por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Juscelino Kubitschek - Por Joaquim Pinheiro




Socorro  Moreira fez aflorar da memória episódio com JK e me encorajou contá-lo no Cariricaturas. Em 1975, trabalhava no protocolo da Gerência de Mercado de Capitais do Banco Central em Brasília quando avistei, na fila de atendimento, o Dr. Juscelino, acompanhado por dois assessores. Na sua frente, umas 4 ou 5 pessoas, todas Office boys ou contínuos de instituições financeiras. Deixei meu birô e me dirigi até o ex-presidente, convidei-o a entrar e me ofereci para atendê-lo de imediato. Educadamente, recusou furar a fila, mesmos com os que estavam à sua frente insistindo em lhe ceder a vez.
Enquanto a fila andava, ficamos conversando. Perguntou de onde eu era, há quanto tempo estava em Brasília, e outras perguntas do gênero. Comentou que lembrava do Crato, do aeroporto em cima da Serra do Araripe, do comício de 1955, da beleza do Vale do Cariri, etc. Contei-lhe que meu pai, eleitor de carteirinha da UDN, votou uma única vez no PSD e em JK, exatamente por conta deste comício.
Comentei que Papai há muito procurava um LP que tivesse a música Peixe Vivo, tocada quando o então candidato chegava ao palanque. Juscelino perguntou o nome do papai, o que ele fazia e se ainda morava no Crato. Chegou sua vez, foi atendido (era apenas a entrega de um projeto), se despediu apertando a mão de todos os presentes e se retirou.
Poucos dias depois, recebi um telefonema de uma Sra. Se identificando como secretária do DENASA e me convidando a ir até lá. Como ficava há menos de 100m do meu local de trabalho, fui na mesma manhã. A Secretária me recebeu de forma muito simpática e pediu para aguardar um pouco, pois o “Presidente” queria falar comigo. Menos de 15 minutos depois, entrava na Sala principal da Instituição e recebia um LP autografado por ele e dedicado a meu pai. O disco hoje está comigo. Mando o oferecimento para vocês verem.



Joaquim Pinheiro

Festa da Padroeira do Crato- por socorro moreira


Agosto de 1943.


O Crato vive os primeiros dias de festa da padroeira- levantamento do pau da bandeira. Naquele ano aconteceu uma saudável disputa entre dois grupos políticos: Dr. Gesteira e Prof. Pedro Felício. “Os dois com o fito de ajudar à paróquia da Penha reuniram e engajaram as meninas da sociedade, e criaram os blocos das” Enfermeiras “e das “Margaridas”, respectivamente.

Minha mãe pertencia ao bloco das margaridas. Vestiam-se de camponesas com avental, chapéu de palha, enfeitado com laço de fita e flores do campo. Diz a minha mãe que eram todas belas. No final, as margaridas conquistaram a vitória, arrecadando uma soma maior de dinheiro, para ajudar nas construções paroquiais.

Mas eu imagino, o quanto foi colorida e animada, aquela festa de Agosto!

Em 1963, quem estava começando a brilhar era a minha geração .

.

Hoje é o levantamento do pau da bandeira. Agosto/2009.

Moro tão perto da praça, e a vejo de tão longe...!

Acomodo-me, espreguiço-me. O povo da minha idade está recolhido. Amanhã começam as noites de novena, que culminarão, no grande dia- a festa da padroeira, Nossa Senhora da Penha, em primeiro de setembro.

Da minha casa escuto a voz do padre, os cânticos, as rezas.

Desisti do passado, quando ele desistiu de mim. Estou no presente transitório.

Quero um retrato em branco e preto dessa festa sem Altemar Dutra,sem Adilson Ramos , na amplificadora; sem os cavalinhos do parque Maia; sem a roda gigante, a rodar, a rodar ...

- “Sentimental eu sou... Eu sou demais!”

Respingos da fonte luminosa, farfalhar de panos novos, misturas de cheiros: muguet.

Nunca contei o dinheiro do bolso do meu pai. Achava que o seu bolso era mágico... Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três. Vou entregar, e já entreguei!

E a gente levava a prenda para casa. Papeis celofanes no lixo da noite, e leite açucarado para dormir sossegado - o gosto de festa na boca.

Amanhã teríamos mais: reza, bingo, leilão, amplificadora musical, e o carrossel do parque Maia...!


domingo, 21 de agosto de 2011

O BANCÁRIO ONTEM E HOJE - Colaboração de Geraldo Ananias










TODO PAI, ANTIGAMENTE,
ACHAVA MIL MARAVILHAS
QUANDO VIA UMA DAS FILHAS
NAMORANDO COM BANCÁRIO.
O ÚNICO FUNCIONÁRIO
QUE TINHA TUDO NA VIDA:
UMA ASCENSÃO GARANTIDA,
E “UM SENHOR” ORDENADO.
ERA MUITO FESTEJADO,
ESTIMADO PELO POVO;
TODO ANO CARRO NOVO;
A MELHOR CASA ERA A SUA;
MORAVA NA MELHOR RUA,
BEM NO CENTRO DA CIDADE;
DA ALTA SOCIEDADE,
A FINA FLOR DA ELITE.
TODO DIA ERA UM CONVITE
PRA UM FINAL DE SEMANA
COM CHURRASCO E MUITA CANA
EM UMA PROPRIEDADE.
ERA GRANDE AUTORIDADE,
DE INVEJÁVEL RESPEITO;
NEM JUIZ, PADRE OU PREFEITO
ERAM TÃO PAPARICADOS.
OS CARROS BEM EQUIPADOS,
DO MAIS BONITO AO MELHOR,
E O TÍTULO DE MAJOR
ERA A MENOR DAS PATENTES
QUE LHE TRATAVAM OS CLIENTES
COMO SINAL DE GRANDEZA,
ALÉM DE TER A CERTEZA
DO QUE QUIZESSE ARRANJAVA.
TODO PAI JÁ PREPARAVA,
DE CAMA, MESA E COZINHA,
UMA DAS FILHAS QUE TINHA
PRA “DAR A MÃO” PRO BANCÁRIO,
O GENRO MILIONÁRIO
QUE TODO PAI DESEJAVA,
TODA MOÇA COBIÇAVA
TER O SEU PRÍNCIPE ENCANTADO.
O NAMORO CONFIRMADO
A NOTÍCIA SE ESPALHAVA
E O PAI JÁ ENSAIAVA
A FESTA DO CASAMENTO.
TUDO PRONTO PRO EVENTO:
O NOIVO TODO CHARMOSO,


O VELHO MUITO ORGULHOSO
A TODO MUNDO DIZIA:
“É O GENRO QUE EU QUERIA,
VAI SER MEU FILHO DILETO”!
DE REPENTE, PEDE UM NETO,
JÁ LHE PROMETE A HERANÇA
E DIZ TER A ESPERANÇA
DE VER SEU NETO GERENTE.
MAS FOI TUDO DIFERENTE;
AO VER O TEMPO PASSANDO,
O BANCO TODO MUDANDO,
O DINHEIRO SE SUMINDO,
PADRÃO DE VIDA CAINDO,
O SALÁRIO DEFASADO,
CARRO VELHO, ENFERRUJADO.
PÕE A CASA PRA ALUGAR,
OS FILHOS VÃO ESTUDAR
EM COLÉGIO ESTADUAL;
SAI DA RUA PRINCIPAL,
VAI PARA A PERIFERIA;
PEGA O ÔNIBUS TODO DIA,
SENTE O PRESTÍGIO IR EMBORA,
VIVE PENSANDO NA HORA
DE O BANCO PRIVATIZAR.
PENSA EM SE APOSENTAR,
CONDENA FHC,
SUBMETE AO “ PDV “,
ENTRA ÀS CEGAS NO MERCADO;
NO FINAL, DÁ TUDO ERRADO:
O SOGRO LHE DANDO A FEIRA.
E PENSANDO NA BESTEIRA
QUE FEZ NAQUELE MOMENTO
DANDO A FILHA EM CASAMENTO
A UM CARA ANALFABETO
TIRA A HERANÇA DO NETO,
TOMA A FILHA DO MARIDO
E FAZ A ELE O PEDIDO
PRA ESQUECER O PASSADO
E QUE NUNCA FOI CASADO
COM NENHUMA FILHA SUA,
E PÕE NO OLHO DA RUA,
SEM DESTINO E SEM PERFIL,
SEU EX-GENRO E EX-BANCÁRIO,
ANTIGO FUNCIONÁRIO
DO EX-BANCO DO BRASIL.


Marreiro

Festa da Padroeira- por Altina Siebra Paes


Escritas em 2007, quando falo das festas religiosas nos anos 60. Resumidamente, refiro-me mais às diversões, o lado profano da festa, pois as missas, novenas, procissões sempre estavam presentes em todas as cerimônias realizadas na nossa paróquia.


A nossa geração lembra-se do que digo, os nossos filhos e netos conhecerão, um pouco, a felicidade que experimentamos naqueles anos.


Como vê, sou, como você, uma saudosista. Não é bom ter saudade do que é bom?! Inesquecível 22 de agosto! Salve a Nossa Senhora da Penha!


Abraços!


Altina

Festa da Padroeira

A Festa da Padroeira Nossa Senhora da Penha era outra maravilha, não só pelas celebrações cristãs, mas pela festa social. Começava com a chegada e o hasteamento do “pau da bandeira”, em frente à igreja, que era ponto de concentração dos jovens para ouvir a Banda de “seu” Azul apresentar-se às 5:00 horas da manhã e, sobretudo, ao meio dia, além das salvas de tiro.

À noite, eram armadas mesas e cadeiras em frente à Sé Catedral, onde tínhamos as quermesses, os leilões das guloseimas preparadas pelas famílias encarregadas daquele dia. Toda sociedade, comércio, indústria, escolas, associações, participavam desse trabalho, arrecadando, assim, o dinheiro para manutenção da paróquia.

As apresentações da banda de pífano dos Anicetos, dos bacamarteiros, do Maneiro-Pau, dos Reisados, das Pastorinhas com a disputa entre os partidos azul e encarnado e a Diana (com seu vestido confeccionado com as duas cores representando os dois partidos), para ver quem apurava mais donativos para a festa; a presença costumeira do Parque Maia, armado em torno da praça, com sua “Roda Gigante”, carrinhos, cavalinhos, canoas, aviões, a “Mulher Macaco”, as pescarias, os tiro ao alvo, brinquedos que ainda hoje temos, embora mais modernos, tudo isto nos transmitia uma alegria indefinível.

Não dá para esquecer aquele cheiro exalado pelos temperos do gostoso cachorro quente, preparado naquele recipiente de alumínio e envolto no papel celofane, do

óleo da fritura dos filhoses, o manzape, os roletes de cana e tantas outras delícias, vendidas nas barracas montadas ao redor da praça.

Através de um amplificador de som, músicas de Anísio Silva, Silvinho, Valdick Soriano, Orlando Dias, Roberto Silva, Cláudia Barroso, Núbia Lafaiete, Moacir Franco, Altemar Dutra, Agnaldo Timóteo, os veteranos Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves e tantos outros, eram oferecidas para as paqueras, que rodeavam o centro da praça, tornando-se um fato até descontraído e folclórico: “Esta música é dedicada a alguém que está sofrendo de amor”, “Esta música vai para um alguém que está com a blusa amarela” e, assim, por diante.

Chegava o 1º de setembro, dia do encerramento da festa, com o gostinho de quero mais. O jeito era aguardar o próximo ano. 

Parabéns, Altina, esse texto vai mexer  com a geração dos anos 60.
Suspiros!!!






Leão - 23 de Julho a 22 de Agosto



"A ti Leão, atribuo a tarefa de exibir ao mundo Minha Criação em todo o seu esplendor.

Mas deves ter cuidado com o orgulho, e sempre lembrar que é Minha Criação, e não tua. Se o esqueceres, serás desprezado pelos homens. Há muita alegria em teu trabalho; basta fazê-lo bem.

Para isso Eu te concedo o Dom da Honra
."

E Leão voltou ao seu lugar.

Principal Característica: alegria.
Qualidades: dignidade, generosidade, extroversão.
Defeitos: egocentrismo, autoritarismo, teimosia.

Elemento: fogo
Qualidade: fixo
Polaridade: masculino
Planeta regente: Sol
Exílio: Urano
Exaltação: Netuno
Queda: Mercúrio

Signo de liderança, de força criativa, entusiasmo e afetividade expansiva. É o fogo em sua "majestade" e exuberância. Símbolo de segurança frente ao meio exterior. O leonino busca o reconhecimento, e devido a isso pode se expressar de forma firme, dramática ou arrogante e autoritária. É regido pelo astro-rei Sol, o que confere brilho e criatividade. Características: emoção, força criadora, poder, comando, generosidade, espontaneidade, intuição, liderança, orgulho, vaidade, dramaticidade, exibicionismo, ego inflado. Leão tem a tendência a ser o centro das atenções, e esta particularidade pode expressar-se de forma positiva ou negativa.

quiche de legumes com ricota



ingredientes:

para a massa:
1 xic de farinha de trigo
6 cs de margarina light

para o recheio:
12 cs de ricota
1/2 xic de creme de leite light
5 mini tomates italianos
1/2 abobrinha
3 talos de salsão
1/2 talo de alho poró
1 pimenta dedo de moça
2 ovos
1 cs de fermento
sal e pimenta do reino a gosto
2 nozes
1 cs de parmesão

modo de fazer:

massa:
misture a farinha e a margarina light ate formar uma massa e coloque na forma.

recheio:
pique a abobrinha, tomatinho, o salsão, o alho poró, a pimenta dedo de moca, tempere com sal e pimenta do reino e misture com a ricota. leve à forma. bata no liquidificador os ovos, creme de leite, fermento e disponha na forma de modo que cubra todo o recheio. moa as nozes e misture com o parmesão e salpique por cima. leve a quiche ao forno alto por cerca de 45 min ou até que esteja gratinado.


VOCÊ TEM UM PROGRAMA ESPECIAL PARA O DIA 7 DE OUTUBRO DE 2011.

Ao encontrar um livro com a seguinte dedicatória: “Esta obra salvou-me a vida. Leia-a com atenção e tenha bom proveito”, um homem começa uma jornada em busca de conhecimento e também de transformação. Após perder a mulher e o emprego, o suicídio parecia ser a única opção que restava a Bruno Alves. Mas, ao ter em mãos o Livro dos Espíritos, obra básica do kardecismo, ele percebe que há outras saídas para a profunda tristeza em que se encontra. Uma história que você poderá conhecer nos cinemas a partir do dia 7 de outubro, com o “Filme dos Espíritos”.

A ideia inicial do filme nasceu muito antes do sucesso de outras obras de inspiração espírita, como “Nosso Lar”, “Chico Xavier” e “Bezerra de Menezes”, que foram tão bem recebidas pelo público brasileiro. Em 2009, o Projeto Mundo Maior de Cinema recebeu cerca de 100 roteiros de jovens diretores e roteiristas, de diferentes regiões do país; desse grupo, oito foram selecionados e contaram com suporte técnico e profissional da produtora. O resultado foi a realização de oito curtas-metragens com tema espiritualista e transcendental, que foram exibidos ainda em novembro de 2009. A etapa final desse projeto foi a produção de “O Filme dos Espíritos”.

No elenco Reinaldo Rodrigues, do grupo Tapa de Teatro e do Clube da Voz, é o protagonista. Ao seu lado, estão Nelson Xavier, Etty Fraser, Ênio Gonçalves, Ana Rosa e Sandra Corveloni, Felipe Falanga, além da participação especial de Luciana Gimenez. São artistas que se encantaram com a história e também com a oportunidade de divulgar os princípios da doutrina espírita ao grande público e, se possível, ver parte da renda do trabalho revertida às obras das Casas André Luiz, que há 63 anos trabalha no atendimento a crianças carentes com necessidades especiais.

Parte do dinheiro da arrecadação do filme, será destinado à construção de ambulatórios das Casas André Luiz na cidade de São Paulo. Faça parte deste projeto também: convide a família e os amigos, vá ao cinema no dia 7 de outubro para prestigiar o filme, se divertir e conhecer um pouco mais sobre o espiritismo. Contamos com o seu apoio. Ajude a divulgar essa ideia. As formas de ajudar na divulgação são:

FACEBOOK: http://www.facebook.com/OFilmeDosEspiritos
TWITTER: @OFdosEspiritos
BLOG: www.ofilmedosespiritos.com.br
YOUTUBE: http://www.youtube.com/OFilmeDosEspiritos

O sol - Por José de Arimatéa dos Santos


Foto: José de Arimatéa dos Santos
 Luz
Clarão do dia
Que chega logo cedinho
E se estabelece
Como rei
Transfigurando-se
No espetáculo da vida
Sempre presente
E faz da existência
A certeza que se pode
A cada momento
Viver intensamente
E feliz!

Aberta festa da padroeira do Crato


Por Crato Notícias

Foto: Antônio Vicelmo

Com uma grande carreta, que saiu do Bairro Mirandão para a Sé Catedral, foi aberta a festa de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Crato e da Diocese que, este ano, tem como tema “Sob o Olhar de Nossa Senhora Caminhamos com Jesus”. O carro-andor com a imagem da padroeira foi estacionado em frente à Matriz, onde dom Fernando Panico abriu oficialmente a festa, hasteando a bandeira de Nossa Senhora da Penha. Na homilia, ele esclareceu que “aquela secular imagem é mais do que uma obra de arte, ou cultural. É uma lembrança forte da mãe de Jesus”. O bispo destacou a devoção mariana do povo do Crato.

A Festa da Padroeira será encerrada no dia 1º de setembro, com alvorada festiva, concelebração da solenidade, procissão e bênção do Santíssimo Sacramento. Durante estes nove dias que antecedem o encerramento, serão realizadas novenas, leilões e, ainda, missas com a participação de todos os setores da comunidade. Escolas, colégios, associações religiosas, profissionais de saúde, representantes dos poderes judiciário, executivo e legislativo participam da programação.

A atividade de hoje está a cargo da Missão Resgate, funcionários municipais, estaduais e federais, médicos, enfermeiros e agentes de saúde. A celebração será coordenada pela Comunidade Jesus, Maria e José. “É a festa da confraternização das famílias católicas”, diz o vigário da Catedral, padre Edmilson Neves. Ele está enviando convite a todos os paroquianos, acompanhado de uma carta na qual ele solicita uma ajuda financeira para a construção de uma capela destinada às imagens da Semana Santa e a implantação de telões, que serão instalados nos corredores da Catedral para que todos possam assistir as cerimônias religiosas.

Turismo

O vigário justifica que, hoje, a Igreja da Sé é um cartão postal da cidade. “É grande o número de romeiros e turistas que visitam periodicamente a catedral e admiram-se com a sua beleza e conservação”. A Catedral de Nossa Senhora da Penha é o mais importante prédio histórico da cidade de Crato. Ele foi iniciado com a construção de uma capelinha de taipa e palha, concluída em 1745, por Frei Carlos Maria de Ferrara, no centro da Missão do Miranda, que deu origem a atual cidade de Crato.

Em 4 de janeiro de 1768, a capelinha iniciada por frei Carlos Maria de Ferrara, já ampliada, seria elevada à sede de nova paróquia, desmembrada da freguesia de São José dos Cariris Novos, atual cidade de Missão Velha. Mas a instalação da nova paróquia só ocorreu em 4 de janeiro de 1768. Desde aquela época, a nova Igreja Matriz (que seria elevada à condição de catedral em 1914, com a criação da Diocese de Crato) vem passando por sucessivas ampliações e, ainda, remodelações.

MAIS INFORMAÇÕES:


Secretaria da Paróquia
Praça da Sé, 666, Centro, Crato – CE
(88) 3521.0309

sábado, 20 de agosto de 2011

Raul Seixas



Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21 de agosto de 1989) foi um famoso cantor e compositor brasileiro, frequentemente considerado um dos pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS durante sua estada no Rio de Janeiro, e por vezes é chamado de "Pai do Rock Brasileiro" e "Maluco Beleza".

wikipédia


" Nosso Amor e a Arte "- por Corujinha baiana


"O Beijo" - Escultura em mármore de Auguste RODIN (1840-1917), Musée Rodin – Paris

"Nosso Amor e a Arte"
***
Tu - Da Vinci
Eu - " Gioconda" toda tua.
Eterna "Mona Lisa",
"Esfinge"
de sorriso enigmático.
***
Tu - Monet
Eu - " Impressões".
Lençóis perfumados
"Fleur de Rocaille"
"L 'Amour est Bleu"
"La Vie en Rose".
***
Tu - "Pigmaleão"
Eu - "Galatéia"
Esculpiste a minha alma
alisaste os meus contornos,
e criaste as formas mais perfeitas.
***
Tu - "Orfeu"
Eu - "Eurídice".
Com a lira mais sonora
meus sentidos adormecias.
- Mágico acalanto.
***
Tu - "Quixote"
Eu - "Dulcinéia"
Juntos cavalgamos
nos lençóis - "La Mancha".
Lança em punho,
cavaleiro destemido.
***
Tu - "Nureyev"
Eu - " Giselle"
No palco da nossa cama
na mais bela coreografia,
um sensual "pas-de-deux".
***
Tu - "Dante"
Eu - "Beatriz"
Me conduziste ao Céu e ao Purgatório,
até descermos ao Inferno das paixões,
onde a nossa "Comédia" deixou de ser "Divina".
***
Tu - "Boccacio"
Eu - Religiosa sem pudor ...
Nas linhas do meu corpo,
tanta história...
e um "Decameron" só nosso.
***
Tu - "Debussy"
Eu - Variações do " Clair de Lune"
Nas teclas do meu corpo,
Muitas "Claves",
"Bemóis" ... "Sustenidos".
"Pausas" ... "Staccatos"...
"Pizzicatos"...
"Pausas..."
"Ritornellos"...
***
Tu - "Rodin"
Eu -"Camille"
Amor... Paixão...
Loucura.
Nossos corpos entrelaçados
E nossos beijos eternizados
No frio e leitoso branco dos lençóis.
***
Tantos talentos!
Tantas criações !
***
Eu e Tu
Tu e Eu
Tanta inspiração !
E uma só Obra de Arte:
"O Nosso amor"
***


Do livro "No Azul Sonhado"

Parabéns, Bernardo Melgaço!

Um abraço, no "Azul Sonhado"!

"Viver não é esperar a tempestade passar... é aprender como dançar na chuva."- colaboração de Walda Mavignier


( autor desconhecido)


Se eu tivesse que escolher uma palavra – apenas uma – para ser item obrigatório no vocabulário da mulher de hoje, essa palavra seria um verbo de quatro sílabas: descomplicar. Depois de infinitas (e imensas) conquistas, acho que está passando da hora de aprendermos a viver com mais leveza: exigir menos dos outros e de nós próprias, cobrar menos, reclamar menos, carregar menos culpa, olhar menos para o espelho. Descomplicar talvez seja o atalho mais seguro para chegarmos à tão falada qualidade de vida que queremos – e merecemos – ter.

Mas há outras palavras que não podem faltar no kit existencial da mulher moderna. Amizade, por exemplo. Acostumadas a concentrar nossos sentimentos (e nossa energia...) nas relações amorosas, acabamos deixando as amigas em segundo plano. E nada, mas nada mesmo, faz tão bem para uma mulher quanto a convivência com as amigas. Ir ao cinema com elas (que gostam dos mesmos filmes que a gente), sair sem ter hora para voltar, compartilhar uma caipivodca de morango e repetir as histórias que já nos contamos mil vezes – isso, sim, faz bem para a pele. Para a alma, então, nem se fala. Ao menos uma vez por mês, deixe o marido ou o namorado em casa, prometa-se que não vai ligar para ele nem uma vez (desligue o celular, se for preciso) e desfrute os prazeres que só uma boa amizade consegue proporcionar.

E, já que falamos em desligar o celular, incorpore ao seu vocabulário duas palavras que têm estado ausentes do cotidiano feminino: pausa e silêncio. Aprenda a parar, nem que seja por cinco minutos, três vezes por semana, duas vezes por mês, ou uma vez por dia – não importa – e a ficar em silêncio. Essas pausas silenciosas nos permitem refletir, contar até 100 antes de uma decisão importante, entender melhor os próprios sentimentos, reencontrar a serenidade e o equilíbrio quando é preciso.

Também abra espaço, no vocabulário e no cotidiano, para o verbo rir. Não há creme anti-idade nem botox que salve a expressão de uma mulher mal-humorada. Azedume e amargura são palavras que devem ser banidas do nosso dia a dia. Se for preciso, pegue uma comédia na locadora, preste atenção na conversa de duas crianças, marque um encontro com aquela amiga engraçada – faça qualquer coisa, mas ria. O riso nos salva de nós mesmas, cura nossas angústias e nos reconcilia com a vida.

Quanto à palavra dieta, cuidado: mulheres que falam em regime o tempo todo costumam ser péssimas companhias. Deixe para discutir carboidratos e afins no banheiro feminino ou no consultório do endocrinologista. Nas mesas de restaurantes, nem pensar. Se for para ficar contando calorias, descrevendo a própria culpa e olhando para a sobremesa do companheiro de mesa com reprovação e inveja, melhor ficar em casa e desfrutar sua salada de alface e seu chá verde sozinha.

Uma sugestão? Tente trocar a obsessão pela dieta por outra palavra que, essa sim, deveria guiar nossos atos 24 horas por dia: gentileza. Ter classe não é usar roupas de grife: é ser delicada. Saber se comportar é infinitamente mais importante do que saber se vestir. Resgate aquele velho exercício que anda esquecido: aprenda a se colocar no lugar do outro, e trate-o como você gostaria de ser tratada, seja no trânsito, na fila do banco, na empresa onde trabalha, em casa, no supermercado, na academia.

E, para encerrar, não deixe de conjugar dois verbos que deveriam ser indissociáveis da vida: sonhar e recomeçar. Sonhe com aquela viagem ao exterior, aquele fim de semana na praia, o curso que você ainda vai fazer, a promoção que vai conquistar um dia, aquele homem que um dia (quem sabe?) ainda vai ser seu, sonhe que está beijando o Richard Gere... sonhar é quase fazer acontecer. Sonhe até que aconteça. E recomece, sempre que for preciso: seja na carreira, na vida amorosa, nos relacionamentos familiares. A vida nos dá um espaço de manobra: use-o para reinventar a si mesma.


E, por último (agora, sim, encerrando), risque do seu Aurélio a palavra perfeição. O dicionário das mulheres interessantes inclui fragilidades, inseguranças, limites. Pare de brigar com você mesma para ser a mãe perfeita, a dona de casa impecável, a profissional que sabe tudo, a esposa nota mil. Acima de tudo, elimine de sua vida o desgaste que é tentar ter coxas sem celulite, rosto sem rugas, cabelos que não arrepiam, bumbum que encara qualquer biquíni. Mulheres reais são mulheres imperfeitas. E mulheres que se aceitam como imperfeitas são mulheres livres. Viver não é (e nunca foi) fácil, mas, quando se elimina o excesso de peso da bagagem (e a busca da perfeição pesa toneladas), a tão sonhada felicidade fica muito mais possível. 


FELIZ ANIVERSÁRIO, GRANDE POETA !


a noite não se acaba nunca
a noite é uma montanha mágica:
quando se pensa que chegou ao cume,
amanhace.


Lupeu Lacerda

Por Lupeu Lacerda


algumas coisas
deveriam sumir antes que as víssemos
algumas coisas
deveriam nunca acontecer
algumas coisas
doem como se nunca mais fossem parar
algumas coisas
não deveriam ser sonhadas
algumas pessoas
deveriam
prestar
atenção
nas placas

por Lupeu Lacerda



Tem gente
Que é tão especial
Que parece que o mundo
Sempre dá um jeito de esperar
Por elas:
O show, começa mais tarde
O ônibus, aguarda mais dez minutos
A lua demora
A chuva cai, ralinha

Salvatore Quasimod



Poeta, tradutor e crítico italiano (20/8/1901-14/6/1968). Prêmio Nobel de Literatura de 1959. Nasce na Sicília, filho de um ferroviário, e inicia seus estudos na cidade de Siracusa. Forma-se matemático em Palermo e, mais tarde, conclui o curso de engenharia em Roma. Ganha a vida como engenheiro e funcionário público nos dez anos seguintes e escreve poesia nas horas vagas até 1935, quando abandona a carreira para ensinar literatura italiana em Milão.

conteudo@algosobre.com.br


BASTA UM DIA PARA
EQUILIBRAR O MUNDO

A inteligência a morte o sonho
negam a esperança. Nesta noite
em Brasov, nos Cárpatos, entre árvores
não minhas, busco no tempo
uma mulher de amor. O mormaço estala
as folhas dos álamos e eu
me digo palavras que não conheço,
derramo terras de memória.
Um jazz escuro, canções italianas
passam tombadas sobre a cor das íris.
No rangido das fontes
se perdeu tua voz:
basta um dia para equilibrar o mundo.

BASTA UN GIORNO
A EQUILIBRARE IL MONDO

L’intelligenza la morte il sogno
negano la speranza. In questa notte
a Brasov nei Carpazi, fra alberi
non miei cerco nel tempo
una donna d’amore. L’afa spacca
le foglie dei pioppi ed io
mi dico parole che non conosco,
rovescio terre di memoria.
Un jazz buio, canzoni italiane
passano capovolte sul colore degli iris.
Nello scroscio delle fontane
s’è perduta la tua voce:
basta un giorno a equilibrare il mondo.


Ver texto integral em:
http://www.cronopios.com.br/site/poesia.asp?id=3924

por socorro moreira





Impossível amar
sem aperto no peito...

depois de lamber a ferida
a gente transcende,
e ama de novo,
até doer na alma


Há um prazer místico e erótico
nesse processar divino,
tão humano...
um sentimento epidérmico,
que deixa cascas na alma.

Noturna- por Socorro Moreira






viajo no silêncio ...
quando sobra um pensamento
eu entrego pras estrelas
que sabem guardar segredos


sorvo a noite da varanda
embriagada dos cheiros
e vou dormir com meus risos
num labirinto de enredos


Num choro recém-nascido
esbarro em teu coração
e juntos nos deleitamos
do amor que nunca soube
encontrar a solução.


A Arte e o Sonho - por Barbosa Tavares




D efinir, ou melhor, tentar definir a arte, sempre se me afigurou permanente fascínio, porque, radicando no homem, supera-o naquele recesso da alma onde confluem a mística e a metafísica, onde o deslumbre e emoção aspiram raiar o infinito.

Vulgar é, afirmar-se que a arte simboliza um esforço de transcendência, tentativa de superar a temporalidadade, tocando o sonho num desejo obstinado de enlaçar o Divino ou a Ele tecer as loas de um encantamento.

Creio que o esforço criativo alimenta-se, sobretudo, no cântico da contemplação do homem sobre o seu mistério, na indecifrável perplexidade do ser perante o sopro de vida que lhe coube em partilha cosmogénica.

A autêntica arte será eterna, porque nela consubstancia os arroubos, temores e encantamentos do homem—defronte de si própio--na sua inebriação perante a magia da vida.

Nela se consagra um imaginário, num mundo onde o sonho se cruza com o cinzel, tela ou o poema, para infundir à vida, em ascensão pro-ascética, as auríferas tonalidades de um cântico ao Absoluto. Compreende-se, a esta luz, que as catedrais, igrejas e conventos, encerrem a arte no seu esplendoroso zénite, porque, aí, o homem se abeirou de Deus e, inebriado, cantou-Lhe o esplendor, ao lavrar em pedra o cinzelar da beleza, humanamente absoluta.

Expressão máxima do sonho do sonho—pela sua inantigibilidade perene--a arte situa-se para além, naquela região do espirito em que a perfeição está sempre um degrau para lá de toda a possivel criatividade. Fascina-nos, porque é inexaurível. O poeta ou filósofo, ao afirmar que os nossos sonhos extravasam a vida e a superam na incapacidade da sua absoluta realização foi no mínimo, um pensador eximio na sagacidade e perspicaz na compreensão da alma. Ora, o mesmo se poderá afirmar da arte, isto é, do esforço de transcendência permanente na absoluta incapacidade de a superar.

A mais autêntica e laboriosa expressão artística, habita no cerne do sonho. Deste à arte não vai maior distância que aquela que vai da mão do artistta que executa o retábulo, do pincel que matiza um sentimento ou do poeta que transmuda na palavra a emoção que lhe harpejou a alma.

Nela reside o seu alimento e vitalidade. Sem emoção, sem o sopro do sentir, sem a sinfonia do espírito, a arte está desde logo condenada ao malogro.

Na sua expressão mais abrangente, a arte é um cântico de inebriação, sobretudo essencialmente, um acto de amor, um dos poucos meios passíveis de superar a nossa brevidade, rasgando no mármore das palavras a memória de um além-tempo, para aí fazer prevalecer um olhar dorido ou extasidado sobre a vida.

Não se exige ser artista para compartilhar a nona sinfonia de Bethoven ou inundar o olhar de êxtase na Pietá de Miguel Angelo. Ter arte é, nao só criar, mas outrossim, saber fruir e vibrar na criação artística de outrém.

O verbo, esculpido na paixão, inebriado pelo cântico da vida, é a constatação de que aspiramos a muitissimo mais do que somos, cinzelando na memória eterna da arte a efemeridade do tempo que se esgota e nos esgota.

Um artista: poeta, músico, escultor ou contista, aspira adejar no seu espaço criativo em busca de novas concepções de beleza, capturar o inefável, esgotar na palavra ou no cinzel uma imagem: a emoção, no refluir da emoção, no tempo de um sentir inebriado.

O sol, o mar , o arvoredo, os pássaros , os vales e o vento foram criados para nele estremecermos perante a sábia mão que soube fazer refulgir na emoção humana, o esplendor da vida, o enamoramento da natureza, que vai do riacho à nuvem, encalavitada sobre os níveos flocos de algodão.

Que outro artista, maior que o Criador, ao aspergir no homem o desejo de aspirar à divindade?

Razão porque toda a arte encerra a expressão sublimada do imaginário, através do verbo, da harpa, do cinzel do nosso humanismo adejando em torno do Divino.

Brampton, 1994
Antonio Barbosa Tavares



Mãe


Renovadora e reveladora do mundo
A humanidade se renova no teu ventre.
Cria teus filhos,
não os entregues à creche.
Creche é fria, impessoal.
Nunca será um lar
para teu filho.
Ele, pequenino, precisa de ti.
Não o desligues da tua força maternal.

Que pretendes, mulher?
Independência, igualdade de condições...
Empregos fora do lar?
És superior àqueles
que procuras imitar.
Tens o dom divino
de ser mãe
Em ti está presente a humanidade.

Mulher, não te deixes castrar.
Serás um animal somente de prazer
e às vezes nem mais isso.
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.
Tumultuada, fingindo ser o que não és.
Roendo o teu osso negro da amargura.

Cora Coralina

Cora Coralina


Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Cora Coralina, uma das principais escritoras brasileiras, publicou seu primeiro livro aos 76 anos de idade.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Lakshimi Deusa da Abundância



19 de agosto- Dia Mundial da Fotografia !


Desencanto - idas e vindas- por Socorro Moreira


Existem idas sem voltas
Momentos saem da órbita
Desistem do seu destino


Existem voltas sem malas
Extraviadas do  amor
Teratram  do outro lado


Existe o ausente
Que não cabe no presente...


O riso palhaço
O olhar desconfiado
A palavra maldita
Que sufoca cruelmente
O respirar de uma flor.




Desencanto apaga o riso por encanto


Pôe a lágrima no canto


Embarga a voz na garganta


Não canta


Não discute, leva a mala


Deixa a chave da casa ,


Deixa perfume no ar


Irrita quem fica


Faz lembrar

Signos Zodiacais - Sinais para estrelar a vida- Por Stela Siebra Brito


(artigo escrito para a revista eletrônica, de Astrologia, Porto do Céu, em janeiro de 2000)


Chegou o ano 2000 e com ele o alvoroço nos corações e mentes das pessoas. Será este ano igual aos outros? Ou será diferente, por ser o início de um novo milênio? Talvez pela excitação reinante e o grande número de festas, não nos daremos conta que ele será mesmo igual aos outros, se não houver uma disposição interior em cada um de nós para fazê-lo diferente, para compreendê-lo de uma forma nova e única. Temos uma grande oportunidade para entrarmos noutra dimensão, transformando cada coisa menor da nossa vida em algo maior. Pensemos nisso. Pensemos em mudar, em nos libertarmos do medo de sermos nós mesmos. Pensemos em nos libertarmos da solidão e da desintegração cósmica, da nostalgia e saudade de algo mais.

É tempo de perceber a dimensão maior da vida, pois compreendendo a nossa inserção na ordem cósmica e divina, não ficaremos mais presos à nossa auto-imagem, fechados em nós mesmos, solitários, soltos ou distantes, ignorando nosso relacionamento com o Cosmos.

Vamos refletir e, sob um ponto de vista astrológico, mudar nossas vidas. Compreendendo nossa macro-integração, vamos experienciar os princípios de cada signo zodiacal e assim dar um significado real às nossas vidas.

Freqüentemente ficamos na aparência das coisas, na compreensão superficial dos conceitos, sem estudarmos nem aprofundarmos nossos pensamentos e elaborações mentais ou sensíveis. Conformamo-nos com o básico feijão com arroz, que alimenta apenas uma simples curiosidade de saber. Isso é muito comum para quase todos os assuntos, e aqui quero me referir especialmente ao interesse pela Astrologia.

Para nos conhecermos melhor e vivermos em harmonia com os princípios dos signos e planetas, é necessário conhecer nosso mapa de nascimento e seguir as orientações dadas pelo astrólogo.

É preciso compreender o verdadeiro sinal do signo e fazer brilhar seu significado. Quero aqui fazer um chamamento bem ariano, para arregimentarmos forças e empreendermos uma expedição, tal qual fizeram os argonautas em busca do tosão de ouro.

Nós também temos que buscar o ouro da nossa vida. E seja qual for o signo predominante no nosso mapa do céu, tudo começa com Áries, o signo que inaugura e conquista.

Vamos começar uma viagem buscando empreender e/ou intensificar o autêntico significado da Astrologia, num convite a expandir nossa alma na busca da realização pessoal e do crescimento espiritual.
O mapa natal, dividindo o céu em quatro casas angulares, parte do Ascendente e culmina no Meio do Céu, fazendo um percurso que visa reproduzir a ordem celeste na vida humana. E essa ordem celeste nos convida a uma vida de harmonia e realizações. Compreendendo os sinais astrológicos, saímos do egoísmo e da densidade da terra para a leveza integrativa e silenciosa do céu.

O mapa astrológico nos possibilita o equilíbrio entre os mundos físico e espiritual, entre o imanente e o transcendente. Como temos todos os signos no mapa, devemos ficar atentos para os sinais de todos eles e viajar de Áries a Peixes, compreendendo e experienciando seus ensinamentos.

Se queremos fazer nova e diferente a vida, aprendamos a estrelar cada signo do nosso mapa natal. E conseguiremos isso quando sairmos de um modo de vida insignificante para a compreensão dos sinais que podem nos possibilitar um cotidiano de vida mais significativo e, conseqüentemente, mais qualitativo.

Em ÁRIES estrelamos a vida quando, compreendendo os mitos de Crisômmos e dos Argonautas, inauguramos cada dia com agilidade e aventura. Vamos agilizar nossos projetos e arriscar suas realizações, explorando o melhor de nós mesmos para conquistar o melhor lá fora. Desengavetando e empreendendo estes projetos, desencadeamos a conquista do nosso próprio ouro, que é a nossa própria luz. O signo de Áries, impulsivo e do elemento Fogo, nos convida a desencadear novas e ousadas ações.

Já em TOURO, tal qual as princesas da mitologia grega, IO e EUROPA, não podemos nos deter até que atinjamos nosso objetivo. Resistência, persistência e coerência são ferramentas que não podemos dispensar para estrelamos a vida com a porção Touro do nosso mapa. Temos um nível de produção a atingir e devemos empregar todo esforço para consegui-lo. Touro, signo fixo e do elemento Terra, nos convida a uma praticidade nas nossas ações. Todo o entusiasmo acionado por Áries encontra em Touro a forma prática para ser desenvolvido com tenacidade e objetividade.

GÊMEOS – a amizade dos irmãos Castor e Pólux, que repartem alternadamente a imortalidade, é o ponto de partida para dar um significado geminiano às nossas vidas. Desenvolver amizades, trocar informações, aprender e ensinar são atitudes que ativam nosso pedacinho Gêmeos do Mapa do Céu. O que avaliamos como coisas opostas podem na realidade complementar-se. É bom verificar se não estamos olhando apenas para um lado das questões que se nos apresentam. Será que estamos dando um brilho no nosso lado espiritual, ou somente nos ocupamos das questões materiais? Gêmeos vai pedir que cuidemos dos dois lados, pois são pólos opostos que se abraçam.

Para estrelar CÂNCER que tal juntarmos as fotos antigas e recompormos o álbum de fotografias da nossa vida? Que tal cuidarmos de cicatrizar as feridas da alma, curando-nos de um emocionalismo que só nos impede de agarrarmo-nos ao que realmente nos impulsiona para um crescimento? Lendo e estudando o 2o. Trabalho de Hércules, compreenderemos melhor o mito do signo de Câncer. Temos que evocar nossas lembranças mais antigas e, assim como Hércules, que queimou todas as cabeças da Hidra de Lerna, temos que cicatrizar as questões emocionais, para que não fiquem sempre a renascer. Quando não conseguimos resolver bem um problema emocional, tendemos a transferir a carga para os outros. Estrelamos Câncer quando procuramos nossa intimidade, fazendo uma escalada interior, ativando nossa memória mais antiga. Assim, ambientando-nos com o mais íntimo da nossa alma, podemos recompor o quebra-cabeças, juntando os pedacinhos perdidos dos fatos da nossa história pessoal.

Em LEÃO, a alma busca encontrar seu verdadeiro brilho, saindo do egocentrismo exacerbado e devorador para entrar no cerne da luz. O mito nos remete ao 1o. Trabalho de Hércules: o Leão de Neméia. Vamos acender nosso brilho leonino, distanciando-nos do que é exibicionismo e concentrando-nos naquilo que verdadeiramente é valoroso. Não nos deixemos dominar pelas feras internas, mas aprendamos a asfixiá-las, pois assim poderemos triunfar sobre as possíveis monstruosidades do ego. Desta forma entraremos em contato com o que existe de grandioso e majestoso em nossa alma.

VIRGEM – estamos sendo simples, naturais e puros? A simplicidade, a naturalidade e a pureza são princípios que estrelam o signo de Virgem. O mito de Astréia, a virgem que viveu na Terra na Idade de Ouro, quando então a natureza era respeitada na sua sacralidade, convida-nos a uma análise apurada dos nossos atos. É um convite a trabalhar com meticulosidade, fazendo as necessárias faxinas e seleções, pois é preciso separar o joio do trigo. Em Virgem é preciso trabalhar para brilhar e, também, redescobrir e incrementar a relação espiritual com a Natureza, compreendendo que a Terra é generosa em sua abundância e fertilidade.

LIBRA - muitas vezes, impulsionados pelo desejo imediato de fazer as coisas, não ponderamos se aquela ação é realmente viável. Estrelar Libra é ponderar, é pesar e medir. Nada de inquietações ou decisões precipitadas! Temos que buscar o equilíbrio e agirmos de forma justa e social. O mito deste signo é a Balança de Astréia, que ao se retirar do mundo deixou-a com os homens, representando a Lei. A reflexão aqui nos conduz a analisar nossos atos: estamos sendo justos? Estamos lutando para legitimar nossos direitos? Na busca pela justiça não podemos esquecer a imparcialidade e a retidão.

ESCORPIÃO – o mito do Gigante Oríon ajuda-nos a entrar no mistério deste signo: ir além da forma aparente e superficial. Signo de Água, Escorpião suscita-nos um aprofundamento das questões e a viver nossas emoções com muita intensidade. Estrelar Escorpião é eliminar o excesso de emocionalismo, representado pelas paixões, é morrer e renascer cada vez que vivemos situações intensas, é sentir (e não compreender intelectualmente) que existe um mistério e que esse mistério, que faz tudo fluir, é quem indica o caminho do mais além, da verdadeira transformação.

Estrelar SAGITÁRIO é formular metas para nossa vida e, a cada meta atingida, formular outra e sempre mais outra. É um processo de perene elevação ou transcendência para um outro alvo. O mito de Quirão, o centauro sábio, nos ensina que para atingirmos a sabedoria temos que sair do mundo das emoções, passar pelo racional e transcender. O conhecimento permite esta ultrapassagem de “ser animal” para “ser espiritual”.

CAPRICÓRNIO – aqui o objetivo é se instalar, se sedimentar mesmo. Se queremos colher os frutos da abundância e concretizar nossos projetos, temos que ser obstinados e pacientes. Há dois mitos para este signo de elemento Terra: o da cabra Amaltéia e o de Pã, que impulsionam a lição capricorniana de abundância, consistência e totalidade. Estrelar Capricórnio é buscar a integralidade, usando todos os recursos para expulsar as fraquezas e sair do pânico, para nos sentirmos plenos e integrados ao Todo.

Estrelar AQUÁRIO é sair de um quadro de referências essencialmente subjetivo e pessoal, para olhar a vida com uma perspectiva objetiva, social, solidária e ampla. Vamos olhar bem para o futuro, com esperança e, sintonizados com idéias inovadoras, desenvolver uma sociedade mais justa e igualitária. Os ideais aquarianos estimulam consciência e interações sociais. Não podemos ficar de braços cruzados, olhando para nosso próprio umbigo, quando as mudanças e revoluções estão acontecendo. Vamos participar, cooperar e desenvolver nosso espírito de solidariedade. Vamos estrelar Aquário buscando a matriz primordial das coisas. Quando sairmos de um tipo de vida comum – centrados na nossa auto-imagem – para buscar o modelo original, estaremos nos repotencializando, nos libertando e oficializando nosso encontro com o Sagrado. Aí começamos a realizar e estrelar PEIXES.
E a proposta de PEIXES é a Fé.
Unificados pela Fé, deixemo-nos levar pela sensibilidade e, certamente, nossa serenidade e inspiração fluirão. Dessa forma estaremos mais aptos a viver com Amor, Fraternidade, Compaixão e Paz.


Stela Siebra Brito

Foto de Emerson Monteiro


Michel Moore em Cuba - Por Joaquim Pinheiro Bezerra de Menezes



O cineasta norte-americano Michael Moore, diretor de Fahrenheit 9/11 e massacre em columbine, levou alguns americanos a Cuba. O grupo era formado por vítimas do atentado de 11 de setembro (Torres gêmeas) e não tinham recursos para custear tratamentos nem plano de saúde. O polêmico diretor filmou a estadia na ilha caribenha e transformou as cenas no filme Sicko (traduzido como SOS saúde). No site abaixo pode ser visto um trecho do documentário.

http://video.google.com/videoplay?docid=-8478265773449174245&hl=pt-BR

Infância - Por Socorro Moreira



Ela acordou em 1959 aos 7 anos de idade.Morava num sobrado de família bem apanhada. Sabia que não era rica , mas tinha vida de princesa. Vestido de organdi e meias de seda. Tinha bonecas, livros de história, e uma coleção de fitas pro cabelo.Sua mãe era linda e triste. Parecia esconder mágoa ou segredo. Seu pai era boa pinta, gostava de desenhar , e cantava lindamente , no banheiro. Tão criança, e já apaixonada por um primo de 10 anos. Francisco estava por lá de férias, acompanhado pelo pai , irmão da sua avó. Ele jamais saberia ,ninguém jamais saberia , mas seu coração começou a bater mais forte.

A discoteca da casa era diversificada, mas só tinha coisa boa, coisa de muito bom gosto. Naquela manhã de domingo , Doris Day estava na agulha, cantando "que será será' ( Whatever wil be, will be).Tinha lido na Cinelândia, que a música era trilha sonora do filme :" O homem que sabia demais".Filme impróprio para crianças daquela idade, mas a música estava ali , no seu ouvido, entrando livre e maravilhosa !

A casa era enorme, e possuia muitos esconderijos. Sua avó sempre a encontrava . Vinha com um romance pela metade , debaixo do braço, e lhe pedia para ler, em voz alta, mais alguns capítulos - a história do "Moço Loiro"( Joaquim Manoel de Macedo) . O nome do personagem feminino era Honorina , mas ela achava que era "Mirtô" ( "... O ponto culminante, no entanto, situa-se quando, ao beijá-la, o moço rouba .... A fronte não cingi de *mirto e louro. Antes de verde rama engrinaldei-a ...")

- Vó, quando eu me casar, e tiver uma filha mulher, o nome será Mirtô. O que acha ?
- Mirtô é um nome lindo, e raro. Boa escolha !

-Mas existirão condes, herdeiros de castelo, ou posso casar-me com qualquer menino que toque bem acordeon ou realejo? Quero casar-me com alguém que toque todas as canções do mundo; que não precise sair para trabalhar; que fique brincando no jardim de criar rosas, e leve-me para o cinema todas as noites. Não quero perder uma película sequer... Quero assistir a todos os filmes proibidos, e tem mais : quero viajar de avião por todo o mundo, conhecer a Praia de Copacabana, Paris, e a Bahia de São Salvador. Não é lá , que a gente compra cocada , num taboleiro de damas ?Pois eu quero !

E a água de coco ? Papai diz que lá tem praias com muitos coqueiros. Eu quero conhecer a Igreja do Senhor do Bonfim.

Sentiu as mãos da vovó Ana , nos seus cabelos anelados.
- Não vá catar piolho, viu ? Hoje não... Cante uma moda do seu tempo de menina: " perdão Emília... Acho linda !

E a vó , numa voz de rouxinol , cantarola baixinho.
Lá na sala, Doris Day ainda canta. Seu pai deixa que o disco fique arranhado pelas repetições, enquanto traga o seu hollywood, e sorve uma Brahma do Recife, geladinha.

Dormiu. Dormiu no colo da vó, pés esticados numa cadeira.
Acordará entre lençóis quentinhos, provavelmente .

* Pensou, no seu entendimento de criança, que mirto, fosse um nome feminino ( Mirtô, na sua interpretação), uma vez que não conseguiu traduzir a palavra.


Federico García Lorca



Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 19 de agosto de 1936) foi um poeta e dramaturgo espanhol, e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola devido ao seus alinhamentos políticos com a República Espanhola e por ser abertamente homossexual

 O POETA PEDE AO SEU AMOR
QUE LHE ESCREVA


Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.


O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.


Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.


Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.


( tradução: William Agel de Melo )

ARACY DE ALMEIDA - por Norma Hauer


Um grande vulto de nossa música popular nasceu a 19 de agosto do ano de 1914: ARACY DE ALMEIDA, conhecida como a maior intérprete de Noel Rosa, com quem conviveu muito, freqüentando as tabernas da Glória e da Lapa.

Foi na antiga Rádio Educadora do Brasil, onde Aracy deu seus primeiros passos como cantora popular, depois de cantar em igrejas evangélicas, que ela conheceu Noel, travando com ele uma forte amizade até que ele partisse aos 26 anos, em maio de 1937.

Sua primeira gravação foi na Colúmbia, com o samba "Em Plena Folia", mas foi quando gravou, de Noel e Hervê Cordovil, o samba "Triste Cuíca" que seu nome apareceu entre as cantoras de sua época. Ainda em vida de Noel, gravou "Cansei de Pedir";"Amor de Parceria";"Palpite Infeliz";"O X do Problema"; Eu Sei Sofrer": e "Último Desejo". Já em 1938, depois de Noel morto, gravou "Século do Progresso"; "Feitiço da Vila";"João Ninguém" e "Filosofia".

Mais tarde, no fim dos anos 40, lançou 2 álbuns com 10 discos de 78 rotações somente com músicas de Noel.

Depois de Noel, foi Haroldo Lobo, em dupla com Milton de Oliveira quem mais deu músicas para Aracy, como "O Passarinho do Relógio";"Passo do Canguru", "Miau Miau"...

Aracy, quando ingressou na Rádio Mayrink Veiga, já com César Ladeira na direção artística da emissora; foi denominada por ele como "O Samba em Pessoa". De fato, foi a maior intérprtete de sambas no tempo áureo do rádio. Apesar disso, gravou uma canção "Mamãe Baiana" e um samba-canção bem triste "Pedro Viola".

Em sua comunidade já tive ocasião de citar um fato reverente que aconteceu com ela e o compositor Pedro Caetano (que conta este caso em seu livro "50 Anos de Música Popular".

Aracy, como muitos sabem e gostam de comentar tinha uns ares meio masculinos por ter sido a única filha mulher entre cinco irmãos homens. Embora nunca tivesse se casado teve um caso amoroso (e rumoroso) com um goleiro do Vasco da Gama, conhecido como Rei.

Tivera uma forte briga com ele, caso que repercutiu nos jornais da época .

Pedro Caetano e Claudionor Cruz compuseram um samba de nome Engomadinho"

e levaram para Aracy gravar. Compareceram à gravadora e ela ainda não conhecia o samba, mas acreditava nos autores. No momento da gravação, lendo a letra do samba, disse "isso não gravo", exatamente na parte em que dizia "Rei do meu amor". Todos espantados perguntaram "por que?" Resposta: "Não quero dar cartaz àquele pilantra. Ou muda agora, ou..até amanhã. E ameaçou sair da gravadora.

-"Mas Aracy, disseram, não tem nada uma coisa com outra. Rei dos seresteiros nunca foi rei de futebol."

Aracy; não adianta, não vou dizer "rei do meu amor de modo nenhum"!

Foi difícil, mas Pedro Caetano mudou o último verso da última estrofe, que dizia:"Rei dos seresteiros, rei do meu amor", para "deste seresteiro, que é o meu amor. Aí ela gravou.

Aracy tinha uma forte personalidade, os compositores cederam e o samba tornou-se um grande sucesso.

Em 1950, Aracy foi "de armas e bagagens" para São Paulo; ali apresentou-se em alguns programas de TV, como "Programa do Bolinha";"Buzina do Chacrinha"; "Almoçando com as Estrelas", de Aerton Perlingeiro" e alguns outros, mas ficou famosa como a jurada "rabugenta" dos calouros de Sílvio Santos. Dava sempre notas baixas aos "coitados" dos calouros. Mas essa era sua personalidade.

Aracy regressou ao Rio de Janeiro, já doente, ficando dois meses em coma, falecendo em 26 de junho de 1974, em uma casa de saúde na Tijuca, sendo sepultada no Cemitério Jardim da Saudade

FRANCISCO ALVES - por Norma Hauer


Foi aqui no Rio, no Largo da Prainha, ali entre a Praça Mauá e o bairro da Saúde, que FRANCISCO ALVES nasceu em 19 de agosto de 1898. Francisco Alves foi um dos primeiros cantores a conhecer sucessos, antes mesmo da criação do rádio no Brasil.

Começou cantando em circos e teatros de revista, em 1918. Já em 1920 , em uma gravadora nova, artesanal, de nome POPULAR, de João Gonzaga, companheiro de Chiquinha fez sua primeira gravação com "Pé de Anjo", uma sátira de J.B.da Silva (Sinhô) ao grupo "Oito Batutas", de Pixinguinha.

"O Pé de Anjo" foi uma revista musical que estreou no Teatro São José e só depois a música-título recebeu uma gravação sendo o lançamento de Francisco Alves em disco.
Na outra face desse primeiro disco foi gravada "Fala, Meu Louro", também de Sinhô.

Nessa gravadora só lançou dois discos, passando depois para a Odeon, onde ainda se gravava mecanicamente e só quem possuía grande voz tinha condições de fazê-lo, como Chico Alves e Vicente Celestino.
A Odeon tinha um subsidiária de nome "Odeonete", onde Chico Alves gravou , ainda na fase mecânica.
Foi em 1927, novamente na Odeon, que Chico Alves gravou o primeiro disco, em gravação elétrica no Brasil . As músicas foram "Albertina" e "Passarinho do Má".
Francisco Alves e outros que estavam começando no final dos anos 20, ainda não acreditavam no rádio (inaugurado em 1923) que de acordo com a lei de então só podiam executar músicas clássicas, seguindo o "slogan" de Roquette Pinto "pela cultura dos que vivem em nossa terra, pelo progresso do Brasil" .

Achavam que música popular não era cultura.

Somente em 1929 Chico Alves começou sua carreira no rádio, mas foi um dos primeiros contratados da Rádio Mayrink Veiga, em 1933, quando passou a ser o "Rei da Voz", cognome dado por Cesar Ladeira.
Nessa época, já gravara mais de 100 discos e, embora falecido em 1952, foi o cantor que mais gravou em 78 rotações (500 discos) perto de 1000 músicas.

Francisco Alves inaugurou, em 25 de setembro de 1935, a Rádio Tupi, do Rio de Janeiro, onde não ficou muito tempo.

Pouco após a inauguração da Rádio Nacional, em setembro de 1936, Francsico Alves transferiu-se para lá, fazendo parte de seu elenco até seu falecimento, em 27 de setembro de 1952, em um acidente automobilístico na Rodovia Presidente Dutra, quando regressava de um programa em São Paulo.
Seus programas na Nacional eram ao meio-dia de domingos, quando quase todos os receptores de rádio estavam sintonizados nos então 980 khz do prefixo PRE-8 Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
A locutora Lúcia Helena abria seus programas com a frase"ao juntarem-se os ponteiros na metade do dia, ao soar o relógio dando as doze badaladas, os ouvintes da Rádio Nacional também se encontram com Francisco Alves-o Rei da Voz".

Daí ele abria com: "na carícia de um beijo, que ficou no desejo, boa noite, meu grande amor", início da valsa de José Maria de Abreu e Francisco Matoso, "Boa-Noite amor".

Haveria muito a falar de Francisco Alves, afinal ele foi a mola-mestre que deu origem a tudo que veio depois dele no rádio, na música, no carnaval (grandes sucessos)..."com pandeiro ou sem pandeiro, ê,ê,ê, eu brinco;com dinheiro ou sem dinheiro,ê,ê,ê eu brinco..."

Alguns cantores também foram "descobertos" por ele, como Orlando Silva, João Dias... deu grande força a Carmen Miranda, no início de sua carreira, a Mário Reis, com quem gravou uma série de músicas.
O próprio Orestes Barbosa, jornalista e poeta, apareceu no meio musical quando Francisco Alves musicou-lhes seus poemas, sendo que o primeiro foi "A Mulher que Ficou na Taça"... Carlos Galhardo quando resolveu tentar o rádio, foi de Francisco Alves que se aproximou
Tendo falecido em 1952, quando a televisão ainda "engatinhava", não teve chance de fazer parte de sua programação. Em 1976 a TV Globo tinha um programa de nome "Sexta-Feira Súper" e ali foi feita uma homenagem especial a Francisco Alves.

Quatro cantores de seu tempo, fizeram depoimentos sobre ele e, em quarteto, cantaram "A Voz do Violão", algo inédito e único. Gravei essa apresentação ( em áudio, apenas) e tenho as vozes de Orlando Silva, Gilberto Alves,
Sílvio Caldas e CARLOS GALHARDO interpretando "A Voz do Violão".

"Eu tenho um companheiro inseparável
Na voz do meu plangente violão."

Manhã de 2ª feira, 29 de setembro de 1952...Um grande féretro, o primeiro em que se usou um carro do Corpo de Bombeiros, atravessa as ruas do Rio de Janeiro, da Cinelândia (Câmara Municipal) onde o que restou de seu corpo foi velado (havia morrido queimado) até o Cemitério São João Batista acompanhado de uma multidão a pé cantando...

"Adeus, adeus, adeus...
Cinco letras que choram
Num prelúdio de dor.
Adeus, adeus, adeus,
É como o fim de uma estrada
Cortando a encruzilhada.
Ponto final de um romance de amor.

Quem parte, tem os olhos rasos dágua
Ao sentir a grande mágoa
Por se despedir de alguém.
Quem fica, também fica chorando
Com o coração penando
Querendo partir também

Foi no enterro de Francisco Alves que, pela primeira vez, a Câmara Municipal abriu seu salão para o velório de um cantor e foi também, o primeiro féretro realizado em um carro do Corpo dos Bombeiros, seguido com o povo a pé, até o Cemitério de São João Batista, em Botafogo.

Norma

As tias high-tech emburrecendo com a televisão - por José do Vale Pinheiro Feitosa



Minhas tias Rosa, Maria e Raimunda estiveram, neste amanhecer, envolvidas numa quente discussão. Tudo por causa de uma notícia nos jornais on-line da internet. A “chamada da matéria” dizia: A televisão me deixou burro demais.

- Eita, que sujeito mais fraco, até a televisão é capaz de deixá-lo fraco das idéias! – Abriu o verbo minha tia Maria, mas Rosa, após ajustar os óculos e correr os olhos no corpo da matéria, logo questionou:

- Menina, num é o sujeito que é fraco. A televisão é que um veneno para a inteligência. Raimunda que aproveitava o diálogo das irmãs para avançar na leitura deu veredicto:

- É pesquisa, viu. Tudo foi pesquisa. Tá provado, comprovado e aprovado: “Assistir à televisão emburrece as crianças”. Eu bem digo que é melhor contar estrelas do que ficar vendo novela. Vocês não despregam os olhos da televisão na hora da novela. Quando é noticiário, todo mundo quer, até futebol já estão assistindo e agora deram para se viciar em filme. Vão ficar igualzinho a estas crianças do Canadá: piores em matemática, comendo junk food (pronunciada como junque fó odi) e sofrendo mais bullying (pronúncia do perfeito inglês dos sertões, não sem gaguejar na leitura: bu li li ingue). Raimunda terminou sua linha argumentativa e Rosa rebateu:

- Ora! Se eu ficar burra nas aritméticas eu tenho os dedos prá contar e estas comidas e sofrimento eu nem sei o que é. Tu sabes me esclarecer? Raimunda, embora tivesse ousado pronunciar as palavras estrangeiras, não tinha a menor idéia do que se tratava. Então, abriu os olhos e fez um belo discurso nacionalista como fuga do núcleo explicativo:

- É um absurdo. Falta de Governo. De vergonha na cara. A culpa, também, é deste povo besta que nem sabe defender o próprio valor. Nossa língua é mais completa e inteligente do que o tal do Inglês, mas estes abestados não sabem dizer nada que não seja falando estas palavras de abestado. Onde já se viu menina! Ninguém sabe nem explicar o que escreve. É tudo macaco de imitação, papagaio da língua solta, espelho que não tem ciência da imagem que reflete. – Raimunda salvou de explicar o que era Junk Food e Bullying a Rosa, pois Maria adiantou a conversa com outro trecho da matéria:

- Olhem aí! Viram! – as outras irmãs, ajustando mais ainda os óculos, aproximaram o rosto do monitor, enquanto Maria traduzia – Os americanos, franceses e australianos já nem querem que as crianças menores assistam à televisão. Até para crianças maiores querem limitar o tempo. Mas Rosa, na eterna dúvida, demonstrando que não ver televisão tanto assim:

- Mas e o que causa o problema? É a luz do aparelho da televisão, as imagens ou as besteiras dos programas que botam as crianças para assistir? Raimunda e Maria trocaram breve olhar e continuaram a leitura para ver se havia uma explicação para a dúvida da irmã, até que Maria falou:

- É a perda de tempo e aquisição de hábitos ruins. Se perde tempo, é porque fora da televisão teriam mais proveito. Se pegam coisa ruim, é porque os programas são ruins mesmo. Mas aí Raimunda rebate:

- Mas a burrice fica para toda a vida! – Rosa foi ao final e concluiu:

- O problema é dos programas e do aparelho da televisão com esta correria das imagens de um lado para outro, com som nas alturas, cores fortes e muito piscar de luz. Pronto, era o que Raimunda queria como lição do dia:

- Viram como é melhor a gente ficar juntas na internet. Nós temos tempo de discutir, conversar e não ficar de olho aboticado nesta tela.