por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 16 de agosto de 2026

 CIRO, NA VISÃO DE TASSO (Por Luís Costa Pinto)


– Senta aí e me conta uma coisa – pediu-me Tasso Jereissati, indicando a cadeira diante de sua espaçosa mesa de trabalho no escritório da holding familiar Calila, em Fortaleza.
Passava um pouco das 15h do dia 7 de outubro de 2002. Tasso acabara de ser eleito senador para cumprir um primeiro mandato em Brasília. Encerrava um ciclo de três mandatos de governador do Ceará.

Atendi ao pedido. Achei que ele seguiria com a conversa iniciada às 11h, quando aceitei fazer a campanha de 2º turno de Lúcio Alcântara (PSDB) ao governo do estado. Durante o almoço analisáramos os porquês da acachapante derrota de Ciro Gomes no 1º turno presidencial – terminou em quarto lugar, com 10 milhões e 880 mil votos, atrás até de Anthony Garotinho, que concorria pelo PSB e obtivera 15 milhões de votos.

- Conte-me, prosseguiu Tasso, depois desses meses de convívio intenso com Ciro… vocês se conheciam desde quando mesmo? – 1990 – respondi; foi você quem nos apresentou, quando ele era candidato à sua sucessão no primeiro mandato.


– Pois bem, continuou Tasso:  Depois desse tempo de convívio tão próximo na campanha presidencial, você diria que Ciro é o homem mais inteligente que você já conheceu; OU É O POLÍTICO MAIS MENTIROSO COM O QUAL VOCE JÁ CONVIVEU  ?


Não esperava a pergunta. Ela veio acompanhada de um sorriso sarcástico que o senador tucano sabe dar nas conversas reservadas, quando quer analisar a fundo alguns problemas.

Ganhei alguns segundos para pensar com o silêncio que impus. Deixava claro que estava pensando na melhor resposta e tentava adivinhar a intenção da pergunta.


– É O MENTIROSO MAIS INTELIGENTE COM O QUAL CRUZEI NA VIDA, devolvi enquanto olhava direto nos olhos dele.
Rimos à larga. Depois, ele concordou: - TAMBÉM ACHO; É EXATAMENTE ISSO, concluiu Tasso.

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Post Scriptum: Essa conversa, entre Tasso Jereissati e o jornalista Luis Costa Pinto, está inserta no voluma 3 do livro "Trapaça-Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro", de autoria do jornalista e, portanto, é de domínio público.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

 

BRASIL, HEXACAMPEÃO, SIM SENHOR – José Nílton Mariano Saraiva.

Na tentativa desesperada de fugir de um ESDRÚXULO  HEXACAMPAEONATO (qual seja, 06 disputas de mundiais sem conquistar nada) o comando do futebol nacional (CBF) pagou alto para ver quando resolveu investir na contratação do laureado treinador italiano Carlo Ancelotti, multicampeão por diversos times europeus  (mas por nenhuma seleção nacional)..

À época, embora a receptividade tenha sido grande junto à torcida brasileira (que, tal qual Carolina, não viu o tempo passar na janela) o próprio contratado (Ancelotti) notou que por aqui as coisas são diametralmente diferentes da Europa, a partir do momento em que expressivo contingente corrupto da mídia esportiva nacional (junto com corporativos ex-jogadores da seleção, aposentados ou não), resolveram literalmente interferir em seu trabalho, ao “sugerir-lhe” e “aconselhar-lhe”, com desmedida insistência,  que um aposentado e farrista ex-jogador da seleção não poderia deixar de ser convocado: neimar (conhecido por todos como Zé-Cai-Cai).

E aí começou o jogo de hipocrisia em seu mais reluzente esplendor: mesmo absolutamente fora de forma, por conta dos excessos extracampo, ao novo treinador foi lembrado que aquela seria a última oportunidade para aquele ex-atleta se igualar a um grande jogador do passado (Pelé), no tocante a participações em Copas do Mundo; e mais, que tinha que ser convocado, que mesmo contundido teria tempo de recuperar-se, que com uma perna só seria melhor que qualquer outro e tantas baboseiras mais.

Fato é que, àquela altura o circo foi armado de uma forma tão intensa e abusiva, que, na data em que seriam declinados os nomes dos 23 integrantes da seleção (com imagens ao vivo e a cores para todo o Brasil), e ante um auditório repleto de uma imensa legião dos integrantes da média esportiva corrupta, o novo treinador esqueceu o que houvera afirmado antes (que só convocaria os que estivessem 100,0% fisicamente) e, fazendo suspense, citou o nome da referida figura, para delírio deles, os da mídia corrupta (soube-se, a posteriori, que dias antes de anunciar sua lista, pressionado, o  novo treinador fez questão de ligar pessoalmente para o ex-jogador, anunciando que o convocaria).

O resto da história metade do mundo e a outra banda mais que depressa constatariam (e até durante a própria apresentação); neimar (Zé-Cai-Cai para os íntimos) além de flagrantemente fora de forma, era portador de uma lesão grau 2 em uma das panturrilhas (que escondeu até o fim), que demandaria duas a três semanas de tratamento, quando só então estaria apto a “participar dos treinos”; ou seja, com um jogador a menos em relação às demais, a seleção brasileira partiu para um previsível fracasso na terra do tio SAM.

Fato é que o “queridinho” da mídia esportiva corrupta só adentrou ao gramado nos 20 minutos finais da quarta partida da seleção (contra o valente Japão) e, alfim, também nos 20 minutos finais da partida decisiva contra a Noruega; e foi aí que Zé-Cai-Cai (neimar) despiu-se de algum mínimo resquício de escrúpulo que porventura tivesse ao, sem qualquer razão aparente, investir e agredir deslealmente o principal jogador da seleção contrária; como prêmio, um justo cartão amarelo e o Brasil eliminado da Copa do Mundo.

Quanto ao multicampeão italiano Carlo Ancelotti, parece ter se adaptado e se amoldado ao sujo jeito de ser do futebol brasileiro, pouco se importando que tenha melado de forma  irremediável sua biografia: é que, antes de partir do Brasil para a aventura futebolista americana, que sabia de antemão destinada ao insucesso (em razão de ter aceito as sugestões e aconselhamentos dos “amigos”), tratou de garantir mais 04 anos de um vultoso contrato com a CBF, que o permite participar da próxima Copa do Mundo em 2030.

Então, a pergunta que fica é: se chegar lá, convocará o Zé-Cai-Cai  (neimar) novamente ??? É que, por incrível que pareça, já tem gente “sugerindo” que, como o Messi aos 39 anos nos mostra espetáculos fabulosos com a bola nos pés, e literalmente carrega a Argentina nas costas, Zé-Cai-Cai (neimar) poderá muito bem incorporá-lo daqui a 04 anos.

Você, aí do outro lado da telinha, consegue lembrar de piada mais sem graça, sem pé nem cabeça ???

quarta-feira, 8 de julho de 2026

 Pancho - Dr. Demóstenes Ribeiro (*)

     Nos anos cinquenta, quando eu era secundarista no Rio de Janeiro e sonhava tornar-me advogado, recebi um telegrama amargo e seco: venha urgente, seu pai muito mal. Logo que pude tomei o ônibus e cheguei quase três dias depois.

      Agonizando, o velho balbuciou: estou partindo, tome conta do Zé Antônio, das meninas e do Barreiro. Combati o bom combate. Agora é com você.

      Dei adeus ao sonho de me formar advogado, mas guardei a Cidade Maravilhosa para sempre. O meu irmão, indefeso e pequenino, tornou-se o centro da minha vida, e me reintegrei ao sertão.

      Não foi fácil, pois adorava o Rio. Um paraíso, apesar de morar no alojamento dos estudantes, da comida do Calabouço e das gozações dos cariocas. Mesmo a pé, sempre o Rio de Janeiro! Copacabana, Cinelândia, Maracanã, o centro da cidade. Que maravilha a descontração do povo e a alegria do carnaval. Lá, pela primeira vez estive num cinema. Assisti a muitos filmes mexicanos, uma paixão da vida inteira, me rebatizaram de Pancho, e até me emociono ao lembrar.

       No Barreiro, tínhamos um cavalo manco, chamado Rocinante -, e Zé Antônio tratava aquele pangaré como um irmão. Vestindo calça farwest, bigode à Clark Gable, camisa de manga comprida e lenço vermelho no pescoço, reassumi a vida no campo e o passado não me interessava mais.

       Por algum tempo, com aquele figurino, a mulherada não me dava sossego, mas uns invejosos passaram a se incomodar com o meu tipo e me chamavam, permanentemente, valete de pau.  A molecada se apropriou do apelido e mal eu apontava na rua, vinha o coro infeliz e insolente: valete, valete, valete de pau! Claro que eu não gostava. Um dia, assustando a todos, dei um tiro pro alto e me diverti bastante com a correria geral.

         Zé Antônio cresceu muito... Foi pro Rio de Janeiro, formou-se em Veterinária e regressou anos depois pra me ajudar no Barreiro. Era agora um moço alto, curvado, de boca entreaberta e ligeiramente retardado – os cariocas cravaram-lhe o apelido de babão.

       Na cidade modorrenta, a vida eram as missas e, à noite, os passeios na praça; a visita ocasional de cupido, uma médica feia e, tempos depois, a surpresa geral: a doutora e o Zé Antônio estavam namorando!

       Estão casados há cinco anos, mas ainda sem filhos. Ele, sempre babando. Ela, com a santa virtude da feiura extrema. Embora bondosos, nunca se viu tanto heroísmo junto. Muito me preocupam as futuras crianças daquele casal.

       Hoje, dia de feira, tirei uma folga do Barreiro e vim à cidade. Dei uma passada na igreja, fui ao barbeiro e aparei o bigode. Tomei um aperitivo e almocei bem. Breu do cinema falou que no fim-do-ano haverá filme de Cantinflas e de Sarita Montiel: assistirei várias vezes e já espero com ansiedade!

        O sol começa a se pôr e estou voltando à fazenda. Só eu e o Rocinante pela estrada poeirenta. Após cinco anos de seca, o crepúsculo ainda é mais triste. Outra vez, lembrei do Rio. Quem me dera a Cinelândia e as chanchadas: o sorriso da Eliana, as coxas da Virginia Lane e a bunda alegre da Renata Fronzi. No rádio de pilha ouvirei Bienvenido Granda e talvez volte a chorar.

        Rocinante percebendo a minha tristeza, parece escorrer duas lágrimas e me olha diferente. Aliso a sua cabeça e falo ao seu ouvido: é isso mesmo, amigo velho, ninguém consegue fugir ao seu destino.

       Solteirão para sempre, pois o Rio de Janeiro destruiu toda a minha esperança nas mulheres. Depois das cariocas, nenhuma me interessa mais. Mas, se algum dia o cupido me flechar novamente, tenho por precaução um velho cinto de castidade feminino comprado na Lapa.

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(*) Dr. Demóstenes Ribeiro, médico cardiologista, é natural de Missão Velha, estudou no Crato durante muito tempo, e atualmente reside e exerce a nobre profissão em Fortaleza-CE

sexta-feira, 26 de junho de 2026

 NA ARTE DA “PINTURA”, O REDESCOBRIR DA VIDA - José Nilton Mariano Saraiva 

Pintor famoso, sessentão, aposentado, família constituída, estabilizado na vida, eis que, de repente, se vê tomado por um profundo desejo de “sumir do mapa”, dar um basta naquele vazio imenso e doído que, sem mais nem menos, dele se apoderou. 

“Depressão” e depressão da braba, que o leva até a adquirir uma arma visando acabar logo com aquilo – para, quem sabe ? - encontrar um pouco de sossego, paz. Na hora de apertar o gatilho, no entanto, reflui, não tem coragem de fazê-lo; e aí, resolve sair pelo mundo no rumo que a “venta” (nariz) apontar. Logo se põe na estrada, sem qualquer compromisso com horário ou destino, se dia ou noite. 

Numa parada momentânea, em meio a uma chuva torrencial, batidas no vidro do carro lhe revelam o rosto apreensivo de uma jovem, encharcada pela tempestade. Mesmo a contragosto, aceita dar-lhe carona, “pra qualquer lugar”, conforme lhe determina a nova companhia. 

De pronto, à sisudez do sessentão deprimido, contrapõe-se o comportamento irrequieto e questionador daquela adolescente que poderia ser sua filha e que, aos poucos, paulatinamente, consegue fazê-lo “se abrir”. Contribui para tanto, o fato de também ela ter saído de casa, expulsa pela mãe e padrasto, e não saber (ou não ter) pra onde ir. 

Ao contrário do que normalmente acontece em dramas análogos, aqui o “velho” não tenta aproveitar-se da “jovem” de 17 anos, belíssima, escultural e desamparada. Pelo contrário, aos poucos cria uma afeição paternal tão grande por ela, de tal forma que chega a enfrentar alguns marginais (de rifle em punho) que tentavam abusá-la. 

No dia a dia, Marylou (esse o nome da jovem) inocentemente se sente à vontade para chamá-lo de “velho”, reclamar da “cafonice” das suas roupas e conceitos, e por aí vai. E ele, que ultimamente não suportava nem ouvir a voz da própria esposa, passivamente aceita tudo no maior bom humor, numa boa. Chega, até, a sorrir das trapalhadas em que ela se envolve (principalmente no quesito comida).

O divisor de água, no entanto, se dá quando ela (que pensava ser ele um “pintor de paredes”) vê alguns de seus trabalhos e, de tão impressionada, o estimula a “fazer mais”. Ela mesma, na praia, serve de modelo (bem comportada). E aí ele redescobre, na pintura, o prazer pela vida, sente que “está vivo”. 

De repente, a notícia estampada no jornal, de que a mãe se encontra à beira da morte em razão das agressões do padrasto, leva a “jovem” a fazer o caminho de volta, na companhia, é claro, do “velho”. Que aproveita para reatar com a esposa. 

Durante a longa permanência da mãe na UTI, pra não deixar Marylou desamparada, de comum acordo com a “revigorada” esposa, ele consegue na Justiça a “guarda” daquela menina que praticamente lhe trouxe de volta à vida. 

No final, com a mãe restabelecida e o padrasto preso, os dois retornam às origens: numa despedida pra lá de dolorosa para os dois, tão grande a afeição nascida, Marylou volta pra casa da mãe; o “velho” (Taillandier é o seu nome) pra sua casa, sua família. Renascido, por uma menina que lhe trouxe de volta à vida e que, a partir de então, considerará sua filha. 

Sem dúvida, “SEJAM MUITO BEM-VINDOS” é um cativante filme e digno de se ver.

sábado, 6 de junho de 2026

 

TÁ CHEGANDO A HORA – José Nílton Mariano Saraiva

Ao exercitar sua reconhecida porção magnânima e, sensível às recorrentes declarações e apelos dos partidários do presidiário Jair Bolsonaro, que alegavam sua saúde debilitada, traduzida em soluços, suores, calafrios e outras supostas mazelas, o Ministro Alexandre de Moraes houve por bem transferi-lo, POR 90 DIAS, do presídio da Papuda para uma prisão domiciliar humanitária, no recinto da sua mansão em Brasília. ISSO A PARTIR DE 24.03.2026.

Foi o suficiente e preciso para que Bolsonaro de repente deixasse de soluçar, de suar frio, de ter tremores e por aí vai, e se tornasse, a partir de então, no conspirador-mor da República que todos tomamos conhecimento.  

Tanto é que, hoje, de dentro (será ???) dessa prisão domiciliar humanitária, é ELE quem comanda toda a programação do seu partido, a partir até da escolha daqueles que serão candidatos na eleição de outubro próximo. E a desfaçatez é tanta, a febre bovina tão arraigada, que impôs ao partido, na marra, o nome do filho Flávio “Rachadinha” Bolsonaro para concorrer à Presidência da República.

Mas, como o prazo da prisão domiciliar humanitária SE ESGOTA NO DIA 21,06.26,  (aleluia, aleluia, aleluia) o Brasil das pessoas de bom senso espera que o ministro Alexandre de Moraes não se deixe levar por uma quase que provável nova crise de soluços (a mídia já começa a divulgar sobre), suores e tremores, e cumpra com o seu dever constitucional: realoque ou recoloque Jair Bolsonaro no lugar de onde nunca deveria ter saído, a prisão da Papuda, a fim de cumprir os suaves 27 anos que lhe restam cumprir. 

Afinal, não podemos deixar que o clima festivo de Copa do Mundo passe pano para as penalidades que conspiradores chulos merecem.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

 A “MAGIA” DO FUTEBOL - José Nilton Mariano Saraiva 

Sob um mesmo teto, dentro de um mesmo evento, só que em duas frentes distintas, acontece a “magia” do futebol: coletivamente, nas arquibancadas das arenas da vida, através do outrora impensável e democrático congraçamento dos mais distintos e díspares atores sociais (do médico ao engraxate, do biscateiro ao industrial, da empregada doméstica à deslumbrada socialite, e outros tantos) que, deixando de lado temporariamente suas idiossincrasias, problemas, soberbas e frustrações, em uníssono e irmanados põem-se a roer unhas, vibrar com o desempenho do time do coração, vaiar, aplaudir, premiar a senhora mãe do árbitro com adjetivos os mais “carinhosos”, “paparem” o mesmo anti-higiênico e gostosíssimo “cai-duro” ou mesmo a macaxeira cozida, preparados ali mesmo, na hora, sem importar-se de que venham acompanhados daquele maravilhoso suco repleto de coliformes fecais, antes de, até que enfim – momento supremo e apoteótico – se enroscarem na comemoração do gol tão esperado. 

Ali, não tem essa de seletividade, de um ser maior que o outro, de alguém se afirmar e se impor em razão de ostentar um anel de “doutor” ou um vistoso cordão de ouro no pescoço; não, ali não tem essa de autoridade, de excelência, de rei do gado e outras frescuras mais. 

A “magia” do futebol os faz, mesmo que momentaneamente, iguais, unos, irmãos, complementares, até. Ou, como diria Nelson Rodrigues, um dos nossos grandes dramaturgos e apaixonado por futebol: “todos os torcedores de futebol se parecem entre si como soldadinhos de chumbo; têm o mesmo comportamento e xingam com a mesma exuberância e os mesmos nomes feios, os juizes, os bandeirinhas, os adversários e os jogadores do próprio time” (pelo menos até a saída do estádio, acrescentaríamos). 

Já lá embaixo, entre as quatro linhas do “tapete verde” de um Maracanã ou Castelão da vida, ou mesmo no campo de terra batida dos “estádios” interioranos, a “magia” do futebol se nos apresenta solo, individualizada, personalista, de um só e único dono: o craque, o fora-de-série, aquele que faz a diferença, que desequilibra, magnetiza e é capaz de, numa fração de segundo, deixar o adversário esparramado de quatro no chão, após um drible desmoralizante, ou aplicar-lhe um “banho-de-cuia” magistral, deixando-o a ver navios, antes de aninhar a bola no fundo da rede. 

E ninguém mais emblemático para representar tão esfuziante personagem que o nosso saudoso Mané Garrincha, titular absoluto do time do Botafogo e na seleção brasileira em duas Copas do Mundo. 

Recorramos, novamente, ao que escreveu Nelson Rodrigues, ao final da batalha decisiva da Copa do Mundo de 1962, Brasil 3 x 1 Tcheco-Eslováquia, realizada no Chile, quando nos sagramos bicampeões: 

(aspas) “Amigos, a bola foi atirada no fogo como uma Joana D’Arc. Garrincha apanha e dispara. Já em plena corrida vai driblando o inimigo. São cortes límpidos, exatos, fatais. E, de repente, estaca. Soa o riso da multidão - riso aberto, escancarado, quase ginecológico. Há, de novo, em torno de Mané, um batalhão de tchecos. Novamente, ele começa a cortar um, outro, mais outro. Iluminado de molecagem. 

Garrincha tem nos pés uma bola encantada, ou melhor, uma bola amestrada. O adversário pára também. O Mané, com quarenta graus de febre, prende ainda o couro. A partida está no fim. O juiz russo espia o relógio. E o Brasil não precisa vencer um vencido. A Tcheco-Eslováquia está derrotada, de alto a baixo, da cabeça aos sapatos. 

Mas Garrincha levou até a última gota o seu olé solitário e formidável.  Para o adversário, pior e mais humilhante que a derrota, é a batalha desigual de um só contra onze. A derrota deixa de ser sóbria, severa, dura como um claustro. 

Garrincha ateava gargalhada por todo o estádio. E, então, os tchecos não perseguiam mais a bola. Na sua desesperadora impotência, estão quietos, imóveis. Tão imóveis que pareciam empalhados. Garrincha também não se mexe. É de arrepiar a cena. De um lado, uns quatro ou cinco europeus, de pele rósea como nádega de anjo; do outro lado, feio e torto, o nosso Mané. 

Por fim, o marcador do brasileiro, como única reação, põe as mãos nos quadris como uma briosa lavadeira. O jogo acabava ali. Garrincha arrasara a Tcheco-Eslováquia, não deixando pedra sobre pedra. Se aparecesse, na hora, um grande poeta, havia de se arremessar, gritando: O homem só é verdadeiramente homem quando brinca. E não houve, em toda a Copa, um momento tão lírico e tão doce. Aqueles quatro ou cinco tchecos, parados diante de Mané, magnetizados, representavam a Europa. Diante de um valor humano insuspeitado e deslumbrante, a Europa emudecia, com os seus túmulos, as suas torres, os seus claustros, os seus rios.   

A última jogada de Mané, no adeus aos Andes, foi uma piada linda e plástica. No mais patético das batalhas, a seleção brasileira soube brincar. E esse toque de molecagem brasileira é que deu à vitória uma inconcebível luz (aspas)”. 

Taí, a essência da “magia” do futebol.

terça-feira, 26 de maio de 2026

 O GIGANTE “DESPERTOU” – José Nílton Mariano Saraiva 

Inserta no meio dos versos de Joaquim Osorio Duque Estrada, que, alfim, compõe o Hino Nacional Brasileiro, a frase aparentemente inocente e comodista, “deitado eternamente em berço esplendido” durante muito tempo serviu para que os pessimistas de plantão tratassem de afinar o discurso negativista, tentando ridicularizar e até achincalhar o próprio país, porquanto retrataria com fidelidade uma espécie de “estado de espirito” omisso e acomodado dos seus dirigentes e do seu povo. Daí a perspectiva de um futuro desalentador e sombrio, profetizavam. 

Só que, ao longo do período 2003/2016 (quando começou a era lulista), trabalhando com denodo e em silencio, nos bastidores o Governo Federal paulatinamente conseguiu inserir o país no tabuleiro desenvolvimentista, via projetos bem estruturados, criteriosos e consistentes, daí o Brasil ter conseguido figurar (a partir de então) como um dos emergentes que no futuro (logo ali na esquina) se firmará, sim, como uma potência mundial. 

Pois bem, nessa bendita arrancada que iniciamos rumo ao primeiro mundo (houve uma momentânea interrupção pela assunção de um beócio à presidência) um dos insumos basilares que faz a “roda girar” é, sem sombra de dúvida, o petróleo (apropriadamente cognominado de “ouro negro) em razão da miscelânea de utilidades que incorpora, daí sua consequente e necessária presença em tudo que represente alavancagem, progresso, desenvolvimento. Em qualquer idioma, e em qualquer rincão do planeta Terra (qualquer dúvida sobre, é só atentar para a sujeira e o jogo sujo patrocinada pelo maior país do mundo, os Estados Unidos, que, vendo suas reservas paulatinamente se exaurirem, sem nenhum escrúpulo já invadiu o Iraque, a Venezuela - o maior produtor do mundo - e, agora, o Iran, a fim de se apossar do seu petróleo). 

Mas, voltando ao Brasil, deu-se o “fiat-lux”, por obra da descoberta do pre-sal (no governo Lula da Silva), e houve como que um despertar repentino, de sorte que o “deitado eternamente em berço esplendido”, tão criticado e achincalhado pelos negativistas, se transfigura e nos apresenta uma outra conotação, um outro horizonte, uma outra faceta. Sim, senhores, nosso país repousa, literalmente, desde tempos imemoriais, num portentoso reservatório de petróleo, que poderá transformá-lo num dos maiores produtores /exportadores do produto, com tudo de bom que isso representa. 

É que, a competente estatal brasileira Petrobras, “expertise” na exploração em águas profundas, depois da descoberta de imensas reservas petrolíferas nas profundezas oceânicas do pre-sal (Bacia de Campos) anunciou, após, um outro feito capaz de nos catapultar rumo ao primeiro mundo, verdadeira passaporte para se adentrar no seleto grupos de países preferenciais: a descoberta do campo de Libra, que guarda algo em torno de 15 bilhões de barris de petróleo (como se não bastasse, logo após a descoberta de Libra, aquela estatal e o governo de Sergipe anunciaram a descoberta de uma monumental nova reserva mineral, no litoral de Sergipe/Alagoas, ainda maior em termos de área do que a de Libra (e nos dias atuais, descobriu-se que a bacia litorânea do Amapá também possui portentosas reservas petrolíferas, talvez até maior que o pre-sal). 

Claro que a extração de toda essa riqueza do fundo do oceano é por demais complicada e onerosa, mas não faltarão parceiros dispostos a alocarem os recursos necessários, via aceitação da “partilha” proposta pelo governo brasileiro (que ficará com 75% do que for extraído) daí a tendencia que nos tornemos um dos maiores produtores/exportadores de petróleo, E inquestionáveis serão os reflexos na alavancagem desenvolvimentista e sustentável daí propiciada. 

Fato é que, se vivíamos “deitado eternamente em berço esplendido”, (mesmo tendo como colchão um mar de petróleo), agora o gigante não só despertou, mas levantou, e tende a ocupar lugar de destaque no conceito das nações (PARA TANTO, NO ENTANTO, NECESSARIO SERIA EXORCIZAR DE BRASILIA, E NÃO MAIS DEIXAR QUE VOLTEM, A CAMBADA DE MILICIANOS QUE SE APOSSOU DO PODER). E isso já foi feito. 

Evidentemente que nossa geração não alcançará o clímax, o apogeu disso tudo, mas, olhando em termos macros nos conforta saber que nossos descendentes (filhos, netos e até bisnetos) hão de usufruiu das benesses de um país que o mundo há de respeitar. 

Alguma dúvida ???