por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

METEOROLOGIA



MAIS ATUAL QUE NUNCA



Dilma Resistente
Acabe com o podre da imprensa brasileira e inevitavelmente o chão do PSDB se abre. Os tucanos só se sustentam pela blindagem da mídia que ao mesmo tempo bombardeia o PT, pelo mesmo motivo: defender seus intere$$e$

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

DANÇANDO O BAIÃO - Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro (*)

Se não fosse uma mulher, o frio e a solidão do sul teriam destruído a minha crença no futuro e eu estaria no Nordeste, abandonando a pós-graduação. Eva, embora tão diferente de mim, para o bem ou para o mal, foi uma paixão avassaladora, o fato irresistível contra o qual homem nenhum poderia lutar.

O meu sogro ficou viúvo logo após o nascimento de Eva. Júlia Strauss, uma das tias paternas, alguns anos mais velha do que Eva, administrava a casa. Ele, Mr. Hermann, gostava de ser chamado assim, pois tinha orgulho de sua origem europeia e disfarçava a amargura da viuvez, refugiando-se no trabalho. Em São Leopoldo, praticamente mudara-se para a “Oficina Baviera” e tinha certeza de que a colonização portuguesa e a formação mestiça brasileira eram a causa irreversível do nosso atraso.

Um dia, ele se irritou quando lhe falei que enxergava exatamente o contrário. Na verdade, reverencio o gênio lusitano e os nossos antepassados, por um país tão grande, unido pelo idioma único e pela mistura de raças. Portanto, nada mais estranho do que eu naquela família, a contragosto vencida pela nossa determinação, pois meses depois eu e Eva estaríamos casados.

O velho se transformou quando Mathilde nasceu e ficou extremamente feliz ao batizarmos a sua primeira neta com o nome da avó. A mãe, as tias, os primos eram toda a atenção para a criança, mas o tempo passava e eu me sentia cada vez mais só.

Eva perdera o interesse pela profissão e Júlia Strauss, surpreendendo a todos, ingressou no curso de Ciências Sociais. Embora discreta, exibia, progressivamente, visível transformação. Não era mais a solteirona gordinha, voltada exclusivamente às questões domésticas, à sobrinha e ao bem estar do irmão. O terninho escuro, os cabelos presos e os óculos de aros grossos, deram-lhe um ar de professora, parecia uma intelectual. Em alguns fins-de-semana, ela vinha a Porto Alegre e ficava conosco, tinha cursos de imersão.

Eu seguia a minha vida com Eva, Mathilde e os estudos do doutorado. Às vezes, ainda mais só quando elas iam para São Leopoldo e eu não podia viajar. Num desses dias, Júlia veio para uma aula e noite de sábado, quando eu já ia me recolher, saiu bruscamente do quarto de hóspedes e invadiu a sala. Cabelo solto, olhos azuis, ela parou em frente a mim e atirou o roupão.

Completamente nua, eu fiquei maravilhado. Como não acreditar no Brasil se estavam ali os peitos duros, a bunda firme e a boceta envenenada? Nos intervalos, ela ria descontroladamente – como ela ria! - e cantarolava baixinho, conhecia Luiz Gonzaga e João do Vale, a música nordestina seria o tema da sua dissertação.

Mr. Hermann nos cobrou outro neto e Eva, encantada com a maternidade, só pensava no enxoval. Já não me sentia tão intruso e reconhecia o esforço da família para que eu e Júlia terminássemos o trabalho. Eva e Mathilde freqüentemente passavam os fins-de-semana com o avô, enquanto Júlia vinha a Porto Alegre levantar o material de pesquisa.

Decidi-me por um biocombustível e Júlia voltou-se sobre a autenticidade dos afetos no inconsciente nordestino traduzido na música popular. Necessitávamos um tempo de recolhimento para a redação final e um amigo de Mr. Hermann nos emprestou um chalé em Gramado. Assim, num último “tour de force, ficamos completamente isolados.

Na volta, nosso progresso e a defesa próxima das teses, foram comemorados com um churrasco. Quando Eva anunciou a gravidez, todos brindaram o novo neto. Mr. Hermann, alegre como nunca, convencera-se de que o sertanejo era, antes de tudo, um forte e fez questão de apresentar a nova cozinheira, Nilzete. Ao final, riso malicioso, a baiana me contou que mais uma Strauss estava interessada no Nordeste e sonhava aprender comigo como se dança o baião.


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(*) Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro é médico-cardiologista, natural de Missao Velha e atualmente morando e exercendo o ofício em Fortaleza

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O "FOTÓGRAFO" - José Nílton Mariano Saraiva

Ciro Sabóia Gomes, o problemático filho de Ciro Ferreira Gomes e Patrícia Sabóia, continua aprontando. Recorrentemente envolto em confusões (mormente aos finais de semana), dessa vez o bafafá se deu na comunidade conhecida como Baixa Pau, no Poço da Draga, favela localizada de frente pro mar, ao final da Praça de Iracema, aqui em Fortaleza. Foi atingido por um tiro de revólver, sem maiores consequências.

Diligentes, e antes que a mídia tupiniquim tomasse conhecimento, vapt-vupt os zelosos e cuidadosos pais trataram de emitir um comunicado conjunto à sociedade, dando sua “versão particular” sobre o caso, vazado nos seguintes termos:

"Em atenção à opinião pública, informo que um dos meus filhos sofreu tentativa de assalto próximo à Praia de Iracema, em Fortaleza, por volta das 21h deste sábado. Ele foi ferido com um tiro mas, graças a Deus, sem maior gravidade e não corre risco de morte. Nossa família agradece a todas as manifestações de solidariedade que estamos recebendo".

Como esqueceram de explicar o que fazia nas proximidades de uma favela perigosíssima, em plena noite de sábado, um jovem que tem acesso aos mais sofisticados “points” da vida social da cidade, a tendência é que algum morador da comunidade finde “pagando o pato” e a verdade jamais será esclarecida, daí o comunicado à opinião pública perder substância (faltou a parte mais relevante).

No entanto, pra “refrescar a memória” dos que sofrem de “amnésia” ou já ingressaram nas agruras provocadas pelo “alzheimer”, é bom atentar para a notícia divulgada por um segmento da mídia da capital cearense, três anos atrás, a saber (ipsis litteris):

(abre aspas) 24/11/2012 15h12 - Atualizado em 24/11/2012 20h47

Filho de ex-ministro Ciro Gomes é detido por porte de droga no Ceará. Droga foi achada no carro de Ciro Saboya após acidente de transito. Segundo a AMC, Ciro avançou o sinal vermelho e colidiu com outro carro.

O filho do ex-ministro Ciro Gomes, Ciro Sabóia Gomes, de 27 anos, foi detido na manhã deste sábado (24) por porte de droga, após se envolver em acidente de trânsito que deixou uma pessoa ferida. Segundo a polícia, após o acidente foi descoberta uma pequena quantidade de maconha no veículo de Ciro Saboya Ferreira Gomes. O G1 tentou entrar em contato com o advogado de Ciro Saboya, mas não obteve retorno. O motorista não quis falar com a imprensa.

O acidente, de acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC), ocorreu por volta de 6h15, no cruzamento entre as Ruas Costa Barros e Idelfonso Albano. Segundo testemunhas relataram aos agentes da AMC no local, o carro Honda Fit conduzido por Ciro Saboya avançou o sinal e colidiu com o Volkswagen Fox. Segundo agente da AMC, Leonardo Duarte, ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.
O filho do ex-ministro foi conduzido para o 2º Distrito Policial, onde prestou depoimento. Cirinho, como é conhecido o filho mais velho de Ciro Gomes, foi levado para realização de exames em um carro do Instituto Médico Legal e depois retornou para a delegacia para continuar o depoimento, sendo liberado em seguida. De acordo com a Polícia Civil, ele foi liberado por ter cometido crime de menor potencial ofensivo.
Duas pessoas estavam no outro carro envolvido na colisão, uma teve ferimentos leves e passa bem. Ainda de acordo com agentes de trânsito, a documentação do veículo de Ciro Saboya estava atrasada e o veículo foi retido. (fecha aspas).

Convém lembrar, a propósito, que naquela oportunidade e por influência do tio-governador (Cid Gomes) o distinto sequer foi autuado e a imprensa fez um silêncio sepulcral sobre a ocorrência (apesar de dirigir bêbado, recusar-se a fazer o teste do bafômetro, circular com a documentação do veículo atrasada, ter sido encontrada maconha no carro e ter causado ferimento em pessoas outras, o crime foi considerado pelas autoridades... “de menor potencial ofensivo”, daí ter sido liberado).

Alfim, antes que alguém questione sobre, segundo consta a profissão do referido senhor é “fotógrafo” (portanto, se você possui ou mesmo conhece alguma fotografia do dito-cujo, considere-se um privilegiado).  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Nasci numa família formada por  pai, mãe e avós paternos.os tios, filhos de Donana:  Auri e Ivone, já haviam concebido alguns dos seu rebentos.Era uma casa feliz,principalmete,musical.Todos eram amantes de música, e meus ouvidos capatavam um pouco de tudo, ou quase tudo.O filho mais velho de tia Auri,Francisco, bem menino, já  tinha ganho seu primeiro acordeon, e executava bem  música instrumental, alem de boleros e tangos.O Natal, S,joão era sempre uma festa especial.Acontecia na casa da Pedra Lavrada com quitutes, bandeirolas, bolas de gude, e presentes  que deixavam na lona as economias dos nossos pais.Juntavam-se a esse grupo a família de Tia Ivone e tio Joãozinho com seus sete filhos.A meninada nas calçadas brincando de roda, e todas as diabruras que enfeitavam os anos  50.Quando o cansaço chegava, sentávamos no batente da casa para ouvir histórias contadas pelos meus avós, enquanto eles tomavam um cafezinho.Nesta turma não faltava, por vezes, a presença de Ana Maria, única filha  do tio José, falecido precocemente.
Assim fomos criados na primeira infância e adolescência.Tînhamos muitos tios e primos, de segundo grau, que não faziam diferença, entre os legítimos( mas isso é história para um outro dia.Como os netos de tia Fausta,Pigusta,Fantina...enfim!)
Nas férias escolares,  meninas de combinação, viajavam para Mauriti, sob a custódia de vovó Donana.Tia Auri nos recebia  de uma forma amorosa demais.Doces no tacho, zelo, e observãncia  total, quando começamos a namorar .Minha tia  fazia os pudins para a merenda da moçada.Comprava todos os LPS que Socorro queria.Desta  discoteca, fazíamos as nossas tertúlias. O horário era limitado, mas suficiente pra gente deslizar no mosaico da sala.Tempos inesquecíveis. patamar da Igreja com riscado de giz ou carvão, banho no balneário dos Dantas, alfinim num engenho  quase no centro da cidade.
Depois que crescemos, casamos, houve uma dispersão geral, mas o contato com nossas tias nunca deixou de existir.
O acontecido nesta data, acordou um carinho adormecido, plantado e regado pela família Moreira.
É porisso que a saudade é maior...Saudade do passado, do presente, e saudade dos rostos que já não veremos.
Deus  nos privilegiou ,nascidos  de um tronco fortalecido de amor; Donana e Alfredo Moreira Maia.
Se haverá reencontro é tudo que desejamos, e entregamos a Deus que nos propicie essa alegria...No plano espiritual, a beleza e a felicidade  são contínuas.
Esperemos!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

É "ESGOTO" ou "VALA" ??? - José Nilton Mariano Saraiva

A imagem mostrada pela TV é emblemática, causa arrepios e é merecedora de cuidados da parte do poder público (prioritariamente) e/ou dos proprietários (em particular): no interior do Hospital São Raimundo (no Crato) no piso em frente a UTI, uma “tampa de esgoto” de mediano tamanho vazou quando de uma chuva de razoável proporção na cidade, inundando a área e trazendo a reboque fezes e outros indesejáveis dejetos (é vero, senhores, por mais absurdo que pareça)

Aparentemente, a impressão que fica é que o prédio onde foi erguido o referido hospital foi construído sobre uma espécie de “vala” (um “esgoto” de maiores proporções) que poderia, com o tempo, ceder e levar de roldão tudo o que por cima esteja (inclusive pessoas). 

Particularmente, em razão de termos morado por perto, lembramos que existia, sim, uma “vala” naquelas imediações, que desaguava mais à frente no canal do Rio Grangeiro. 

Urge, pois, antes que uma tragédia indesejável aconteça (afinal, a chuva causadora não foi tão grande assim), que se faça uma inspeção rigorosa da área, a fim de se saber se sob o prédio que abriga o Hospital São Raimundo corre um simplório e inofensivo “esgoto” ou uma potencial e perigosa “vala” capaz de causar estragos bem maiores (lembrem da tragédia da Rua da Vala, anos e anos atrás, quando o piso cedeu e levou uma jovem que por lá circulava).

sábado, 9 de janeiro de 2016

INGRATIDÃO -= José Nílton Mariano Saraiva

Por uma questão de coerência não votamos no conterrâneo Camilo Santana na última eleição para Governador do Estado, da qual sagrou-se vencedor. É que, como já externamos aqui em mais de uma oportunidade, nunca sufragamos e jamais o faremos, os Ferreira Gomes e os Jereissati da vida, aí inclusos os seus coniventes e convenientes “marionetes-afilhados-políticos”. Questão de convicção. Inabalável e indestrutível.

No entanto, com a sua vitória, como cratense fervorosamente torcemos muito para que finalmente a nossa cidade merecesse um pouco de atenção da sua parte e deslanchasse de vez, principalmente em razão de ter-lhe dado uma votação estupenda, pra lá de superlativa (foram quase 90% dos votos válidos).

É que o Crato, de uns 40 anos até aqui (desde o tempo do competente e austero prefeito Pedro Felício Cavalcante), desapareceu do mapa político do Estado, abandonado que foi por sua própria população, ao optar por pessoas sem a qualificação devida para a Prefeitura, Câmara Municipal e Assembleia Legislativa Estadual e que, em lá chegando, trataram apenas e tão somente em “se fazer”, legislando em causa própria.

Assim, Camilo Santana, se realmente tivesse alguma consideração pelo Crato e em respeito a espetacular votação obtida na cidade, bem que poderia tentar mudar o curso da história, lutar contra o “status quo” vigente, que privilegia há muito uma única urbe ao sul do Ceará (Juazeiro do Norte), carreando alguma obra de vulto para a terra natal, já que o “dono da caneta” (e, quer queiram ou não, a junção da “caneta” com a “decisão política” resulta em um poder extraordinário, também conhecido por “componente político”).

Lamentavelmente, entretanto, o que se observa no dia a dia, desde a sua assunção na chefia do executivo cearense, é que o cratense Camilo Santana não está nem aí para a sua terra-berço, porquanto as grandes obras do Estado continuam com o velho, manjado e viciado endereço: a cidade vizinha. Tanto é vero que, agora mesmo, se divulga que a versão interiorana do austero e respeitado Colégio Militar Cearense será ali instalada, daqui a pouco (pra “compensar”, e de certa forma enganar ou trouxas, no Crato será asfaltada a estrada que liga o distrito de Santa Fé a algum subdistrito; e tome propaganda).

Mas, os “instruídos e conscientes” eleitores do Crato não perdem por esperar: o cratense Camilo Santana, num primeiro momento tentará influenciar na eleição pra prefeito da cidade, no corrente ano; e, posteriormente, como todos que detém o poder (“caneta” na mão), tentará a reeleição no próximo pleito em 2018; e aí, sim, lembrar-se-á de que o Crato existe, e lá se fará presente com promessas mil e a conversa fiada de sempre; e é bem provável que seus bovinos conterrâneos lhe entupirão de votos mais uma vez.

E depois reclamam da vergonhosa condição de “cidade-dormitório”, que é o que o Crato é hoje.



terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Karol Wojtyla - Demóstenes Ribeiro (*)

Por fim, a mulher convenceu o marido e a família foi das últimas a migrar para a cidade. Ela se cansara da vida difícil no campo e da promessa de emprego de professora. O prefeito, embora parente, mais parecia um inimigo. O tempo passando e ele nada arranjava.

Na casinha da periferia, iniciariam uma bodega e fosse como Deus quisesse. Mais inteligente do que os outros, ela ouvia rádio e escutava com atenção a pregação do padre. Lia a bíblia, a história dos santos e os filhos teriam nome de papa. O primeiro, Eugênio Pacceli; o segundo foi Ângelo Roncalli; e o terceiro, prematuro que faleceu logo ao nascer, escapou de se tornar Rerum Novarum dos Santos Silva.

Viviam para a igreja e a mercearia satisfazia o indispensável. Muitos anos depois, uma surpresa. De novo, ela estava grávida. O bebê nasceu forte, robusto e alourado. A alegria voltou e o sarará se chamou Karol Wojtila - nome por demais apropriado. Até o berçário e a pré-escola, o polonês foi uma criança normal, mas na alfabetização tornou-se agressivo, briguento e malcomportado. Não adiantaram os conselhos da mãe e as tias não mais o suportavam. Um dia, se explicou: era quieto, no seu lugar e prestava atenção à aula, até lhe chamarem de Carolina - aí, o pau cantava.

Ele batia a torto e à direita, virava carteiras, rasgava mochilas e chutava canelas, deixando a professora apavorada. Mudou de escola e o problema continuava. Galego sardento, mal entrava na sala, no recreio ou jogando futebol, o coro ensurdecedor tudo tomava: Carol, Carolina...

Encarou pai e mãe: – “não quero esse nome, vou mudar de nome! ” A mãe tentou convencê-lo: – “meu filho, um nome tão bonito, nome de papa, de homem santo...”

Tudo inútil. Não iria mais praquele colégio nem para a escola nenhuma, se não mudasse de nome. Os pais conversaram antecipadamente com o juiz. Foi em 94, Copa do Mundo e, na véspera da audiência, o Brasil, com dez jogadores, vencera os Estados Unidos num jogo dramático. O nosso lateral esquerdo foi expulso após uma cotovelada no rosto de um adversário.

Sabendo de tudo, o magistrado, fanático por futebol e de ressaca, foi breve: - então meu filho, você quer mudar de nome... como você quer se chamar?” O garoto ficou de pé, engrossou a voz e falou: - “Meretríssimo, eu não sou Karol Wojtyla, eu quero ser é Leonardo!”

O juiz, gordo e patusco, concordou e explodiu em gargalhada.

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(*) Demóstenes Ribeiro é médico cardiologista, natural de Missão Velha e na atualidade residente e exercendo o ofício em Fortaleza-CE.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

A "FOLHA CORRIDA" DE UM ANO SUSPEITO - João Wady Cury (*)

Meia-noite de 31 de dezembro. O “elemento” 2015 presta depoimento na delegacia.
Compareceu a esta Delegacia de Polícia, na presente noite deste 31 de dezembro de 2015, faltando poucos minutos para a meia-noite, também conhecida por “zero-hora” ou “noite da virada”, diante de mim, delegado de polícia, o elemento chamado “2015”, também conhecido pelo vulgo “Ano de 2015”, depoente nesta Boletim de Ocorrência, em companha de testemunhas e de alguns detratores com o objetivo expresso e alguns omissos de relatar o que sabe e o que não sabe sobre os acontecimentos correntes do ano; QUE o elemento 2015 alega não conhecer seus genitores ou qualquer outro familiar; QUE o referido depoente esclarece ter comparecido a esta delegacia por ter uma vida breve de 365 dias, como a de um camundongo, agora prestes a se encerrar em alguns minutos, para que fossem adotadas medidas protetivas e de urgência à sua integridade física e psíquica por alegado risco de vida ou, como querem alguns, de morte; QUE o elementos acha possível ser aniquilado e varrido da história por maus serviços prestados à Humanidade (com maiúscula, escrivão); QUE eu, delegado de polícia, argumentei que muitas vezes na vida o “quanto pior, melhor” pode nos levar a uma situação sem volta necessária para a reformulação dos valores, guinadas históricas, revoluções, etc; QUE, ao ouvir isso o elemento 2015 despejou impropérios à minha pessoa e chorou desenfreadamente, alegando que vem sendo acusado pelos viventes neste planeta, também conhecido como Terra, que se referem a ele como “ano desgraçado”, “ano de merda” e até “ano que nem deveria ter começado”; QUE o elemento 2015 se dia magoado com todas essas qualificações desabonadoras, lembrando que seu vizinho e colega de infortúnio 2014 foi bem pior para os humanos de um certo país da América Latina, por conta de um placar dilatado em um jogo de semifinal de uma determinada Copa do Mundo, que prefere não citar nominalmente o país para não dar azar – no que imediatamente bateu três vezes com os nós dos dedos no chão de taco de madeira desta delegacia. Difícil mesmo foi o elemento 2015 se reerguer do chão, no que simbolicamente ficou caracterizado seu envolvimento inequívoco com os fatos. E dando continuidade ao depoimento, digo QUE o referido elemento 2015, conhecido também por seu vulgo em numeração romana MMXV, alegou ser um “ano comum” deste século XXI de acordo com o calendário gregoriano; QUE o supracitado garante ter iniciado seu momento mais glorioso no primeiro segundo de uma quinta-feira qualquer, quase estúpida, banal mesmo, destas que não têm nada de mais nem de menos, justificando o fato por não ter outras intercorrências a não ser um foguetório histérico perpetrado por elementos alcoolizados em movimentos erráticos e descontrolados; QUE o elemento 2015 não suporta foguetórios e preferia estar assando em um templo budista escondido em um país da Ásia, nas suas palavras “longe mesmo de tudo aquilo”; QUE não tem qualquer relação com o fato chamado “segundo intercalar”, ou “segundo bissexto”, em que recebeu como bonificação das autoridades do tempo do planeta o acréscimo de 01 segundo aos seus 365 dias, exatamente no dia 30 de junho do presente ano, às 23h59 como forma de compensar uma deficiência de nascimento; QUE não acredita ter sido esse o motivo de “todo o peso que carrega”, como se referiu aos fatos que o acusam; QUE o elemento 2015 também quis ressaltar não possuir qualquer relação com o fato do elemento Marcos Valério Fernandes de Souza, condenado pelo evento chamado “mensalão”, ter virado pintor na cadeia em que está confinado, nem que, como ano vigente, seria responsável pelos quadros que o referido Valério tem pintado; QUE o elemento, quando perguntado se tinha qualquer relação ou influência na “passagem” de elementos como Antônio Abujamra, Inezita Barroso, B.B.King, Içami Tiba, Manoel de Oliveira, Leonard Nimoy, Fernando Brant e tantos outros, disse que preferia ser lembrado daqui a alguns anos pelo nascimento de novos gênios e maravilhosas criaturas; QUE, quando perguntado por esta autoridade policial como sabia que neste ano nasceriam humanos da melhor qualidade, o dito 2015 ou “ano corrente” disse que tudo na vida é incerto, começando pelo nascimento; QUE, apesar de garantir que estar em completo equilíbrio e controle de suas faculdades mentais, começou a demonstrar mudanças de comportamento abruptas, espumando e girando seus números como se participasse de um bingo de igreja; QUE, como não foi constatado inteiramente o fim do decurso de tempo deste 31 de dezembro de 2015, faltando poucos minutos pra seu encerramento, eu, autoridade policial, pedi licença aos presentes para ir à toalete, devido ao inchaço da minha bexiga por conta do excesso de armazenamento de urina na mesma; QUE, ao retornar do referido evento, constatei o desaparecimento do elemento 2015 do recinto, possivelmente tendo se evadido do local em auto desconhecido e destino incerto e não sabido. Nada mais foi dito nem lhe foi perguntado, encerro a oitiva desta Lavratura de Ocorrência Policial e para, finalmente, recebermos o próximo a ser ouvido, já aguardando no recinto, o elemento 2016, conhecido pelo vulgo “a esperança é a última que morre”.



(*) João Wady Cury é jornalista, escritor e autor da biografia não autorizada de Nizan Guanaes.  

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

SOBRE FAMÍLIA, AMIGOS E AVIÕES - Jornalismo WANDO (*)

“A culpa não é minha. Eu votei no Aécio”.
A frase estampava a camiseta de Ronaldo Fenômeno em um desse carnaprotestos que animaram o terceiro turno instalado no país. A ideia refere-se aos escândalos do governo Dilma e à crença de que tudo seria diferente com a eleição do netinho de Tancredo – o político diferenciado, detentor de honestidade franciscana, o idealista que encarna a ética como poucos, enfim, quase um Mujica mineiro.
A culpa pela corrupção, portanto, é dos que ousaram não votar nesse bibelô de retidão moral. Eleitores do PT seriam corresponsáveis pela corrupção no país, enquanto os iluminados aecistas estariam automaticamente absolvidos. Um conceito maravilhoso de democracia.
No ano eleitoral, a antes inabalável ética do senador passou a ser questionada. Detratores andaram dizendo que ela invariavelmente escorrega quando se trata de amigos, família e tráfego (eu disse tráfego) aéreo. Tremenda injustiça. O aeroporto público de Cláudio (MG), por exemplo, foi construído pelo governador mineiro dentro da fazenda do seu tio, o seu Múcio, que, por sua vez, deixava as chaves com seus sobrinhos. É a meriTIOcracia. É a tradicional família brasileira tomando conta do patrimônio do Estado, demonstrando seu apreço pela coisa pública. Um case de sucesso de Parceria Público-Privada.
Recentemente, novas turbulências surgiram no céu de brigadeiro da ética aecista. E são inúmeros problemas com as vias aéreas. Enquanto governador, Aécio usou aeronaves oficiais 1.430 vezes, muitas para fins particulares. Só no aeroporto do Tio Múcio foram mais de cem pousos e decolagens. Em pelo menos 198 viagens, Aécio nem estava presente. Quietim, com discrição mineira, ofereceu caronas para parentes, empresários e parças de balada. Êta avião bão, sô !!!
Conheça alguns brothers que viajaram nas aeronaves semiprivatizadas: Ricardo Teixeira (CBF), Ray Whelan (FIFA), Roberto Civita (VEJA), Luciano Huch (Globo), Alexandre Accioly (padrinho de casamento de Aécio e parceiro das nights), Boni (ex-Globo). Além dessa gente boa, o povo mineiro também pagou viagens de Sandy e Júnior, Milton Gonçalves, Ze Wilker, FHC, Roberto Irineu Marinho e a ex-mulher de Aécio. Mas eles não têm culpa. Eles só voaram com Aécio.
Num vídeo em que convoca os brasileiros pra uma micareta antipetista, Aécio adaptou uma frase de Castro Alves e bradou emocionado: “A rua é do povo, como o céu é do avião”. Mas a adaptação poderia ter sido mais completa e fidedigna à realidade: “O céu é do avião, o avião é meu, o aeroporto é do meu tio, assim como o dinheiro é do povo”.
Como se vê, a ética do tucano pode ser contada a partir desse recorte que abrilhanta sua biografia de bom moço: família, amigos e aviões. Não falemos de helicópteros.


(*) É um perfil de humor criado na web pelo cientista social e jornalista João Filho (artigo publicado na Revista Carta Capital).  

A PALAVRA DO NOBEL DE ECONOMIA


Na Folha de hoje, em entrevista em que diz que a situação da ECONOMIA GLOBAL patina num ” crescimento baixo, pressões deflacionárias e desempenho decepcionante”, o economista Paul Krugman, Prêmio Nobel de 2008, diz que o Brasil, apesar da “bagunça política”, tem fundamentos econômicos que não estão “nem perto” das condições em que estiveram em outras crises vividas pelo país.


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

VOLTARÁ ou VOARÁ ??? - José Nílton Mariano Saraiva

Tida no meio “judiciário prisional” como um revolucionário instrumento no combate à criminalidade, porquanto capaz de permitir o monitoramento diuturno daquele marginal liberado da prisão propriamente dita (o cárcere), para cumprir “prisão domiciliar” (em casa), a tal da “tornozeleira eletrônica” já provou que não passa de um colossal embuste (e, por extensão, desmoralizante da prisão domiciliar).

Incrustada no tornozelo daqueles bandidos de maior “prestígio” (grana) e/ou dos que apresentam “bom comportamento” (estratégia enganadora, mas às vezes eficaz), teoricamente a tal “tornozeleira eletrônica” seria capaz de fazer com que o não cumprimento do castigo por parte do bandido (ficar dentro de casa durante todo o dia) de pronto o trouxesse de volta à prisão, porquanto facilmente localizável na transgressão do que fora pactuado.

Como, no entanto, na nossa estrutura prisional a área de “recursos humanos” é por demais pobre e deficitária, faltam agentes para acompanhar o “monitoramento eletrônico” ou mesmo para se fazer presente (por falta de recursos materiais) numa possível detecção de fuga por parte dos “privilegiados usuários” da tal tornozeleira. Como consequência, a imprensa já flagrou (e filmou), bandidos de “prestígio” (grana) que dela fazem uso, “melando o bico” (enchendo a cara) em plena orla da badalada praia de Ipanema, sem serem importunados; também, já tivemos bandidos que foram liberados por “bom comportamento” (usando a respectiva), sendo presos em flagrante na prática de assalto e retornando ao “lar doce lar”. Na Internet, então, já há “didáticas lições” (um autentico e pormenorizado manual) de como se livrar da malfadada (e inútil) tornozeleira.

Tal reflexão é só pra lembrar que, depois de ter feito a tal “delação premiada”, onde incriminou meio mundo e mais a outra banda, o tal Nestor Cerveró (vulgo “farol baixo”, para os íntimos) acaba de ser liberado para passar o Natal e Final de Ano em casa, no aconchego do lar, junto aos familiares. Evidentemente que usando a “tornozeleira eletrônica” (serão cerca de 10 dias de “folga”, antes do possível retorno à prisão).

Mas, aqui pra nós, uma dúvida atroz (e que ninguém nos interprete erroneamente): com vultosos e comprovados depósitos em bancos do exterior (oriundos da propina na Petrobras), com a família e uma legião de amigos dispostos a protegê-lo (por cima de pau e pedra), e já condenado em um dos processos (e com perspectiva de condenação em outros), será que a “tornozeleira eletrônica” se constituirá intransponível obstáculo para, ao invés de “VOLTAR” (à prisão) Nestor Cerveró preferirá “VOAR” (para a liberdade, mesmo que bandida) ??? Afinal, o próprio advogado de Cerveró, atualmente preso pela Operação Lava Jato, já declinou para um dos seus filhos (que gravou a conversa), que “cansou” de ilegalmente transportar bandidos, via terrestre, para o Paraguai, de onde se mandaram rumo à Europa. Ou restará ao “farol baixo” uma nesga de dignidade e honestidade, para pagar pelos malfeitos aqui praticados ???

E então, Nestor Cerveró  VOLTARÁ ou VOARÁ, essa é a pergunta que todos se fazem. 


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

domingo, 20 de dezembro de 2015

OS VENDEDORES DE GARRAFADAS DO GLOBO.
O Jornal O GLOBO, da família Marinho, faz um editorial sobre o petróleo brasileiro e afirma que toda a pose nacionalista dos brasileiros sobre esta fonte de energia não é nada. Que melhor seria ter vendido tudo antes do preço cair. Ter embolsado alguns bilhões e esquecido o problema para as imbecis do petróleo por terem doado a “dinheiramente” toda ao povo brasileiro e ao final tomarem redondo prejuízo.
Além do mais, alega o editorial:  “Há, ainda, o sinal de alerta da COP-21 de que a era dos combustíveis fósseis pode ter entrado na reta final. O Brasil, país cuja população envelhece sem que tenha ficado rica, pode ter chegado ao pré-sal tarde demais, até por preconceitos ideológicos. Perda histórica dupla.”
O editorial é como aquele vendedor de garrafadas na feira nordestina, que traziam cobras dentro do vidro, peixes do Amazonas e outras bizarrices para a abrir o bolso do comprador. Não vendiam o que mostravam, vendiam panaceias para quem tinha todos os problemas do mundo.
A técnica central destes vendedores é a enganação. O malandro gritando para todo mundo ouvir: “Não se chegou à autossuficiência, apesar de toda a propaganda político-eleitoral em torno do tema...” Parei a frase por aqui porque a técnica editorial é emendar uma frase como se tivesse apresentando toda a verdade, quando o início da frase é o que ficará na cabeça do leitor. Em qual proporção não se chegou à autossuficiência?
O déficit ente exportação e importação de Petróleo foi de 4% em 2014. A produção de petróleo cresce 51% a mais do que o consumo, portanto, agora no final de 2015 já devemos nos encontrar superavitário. Argumento de enganador.
Daí em diante o editorial usa o Petróleo apenas para combate ideológico do nacionalismo brasileiro histórico, desde o estabelecimento do monopólio nacional do petróleo e de outras autonomias.  O editorial comemora os baixos preços do petróleo.
Não porque o preço baixo do petróleo seja bom para todo mundo, mas porque a euforia do “bilhete premiado” com o pré-sal não corresponde à realidade e os brasileiros ficaram pobres antes de serem ricos. E seguindo os vendedores de feira perdemos o caminho para o futuro porque não vendemos logo tudo antes dos EUA virarem campeões em extração de Petróleo de xisto e a China diminuir o consumo. Resultado: os preços do Petróleo despencaram.
E aí a garrafada que querem vender não é petróleo é essa aqui: “Confirma-se que foi erro crasso do lulopetismo, movido a ideologia, suspender por cinco anos os leilões, a fim de instituir o modelo de partilha no pré-sal, com alta intervenção do Estado.  Assim, o Brasil perdeu importante janela para atrair bilhões de dólares.”
Enfim o produto amargo para você se curar da sua eterna pobreza. Venda tudo que puder, entregue tudo que tem, junte dólares, porque esta moeda é dos compradores também e depois empreste para eles que sua paz tumular será eterna. Eis o que dizem: não acreditem em você (ideologia), não acredite nos seus líderes (lulopetismo), descarte seu Estado Nacional (estatismo), venda tudo à petroleiras (que pagam os comerciais).
Bom como não é mesmo sobre petróleo, compreenda que os “corretores” da venda do petróleo brasileiro e da Petrobrás por brinde, estão insatisfeitos com a queda dos preços. Assim como um dono de imóvel brasileiro que se achava dono de um imenso patrimônio e hoje não acha nem a metade para vender.

E sobre a produção de petróleo de xisto e suas contradições ambientais e alto custo eles não falam nada. E sobre a COP-21 eles não falam de outras coisas: a matriz do transporte público que implica num setor que fez a glória das grandes economias, os carros individuais. Enfim enganação de vendedor de garrafada. 


APESAR DE VOCÊ AMANHÃ HÁ DE SER OUTRO DIA.

Poucos tomaram conhecimento. Quando Castelo Branco tornou-se Presidente, foi simpático ao governo Americano que estava junto ao golpe, mas não levou a unanimidade das Forças Armadas, especialmente do Exército.

A rigor ele sofreu uma deposição branca, na falta de um conceito melhor. Costa e Silva, comandante do Exército juntou todo o descontentamento com Castelo, desde militares cassados até Chateaubriand, passando por vários comandantes de regiões militares.


Castelo apenas cumpriu a tabela do fim de mandato. Não mandava mais nada. O Costa e Silva assumiu, governou junto com o levante mundial da juventude. Foi uma explosão de manifestações nas ruas, ao lado de intensa repressão.

Costa e Silva sofreu um acidente vascular cerebral, morreu e uma junta Militar assumiu o governo. Isso com o AI5 e uma série de decretos para controlar as ruas, especialmente estudantes. A repressão teve um crescimento enorme.

Os grupos secretos das Forças Armadas e até mesmo oficiais de alta patente ficaram soltos para explorar seus ódios e desafetos. Não havia governo. Cada arma prendia e arrebentava como queria. Destacou-se com uma sanha enlouquecida o brigadeiro Bournier, que planejava fazer o que se fez na Argentina em larga escala: jogar de aviões no alto mar o que ele classificava como inimigo.

Fato curioso. Um grande amigo, militar, político, conservador, mas um nacionalista, cassado e sem direitos políticos. Era da Aeronáutica. Bournier mandou buscá-lo. Por sorte ele não estava em casa, os soldados seguiram o filho mais velho e assim ele soube da perseguição. Foi para o Comando Militar do Exército e se entregou. Lá sua vida foi salva, pois o Bournier fazia aquilo por conta própria, na desagregação do Governo durante a Junta Militar.

Garastazu Médici foi nomeado Presidente com a divisão do poder entre o grupo ligado ao Castelo e o grupo do Costa. A rigor ele não mandava em nada, apenas distribuía os assuntos segundo o acordo entre os dois grupos.

Nesta época a repressão, a tortura e morte, a censura e a perseguição a qualquer cidadão, sob suspeita, de qualquer membro do grande esquema de repressão. Se fosse um desafeto a questão pessoal logo evoluía para uma questão de Segurança Nacional.

E assim Chico Buarque fez uma música chamada "Apesar de Você" que passou pela censura como se fosse uma questão entre duas pessoas. Uma mulher como era comum nos sambas. A música foi gravada e divulgada.

Foi na exibição pública que a censura percebeu o real sentido da música e ele chamava-se Emílio Garastazu Médici. A cantora Leila Silva gravou a canção em 1971 e seus discos, também, foram recolhidos.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

MARINGÁ

E por estes dias. Andei lendo sobre a dinastia política da família Barros de Maringá. Sucessão há três gerações dos poderes públicos que emanam do povo e em nome dele deveria ser exercido.

E lembrei-me de Maria do Ingá, aquela retirante das perdidas vidas dos sertões nordestinos. Aquela retirante que mais dava o que falar e em levas pelos caminhos distantes, na solidão de todas as perdas, o esmagamento do peso do destino dos desamparados, sem solidariedade, desprezados como um bago de laranja chupado na beira da estrada.

Como aqueles ombros caídos, a cabeça baixa, o rosto carregado do amargo adeus entrando em ônibus empoeirados, com o assento impregnado de antigos suores. E pelos solavancos da estrada seguiam dias sem fim, pouco para comer, horas na piçarra da estrada deserta enquanto a mecânica da condução se consertava.

Longas estiradas pelos lugares postados na paisagem imensa e deserta. Assim como a navegação sem fim doutras vagas de gente em busca da sobrevivência, no contra fluxo do Amazonas, tomando afluentes do Juruá e debulhados nas margens desertas e vizinhas das seringueiras.

Maria do Ingá, como todos aqueles que subiram nos ônibus da Varzealegrense em destino das terras roxas do Paraná. Derrubar as florestas. Plantar café. Tornarem-se adereços nos criadouros de dinastias.

Esta sequência de pai para filho, sem consciência alguma dos braços suados, respirando o ar como se a vida fosse uma dádiva divina. Como se tudo já estivesse escrito e tudo que lhes sucede é mero merecimento da ordem maior.

Do retrato severo do patriarca até a caçula da dinastia, há uma arrogância sobre o destino dos demais. Uma arrogância que nunca ensinou ninguém a pescar. Ao contrário sonegou-lhes o peixe da fé e da existência, deu-lhe uma única vara de açoite, plantar e colher café.

E Maringá, esta terra de dinastias, sabe que tudo veio de uma canção de Joubert de Carvalho e Olegário Mariano. Maria do Ingá se encontra em teu nome enquanto postas vitupérios contra os que lá ficaram. Os que continuam no Nordeste.


Continuam sabendo daqueles apartamentos luxuosos da Aldeota que batem panelas contra o prato de comida dos pobres. Que, de tão culpados, possuem um exército de pistoleiros a proteger os filhos dos assaltantes que infestam toda a cidade.  


Uma reflexão chata de saudade- socorro moreira

A cidade do Crato não contém o Crato antigo, salvo em poucos aspectos físicos: a  casa das Arraes, a Escola Técnica de Comércio, a cor da igreja, que era de S.Vicente, o prédio que foi o Bco Cacheiral, a Igreja da Sé, o Palácio do Bispo, o Colégio Sta Tereza, a quadra Bi-centenária, o prédio da Rádio Educadora, o Crato Tênis Clube...Alguns escombros, e pronto? Nem tanto...
Eu respiro  uma cidade do passado.Não é tão somente  saudosismo,mas a falta que ela me faz.Ela e as pessoas que partiram ou morreram, que um dia a personalizaram ,e se eternizaram, na minha visão sempre verde.
Nas festas de dezembro estes sentimentos são mais fortes.Busco a noite feliz, nas luzes natalinas, e o encantamento humano, em cada sorriso que encontro.A felicidade não escapou no tempo...A felicidade  escapou pra dentro da gente.De boba, ainda a seguro, e dela nunca me canso.
A realidade é que  estamos na terceira idade, com vontade de adotar mágicas, que nos mantenham vitais,em todos os sentidos.
Falta em mim um pouco de tudo.Sobra em mim uma memória de elefante que as vezes  chora, e lembra  do hilariante ou poético, dos riscos que se tornaram dramas, e dos dramas que se tornaram risos. 
De cabelos brancos, sem terço entre os dedos, poderia até acompanhar uma procissão de velas acesas, mas as pernas  me trairiam...Ou não?
Tenho um amigo próximo, justo da minha geração.Imaginei-me vendo e mostrando-lhe um Crato novo com muita admiração.Mas não.Nossos olhos entristecidos, corações minados, se intimidam, se recolhem, e esperam, só com colírio, limpar a vista ,  enxergar o tudo mudado, sem a dor  do passado, e receber do presente  boas manifestações.
Juro que não queria voltar, em 2000.Voltei perambulando pelas ruas, buscando resíduos , que o tempo apagou.E fui me acostumando a viver  estoicamente, contando com o amor.
De repente, queria que todos voltassem, pelo menos, numa simples informação.
Aí criaram esse tal FB, que vem cumprindo a missão.
Faltam 7 dias pra noite de Natal.Vamos catar alegrias.Elas estão escondidas dentro da gente.Que encontremos na paz, tudo que julgamos perdido, e ainda vive! 
Eles se foram, mas a gente continua aqui.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

VINÍCIUS: O ANARQUISTA.

Anarquista medular. Não precisa nem raciocinar. Ele é. E muito superior a este pessoal do curvar-se ao poder do Mercado. O Deus Mercado, provedor de sonhos, vitórias e escárnio aos perdedores.

Vinícius nasceu numa ilha, mas desenvolveu-se no continente. Especialmente entre a Cidade e Ipanema. Os bares nunca tiveram tempo de senti-lo ausente. Sem saudades. Numa esquina, na metade do quarteirão e um grande desejo de fundir-se ao Rio enquanto a eternidade durasse.

Jovem. Ousado. Andou nas areias das praias, na aspereza das pedras, embora úmidas do mar, nos tapetes macios e ajoelhou-se em êxtase com os olhos fervendo de desejo ao corpo delas. Amou. Principalmente tinha a maldição do amor eterno.

E fez-se em roda de música. Com o fluir das palavras em sonoridade, das revelações profundas do ser, da explosão emotiva das contemplações, da denúncia ferina das traições e dos éditos ditatoriais. Tornou-se o símbolo de uma época. Uma trilha para se transitar.

Mas Vinícius sumiu de cena. Ninguém mais o viu. No centro, em Ipanema, nalgum restaurante de Copacabana, em qualquer bar do Leblon. Nas tocas edificadas da civilização a ausência permanente. Tornou-se lenda dos desaparecidos. Quem sabe na “Curva do Calombo” na Lagoa.

E por acaso tive acesso ao sumidouro do Vinícius. Depois da Fonte da Saudade, na subida da Sacopã. Apartamento de fundos. Virado para a mata. Úmido e penumbroso. Pela janela a sabiá canta na mata e os macacos pulam de galho em galho e chegam às janelas por um pedaço de vida qualquer.

- Caramba! Que sumiço!

- Não existe eclipse algum. É a vida. Vivo a felicidade de ter envelhecido. A liberdade do meu corpo seguir os estímulos constantes do mundo. Sem regras. Controles. Clareamentos. Defesas.

Atento ao discurso de Vinícius.

- A velhice é uma adolescência radical. Infinitamente mais radical. Todos os órgãos começam a funcionar na própria regra. Ninguém obedece mais à ditadura da totalidade. Partes abandonam o corpo por vontade própria, dentes, cabelos, a tesão, o fluxo da urina, o ritmo digestivo. As regulações perdem os roteiros, ritmos, regularidades, compensações e toda esta lei de mercado e vivem uma anárquica e bela arritmia, elevam-se os níveis tensionais, afrontam-se os órgãos reguladores. E a beleza de todas as belezas, as células deixam a escravidão fisiológica e se multiplicam em outras formas, em funções fora da regra, invadem o lugar daquelas ainda escravizadas. Há uma linda e incomensurável afrontamento deste corpo burguês. O refúgio dos covardes.  


Os olhos acesos à beleza da anarquia em estado puro.