Todos
Vocês, atenção !
Melhor
aprenderem a ver, em vez de apenas
Arregalar os olhos, e a agir, em vez de somente falar.
Uma coisa dessas quase chegou a governar o mundo!
Os povos conseguiram dominá-la, mas ainda
É muito cedo para sair cantando vitória:
O ventre que gerou a coisa imunda continua fértil!
Um dos maiores mistérios
do Século XX era a incógnita de como o Nazismo conseguiu prosperar na Alemanha
, a partir dos anos 30. Isso com o apoio
maciço da população e (pasmem!) com a chancela quase que total da intelectualidade
alemã, pátria mãe da Filosofia moderna. Como foi possível tamanha barbárie: uma
Guerra Mundial que ceifou mais de 80 milhões de vidas, o Holocausto que
chacinou mais de seis milhões de judeus, além de ciganos, homossexuais e
deficientes. Oitenta anos depois, vivemos essa realidade em parte do mundo
desenvolvido, subdesenvolvido e aqui nas
nossas barbas tupiniquins.
Há pouco, seguindo um
tsunami alarmante que varre o mundo, a Cadela do Fascismo volta de novo a entrar
no cio. Vivemos no Brasil o gosto amargo desse viés fascistóide no governo
Bolsonaro (2019-2023), quando mais de 700.000 brasileiros perderam a vida por
conta de um irracional negacionismo . Logo depois, uma ameaça de golpe militar,
que por pouco não aconteceu pela simples razão de parte das Forças Armadas não
terem aderido aos porra-loucas. Junto do futuro projeto ditatorial, além do fechamento
do congresso e do STF, vinha a sobremesa canibalesca: o assassinato do
presidente Lula, do vice Alckmin e do Ministro Alexandre de Morais. Nestes dias, o país viveu uma ameaça
semelhante, depois de todas as agruras por que passou, correndo o sério risco
de ver projetado o mesmo filme de terror, agora sob a égide do filho do Belzebu
soluçante.
O
Brasil , num despertar súbito e inesperado, tomou as ruas com jovens novamente
ativos e atuantes e idosos com fortes lembranças dos tempos de chumbo e, numa
guinada linda e inesperada, fez com que valessem novamente o juízo e o
equilíbrio. O mal foi afastado da presidência e da nossa convivência após uma
fuga de ratazana doida, correndo para os braços do fascista mor: Donald Trump. Poucas
vezes os ares do Brasil ficaram tão respiráveis, a esperança voltou a reluzir, metabolizamos
o curare que nos vinha sendo injetado, pouco a pouco, nos últimos dez anos.
No meio da festa, no entanto, paira-nos uma sombra
que não se desanuvia. Como quase sessenta milhões de brasileiros saíram de suas
casas para votar num projeto declaradamente ditatorial e fascista? Conseguiram
ampla maioria no Senado e na Câmara de Deputados. Evangélicos trocaram as
bíblias por reluzentes armas de fogo com um novo princípio bíblico: “Armai-vos
uns aos Outros” ; segmentos católicos sonharam o mesmo sonho. As propostas de
campanha eram claras e inequívocas: Fazer o Impeachment de Ministros do STF não alinhados; militarizar
as Escolas públicas; cortar verbas da Educação e da Saúde; dar licença livre
para torturar e matar às polícias; cortar verbas de aposentadorias; perseguir
estudantes e universidades sob a justificativa que são um antro de maconheiros
e esquerdistas; cortar verbas para programas sociais de combate à pobreza e à
fome; entregar as poucas riquezas minerais que nos restam aos EUA; entregar o
país, de bandeja, ao Trump sob a justificativa de combater o terrorismo,
disfarçado de Crime Organizado e de Tráfico; combater as campanhas de vacina; transformar
o governo num Evangelistão e, principalmente, modificar a Constituição para
ampliar o tempo de governo da Extrema Direita no Brasil. A receita fascista não
era nada diferente de Mussolini. Logo
viriam a censura; a perseguição; prisão e eliminação de adversários políticos;
o desmonte da Cultura e da Ciência; o fechamento de universidades e da Câmara e
Senado, se necessário; a queima de livros e, logo a seguir, dos seus autores. O
mais preocupante é justamente isso: 60 milhões de brasileiros escolheram esse
remédio, sem nenhum pudor.
O filhote de Ditador se
escafedeu com medo de responder aos processos que mancham sua Folha Corrida que
tem cara de fossa séptica. Seus eleitores todos festejaram e defenderam a fuga.
De lá de muito longe, sob as asas luciféricas de Trump, ele se autodenominou
presidente e falou num fraude de uma eleição comandada por um juiz aliado seu
no STF e que proclamou o processo eleitoral como limpo, justo e inquestionável.
Quatro milhões de votos de distância para
Lula. Aqui muitos de seus seguidores começaram a perseguir os que optaram pela
lucidez: prometem demitir funcionários não alinhados, perseguir empresas que tiveram
juízo no pleito e alimentar preconceitos mil: contra gays, nordestinos, pobres,
negros...
Conseguimos salvar o
paciente que estava prestes a ser submetido ao tratamento derradeiro: uma
distanásia. O doente cria um novo alento para os próximos dias, mas não devemos
esquecer que o ventre que gerou a coisa imunda continua fértil, ninfomaníaco e
no cio. Como na pandemia, o mundo e o Brasil continuam severamente adoecidos.
Crato,
29/10/26
