por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 12 de março de 2016

fumaça no olhar-socorro moreira

Chamei a saudade
invoquei o passado
Quis lembrar
e nada captei de um tempo
a não ser um vazio imenso
quis lembrar o dom de amar
a emoção de uma paixão
mas meu coração cansado
adormeceu pra sonhar
e assim a vida finda
sem acender um cigarro...
a fumaça do olhar
impede que eu te veja
na miragem que há no ar.
socorro moreira

sexta-feira, 11 de março de 2016


Maria Do Socorro Moreira
O dia custa a passar
Os anos ligeiro passam
amar sem buscar
achar sem notar
sentir com leveza
Perder sem mágoa
voltar a sorrir...
a vida não perde amor
o amor é sobra de vida.
e assim a vida passa
como um cometa sem volta
como uma estrela apagada
e ainda parece viva!

sábado, 5 de março de 2016

O "IMORTAL" - José Nílton Mariano Saraiva

Afirmação, peremptória e contundente, do “IMORTAL” da Academia 

Brasileira de Letras e colunista das Organizações Globo, MERVAL

PEREIRA, na sua página no facebook:


"não existe perseguição HA

Lula nem ao PT, EXISTE fatos

a serem investigados”?

E aí, é preciso desenhar ???


Uma "cagada" no mesmo texto, até que é desculpável; mas, duas, numa mesma frase e de um "imortal" ???

Essa nossa Academia…

O "ROTEIRO DO GOLPE" - José Nílton Mariano Saraiva

Atualmente operacionalizado pelo juiz Sérgio Moro e seus amestrados e obedientes colaboradores de Curitiba, o “roteiro do golpe”, que hoje assistimos atônitos, visando derrubar uma Presidente eleita democraticamente por quase 55 milhões de votos, está perfeitamente delineado em uma nossa postagem anterior, que denominamos “O Catecismo do Juiz Moro”.

Na verdade, trata-se da dissecação de um pormenorizado documento elaborado pelo próprio, no principiar de 2001, que se baseia “pari passu” no movimento ocorrido na Itália, em meados de 1992, que ficou conhecido por “Operação Mani Pulite” (Operação Mãos Limpas) e que, a pretexto do combate à corrupção, resultou em prisões arbitrárias, suicídios, quebradeira generalizada, mortes e a própria desestabilização sociopolítico-econômica do país.

Importante salientar que, naquela oportunidade (2001), o juiz Moro, como que a exteriorizar um recôndito desejo íntimo, assim se expressou, contundentemente; “No Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais necessárias para a realização de ação judicial semelhante. Assim como na Itália, a classe política não goza de grande prestígio junto à população, sendo grande a frustração pelas promessas não-cumpridas após a restauração democrática”.

Para tanto, Moro ficou à espreita da oportunidade de pôr em prática os ditames do seu “catecismo”, independentemente das flagrantes arbitrariedades nele contidas; assim, a descoberta das falcatruas perpetradas na Petrobras constituiu-se uma espécie de “cereja no pudim”, que ele tanto aguardava.

De princípio, e contando com a criminosa e inestimável colaboração do próprio Supremo Tribunal Federal, que literalmente “sentou-se” sobre a ilegalidade de uma ação atinente a tal ato, Moro tratou de “centralizar” em sua Vara, em Curitiba, todos os processos que tratavam de corrupção, independentemente que ocorressem em Curitiba, no Acre, São Paulo ou no Piauí. Para aquele tipo de ação, ele era “o cara” e fim de papo. E assim, até hoje a ação questionadora sobre, continua dormindo em alguma gaveta de algum membro do Supremo (é, portanto, o Supremo, cúmplice das fanfarronices patrocinadas pelo Moro e não pode reclamar).

Num segundo momento, cooptar a imprensa, a fim que servisse de “caixa de ressonância” às suas peraltices, não foi difícil para Moro, porquanto todos sabemos do arraigado e profundo sentimento antipetista que viceja nas redações e TV tupiniquins. Por essa razão, adotou-se o sistema de “vazamentos seletivos” (já presentes na Itália, naquela época) de trechos das delações premiadas firmadas por bandidos confessos, só que numa via de mão única (os adversários do governo, embora citados, jamais foram importunados).


Vencida tal etapa, nada mais apropriado que “deslegitimar a classe política” e, se possível, exterminar os respectivos chefes que possam atrapalhar seus planos. Não é sem razão, pois, a tentativa de Moro de, neste momento, atribuir ao PT (e só ao PT, já que está no poder) a pecha de “quadrilha organizada” para surrupiar o erário, embora todos saibamos que são várias as agremiações envolvidas até a medula nos atuais esquemas de apropriação indébita. Na sua opinião, o processo de deslegitimação política é essencial para a continuidade da Operação Lava Jato.

O próximo passo foi, simplesmente, estuprar a própria Constituição Federal, indo de encontro ao que ali reza; assim, prisão sem provas tornou-se algo banal e corriqueiro, bem como a presunção de inocência virou letra morta; prende-se alguém, joga-se no fundo de uma cela e fica-se à espera de que a tortura psíquica finde por demolir qualquer resquício de resistência, dai as delações em profusão, certamente eivadas de mentiras. Quem não se submeter, que mofe na prisão (os advogados não podem advogar, já que lhes é negado o aceso aos processos).

Moro, entretanto, certamente que picado não pelo mosquito da dengue-zika, mas pela mosca azul, acaba de cometer um erro grosseiro e que poderá comprometer o festival de arbitrariedade da sua “querida” Operação Lava Jato: de forma sectária e prepotente, tentou reduzir o maior ícone do partido, o ex-Presidente da República, Lula da Silva, a “sulfato de merda”, atribuindo-lhe participação, até hoje não comprovada, em esquemas mafiosos. Para tanto, exorbitou, ao emitir uma ordem de “condução coercitiva” contra o ex-Presidente da República, sem que, antes, tivesse havido sequer alguma notificação e, consequentemente, recusa do próprio, princípio básico que até um aluno jejuno de Direito sabe de cor e decorado. Alertado, e à falta de argumento consistente, foi sarcástico e arrogante: a “coercitividade” visou garantir a segurança do “conduzido”. Quanta soberba !!!

As reações surgiram das mais diversas autoridades jurídicas, inclusive do Ministro do Supremo, Marcos Aurélio Melo, que ironizou Moro, ao afirmar que só falta ele construir um muro divisório na Praça dos Três Poderes, em Brasília; enquanto isso, nas ruas, os confrontos já se acirraram perigosamente, e teme-se que, se a “perseguição implacável” (já que sem provas) contra Lula da Silva continuar, corre sério risco a nossa incipiente democracia, abrindo um generoso espaço aos plantonistas do caos (Aécio Neves e seu séquito de bajuladores).


Será que Moro vai pagar pra ver ???  

terça-feira, 1 de março de 2016

CIDADÃO RESPEITÁVEL - Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro (*)

Apesar da homenagem recente no Clube Internacional, aonde fui condecorado “Homem do Ano”, sinto uma tristeza profunda e não consigo dormir. Não só a idéia da morte iminente me atormenta, mas o destino da minha alma, a visão do inferno. Não é justo que se reserve isso a um cidadão respeitável e com uma vida inteira dedicada ao Brasil.

Fiz o que todos fizeram. Desde criança, procurei refletir a imagem paterna e, usando de esperteza, cair nas graças do pai. Se havia algo errado, os castigos iam para os irmãos menores, embora quase sempre eu fosse o verdadeiro culpado. Ele sempre me perdoou, até mesmo quando comecei a bater carteira. Acredito que a criança é o pai do homem e nunca conheci o fracasso, o sucesso é mais importante que a amizade.

No colégio ou na universidade, atento ao rumo dos ventos, tornei-me conservador, direitista e defensor intransigente dos valores familiares. Fui contra o Jango, vibrei com o AI-5 e identifiquei vários comunistas disfarçados. Até hoje, não entendo como alguns colegas escaparam. Ao sair da universidade, abracei os negócios e sempre lutei pelo Brasil.

No tempo do milagre, entrei na política, fiz empréstimos, ganhei concorrências e construí um patrimônio razoável. Estávamos no rumo certo e não fosse o comunismo remanescente na Igreja, o país seria bem melhor. Fui generoso com quem participou da repressão e gostei de ver um guerrilheiro torturado. O castigo depura o pecador e tenho certeza de que ele saiu dali melhorado.

Tenho saudade dos militares. Não sei por que voltaram aos quartéis e os vermelhos estão mandando. O comunismo é indestrutível, à semelhança do mal e do pecado. Não existe PT nem PSDB, é tudo PCB, muda somente a embalagem. O príncipe das trevas é um cavalheiro, alguém já disse e nada mais verdade. Povo no poder, bolsa família, merenda escolar, direito trabalhista... Chega de assistencialismo e atraso! Outro dia, um empregado quis me perturbar. Para servir de exemplo, desapareceu. Nas minhas empresas não existe conflito entre capital e trabalho.

Quase esqueço, mas também sou banqueiro. Falam mal dos bancos, mas o acesso ao dinheiro traz progresso e felicidade. Obviamente, juros e taxas são indispensáveis. O problema é que as pessoas gastam mais do que podem. Uma vez, uma viúva estúpida, invadiu o meu gabinete chorando. Não tinha mais onde morar por que executei a hipoteca de sua casa. Outros que perturbam, são os aposentados. Fazem empréstimos irresponsáveis e querem que a gente os sustente. Sinto muito, capitalismo é isso aí. O banco faz a sua parte, empresta dinheiro e o Brasil vai pra frente. São as regras do mercado.

Agora, vou bater carteira na Beira-Mar. Talvez assim eu melhore. É um hábito antigo que Deus compreende. Veio da infância, como já contei. Nem o psiquiatra, nem o Colégio Militar conseguiram consertá-lo. O doutor falou que sou misantropo, homofóbico e misógino. Gostei muito e vou consultar o dicionário.

O que me angustia é o inferno e a morte. Mas, creio na justiça divina, tenho lugar garantido no céu. Hoje, saí novamente no jornal: locomotiva empresarial, segundo o colunista. Por que me preocupar com bobagem? Tenho a consciência tranqüila. Sou patriota e cidadão respeitável.

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(*) Demóstenes Gonçalves Lima Ribeiro, médico-cardiologista, natural de Missão Velha, atualmente residindo e exercendo o ofício em Fortaleza-CE  

domingo, 28 de fevereiro de 2016

O "CATECISMO" DO JUIZ MORO - José Nílton Mariano Saraiva

Na Itália, no alvorecer de 1992, foi deflagrada a Operação Mãos Limpas (Mani Pulite), visando o combate à corrupção, que provocou prisões, suicídios, quebradeira generalizada, mortes e a própria desestabilização socioeconômica do país. Para alguns, vitoriosa, fato é que ao seu final emergiu como “salvador da pátria” ninguém menos que o comprovadamente mafioso e corrupto empresário midiático Sílvio Berlusconi, num redesenho político por ninguém esperado. Como que a contestar o sucesso da Operação Mani Pulite, hoje, no país comandado pelo poderoso primeiro ministro-bandido Sílvio Belusconi, a corrupção não arrefeceu e continua a reinar, apesar do colapsar de tradicionais partidos políticos.

Tudo a ver com o atual quadro reinante no Brasil, onde a Operação Lava Jato, comandada pelo “deslumbrado” juiz de primeira instância, Sérgio Moro, interfere de modo cruel na economia e na política, literalmente paralisa o país, e atenta contra a própria democracia, já que a Constituição Federal é dia a dia desrespeitada; dentre outros direitos, por exemplo, acabou a presunção de inocência, assim como a obrigatoriedade de provas para se prender alguém é ignorada. A “perseguição implacável e sistemática” a um ex-presidente é diuturna e escancarada, objetivando não permitir que algum dia volte nos braços do povo. E quando se pensava que o Supremo Tribunal Federal poria um fim nos comprovados excessos do juiz Sérgio Moro, a única manifestação conhecida daquela corte foi de apoio, quando a ministra Rosa Weber, durante um dos julgamentos de presos políticos, asseverou: “Não tenho prova cabal contra José Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura jurídica me permite”. E assim foi feito. E ficou por isso mesmo. Quantos mais serão presos por simples presunção de que trafegaram na contramão da legalidade, já que provas não mais são necessárias ???

Para que compreendamos O “Catecismo” do Juiz Moro, que teve como “musa inspiradora” a Operação Mãos Limpas (Mani Pulite), e em que se ancora para estuprar a Constituição Federal à vontade (sem que ninguém se lhe anteponha), abaixo trechos do seu extenso arrazoado “Considerações sobre a Operação Mani Pulite”. Qualquer semelhança com a desonesta ofensiva contra o PT e Lula da Silva, não é mera coincidência. É um propósito claro e definido: acabar com a agremiação e desmoralizar seu ícone maior (um dos maiores Presidentes da República que o Brasil já teve). O perigo é que, tal qual lá (na Itália) cá (no Brasil) surja um corrupto Sílvio Berlusconi (genérico), gestado no raivoso ventre oposicionista. E o resultado, certamente, será catastrófico. Confiram o que pensa (e operacionaliza) o deslumbrado Juiz Moro:

A operação “mani pulite” (mãos limpas) redesenhou o quadro político na Itália. Partidos que haviam dominado a vida política italiana no pós-guerra, como o Socialista (PSI) e o da Democracia Cristã (DC), foram levados ao colapso, obtendo, na eleição de 1994, somente 2,2% e 11,1% dos votos, respectivamente. Talvez não se encontre paralelo de ação judiciária com efeitos tão incisivos na vida institucional de um país”.

A deslegitimação da classe política propiciou um ímpeto às investigações de corrupção e os resultados desta fortaleceram o processo. Consequentemente, as investigações judiciais dos crimes contra a Administração Pública espalharam-se como fogo selvagem, desnudando inclusive a compra e venda de votos e as relações orgânicas entre certos políticos e o crime organizado. As investigações “mani pulite” minaram a autoridade dos chefes políticos – como Arnaldo Forlani e Bettino Craxi, líderes do DC e do PCI – e os mais influentes centros de poder, cortando sua capacidade de punir aqueles que quebravam o pacto do silêncio. O PROCESSO DE DESLEGITIMAÇÃO POLÍTICA FOI ESSENCIAL PARA A PRÓPRIA CONTINUIDADE DA OPERAÇÃO MANI PULITE”.

Os responsáveis pela operação “mani pulite” (mãos limpas) AINDA FIZERAM LARGO USO DA IMPRENSA. Com efeito: para o desgosto dos líderes do PSI, que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da Mani Pulite VAZAVA COMO UMA PENEIRA. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no L'Expresso, no “La República” e outros jornais e revistas simpatizantes. Apesar de não existir nenhuma sugestão de que algum dos procuradores mais envolvidos com a investigação teria deliberadamente alimentado a imprensa com informações, OS VAZAMENTOS SERVIRAM A UM PROPÓSITO ÚTIL. O CONSTANTE FLUXO DE REVELAÇÕES MANTEVE O INTERESSE DO PÚBLICO ELEVADO E OS LÍDERES PARTIDÁRIOS NA DEFENSIVA. Bettino Craxi, especialmente, não estava acostumado a ficar na posição humilhante de ter constantemente de responder a acusações e de ter a sua agenda política definida por outros. A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: GARANTIU O APOIO DA OPINIÃO PÚBLICA ÀS AÇÕES JUDICIAIS, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados, o que, como visto, foi tentado. HÁ SEMPRE O RISCO DE LESÃO INDEVIDA À HONRA DO INVESTIGADO OU ACUSADO”.

A estratégia de investigação adotada desde o início do inquérito SUBMETIA OS SUSPEITOS À PRESSÃO DE TOMAR DECISÃO QUANTO A CONFESSAR, espalhando a suspeita de que outros já teriam confessado e levantando a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período da custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão (uma situação análoga do arquétipo do famoso dilema do prisioneiro).

Além do mais, havia a DISSEMINAÇÃO DE INFORMAÇÕES sobre uma corrente de confissões ocorrendo atrás das portas fechadas dos gabinetes dos magistrados. Para um prisioneiro, a confissão pode aparentar ser a decisão mais conveniente quando outros acusados em potencial já confessaram ou quando ele desconhece o que os outros fizeram e for do seu interesse precedê-los. Assim, o ISOLAMENTO NA PRISÃO ERA NECESSÁRIO PARA PREVENIR QUE SUSPEITOS SOUBESSEM DA CONFISSÃO DE OUTROS: dessa forma, acordos da espécie “eu não vou falar se você também não” não eram mais uma possibilidade. Há quem possa ver com maus olhos tal estratégia de ação e a própria “delação premiada””.

Usualmente é ainda levantado outro óbice à delação premiada, qual seja, a sua REDUZIDA CONFIABILIDADE. Um investigado ou acusado submetido a uma situação de pressão poderia, para livrar-se dela, mentir a respeito do envolvimento de terceiros em crime. Entretanto, cabível aqui não é a condenação do uso da delação premiada, mas sim tomar-se o devido cuidado para se obter a confirmação dos fatos por ela revelados por meio de fontes independentes de prova”.

A prisão pré-julgamento é uma forma de se destacar a seriedade do crime e evidenciar a eficácia da ação judicial, especialmente em sistemas judiciais morosos. Desde que presentes os seus pressupostos, não há óbice moral em submeter o investigado a ela. As prisões, confissões e a publicidade conferida às informações obtidas geraram um círculo vicioso, consistindo na única explicação possível para a magnitude dos resultados obtidos pelo operação Mani Pulite”.

O que é necessário dizer e que, de todo modo, todo mundo sabe, é que a maior parte do financiamento da política é irregular ou ilegal. Os partidos e aqueles que dependem da máquina partidária (grande, média ou pequena), de jornais, de propaganda, atividades associativas ou promocionais têm recorrido a recursos adicionais irregulares. Se a maior parte disso deve ser considerada pura e simplesmente criminosa, então a maior parte do sistema político é um sistema criminoso”.

Talvez a lição mais importante de todo o episódio seja a de que a ação judicial contra a corrupção só se mostra eficaz enquanto ela contar com o apoio da opinião pública, com condições de avançar e apresentar bons resultados. Se isso não ocorrer, dificilmente encontrará êxito. Por certo, a opinião pública favorável também demanda que a ação judicial alcance bons resultados. Somente investigações e ações exitosas podem angariá-la. Daí também o risco de divulgação prematura de informações acerca de investigações criminais. Caso as suspeitas não se confirmem, a credibilidade do órgão judicial pode ser abalada”.


A presunção de inocência, no mais das vezes invocada como óbice a prisões pré-julgamento, não é absoluta, constituindo apenas instrumento pragmático destinado a prevenir a prisão de inocentes. Vencida a carga probatória necessária para a demonstração da culpa, aqui, sim, cabendo rigor na avaliação, não deveria existir maior óbice moral para a decretação da prisão, especialmente em casos de grande magnitude e nos quais não tenha havido a devolução do dinheiro público, máxime em país de recursos escassos. Mais grave ainda, no Brasil, a prisão pós-julgamento foi também tornada exceção, para ela exigindo-se, por construção jurisprudencial, os mesmos pressupostos da prisão pré-julgamento”.

De fato, escândalos políticos não colocam em questão apenas a legitimidade da classe política; eles também têm um impacto na legitimidade daqueles encarregados de investigá-los: a magistratura. Em alguns casos, de fato, a descoberta de ilegalidade disseminada provoca críticas ao sistema judicial no sentido de que este estaria sendo inadequado para combater a corrupção. Daí, por evidente, o valor, com seus erros e acertos, do exemplo representado pela operação “mani pulite”.

Não deixa ainda de ser um símbolo das limitações da operação “mani pulite” o cenário atual da política italiana, com o cargo de primeiro-ministro sendo ocupado por Silvio Berlusconi. Este, grande empresário da mídia local, INGRESSOU NA POLÍTICA EM DECORRÊNCIA DO VÁCUO DE LIDERANÇAS PROVOCADO PELA AÇÃO JUDICIAL e mediante a constituição de um novo partido político, a Forza Itália. Não obstante, o próprio Berlusconi figura desde 1994 entre os investigados pelos procuradores milaneses por suspeita de corrupção de agentes fiscais. Além disso, era amigo próximo de Craxi (este foi padrinho do segundo casamento de Berlusconi). Tendo ou não Berlusconi alguma responsabilidade criminal, não deixa de ser um paradoxo que ele tenha atingido tal posição na Itália mesmo após a operação mani pulite”.

No Brasil, encontram-se presentes várias das condições institucionais necessárias para a realização de ação judicial semelhante. Assim como na Itália, a classe política não goza de grande prestígio junto à população, sendo grande a frustração pelas promessas não-cumpridas após a restauração democrática”.




quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

PEDRO ESMERALDO, cratense até pelo avesso - José Nílton Mariano Saraiva


Desconhecemos alguém que ame tanto o Crato como o Pedro Esmeraldo, membro de tradicional família da cidade. Pelo Crato, o Pedro é capaz de enfrentar gregos e troianos, sem nenhum temor; pelo Crato, Pedro perde as estribeiras e topa qualquer coisa, independentemente de onde esteja; pelo Crato, o ordeiro e passivo Pedro transmuta-se num ativo militante político, capaz de elaborar comoventes, longos e sinceros arrazoados, via imprensa e na defesa da cidade.

Enfim, e já tivemos a oportunidade de verbalizar isso aqui e alhures, se a cidade do Crato tivesse pelo menos uns dez combativos Pedro Esmeraldo, certamente não estaria na situação de penúria que hoje está. Pedro é um cratense não só da gema, mas da clara também. Ou seja, um cratense completo, autentico, insuspeito, acima de qualquer um outro (em termos de amor à terra-mãe). Se tiver igual, desconhecemos. Verdadeiro paradigma. Exemplo para as novas gerações.

Reservou o destino, entretanto, ao Pedro Esmeraldo, já na fase crepuscular da vida, algo desconfortável e que certamente o deixará profundamente abalado: nascido e criado na aprazível localidade conhecida por São José, Pedro Esmeraldo poderá, dentro de muito pouco tempo, ter que alterar na sua Carteira de Identidade, o local de nascimento; é que, em tramitação no desonesto e mercantil meio político, existe um projeto que desmembra certas áreas do Crato em favor de municípios vizinhos; e por esse projeto, segundo comentários, a área que abriga o São José passará a pertencer ao município de Juazeiro do Norte. Ou seja, Pedro, que abomina a cidade vizinha, por vias tortuosas será considerado um seu cidadão.


Quanta maldade do destino para com esse nosso guerreiro, Pedro Esmeraldo.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Hoje meu coração amanhaceu vazio e silencioso.Alguns partiram sem deixar rastros.Voaram, mudaram de casa, perderam o caminho de volta.Uns deixaram lembranças, e ainda se conectam de outros planos.Outros parecem adormecidos, vivem num coma induzido.Achei ,na minha caminhada preguiçosa, que estava na armadilha de um labirinto.Comecei a escutar uma música , e senti que alguns despertavam,esfregavam os olhos, sem descobrir bem aonde se encontravam,mas buscavam uma saída.
A porta  estava escancarada, uma luz intensa  iluminava o caminho externo, interno, ou simplesmente finito.Foi quando encontrei o sorriso dos amigos, aqueles que permanecem dentro da gente, num entra e sai constante.
O coração nunca é vazio, mas fica silencioso quando está em oração.

"ÓRFÃO DE UM PAI VIVO" - José Nílton Mariano Saraiva

Em 19.04.2000 (16 anos atrás, portanto), encaminhamos ao jornal O POVO (aqui de Fortaleza) bem como postamos nos blogs do Crato para os quais contribuímos, o texto abaixo. Nos blogs foi publicado, embora sem maior repercussão. Com relação ao jornal O POVO, após um período razoável do seu encaminhamento, pessoalmente estivemos com o então vice-presidente, senhor José Raimundo Costa, procurando saber qual a razão na não publicação do nosso trabalho. Não houve maiores justificativas; o jornal simplesmente se sentia no direito de não publicá-lo e pt saudações. Hoje, finalmente, não só os principais jornais do país se referem ao caso, assim como “explodiu” nas redes sociais. Confiram abaixo o texto de 16 anos atrás (mais atual que nunca).

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Fortaleza/CE., 19 de abril de 2000
Jornal O POVO – Seção “Cartas ao Leitor” – NESTA
UM FATO JORNALÍSTICO”

Um filho, rejeitado pelo suposto pai, a ponto de não poder ostentar o próprio sobrenome: uma mulher, mãe solteira, atormentada e solitária, pagando um alto preço (o exílio), por ter-se aventurado numa relação proibida: um homem, casado, maduro e academicamente reconhecido, que, em função de conveniências políticas e, também, para salvar o próprio casamento, admite o adultério (depois de pressionado), embora negue uma paternidade indesejada: uma esposa, traída e infeliz, que embora intelectual bem-sucedida, é humilhantemente obrigada a conviver com a sombra de uma “outra”, numa forçada acomodação de interesses.

Em “A História Real-Trama de uma Sucessão”, de Gilberto Dimenstein (páginas 152-153) e na Revista Caros Amigos (em circulação, páginas 26-31) conhecemos, com detalhes, lances da relação extraconjugal entre o então Senador e hoje Presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, com a jornalista global Mirian Dutra, mãe de Tomás, 8 anos de idade, produto de um equívoco, prematuramente “órfão-de-um-pai-vivo”.

O mais estranho, em tudo isso, foi a autêntica conspiração de silêncio, patrocinada pelos Diretores de Redação das principais revistas e jornais nacionais, conhecedores privilegiados da matéria, que sonegaram da população, às vésperas de uma eleição presidencial, tão preciosa informação, sob o débil e inconsistente argumento de NÃO se tratar de um “fato jornalístico”, embora numa outra eleição, por um fato semelhante, tenham enxovalhado com um dos candidatos, tornando-se partícipes ativos da mudança então verificada no rumo da história.

História, aliás, testemunha e reveladora do caráter de duas personalidades antagônicas: de um lado, um homem simples, pouco letrado, mas sensível e presente ao assumir o produto de uma relação adúltera, agregando-lhe o sobrenome humilde; de outro, um homem nascido em berço-de-ouro, herdeiro de família tradicional, detentor de títulos e honrarias, mas insensível e incapaz de admitir e reconhecer o filho gerado, condenando-o a carregar apenas o sobrenome materno; e, ainda por cima, desrespeitando acintosamente a ex-companheira, ao insinuá-la uma mulher de homens outros, porquanto mãe de um filho de pai desconhecido.

Questiona-se: pode uma empresa jornalística, ao seu bel-prazer, sustar indefinidamente a publicação de uma matéria de interesse coletivo, por “sugestão” de políticos influentes, como foi feito ??? O que se constitui em um “fato jornalístico”, digno de ser levado ou não ao conhecimento público ??? Onde a ética jornalística, ditada por manuais, pode determinar seja ele (o fato jornalístico), imputado aleatoriamente para situações idênticas ??? Até quando a liberação de verbas publicitárias do Governo determinará o escamoteamento da verdade, sob o pueril argumento de “falta de provas” ???

Com a palavra, os senhores Diretores da Redação.

José Nilton MARIANO Saraiva
Rua Luciano Magalhães, 333/203 - Ident.: 332.515-SSP-CE
Fortaleza-CE