por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 24 de agosto de 2014

GUERNICA - O CUBISMO DA MORAL CAPITALISTA - José do Vale Pinheiro Feitosa

O vento aqui no litoral é o centro cinético do estar. Penteado por ele, banhado pela folhagem cascateante, o écran, no entanto, rouba-me a atenção. De salto em salto em certos endereços “internéticos”, chego a um filme da BBC (afixada pelo substantivo Londres) sobre o quadro Guernica de Pablo Picasso.

Nome reduzido de Pablo Diego José Francisco de Juan Nepomuceno Maria de los Remédios Cipriano da Santíssima Trindade Ruiz y Picasso. Esse longo e severo caminho do reacionarismo, pervertido e decadente da Espanha Imperial, dominada pela mais perversa facção da Igreja Católica Apostólica Romana. A Igreja matriz da alma inquisitória.    

O gênio do nome reduzido, fragmentando toda a pintura neoclássica dos Cavalheiros do Absolutismo não coube nas malhas sangrentas de sua Espanha. Paris era outro universo. Outro tempo, mais do que outro espaço. O poder do gênio sobre sua arte era tal que o reconhecimento público o suspendeu acima do comezinho das malhas sangrentas.

A ação do pintor e escultor derrubou todo o universo plástico daquela Europa cuja arte já era menor do que a fotografia. Uma foto dizia sobre aquele retratismo mais do que os traços e cores da herança renascentista, clássica e romântica. As marcas da luz na solução de prata eram mais perfeitas que os pincéis.

Mas não é nesta confrontação técnica que o problema do mundo se encontrava. Embora Picasso e sua era pensassem que fosse. A questão do mundo era política: a pobreza devastava as famílias e, no entanto, nunca houvera época anterior com tanta capacidade produtiva quanto as máquinas.

Picasso estava no cerne da revolução. Estava e não sabia que ela fosse política. As marchas nazifascistas nada lhes despertavam de consciência. A sua Espanha sangrava entre a força progressista da República Democrática e o reacionarismo militante da igreja medieval aliada de latifundiários e forças armadas de longos nomes com o de Picasso.

Mas, segundo a BBC, havia um antecedente político a infernizar a revolução estética de Picasso. Era igualmente Espanhol. Chamava-se Francisco Goya denunciando em sua pintura a luz maligna da destruição e da perversidade destrutiva das elites ameaçadas. E Picasso visitou sua Espanha aflita.

O famigerado surrealista Salvador Dali aderira às hostes reacionárias. Picasso foi convocado, mas recusou-se. Quando já em Paris uma bomba atingiu o Museu do Prado e seu fabuloso acervo. Picasso aceitou ser diretor do mesmo e transferiu muitas obras para Valencia. Uma das províncias republicanas.

Numa tarde o território Basco espanhol foi palco de um teste Alemão e Italiano sobre convocação de Francisco Franco o grande ditador do século XX espanhol. Bombas lançadas por aviões, arrasaram a pequena, desarmada, inofensiva, sem qualquer importância estratégica ou tática povoação de Guernica.

Nada ficou em pé. Morreu tanta gente quanto os palestinos em Gaza atualmente. Um cronista inglês descreveu a cena e suas consequências. Fotografou os escombros. Picasso viu a matéria num jornal de Paris com a foto expondo o deletério poder de destruição e de desgraça humana.   

Era 1937. Espanhóis na resistência ao poder fascista convocaram Picasso a se fazer presente com alguma manifestação no Pavilhão da República na Exposição Internacional de Paris. Picasso começou com uma série de postais cubistas, como uma história em quadrinhos que destruíam a imagem do franquismo. Mas não deu consequência a esta história.

Começou, então, a pintar o grande Painel que é Guernica. Uma construção cubista arrasadora e sem esperanças. Nela todo otimismo que pudesse existir na pós-destruição é anulado com a decomposição figurativa da maldade humana. Guernica é um profundo soco na moral, na ética e nos resultados do capitalismo triunfante, embora em sua fase destrutiva.

O efeito da pintura é politicamente revolucionário. É uma denúncia da moral argentária individualista que se assenhorou de todo o arcabouço social e econômico. Por isso, conta uma lenda, que um oficial nazista pressionando Picasso com as famosas incursões de amedrontamento, trazendo nas mãos um postal da pintura perguntou a ele: “Você fez esta pintura?” Picasso teria respondido: “Não, foram vocês!”

O fecho contínuo e não fabulado do espírito imoral do sistema capitalista. Autoridades americanas, através de um conjunto de mentiras, foram até a ONU anunciar a guerra ao Iraque. General Colin Powell se antecipando à máquina de destruição em massa termina o anúncio e vai para uma entrevista apocalíptica para iraquianos e terceiro mundistas.


Na sala em que daria a entrevista havia um grande painel reproduzindo a pintura Guernica de Picasso. Os cínicos imundos cobriram a pintura com um doce pano azul. As imagens do General não poderiam ser reportadas diante daquela denúncia. 

4 comentários:

socorro moreira disse...

Texto presente
Atesto minha alegria
Aceno pra tua ausência
Deixo ela ficar onde está!

É muito bom poder te abraçar

Batateira Original disse...

O PT será varrido e com ele os pseudos socialistas, os Dirceus, Genuínos e inominados, a Dilma e o Lula!

Batateira Original disse...

Diz a lenda que Guernica foi pintado com o mijo do Gen. Franco misturado ao vermelho. Ver em: espain painters glasg

Batateira Original disse...

O acaso não é mais que um dos polos de uma interdependência. Na natureza, onde impera o acaso, 0 que ´certo para natureza também o é para a sociedade. As leis econômicas de produção mercantil modificam-se de acordo com os diversos graus de desenvolvimento e da forma de produção.. Até hoje o produto domina o produtor, até hoje toda a produção social é regulada não por plano coletivo/socialista, mas por leis cegas que atuam com a força dos elementos, nas tempestades dos períodos de crise comercial. Com a escravidão do bolsa família veio a cisão da sociedade brasileiras e essa escravidão é no início franca e depois passa a ser disfarçada.