por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



domingo, 24 de maio de 2026

  DOMINÓ DOS BOLSONARO (por MÁRCIA TIBURI)

Vorcaro é o novo filho de Bolsonaro

Nunca é hora de cantar vitória em se tratando de eleições. E, de fato, a corrida eleitoral está apenas começando no Brasil ainda politicamente bipolar. A prudência avisa que tudo pode acontecer quando se está sob ameaça de fascismo e a égide do Centrão não sinaliza para seu fim.

Apesar da prudência, não precisamos ter medo ao analisar o cenário envolvendo os Bolsonaro em queda. A lama envolvendo o nome está tão densa que vai ser difícil limpar no tempo de disputar eleições. A onda bolsonarista está passando já faz um tempo. De fato, os candidatos da extrema direita sempre podem usar as velhas tática de fake news e desinformação, que os trouxe e manteve no poder por décadas. Mas, agora, os Bolsonaro estão por demais ocupados em tentar salvar o mais importante deles no momento. A coisa está tão feia que nem mesmo a imprensa corporativa passadora de pano, apoiadora de personagens abjetos, que sempre ajudou na produção de desinformação e fake news ao longo dos anos, está conseguindo manter a pose.

Para quem amargou a escalada dos Bolsonaro desde 2016 e a ascensão do fascismo à sua imagem e semelhança, o que levou Jair à Presidência da República de 2018 a 2022, é hora de admirar o castelo bolsonarista ruindo.

Os ventos que insuflaram o vírus do fascismo à brasileira, que leva o nome de bolsonarismo, já não sopram a favor de nenhum dos seus integrantes. No tabuleiro de dominó, o pai caiu primeiro, como não poderia deixar de ser, depois de ter sido julgado como líder de organização criminosa que projetou o golpe inacabado de 2023, além de outros crimes e diversas abjeções morais das quais foi protagonista, sobretudo, na época da pandemia da covid-19.
As peças da escadinha começam a oscilar com o desabamento do segundo membro, o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair. Já o chamado número 2, Eduardo, alcunhado como “bananinha” por uma ex-namorada, vive hoje nos EUA, provavelmente com dinheiro ilícito roubado do ladrão master que é Daniel Vorcaro. Acusado de coação e pressão internacional para interferir nas investigações do STF sobre o golpe, a cassação do seu mandato foi o de menos perto do que está por vir.

Não sobrará nenhum deles a depender das investigações e da seriedade da Justiça. Carlos, por exemplo, segue quieto, mas assim como o irmão, ele também é acusado de rachadinha. Além disso, está sendo odiado até pela direita de Santa Catarina, onde pretende se eleger como senador roubando os votos dos fascistas nativos. Jair Renan, vereador em Balneário Camboriú, é acusado de vários crimes, entre eles, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso. Nem Michelle, esposa e madrasta da malta Bolsonaro, sairá ilesa porque também ela depende que esse nome possa ser limpo.

Para os que especulam sobre a candidatura da esposa de Bolsonaro, é bom lembrar o óbvio, a saber, que ela é politicamente frágil. Não tem nem conhecimento, nem o apelo emocional de Bolsonaro. O discurso de ódio de Bolsonaro o liberava da necessidade de ter conhecimento sobre o Estado, a economia e a política. O carisma de Michelle termina, rapidamente, sem a presença do marido. Ela tinha uma função na divisão do trabalho do casal, o de ser a mulher auxiliar e cuidadora, mas não tem nem de longe a força do discurso fascista que a seguraria no lugar de substituta do marido preso e moribundo.

Além de tudo, ela é mulher, ou seja, na política, como na vida geral do patriarcado, isso é um desabono. Os bolsonaristas raiz, por sua vez, não a respeitam, seja pelo seu passado, seja pelo seu presente. E os evangélicos, que gostam dela porque ela é elegante no púlpito e fala como uma pastora, precisariam de um investimento incomum para superar o machismo e acreditar que ela pode governar um país.