por José do Vale Pinheiro Feitosa
Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.
José do Vale P Feitosa
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Para mim- por Edilma
TOQUEI SEU ROSTO..
Um dia
toquei seu rosto.
Traços marcantes
Olhar penetrante
Pele macia
Lábios provocantes
O estojo aberto
As côres esperando
O toque das mãos
E a beleza realçando
Aos poucos surgindo
O glamour escondido
Na simplicidade
De uma linda amiga
Toquei seu rosto
A artista fez arte
A amiga fez Diva
Para mim
Lí certa vez que : o reencontro tem muitas faces.Há reencontros que machucam, que alimentam cicatrizes, que sugerem novas lágrimas e muitas vezes até despertam a aridez de emoções desagradáveis .Outros no entanto possuem a beleza rara de ressucitar por entre´núvens do passado , a juventude hoje tão longe.Foi exatamente essa face que me foi apresentada quando depois de 40 anos reeencontrei uma velha amiga dos meus verdes anos , hoje poetisa afamada na cidade do Crato: Socorro Moreira. Socorrinho ( como sempre a chamei )foi minha vizinha por algum tempo aqui em Recife .Naquela época eu devia ter uns 18 anos , e Socorrinho aproximadamente 12 anos, e eu achava curioso aquele menina gostar tanto de ler minhas poesias , e até acompanhar matérias que então eu escrevia em jornais ; isso sem falar no tempo que ela ficava a me escutar tocando violão, e me pedindo para que eu falasse sobre as cidades onde morei na Italia ...Mas , como costumo dizer que não podemos fugir ao caminhar da fila da vida , o tempo passou e a familia vizinha voltou para o Crato , enquanto destinos diferentes passamos a trilhar. E hoje passados 40 anos , aquela "menina " dos anos 60, me reencontrou através da Net, e qual não foi minha surpresa quando recebí uma mensagem dela no meu blog.
Desde então não perdemos mais contato , e foi imensa a minha alegria de recebê-la hoje , aqui em minha casa em Recife. Sinceramente , não tenho dúvidas que foi a poesia ( minha eterna companheira ) que ocasionou esse reencontro. E apesar do pouco tempo que passamos juntas , lembramos e sorrimos juntas dos frutos e das lembrnaças gostosas da nossa juventude. Hoje Socorrinho , mais conhecida no Crato como a poetisa Socorro Moreira , possui um blog maravilhoso , e eu uma frequentadora assídua dos seus escritos .
É isso aí ....o tempo passou ...mas repito : a poesia fez questão de ocasionar esse reencontro, e nele a certeza tanto minha como da minha amiga Socorrinho , de que ainda temos muitos versos a escrever . Apesar das rugas , apesar do tempo e apesar dos cabelos brancos .
.
por rosa guerrera
Quase esquecendo
Existe um móvel no quarto
que guarda a ausência das tuas roupas
Existe um móvel no quarto
que guarda a ausência do teu corpo.
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Por favor,
toque fogo ,
no vício do amor.
Inflame !
Nas cinzas da exaustão,
a gente se encontra !
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Meu coração tem liberdade absoluta
Tem asas, tem véus, e sabe nadar
por sonhos mirabolantes .
Paladino incansável ,
lembra o susto de prazer
do primeiro e do último beijo.
Hálito hals
Tosse , respiração cansada
de quem fumou pra beijar.
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Será mal de quem versa
não saber nadar?
Será mal de quem versa
odiar dirigir , estacionar?
Será mal de quem versa
não correr riscos,
pedalando a bicicleta,
guardada na infância?
Será mal de quem versa
juntar rimas, rabiscar páginas,
e teclar o amanhecer ,
em tons de rosa-ternura ?
Caio
Ele nasceu numa manhã ensolarada , no dia 8 de Novembro de 1970. Escorpião legítimo... Stela que o diga !
Deu trabalho pra nascer, mas Dr. Eldon tirou de letra. De repente, aos 19 anos, eu me vi , ainda criança, com aquele bebê moreninho, nos meus braços.
Foi peralta e esperto. Génio forte, voluntarioso, mas por conta de uma sensibilidade exarcebada . Nascia um artista !
Mãos leves e firmes para o desenho, ouvido apurado para a música, senso de estética relevante.
E esse menino cresceu... Entre a casa da vó, e a casa da mãe. Casou cedo, aquietou-se no sentimental , e começou a materializar pequenos sonhos. Sempre teve o que quis, por teimosia e competência. Um pouco de mim, um pouco do pai, um pouco do avô e bisavô materno. É assim Caio Marcelo... Minha criança, já no caminho da maturidade.
Somos amigos , muito mais do que mãe e filho... Quem mandou nascer de uma mulher que ainda era criança ? O fato é que Deus consentiu !
Para Rosa
Era uma rua comprida. Padaria numa esquina, e cinema no fim da linha. Na metade do caminho eu ficava, e na casa vizinha eu vivia. Subia umas escadas, tocava a campainha, e uma senhora de sorriso belo , abria a porta. Não entendo até hoje como a minha timidez era vencida. Nem sempre me encontrava com a filha da casa, mas eu sabia onde estava guardada a pilha de revistas que me apeteciam, e compulsivamente devorava. E não tinha fim... Mal terminava uma, a minha fada madrinha, já entrava cantando e assoviando com outra, debaixo do braço. Entre uma história e outra, o som do violão roubava a minha atenção. Cantava e dedilhava aquele instrumento, lindamente! Achava mágico o sotaque, caramelado com a língua italiana, que eu embevecida, absorvia, e em silêncio cantarolava , num dueto mudo : “ tu não conheces Nápoles, tu não sabes o que ela tem ...”. Depois do violão era um contar sem fim de histórias romanceadas – uma Sharazade, da Manoel Borba! Sua poesia, o jeito que expressava os amores vividos, dava-me a impressão que o maior sentimento do mundo, ela já tinha sentido.
Ledo engano... Embora já torcêssemos por finais felizes , o tempo ainda não editara nenhum epílogo.
Quando as férias terminavam, sentia-me inexplicavelmente triste. Fechava-se um círculo, e eu pressentia que uma nova vida começava para mim... E ousei, e vivi, quebrei a cara, e ressuscitei mil vezes, num intervalo intenso de absurdas e doces surpresas.
Quase pronta para o tempo dos registros, eis que... Um mar trouxe de volta, numa garrafa fechada, revistas, daquela época esquecida. As lembranças foram ficando claras, vivas, felizes!
Reencontro e confirmação da amizade.
Éramos as mesmas? A vida continuou, nas paralelas...
Estávamos novamente numa rua da mesma cidade.
Rua pacata
Rua de Rosa
Olhar de caçoada
Riso que desarma.
E a palavra sincera, no mesmo tom de carinho:
“Menina abelhuda , és tu de volta ?”
Alderico
Alderico de Paula Damasceno - um dos grandes ícones da cultura cratense
Em 1966 , cursava o primeiro ano científico, no Colégio Dom Bosco . Alderico era o meu professor de História. Intimidava com a sua voz em tom maior; impressionava com sua forma persuasiva de contar a verdade dos fatos , omitidas nos livros. Falava do pensamento político, filosófico e ideológico... Criava-nos uma consciência crítica. Por dois anos seguidos fui sua aluna. Depois nos tornamos colegas de magistério, no Colégio Estadual. Gostava de escutá-lo. Admirava-lhe a vitalidade , conhecimento e sabedoria. Pensei muitas vezes : não existe velhice , nem tempo, nem morte que derrubem esse homem. Mas o tempo não tem dó ... É implacável !
Aos 90 anos , nosso mestre e amigo foi chamado para o andar superior, para o encontro de outros nunca esquecidos.
Fecho os olhos e escuto a sua voz, outrora vibrante, já cansada, fugidia , silenciosa ...Chegou a hora !
Universo virtual
Um blog é um Planeta novo , estrelado , no imenso cosmo virtual.
O Cariricaturas tem vista panorâmica para o Cariri, mas com seu olhar de lince, avista além do que está aqui.
Em dez dias recebendo o povo e o seu pensamento, já criou vários cantinhos e recantos.
Já instalou cadeiras de balanço na varanda, e armou suas redes cearenses. Acendeu o fogão de lenha, chaleira de água fervente, e uma panela de baião-de-dois com queijo de coalho e piqui. O pilão funciona a toda hora pisando a paçoca, o café; no tacho, o doce de buriti.
O poeta , entre versos, sempre de coração alterado de paixão, fotografa quem chega ,quem traz na sacola, um poema ou textos do nosso agrado.
É só clicando, sorrindo, e mostrando o canto.
Nilo Só fala no Madrigal, e nos amores do passado, que sempre acabam voltando. Ele sabe o quanto as emoções de outrora nos interessam, e como se cristalizaram na nossa alma.
Zé do Vale e Rafael trazem sempre ilustres convidados. São presentes, nessa festa.
Carlos e Magali têm a pontualidade dos caririris. Na ponta da língua um causo, um repente. Vivem com os olhos na gente e um sorriso de simpatia.
Joaquim por instantes esquece as pontes “venezianas”, o tabuleiro do xadrez, e traz uma novidade com seu ar de amigo e cavalheiro. Quando falta, a cadeira fica vazia.
Cumprimenta todos porque todos lhes são caros. A maioria é parenta ou colega de infância.
Leonel demorou, mas chegou. Trouxe Mônica sua musa, e a sua prosa poética sempre inteligente.
Zé Flávio já entrou, já conversou, e já deixou pendurado um dos seus legados. Mas ele é alado... Voa pra tudo quanto é lado. Aprendeu com Ícaro e com Vieirinha a ser um prosador danado. Danado de bom!
Jairo está batucando algum jazz. Pensando em inglês, como um Rui Barbosa.
Da Bahia a Corujinha se intimida. Chega sorrateira, e nos promete poesia.
Ana Cecília já passou, deixou seu sorriso, seu talento, que ficou registrado. Com certeza voltará, com mais pérolas, nas suas ostras, pra gente apreciar.
Zélia é cinema, pipoca e emoção. Chega com aqueles olhos enormes de alegria, em poder dividir a emoção.
César deixa as terras distantes, e aterrissa nesse Planeta, como uma estrela cadente.
Liduina começou a bem postar. Tá cultivando orquídeas, mas sei que voltará.
Anita é quase uma cearense. Chega trazendo os haicais, e toda sua ternura, na poesia.
Emerson e Melgaço, espíritos elevados , são meus gurus. Acendo incensos de mirra para recebê-los. Que cheguem sempre!
João Marni e Fátima nos recebem em sua casa, e a gente se alegra quando chegam aqui, com uma prosa no bolso pra enfeitar a guirlanda de colaboradores.
Sávio, Domingos e Chagas são mestres nos poetares. Não pensam... Poetam!
Dimas, Nicodemos, Glória, Kaika, Roberto, Armando, Vera... Presenças queridas, ainda em silêncio. Mas quem os conhece sabe que eles sentem!
Tirando o chapéu de interiorana cratense para Everardo Noróes, Assis Lima, Stela, Tiago, Lupeu, Edilma, Pachelly... Belas contribuições. Nos primeiros acordes, já nos impressionaram.
Agora é hora de servir o rango. Estou de avental e colher de pau na mão.
Venham todos, a mesa está servida. Os nossos visitantes também são convidados!
Perseveremos, na alegria do encontro !
Namastê !
Amigo
Descobri que são muitos, na qualidade :
Minha amiga primeira (Valda, mãe);
Meu pai (Moreirinha) - o maior de todos.
Mas tem o fura-bôlo, o cata-piolho ...
Amigos de infância, de escola, de Banco do Brasil, de blogs, amigos do virtual ,familiares , amigos que deixei nas cidades onde morei, amigos que me aconteceram agora .
Mais importante do que todos os meus amores , todas as minhas paixões - são os meus amigos de hoje , e de outrora.
Escolhi Joaquim para representar esse universo de afetos.
Foi no meu primeiro dia de aula. Eu tinha menos de 4 anos de idade , e estava naquela sala do Externato 5 de Julho , fardada , de lancheira e cartilha debaixo do braço , quando nos conhecemos.
Depois nos transferimos para o Instituto S.Vicente Férrer , onde concluimos o primário. De lá prestamos exame de admissão ao Ginásio , no Colégio S.João Bôsco ... Treze anos de coleguismo , de vidas paralelas e tão unidas !
Não conversávamos , mas sabíamos tudo um do outro. Tudo !
Foi para Joaquim que eu escrevi meu primeiro bilhete( aos 5 anos de idade).
Brincando ele diz :
"Você sabia escrever, mas eu não sabia ler..."
Quarenta anos depois, a gente se reencontrou. Lembramos com detalhes nossa vida escolar : professores, colegas, festinhas, passeios, interesses, encantos ...De memória infinitamente mais prodigiosa do que a minha , montamos em muitas conversas o quebra-cabeça da nossas vidas.
E quando lhe pergunto ... Hei, por que nunca dançamos, nunca fomos camaradas, nunca trocamos confidências, nunca fomos ao cinema ...???
Ele respode : "Você era muito séria !"
Joaquim Pinheiro representa minha infância , adolescência , minha maturidade e jovialidade presente.
Apesar do distanciamento por tantos anos , descobrimos e reafirmanmos a nossa irmandade , que eu digo que é eterna !
Hoje eu sei que ele não é apenas filho de Dona Almina e Seu César; irmão de Maria Amélia, Zé Almino , Maria Edite; sobrinho de Dona Anilda, Dona Alda, e Miguel Arraes ; primo de Dedé , de Fernando, Maria José ... Ele é o esposo de Raquel e pai de Raul e Renata ; avô de Miguel , que está pra chegar ... É o meu amigo novo e antigo; meu grande referencial de amizade !
Para Joaquim o meu abraço de respeito e carinho, extensivo a todos os meus amigos de todas a eras !
Naqueles tempos
Naqueles tempos tínhamos figuras representativas , em demasia.
Monsenhor Montenegro no Colégio Diocesano ; Fátima e Irmã Siebra no Colégio Santa Teresa; Dona Stela e Chiquinha Piancó , no Pio X; Dona Anilda Arraes no Instituto São Vicente Férrer; Dr. Luiz de Borba Maranhão no Colégio Estadual ; Madre Feitosa no Colégio Madre Ana Couto, além de um ensino público de excelente qualidade. No Colégio São João Bôsco tínhamos os nossos especiais e dedicados educadores: Dr.José Newton Alves de Sousa e Dona Rute Barreto de Sousa. Dr.José Newton era também Diretor da Faculdade de Filosofia , quando esta foi criada.No seu desempenho educacional nunca poupou nenhum sacrifício para fomentar e otimizar o ensino .
A Aliança Francesa , por exemplo, no seu primeiro ano de atividade é reflexo da sua administração.
Fizemos um teste para compor as primeiras turmas. Consistiu na leitura e tradução de uma página do livro "O pequeno príncipe". Graças à Dona Lurdinha Esmeraldo fui matriculada no segundo ano de francês. Entretanto , a maioria, inteligentemente, decidiu começar pelas noções. Entre muitos estava Ana Cecília.
Ana Cecília, segundo a minha irmã Verônica ( sua colega no ginásio) destacava-se pela inteligência .
Outro dia , conversando com Everardo Norões ele comentou o trabalho admirável daquela menina , já renomada poetisa.
Complementando a prosa , relembro outros grandes professores da época , a quem devemos nossa base e estímulo cultural : José do Vale Feitosa, Vieirinha, Pe. Xavier Nierhoff, Vera Lúcia Maia, Ivone Pequeno, Cira Esmeraldo, Terezinha Pinheiro, Dona Astrês, Professor Anchieta, Ana Teresa Esmeraldo, Cidália Luna, Maria de Lourdes Esmeraldo, Agnelo de Paula Damasceno, Pe. Davi Moreira, Hermógenes, Felix, Adalgisa Gomes, Lirêda, Eneida Figueirêdo, Dr. José Nilo, João de Borba , Elsa Ramos, Divani Cabral, Pe. Ágio, Mendonça, Vinícius, Eugênio, Maria do Carmo Feitosa, Nirson Monteiro, Pe. Gonçalo, Auzir, etc,etc.
Destaque especial para a genialidade do Pe.Davi Moreira.
Segundo Humberto Cabral foi professor sabatinado, em Fortaleza , pela licença do ensino científico no Crato. Brilhante representação !
Cada nome citado merece um texto, uma homenagem , uma reverência !
É assim que o ausente
entra em nosso sonho ...
Como Eros !
.
Chega energia amorosa
em penas , em pautas, em dó
Chega pela "vereda tropical",
assobiando " la mer "
.
O corpo todo a esperar ....
A cara recebe o pimeiro vento,
o primeiro raio
Traz no hálito
o cheiro do céu
Na madrugada
traz e deixa
o pó das estrelas.
Daniela tem os olhos da minha mãe
Quando eu era pequena, achava minha mãe tão linda, que um dia cismei que era filha adotiva. Eu não tinha aquele rosto de feições perfeitas, como se tivesse sido feito á lápis.
Hoje observando a leva de netas, descubro que a sua beleza está na geração seguinte. Ainda bem ! Era beleza demais pra ficar escondida, e não ser perpetuada , na sua descendência.
Quando tornei-me adolescente senti um certo prazer em não ser tão bela, e ter herdado o charme do meu pai. Aquele lá era mesmo irresistível... !
Quando fiquei mais velha, percebi que estive sempre fora dos padrões de beleza , e isso me estimulou a ser diferente.
Quando amadureci, descobri que beleza não pôe mesa , e que ela se transforma , irremediavelmente,com o passar do tempo. O que a gente não perde é o brilho do olhar e a ternura do sorriso. Quem faz a beleza é o amor que a gente sente !
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Lua
.
esperei sonhos
e o sono voltou
delicadeza tal,
meu corpo até vibrou:
ela chegou!
Vestida de prata
No rastro do amor
Casa na penumbra,
aconchegante ficou!
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Sempre vivi lentamente
Morro, intempestivamente
Durmo, quando canso
E morro de ser feliz,
quando sonho!
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Garra dos felinos
falta em mim
Não entendo a linguagem dos que dizem
Encontro entendimento no silêncio
Perco-me na direção do Luar
Evito todos os nós
Me amarro no pão de cada dia
Um dia tudo será vazio ...
Até de poesia!
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Apaixonada e sem jardim
sinto de memória
Perfume de amor em mim
Ventos trazem e levam
Tocatas nas Nuvens
Balanço das folhas
Decoros no corpo ...
Sem tesão,
belisco tanto pão!
Um beijo sem amparo
tranco em minha mão.
Vazio
Nada pra falar.
O dito atira no precipício
restos do nada
Morte de um sonho
O sério brincou , sem acreditar.
Márgens opostas
Um rio corre nas minhas costas
Mágoas da Incompreensão .
Pensando verso
Não tire seu sorriso
Não saia do caminho
Não fuja pra valer
Brincar é coisa séria
Difícil é esquecer!
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Quem provoca,
Tem coringa na manga ?
Tem manga no pé,
do pomar de novembro.
E tem pano pras mangas?
Com vestido decotado,
O sol castiga ...
E ninguém é santo!
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Pelos vales secos,
a Terra em cio,
aguarda um rio
que nunca veio!
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A solidão
nos leva a qualquer pão:
de queijo, de gente ...
Solidão no olhar
Perdido no mar.
Solidão Humana,
Deus preenche !
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Construímos tantos corpos de papel
Pichamos muros
Pintamos telas no céu ,
descobrimos mapas de labirintos
Nossa floresta era imensa
Nos perdemos no caminho ...
Catando flores,
destruindo ninhos.
Olhei demais pro céu ...
Pensando que você
fosse um passarinho!
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Alminha branca,
que tudo enxerga
numa tela de paz
Se todos te entendessem,
O mundo seria branco
Vaga-lumes
Lua nova
noite escura
estrelas do solo
piscam pro destino
Beiram estradas
que nunca terminam
Brincam no asfalto
sem pensar na sina
Desconhecem o sol
Desconhecem cores
Mata e céu...
É por lá que morrem!
Caçando luzes
eu me perco sempre
Sempre me dispersa
este vôo ausente...
Pouso breve,
como um beijo tímido
Pouso leve,
um olhar que afaga.
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Nos pequenos comas
Nada parece existir...
Com exceção dos próprios sonhos.
Quando desperto, procuro teus recados
Uma palavra de mimo, um sorvete no verso...
Silêncio de uma ponte quebrada é quase mortal
É um Deus nos acuda...
É medo do recomeço, sem a estrela principal.
A cor da manhã
Manhã azulzinha.
No céu, a última estrela.
Sons da manhã...
São passarinhos!
Coração pressente
cheiro novo de vida
Flor aceitação ...
E a noite,
que desejou ser dia
venceu a dor .
Angústia cansada
adormeceu na paz.
Olhar
Olhar que aperta o céu,
e faz chover em mim ...
.
atiça, pergunta ,
sorri ...
.
olhar sempiterno
penetra e fica,
na menina dos meus...
Miro
Perdi o olhar que piscava estrelas
A boca que mordia a lua
O coração ardendo de luz!
Miro a noite, miro a vida
Vivo a sorte, conto os dias
No meu hoje você vai voltar.
Papai Noel
( inspirada num texto de Emerson Monteiro)
Antigamente eu começava o mês de dezembro preparando o enxoval do menino Jesus. Minha mãe dizia: cada oração que você fizer é uma peça. E eu começava a rezar uma ave-maria por uma camisinha, bordando com jaculatórias; tricotava sapatinhos, toucas e luvas com um pai-nosso; coeiros com salve-rainha; fraldas com o Credo... Lembro que eu queria tudo bordado e dourado como as roupas dos anjinhos. E perguntava pra minha mãe: tem certeza que está aparecendo essas peças, no baú de Nossa Senhora? Ela olhava para mim, confirmava, eu ia acreditando, e na compulsão de fazer um rico e lindo enxoval , eu passava o mês de dezembro, rezando. Não tínhamos Papai Noel como um provedor de sonhos. Sabíamos que ele era um mito, e não vivíamos a sua fantasia.
Esse ano resolvi fazer as pazes com Papai Noel , e escrever-lhe a minha primeira cartinha :
Papai Noel,
Nunca te aperreei , em todos esses anos... Mais de meio século, sem ser exata. Pois agora chegou a minha vez de abrir o verbo pedir.
Não quero chocolates, nem bonecas , nem joias ...
Chocolate eu ganho dos meus amigos; tenho duas bonecas incríveis que se chamam Bianca e Sofia; tenho uma boneca velhinha, mas perfumada e amantíssima; tenho uns moleques que cresceram, e já não me pedem sorvete... Tenho os meus amigos, jóias especiais, que eu ganhei, e não perdi.
Quero que essa carta se transforme na luz de um desejo imenso, que percorra o firmamento e altere a alma humana tornando-a simples e pura, como era pura a feitura do enxoval do Menino Deus, nos meus tempos de criança.
Torne doce o nosso coração , como as balas e os chocolates, que você distribui no trenó da esperança.
E a Maria, querida mãe? Prometo um reforço, em oração, pra vestir a nossa alma de todas as calmas!
Por favor , não engavete a minha carta !
Espero a graça, no espalhar das graças , nesse Natal de 2009 .
Faça o depósito , na conta da família Cariricaturas , e no seio de todas as famílias terrenas.
Um abraço tímido,
Socorro Moreira
Respingos
Perfume infiltrado no cetim
Digitais na cintura
Pespingos de vinho , dos beijos
Prata da lua , no verde encantada
-Foi doado ...
Depois de vê-lo em mim,
fora de mim, e longe de ti !
Pingo de gente
Pingos na calçada
Lama no caminho
E agora, destino?
Traça e transforma
a vida, em fados!
Um pingo de gente
Encharca meu coração.
Nosso amor capotou na curva da incompreensão
Nosso caminho ainda terá chão?
Aquietei-me, numa ausência sem recados!
Tudo é incerto
O novo com cara de velho
O ar com cheiro de rosas!
Parceiros escolares
Estudei o primeiro semestre daquele ano, no Colégio Sagrada Família , em Recife. No meio do ano, meus pais resolveram voltar para o Crato, e me rematricularam no Instituto São Vicente Férrer. Eu era veterana, mas cheguei como novata. Existiam na sala outras caras, outra professora, outros ares. Foi um momento de adaptação, e eu senti medo de perder o ano escolar , inclusive ! Mas lá estavam : Joaquim, Magali, Denise, Franceury...
Francíria e Walda eram rostos novos que em breve se tornaram amigos. Custei a equiparar-me à aprendizagem da turma, mas consegui . No final do ano, depois das provas finais, saiu o resultado:
O primeiro lugar - Walda Arraes;
O segundo foi de Magali;
O terceiro - Francíria, e eu fui a quarta colocada. Tínhamos concluído o terceiro ano do curso primário com a professora Lúcia Madeira.
Impossível esquecer os laços de cetim que enfeitavam a capa das nossas provas feitas em papel almaço.; os decalcos de gatinhos e cestinhos de rosas !
As meninas que estudaram comigo pensam que a vida toda fui a primeira da classe. Como vêem , isso nem sempre ocorreu.
Mas era um peso , uma responsabilidade grande demais, não perder o posto de primeiro lugar. Isso atrapalhou meus folguedos de menina, minha alegria na adolescência, minha disposição festiva. Sem dúvidas fui talvez , a mais apagadinha da turma. Com meus óculos de míope, cansados de queimar pestanas , saía e brincava pouco, e me perdia nos livros.
Ainda a pouco lembrando essa turma , exultei de alegria ao perceber que continuamos perto , na sua maioria. A convivência se estendeu durante o Ginásio, no Colégio Dom Bosco, onde passamos juntos por mais 7 anos.
Lá nos agrupamos à Stela, Graça Aragão, Vera Palitó, Regina Vilar, Rosineide Esmeraldo, Ione, Márcia, etc. Desse grupo, aqui no Cariricaturas já se reune uma boa parte, e isso me deixa feliz !
O conhecimento se unificou , aprendemos o tempo todo uns com os outros , e trilhamos o caminho da sabedoria , sabendo que é infinito, lento e difícil.
Parece que aquela turma tinha um destino comum: viver uma amizade fraterna - a verdadeira, a que nunca termina !
Fico pensando também no prodígio que é a nossa memória , quando guarda números, imagens, e sobretudo sentimentos !
Abraço com ternura os meus colegas de tantos anos, que ainda hoje estão na minha vida da forma mais inusitada e linda : parceiros de contos de vida !
socorro moreira
P.S. Guardo na memória a caligrafia de todos os meus colegas. A letra de Francíria me causava inveja ( linda !) ; Ninguém desenhava como Walda ( eu ficava bestinha ...) ; Ismênia Maia tinha uma letra linda e miudinha... A medida que vou lembrando as letras, vou lembrando o rosto de menina que todas tínhamos !
Na estrada do sonho
Agreste, serrana,
zona da mata ...
A geografia estabelece
a densidade do mel
Mas tudo é doce
como a bala sem papel
Como a vida,
quando os dedos se harmonizam,
e deixam escorrer o céu.
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Peço licença ao teu sonho,
e entro em tuas ondas como flor,
no bico do beija-flor,
despetalada em carinho.
Ano Novo
Preparo o novo ano ,
me desfazendo das coisas velhas,
pendurando sonhos numa árvore imaginária,
esperando que amadureçam , e caiam feito frutos ,
em forma de realidade.
Espero o Natal acendendo luzes,
nos meus recônditos mais secretos,
deliciando-me com as surpresas dos encontros e reencontros ...
(Dentro de mim, os espelhos são tantos !)
Preparo o ano vindouro querendo você , o novo,
visitando a minha vida !
Desafio
Sem endereço,
que eu sempre vejo,
adianta fugir?
Leio silêncios
Esqueço
até por momentos ...
E fio,
dias a fio...
Desafio !
A relação se perde,
e fica na espera
do constante ressurgir
Amor que não azucrina
ultrapassa a linha,
os limites do entender.
Flores brotam
estrelas brilham
sol cintila
vozes gritam ...
Amor sem fim !
fragmentos do pensamento
Tempo,
cura essa lembrança
costura esse vazio
me joga outra vez na estrada
Um dia,
a felicidade me acha!
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Teus textos te desnudam .
Fecho os olhos e deixo aberta uma fresta
Vejo tua pauta escrita na tela ...
Nua, tímida e bela
Festejo teu desconhecido
Salto em degraus
para chegar até você
Sigo o teu mapa
com minha nesga de olhar
Tua poesia despida
não se intimida ...
Sobre ela, repouso o meu olhar!
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Meu presente é um sufoco
louco por suspiros...
Hoje é dia de estio
Nem choro, nem rio.
Tudo foi pro mar
Fugiu com o vento
Queria que o futuro esperasse
minha esperança voltar !
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Não quero falar do passado
Quero o presente,
(que desconheço)
na ponta da lingua
Sombra e água fresca
Existe tanta solidão na dor do mundo.
Existe solidão na própria felicidade
E o dia a dia esperando o destino ,
no recreio entre duas aulas principais:
O sono letárgico , e o suspiro final.
Vivo o plantão dos meus mistérios.
Palcos paralelos , espetáculo estranho
Simbiose de tristeza e desafeto.
Rodopio minha própria valsa ,
numa vertigem etérea ...
Desfaleço no imaginário ,
e permaneço no vazio da paz.
Domingo de sombra e água fresca
Acordei sem lembrar do que sonhei , mas lembrando um passado remoto , e uma das minhas inúmeras mortes.
A vida reflete o sonho Tenho parcos sonhos. Economizo distâncias , dinheiro, paixão , e até saúde. Sou tão injusta...! Só não economizo poesia.Por falta de sonhos ela chega de chinelos franciscanos, perambulando no frio fulgor das auroras.
Tenho tudo e deixo de querer o essencial. Estou presa à quatro paredes, e de janelas e portas abertas para o mundo virtual. Lá também não sonho , nem invento realidades. Não brinco de amar.
Não sou exatamente triste, nem exatamente romântica. Sou quase esquisita... Alegro-me com o brilho no olhar dos meus amigos. Absorvo e rejeito a tristeza. Choro-a em prantos, sem entender o meu luto contínuo.... Coisas perdidas , ganhos em caixas vazias. Quando a morte chegar , de nada me separará... A não ser das manhãs e madrugadas, e dos irrespiráveis ares que insisto em tragar.
Eu resumi a vida , e ela teimosa se estica. Comprimi todas as músicas, no repertório de Nana Caymmi ( nunca vou escrever sem dúvidas , o sobrenome Caymmi...). Não gosto de política, nem de Economia, nem de futebol ...Não gosto do risível , nem do aterrador. Vivo as madrugadas que nascem e morrem em mim, num cotidiano repetitivo, desequilibrado com algumas surpresas...
Um desconto ou troco poético , que me roubam do tédio.
O contato com as palavras é recreativo. Tomo café com vogais, e faço sopas com todas as letras.
Faço turismo nos contos de alguns, catando arrepios e extraindo gotas de emoção para molhar a secura do coração. Não sei os motivos da arte. Ela foge de mim , quando a procuro, e esconde-se nos meus porões.
Mas hoje é domingo. Ganhei o mundo , ainda cedinho.
Lá na frente , pelo caminho do mercado , cruzei com uma amiga de infância. Pelo menos a quatro décadas não conversávamos. E foi como se o tempo não tivesse passado. Nos olhamos com vista curta , e achamos que ainda éramos as mesmas , apesar das experiências duras , e de alguns resultados glorificantes. Trocamos confidências , desabafos... Com a mesma vontade de apostar no futuro , sem fichas de esperança.
Refleti-me por mais 23 anos ... Meu Deus como passa ligeiro ... E como chegamos doídas , e cheia de mazelas. Quem conta , fica ! O lucro é sentir-se viva !
Almocei com duas pessoas queridas : Ismênia e Vera Lúcia Maia. A primeira eterna colega e amiga; a segunda a sempre mestra de tantas gerações ; a sempre musa de tantos poetas.
Nem sei contar o papo caloroso que o encontro nos trouxe. Alternavam-se presente e hora da saudade. Cobrei-lhes um monte das histórias que eu não sei contar...Elas guardam na sensibilidade um livro sobre o Crato e os cratenses com infinitas páginas. Durante o almoço ficamos procurando a música com ouvidos carentes. Imaginamos os pares dançando , lá no salão
principal - hora da matinal dos domingos.
Esbarrei em velhos conhecidos , e fui feliz nos encontros... Ainda estamos vivos !
Teimosia
Tinha dança nos pés,
olhos e cabelos
Rosto com trejeitos ...
Tudo sedutor !
Cheiro de madeira
perfumando o leito
Virou meu delírio ,
me pegou sem jeito !
Em cada toque ,
um choque ...
Uma tatuagem ,
que a pele grava ,
mesmo envelhecida ...
O amor é toldo
A pessoa parte
O amor é João
que teimoso fica !
Aquele moço ...
Eu sinto falta daquele moço.
Não é falta solitária...
É solidária!
(Comigo também sentem
muitos outros...)
Chega sempre por um fio invisível
num gestual decifrável
Hoje, ontem...
Às vezes ele chega vestido de Elmano.
Noutras como Nicodemos,
no som de um sax.
Nos sonhos dos nossos encontros,
ele sempre baixa, e eu fico feliz,
mesmo quando me acha “babaca”.
Esteve no Cariricaturas desde o início...
Ele nunca abandonou os amigos
E o seu carinho abraça a nossa alma.
Essa liberdade
Essa liberdade
da qual não abro mão
Me depara contigo
sempre que me afasto.
Essa alma que nunca foi tua
É vadia, mas vive cega
tateando a tua ...
Lágrimas não vertidas
Ficam invertidas no fundo do nada
Fertilizam canteiros
em qualquer das praças
- Flores que alimentam formigas ...
Nos olhos do meu canto.
O perdão ,se foi feito pra gente pedir ,
nunca aprendi ...
Leio em todas as placas do invisível...
Que o amor resiste !
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Hoje foi um dia
De rosas e velas
De rezas e prosas.
Senti-me orfã
Senti-me viva.
A compreensão da vida está para a morte
Assim como
A compreensão do amor está para a vida.
Agora , nesse quase fim do dia ,
nem choro nem vela ...
Apenas uma tristeza amarga
com relação à morte que me espera.
Morrer é perder a consciência humana,
e ganhar a consciência eterna ?
Morrer é viver a inconsciência !
É ficar em tudo e
em todos pontos do universo.
Um foco maior nos atrairá
Um foco menor mantém a esperança
de reencontro e iluminação ...
"Os pecadores" permanecem em trânsito !
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