por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Lucidez?



A primeira vez que eu fui a Várzea Alegre eu era menina de braços. Lembranças vagas.
A segunda vez, eu estava com 14 anos, terminara o ginásio, e fui passar as férias , na casa de Seu Mundim Tibúrcio com Ana Maria ( minha prima), Vilany e Maria Nilce.
Cheguei de tardinha, depois de muitas horas de viagem pela Serra de S.Pedro. De noite fui dar umas voltas na praça , querendo conhecer os meninos dos quais já tinha a ficha completa. Mas a praça estava vazia. Todos tinham ido para um forró, no Sanharol.
Quando o dia amanheceu, depois da primeira noite naquela cidade, fui pra calçada, apreciar o movimento. Míope, não enxergava o povo à distância. E, lá se vem, uma moça enfeitadíssima, de salto alto, colares, pulseiras e roupas vistosas... Parecia uma cigana !
Perguntei pra Maria Nilce : Vixe, quem é aquela tão pronta, que vem chegando , já com um sorriso imenso, na boca de batom vermelho ?
Ela riu muito, e deixou que a figura se aproximasse, e eu tirasse as minhas conclusões.
Era Francisca. Gostamos uma da outra de cara ( as doidas se atraem?). Aí foi logo se lamentando:
" Tenho um monte de apelidos... O povo daqui é gozador, sabia?
E, já que está chegando, se quiser minha amizade, não tome os meus namorados...O nome do atual é Rubens Diniz."
Eu pensei até em registrar tudo que Chica falava, nos 30 dias que passei em Várzea Alegre. A história de uma cidade contada pelas falas da Chica seria um livro de Filosofia !
Chica é uma, entre mil e umas , saudades minhas !
Eu só não nasci em Várzea Alegre porque nasci foi no Crato. Mas se tivesse sido ao contrário , eu também seria feliz !

Cheiro de infância


Carência e medo
Tempestade, trovão
Almas penadas, aparição
Pavor de espelhos, aconchego
Colchão e amônia
Cabelos embrenhados, rabo de cavalo
Balões, bonecas de pano
Bilas, birros, bambolês
Chão de mosaicos, sujo de infância.

Night and day




Certas estratégias românticas, além de inocentes são burras. Já nos desculpamos, mas não nos esquecemos dos inúmeros títulos conquistados, coroados com faixa e cetro do nosso discernimento. A ficha caía, mas não voltava para o cofrinho da aprendizagem. De repente até desprezo esse “cofre”. Prefiro-me no tempo em que eu era louca e burra, exatamente porque esse tempo não tem volta. Vivem-se outros episódios.
Lembro de uma amiga, colega de destemperos- a Gilda! Quando se tratava de paixão caía de boca. Declarava logo o que sentia, escrevendo um bilhete anônimo ou expressando-se com seu olhar deslumbrado. Quebrava o mistério, dissolvia as boas perspectivas de construção e ia para os finalmente: hora do beijo e da declaração de amor, como nas revistas, novelas e no cinema. Essa pressa gerava atos impensados e despropositais. Queria porque queria uma conversa aberta com o Júlio. Um caso mais ou menos ilícito (eu acho). Marcaram um encontro, num lugar distante e compraram passagem no mesmo ônibus. Precavidamente deixou o carro partir, ouvindo Night and Day, naquelas vitrolinhas portáteis da Phillips. Olhou o relógio e pensou: Já perdi o transporte. Tá na hora de pegá-lo, na estrada. Mandou o taxi correr, enquanto o taxímetro corria também. A noite também corria gelada de estrelas. Enfim, num ponto de beira de estrada, o ônibus parou para um café. Foi quando o carro encostou. Recuperou seu lugar. Ele na frente. Gilda lá atrás. Estavam enfim ,não a sós, mas no mesmo espaço público e em nada protegidos. O ônibus chegou ao destino, e cada qual seguiu seu caminho.
Tão frustrante, que ela apagou o projeto do encontro, pra todos os sonhos adiante. Tem história que não faz história. Muito caro o preço de uma aventura vazia. Só lembro que ela ,quando me contou , ouviu naquela noite, Night and Day, cem vezes.

àguas passadas movem os meus moinhos


Águas passadas movem os meus moinhos

Eu tinha um amigo que adorava mulheres das pernas tortas, e dizia isso com toda razão:
- Imagine o enrosco dessas pernas no meu corpo. Encaixe perfeito!
- E as minhas panturrilhas humildemente, se encolhiam.
Estávamos no Amazonas. Os meninos tomavam cerveja em latinhas, salpicadas de sal e limão. Claro que eu ia de "Baré", e o tira gosto era Tucunaré. Tempo infernal e celestial. Chuvas diárias nas tardes, banhos nas calçadas, no meio do mundo - um mambembe coletivo, atiçado e resfriado. Terra aonde a lepra se espalhava.
- Cuidado menino, com beijo de língua; com mordiscadas na orelha... (Cuidado para não engolir coisas alheias).
E o tempo quebrava o relógio. A estrada era selva, e o rio navegável. Exuberância, nos passeios de lancha (50 HP). De uma margem para outra, nem se tivesse olhar de lince, ou pescoço de girafa, a gente vislumbrava a margem do outro lado... Só se via água e céu, um mar nublado, sem ondas, sem turmalina, mas tinha a beleza das garças.
Nas noites, imperava o carimbó ou um violão mineiro.
Num grupo de dez, eu era apenas só!
Cansados das caças, fretamos um avião para gastar dinheiro, no "Selton" de Porto Velho. Os meninos esticaram o vôo até Letícia, na Colômbia, atrás de Old Parr e "Saco Roxo", e eu fiquei num salão de beleza, pintando os cabelos de vermelho.
Naquela noite, nos banqueteamos depois de três meses, com filés ao molho madeira.
Digestiva foi a Discoteca. Sons de Tina Turner - Dancing Days. Uns remelexos soltos, e ao mesmo tempo presos, nas meias de lamê.
Benditas diárias, que nos davam chuva, rio, peixe, castanhas e algumas mordomias.
Ontem assisti ao filme "Ensaio sobre a Cegueira”, baseado no livro de Saramago, e :

Evoquei todas as águas,
nas quais já me molhei.
Bendisse a vida.
Umedeci a pele,
folha seca da cegueira.
Agora posso fechar os olhos
Viver o que deixei passar.
Posso na vida
também adiantar o olhar.
Buscar-me, buscar-te
Entregar alma em mãos...
Confiar!

Bievenido Granda



Em 31 de maio de 1964 , Bievenido Granda esteve no Crato, e fez um show no auditório da Rádio Educadora.

O Crato em peso compareceu. Quem é do meu tempo, confirma !
Os cratenses sempre gostaram de um bolero . Com ele aprendíamos a dançar , sem colar o rosto. O repertório de Bievenido, mesmo nos anos da Jovem Guarda , estava internalizado na gente de todas as idades. Eu mesma o conhecia por inteiro, e gostava !
Mas o que mais marcou aquele show foi o início de namoro entre Ana Maria ( minha prima) e Heron Aquino( nosso grande radialista). Justo nesse show eu também comecei a namorar pela primeira vez.
Elegemos uma música comum, "Oracion Caribe" , que Heron acabou levando para as paradas de sucesso, tendo em vista a infinidade de pedidos para que fosse tocada em seu programa.
Meses e meses, e Oracion Caribe mantinha-se campeã ( música mais solicitada de todos os dias !)
O meu namoro não deu em nada , mas o namoro da minha prima virou noivado, casamento , e vai completar bodas de ouro, porque o amor permitirá !

Quem lembra desse evento ?
Foi esse o repertório :

ANGUSTIA, CALLA ,EM LA ORILLA DEL MAR ,ESPERAME , HIPÓCRITA ,
LA ÚLTIMA NOCHE ,MORENA ,NO ME DIGAS NADA,NOSTALGIA ,
PERCAL,PERFUME DE GARDENIA ,SOÑAR CONTIGO ,
TRES PALABRAS,TU PRECIO e ORACION CARIBE .

Boêmia



Coração não é relógio de cordas

com ponteiros e valsa de despedida


O que se fala no boteco,

morre,

quando a noite finda.


Um tango de Gardel,

bolero de Ravel,

cheiro de sarro,

amendoim torrrado


Cio no olhar

chope derramado

quebra de taças

poemas molhados


Madrugada, calçada

lua em vigília

rajada de vento

cheiro de dama ...

E o céu cuspindo neblina.

Aos meus amigos , mensagem na madrugada .


Acabo de chegar de uma breve comemoração, e encontro essa festa surpresa. Meus amigos – presente e alegria de vida! Sou um tanto arisca, quando se trata de festas em minha homenagem. Comemoro a vida, em cada minuto de todos os dias. Mas hoje fui surpreendida pela minha alegria.
Eu sei da importância que todos têm pra mim, e não preciso checar a reciprocidade. O sentimento que a gente recebe é o sentimento que a gente sente, no retorno da energia.
Havia combinado com o filho mais velho, que passaríamos esse dia em Várzea Alegre, mas depois dessa emoção, mudei de planos. Vou passá-lo com a mulher que me pôs no mundo para que eu tivesse a felicidade dos encontros.
Não se preocupem os que não conseguem postar uma mensagem... Estou recebendo recados telepáticos de vários lados. Sintam-se todos abraçados, no meu agradecimento.
Em traje de cabra cega, parto esse bolo. .. A primeira fatia será dada no escuro. Não existe mais nem menos, no meu coração... Existem vocês!

-Um dia de paz e luz para todos nós !

Perdas


As pessoas partem

a paisagem fica

Perdem-se os aneis

os dedos afinam-se

Mudamos de cidade

o poço fica

Perdemos um amor

o vazio fica


Em todas as perdas

ganha-se algo de mais valia

O amor não envelhece

Fica sábio,

preguiçoso, mais pacato


Incondicional é o amor

que não desiste.

Anema e core




Existimos desde o "Muro de Planck".
Se estivemos dispersos no universo,
obedecíamos a uma ordem inteligente.

Teu sinal,
seja o mais sutil...
é um big bang
do amor contido.

"A nostalgia dos céus me domina”.

Tudo é mistério,
ou quase assim
Não sei o tom
mas escuto o som
nota por nota ...
Tudo o que diz, e
o que não diz!

Piscadelas, pautas falsas
Cumplicidade...
(por acaso e por um caso)
Felicidade é saber, e intuir
Gozar da plenitude
sem ter,
nem possuir!

Somos juntos
na efêmera realidade
Somos unos,
na longínqua eternidade!

Alternâncias



Solidão , romance

Romance na solidão

Solidão no romance

Tudo intenso !


O morno do amor

É melodia baixinha

É perfume suave

É doce harmonia.


O que é bom dura sempre

O tédio é de quem o sente

Rasga esboços da felicidade...

-Ela em trapos, se recompôe !


Amor marginal

se descoberto sob mantas

nas esquinas, nos muros pichados

Deixe a declaração

Não assine !

Bida


Da rua da Penha para a rua José Carvalho são dois quarteirões. Tão fácil achá-lo , tocá-lo, abraçá-lo... Esse doce de pessoa , um dos maiores artistas do Crato!
O Brasil todo o conhece , e nas suas músicas, a sua alma.
Outro dia, recente, nos encontramos e ele perguntou-me sobre o Cariricaturas. Eu disse que o blogue tem vitalidade, e oxalá vida longa.
Vitalidade mesmo, quem tem é você, meu amigo Abidoral, numa vida de disciplina sem forçar a barra: alma livre, ego serenado, inspirador do amor , respirador da arte !
E a gente busca o tempo todo , algo que nos preencha , um exemplo, um entretenimento, quando você é tudo isso, e mais ainda !
Em todas as suas fases , em todas as suas composições, em todas as suas caminhadas, em todo olhar amigo ( compreensivo), você nos ensina, um poema de amor à vida.
Reluto em falar sobre ti. Não sei falar de seres como você,São Francisco, Deus, duendes, Merlin, Zé Flávio, magos de luz... Só sei ficar muda ou dizer o insuficiente, tal e qual a minha condição terrena.
Hoje quero começar o dia , ouvindo Abidoral Jamacaru , em companhia de uma legião de fãs, que desejam ser anjos como ele.


Colando versos



Céu queimado de sol
Bicas cheias não pingam
Aguardo o presente do tempo
que prepara um papel
pra enrolar minha vida

Meu sonho rasgado pede costura
Meu coração pede sangue,
correndo feito criança,
na veia do desejo
.
-Volta, gota da minha folha !
.
Devolve a nuvem rosada
que enchia meus olhos
quando eu te avistava

Águas da vida



Riacho lácteo
de seixos, de seios
colo lavanda
balança no leito

Pedras limadas
jogadas na beira
Iaras, ninfetas
no rio se ajeitam
no espelho das águas
arrumam os cabelos
Com fitas e rosas
esperam Narciso...
Que tarda, e não chega!

Rio navegável
enluarado de loucos
nele se atiram
meus sonhos de moço
esperam o feitiço
da flor do enguiço

Rio sereno
águas turmalinas
acolhe o pescado
oferta uma isca
salga com choros
o veio que salta
nos mares bravios.

Rio cansado
das águas paradas
reduto esquecido
na orla florida
perfuma o gemido
dos ais afogados
de todos os sonhos
que encontram o destino!

Quando o Cariricaturas completou um mês

A Socorro que socorre com réstias do tempo. - José do Vale Pinheiro Feitosa
Socorro Moreira tem feito aqui no Cariricaturas uma coisa que parece óbvia, mas não é tão simplesmente realizável. Refiro-me a esta coisa de quem já viveu, conheceu personagens do mundo e por assim ter experimentado tende a achar que todos também sabem o mesmo. Não é bem assim, especialmente em relação às novas gerações.

Ao fazer breves biografias de personagens da cultura, das artes e da política, ela estimula e enriquece a formação das pessoas. Eu sempre vi os MP3 da vida como algo muito positivo para a cultura. Os CDs já haviam demonstrado isso ao trazer do Fundo dos Baus tanta coisa que seriam esquecidas entre colecionadores. Como já havia um grande esforço de digitalização, herdamos um acervo fantástico de músicos e músicas fazendo com que as novas gerações possam realizar outras escolhas. E certamente ainda ouviremos a revisita destas coisas maravilhosas numa outra escala igualmente maravilhosa do curso desta civilização.

Quando vejo uma pessoa de mais idade rejeitando a priori a música atual, com um asco irracional ao novo forró ou ao Funk, por exemplo; sempre me abate um remorso de gritar para alertá-las. O mundo não é tão desprovido de movimento para que nos escudemos na preguiça que não instiga. Do mesmo modo assim desejo gritar quando um jovem não consegue entrar nos meandros do acervo da cultura já agora histórica. Na verdade o mundo nem tem esta separação entre o velho e o novo, nós é que assim procedemos para operacionalizar melhor certos detalhes.

A rigor todos estamos no toque dos segundos entre a escala dos percebidos fatos e dos ainda não percebidos mas já acontecendo. Esta aura de incerteza colore o nosso espírito ao ímpeto à materialidade que ao mesmo tempo que realiza apreende o tempo como nossos.

Gente da minha terra, pegue estas réstias da Socorro Moreira e façam delas um clarão. Um claro de vida.

Finalmente um recado a todos: não durma sem antes dizer o que há para dizer. E o Cariricaturas completa um mês.

por José do Vale Pinheiro Feitosa

Saudade


Botei o pé na estrada e

entreguei-me ao destino.

Pensamentos em linhas cruzadas

movimento contínuo.

No conforto do silêncio,

letras sem compromissos.

Compro créditos,

e aguardo um som amigo.



Uma viagem não tem tamanho

É sempre feto

A volta é parto

Dói no coração

sonhos compridos

Dói na lembrança

encontros cumpridos.

Se eu pudesse voltar ...


Cheguei no ponto final :
Cariri avarandado !

Insisti em caminhar
Voei à esmo
Me perdi de mim mesma.
Se eu pudesse voltar,
Recife seria a minha !

Fui passageira constante
Transportes intinerantes
Acidentes contornei
Ilhada , sempre fiquei
Mesmo livre , me enterrei
Se eu pudesse voltar
não iria mais adiante !

Tuas pontes,
carreguei entre os meus rios
mesmo secos, mesmo cheios
não perdi de ti o vício.
Se eu pudesse voltar,
eu juro...
Nunca teria vindo !

Mas já que nada é possível
Se voltar é precipício,
fico no Crato querido
com todo aquele juízo,
que perdi ao te deixar
Se eu pudesse voltar ...
Não sei bem o que eu faria !


Corto as unhas do carinho
pra tocar no amor.
Amor expansivo,
que corre livre no tempo,
ao encontro do destino.

Um dia em Ouro Preto ..



Numa manhã de um dia qualquer dos anos 80, aportei em Ouro Preto na companhia de Teresa ( minha irmã) e uma colega de Banco( Maria). Malas pesadas , com muitos acessórios femininos... E a gente a carregá-las ladeira abaixo , na falta de um taxi. Conseguimos enfim , nos alojar numa pousada. Tomamos um banho e pegamos a primeira ladeira pra conhecer a cidade. Depois de um dia inteiro perambulando por entre igrejas , museus e lojinhas , resolvemos descansar um pouco , no hotelzinho. Surpresas , descobrimos que não sabíamos o endereço , nem sequer o nome da pousada... Estávamos perdidas ! Voltamos até à rodoviária( com uma sobrecarga em pedra sabão adquirida no passeio) pra descobrir o primeiro caminho percorrido. As ruas pareciam-nos todas iguais, e as casas também.Ouro preto é um labirinto pra quem não a conhece.E foi perdida , literalmente, que descobri e conheci essa cidade , aparentemente tão igual, mas tão diferente.
Da próxima vez vou sem malas, e com sandálias confortáveis, pra curtir o ouro guardado nessas minas, que as Gerais iluminam !
Depois de muito penar , resgatamos as nossas malas , mas o cansaço era tanto, que fretamos um taxi para Belo Horizonte , imediatamente. A surra que levamos em Ouro Preto , precisaria de um século de descanso ... Ontem foi aniversário de morte do Aleijadinho , e não pude deixar de recordar essa história.

O verbo amar




É noite de lua cheia, mesmo em fase minguante.
Noite dos encontros por acaso, de uma velha amizade, surpreendida por beijos!

Noite de receber mensagens, olhar a cidade de uma roda gigante, acompanhada de carinho e medo.
Escrever cartinhas e versos de amor, mandar recadinhos por tabela, insinuar com o olhar ou o andar, que a tâmara está madura... Comer a maça do amor!

Um par de namorados caminha
ou dançam de mãos dadas.
Suspiram, ouvindo a mesma canção
Inventam apelidos, no diminutivo
Sentem ciúmes, arengam,
e se despedem querendo ficar
Os passionais matam ou morrem
Os tímidos declaram paixão,
sem temer a rejeição!
Alguns têm até diário ...
Agenda para armazenar momentos.
Um filme, perfume, o primeiro beijo,
O segundo amasso, e a dor da saudade!

Tenho meio século de encantamentos
Existem prendas, que ainda me pertencem.
Existem amores extintos, noutro incêndio
Só lembro que o coração salta do peito
As pernas ficam bambas, o olhar se ilumina,
a boca fica seca , as orelhas pegam fogo,
e um friozinho na barriga, avisa que estamos vivos!
É como uma febre, sem a moleza do corpo.
É febre tesão de encontrar no outro
Algum tesouro, que não seja ouro
Apenas a adrenalina da paixão!
Qualquer ilusão à toa, nos apraz!
Só pra lembrar João Donato, e sair desse texto,
Conjugando com Abel Silva, Verbos do Amor,
e cantando com Piaff um Hino ao Amor!

O brilho do olhar


Os dias correm desavisados


Uma dor só fica aguda


depois de muitos avisos


O espelho é delator


das expressões concebidas


Uma foto no futuro


mostra os laços do passado


ou o excesso dos risos.


Faltavam muitos


Agora faltam tantos ...


Impossível contar o que se vive!


A emoção é camuflada na ação


A sobra da emoção,
.
mesmo em dose mínima,


afeta até a alma.


Praça iluminada


rostos envelhecidos


Guardam no olhar , o brilho !

Invasão do luar



Minha poesia é pretenciosa
Inventa um Natal em Novembro
Pede emprestado , o olhar de Bianca
Mistura-se na argila da estrada,
pisa em folhas brancas da saudade.
Na argamassa das palavras
constrói barracos de papel...
Desarrumada nos cipós e calhas
pede inclusão na paisagem .
No escuro que o luar invade
esconde a timidez ,
ilumina de falas, a casa.


Falta querosene na lamparina da sala
O fogão de lenha queima,
gravetos catados,
na beira da alma .
Meu quintal tem um balanço,
onde brinco com meus sonhos;
minha rede sempre armada,
tem no vento um aliado...
Quando ele chega,
abro a janela da vida ,
e canto uma moda antiga
pra que as estrelas se encantem,
e me apanhem com seu brilho.

Ingenuidade poética
Escrevo, porque nada tenho para contar ao analista. Por que me curar de tanta vida?

Escrevo porque existem pessoas que instigam as minhas lembranças, nutrem a minha lua, inspiram-me as crenças de um poema.

Música, papo, candura, arte... É objeto de crítica. Senti-la como se quer é ato livre.

Jamais serei crítica literária. Não tenho a base acadêmica, nem a quero... Ela teria destruído a minha ingenuidade poética. E eu não saberia brincar com as minhas bonecas... Teria esquecido meus amores, teria desaprendido o exercício da paixão. Não quero o grupo que não namorou em praça pública com as mãos molhadas de pudor, e os olhos faiscando estrelas.

Quero o baião-de-dois de todos os dias. A paçoca no prato, a cajuína S.Geraldo, e queijo de coalho com doce de banana.

O cotidiano nesses últimos dias achou de voltar a ter 20 anos.

Com a beleza das rugas e a iluminação do sorriso.

Salve a poesia, o entusiasmo da alma!

"Mim, e umas noites"




Até a poesia do teu silêncio , me preenche !
O mar ... Beber ou atravessar ?
O céu ... da Terra se aproximar ?
E o encontro, na linha do hoizonte ,
em que janeiro será ?
Você me oferece um prato de si e uma noite
Eu te devolvo , num prato vazio,
cheio de mim e umas noites !

Concerto nr 1 de Thaikovsky
Se eu fechar os olhos, sinto-me no Cine Educadora ... Só ou bem acompanhada, que interessa?
As luzes apagadas , o filme começando ... Que importa o filme , que será exibido?
"Jovens anos de uma rainha", "Noviça Rebelde" , "Sabrina" ...?
Eu queria o Cine Educadora de volta!
Aquelas rampas enfileiradas de gente , chicletes na bolsa de estudante ... Meu Crato de todos os tempos !

Poema na lua cheia



era gase ,véu de noite
um mês em cada ano
palavra cara
carne viva
corpo e dor
de manhã letras
cruzadas no amor
lua cheia da loucura
grega fala
não te escuto
rosa , rima
eu te sinto
violeta não te culpo
fogo pira
endoidamos
morremos tantos sonhos
e acordamos
eu te amei
no último vexame
cortados de serras
nos deixamos.

Preparando a mala ...


Encontro de velhos amigos. Entre amigos , apenas risos.
Essa qualidade de afeto tão viva , revalida meu entusiasmo de vida.
Tempo em que as saudades ficam no ócio, desaparecem .
O telefone é insistente , e os eventos sucedem-se... Seja na praça, na calçada, na sala ou no batente de casa.
Todo mundo do mesmo jeito , apenas iluminadamente grisalhos . Todo mundo feliz , sem contar dores, nem segredos...Apenas vivendo o mistério de um novo tempo. Todo mundo confiante , aberto ... Todo mundo trocando carinhos e os códigos de uma época.
Tão bem viver sempre , e sempre , ao longo dos anos que parecem curtos.
Engraçado ... Todo mundo virou irmão.
Contávamos com essa família dispersa ?
Descobrir que a lembrança agrega é fato significadamente consumado !
É porisso que eu estou viajando( dia 9) para passar uma semana em Recife .
Estou com saudades de Stela, Rosineide, Rejane e Pedro, Nilo, Joaquim, Rosa , e outros amigos afins.

Pra ti




Para ti

meu olhar antigo

meu peito cansado

minha calma sem juízo



Para ti

minha voz mais próxima

minha saudosa memória

e o coração indeciso



Para ti

minhas esperanças tímidas

Livre de outras esperas ...

Um doce de flor

aflorando o imprevisto.

O carro de Pedro Maia


Hoje passei o dia no Juazeiro. Festa de aniversário com direito a todas as alegrias. Caio meu ficou mais velho. Tá virando um Senhor, e eu nem quero pensar muito nisso.
O fato é que no caminho lembrei as histórias de Carlos Esmeraldo, curti o companheiro sorriso de Magali, e pulei de trampolim para algumas das minhas lembranças. A primeira delas me fez voltar à infância. Não tínhamos transporte próprio, e usávamos os carros de aluguel, esporadicamente. Embora na praça já estivessem á disposição aero wills, fuscas, minha mãe só chamava, o Pedro Maia. O carro era lindíssimo para quem gosta de antiguidades, mas pra gente naquela idade era um carro caindo aos pedaços. O Pedro Maia por ser primo do meu pai, ganhava a simpatia da minha mãe, que nos dizia: “besteira... não quero que vocês se criem com respeito humano (nunca entendi... ou entendi?). Ela queria nos dizer , que a gente tinha que ter personalidade, e encarar as coisas sem nos preocupar com o que o mundo todo pensava ou fazia. Não deveríamos ter vergonha de fazer coisas lícitas, simples... Bom, eu e as minhas irmãs morríamos de vergonha de passear no tal carro. Um dia fomos esperar meu pai no aeroporto, vindo da Capital Federal (já era Brasília!), todo prosa, até de palito, tal e qual a situação sugeria. No caminho até chegar lá, por onde passávamos os meninos jogavam pedrinhas, e xingavam o carro velho. Nos acocorávamos pra que ninguém nos vissem. Quando meu pai chegou , olhou pra minha mãe com um riso de troça , e perguntou-lhe : Valda , e não tinha um carro mais novo”?
Bem feito pra Dona Valda... Ficou sem resposta.
Hoje eu daria tudo pra voltar àquele exato instante. Não só curtiria o carro daquela pessoa tão especial e amiga, como agradeceria à minha mãe a providencial escolha.
A gente precisa crescer para entender o valor de certas coisas!
Como fui idiota...!
E graças à minha mãe, eu hoje desfilo com uma sandália de griffe com a mesma naturalidade com que uso um chinelo de borracha... Aprendi !

Nocodemos




“Descobri na viola um veículo para expressar meu sentimento de brasilidade”. Assim João Nicodemos, artista da culturalmente efervescente região do Cariri cearense, sintetiza sua musicalidade expressa por meio de uma forma peculiar de tocar a viola. Multiinstrumentista e professor, Nicodemos toca e ensina violão, cavaquinho, flauta doce, flauta transversa, rabeca, viola de dez cordas, guitarra, contrabaixo e saxofone. Como compositor, está preparando seu CD “Viola e violeiro”. Gosta de viajar Brasil afora difundindo a cultura popular, com destaque para sua “viola inxirida”, uma viola com afinação goiano-mineira, cuja execução mescla técnicas de violão e viola, resultando numa sonoridade diferenciada.

Conheci Nicodemos nos idos do ano 80. Trabalhávamos no Banco do Brasil em Uberlândia - MG, no setor de informática, como gravadores. Tínhamos a cada uma hora, um intervalo de folga de 15 minutos. Corríamos um para o outro pra falar de música : violão e cavaquinho. Mas naquela época ele estava cursando a Faculdade de Música e exercitando dois grandes instrumentos : flauta doce e violino.

Éramos bancários com a sensibilidade à flor da pele. Tínhamos alma de artista , mas na logística gravávamos balancetes.

De Uberlândia voltei uns tempos para o Ceará , e Nicodemos pegou o rumo de Petrópolis - RJ. Nas férias ele sempre chegava, ao local aonde eu estivesse. Viramos irmãos.

Ele fazendo mímicas, poemas, teatro, fotografia, dança,e tocando um instrumento.

Em 1995 deixamos de ser bancários. Voltei pro seio da Matemática , e o Nicodemos assumiu sua missão de músico , artista.

Contribuiu significativamente com a cultura da nossa Cidade , quando morou no Crato por quase uma década.

Aqui fez e concluiu o seu curso de Educação Física, tornou-se professor de Ioga, e de música.

Agora está pelas praias da Paraiba ...João Pessoa foi quem ganhou !

Mas um elo de amizade e profundo amor ainda liga Nicodemos à Chapada do Araripe. Existem por aqui as águas da nascente , uma ruma de amigos, e o cheiro do pequi.

Esse paulista de Tupã, com raízes em Brejo Santo sempre será nosso irmão.

Fiquei muito feliz com a sua adesão à nossa lista de colaboradores.

Quero do moço , o cordel; o poema e a crítica; os acordes do seu pinho , e o resto dos instrumentos. Quero sobretudo a sua amizade, pois no meu peito é vivente !

.
Meus filhos , quando pequenos , decoravam os poemas do Nicodemos :

" à toa , à toa
meu coração desabotoa ".

Não negocio
Nem ócio, nem cio ".

Ainda hoje são fãs incondiconais do Nico.
Caio tem gravada nos dedos, a sua caricatura; André e Victor o respeitam como um artista completo ...E eu também !

Stardust



Essa música tem o poder de alterar meu astral. Levito e até alço voos, sem um pingo de medo de despenhar , pelo menos enquanto a música está tocando. Sinto a leveza da felicidade. Meu coração esquece o peso dos anos, e ousa buscar e juntar os trocados de amor que ficou em cada história. Vira baile, vira profusão de cores... Vira sonho colorido, e um congresso de todos os amores.
Livre dos ciumentos que pareciam desejar a posse, vejo agora rostos conformados com todas as perdas , e apostando no sabor de todos os esquecimentos. Esse capital amoroso faz a minha festa, quando escuto "Stardust"... De repente corro em busca de uma estrela , que iluminava o passado, e ainda brilha num céu presente , sem pensar no abandono futuro de nunca mais brilhar.
"Stardust" é a música dessa noite de sábado , quando corações em busca, encontram um movimento da alegria que não escapa, enquanto a música não termina... E, se for o caso, posso repeti-la , até furar a o disco da vitrola? É ordem !

Imã


Noite quente
Noite voa
Um pingo de orvalho
é mar !
Teu pensamento
imã meu olhar
Fases que se fecham
Esperança tênue
Rasuro um verso
e o risco foge...
Cortamos elos
Tecemos tramas
Nada resta
de tantas retas...
Apenas arcos e flechas
sem miras certas!
Círculo confidencial...
Espero-te!
Ilusão acesa,
sofre o apagão
Tremor de mãos
Sinal que rasga...
Espera finda!

-----------------------

Horas que se arrastam
Nas sandálias da velhice
Zoadas da natureza
Sol que alcança o pico,
esfria meu olhar castanho

A carroça passa
Os cachorros ladram
Os lobos uivam...
Luna, Luna...
Ilumina a alma que me acha!

Luna das bruxas
dos gatos nos telhados
quebra-quebra de vasilhas
leite derramado
pensamentos viajantes
Um a um,
respondem !
Falam versos
Recitam loas e pecados
Curam as dores da alma
Teu coração sangra ?
Deixa que eu te sopre
com meus cantos !

Retiro


O retiro que se indefine, encharca-se de uma preguiça nostálgica. As distâncias vão instalando valas ... Os abismos aprofundam-se. Nossas próprias águas avoluma-se , e nos asfixiam.
Olho para o céu ... Esse tempo nublado me deixa careta, e desapaixonada.
Meu amor platônico auto-deletou-se !
Meu amor virtual dorme antes e depois de mim.
Meus afetos reais ocupam-se dos seus dramas pessoais ...Não tocam, se entocam !
A casa de janelas abertas ferrolha a sua porta. A vida consome-se lenta e corrosivamente. O tempo arranca meu velho papel de parede, num vendaval insubmisso. Pesam-me os pensamentos, e essa virada do tempo.
Caras desmotivadas e assaltadas por todas as angústias do mundo, impostam as suas máscaras. Alegria sem eco, tristeza sonora, como um disco arranhado , pinga em gotas , conta gotas ...Lágrimas da Terra.
Sinto que o os mensageiros de todas as novas estão a caminho. As mudanças aleatórias virão ! Esse aperto no peito explodirá um jeito verde de enxergar a vida.
São poucas horas de um novo 23 de Novembro.
Casa silenciosa , abandonada pelas baratas, pessoas e paixão. Meus tamancos zuadam pela escada interna .Passeiam nos recantos selados e desmemoriados. Lá fora a cidade corre. Meus templos são as calçadas ... Empoçadas , espelham um céu e um momento gris.
Vou e volto para os algodões verde - água dos meus lençóis desarrumados pelo tormento dos sonhos. Pernas cruzadas, olhar embaçado ...
Quando a minha energia voltar vou inverter a posição das telas do meu quarto, polir as lembranças, inocentá-las de todas as dores, retirar essa energia senil .
É confortável o silêncio do corpo. O meu silêncio só abre a boca, quando encara a vida , e sente-se feliz !
E agora ?
Sinto a tristeza do mundo espalhada nas diversas fantasias. Ela é única !
Nosso riso quebra a gravidade do assunto.Tudo em ordem, apesar do caos.
Normalmente preciso do tempo , algum dinheiro, umas horas de pensamento , e um mãos à obra com entusiasmo e energia.
Estou sempre reaprontando a vida.Expurgando coisas, substituindo-as.
Ando com vontades de viajar de Várzea Alegre à Portugal. Uma parada no Rio ou São Paulo ...Quem sabe um espetáculo , no teatro Rival ?
Descer em Congonhas, esticar até Guarulhos ... Ou pegar o avião Recife X Lisboa , por um fado , e um pastel de nata.
Um dia será! Um dia próximo, pra costurar meu amor rasgado.
Fase de realocação dos meus mandatos.
Enxugo meu coração, enxugo a casa, e com todas as águas puxadas à rodo , hidrato meus sonhos. Meus amores estão de férias , de licença-prêmio , aposentados .
Solta , corro à toa ...Ninguém me chama !
Bom dia natureza chapante ! Bom dia pé de serra , que o meu olhar eleva e canta !
Chegou Novembro . O mês mais caloroso do ano !
E antes de fechar esta página , faço um último reclame :
- Até dezembro, meu dono !

Comer demais é pecado



Nunca fui de comer demais. Depois da diabetes tornei-me voraz!
Recife saciou-me , em todos os sentidos. Como se não bastasse a presença dos amigos , ainda deliciaram-me com quitutes de paladar inconfundível !
Primeiro foi no aniversário de Stela, justo no dia da minha chegada. Gente , nem tinha explicação. Mal terminávamos de petiscar um prato, ela já trazia na bandeja uma outra novidade ... Cada uma mais gostosa que a outra. Pensei logo : vou fazer um laboratório culinário na fonte desses quitutes.
Dia seguinte almoçei na casa de Rosa Guerrera , e surpreendi-me com os dotes culinários de MARY. A danada cozinha , infinitamente melhor do que eu. Apresentou-nos umas panquecas ao molho de tomate com manjericão , afora outros pratos. Não resisti ! Pedi-lhe a receita de imediato , e lá vem a minha nova amiguinha com a receita anotada numa folhinha de papel, com a letra das pessoas ternas e generosas. Claro que vou passá-la pra vocês !
A casa de Rosineide é habitada por poucos ( ela, e um casal de filhos). Todos lindos, sarados ,saudáveis! Mas nem entendo como aquele povo mantém a forma. Por toda parte da geladeira e armários , a gente encontra guloseimas.
E quando Rosineide diz ...: vou fazer uma tapioquinha, uma carninha moída, um risoto de carne-de-sol , um suquinho especial ? Ai, meu Deus do Céu... É pra gente comer gemendo ou ajoelhada !
Por todas essas lembranças , vai a minha sugestão para o almoço dessa terça-feira :
Panquecas da Mary recheadas com a carne moída de Rosineide.
Panquecas da Mary ( receita da massa)
1 1/2 de leite
2 ovos inteiros
1/2 xícara de maisena
1 1/2 de farinha de trigo
2 colheres de óleo
sal a gosto
Método : bater todos os ingredientes no liquidificador , e deixar a massa descansar por 10 minutos.
Recheio ( carne moída da Rosineide)
1/2 kg de carne moída ( sem gordura)
1 colher de sopa do tempero Regina
1 cebola grande picadinha
1 pimentão verde
1 tomate
1 tablete de caldo knor
cheiro verde
colorau, pimenta de cheiro
2 colhers de óleo.
Temperar bem a carne , levar ao fogo (brando) , até ficar enxuta.
Molho de tomate com manjericão e orégano
Azeite, 4 dentes de alho laminados, 1/2 kg de tomates maduros, sal à gosto, uma pitada de orégano , e folhinhas de manjericão batidas. . Deixar desmanchar os tomates , e passar no liquidificador.Retornar à panela , e deixar dar mais uma ferfura. Picar, na finalização,pedaços de mussarela . Cobrir as panquecas já enroladas e recheadas , e polvilhar com queijo ralado.
Agradeço o carinho dos meus amigos : Stela, Pedro, Jacinta, Rejane, Berta, Ofélia, Alexandre, Fernanda , Rosineide, Nilo Sérgio, Giovani, Rosa , Ana Lúcia , Dona Zélia , Mary, Joaquim e Renata.
Espero recebê-los em breve, no nosso Cratinho.

de 2009 Mais uma vez, a primeira vez



Deixei de curtir Roberto Carlos , na minha adolescência. Eu estava impregnada do repertório do meu pai, primos mais velhos, e até da minha avó..
Pois é...Passei batida pela Jovem Guarda.
Hoje escutei Roberto , e arrepiei-me. Descobri que as suas músicas sempre fizeram parte da minha vida, e vivem tocando dentro de mim.
A gente é um misto de todas as melodias que ouvimos.
Essa canção foi presente da minha mana Zélia.
Fomos criadas ouvindo a mesma radiola, e sabendo desde cedo, que o coração quando dispara não sabe o caminho de volta.
Interessante constatar que a música do passado , que eu nem escutei direito, hoje é presencial.


Não tenho da vida , senão a própria vida

e dela, nem sou guardiá.

A dor passou, não quis ficar

Achou o terreno encharcado

de alegria.

Ela rejeita o bem-estar.

Mas sempre volta ,

esperando lugar pra sentar

Tem sua cadeira cativa ,

mas uma cadeira vazia ,

como a canção de Lupicínio.

Não sei lidar, nem quero ...

Com o obscuro de alguns

Os meus hachurados

estão iluminados

pela consciência de que

não sou nenhum, nem algum

Sou uma simples intenção divina,

que um casal humano argamassou.

Tô aqui , na estrada.

Curtindo os encontros,

e aprendendo com os inversos,

em mim camuflados.



Baysa


Maria Luiza Alencar (Baysa)
Baysa, uma das grandes e inesquecíveis figuras cratenses !
A primeira vez que fui a um salão de beleza eu tinha 4 anos. Acabara de cortar meus cachos com uma tesoura, e teria feito o mesmo com o rabo de cavalo da minha irmã Verônica, se a minha mãe não tivesse chegado à tempo. Pra corrigir os estragos resolveram frisar o meu cabelo. Claro que ficou horrível, e eu fiquei com trauma de cabeleireiros.
Na adolescência, nos dias de festa , passávamos o dia inteiro, num salão de beleza. Baysa era lotada. Na minha timidez e quietude, esperava a minha vez ,horas e horas, vendo muita dondoca passar na minha frente. Mas eu gostava de ver os resultados, observar a arte de Baysa - arte incansável !
Quando fui crescendo , fui ficando mais próxima daquela figura humana, e nos tornamos grandes amigas.
Já não esperava tanto , e gozava de delicados privilégios , como lanchar na cozinha da casa ,uma tapioca quentinha com café , alem das boas conversas com uma das figuras mais humanas e sensíveis que conheci, em toda minha vida.
Profissionalizou muita gente. Muitos com ela, desenvolveu a própria arte. Coisa que , de vez em quando, lembro e discuto com o amigo e grande profissional :Welligton .
Baysa fazia política , naturalmente. Estava distante , por ocasião do seu mandato como vereadora da Câmara Municipal do Crato, mas tenho conhecimento de que ela o exerceu com propriedade .
Sua imagem ficou gravada como grande artista , e figura humana de valores especiais.
Nessa simples homenagem , minha enorme saudade, amiga Baysa !