por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
terça-feira, 16 de junho de 2015
É A NATUREZA ESTÚPIDO! - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Riqueza são aquelas
coisas materiais produzidas pelo trabalho humano que satisfazem desejos humanos
e podem ter valor de troca”. - John
Atcheson, citando Adam Smith que disse: “Riqueza
é material, não podemos considera-la uma habilidade física ou mental humana.
Ela é produzida pelo trabalho. A terra tem todas as características, só que não
é produzida pelo trabalho. O dinheiro não é riqueza, mas um meio de troca. A
riqueza, no entanto, deve ter valor de troca”.
Frase de Delfim Netto no período mais negro da Ditadura
Militar, logo após o AI 5, quando ele disse: “é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo” se coloca na
mais pura falácia do capitalismo segundo a análise de dois séculos feita por
Thomas Pikkety. Na verdade, a esperança distributiva do capitalismo industrial avançado,
nunca se concretizou e a ideia não é original de Delfim Netto. Dizia isso Simon
Smith Kuznets, russo radicado nos EUA que desenvolveu uma curva que relacionava
crescimento do produto à desigualdade de renda.
Pikkety destrói a falácia ideológica predominante na guerra
fria de que o capitalismo estaria sujeito a um determinante econômico onde o
desenvolvimento das suas forças produtivas levaria automaticamente à
distribuição de renda. O seu trabalho demonstra que não há uma lei econômica
inexorável que conduza à distribuição de renda. E nem à concentração.
O seu trabalho, no entanto, revela muito bem que a porção
mais pobre continua tão pobre como há duzentos anos, que neste intervalo surgiu
uma classe média que aumentou sua participação na distribuição das riquezas e
que os ricos, inicialmente, perderam participação, mas agora concentram mais
retirando meios da classe média.
Mas tem um lado importante do trabalho do autor francês: o
crescimento médio da economia mundial desde a revolução industrial (1700 a
2015) foi de 1,6% e metade deste crescimento (0,8%) devido ao crescimento
populacional. Crescimento mesmo do PIB per capita foi de 0,8%. Crescimentos mais acelerados só ocorrem em
países se recuperando em relação aos outros ou após guerras destrutivas. Quer
dizer: se for subtraída a parcela desnivelada e as perdas de guerra, o
crescimento é muito menor.
A questão do crescimento, que faz com que uma geração tenha
melhores condições que seus país é bem abordada pelo pensador francês,
considerando níveis ótimos em torno de 1 a 2% e perigosa a ideia do crescimento
zero, quando cada geração ficaria pior que seus pais. Não se esqueçam que
crescimento nos termos estudados consideram aumento de população e do PIB real
(riqueza sobre o número de pessoas existentes) e por isso taxa de crescimento
demográfico zero ou negativa leva a mero consumo das riquezas já acumuladas.
Mas aí vem a questão central quando diz Pikkety: “Melhorar a avaliação e valorização do capital
natural é uma questão central. A degradação do capital natural é um risco maior
do que qualquer outro. Esta é a verdadeira dívida(...) O problema real é que
não estamos em dívida com Marte, mas com o planeta Terra (...). No entanto, um
aumento de 2ºC na temperatura do planeta em 50 anos não é apenas um jogo de
palavras. E não dispomos de nada para resolver o problema do custo imposto ao
capital natural.
E ele continua apontando a questão do meio ambiente na
evolução e futuro do capital e seu crescimento: “É preciso levar em conta o que foi destruído, contabilizar o capital
natural. Contabilizar o que é criado sem reduzir o que foi destruído é
estupidez. Então a reportagem levanta com Pikkety que vivemos num impasse
com um capital muito poderoso e uma impressa muito forte.
Pikkety responde - “Tendência
passadas sugerem que as coisas podem mudar mais rápido do que imaginamos. A
história da desigualdade, da renda, da riqueza e dos impostos é cheia de
surpresas. O que vai acontecer ainda é totalmente incerto, e temos vários
futuros possíveis. Além disso, há diferentes maneiras de resolver estes
problemas: de forma mais ou menos rápidas, mais ou menos justa e mais ou
menos cara”.
domingo, 14 de junho de 2015
Sempre no meu coração - José do Vale Pinheiro Feitosa
Porque as fotos coloridas, quando cores não existiam, no
filme e na revelação. E elas eram coloridas. Suavemente coloridas, dégradée,
assim como as sombras do nosso corpo.
E a correnteza do tempo não é apenas um fluxo vazante. Com
frequência a ausência e o intervalo calendário nos comovem em esquecimento. Mas
é certo que no recôndito de camadas de anos aquele permanente fato é como um
remanso na correnteza.
Assim como as caras, apenas elas, em várias poses, que
contam a estética da época, traduzem uma permanência tão sólida como meus dedos
digitando estas palavras. As caras nas paredes imorredouras do domicílio de um
tempo de gentes e acontecimentos.
E o cinema. Que ideia força a criar imagens! Poses sugeridas
das estrelas e estrelinhas de suas salas em plenitude de domingos. E lá estava
Marisol na imagem de uma menina da terra.
E os leões da “casa dos leões” ao ladear a entrada para o
estúdio. Uma sala de cores neutras, focos de luz, assentos, guardas-luzes,
efeitos do clic mais saliente que os arranjos de laboratório (na fase digital o Fotoshop).
Isso é uma era. E não o passado do verbo ser. É uma
linguagem viva com integral léxico ao mundo atual. Quem não compreende as
palavras não pode se apresentar no escapismo do novo ou do presente. E quem não
compreende e desdenha, mostra uma lagoa seca. Sem novas fontes de abastecimento.
Assim como as fotos coloridas de Telma Saraiva, em sua
elegância apresentada, ela e as fotos, dizem de um tempo em remanso. Que gira,
acumula, retém, sem perder-se rapidamente a jusante.
Como canções que enterneceram minha mãe em seu eterno
romantismo. Uma das últimas conversas que tive com ela, um pouco mais do que
dezesseis anos de idade, narrava-me todo o enredo de um filme de encontro e
desencontro de um homem e uma mulher em plena 2ª Guerra Mundial. Na ponte
londrina de Waterloo.
Assim como Ernesto Lecuona, mais um dos gênios latinos da
canção do século XX, o cubano compositor de Siboney, Malaguena e Babalu. Qual
sua canção que ganhou um Oscar na trilha sonora de um filme. A canção que minha
mãe sempre cantava.
Sempre no meu coração. O remanso da permanência sobre o
desgaste do esquecimento.
sexta-feira, 12 de junho de 2015
E OS LADRÕES DA FIFA? - José do Vale Pinheiro Feitosa
“Já alguma vez se
perguntaram como é que acontece que estes governos e o capitalismo continuem a
existir apesar de toda miséria e problemas causados ao mundo?” – Alexandre Berkman.
E a crise da FIFA?
O FBI mandou prender pessoas de várias nacionalidades na Suíça.
Não se sabe quando serão deportados para as cortes americanas, mas já estão sob
a tutela delas. Há alguma contradição nesta notícia?
Muitas. Mas uma central: fazer negócio, receber bônus, privatizar
bens públicos, fazer lobby e se tornar um vitorioso biliardário é a própria
natureza do sistema cuja alma se encontra nos EUA.
Então tome siglas para nos confundir: FIFA, FBI e EUA. Pois
é esta natureza sintética das instituições que reproduz a bomba de efeito
moral. O mundo está revoltado com os corruptos.
Não com os ricos. Os biliardários não, mas com os corruptos.
Mas onde fica o limite entre os dois? Alguém em consciência desperta consegue
demarcar?
E tem uma questão clara. Nem um dos mais vitoriosos produtos
do mundo consegue esconder um volume tão acelerado e corrupto. Falo da Microsoft.
Quantas pernadas, esmagamento, oligopolização, sabotagem praticou e pratica,
inclusive com sonegações fiscais imensas.
As corporações lutam pelo domínio do patrimônio geral da
humanidade, incluindo os bens tangíveis como solo, água e ar e bens intangíveis
como a cultura. Querem cobrar um pedágio universal permanente por tudo que
exista, inclusive o ar que se respira. Assim como a telefonia celular que cobra
caro para você se comunicar com outro.
E aquela junta de siglas? Corre célere a desconfiança que os
EUA, que têm uma vida caríssima, (imensa armada espalhada pelo mundo, bases
aéreas nos quatro cantos, milhões de militares, tudo em plena atividade),
precisam das reservas feitas por entes privados no fundos bancários.
Por isso os paraísos fiscais começam a entrar na mira tendo
que revelar seus depósitos para autoridades americanas. E já começaram a buscar
os fundos dos “ladrões” da FIFA. Depois, o americano médio suspeita, vão
investir sobre todo tido de fundo de pensão, de renúncias fiscais tradicionais,
depósitos individuais e outros mais para compensar o aparelho de guerra montado
para manter os “negócios” de siglas como a FIFA.
A pergunta que imediatamente nos afronta. É possível manter
um status desta natureza, quando se esfaqueia exatamente aquele meio social que
sustentou com trabalho e crença este sistema capitalista? Normalmente é este
tipo de fogo que aumenta a pressão até o momento em que o acúmulo entra em
ebulição e uma revolução acontece.
Berkman, aquele da frase acima explica: “as pressões vindas
de cima (opressão política e econômica); as pressões vindas de baixo
(emancipação, ativismo e pensamento crítico); a disseminação e debate de ideias
críticas que facilitem a emergência de subjetividades rebeldes
(esclarecimento). Este é o ponto de mutação da realidade.
Slavoj Zizek afirma: “Estou convencido que numerosos
problemas como os ecológicos, biogenéticos e novas formas de apartheid não
podem ser resolvidos pelo capitalismo global.” Uma frase interessante no
mínimo.
Hoje se noticia que Israel joga os judeus negros e asiáticos
no fundo da escala social. Há o predomínio do judeu branco. Que veio da Europa
e nem semita geneticamente deve ser.
Aliás a ideia de raça branca é indissociável do território
Europeu. É no território que as etnias se fundaram. Não pelo dedo de Deus.
O último clique da velha Rolleyflex
J. Flávio Vieira
“A beleza pode ser vista
em todas as coisas,
ver e compor a beleza é
o que separa
a simples imagem, da fotografia”
Matt Hardy
Matt Hardy
A aquarela caririense esmaeceu esta
semana, quando caíram por terra a câmara e o pincel da nossa querida D. Telma Saraiva.
Fechou-se, naquele instante, uma gloriosa página da Cultura do Sul do Ceará,
quando plainou , a caminho do infinito,
a última pioneira da fotografia na nossa região. D. Telma descendia de
uma plêiade de fotógrafos que , por quase cento e cinquenta anos, vinha
registrando, meticulosamente, o cotidiano caririense, as mudanças e os impactos
nas nossas paisagens exteriores e interiores. Desde Manoel Biserra de Mello , o
primeiro fotógrafo itinerante que por aqui aportou em 1886; passando por Luiz
Gonzaga Martiniano da Costa que firmou o primeiro ateliê fotográfico da região em
1901; por Pedro Maia, o artista da câmara mais importante nos anos 20-30, até Júlio Saraiva Leão que
entregou o bastão à filha; somaram-se,
sucessivamente, os nossos cronistas
fotográficos em terras de Frei Carlos. Esta semana, por fim, quebrou-se, indelevelmente,
o último cálice de cristal da nossa prateleira. Estilhaçou-se o Daguerreótipo
e, por incrível que possa parecer, um daguerreotipo colorido.
D.
Telma descendia de uma tradicional família ligada umbilicalmente às artes . Seu
Tio, Cesário Leão, fora ator e músico; Salviano Saraiva , irmão, um dos mais
renomados atores caririenses e , depois, o mais importante fotógrafo de estúdio
da capital pernambucana. Sem falar em Júlio Saraiva, seu pai, um dos pioneiros
da fotografia no Ceará e um urbanista dos
mais inspirados. A Júlio devemos os mais bonitos cartões postais de Crato nas
décadas de 40-60. D. Telma nasceu neste berço artístico e teve sua vida
congenitamente traçada. Dedicou-se, desde cedo, embebida pelo cheiro do colódio
e da prata, à fotografia e especializou-se em fotos de estúdio, talvez porque
lhe fosse mais fácil conciliar a arte que abraçava quase como predestinação, às
atividades domésticas. E mais, artista
plástica intuitiva, descobriu que era possível sim, associar a fotografia à pintura, com vantagens vultosas. Conseguia dar
cores às fotos ( numa época do preto-e-branco) , tirar possíveis incorreções ou
defeitos ( uma espécie de photoshop pré-histórico) e dispensava as longas seções de pose dos
modelos imprescindíveis em caso de pinturas. Essa técnica apurada , nos últimos
tempos, terminaram por lhe dar renome internacional.
A
Fotopintura havia sido inventada por
Disdéri em 1868 e foi introduzida no Brasil por um dos únicos fotógrafos
portugueses da nossa história : Insley
Pacheco. Aqui, no Cariri, a técnica fora empregada pela primeira vez pelo
fotógrafo itinerante José Ribeiro em 1904. Telma Saraiva aperfeiçoou a técnica
original, montando-se na intuição e nos novos avanços tecnológicos da arte
fotográfica.
Outro
pioneirismo da nossa artista foi de gênero. A Fotografia no mundo sempre foi
extremamente masculina. No Brasil, nos
primórdios da arte, apenas uma mulher havia se destacado: Henriqueta Harms que
montara um ateliê no Rio de Janeiro em 1851. D. Telma Saraiva teria sido um caso único no nosso estado e
deve ser considerada a grande Dama da Fotografia no Ceará.
Pacientemente,
entre os cliques e pincéis, nossa
artista bordou um gigantesco painel iconográfico da região. Sua Galeria não se encontra fechada entre muros : expõe-se
no mural da Chapada do Araripe. Suas fotos estão expostas em milhares de lares,
registrando o verdor dos anos e os
sorrisos abertos de muitas e muitas gerações. Foi um prisma que, entre nós,
obrou o milagre estonteante da refração. Hoje, depois do último clique da antiga
Rolleiflex, o Cariri todo se dá conta de que, quando D. Telma pintava as fotos de estúdio,
transformando sépias em aquarelas , ela não apenas coloria rostos e faces sorridentes, ela enchia de cores e de
brilho a própria história caririense.
Crato, 12/06/15
O UNIVERSO NÃO DÁ MARCHA A RÉ - por José Almino Pinheiro
Das extraordinárias qualidades que Deus dotou o mundo, uma das principais foi a de que nada tem volta, o
universo não tem freio nem marcha a ré, ele gira, explode, expande, encolhe,
mas não para, segue sempre em frente. Com esta simples constatação a vida fica
mais simples, a convivência melhor compreendida. Como a vida faz parte do
mundo, também não para nem dá marcha a ré, o jeito é tocar para a frente. Assim
as decisões e escolhas ficam limitadas, mais fáceis de serem tomadas. Recomeçar
qualquer coisa que deu errado, provavelmente também não dará certo. O que precisa é melhorar o que já foi feito.
Se brigamos ou sofremos algum acidente não tem como apagar, tem que sarar e
tocar pra frente.
A humanidade começou a vida de uma maneira simples, sem muitas
complicações além daquelas necessárias para a sobrevivência. Pena que Adão e
Eva tenham atrapalhado o idílio Divino. Alguns
milhares de anos depois, chegamos aos dias de hoje com guerras, dilúvios,
pestes, escravidão, sacanagens de toda ordem para justificar a conseqüente exploração
de uns por outros.
Uma lição que tiramos disso é
que no início, e ainda hoje, nos aglomerados humanos um pequeno grupo de
privilegiados manda e explora a imensa maioria, usufruindo e acumulando
praticamente sozinho o resultado do trabalho da maioria. Mas, como o mundo não
para e a luta pela sobrevivência continua, sempre ao custo de desesperadas
lutas por uma divisão mais justa do produto do trabalho e das riquezas, a
classe dominante, a contragosto, tem que ceder privilégios. Países antes com
monarquias absolutistas, para sobreviverem, tiveram que mudar para monarquias
parlamentaristas. Lembrando que algumas delas perderam a parada e hoje são repúblicas.
Infelizmente o avanço não é uniforme, mas não para. Por exemplo, no
caso do Brasil, a escravidão foi extinta oficialmente em 13 de maio de 1888; após
55 anos, em primeiro de maio de 1943, veio a CLT - Consolidação das Leis do Trabalho - que alguns
especialistas consideram como as primeiras leis “complementares” à Lei Áurea. A
CLT aos poucos se aprimora como com a Lei de 19 de dezembro de 2000 que proíbe
o trabalho infantil, e mais recentemente, em 26 de março de 2013,
com a aprovação da Emenda
Constitucional nº 66, a chamada PEC das Domésticas. De forma que passaram 125
anos para que, finalmente pelo menos na lei, todos os trabalhadores tenham os
mesmos direitos.
Como mostra a
história, não é difícil imaginar que o esforço das classes dominantes para manterem
sozinhas os privilégios é uma luta perdida. Nessa guerra, no máximo ganham
tempo.
O VELHO "LENGALENGA" - José Nilton Mariano Saraiva
Definitivamente, a
“tucanalhada” raivosa (e simpatizantes) não têm mesmo jeito: só foi o governo
anunciar seu plano de “concessões” para alguns setores, a fim de injetar o
necessário oxigênio-financeiro na economia, para que voltassem com o lengalenga
de sempre, a surrada e batida conversa mole das “privatizações”.
Claro que o objetivo
maior é confundir os incautos, porquanto até eles, que se consideram “experts”
na matéria, involuntariamente “escorregam” quando tratam do tema, como restou
constatado quando a notícia foi veiculada no tal Jornal Nacional: numa hora, no
mesmo bloco, o “ledor de notícias” (o tal do Bonner) se referira à decisão do
governo de “privatizar” para, na sequência, usar a expressão “concessão”.
Por essa razão, é
necessário que a coisa seja posta à mesa “tim-tim-por-tim-tim”, da forma mais
didática possível, na tentativa de encontrar entre a “tucanhalada” (e
simpatizantes) uma mente aberta ao diálogo, um ser vivente desprovido das
amarras do sectarismo e intolerância, que a nada levam, mas que parece ter
feito morada entre os agitados “bicudos”.
Pois bem, saibam que
“privatizar” é negociar o patrimônio público e entregá-lo de FORMA DEFINITIVA a
quem por ele se interessar, independentemente que seja uma pessoa física
(individual) ou uma entidade jurídica (coletiva), a fim que a partir de então,
como legítimos donos, o usem como bem entender: podem repassar a um terceiro,
mudar de ramo, demitir todo mundo e, até, acabar com o negócio se assim
preferir; em palavras outras, pelas vias normais (jurídicas) não há a menor
possibilidade que aquele bem volte a ser do governo. Exemplos: a CSN, uma
empresa com extraordinário potencial de se desenvolver, já que detentora de uma
“matéria-prima” que o mundo todo necessita (minério), foi entregue pela “tucanalhada”
de mão beijada à iniciativa privada, com o criminoso argumento de que o
“apurado” serviria para ajudar no pagamento da dívida externa; já o setor de
“telecomunicações” foi “doado” ao mafioso Daniel Dantas, que até hoje não tem
onde colocar tanta grana, em relação ao que foi investido. O tal “apurado” ???
Ninguém sabe ninguém viu, enquanto a tal dívida externa cresceu exponencialmente. O que se sabe é que muitos “bicudos” ostentem hoje um “patrimônio-marombado” em relação ao
que detinham antes do ingresso no governo de FHC.
Já a “concessão” é uma
espécie de TRANSFERÊNCIA PROVISÓRIA da posse de um determinado bem ou atividade
econômica, com preço, regras e prazo
definidos (numa linguagem mais popular e rasteira, mas de melhor entendimento para
os que não manjam da atividade econômica, poderíamos até usar a figura do “aluguel”),
ao final do qual o vencedor da licitação (espécie de locatário) devolverá ao
locador-proprietário (verdadeiro dono) aquele bem que temporariamente lhe foi outorgado
ou “concedido”, inclusive com todas as eventuais benfeitorias que lhe tenham
sido agregadas. Exemplos: pelos aeroportos, ferrovias, portos e estradas que o
governo está agora “concedendo”, a iniciativa privada pagará ao governo um
preço justo para explorá-los por determinado tempo e, ao final dos respectivos
contratos os devolverá ao governo.
Portanto, é chegada a
hora de acabar com essa embromação de tentar incutir na mente dos desavisados certas
babaquices sem fundamento, e de encarar com seriedade e responsabilidade as momentâneas
dificuldades que o país atravessa (não esquecer de lembrar ao “playboy” do
Leblon, o tal Aécio Neves, que a eleição já acabou, e não há possibilidade nenhuma de um
terceiro turno).
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Miragem
por Vera Barbosa
Foi assim que a viu...
Como um horizonte aberto para um passeio de trem. Foram longos minutos mergulhando naquele olhar, tentando decifrar os atalhos. Embarcou e, por alguns segundos, avistou as mais belas paisagens. Pinceladas densas de um céu de sol ao entardecer. Crepúsculo de Van Gogh! Impressionada, atentou ao detalhe da mão. Entre as memórias eternizadas, avistou a marca da aliança. Mesmo assim, tocou-a. Carícias, enquanto se olhavam profundamente. Fitou-a mais uma vez antes de atrever-se no silêncio de um beijo - sem resposta. Recuou e despediu-se. Partiu levando consigo apenas o calor de seu olhar...
Flores Fechadas - José do Vale Pinheiro Feitosa
Flores fechadas. Grilos se repetindo ao infinito. Uma brisa
que se injeta até aos ossos. Como este bocejo que diz inútil despertar-se numa
potência de sono.
Luzes da cidade. Uma trilha a iluminar o vazio das ruas. Os operários
acordados na madrugada para embarcar na condução até o chão da fábrica. Estas
cidades dormitórios, que abrigam os leitos daqueles que apenas deitam em si no
final dos tempos. Ademais vigilam seus corpos e mentes na mais valia dos sócios
das máquinas.
Os ônibus, qual tamanduás sugando formigueiros, recolhem a
mão-de-obra em seu vente para depois solta-la bem em frente ao relógio de
ponto. E até se imagina que os pardais tornam a copa de alguma árvore uma
zoeira só em denúncia das madrugadas acordadas.
O peso desta quadrilha puxada pelo trabalho e capital, numa
luta de classe que torna a madrugada um escoadouro de lamentos e profundidades.
Profundidades que não conscientizam, ao contrário, apenas é uma armadilha a
quebrar as pernas dos transeuntes da história.
E siga-se além ou aquém destes personagens notívagos nas
franjas dos momentos finais da noite longa, fria e escura. E tome-se a trilha
das dunas, suba e desça como um pássaro lutando para se manter no ar.
Ofegante no mais alto destas montanhas móveis, tome o olhar
que não lhe escape da realidade. Jamais ela lhe desamparará em conteúdo desta
história crônica e mortal. Sempre lembrará destes destinos usados e abusados
até o limite do tempo vivido e perdido no contracheque que lhe compra o tempo
por si inventado.
E então descubra que afinal no limite da sede e da fome,
ainda lhe resta esta consciência: o tempo quem inventa é você. E o tempo é a
matéria prima onde a onipresença do dinheiro se inventa.
E sinta. Por estas terras, lagoas, ventos e mares, o sol
iluminou as cenas de humanos que mediavam a vida diretamente, mesmo quando
deuses se interpunham. Mediavam sem necessidade de tudo ser mediado pelo
dinheiro.
Assim como pelas meninas dos meus olhos as flores se abrem,
os grilos se calam e lá no meio do imenso e belo Oceano Atlântico, o sol surge
em luz. Explodindo raios por todas as brechas das nuvens.
Surge criando um rastro iluminada nas águas que nunca param,
apenas mudam de cor como a revelar que nada permanece a mesma cor. Que “é de manhã vem o sol, mas os pingos da
chuva, que ontem caíram, ainda estão a brilhar. ”
quarta-feira, 10 de junho de 2015
terça-feira, 9 de junho de 2015
segunda-feira, 8 de junho de 2015
sexta-feira, 5 de junho de 2015
A Bandeira do pau
Conta
o folclore que ele teria obrado inúmeros
milagres, entre eles haveria restaurado todo um campo de trigo já maduro
que havia sido estropiado por uma multidão que o seguia. Inúmeras cidades
brasileiras o tem como padroeiro, entre elas, a nossa aristocrática Barbalha
que há quase noventa anos realiza a sua tradicionalíssima Festa do Pau da Bandeira. As festas religiosas brasileiras carregam
consigo aquela mescla típica do profano e do sagrado. Talvez por tradicionalmente
terem advindo das festividades pagãs da Idade Média como a
Saturnália e as Celebrações de Fertilidade. Assim, as
novenas e rezas se juntam a rituais pagãos que vão desde a libações
alcoólicas ( “A Cachaça do Seu Vigário”), ao uso do pau da bandeira como
símbolo fálico, à coreografias eróticas
em torno do prodigioso vergalhão. A
Festa se assemelha às celebrações de fertilidade ainda hoje presentes no Japão
como a Hime no Miya e a Hounen Matsuri.
O
Pau da Bandeira de Barbalha é , indiscutivelmente, uma das mais concorridas e
bonitas festas populares do Ceará. Tem crescido de ano a ano, a cidade toda se
enfeita e se engalana para a chegada do Santo casamenteiro. Claro que, numa festividade
de tamanhas proporções, sempre existem riscos proporcionais ao público por ela atraído. Este ano, ocorreu a trágica
morte de um dos carregadores do pau , o
Sr. Cícero Ricardo, esmagado pelo imenso tronco durante o transporte. Havia já
antecedentes de acidentes idênticos, com fraturas expostas em alguns
participantes em anos anteriores. Haviam ocorrido, também, outros acidentes
fatais com morte em carregamentos de
paus de santos, como em Caririaçu alguns anos atrás.
Em
nome da tradição, argumenta-se sempre sobre a necessidade imperiosa de manter o
script da festa, exatamente como se vem fazendo nos últimos noventa anos.
Existem, no entanto, a meu ver, ponderações que precisam ser feitas. Tudo na
vida é dinâmico e, se se reparar bem, a festa mudou imensamente durante todos
esses anos. Além de tudo, não é justo se manter culturas nocivas sob o simples
argumento que Cultura é para ser preservada. Os sacrifícios humanos fizeram
parte de muitas civilizações , nem por isso hoje se defende a sua manutenção.
Nossos índios eram em grande parte
canibais, essa Cultura deveria ter sido preservada ? Por que Cristo se pôs contrário ao
apedrejamento de adúlteras, se aquela selvageria era uma profunda tradição
entre os hebreus ?
Acredito
que não existem justificativas plausíveis para a derrubada anual de uma imensa
árvore apenas pela simples alegativa da tradição da festa. O Ibama , o governo
do Estado, a Prefeitura de Barbalha e a Igreja têm o sagrado direito de interceder contra
esta barbárie. O próprio Santo Antonio teria recuperado todo um campo de trigo
, preocupado com o impacto ecológico. É justo, em seu nome, perpetrar
anualmente um crime ambiental ? Por que não usar o mesmo angico centenário deste ano, nos próximos cem ? Teríamos ainda a
vantagem de duplicar a festa : o
fincamento do pau no início e a retirada no final das festividades.
Quanto
à morte de Cícero Ricardo , as autoridades se adiantaram em afirmar que se tratou
de uma fatalidade. Para mim, o acidente era totalmente previsível. Imaginar o transporte
de uma árvore de muitas toneladas, por muitos quilômetros , embalada por uma
multidão de penitentes , na sua maior parte inebriados pela “Cachaça do Seu
Vigário”, tendo que periodicamente pôr abaixo o imenso vergalhão, num movimento
que necessita de precisão cirúrgica, certamente se trata de uma fábrica de
acidentes. Por que não utilizar métodos mais modernos de transporte em que a
segurança seja a principal normal a ser pensada ? A festa agora envolve um público gigantesco,
se comparada a anos atrás, a segurança de todos deve ser prioridade absoluta
para evitar as famosas fatalidades previsíveis. A integridade física dos festeiros deveria ser
a principal bandeira do pau.
Ademais,
numa festa de tamanho vulto, faltaram as blitzes com seus bafômetros. A sensação que temos é
que há ingerências políticas, fazendo com que a polícia rodoviária maneire , lave as
mãos , sob pena de prejudicar a diversão do pessoal. Quantos motoristas saíram
da Barbalha sem a mínima condição de dirigir , pondo em risco não só suas vidas
mas a de outros transeuntes ? O Código
Nacional de Trânsito não tem aplicação prática nas grandes festividades
nacionais ?
Diante
da pretensa fatalidade, o público sequer se compungiu com o acontecido. A
diversão continuou. Depois, sentada a poeira, as opiniões divergiram. Os
organizadores sacaram a versão do fatalismo: o acidente estava escrito nas
estrelas. Os incréus lembraram de imediato da pouca capacidade milagreira do
Santo que sequer conseguira proteger seu pupilo Cícero Ricardo. E os crentes,
preocupados com o profanismo da festa, sacaram o Velho Testamento e comentaram,
abertamente, o acidente fatal como um castigo dos céus. À frente de tudo, no
entanto, encontra-se o Estado, nas suas mais variadas instâncias, que tem como função precípua proteger a
população e dar-lhe a segurança necessária . Há necessidade , sim , de
regulamentar a festa, de criar mecanismos para que acidentes previsíveis e
evitáveis não aconteçam. A Igreja, por
sua vez, que tem, historicamente, o mando da festança, precisa tomar as rédeas
da solenidade, pois o princípio básico de qualquer religião é sim a preservação
da vida. O que aconteceu no último domingo não foi uma mera fatalidade, apenas
a Crônica de uma Morte Anunciada. Outras tragédias continuam plantadas
esperando a floração, regadas, ano após ano, pelas águas de uma perniciosa tradição.
Quantos sacrifícios serão ainda necessários até descobrirmos que a Vida ,sim, é que é a maior festa
?
J. Flávio Vieira
Crato, 05/06/15
terça-feira, 2 de junho de 2015
ZÉ DE TOM-IN - José do Vale Pinheiro Feitosa
Zé de Tom-in é o mais completo exemplo de um projeto
perfeitamente executado.
Um projeto de feiura. Desmantelo de fim dos tempos.
Quando me deparei com a marmota foi aquele Louro da Oficina dizendo:
“olhe ajude este desgraçado que a mãe não cuida dele de jeito nenhum. O outro
irmão até já morreu de fome!”
Zé de Tom-in para resumo da estampa é mais ou menos assim (e
pode botar menos): a bunda é murcha como se arriasse para dentro das pernas,
tronco curto e uma cabeça que teima em ser maior que o resto. E os faróis da
alma? São duas boticas saltadas como a feitura acabada daquele que os pais
prometiam aos filhos: “Doca do Oião”.
E não fica nisso não! Zé tem orelhas de humilhar dois
abanos. Aquele conjunto além do mais é de pouca estatura. É o tipo mínimo no
tamanho e grande na estampa do que representa.
E peguei o arremedo estético e entreguei para Catarina. Ela
amamentava uma filha e Zé podia receber algo por aquelas mamas. E não foi que
recebeu. Zé de Tom-in tem uma coisa, é feio no arranjo externo, mas tem uma
gana de viver como ninguém.
Ora, ele se aproveitou dos peitos de Catarina como a
verdadeira ponte entre o último suspiro e o fungado da satisfação. E assim Zé
passou por todas as fases que a vida nos dá. Virou meninote danado, depois, sem
mudar muito de tamanho, assumiu estampa de adolescente e pronto para deixar
semente no mundo.
E deixou, o desgraçado. Catarina já teve uma prole de Zé de
Tom-in, assim como a irmã de leite já está para parir.
E Zé sempre por ali, entre um prato de comida e um útero
para juntar a herança dele com alguém que valorize a libido do danado, sem
levar em consideração o apanhado físico resultante.
E assim Zé vai misturando o que lhe é abundante com a
temperança de alguma beleza fêmea para agrado dos olhos.
Zé de Tom-in continua sendo um bom sujeito, embora de vez em
quando some aquela irritação da raça Pinscher no seu diálogo conosco.
Esta narrativa me foi oferecida pelo Jansen, funcionário aposentado do
BB e hoje concorrente no abate e distribuição de frangos em Paracuru.
segunda-feira, 1 de junho de 2015
| Crato: Acontece de 04 a 07 de junho de 2015 a XV Exproaf Cariri |
O evento acontece de 04 a 07 de junho de 2015, no recinto do Parque de Exposição Pedro Felício Cavalcante em Crato, com a presença de produtores rurais de toda a região e autoridades. Ao longo dos anos, a Exproaf vem consolidando-se como o maior evento da agricultura familiar do interior do Estado do Ceará, voltado para a exposição, divulgação e comercialização dos produtos de origem familiar. A reportagem do site caririceara.com conversou com o coordenador da Fetraece Cariri Jonathan Magalhães sobre a feira. |
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Coração de Clorofila.
O médico assassinado na lagoa e ambientalista, nada...
A mãe de família assassinada na porta de casa, e ambientalista nada...
A "novinha" estuprada, e a ambientalista nada...(ainda bufou contra o machismo)...
O estudante assassinado no bar, no ônibus, na garagem, quando saia de casa, quando entrava, quando tomava banho, quando comprava pão, quando tomava a hóstia...e ambientalista nada...
Mas no final de semana a ambientalista sai no jornal, pomposa em seu estandarte, faceira frente a TV em plena atividade. Furiosa contra a consciência do mundo, gente sem coração.
Acabara de estourar uma rinha de canários e galos de briga. Agora sim, poderia dormir tranquila e sonhar com bichos e florestas em seu colo verde que agora arfava mais calmo em seu coração onde bombeia sangue a base de clorofila.
quinta-feira, 28 de maio de 2015
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