais velho de tia Auri,Francisco, bem menino, já tinha ganho seu primeiro acordeon, e executava bem música instrumental, alem de boleros e tangos.O Natal, S,joão era sempre uma festa especial.Acontecia na casa da Pedra Lavrada com quitutes, bandeirolas, bolas de gude, e presentes que deixavam na lona as economias dos nossos pais.Juntavam-se a esse grupo a família de Tia Ivone e tio Joãozinho com seus sete filhos.A meninada nas calçadas brincando de roda, e todas as diabruras que enfeitavam os anos 50.Quando o cansaço chegava, sentávamos no batente da casa para ouvir histórias contadas pelos meus avós, enquanto eles tomavam um cafezinho.Nesta turma não faltava, por vezes, a presença de Ana Maria, única filha do tio José, falecido precocemente.
Assim fomos criados na primeira infância e adolescência.Tînhamos muitos tios e primos, de segundo grau, que não faziam diferença, entre os legítimos( mas isso é história para um outro dia.Como os netos de tia Fausta,Pigusta,Fantina...enfim!)
Nas férias escolares, meninas de combinação, viajavam para Mauriti, sob a custódia de vovó Donana.Tia Auri nos recebia de uma forma amorosa demais.Doces no tacho, zelo, e observãncia total, quando começamos a namorar .Minha tia fazia os pudins para a merenda da moçada.Comprava todos os LPS que Socorro queria.Desta discoteca, fazíamos as nossas tertúlias. O horário era limitado, mas suficiente pra gente deslizar no mosaico da sala.Tempos inesquecíveis. patamar da Igreja com riscado de giz ou carvão, banho no balneário dos Dantas, alfinim num engenho quase no centro da cidade.
Depois que crescemos, casamos, houve uma dispersão geral, mas o contato com nossas tias nunca deixou de existir.
O acontecido nesta data, acordou um carinho adormecido, plantado e regado pela família Moreira.
É porisso que a saudade é maior...Saudade do passado, do presente, e saudade dos rostos que já não veremos.
Deus nos privilegiou ,nascidos de um tronco fortalecido de amor; Donana e Alfredo Moreira Maia.
Se haverá reencontro é tudo que desejamos, e entregamos a Deus que nos propicie essa alegria...No plano espiritual, a beleza e a felicidade são contínuas.
Esperemos!
Assim fomos criados na primeira infância e adolescência.Tînhamos muitos tios e primos, de segundo grau, que não faziam diferença, entre os legítimos( mas isso é história para um outro dia.Como os netos de tia Fausta,Pigusta,Fantina...enfim!)
Nas férias escolares, meninas de combinação, viajavam para Mauriti, sob a custódia de vovó Donana.Tia Auri nos recebia de uma forma amorosa demais.Doces no tacho, zelo, e observãncia total, quando começamos a namorar .Minha tia fazia os pudins para a merenda da moçada.Comprava todos os LPS que Socorro queria.Desta discoteca, fazíamos as nossas tertúlias. O horário era limitado, mas suficiente pra gente deslizar no mosaico da sala.Tempos inesquecíveis. patamar da Igreja com riscado de giz ou carvão, banho no balneário dos Dantas, alfinim num engenho quase no centro da cidade.
Depois que crescemos, casamos, houve uma dispersão geral, mas o contato com nossas tias nunca deixou de existir.
O acontecido nesta data, acordou um carinho adormecido, plantado e regado pela família Moreira.
É porisso que a saudade é maior...Saudade do passado, do presente, e saudade dos rostos que já não veremos.
Deus nos privilegiou ,nascidos de um tronco fortalecido de amor; Donana e Alfredo Moreira Maia.
Se haverá reencontro é tudo que desejamos, e entregamos a Deus que nos propicie essa alegria...No plano espiritual, a beleza e a felicidade são contínuas.
Esperemos!
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
É "ESGOTO" ou "VALA" ??? - José Nilton Mariano Saraiva
A imagem mostrada pela TV é emblemática, causa arrepios e é merecedora de cuidados da parte do poder público (prioritariamente) e/ou dos proprietários (em particular): no interior do Hospital São Raimundo (no Crato) no piso em frente a UTI, uma “tampa de esgoto” de mediano tamanho vazou quando de uma chuva de razoável proporção na cidade, inundando a área e trazendo a reboque fezes e outros indesejáveis dejetos (é vero, senhores, por mais absurdo que pareça).
Aparentemente, a impressão que fica é que o prédio onde foi erguido o referido hospital foi construído sobre uma espécie de “vala” (um “esgoto” de maiores proporções) que poderia, com o tempo, ceder e levar de roldão tudo o que por cima esteja (inclusive pessoas).
Particularmente, em razão de termos morado por perto, lembramos que existia, sim, uma “vala” naquelas imediações, que desaguava mais à frente no canal do Rio Grangeiro.
Urge, pois, antes que uma tragédia indesejável aconteça (afinal, a chuva causadora não foi tão grande assim), que se faça uma inspeção rigorosa da área, a fim de se saber se sob o prédio que abriga o Hospital São Raimundo corre um simplório e inofensivo “esgoto” ou uma potencial e perigosa “vala” capaz de causar estragos bem maiores (lembrem da tragédia da Rua da Vala, anos e anos atrás, quando o piso cedeu e levou uma jovem que por lá circulava).
sábado, 9 de janeiro de 2016
INGRATIDÃO -= José Nílton Mariano Saraiva
Por
uma questão de coerência não votamos no conterrâneo Camilo
Santana na última eleição para Governador do Estado, da qual
sagrou-se vencedor. É que, como já externamos aqui em mais de uma
oportunidade, nunca sufragamos e jamais o faremos, os Ferreira Gomes
e os Jereissati da vida, aí inclusos os seus coniventes e
convenientes “marionetes-afilhados-políticos”. Questão de
convicção. Inabalável e indestrutível.
No
entanto, com a sua vitória, como cratense fervorosamente torcemos
muito para que finalmente a nossa cidade merecesse um pouco de
atenção da sua parte e deslanchasse de vez, principalmente em razão
de ter-lhe dado uma votação estupenda, pra lá de superlativa
(foram quase 90% dos votos válidos).
É
que o Crato, de uns 40 anos até aqui (desde o tempo do competente e
austero prefeito Pedro Felício Cavalcante), desapareceu do mapa
político do Estado, abandonado que foi por sua própria população,
ao optar por pessoas sem a qualificação devida para a Prefeitura,
Câmara Municipal e Assembleia Legislativa Estadual e que, em lá
chegando, trataram apenas e tão somente em “se fazer”,
legislando em causa própria.
Assim,
Camilo Santana, se realmente tivesse alguma consideração pelo Crato
e em respeito a espetacular votação obtida na cidade, bem que
poderia tentar mudar o curso da história, lutar contra o “status
quo” vigente, que privilegia há muito uma única urbe ao sul do
Ceará (Juazeiro do Norte), carreando alguma obra de vulto para a
terra natal, já que o “dono da caneta” (e, quer queiram ou não,
a junção da “caneta” com a “decisão política” resulta em
um poder extraordinário, também conhecido por “componente
político”).
Lamentavelmente,
entretanto, o que se observa no dia a dia, desde a sua assunção na
chefia do executivo cearense, é que o cratense Camilo Santana não
está nem aí para a sua terra-berço, porquanto as grandes obras do
Estado continuam com o velho, manjado e viciado endereço: a cidade
vizinha. Tanto é vero que, agora mesmo, se divulga que a versão
interiorana do austero e respeitado Colégio Militar Cearense será
ali instalada, daqui a pouco (pra “compensar”, e de certa forma
enganar ou trouxas, no Crato será asfaltada a estrada que liga o
distrito de Santa Fé a algum subdistrito; e tome propaganda).
Mas,
os “instruídos e conscientes” eleitores do Crato não perdem por
esperar: o cratense Camilo Santana, num primeiro momento tentará
influenciar na eleição pra prefeito da cidade, no corrente ano; e,
posteriormente, como todos que detém o poder (“caneta” na mão),
tentará a reeleição no próximo pleito em 2018; e aí, sim,
lembrar-se-á de que o Crato existe, e lá se fará presente com
promessas mil e a conversa fiada de sempre; e é bem provável que
seus bovinos conterrâneos lhe entupirão de votos mais uma vez.
E
depois reclamam da vergonhosa condição de “cidade-dormitório”,
que é o que o Crato é hoje.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Karol Wojtyla - Demóstenes Ribeiro (*)
Por fim, a mulher convenceu o marido e a família
foi das últimas a migrar para a cidade. Ela se cansara da vida
difícil no campo e da promessa de emprego de professora. O prefeito, embora parente, mais
parecia um inimigo. O tempo passando e ele nada arranjava.
Na casinha da periferia, iniciariam uma bodega e
fosse como Deus quisesse. Mais inteligente do que os outros, ela
ouvia rádio e escutava com atenção a pregação do padre. Lia a
bíblia, a história dos santos e os filhos teriam nome de papa. O
primeiro, Eugênio Pacceli; o segundo foi Ângelo Roncalli; e o
terceiro, prematuro que faleceu logo ao nascer, escapou de se tornar
Rerum Novarum dos Santos Silva.
Viviam para a igreja e a mercearia satisfazia o
indispensável. Muitos anos depois, uma surpresa. De novo, ela estava
grávida. O bebê nasceu forte, robusto e alourado. A alegria voltou
e o sarará se chamou Karol Wojtila - nome por demais apropriado. Até
o berçário e a pré-escola, o polonês foi uma criança normal, mas
na alfabetização tornou-se agressivo, briguento e malcomportado.
Não adiantaram os conselhos da mãe e as tias não mais o
suportavam. Um dia, se explicou: era quieto, no seu lugar e prestava
atenção à aula, até lhe chamarem de Carolina - aí, o pau
cantava.
Ele batia a torto e à direita, virava carteiras,
rasgava mochilas e chutava canelas, deixando a professora apavorada.
Mudou de escola e o problema continuava. Galego sardento, mal entrava
na sala, no recreio ou jogando futebol, o coro ensurdecedor tudo
tomava: Carol, Carolina...
Encarou pai e mãe: – “não quero esse nome,
vou mudar de nome! ” A mãe tentou convencê-lo: – “meu filho,
um nome tão bonito, nome de papa, de homem santo...”
Tudo inútil. Não iria mais praquele colégio nem
para a escola nenhuma, se não mudasse de nome. Os pais conversaram
antecipadamente com o juiz. Foi em 94, Copa do Mundo e, na véspera
da audiência, o Brasil, com dez jogadores, vencera os Estados Unidos
num jogo dramático. O nosso lateral esquerdo foi expulso após uma
cotovelada no rosto de um adversário.
Sabendo de tudo, o magistrado, fanático por
futebol e de ressaca, foi breve: - “então
meu filho, você quer mudar de nome... como você quer se chamar?”
O garoto ficou de pé, engrossou a voz e falou: - “Meretríssimo,
eu não sou Karol Wojtyla, eu quero ser é Leonardo!”
O juiz, gordo e patusco, concordou e explodiu em
gargalhada.
***********************************
(*) Demóstenes Ribeiro é médico cardiologista,
natural de Missão Velha e na atualidade residente e exercendo o
ofício em Fortaleza-CE.
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
A "FOLHA CORRIDA" DE UM ANO SUSPEITO - João Wady Cury (*)
Meia-noite de 31 de
dezembro. O “elemento” 2015 presta depoimento na delegacia.
Compareceu
a esta Delegacia de Polícia, na presente noite deste 31 de dezembro
de 2015, faltando poucos minutos para a meia-noite, também conhecida
por “zero-hora” ou “noite da virada”, diante de mim, delegado
de polícia, o elemento chamado “2015”, também conhecido pelo
vulgo “Ano de 2015”, depoente nesta Boletim de Ocorrência, em
companha de testemunhas e de alguns detratores com o objetivo
expresso e alguns omissos de relatar o que sabe e o que não sabe
sobre os acontecimentos correntes do ano; QUE o elemento 2015 alega
não conhecer seus genitores ou qualquer outro familiar; QUE o
referido depoente esclarece ter comparecido a esta delegacia por ter
uma vida breve de 365 dias, como a de um camundongo, agora prestes a
se encerrar em alguns minutos, para que fossem adotadas medidas
protetivas e de urgência à sua integridade física e psíquica por
alegado risco de vida ou, como querem alguns, de morte; QUE o
elementos acha possível ser aniquilado e varrido da história por
maus serviços prestados à Humanidade (com maiúscula, escrivão);
QUE eu, delegado de polícia, argumentei que muitas vezes na vida o
“quanto pior, melhor” pode nos levar a uma situação sem volta
necessária para a reformulação dos valores, guinadas históricas,
revoluções, etc; QUE, ao ouvir isso o elemento 2015 despejou
impropérios à minha pessoa e chorou desenfreadamente, alegando que
vem sendo acusado pelos viventes neste planeta, também conhecido
como Terra, que se referem a ele como “ano desgraçado”, “ano
de merda” e até “ano que nem deveria ter começado”; QUE o
elemento 2015 se dia magoado com todas essas qualificações
desabonadoras, lembrando que seu vizinho e colega de infortúnio 2014
foi bem pior para os humanos de um certo país da América Latina,
por conta de um placar dilatado em um jogo de semifinal de uma
determinada Copa do Mundo, que prefere não citar nominalmente o país
para não dar azar – no que imediatamente bateu três vezes com os
nós dos dedos no chão de taco de madeira desta delegacia. Difícil
mesmo foi o elemento 2015 se reerguer do chão, no que simbolicamente
ficou caracterizado seu envolvimento inequívoco com os fatos. E
dando continuidade ao depoimento, digo QUE o referido elemento 2015,
conhecido também por seu vulgo em numeração romana MMXV, alegou
ser um “ano comum” deste século XXI de acordo com o calendário
gregoriano; QUE o supracitado garante ter iniciado seu momento mais
glorioso no primeiro segundo de uma quinta-feira qualquer, quase
estúpida, banal mesmo, destas que não têm nada de mais nem de
menos, justificando o fato por não ter outras intercorrências a não
ser um foguetório histérico perpetrado por elementos alcoolizados
em movimentos erráticos e descontrolados; QUE o elemento 2015 não
suporta foguetórios e preferia estar assando em um templo budista
escondido em um país da Ásia, nas suas palavras “longe mesmo de
tudo aquilo”; QUE não tem qualquer relação com o fato chamado
“segundo intercalar”, ou “segundo bissexto”, em que recebeu
como bonificação das autoridades do tempo do planeta o acréscimo
de 01 segundo aos seus 365 dias, exatamente no dia 30 de junho do
presente ano, às 23h59 como forma de compensar uma deficiência de
nascimento; QUE não acredita ter sido esse o motivo de “todo o
peso que carrega”, como se referiu aos fatos que o acusam; QUE o
elemento 2015 também quis ressaltar não possuir qualquer relação
com o fato do elemento Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado
pelo evento chamado “mensalão”, ter virado pintor na cadeia em
que está confinado, nem que, como ano vigente, seria responsável
pelos quadros que o referido Valério tem pintado; QUE o elemento,
quando perguntado se tinha qualquer relação ou influência na
“passagem” de elementos como Antônio Abujamra, Inezita Barroso,
B.B.King, Içami Tiba, Manoel de Oliveira, Leonard Nimoy, Fernando
Brant e tantos outros, disse que preferia ser lembrado daqui a alguns
anos pelo nascimento de novos gênios e maravilhosas criaturas; QUE,
quando perguntado por esta autoridade policial como sabia que neste
ano nasceriam humanos da melhor qualidade, o dito 2015 ou “ano
corrente” disse que tudo na vida é incerto, começando pelo
nascimento; QUE, apesar de garantir que estar em completo equilíbrio
e controle de suas faculdades mentais, começou a demonstrar mudanças
de comportamento abruptas, espumando e girando seus números como se
participasse de um bingo de igreja; QUE, como não foi constatado
inteiramente o fim do decurso de tempo deste 31 de dezembro de 2015,
faltando poucos minutos pra seu encerramento, eu, autoridade
policial, pedi licença aos presentes para ir à toalete, devido ao
inchaço da minha bexiga por conta do excesso de armazenamento de
urina na mesma; QUE, ao retornar do referido evento, constatei o
desaparecimento do elemento 2015 do recinto, possivelmente tendo se
evadido do local em auto desconhecido e destino incerto e não
sabido. Nada mais foi dito nem lhe foi perguntado, encerro a oitiva
desta Lavratura de Ocorrência Policial e para, finalmente,
recebermos o próximo a ser ouvido, já aguardando no recinto, o
elemento 2016, conhecido pelo vulgo “a esperança é a última que
morre”.
(*) João
Wady Cury é jornalista, escritor e autor da biografia não
autorizada de Nizan Guanaes.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
SOBRE FAMÍLIA, AMIGOS E AVIÕES - Jornalismo WANDO (*)
“A
culpa não é minha. Eu votei no Aécio”.
A
frase estampava a camiseta de Ronaldo Fenômeno em um desse
carnaprotestos que animaram o terceiro turno instalado no país. A
ideia refere-se aos escândalos do governo Dilma e à crença de que
tudo seria diferente com a eleição do netinho de Tancredo – o
político diferenciado, detentor de honestidade franciscana, o
idealista que encarna a ética como poucos, enfim, quase um Mujica
mineiro.
A
culpa pela corrupção, portanto, é dos que ousaram não votar nesse
bibelô de retidão moral. Eleitores do PT seriam corresponsáveis
pela corrupção no país, enquanto os iluminados aecistas estariam
automaticamente absolvidos. Um conceito maravilhoso de democracia.
No
ano eleitoral, a antes inabalável ética do senador passou a ser
questionada. Detratores andaram dizendo que ela invariavelmente
escorrega quando se trata de amigos, família e tráfego (eu disse
tráfego) aéreo. Tremenda injustiça. O aeroporto público de
Cláudio (MG), por exemplo, foi construído pelo governador mineiro
dentro da fazenda do seu tio, o seu Múcio, que, por sua vez, deixava
as chaves com seus sobrinhos. É a meriTIOcracia. É a tradicional
família brasileira tomando conta do patrimônio do Estado,
demonstrando seu apreço pela coisa pública. Um case de sucesso de
Parceria Público-Privada.
Recentemente,
novas turbulências surgiram no céu de brigadeiro da ética aecista.
E são inúmeros problemas com as vias aéreas. Enquanto governador,
Aécio usou aeronaves oficiais 1.430 vezes, muitas para fins
particulares. Só no aeroporto do Tio Múcio foram mais de cem pousos
e decolagens. Em pelo menos 198 viagens, Aécio nem estava presente.
Quietim, com discrição mineira, ofereceu caronas para parentes,
empresários e parças de balada. Êta avião bão, sô !!!
Conheça
alguns brothers que viajaram nas aeronaves semiprivatizadas: Ricardo
Teixeira (CBF), Ray Whelan (FIFA), Roberto Civita (VEJA), Luciano
Huch (Globo), Alexandre Accioly (padrinho de casamento de Aécio e
parceiro das nights), Boni (ex-Globo). Além dessa gente boa, o povo
mineiro também pagou viagens de Sandy e Júnior, Milton Gonçalves,
Ze Wilker, FHC, Roberto Irineu Marinho e a ex-mulher de Aécio. Mas
eles não têm culpa. Eles só voaram com Aécio.
Num
vídeo em que convoca os brasileiros pra uma micareta antipetista,
Aécio adaptou uma frase de Castro Alves e bradou emocionado: “A
rua é do povo, como o céu é do avião”. Mas a adaptação
poderia ter sido mais completa e fidedigna à realidade: “O céu é
do avião, o avião é meu, o aeroporto é do meu tio, assim como o
dinheiro é do povo”.
Como
se vê, a ética do tucano pode ser contada a partir desse recorte
que abrilhanta sua biografia de bom moço: família, amigos e aviões.
Não falemos de helicópteros.
(*)
É um perfil de humor criado na web pelo cientista social e
jornalista João Filho (artigo publicado na Revista Carta Capital).
A PALAVRA DO NOBEL DE ECONOMIA
Na Folha de hoje, em entrevista em que diz que a situação da ECONOMIA GLOBAL patina num ” crescimento baixo, pressões deflacionárias e desempenho decepcionante”, o economista Paul Krugman, Prêmio Nobel de 2008, diz que o Brasil, apesar da “bagunça política”, tem fundamentos econômicos que não estão “nem perto” das condições em que estiveram em outras crises vividas pelo país.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
VOLTARÁ ou VOARÁ ??? - José Nílton Mariano Saraiva
Tida
no meio “judiciário prisional” como um revolucionário
instrumento no combate à criminalidade, porquanto capaz de permitir
o monitoramento diuturno daquele marginal liberado da prisão
propriamente dita (o cárcere), para cumprir “prisão domiciliar”
(em casa), a tal da “tornozeleira eletrônica” já provou que não
passa de um colossal embuste (e, por extensão, desmoralizante da
prisão domiciliar).
Incrustada
no tornozelo daqueles bandidos de maior “prestígio” (grana) e/ou
dos que apresentam “bom comportamento” (estratégia enganadora,
mas às vezes eficaz), teoricamente a tal “tornozeleira eletrônica”
seria capaz de fazer com que o não cumprimento do castigo por parte
do bandido (ficar dentro de casa durante todo o dia) de pronto o
trouxesse de volta à prisão, porquanto facilmente localizável na
transgressão do que fora pactuado.
Como,
no entanto, na nossa estrutura prisional a área de “recursos
humanos” é por demais pobre e deficitária, faltam agentes para
acompanhar o “monitoramento eletrônico” ou mesmo para se fazer
presente (por falta de recursos materiais) numa possível detecção
de fuga por parte dos “privilegiados usuários” da tal
tornozeleira. Como consequência, a imprensa já flagrou (e filmou),
bandidos de “prestígio” (grana) que dela fazem uso, “melando o
bico” (enchendo a cara) em plena orla da badalada praia de Ipanema,
sem serem importunados; também, já tivemos bandidos que foram
liberados por “bom comportamento” (usando a respectiva), sendo
presos em flagrante na prática de assalto e retornando ao “lar
doce lar”. Na Internet, então, já há “didáticas lições”
(um autentico e pormenorizado manual) de como se livrar da malfadada
(e inútil) tornozeleira.
Tal
reflexão é só pra lembrar que, depois de ter feito a tal “delação
premiada”, onde incriminou meio mundo e mais a outra banda, o tal
Nestor Cerveró (vulgo “farol baixo”, para os íntimos) acaba de
ser liberado para passar o Natal e Final de Ano em casa, no aconchego
do lar, junto aos familiares. Evidentemente que usando a
“tornozeleira eletrônica” (serão cerca de 10 dias de “folga”,
antes do possível retorno à prisão).
Mas,
aqui pra nós, uma dúvida atroz (e que ninguém nos interprete
erroneamente): com vultosos e comprovados depósitos em bancos do
exterior (oriundos da propina na Petrobras), com a família e uma
legião de amigos dispostos a protegê-lo (por cima de pau e pedra),
e já condenado em um dos processos (e com perspectiva de condenação
em outros), será que a “tornozeleira eletrônica” se constituirá
intransponível obstáculo para, ao invés de “VOLTAR” (à
prisão) Nestor Cerveró preferirá “VOAR” (para a liberdade,
mesmo que bandida) ??? Afinal, o próprio advogado de Cerveró,
atualmente preso pela Operação Lava Jato, já declinou para um dos
seus filhos (que gravou a conversa), que “cansou” de ilegalmente
transportar bandidos, via terrestre, para o Paraguai, de onde se
mandaram rumo à Europa. Ou restará ao “farol baixo” uma nesga
de dignidade e honestidade, para pagar pelos malfeitos aqui
praticados ???
E então, Nestor
Cerveró VOLTARÁ ou VOARÁ, essa é a pergunta que todos se fazem.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Parabéns aos aniversariantes José Flávio Vieira( dia 20.12) e José do Vale P.Feitosa(21.12).
Agradecemos o alimento intelectual, que recebemos de vcs, ao longo dos dias.Admiro-os como comunicadores, e abraço vocês como amiga.
domingo, 20 de dezembro de 2015
OS VENDEDORES DE
GARRAFADAS DO GLOBO.
O Jornal O GLOBO, da família Marinho,
faz um editorial sobre o petróleo brasileiro e afirma que toda a pose
nacionalista dos brasileiros sobre esta fonte de energia não é nada. Que melhor
seria ter vendido tudo antes do preço cair. Ter embolsado alguns bilhões e
esquecido o problema para as imbecis do petróleo por terem doado a “dinheiramente”
toda ao povo brasileiro e ao final tomarem redondo prejuízo.
Além do mais, alega o editorial: “Há, ainda, o
sinal de alerta da COP-21 de que a era dos combustíveis fósseis pode ter
entrado na reta final. O Brasil, país cuja população envelhece sem que tenha
ficado rica, pode ter chegado ao pré-sal tarde demais, até por preconceitos
ideológicos. Perda histórica dupla.”
O editorial é como
aquele vendedor de garrafadas na feira nordestina, que traziam cobras dentro do
vidro, peixes do Amazonas e outras bizarrices para a abrir o bolso do
comprador. Não vendiam o que mostravam, vendiam panaceias para quem tinha todos
os problemas do mundo.
A técnica central
destes vendedores é a enganação. O malandro gritando para todo mundo ouvir: “Não se chegou à autossuficiência, apesar de toda a propaganda
político-eleitoral em torno do tema...” Parei a frase por aqui porque a técnica
editorial é emendar uma frase como se tivesse apresentando toda a verdade, quando
o início da frase é o que ficará na cabeça do leitor. Em qual proporção não se
chegou à autossuficiência?
O déficit ente exportação e importação de Petróleo foi de 4% em
2014. A produção de petróleo cresce 51% a mais do que o consumo, portanto,
agora no final de 2015 já devemos nos encontrar superavitário. Argumento de
enganador.
Daí em diante o editorial usa o Petróleo apenas para combate
ideológico do nacionalismo brasileiro histórico, desde o estabelecimento do
monopólio nacional do petróleo e de outras autonomias. O editorial comemora os baixos preços do
petróleo.
Não porque o preço baixo do petróleo seja bom para todo mundo,
mas porque a euforia do “bilhete premiado” com o pré-sal não corresponde à realidade
e os brasileiros ficaram pobres antes de serem ricos. E seguindo os vendedores
de feira perdemos o caminho para o futuro porque não vendemos logo tudo antes dos
EUA virarem campeões em extração de Petróleo de xisto e a China diminuir o
consumo. Resultado: os preços do Petróleo despencaram.
E aí a garrafada que querem vender não é petróleo é essa aqui: “Confirma-se
que foi erro crasso do lulopetismo, movido a ideologia, suspender por cinco
anos os leilões, a fim de instituir o modelo de partilha no pré-sal, com alta
intervenção do Estado. Assim, o Brasil
perdeu importante janela para atrair bilhões de dólares.”
Enfim o produto amargo para você se curar da sua eterna pobreza.
Venda tudo que puder, entregue tudo que tem, junte dólares, porque esta moeda é
dos compradores também e depois empreste para eles que sua paz tumular será
eterna. Eis o que dizem: não acreditem em você (ideologia), não acredite nos
seus líderes (lulopetismo), descarte seu Estado Nacional (estatismo), venda
tudo à petroleiras (que pagam os comerciais).
Bom como não é mesmo sobre petróleo, compreenda que os “corretores”
da venda do petróleo brasileiro e da Petrobrás por brinde, estão insatisfeitos
com a queda dos preços. Assim como um dono de imóvel brasileiro que se achava
dono de um imenso patrimônio e hoje não acha nem a metade para vender.
E sobre a produção de petróleo de xisto e suas contradições ambientais
e alto custo eles não falam nada. E sobre a COP-21 eles não falam de outras
coisas: a matriz do transporte público que implica num setor que fez a glória
das grandes economias, os carros individuais. Enfim enganação de vendedor de
garrafada.
APESAR DE VOCÊ AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA.
Poucos tomaram conhecimento. Quando Castelo Branco tornou-se Presidente, foi simpático ao governo Americano que estava junto ao golpe, mas não levou a unanimidade das Forças Armadas, especialmente do Exército.
A rigor ele sofreu uma deposição branca, na falta de um conceito melhor. Costa e Silva, comandante do Exército juntou todo o descontentamento com Castelo, desde militares cassados até Chateaubriand, passando por vários comandantes de regiões militares.
Castelo apenas cumpriu a tabela do fim de mandato. Não mandava mais nada. O Costa e Silva assumiu, governou junto com o levante mundial da juventude. Foi uma explosão de manifestações nas ruas, ao lado de intensa repressão.
Costa e Silva sofreu um acidente vascular cerebral, morreu e uma junta Militar assumiu o governo. Isso com o AI5 e uma série de decretos para controlar as ruas, especialmente estudantes. A repressão teve um crescimento enorme.
Os grupos secretos das Forças Armadas e até mesmo oficiais de alta patente ficaram soltos para explorar seus ódios e desafetos. Não havia governo. Cada arma prendia e arrebentava como queria. Destacou-se com uma sanha enlouquecida o brigadeiro Bournier, que planejava fazer o que se fez na Argentina em larga escala: jogar de aviões no alto mar o que ele classificava como inimigo.
Fato curioso. Um grande amigo, militar, político, conservador, mas um nacionalista, cassado e sem direitos políticos. Era da Aeronáutica. Bournier mandou buscá-lo. Por sorte ele não estava em casa, os soldados seguiram o filho mais velho e assim ele soube da perseguição. Foi para o Comando Militar do Exército e se entregou. Lá sua vida foi salva, pois o Bournier fazia aquilo por conta própria, na desagregação do Governo durante a Junta Militar.
Garastazu Médici foi nomeado Presidente com a divisão do poder entre o grupo ligado ao Castelo e o grupo do Costa. A rigor ele não mandava em nada, apenas distribuía os assuntos segundo o acordo entre os dois grupos.
Nesta época a repressão, a tortura e morte, a censura e a perseguição a qualquer cidadão, sob suspeita, de qualquer membro do grande esquema de repressão. Se fosse um desafeto a questão pessoal logo evoluía para uma questão de Segurança Nacional.
E assim Chico Buarque fez uma música chamada "Apesar de Você" que passou pela censura como se fosse uma questão entre duas pessoas. Uma mulher como era comum nos sambas. A música foi gravada e divulgada.
Foi na exibição pública que a censura percebeu o real sentido da música e ele chamava-se Emílio Garastazu Médici. A cantora Leila Silva gravou a canção em 1971 e seus discos, também, foram recolhidos.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
MARINGÁ
E por estes dias. Andei lendo
sobre a dinastia política da família Barros de Maringá. Sucessão há três
gerações dos poderes públicos que emanam do povo e em nome dele deveria ser
exercido.
E lembrei-me de Maria do Ingá,
aquela retirante das perdidas vidas dos sertões nordestinos. Aquela retirante
que mais dava o que falar e em levas pelos caminhos distantes, na solidão de
todas as perdas, o esmagamento do peso do destino dos desamparados, sem
solidariedade, desprezados como um bago de laranja chupado na beira da estrada.
Como aqueles ombros caídos, a
cabeça baixa, o rosto carregado do amargo adeus entrando em ônibus empoeirados,
com o assento impregnado de antigos suores. E pelos solavancos da estrada
seguiam dias sem fim, pouco para comer, horas na piçarra da estrada deserta
enquanto a mecânica da condução se consertava.
Longas estiradas pelos lugares
postados na paisagem imensa e deserta. Assim como a navegação sem fim doutras
vagas de gente em busca da sobrevivência, no contra fluxo do Amazonas, tomando
afluentes do Juruá e debulhados nas margens desertas e vizinhas das
seringueiras.
Maria do Ingá, como todos aqueles
que subiram nos ônibus da Varzealegrense em destino das terras roxas do Paraná.
Derrubar as florestas. Plantar café. Tornarem-se adereços nos criadouros de
dinastias.
Esta sequência de pai para filho,
sem consciência alguma dos braços suados, respirando o ar como se a vida fosse
uma dádiva divina. Como se tudo já estivesse escrito e tudo que lhes sucede é
mero merecimento da ordem maior.
Do retrato severo do patriarca
até a caçula da dinastia, há uma arrogância sobre o destino dos demais. Uma arrogância
que nunca ensinou ninguém a pescar. Ao contrário sonegou-lhes o peixe da fé e
da existência, deu-lhe uma única vara de açoite, plantar e colher café.
E Maringá, esta terra de
dinastias, sabe que tudo veio de uma canção de Joubert de Carvalho e Olegário
Mariano. Maria do Ingá se encontra em teu nome enquanto postas vitupérios
contra os que lá ficaram. Os que continuam no Nordeste.
Continuam sabendo daqueles
apartamentos luxuosos da Aldeota que batem panelas contra o prato de comida dos
pobres. Que, de tão culpados, possuem um exército de pistoleiros a proteger os
filhos dos assaltantes que infestam toda a cidade.
Uma reflexão chata de saudade- socorro moreira
A cidade do Crato não contém o Crato antigo, salvo em poucos aspectos físicos: a casa das Arraes, a Escola Técnica de Comércio, a cor da igreja, que era de S.Vicente, o prédio que foi o Bco Cacheiral, a Igreja da Sé, o Palácio do Bispo, o Colégio Sta Tereza, a quadra Bi-centenária, o prédio da Rádio Educadora, o Crato Tênis Clube...Alguns escombros, e pronto? Nem tanto...
Eu respiro uma cidade do passado.Não é tão somente saudosismo,mas a falta que ela me faz.Ela e as pessoas que partiram ou morreram, que um dia a personalizaram ,e se eternizaram, na minha visão sempre verde.
Nas festas de dezembro estes sentimentos são mais fortes.Busco a noite feliz, nas luzes natalinas, e o encantamento humano, em cada sorriso que encontro.A felicidade não escapou no tempo...A felicidade escapou pra dentro da gente.De boba, ainda a seguro, e dela nunca me canso.
A realidade é que estamos na terceira idade, com vontade de adotar mágicas, que nos mantenham vitais,em todos os sentidos.
Falta em mim um pouco de tudo.Sobra em mim uma memória de elefante que as vezes chora, e lembra do hilariante ou poético, dos riscos que se tornaram dramas, e dos dramas que se tornaram risos.
De cabelos brancos, sem terço entre os dedos, poderia até acompanhar uma procissão de velas acesas, mas as pernas me trairiam...Ou não?
Tenho um amigo próximo, justo da minha geração.Imaginei-me vendo e mostrando-lhe um Crato novo com muita admiração.Mas não.Nossos olhos entristecidos, corações minados, se intimidam, se recolhem, e esperam, só com colírio, limpar a vista , enxergar o tudo mudado, sem a dor do passado, e receber do presente boas manifestações.
Juro que não queria voltar, em 2000.Voltei perambulando pelas ruas, buscando resíduos , que o tempo apagou.E fui me acostumando a viver estoicamente, contando com o amor.
De repente, queria que todos voltassem, pelo menos, numa simples informação.
Aí criaram esse tal FB, que vem cumprindo a missão.
Faltam 7 dias pra noite de Natal.Vamos catar alegrias.Elas estão escondidas dentro da gente.Que encontremos na paz, tudo que julgamos perdido, e ainda vive!
Eles se foram, mas a gente continua aqui.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2015
VINÍCIUS: O ANARQUISTA.
Anarquista medular. Não precisa
nem raciocinar. Ele é. E muito superior a este pessoal do curvar-se ao poder do
Mercado. O Deus Mercado, provedor de sonhos, vitórias e escárnio aos
perdedores.
Vinícius nasceu numa ilha, mas
desenvolveu-se no continente. Especialmente entre a Cidade e Ipanema. Os bares
nunca tiveram tempo de senti-lo ausente. Sem saudades. Numa esquina, na metade
do quarteirão e um grande desejo de fundir-se ao Rio enquanto a eternidade
durasse.
Jovem. Ousado. Andou nas areias
das praias, na aspereza das pedras, embora úmidas do mar, nos tapetes macios e ajoelhou-se
em êxtase com os olhos fervendo de desejo ao corpo delas. Amou. Principalmente
tinha a maldição do amor eterno.
E fez-se em roda de música. Com o
fluir das palavras em sonoridade, das revelações profundas do ser, da explosão
emotiva das contemplações, da denúncia ferina das traições e dos éditos
ditatoriais. Tornou-se o símbolo de uma época. Uma trilha para se transitar.
Mas Vinícius sumiu de cena.
Ninguém mais o viu. No centro, em Ipanema, nalgum restaurante de Copacabana, em
qualquer bar do Leblon. Nas tocas edificadas da civilização a ausência
permanente. Tornou-se lenda dos desaparecidos. Quem sabe na “Curva do Calombo”
na Lagoa.
E por acaso tive acesso ao
sumidouro do Vinícius. Depois da Fonte da Saudade, na subida da Sacopã.
Apartamento de fundos. Virado para a mata. Úmido e penumbroso. Pela janela a
sabiá canta na mata e os macacos pulam de galho em galho e chegam às janelas
por um pedaço de vida qualquer.
- Caramba! Que sumiço!
- Não existe eclipse algum. É a
vida. Vivo a felicidade de ter envelhecido. A liberdade do meu corpo seguir os
estímulos constantes do mundo. Sem regras. Controles. Clareamentos. Defesas.
Atento ao discurso de Vinícius.
- A velhice é uma adolescência
radical. Infinitamente mais radical. Todos os órgãos começam a funcionar na própria
regra. Ninguém obedece mais à ditadura da totalidade. Partes abandonam o corpo
por vontade própria, dentes, cabelos, a tesão, o fluxo da urina, o ritmo
digestivo. As regulações perdem os roteiros, ritmos, regularidades,
compensações e toda esta lei de mercado e vivem uma anárquica e bela arritmia,
elevam-se os níveis tensionais, afrontam-se os órgãos reguladores. E a beleza de
todas as belezas, as células deixam a escravidão fisiológica e se multiplicam
em outras formas, em funções fora da regra, invadem o lugar daquelas ainda
escravizadas. Há uma linda e incomensurável afrontamento deste corpo burguês. O
refúgio dos covardes.
Os olhos acesos à beleza da
anarquia em estado puro.
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