por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



sexta-feira, 10 de julho de 2026

 

BRASIL, HEXACAMPEÃO, SIM SENHOR – José Nílton Mariano Saraiva.

Na tentativa desesperada de fugir de um ESDRÚXULO  HEXACAMPAEONATO (qual seja, 06 disputas de mundiais sem conquistar nada) o comando do futebol nacional (CBF) pagou alto para ver quando resolveu investir na contratação do laureado treinador italiano Carlo Ancelotti, multicampeão por diversos times europeus  (mas por nenhuma seleção nacional)..

À época, embora a receptividade tenha sido grande junto à torcida brasileira (que, tal qual Carolina, não viu o tempo passar na janela) o próprio contratado (Ancelotti) notou que por aqui as coisas são diametralmente diferentes da Europa, a partir do momento em que expressivo contingente corrupto da mídia esportiva nacional (junto com corporativos ex-jogadores da seleção, aposentados ou não), resolveram literalmente interferir em seu trabalho, ao “sugerir-lhe” e “aconselhar-lhe”, com desmedida insistência,  que um aposentado e farrista ex-jogador da seleção não poderia deixar de ser convocado: neimar (conhecido por todos como Zé-Cai-Cai).

E aí começou o jogo de hipocrisia em seu mais reluzente esplendor: mesmo absolutamente fora de forma, por conta dos excessos extracampo, ao novo treinador foi lembrado que aquela seria a última oportunidade para aquele ex-atleta se igualar a um grande jogador do passado (Pelé), no tocante a participações em Copas do Mundo; e mais, que tinha que ser convocado, que mesmo contundido teria tempo de recuperar-se, que com uma perna só seria melhor que qualquer outro e tantas baboseiras mais.

Fato é que, àquela altura o circo foi armado de uma forma tão intensa e abusiva, que, na data em que seriam declinados os nomes dos 23 integrantes da seleção (com imagens ao vivo e a cores para todo o Brasil), e ante um auditório repleto de uma imensa legião dos integrantes da média esportiva corrupta, o novo treinador esqueceu o que houvera afirmado antes (que só convocaria os que estivessem 100,0% fisicamente) e, fazendo suspense, citou o nome da referida figura, para delírio deles, os da mídia corrupta (soube-se, a posteriori, que dias antes de anunciar sua lista, pressionado, o  novo treinador fez questão de ligar pessoalmente para o ex-jogador, anunciando que o convocaria).

O resto da história metade do mundo e a outra banda mais que depressa constatariam (e até durante a própria apresentação); neimar (Zé-Cai-Cai para os íntimos) além de flagrantemente fora de forma, era portador de uma lesão grau 2 em uma das panturrilhas (que escondeu até o fim), que demandaria duas a três semanas de tratamento, quando só então estaria apto a “participar dos treinos”; ou seja, com um jogador a menos em relação às demais, a seleção brasileira partiu para um previsível fracasso na terra do tio SAM.

Fato é que o “queridinho” da mídia esportiva corrupta só adentrou ao gramado nos 20 minutos finais da quarta partida da seleção (contra o valente Japão) e, alfim, também nos 20 minutos finais da partida decisiva contra a Noruega; e foi aí que Zé-Cai-Cai (neimar) despiu-se de algum mínimo resquício de escrúpulo que porventura tivesse ao, sem qualquer razão aparente, investir e agredir deslealmente o principal jogador da seleção contrária; como prêmio, um justo cartão amarelo e o Brasil eliminado da Copa do Mundo.

Quanto ao multicampeão italiano Carlo Ancelotti, parece ter se adaptado e se amoldado ao sujo jeito de ser do futebol brasileiro, pouco se importando que tenha melado de forma  irremediável sua biografia: é que, antes de partir do Brasil para a aventura futebolista americana, que sabia de antemão destinada ao insucesso (em razão de ter aceito as sugestões e aconselhamentos dos “amigos”), tratou de garantir mais 04 anos de um vultoso contrato com a CBF, que o permite participar da próxima Copa do Mundo em 2030.

Então, a pergunta que fica é: se chegar lá, convocará o Zé-Cai-Cai  (neimar) novamente ??? É que, por incrível que pareça, já tem gente “sugerindo” que, como o Messi aos 39 anos nos mostra espetáculos fabulosos com a bola nos pés, e literalmente carrega a Argentina nas costas, Zé-Cai-Cai (neimar) poderá muito bem incorporá-lo daqui a 04 anos.

Você, aí do outro lado da telinha, consegue lembrar de piada mais sem graça, sem pé nem cabeça ???

quarta-feira, 8 de julho de 2026

 Pancho - Dr. Demóstenes Ribeiro (*)

     Nos anos cinquenta, quando eu era secundarista no Rio de Janeiro e sonhava tornar-me advogado, recebi um telegrama amargo e seco: venha urgente, seu pai muito mal. Logo que pude tomei o ônibus e cheguei quase três dias depois.

      Agonizando, o velho balbuciou: estou partindo, tome conta do Zé Antônio, das meninas e do Barreiro. Combati o bom combate. Agora é com você.

      Dei adeus ao sonho de me formar advogado, mas guardei a Cidade Maravilhosa para sempre. O meu irmão, indefeso e pequenino, tornou-se o centro da minha vida, e me reintegrei ao sertão.

      Não foi fácil, pois adorava o Rio. Um paraíso, apesar de morar no alojamento dos estudantes, da comida do Calabouço e das gozações dos cariocas. Mesmo a pé, sempre o Rio de Janeiro! Copacabana, Cinelândia, Maracanã, o centro da cidade. Que maravilha a descontração do povo e a alegria do carnaval. Lá, pela primeira vez estive num cinema. Assisti a muitos filmes mexicanos, uma paixão da vida inteira, me rebatizaram de Pancho, e até me emociono ao lembrar.

       No Barreiro, tínhamos um cavalo manco, chamado Rocinante -, e Zé Antônio tratava aquele pangaré como um irmão. Vestindo calça farwest, bigode à Clark Gable, camisa de manga comprida e lenço vermelho no pescoço, reassumi a vida no campo e o passado não me interessava mais.

       Por algum tempo, com aquele figurino, a mulherada não me dava sossego, mas uns invejosos passaram a se incomodar com o meu tipo e me chamavam, permanentemente, valete de pau.  A molecada se apropriou do apelido e mal eu apontava na rua, vinha o coro infeliz e insolente: valete, valete, valete de pau! Claro que eu não gostava. Um dia, assustando a todos, dei um tiro pro alto e me diverti bastante com a correria geral.

         Zé Antônio cresceu muito... Foi pro Rio de Janeiro, formou-se em Veterinária e regressou anos depois pra me ajudar no Barreiro. Era agora um moço alto, curvado, de boca entreaberta e ligeiramente retardado – os cariocas cravaram-lhe o apelido de babão.

       Na cidade modorrenta, a vida eram as missas e, à noite, os passeios na praça; a visita ocasional de cupido, uma médica feia e, tempos depois, a surpresa geral: a doutora e o Zé Antônio estavam namorando!

       Estão casados há cinco anos, mas ainda sem filhos. Ele, sempre babando. Ela, com a santa virtude da feiura extrema. Embora bondosos, nunca se viu tanto heroísmo junto. Muito me preocupam as futuras crianças daquele casal.

       Hoje, dia de feira, tirei uma folga do Barreiro e vim à cidade. Dei uma passada na igreja, fui ao barbeiro e aparei o bigode. Tomei um aperitivo e almocei bem. Breu do cinema falou que no fim-do-ano haverá filme de Cantinflas e de Sarita Montiel: assistirei várias vezes e já espero com ansiedade!

        O sol começa a se pôr e estou voltando à fazenda. Só eu e o Rocinante pela estrada poeirenta. Após cinco anos de seca, o crepúsculo ainda é mais triste. Outra vez, lembrei do Rio. Quem me dera a Cinelândia e as chanchadas: o sorriso da Eliana, as coxas da Virginia Lane e a bunda alegre da Renata Fronzi. No rádio de pilha ouvirei Bienvenido Granda e talvez volte a chorar.

        Rocinante percebendo a minha tristeza, parece escorrer duas lágrimas e me olha diferente. Aliso a sua cabeça e falo ao seu ouvido: é isso mesmo, amigo velho, ninguém consegue fugir ao seu destino.

       Solteirão para sempre, pois o Rio de Janeiro destruiu toda a minha esperança nas mulheres. Depois das cariocas, nenhuma me interessa mais. Mas, se algum dia o cupido me flechar novamente, tenho por precaução um velho cinto de castidade feminino comprado na Lapa.

*********************************

(*) Dr. Demóstenes Ribeiro, médico cardiologista, é natural de Missão Velha, estudou no Crato durante muito tempo, e atualmente reside e exerce a nobre profissão em Fortaleza-CE