por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sábado, 23 de maio de 2026

 

O PREÇO DE FLAVIO 2026: Como os novos escândalos do senador assombram a direita – por João Filho (jornalista)


De repasses aos mandantes do caso Marielle a esquemas bilionários de sonegação, a avalanche de denúncias cria um oceano de lama que ameaça afundar o projeto nacional do clã.

“O Ministério Público tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente", disse Fabrício Queiroz em um áudio de 2019, quando ele e Flávio Bolsonaro eram investigados por lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Mal sabia que essa seria a menor das “picas” a serem enfrentadas por Flávio Bolsonaro no decorrer da sua carreira política.  

Sete anos depois, o senador é pré-candidato à presidência e está enfrentando uma série de graves acusações. Além das negociações milionárias suspeitíssimas com o maior ladrão do Brasil, Flávio terá que passar o ano eleitoral explicando os escândalos de corrupção em que está envolvido. Não estamos falando de um caso ou outro, mas de muitos. A relação obscura com Vorcaro é só uma gota no oceano de lama no qual o senador está atolado. 

Flávio terá que explicar por que enviou uma emenda parlamentar de R$199 mil para uma ONG suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas, comandado pelos irmãos Brazão — os mandantes do assassinato de Mariele Franco. Segundo a Polícia Federal, o envio foi intermediado por um policial militar conhecido como "Peixe", que também foi condenado pelo assassinato da vereadora. O senador terá que esclarecer os motivos que o levaram a manter negócios com a quadrilha que matou a vereadora do PSOL.  

Operação ‘Sem Refino’


Há um outro caso que está prestes a explodir no colo de Flávio. A operação “Sem Refino” da Polícia Federal investiga um esquema bilionário de sonegação envolvendo a Refit, uma empresa do setor de combustíveis.

As investigações estão chegando cada vez mais perto de Flávio Bolsonaro, que viu seu aliado Cláudio Castro ser alvo de busca e apreensão na semana passada. O caso tem grande potencial para arrastar Flávio para o olho do furacão. Um relatório da PF enviado ao Supremo Tribunal Federal destaca que a “a leniência e a criação de um ambiente propício para a propagação da atividade espúria desenvolvida pela organização criminosa (...) retratam o amálgama do crime organizado com agentes públicos influentes na política fluminense, a começar pelo então chefe do Poder Executivo”. 
 

Não é possível falar em “agentes públicos influentes na política fluminense” sem falar na família Bolsonaro, especialmente Flávio. Até os paralelepípedos da Rua do Ouvidor conhecem a influência do senador na política fluminense. Um esquema dessa grandiosidade, considerado o maior caso de sonegação do país, dificilmente seria ignorado pelo filho mais velho de Jair Bolsonaro. Ainda mais um caso envolvendo dois parças tão próximos como Cláudio Castro, do PL do Rio de Janeiro, e o senador Ciro Nogueira, do Progressistas do Piauí, a quem foi entregue a “alma do governo” Bolsonaro. Aliados mais próximos a Flávio sabem disso e estão desesperados com a possibilidade real do caso respingar nele.  

Ninguém confia no Flávio

 

Flávio Bolsonaro é um mentiroso contumaz, como ficou evidente depois das reportagens do Intercept. Não que isso seja novidade, mas descobrimos que ele mente até mesmo para os seus aliados. No início da pré-campanha, os dirigentes do PL questionaram o senador sobre suas relações com Vorcaro. Ele negou. Meses depois, Flávio mudou a história, mas continuou mentindo. Disse que foi procurado pelo banqueiro, mas recusou o encontro. Hoje, sabe-se que ele não só o encontrou como pediu milhões para financiar o filme panfletário sobre seu pai. Ninguém confia em Flávio, nem mesmo os seus companheiros. 

O desespero para encontrar uma narrativa que salve o candidato é grande. Cavaram até um encontro com Trump nos EUA para tentar virar o jogo no noticiário. É uma tentativa de mostrar credibilidade junto ao presidente americano, já que aqui no Brasil nem a confiança de Valdemar da Costa Neto ele tem mais.

As chances do encontro ser um mico são grandes. Primeiro porque o presidente americano já não é mais visto como um bom cabo eleitoral. Uma fotinho ao lado dele não rende votos, apenas serve para deixar sua base eleitoral excitada. Segundo porque a imprevisibilidade de Trump pode até melar o encontro, ainda mais em meio a uma guerra. Viajar até os EUA e voltar sem o encontro seria vergonhoso e aumentaria as manchetes negativas. No fim das contas, a reunião com Trump é só um ato de desespero.
 

São muitos os esqueletos no armário do Flávio mas, pelo menos por enquanto, nada indica que ele desistirá da candidatura. Em condições normais de pressão e temperatura, um candidato que não inspira confiança já teria sido rifado pelos aliados. Ocorre que toda a direita brasileira está sequestrada pelos Bolsonaros. 

Afinal de contas, quem tem votos é a família e, para ela, não interessa vencer a eleição sem um parente à frente da candidatura. É melhor perder e manter a família com controle político da direita do que ganhar e entregar todo o capital eleitoral de bandeja para alguém de fora do clã.  

A direita hoje está refém de uma família cujo patriarca está preso, um dos filhos está foragido e o mais velho está escalado para a disputa presidencial mesmo atolado por escândalos de corrupção. Outros candidatos de direita, como Zema e Caiado, até tentam se diferenciar, mas não podem romper de uma vez com o bolsonarismo. Seria um suicídio eleitoral. 

Além disso, seria incoerente largar o osso depois de terem sido cúmplices dos maiores absurdos protagonizados pelo clã Bolsonaro, desde a roubalheira generalizada até a tentativa de golpe de estado. Vejam só onde a direita brasileira foi amarrar seu burro. Agora é tarde demais. Vão ter que segurar essa pica do tamanho de 10 cometas até o final da eleição. 

 DO EDITORIAL DO ESTADÃO, DE 21 de maio de 2026


Em novo editorial publicado nesta quinta-feira (21), o Estadão afirma que o escândalo de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro (Banco Master) não muda “uma vírgula” de sua biografia, já marcada por milícias, rachadinha e negócios obscuros. Flávio sempre foi honesto sobre seu único objetivo (livrar o pai da cadeia), e governar não está em seus planos. O texto critica aliados que ainda o apoiam porque o veem como única alternativa a Lula, ignorando que a candidatura de Flávio foi imposta pelo “dedazo” de Jair para sabotar a direita democrática. Leia trechos:

Desde que estourou o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, os integrantes da equipe de campanha do filho de Jair Bolsonaro saíram por aí a dizer que foram surpreendidos com a revelação de que o candidato a presidente tinha relações fraternas (e transacionais) com o protagonista do maior crime financeiro da história brasileira. […]

Ora, francamente: esse escândalo não muda uma vírgula da biografia de Flávio, na qual já figuram com destaque suas relações com milicianos, a prática de rachadinha em seu gabinete e estranhos negócios imobiliários em dinheiro vivo. Trata-se, portanto, de um candidato com longa ficha corrida, que nunca foi segredo para ninguém. O caso do Banco Master não torna Flávio pior do que ele já era. […]

Mas é preciso reconhecer que Flávio sempre foi absolutamente honesto a respeito do espírito de sua candidatura à Presidência: ele nunca escondeu que seu único objetivo, ao chegar ao poder, é livrar o pai da cadeia. Governar o Brasil não está nos seus planos, como não estava nos planos do patriarca – que terceirizou a administração do governo por sua absoluta inaptidão ao trabalho e que vivia a lamentar o fardo de estar na Presidência. […]

Portanto, segundo esse raciocínio, pouco importa se Flávio envolveu-se com o protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, se tem ligação com milicianos, se tomou dinheiro de funcionários de seu gabinete e se fez negócios obscuros em dinheiro vivo. Também não interessa se o tal filme feito com dinheiro de Daniel Vorcaro é tão ruim que não se pode condenar quem o considere apenas um meio de lavar dinheiro, fazer caixa de campanha e sustentar o irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo, na sua dolce vita nos EUA. O que interessa é impedir um novo mandato de Lula, retratado pelos bolsonaristas como o diabo em pessoa. […]

Bolsonaro e sua grei não geraram nada de bom para o País, só ressentimentos e destruição de consensos mínimos entre concidadãos.

sábado, 4 de abril de 2026

BANCO MASTER: A PROVA DEFINITIVA DA SAFADEZA – José Nílton Mariano Saraiva

Quando, após o imoral golpe perpetrado contra a democraticamente eleita Presidenta da República Dilma Rousseff, Michel Temer assumiu interinamente a Presidência da República, em maio de 2016, uma das suas primeiras providencias foi nomear o senhor Ilan Goldfajn para gerir o Banco Central.

Este, independentemente de ter ascendido ao cargo por escolha de um golpista (e até por isso mesmo), ficou na função de junho/2016 até o fim da gestão Temer, em dez/2018. Então, com a eleição e posse de Jair Bolsonaro, e após tramites burocráticos de praxe, dois meses depois, em fevereiro/2019, o comando do Banco Central foi entregue ao senhor Roberto Campos Neto, por indicação pessoal de Jair Bolsonaro.

Antes disso, no entanto, na fase de transição dos dois governos, Ilan Goldfajn mostrou pelo menos um pouco de dignidade e altivez quando, já nos estertores da sua atuação como presidente do Bacen, recebeu o senhor Daniel Vorcaro, que manifestou sua intenção de tornar-se “banqueiro”.

Após análise da situação, e elaboração do competente relatório técnico, o Banco Central (de Ilan Goldfajn) negou veementemente tal investida do senhor Vorcaro, por absoluta falta de provimento.

Em outubro/2019 (somente oito meses depois), e aí já na gestão de Campos Neto, no Bacen, o senhor Daniel Vorcaro, certamente que orientado por alguém do próprio novo governo Bolsonaro, voltou à carga na sua tentativa de tornar-se “banqueiro”, usando a mesma argumentação e papelada da solicitação anterior (que houvera sido rejeitada).

E aí, numa metamorfose impressionante e digna de esclarecimentos detalhados, o Banco Central da dupla Jair Bolsonaro/Campos Neto, resolve aprovar o mesmo pedido que houvera sido indeferido oito meses atrás, tornando o senhor Daniel Vorcaro, agora, sim, “banqueiro”, de fato e de direito.

Deu-se então que, durante os quatro anos do governo Bolsonaro o Banco Central de Campos Neto fez vista grossa ao jogo sujo e toda sorte de maracutaia do senhor Vorcaro (fraudes, desvios, corrupção e por aí vai). A troco de quê ???

Nisso tudo, há que se destacar a omissão criminosa da imprensa nacional, que, mesmo sabedora que o Banco Master, do senhor Vorcaro, foi fundado e atuou livremente no governo Bolsonaro (com Campos Neto, no Bacen), insiste em enganar a população ao sugerir que o atual governo tenha algo a ver com o descalabro descoberto.

Portanto, para que dúvidas não pairem e se acabe de vez com especulações infundadas, o líquido e certo é que: o Banco Master, do bandido Daniel Vorcaro, foi criado, homologado e atuou livremente e irregularmente desde o princípio, quando da gestão da dupla Jair Bolsonaro/Campos Neto.

A dupla Lula da Silva/Gabriel Galípolo fez apenas e tão somente o essencial e que deveria ter sido feito lá atras: liquidaram extrajudicialmente o Banco Master.

Alfim, metade do mundo e a outra banda gostariam de saber: depois da prisão do bandido Vorcaro, pela Polícia Federal, por qual razão não intimar o senhor Campos Neto para que explique a não tomada de providências durante seu tempo de presidente do Banco Central.         


 A SIMILITUDE (“MODUS OPERANDI”) ENTRE CIRO, CAMILO E  BOLSONARO  

Na arena política, com seus atores multiformes, vige aquele velho e assertivo adágio popular, segundo o qual... “o sujo não pode falar do mal lavado”.

Aqui no Ceará, por exemplo, temos o Ciro Gomes, que vive a falar mal do Jair Bolsonaro e do Camilo Santana, quando o seu “modus operandi” tem muita similitude com os dos dois, a saber: como deu um jeito de empregar na política toda a sua família (os irmãos Cid, Ivo, Lia e Lúcio devem a ele, sim, o ingresso na política), Ciro não pode criticar Bolsonaro por ter também empregado todos os filhos na política (Flávio, Carlos, Eduardo e Jair Renan, além da enteada (filha de Michele com um homem casado) e seu namorado que, mesmo morando no Rio de Janeiro, assinam ponto num órgão governamental em Santa Catarina, do governador Jorginho Melo).

Com relação a Camilo Santana, Ciro Gomes não pode nem de leve pensar em criticar seu ex pupilo por ter conseguido colocar a esposa Onélia Santana no cargo vitalício de Conselheira no Tribunal de Contas do Estado do Ceará, já que sua ex-esposa Patrícia Gomes de há muito está abrigada no mesmo cargo vitalício de Conselheira do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (nos dois casos, a remuneração beira aos R$ 40.000,00 mensais).

É aquela velha história: um sujo não pode falar do mal lavado.

Post Scriptum:

Ainda sobre o Ciro Gomes, por qual razão ele omite, em suas falas, discursos e no próprio curriculum, ter sido Conselheiro da Acesita e da Itaipu Binacional, faturando uma quantia mais que razoável, no tempo em que era ministro no governo Lula da Silva ???

quinta-feira, 5 de março de 2026

“CONFIDÊNCIAS... NA MADRUGADA” - José Nilton Mariano Saraiva


Desde tempos imemoriais criamos o saudável hábito (ou seria pura insegurança ???) de, ao sentar para tentar redigir alguma coisa, termos ao lado um velho companheiro de luta: o dicionário.

Assim, logo após o seu lançamento no Brasil, em 2001, adquirimos o Dicionário Houaiss (embora já tivéssemos o do Aurélio) por entender tratar-se de uma grande, necessária e imprescindível obra.

Para que tenhamos ideia da sua grandeza, basta atentar que, na sua elaboração, nada menos que 200 (duzentos) lexicógrafos e especialistas no mister participaram da empreitada, e que em suas 2.924 páginas o “livrão” nos traz cerca de 228.500 verbetes, 376.500 acepções, 415.500 sinônimos, 26.400 antônimos e 57.000 palavras arcaicas, além de um sem número de consistentes informações técnicas, evidentemente que versando sobre a Língua Portuguesa (daí também ter sido lançado em Portugal).

Sem qualquer demérito ao “Dicionário Aurélio”, o Houaiss lhe dá de goleada, daí o termos como um companheiro inseparável, sempre que – como agora – queremos colocar o preto no branco, tentar passar alguma coisa pra você, aí do outro lado da telinha.

Pois foi exatamente numa dessas íntimas trocas de “confidências na madrugada” (vocês também conversam com o Dicionário, no silêncio da noite ???) que a porca torceu o rabo: a palavra que procurávamos (que não nos recordamos no momento), começava com a letra “P”, cujo vastíssimo banco de dados se encontra relacionado entre as páginas 2.099 a 2.340 do Houaiss, para onde nos dirigimos.

Uma primeira pesquisa e a surpresa desagradável: nadica de nada da dita-cuja. Pacientemente, creditamos o seu “não encontro” à zonzeira típica da chegada do sono àquela hora da madrugada, razão porque nos dirigimos à cozinha para bebericar um gole d’agua e “lavar a fuça”, objetivando acordar de vez.

Numa nova tentativa, nada da palavra. Ficamos um tanto quanto “baratinados” e murmuramos cá com os nossos botões: como é que pode, um “bichão” desse tamanho (2924 páginas) não ter essa simplória palavra. E assim fomos nos deitar com a pulga atrás da orelha.

Pela manhã, já descansado e alimentado, partimos pra encarar a fera de frente, convictos que dessa vez ela não nos escaparia. Ledo engano. A tal palavra, definitivamente, não constava do estupendo Houaiss. Assim, inconformados tomamos então uma decisão radical: como que a procurar uma agulha no palheiro, sofregamente conferimos, uma a uma, da página número 01 à página número 2.924, na perspectiva da falta de alguma página.

Xeque-mate.

Encontramos, não só no espaço dedicado à letra “P”, mas, também, em mais duas outras letras (N e O ???), quatro ou cinco páginas faltando (em cada uma das letras) e, em seu lugar, páginas repetidas, num imperdoável erro de impressão (ou organização, ajuntamento e por aí vai) para uma obra de tamanho vulto.

Imediatamente acionamos o site ao qual o havíamos solicitado via Internet (Livraria Saraiva) e fomos orientados a devolver o Dicionário, via sedex (evidentemente que sem custos) e, semanas depois, recebemos um outro exemplar de volta (e aí já completo), com o agradecimento da editora responsável (Objetiva), que alegou que no “lote” em que se encontrava o exemplar que adquirimos originalmente teria havido o tal problema (repetição e falta de páginas).

Se, por conta disso, houve um “recall” a posteriori (solicitação de devolução de um lote ou de uma linha inteira de produtos, feita pelo responsável pela impressão do mesmo), não sabemos e nem nos foi dado conhecimento (mas, aqui pra nós, se você chegou a adquirir um Dicionário Houaiss, confira pelo menos a letra “P” à procura de páginas repetidas e consequentemente à falta das que deveriam ali constar, ok ??? ).

No mais, tirante esse detalhe (atípico), vale a pena investir no Houaiss (e como vale).

terça-feira, 3 de março de 2026

 Senhores, 

O aracatiense José Nílton Fernandes foi, durante décadas, um competente, profícuo e honesto funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Tanto, que chegou a ocupar, por mérito, cargos de relevo dentro da instituição, mercê da dedicação à própria. 

Mas, como não era “jeitoso”, como não era “subserviente”, como não era “puxa-saco”, findou por ser “sacaneado” por pessoas que detinham exatamente tais “virtudes” (?) a fim de conseguirem algum cargo de chefia, alguma posição de maior relevância (e fomos testemunha disso). 

Assim, quase que obrigado (ou compulsoriamente), Zé Nilton (como seus amigos o conhecem) foi sumariamente destituído da função de Gerente da Agência Centro do BNB, em Fortaleza-CE, que exercia com competência e altivez, além de ameaçado de ser transferido para uma agência interiorana qualquer, não necessariamente no Ceará, onde já há anos a família era radicada; e o motivo foi, exatamente, o discordar de conceitos politico-ideológicos antagônicos, professados por pessoas desqualificadas, mas ocupantes, não por merecimento, de funções hierarquicamente superiores (tempos do malfadado e desonesto Byron Queiroz). 

Mas, como “dignidade” é algo que deve ser preservada a qualquer custo por pessoas sérias e honestas, só lhe restou, então, o caminho da aposentadoria antecipada, mesmo que financeiramente prejudicial. 

Se o setor bancário perdeu uma figura mui competente, surgiu para Zé Nílton a oportunidade de embarcar na exigente e sutil “arte literária”, qual seja, o alinhavar com desmedida competência, textos antológicos, versando sobre uma miscelânea de assuntos (vários livros de sua autoria foram publicados). 

A destacar, o fato da sua querida Aracati revelar-nos um memorialista de escol, num relembrar de figuras ilustres ou não, da cidade; mas, sobre qualquer assunto Zé Nílton discorre com imensa capacidade e precisão cirúrgica. 

O exemplo pode ser visto abaixo, quando trata sobre “O EXILIO DOS VELHOS”. Confiram, por favor. 

José Nílton MARIANO Saraiva

 

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O EXÍLIO DOS VELHOS – José Nílton Fernandes  

Há uma tragédia silenciosa acontecendo dentro de muitas famílias brasileiras. Ela não explode nos jornais, não provoca protestos nas ruas e raramente desperta indignação coletiva. Ainda assim, corrói lares, rompe vínculos e revela uma das faces mais duras da natureza humana: o abandono dos velhos.

Durante décadas, esses homens e mulheres trabalharam, criaram filhos, sustentaram casas, pagaram contas, enfrentaram doenças, crises econômicas e privações. Foram pais, mães, conselheiros e provedores. Carregaram nas costas o peso da sobrevivência da família e da educação dos filhos.

Mas chega o tempo da velhice. E chega rápido. De repente, aquele homem que sustentava a casa começa a andar devagar demais. Aquela mulher que resolvia tudo passa a esquecer coisas simples.

O velho fala demais. Conta histórias que ninguém quer ouvir. Pergunta o óbvio. Repete frases. Enche o saco, dizem alguns. Já não se veste sozinho. Já não toma banho sozinho. Às vezes, perde o controle do corpo, fica fedorento, seboso.

A dependência, que deveria despertar compaixão, muitas vezes provoca irritação. E assim começa um processo silencioso de desumanização.

Aquele que um dia foi o centro da família passa a ser visto como um problema doméstico. Uma presença incômoda. Uma mobília antiga que ocupa espaço que agora deveria servir aos jovens.

Então surge a solução prática, fria e aparentemente civilizada: — “Vamos colocá-lo num abrigo. Lá ele será bem cuidado.”

A frase é curta. Mas o efeito é cruel.

Quase sempre essa escolha não nasce do amor, mas da conveniência. É a forma socialmente aceitável de dizer: — Não queremos mais lidar com ele.

Em muitos casos, o próprio idoso sequer é consultado.

De uma hora para outra, ele é retirado da casa onde viveu décadas. Das fotografias nas paredes. Da cadeira onde costumava sentar. Dos móveis que comprou com o suor do próprio rosto. É arrancado de sua rotina, de suas lembranças e de sua história.

O que chamam de abrigo, para muitos, transforma-se em um exílio. Às vezes, um exílio elegante. Às vezes, um exílio triste. Para alguns, um matadouro lento. Ali passam a viver entre estranhos, aguardando visitas que raramente vêm.

No começo, os filhos aparecem. Depois, espaçam as visitas. Por fim, desaparecem. O telefone quase nunca toca. Em certos lugares, nem sequer é permitido.

O tempo passa a ser medido não pelos dias, mas pelas ausências.

Nos corredores de muitos abrigos, repetem-se histórias parecidas. Velhos que passam horas olhando portas que não se abrem. Esperando alguém que prometeu voltar no domingo passado. Alguns contam os dias pela frequência das visitas. Outros simplesmente param de esperar.

Há instituições sérias e dedicadas, é verdade. Mas também existem lugares onde a velhice é tratada com frieza mecânica: cuidadores sobrecarregados. Banhos apressados. Remédios distribuídos como numa linha de montagem. E, em alguns casos, maus-tratos.

Há ainda um elemento mais cruel nessa história. Em certas famílias, o abandono funciona como uma vingança tardia. Filhos que cresceram ressentidos de um pai severo, distante ou autoritário encontram na velhice daquele homem uma oportunidade silenciosa de ajustar contas.

— Ele nunca foi o pai que eu queria. Agora, pensam alguns, ele pagará por isso.

É uma justiça amarga, construída sobre ressentimentos acumulados ao longo da vida. A velhice transforma-se então em um tribunal sem defesa.

Mas seria injusto afirmar que todos os casos nascem da crueldade. A realidade social também pesa. Muitas famílias simplesmente não conseguem cuidar de seus velhos. Hoje o casal trabalha o dia inteiro. Não há quem fique em casa. As moradias ficaram menores. A renda familiar desabou com a aposentadoria. Nas casas surgiram novos moradores: os netos. Há famílias em que três gerações já disputam o mesmo espaço. Falta tempo. Falta renda. Falta estrutura.

Cuidar de um idoso dependente exige presença permanente, preparo emocional e, muitas vezes, recursos financeiros que simplesmente não existem. Nesses casos, o abrigo não nasce da indiferença, mas do desespero. A longevidade moderna também agravou o problema. Antigamente, as pessoas morriam mais cedo. Muitas partiam na própria casa, cercadas por filhos, netos e vizinhos. A morte era um acontecimento familiar.

Hoje, a medicina prolonga a vida — mas a sociedade ainda não aprendeu a prolongar o cuidado. Vive-se mais. Ama-se menos.

E assim cresce um fenômeno doloroso do nosso tempo: a solidão dos velhos.

O Brasil possui leis que protegem o idoso. O Estatuto do Idoso estabelece que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de garantir dignidade, respeito e convivência familiar.

Mas nenhuma lei do mundo consegue fabricar aquilo que deveria nascer naturalmente nas casas: o amor filial.

O Estado pode fiscalizar instituições. Pode punir negligências. Pode oferecer políticas públicas. Mas não pode obrigar um filho a amar o pai. Não pode fabricar carinho. A civilização sempre foi medida por um critério simples: como tratar suas crianças e seus velhos.

Se uma sociedade abandona aqueles que lhe deram origem, algo profundo está se quebrando em sua estrutura moral. O mais inquietante é que esse processo costuma seguir quase um algoritmo silencioso.

Primeiro vem a impaciência. Depois, a distância emocional. Em seguida, a decisão prática. Por fim, o abandono socialmente justificado. E assim o ciclo se conclui.

Os velhos, que um dia foram o centro da família, terminam a vida como hóspedes da própria história.

Mais do que políticas públicas, precisamos recuperar uma ética da gratidão. Porque toda família é uma corrente. Os velhos de hoje foram os jovens de ontem. E os jovens de hoje serão os velhos de amanhã.

Alguns perguntam, diante de tanto sofrimento, se a morte não seria, em certos casos, um alívio. Talvez seja. Para quem acredita na vida espiritual, a morte não é o fim, mas a passagem para outra etapa da existência. A dor termina. A jornada continua.

Mas, enquanto a vida permanece aqui, a velhice não deveria ser um castigo. Deveria ser o tempo da colheita. O tempo da gratidão. Porque existe uma lei antiga — conhecida pelos filósofos, pelas religiões e pela própria experiência humana: A lei da causa e efeito.

A vida costuma devolver, mais cedo ou mais tarde, exatamente aquilo que um dia praticamos. Quem hoje abandona, amanhã poderá ser abandonado. Quem hoje cuida, talvez um dia também seja cuidado. E talvez seja essa a verdadeira pergunta que cada geração deveria fazer a si mesma:

Como queremos ser tratados quando chegar a nossa vez de envelhecer?

Fortaleza, 02 de março de 2026

José Nilton Fernandes

 Senhores, 

O aracatiense José Nílton Fernandes foi, durante décadas, um competente, profícuo e honesto funcionário do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Tanto, que chegou a ocupar, por mérito, cargos de relevo dentro da instituição, mercê da dedicação à própria. 

Mas, como não era “jeitoso”, como não era “subserviente”, como não era “puxa-saco”, findou por ser “sacaneado” por pessoas que detinham exatamente tais “virtudes” (?) a fim de conseguirem algum cargo de chefia, alguma posição de maior relevância (e fomos testemunha disso). 

Assim, quase que obrigado (ou compulsoriamente), Zé Nilton (como seus amigos o conhecem) foi sumariamente destituído da função de Gerente da Agência Centro do BNB, em Fortaleza-CE, que exercia com competência e altivez, além de ameaçado de ser transferido para uma agência interiorana qualquer, não necessariamente no Ceará, onde já há anos a família era radicada; e o motivo foi, exatamente, o discordar de conceitos politico-ideológicos antagônicos, professados por pessoas desqualificadas, mas ocupantes, não por merecimento, de funções hierarquicamente superiores (tempos do malfadado e desonesto Byron Queiroz). 

Mas, como “dignidade” é algo que deve ser preservada a qualquer custo por pessoas sérias e honestas, só lhe restou, então, o caminho da aposentadoria antecipada, mesmo que financeiramente prejudicial. 

Se o setor bancário perdeu uma figura mui competente, surgiu para Zé Nílton a oportunidade de embarcar na exigente e sutil “arte literária”, qual seja, o alinhavar com desmedida competência, textos antológicos, versando sobre uma miscelânea de assuntos (vários livros de sua autoria foram publicados). 

A destacar, o fato da sua querida Aracati revelar-nos um memorialista de escol, num relembrar de figuras ilustres ou não, da cidade; mas, sobre qualquer assunto Zé Nílton discorre com imensa capacidade e precisão cirúrgica. 

O exemplo pode ser visto abaixo, quando trata sobre “O EXILIO DOS VELHOS”. Confiram, por favor. 

José Nílton MARIANO Saraiva

 

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O EXÍLIO DOS VELHOS – José Nílton Fernandes  

Há uma tragédia silenciosa acontecendo dentro de muitas famílias brasileiras. Ela não explode nos jornais, não provoca protestos nas ruas e raramente desperta indignação coletiva. Ainda assim, corrói lares, rompe vínculos e revela uma das faces mais duras da natureza humana: o abandono dos velhos.

Durante décadas, esses homens e mulheres trabalharam, criaram filhos, sustentaram casas, pagaram contas, enfrentaram doenças, crises econômicas e privações. Foram pais, mães, conselheiros e provedores. Carregaram nas costas o peso da sobrevivência da família e da educação dos filhos.

Mas chega o tempo da velhice. E chega rápido. De repente, aquele homem que sustentava a casa começa a andar devagar demais. Aquela mulher que resolvia tudo passa a esquecer coisas simples.

O velho fala demais. Conta histórias que ninguém quer ouvir. Pergunta o óbvio. Repete frases. Enche o saco, dizem alguns. Já não se veste sozinho. Já não toma banho sozinho. Às vezes, perde o controle do corpo, fica fedorento, seboso.

A dependência, que deveria despertar compaixão, muitas vezes provoca irritação. E assim começa um processo silencioso de desumanização.

Aquele que um dia foi o centro da família passa a ser visto como um problema doméstico. Uma presença incômoda. Uma mobília antiga que ocupa espaço que agora deveria servir aos jovens.

Então surge a solução prática, fria e aparentemente civilizada: — “Vamos colocá-lo num abrigo. Lá ele será bem cuidado.”

A frase é curta. Mas o efeito é cruel.

Quase sempre essa escolha não nasce do amor, mas da conveniência. É a forma socialmente aceitável de dizer: — Não queremos mais lidar com ele.

Em muitos casos, o próprio idoso sequer é consultado.

De uma hora para outra, ele é retirado da casa onde viveu décadas. Das fotografias nas paredes. Da cadeira onde costumava sentar. Dos móveis que comprou com o suor do próprio rosto. É arrancado de sua rotina, de suas lembranças e de sua história.

O que chamam de abrigo, para muitos, transforma-se em um exílio. Às vezes, um exílio elegante. Às vezes, um exílio triste. Para alguns, um matadouro lento. Ali passam a viver entre estranhos, aguardando visitas que raramente vêm.

No começo, os filhos aparecem. Depois, espaçam as visitas. Por fim, desaparecem. O telefone quase nunca toca. Em certos lugares, nem sequer é permitido.

O tempo passa a ser medido não pelos dias, mas pelas ausências.

Nos corredores de muitos abrigos, repetem-se histórias parecidas. Velhos que passam horas olhando portas que não se abrem. Esperando alguém que prometeu voltar no domingo passado. Alguns contam os dias pela frequência das visitas. Outros simplesmente param de esperar.

Há instituições sérias e dedicadas, é verdade. Mas também existem lugares onde a velhice é tratada com frieza mecânica: cuidadores sobrecarregados. Banhos apressados. Remédios distribuídos como numa linha de montagem. E, em alguns casos, maus-tratos.

Há ainda um elemento mais cruel nessa história. Em certas famílias, o abandono funciona como uma vingança tardia. Filhos que cresceram ressentidos de um pai severo, distante ou autoritário encontram na velhice daquele homem uma oportunidade silenciosa de ajustar contas.

— Ele nunca foi o pai que eu queria. Agora, pensam alguns, ele pagará por isso.

É uma justiça amarga, construída sobre ressentimentos acumulados ao longo da vida. A velhice transforma-se então em um tribunal sem defesa.

Mas seria injusto afirmar que todos os casos nascem da crueldade. A realidade social também pesa. Muitas famílias simplesmente não conseguem cuidar de seus velhos. Hoje o casal trabalha o dia inteiro. Não há quem fique em casa. As moradias ficaram menores. A renda familiar desabou com a aposentadoria. Nas casas surgiram novos moradores: os netos. Há famílias em que três gerações já disputam o mesmo espaço. Falta tempo. Falta renda. Falta estrutura.

Cuidar de um idoso dependente exige presença permanente, preparo emocional e, muitas vezes, recursos financeiros que simplesmente não existem. Nesses casos, o abrigo não nasce da indiferença, mas do desespero. A longevidade moderna também agravou o problema. Antigamente, as pessoas morriam mais cedo. Muitas partiam na própria casa, cercadas por filhos, netos e vizinhos. A morte era um acontecimento familiar.

Hoje, a medicina prolonga a vida — mas a sociedade ainda não aprendeu a prolongar o cuidado. Vive-se mais. Ama-se menos.

E assim cresce um fenômeno doloroso do nosso tempo: a solidão dos velhos.

O Brasil possui leis que protegem o idoso. O Estatuto do Idoso estabelece que a família, a sociedade e o Estado têm o dever de garantir dignidade, respeito e convivência familiar.

Mas nenhuma lei do mundo consegue fabricar aquilo que deveria nascer naturalmente nas casas: o amor filial.

O Estado pode fiscalizar instituições. Pode punir negligências. Pode oferecer políticas públicas. Mas não pode obrigar um filho a amar o pai. Não pode fabricar carinho. A civilização sempre foi medida por um critério simples: como tratar suas crianças e seus velhos.

Se uma sociedade abandona aqueles que lhe deram origem, algo profundo está se quebrando em sua estrutura moral. O mais inquietante é que esse processo costuma seguir quase um algoritmo silencioso.

Primeiro vem a impaciência. Depois, a distância emocional. Em seguida, a decisão prática. Por fim, o abandono socialmente justificado. E assim o ciclo se conclui.

Os velhos, que um dia foram o centro da família, terminam a vida como hóspedes da própria história.

Mais do que políticas públicas, precisamos recuperar uma ética da gratidão. Porque toda família é uma corrente. Os velhos de hoje foram os jovens de ontem. E os jovens de hoje serão os velhos de amanhã.

Alguns perguntam, diante de tanto sofrimento, se a morte não seria, em certos casos, um alívio. Talvez seja. Para quem acredita na vida espiritual, a morte não é o fim, mas a passagem para outra etapa da existência. A dor termina. A jornada continua.

Mas, enquanto a vida permanece aqui, a velhice não deveria ser um castigo. Deveria ser o tempo da colheita. O tempo da gratidão. Porque existe uma lei antiga — conhecida pelos filósofos, pelas religiões e pela própria experiência humana: A lei da causa e efeito.

A vida costuma devolver, mais cedo ou mais tarde, exatamente aquilo que um dia praticamos. Quem hoje abandona, amanhã poderá ser abandonado. Quem hoje cuida, talvez um dia também seja cuidado. E talvez seja essa a verdadeira pergunta que cada geração deveria fazer a si mesma:

Como queremos ser tratados quando chegar a nossa vez de envelhecer?

Fortaleza, 02 de março de 2026

José Nilton Fernandes

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 “CÃO DE BRIGA” - José Nilton Mariano Saraiva

O “click” do destravamento da estranha coleira mecânica (e sua posterior remoção do pescoço) representava a senha para que aquele aparentemente tímido e frágil ser humano se transmutasse numa fera ensandecida, capaz de aniquilar quem encontrasse à frente.

 

Na verdade, desde a meninice o pacato e “desligado” Danny (Jet Li) que experimentara precocemente a orfandade, fora exaustivamente treinado e programado (por um suposto “tio”) com um objetivo específico: nas arenas da vida, tornar-se uma potente arma de guerra, autentico matador profissional, capaz de trucidar o adversário em segundos, em troca de algum dinheiro. Ao final de cada combate, dinheiro no bolso do “empresário” e o retorno à jaula que lhe servia de moradia, à comida racionada e às humilhações de sempre. Um cachorro vadio e desprezível, na completa acepção do termo. 

Mas quando, em razão de um grave acidente (e a presumível morte do seu “tutor-tio”), o “encoleirado” Danny se vê sozinho no mundo, perambulando sem rumo pelas ruas, repentinamente é atraído pelo som de um piano; e aí ele conhece Sam (Morgan Freeman) que, apesar de cego, é um exímio afinador do instrumento. 

Desprovido da visão, mas dono de uma apurada acuidade extra-sensorial, Sam detectara a presença de Danny no ambiente, estimulara-o a aproximar-se, pedira sua ajuda no manuseio de algumas teclas do piano e, ao final da conversa que fizera questão de provocar, convencido de que tratava de alguém de boa índole (mas sozinho no mundo, sem eira e nem beira), convidara-o para ir morar em sua casa. Lá, o encontro com Victória, enteada de Sam, aluna concludente de um dos mais respeitáveis conservatórios de música (piano) dos Estados Unidos.

Pacientemente, os dois deixam que Danny aos poucos se liberte dos seus medos e apreensões, das suas angústias e temores e finde por integrar-se à “nova família”, até porque, segundo ouviria de Sam a posteriori... “as famílias devem permanecer unidas”; e assim, aos poucos, acompanhado por Sam ou Victória, Danny começa a descobrir os prazeres da vida, em coisas e situações aparentemente banais ao mortal-comum: tomar um sorvete e saber que é gelado, ir a um supermercado, detectar quando uma fruta se acha madura e, até, que um beijo na face, lhe dado por Victória em forma de saudação, é “molhado” e “gostoso”. Definitivamente, aquela era a “sua família”. 

De outra parte, os ensaios de Victória ao piano, em pleno recinto familiar, além de deixá-lo embevecido e extasiado, repentinamente o levam de volta ao passado e, via fragmentos memoriais, imagens começam a “pintar no pedaço”.  E aí ele obtém a resposta do “porque” da sua atração pelo piano: sua mãe fora pianista. Ajudado por Sam e Victória (através de um “retrato” que guardara e pesquisas posteriores), descobre não só a identidade materna, mas que fora uma pianista consagrada e famosa. 

Nisso, numa prosaica visita a um supermercado, eis que Danny é reconhecido por um dos comparsas do “tio” (que ele julgara morto e que o transformara num autêntico animal); descobre, então, que o próprio havia sobrevivido ao acidente e se vê “convidado” a comparecer à sua presença, imediatamente (sob a ameaça de que, não o fazendo, descobririam seu endereço e seus atuais protetores sofreriam as consequências). 

Volta, é obrigado a recolocar a coleira e, mesmo afirmando não mais querer matar ninguém, é jogado numa arena onde cinco profissionais, usando instrumentos contundentes, começam um autêntico “massacre”; por instinto de sobrevivência, a “fera” ressurge em todo o seu esplendor e letalidade, e assim Danny acaba com todos eles. Foge e, ferido, arquejante e cambaleante procura o abrigo de Sam e Victória, até porque... “as famílias devem permanecer unidas”. 

Surpreso, descobre que os velhos amigos (o “tio” à frente), já haviam descoberto seu “esconderijo” e, agora, subiam os lances de escada dispostos a trucidar com todos eles. Após colocar Sam e Victória num local presumivelmente seguro, dá-se a última batalha: um a um os comparsas são abatidos, impiedosamente, só restando o “tio”; já caído ao chão após uma luta sangrenta, incitando-o a que ele (Danny) mostre ser o que realmente é - “só um assassino” – provoca-o mais ainda ao afirmar que sua mãe fora uma prostituta que lhe servira sexualmente em ocasiões diversas; e aí, em feedback Danny revive a cena em que o “tio” matara sua mãe, à queima roupa, com um tiro na cabeça. 

Ainda assim, naquele momento crucial, o humano se sobressai, a fera sucumbe e Danny terminantemente se recusa a assassiná-lo; não, ele não é “aquilo”. Pressentindo o perigo, Sam sai do esconderijo e acaba com o marginal, ao acertá-lo com um vaso de plantas, na cabeça. 

Cena final: no conservatório, ao receber seu diploma de melhor pianista da turma de concludentes, Victória, ao ser convidada pra mostrar suas habilidades, toma do microfone e anuncia que a música a ser executada é dedicada a alguém muito especial, que se encontra na plateia; alguém cuja vida transformou-se quando encontrou a música. 

Um filmão !!!

Haja coração.