Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
Consistente e insistente
Persiste minha agonia
Processo da dúvida,
Que se afasta todo o dia .
Dias de silêncio
Coração em guerra,
Passa frio
Come o que sobrou do ontem
Engorda de esperança
Para morrer de alegria!
Risos, gargalhadas
Numa sintonia errada
Sinalizando caminhos
Quando eu crescer
Quero ser gueixa ou ameixa
Um doce, que se derreta
Na boca do teu carinho!
Nem tudo pode
No tempo,
Desenhar o seu destino
Fica faltando um arabesco
O nome de um brinquedo,
Um cofrinho ou um potinho
Nem tudo dói, quando falta
Mas a dor de uma saudade
Machuca e deixa roxinho
O canto de qualquer braço!
Se não fosse a poesia
Que me transporta aos oásis
Eu morreria de tédio!
Oásis que mata a sede
Mostra a beleza do céu
O poder do sol,
A magia da lua
E verdeja o sono
No vento de uma palmeira,
Enquanto você não chega!
Apenas ser humano
quero banhar-me na fonte de todos os desertos.
Quero delírios de todas as sedes,
e ao fim , apenas um oásis .
Quero o céu causticaste
A agonia da visão que esmaece
ao fim , um céu de estrelas
Quero no direito a todos os erros ,
anar-me da realidade
Cometer pecados , encerra-los no sótão,
E ao fim , apenas os acertos.
Quero navegar no mar das dúvidas,
naufragar sob o seu peso ,
E ao fim, emergir
com um punhado de certezas !
Quero clamar pela chegada ,
mesmo sem encontrá-la.
Sangrar nas mãos,
as tranças das incertezas...
E ao fim, apenas a relva da campina
Quero ser apenas humano ,
E ao fim, disto ter certeza !
(Perseu)
amarga o recado;
deixa o mel,
na porta do enxame;
deixa a flor ,
na madrugada aberta,
morrer na manhã .
Tudo começou, nem sei quando
Buscando na arte,
o caminho da expressão?
Quem me ajudou foi o amor,
e um grande professor,
que pelos meus descuidos,
aproveitei tão pouco!
Mas da vida...aproveitei foi muito!
Meu nome é Maria.
Filha de um casal de artistas...
Arte e religião.
Uma melada de tinta,
e um pensamento cristão ?
Ousei ser criança
Ousei todas as idades,
e aqui estou..
em versos brincando,
no azul sonhado!
Durmo ouvindo o sol
do teu ronco
Teu coração sacoleja,
no trilho de Maria,
por novas fantasias!
Escondida no Tempo
Consistente e insistente
Persiste minha agonia
Processo da dúvida,
Que se afasta todo o dia
Dias de silêncio
Coração em guerra,
Passa frio.
Come o que sobrou do ontem
Engorda de esperança
Para morrer de alegria!
Risos, gargalhadas
Numa sintonia errada
Sinalizando caminhos
Quando eu crescer
Quero ser gueixa ou ameixa.
Um doce, que se derreta.
Na boca do teu carinho!
Os fios não ligam nós...
que a vida desata !
Alminha branca,
que tudo enxerga
numa tela de paz
Se todos te entendessem
o mundo seria azul
cercado de branco,
por todos os lados !
Estou num sonho
País de mascarados
Casca de beleza
alegria e bondade.
Onde está você meu palhaço?
Vestida de bruxa,
descalça lhe procuro
No castelo dos subterfúgios
você foi internado.
Serpentinas no meu rosto,
soltam-se, desenhando lágrimas
Máscara de amizade,
escondendo paixão
Máscara de humor,
escondendo angústia
Máscaras...
Descolem-se de mim !
O itinerário dos ventos
intriga e confunde
Sem trilhas e senhas,
arrasta gente !
Se você ainda dorme,
Vive no azul de mim
Neste imundo rumo,
limpos vagabundos
exploram um mundo
que guardei pra ti !
Construímos tantos corpos de papel
Pichamos muros
pintamos telas no céu
fizemos abrigos subterrâneos
descobrimos mapas de labirintos;
Nossa floresta era imensa
nos perdemos no caminho
catando flores
e destruindo ninhos
Olhei demais pro céu.
Pensando que você,
fosse um passarinho !
Poeta, nada mais
Poetas não tem corpos, para serem tocados
Sentidos, para serem feridos
São penas, tinta, papel.
Poetas não têm dor,
Não sofrem, e sentem
Mas mentem, em corpos de papel.
Poetas não são vários, diferentes, diversos
É a tinta, benta, aspergida aos ventos
Em gotas, em versos.
Poetas não são plurais, mortais
Poetas são fatais,
São versos.
Nada mais !
À toa...
Vamos ser juntos,
em separados ?
Galho e folha
Céu e mar...
II
A solidão
nos leva a qualquer pão:
de queijo, de gente
Solidão no olhar
perdido no mar
Solidão humana,
Deus preenche !
III
Voltou esfuziante
Olhou para o céu,
e viu estrelas no dia.
Viu passarinhos
rouquinhos de cantar
Viu a poesia
entristecida e comum,
dançar de alegria
Brando é o vento
da sabedoria !
IV
Vira-lata cibernético
Homem das esquinas e meninas
É minha cachaça,
meu porre diário,
minha poesia
É meu chapa
mestre da prosa,
atiçador da palavra.
meu número de sorte!
Meu Lancelot, mito,
vício,
homem e lorde !
Estou num bonde sem desejos
Onde alegrias fazem coro
Mas o solo é contralto
A estrada de sonhos é planalto
O córrego azulado
Esverdeia goticulas de fel
Pedras soltas
Interceptam a caminhada
Saímos uns
Chegamos outros
Passou 2007
Os últimos dias resolveram mudar o ritmo
Fizeram coreografia com um bando de tartarugas...
Céu nublado, tardes quentes, tudo mudo
Comida com cheiro de festa
doce, acastanhada...
Em algumas janelas do tempo o dia esqueceu a neve, o saco de Papai Noel,
e a renas não foram importadas...
Em algumas janelas, existe apenas uma vela!
Ninguém chegou, nem partiu
As bolsas ficaram vazias,
e as sacolas... repletas de plástico, de fios, de futuros descartáveis.
Um pote de balas vazio, um vestido surrado no armário, um sapato apertado
Um perfume de amêndoas, quase enjoativo
Um coração em saltos... Aflição dentro do carro
Falta de um riso largo, e de um choro comovido.
Próxima semana é 2008
sem prata e sem ouro no bolso
Contas na farmácia,carrinho vazio, no supermercado
Arroz, feijão e pão!
E o vinho espera abril
o milho espera S.João
Até dezembro voltar com cestas de intenções.
Há uma possibilidade de felicidade no ar
Resgatar o coração, perdido na contramão
Há uma possibilidade de alegria no final do dia,
quando o sol esfria
Uma bola prateada, que se chama lua,
enche de volúpia toda nossa vida!
Há uma possibilidade de viver bem
E que Deus permita!
Dor de amor à gente cura,
Quando o tempo cura a gente!
II
O amor empresta inocência ao coração,
E torna a busca contínua!
III
Ao entardecer, vislumbrando o céu, misturo tintas... Tudo violáceo!
IV
Peço licença ao teu sonho
E entro em tuas ondas
Como flor, no bico do beija-flor!
V
Onde estás, menino do anel de prata?
Teu silenciar me maltrata
Como fruta esbagaçada,
Da mangueira, na calçada!
VI
Estrelas migram
Céu escurece
Luz eremita
Acende caminho
Amores impossíveis
Encontros no infinito!
Vejo o mundo cortado em telas
Fascinam-me os caminhos
Entre buracos e flores vejo cores
borro a vida com tintas
faço marinhas
casas de taipa, em pé de serra
Abriram janelas e portas
nem me importa
Estás onde queres
não me feres
fico imóvel, no teu caminhar em mim
Há de ser assim
Uma eternidade basta!
Sinto falta da minha companhia
Aquela que insiste em ficar contigo!
Se o paraíso é colorido
por que insistir no preto ou no branco?
O preto no branco...Parece cinema antigo!
Um sonho termina, outro recomeça
Quem diria que esta tarde escurecida
Fosse a minha paz?
Um triângulo deixa de incomodar
quando se parte em pedaços
ou vira pirâmide de paz!
Dia nublado
sopa na panela
pingos de saudade
escorrem numa tela
tempo abre espaço
afrouxa laço
olha verde, no firmar azul
Amor até quando?
Amor desde quando?
Amor que devolve não guarda
não sabe o lugar do canto
fica encantado num pássaro
mas não voa do seu pranto!
Distâncias que não transponho
pontes quebradas pelas tempestades
pássaros feridos
vôos cancelados...
Estou na lista de espera
estou sempre na janela
de asas cortadas!
Relógio gira lento
nada pra esquecer ou fazer
tudo varrido, sem teias...
Baratas se escondem em buracos...
Eu me escondo no quarto
daquele sol que me queima!
Fico onde estás
letra do teu livro
pétala seca
som de um mosquito
livre em mim
Solta em ti!
Tem um poste de luz que incomoda
tem silêncio que não ilumina
tem ausência que geme na distância
tem vôos sem destino
Ponto de saudade que não sai do canto!
Tarde
envelheço de saudade...
Quando finda, esperança nasce
Noite... Traga-me versos!
Quero te acenar
em cada parada de estrada
seria bom,
se você me enxergasse... sem lenço!
O queijo acabou
O amor faltou
A birra nem começou...
Sem atiços, nem pedidos,
tudo num canto ficou!
Pelos vales secos,
a terra em cio,
aguarda um rio...que nunca veio!
Não tire seu sorriso...não desconverse!
Contigo sou sozinha...caminho que não finda!
Não fuja de propósito
Não fuja pra valer
Brincar é coisa séria
Difícil é esquecer!
Toque aonde meu corpo deseja,
aonde a alma precisa...
Esse ritual é quase erótico
Toque e magia!
Cada toque jorra verso
leite do nosso mistério!
Que volte a luz
o cheiro das canelas
como antes, como nunca
como num futuro incerto
Que volte a zoada do vento,
no trinco da nossa janela
O calor nas madrugadas,
o roxo da paixão,
o azul da alegria!
Quem provoca,
nem sempre tem coringa na manga
Mas tem manga no pé,
do pomar de outubro!
E tem pano pras mangas?
Com vestido decotado,
o sol castiga...
e ninguém é santo!
O mal é viver de mãos dadas
com o passado esgotado
Se ele persiste,renove-o!
O filme “Amores Clandestinos” fez sucesso , nos anos 60. Vinha bem a calhar, dentro do contesto da época.Depois de comprar o ingresso, passar pelo porteiro, delegado de menor, entrava na penumbra da sala, e esperávamos o apagado de todas as luzes.
O único que conhecia todos os segredos ocultos era o Lanterninha. Focava cadeiras vazias, e focava por “descuido” aquelas ocupadas pelos casais, justo, os que fugiam da luz... Dos olhos da família, do preconceito social, e da própria timidez.
Tinham naturezas diversas, posto o dito: amores impossíveis, amores nascentes e crescentes...Amores dos amasses ( puro cheiro, puro sarro)...Amores tímidos, ingênuos e trêmulos ; amores despudorados, explícitos na “safadeza” do poder hormonal...Todos eram instigados , pela cumplicidade de um escuro técnico.
Muitas “pernas gordinhas”, (como a canção do Tiago Araripe), molhadas, sedosas, balançavam pés nervosos. Beijos de língua, de pescoço, de outras partes, outros pedaços do corpo... Como mãos, e bochecha do rosto!
Enlevada no enredo do filme, desligava-me da terra. , mas perdia meu olhar, muitas vezes, na doce tensão da espera.Um dia, ele chegou, e sentou-se numa fila adiante de mim. Encostou sua cabeça numa peruca canecalon, loura com a da Marilyn... Meus olhos desviados da tela ficaram lá, pregados e chorosos, naquele bandô total, que recebia afagos, e abraços.
Quando a fita anunciou o “THE END”, sorrateiramente mudei de lugar, e aproximei-me mais um pouquinho, pra descobrir na saída, se era azul, os olhos daquela diva.. O moço correu apressado, antes do acender das luzes. Enfim tudo claro! Eram dois olhos morenos. Olhos conhecidos, subservientes, corajosos e apaixonados....
Covarde, o meu gato!Estava lá, a musa de tantos brotos!Era assim, o cotidiano do maior entretenimento da City....
Divertia, aproximava, e escondia.
Transportava os nossos sonhos para o glamour hollydiano. Se não existisse a censura do Bispo, colada no mural do Café Crato, acho que não teria perdido nenhum drama escandaloso, que o cinema ensinava. Mas eu estava lá... Em todos de Marisol. Joselito, Shirley Temple, Walt Disney...Nunca, em “Amores Clandestinos” – (clássico com Sandra Dee e Troy Donahue – trilha sonora - Theme From A Summer Place... Linda!!!).
Namorei sem pegar na mão... Só no roçar dos braços. Mas não nego a presença do tesão, nas orelhas afogueadas. Namorei com cochichos no pé do ouvido. Com mordidas no pescoço, e balas pepper, zorro, ou anis.Namorei com os meus ídolos... Puros, românticos, sofredores, heróicos, belos, e gentis.
No Cinema não faltava: assovios, suspiros, gemidos, choros... Alguns até convulsivos. (Chorei assim, no filme Irmão Sol e Irmã Lua, e até na Paixão de Cristo).
A vida se harmonizava na sala de projeção.
Tempos sem analistas, psiquiatras...Tempos de sessão de risos com Jerry Levis, Cantinflas, o Gordo e O Magro, e Zé Trindade.
O Cassino de hoje é um campo de energia obscura. Ficou apenas o escurinho do cinema, na beleza deteriorada.
Perdemos a cortina grená. O lanterna iluminando a paixão dos casais...Foram-se o misturado dos perfumes, o mascarem dos chicletes Adams, o estouro das bolas do ping pong, na falta do beijo amado.
Era bom, até cochilar de viver, naquele ninho! Nada mais excitante, aventureiro e libidinoso, do que um encontro clandestino, na sessão das 4, no Cine Cassino.
O Lanterninha que ressuscite essa “Cratíadas”, como já fez Zé do Vale, noutro contexto.
Nasci na década de 50, em agosto de 51. Nada existia de plástico, quase nada de enlatados . O doce era caseiro, o parto era doméstico, tudo se comprava na feira, até o rouge das moças, que não eram tímidas!
Mala de feira, geladeira a querosene, água de quartinha, pote de barro, caneca de alumínio, formas de sonhos (salpicados de açúcar e canela) e chupetas de umburana.
Minha primeira caneta foi Parker; mata - borrão, tinteiro, merendeira, goma arábica, farda com avental, caderno de borrão e caligrafia... De tudo isso só ficou o lápis-de-cor para avivar lembranças!
B A BA... Bá! Soletrávamos para aprender a ler, e depois partíamos para o mundo dos Contos de Fada, das Sherazades, dos Ali Babás... Acho que não perdi um conto, de todos os infantis! Quando a biblioteca se esgotava, a gente botava o povo grande pra inventar estórias, mesmo que fossem mentirosas que não terminassem com uma bela festança, e o desencanto dos sapos! Os personagens eram sempre órfãos, pequenos condes, princesas, madrastas, e um lobisomem. Meu sonho maior de consumo era ganhar uma varinha mágica, com o condão de me fazer moça, antes de ser tia; lua-de-mel no casamento, sem viuvez por chamados de guerra, impaludismo, angina do peito, e por aí afora! Foram tantos os pedidos, que vivi a lua por inteiro, e o sol, no pingo do meio dia!
Existiam as radiolas, tocando seus mambos, suas babalús, seus boleros, e samba - canções .
A Usina de Algodão dos Alminos era o nosso relógio. Ainda existiam as sirenes, nas escolas, avisando recreio, hora de cantar um hino, hora de correr pra casa, e se ocupar das fadas! Minha infância foi num mundo encantado, e mal - assombrado... Escapei das varíolas, cataporas, e falsos crupes... Nas mãos de Dr. Eldon (o meu preferido), Tarcísio Pierre, Júlio Felício, Macário, Gesteira, a gente vivia!
As mães também cooperavam com leite do peito, e comida natural... As modistas nos vestiam com tecidos de Anarruga, Lese, Filó, Tule, Organzas, Cambraias, sem dispensar as Chitas, nos dias de quadrilha. Zenira Cardoso marcava os nossos passos com sotaque francês, e energia festiva.
Hugo Linard já tocava acordeom... Era o caçula de todos os músicos! Os demais eram seresteiros, ou faziam parte da Banda Municipal com todos os dobrados da alma!
Festa de Padroeira tinha tontura de carrossel, cheiro de filhoses, e gosto de caldo de cana. Pipocas... Ora bolas! Chicletes Adams ou ping-pong!
Amendoim Torradinho, nos saquinhos ou no vinil... Mesmo que o corpo, ainda estivesse branco, longe da Cor do Pecado.
Ninguém aprendia a ler, sem passar pelo Externato 5 de Julho, sem conhecer Dona Anilda Arraes, Dona Chiquinha Piancó, Dona Rute e Dr. Zé Newton, Madre Feitosa, Monsenhor Montenegro... Sem falar nas freiras do Sta. Teresa, Patronato, que guardavam no internato, as meninas de outras cidades! O Ensino Público era valorizado, e nada deixava a desejar aos Colégios Particulares! Ser professora primária era o pódio da maioria das moças!
As Academias eram nas calçadas, com muito pula-pula , ou pra achar o cinturão-queimado. Os meninos jogavam futebol para entortar as pernas, e as meninas jogavam chibiú para encontrar o equilíbrio, nos malabarismos domésticos!
Quem não teve uma foto "by" Telma Saraiva? Quem não tomou sorvete em Bantim? Quem não usou Angel Face, Cashemere Bouquet, Vale Quanto Pesa, creme dental Gessy, Contourée, Madeira do Oriente, e perfumes da Coty?
Crato das noites frias de junho, dos balões encantados, das amplificadoras e rádios... Tocando "O GUARANI" ou "LENDA DO BEIJO ".
Calcei sandálias pisa-na-fulô, fiz primeira comunhão em traje de noiva, e arranjei os primeiros namorados, desfilando na Praça Siqueira Campos ( com saltos) ou nas procissões (com farda de gala). As tertúlias nas casas de família, os passeios nos açudes e cascatas eram permitidos... Faziam a nossa felicidade!
Tenho lembranças tão antigas, que a minha mãe diz: "Eu tenho é medo que você se lembre da hora em que nasceu". Tava muito escuro de onde eu sai. Precisava da luz desta cidade cearense, e não tive dúvidas: cheguei, sem vontade de partir!
Se é pra homenagear médicos, cada um tem os seus. Eu procuro viver sem procurar a doença , mas a gente tem que viver é sem provocá-la. Do tempo que eu nasci até 1975 só conhecia um doutor : Eldon Cariri. Depois que voltei, ele estava aposentado, e fiquei aos cuidados do Dr. Zé Flávio. Mas o Crato sempre rendeu bem , na área da saúde, tendo em vista a qualidade dos seus profissionais.Hoje o médico de família foi substituído pelos diversos especialistas.
Não posso esquecer as corridas que a minha mãe deu para Dr.Tarcísio Pierre, Dr Humberto Macário, Dr.Luciano Brito, nas nossas crises de garganta, nas suas crises de vesícula , e nos pequenos dodóis dos meus filhos, quando eram crianças. O Victor( meu menino do meio) é tão estudioso, que na maioria das minhas indisposições , permito que me cuide. Guardo os males maiores para a perícia incontestável do meu amigo e médico Dr. Zé Flávio.
A saúde, bem tão precioso , sem dúvidas , depende mais dos nossos hábitos de vida do que do péssimo atendimento público . Saúde no Brasil , se você não pagar caro por ela , pode mesmo morrer à míngua , como dizia minha avó , que era cliente de dois médicos de antigamente : Dr. Macário e Dr. Gesteira.
Imagino que, se eu comer e beber com disciplina e parcimônia, praticar alguma atividade física , evitarei os males que nos pegam de surpresa, mas que vivem latentes, no nosso organismo. Mesmo quem é portador de doenças graves , mas controláveis, pode ter qualidade de vida, e longevidade.
Acho que esse arrodeio todo foi pra expressar o meu carinho especial por Dr. Eldon, a quem muito considero, que me fez falta, e de quem sinto uma grande e terna saudade. Felizmente continua vivo e ativo. Estudiosíssimo , e paciente, sempre resolvia os nossos casos com sabedoria. Preciso fazer-lhe uma visita qualquer dia. Uma amiga próxima me contou que, depois de aposentado ele começou a estudar grego, tocar piano, e navegar na internet. Às vezes nos encontramos , e é sempre um momento de emoção.Nem vale ficar falando...Abraços a quem está vivo, e mora no Crato, eu posso fazê-lo , pessoalmente.
Quando ele chegou no Crato ,depois de formado ,tinha como especialidade a Pediatria. Foi meu primeiro médico. Um dia chegou para visitar-me a chamado da minha mãe, que desconfiava que eu estava com crupe. Na realidade era um falso crupe. Eu tinha dois anos e lembro do fato, perfeitamente. Ele me examinou, e falou: Maria do Socorro , eu quero ouvir sua voz. Eu pedi a minha mãe que armasse uma rede. Comecei a empurrar o pé na parede pra impulsionar o balanço, e cantei em toda altura ( roucamente) uma canção que estava em voga : Índia. Ele achou muita graça, claro !
Depois especializou-se em obstetrícia , e ajudou a nascer todos os meus irmãos , os meus filhos e sobrinhos. Todo mundo da minha família tem um caso de amor com aquele doutor. Porisso , devemos-lhe tanto !
Que Deus proteja a sua lucidez , por muitos e muitos anos.
Que deus ilumine a administração pública do país , no sentido de priorizar a saúde , valendo-se da sua competência e sensibilidade. Nem todo cidadão comum, em tempo algum, tem condições de pagar um plano de saúde ,que lhe garanta atendimento integral.
Da minha parte sou feliz e segura , nas mãos do Dr. Zé Flávio.
Tenho pensado mais do que vivido. Ao invés de encontrar o dia, eu apenas o espero com os olhos da paciência, e a impaciência dos sentidos.
Resolvi comprar um tênis, refazer lista de compras, e passar a borracha na metade das lembranças.
Estamos nos fins dos tempos. Uma expectativa de 30 anos de vida significa apenas alguns instantes. Depois será como no início... Uma inconsciência luminosa, dispersa no Universo.
Por que demorei tanto para compreender que morremos todos, todos os dias?
Nesses estágios paralelos, todos estão no caminho do fim definitivo. Pode até ser que tudo seja cíclico. Pode até ser que essa trajetória sofra alterações aleatórias ou propositais. Pode até ser que o sentido do infinito seja uma espiral, sem o extremo final.
No emaranhado de pensamentos, de linhas que se cruzam, ou se acompanham... Pago contas e faço compras. Fico triste com as notícias, e busco a arte como alento...
- Essa coisa estranha que mistura vida prática com imaginação.
- A música toca dentro de mim, mas só tenho acesso às palavras... E com rasuras!