Senhores,
Uma das “lembranças” mais prazerosas
que o Facebook acaba de nos proporcionar, diz respeito à “republicação” do texto
de nossa autoria, postado anos atrás, tratando sobre a então criação da Região
Metropolitana do Cariri.
E isto porque, tudo o que ali
afirmamos naquela época (vide abaixo), é hoje uma dura e cruel realidade,
principalmente para os verdadeiros cratenses (mudamos/atualizamos apenas o
título do artigo e trechos pontuais).
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“DEFINITIVAMENTE, PERDEMOS O BONDE DA HISTÓRIA”
- José Nilton Mariano Saraiva
Se, enquanto teoria, a
criação da Região Metropolitana do Cariri (anos e anos atrás) conseguiu
ludibriar muita gente, através da propagação de mentiras e devaneios mil, na
prática, a partir do momento em que passou a ser operacionalizada, converteu-se
em um colossal embuste, uma farsa sem tamanho, uma nua, crua e indigesta
realidade.
Fato é que, para
camuflar a escolha de uma única cidade (Juazeiro do Norte) como receptora
preferencial dos investimentos governamentais ao sul do Ceará (assim como o
fizera com Sobral, ao norte), o Governo do Estado contou com uma legião de
muito bem treinados e amestrados “multiplicadores” (deputados estaduais da sua
base e secretários de Estado, todos cooptados) que, hipócrita e irresponsavelmente,
saíram às ruas a dourar a pílula, alardeando, difundindo e propagando as futuras
benesses advindas da criação da Região Metropolitana do Cariri.
Só que, internamente, entre
quatro paredes, já havia a determinação política em se evitar a pulverização dos
investimentos governamentais entre as diversas cidades da Região do Cariri
(desprovidas do “componente político”), centrando-os em uma só urbe, na
ilusória e enganadora (ou mafiosa) perspectiva que os benefícios fluiriam e se
espraiariam entre as demais comunidades; naquela ocasião, alertamos aqui mesmo
neste espaço sobre o perigo da passividade com que aquela conversa mole passara
a ser digerida, o que nos valeu diversos rótulos desabonadores, tais quais:
bairrista, conservador, retrógrado e por aí vai.
Mas foi assim,
verbalizando tal lorota diuturnamente (em alto e bom som), e valendo-se de um
pseudo “regionalismo” alavancador do progresso, que foram criados e passaram a
operar em Juazeiro do Norte (e só lá) o Aeroporto Regional do Cariri, o
Hospital Regional do Cariri, a sede regional da Receita Federal, a Universidade
Federal do Cariri, a delegacia regional da Polícia Federal, a unidade regional
da Receita Federal e tudo o mais que pudesse ser rotulado de “regional”, obstaculizando
qualquer tentativa de igualdade/equanimidade; tudo tinha, obrigatoriamente, que
ser em Juazeiro do Norte (e aí, posteriormente, na esteira do prestígio
chancelado pela “desonesta” preferência governamental, os empreendimentos
privados foram apenas consequência).
Quanto às demais
cidades da região, ficaram a ver navios, a esperar por quem não ficou de vir e experimentaram
a estagnação absoluta, a involução e a virarem meros satélites errantes a vagar
sem rumo e sem norte na órbita juazeirense.
O mais estapafúrdio nisso
tudo é que, à época da criação da tal Região Metropolitana do Cariri, por deslavada
conveniência política, e falta de justificativa consistente para esconder o
marasmo administrativo, ou mesmo na vã tentativa de justificar o injustificável,
os (maus) cratenses, inclusive e principalmente algumas autoridades
constituídas (que deveriam, sim, ser responsabilizadas pelo estágio a que
chegamos, aí no Crato), convencionaram e passaram a adotar o cretino e
ultrajante bordão de que, como éramos “UM SÓ POVO, UMA SÓ NAÇÃO CARIRI”, o
progresso e a aura desenvolvimentista viriam de forma equânime, igualitária,
simétrica (e coitado daquele que ousasse pensar diferente).
Deu no que deu. E como
o esvaziamento do Crato, a partir de então, foi e é notório e acachapante, hoje,
hipocritamente, as mesmas autoridades e formadores de opinião que engoliram o
bolo sem mastigar, que teceram loas àquela criminosa ação governamental, que se
deixaram bovinamente estuprar intelectualmente, que se extasiaram com o canto
da sereia, e que covardemente se omitiram em questões cruciais, posam de
indignados, choram ante as câmeras, manifestam surpresa, reclamam do tratamento
“desigual” a que foram submetidos Crato e as demais cidades da região. Pura
hipocrisia, deplorável jogo de cena, falsidade em estado latente.
E Juazeiro do Norte,
que nasceu, cresceu e tonificou-se à sombra de um grande e colossal embuste,
uma farsa grotesca e comprovada (o tal do “milagre da hóstia”), continua
adotando e valendo-se do mesmo heterodoxo “modus operandi”, da mesma estratégia
suspeita de tramar na calada da noite, que o catapultou à condição de centro receptor
de tudo que provém do poder central estadual (com a inestimável colaboração do “componente
político”).
Quanto ao Crato, em
razão da ignorância política do seu povo (como entender que um alienígena como
Ciro Gomes, que nunca fez nada pela cidade, haja obtido 11.000 votos numa mesma
eleição), em razão do descaso com que sempre foi tratada uma questão séria e
crucial (a escolha dos seus representantes na esfera política) definitiva e
merecidamente escorregou na maionese, e assim, sem retorno, PERDEMOS O BONDE DA
HISTÓRIA (sem choro nem vela).
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