por José do Vale Pinheiro Feitosa




Viva junto à alma mais próxima e compreenda que a proximidade é a medida da distância. Que a distância que os separa é este movimento maravilhoso da matéria e da energia. A maravilha é apenas esta surpresa porque esta proximidade é tão diminuta entre os dois e é a inesperada distância.

José do Vale P Feitosa



quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Eleições do Crato ( III ) - José Nilton Mariano Saraiva



É difícil imaginar que alguém, em sã consciência e em pleno século XXI, acredite ainda que o gerir a “coisa privada” guarde alguma similaridade com o comandar a “coisa pública”. Afinal, contemplam atividades completamente divorciadas, estanques e dissociadas. 
Na “privada”, cujo universo de atuação normalmente é restrito ou direcionado a uma atividade específica, o objetivo final será sempre e unicamente o “lucro”, o crescer pra repartir o bolo com um grupo restrito (preferencialmente familiares), sem ter a obrigação de prestar contas a quem quer que seja. Já na esfera “pública”, o universo de atuação além de ser muito mais amplo, complexo e diversificado, tem no atendimento aos anseios de milhares de pessoas o seu objetivo maior, a sua meta prioritária. Em suma, na primeira vige o capital e sua falta de sensibilidade, enquanto que na segunda deve prevalecer o cuidado com o social, o olhar preferencial nas pessoas. Portanto, não têm nada a ver uma coisa com a outra.
A reflexão acima é só para lembrar que, nas eleições recém-findas, lá no Crato, o candidato vencedor usou como mote principal para se credenciar ao cargo de prefeito da cidade, o fato de ser um empresário vitorioso do ramo cerâmico. Inclusive, justiça lhe seja feita, a Cerâmica Gomes de Matos, de sua propriedade, em sociedade com um dos irmãos (especializada na produção de tijolos, lajotas e telhas) foi a primeira empresa a usar o crédito de carbono no Nordeste. O crédito de carbono, como se sabe, é uma espécie de moeda ambiental trocada por projetos que promovem a redução do despejamento de gás carbono na atmosfera. Nos anos de 2007 e 2008, a Cerâmica Gomes de Matos vendeu R$ 1,3 milhão de crédito de carbono ao Banco Mundial, deixando de emitir 114.000 toneladas de CO². Portanto, uma mente plugada nas transformações do dia a dia, o que já é um alento.
Mas, retomando o fio da meada, a verdade é que o povo do Crato (aleluia, aleluia), percebendo o estrago patrocinada por 08 anos de uma administração caótica, sem norte e desprovida de qualquer apoio político, ficou tão decepcionada, frustrada e desiludida por ver a cidade no fundo do poço, que achou por bem esquecer as diferenças entre o privado e o público e jogar todas as suas fichas num empresário de sucesso, acreditando que ele poderá levar para a prefeitura os mesmos conceitos, dinâmica e atitudes adotadas em sua empresa particular. Um autêntico “salto no escuro”, já que indo de encontro à racionalidade que viceja nos campos público e privado.

O momento tomando emprestado as lentes de Pachelly Jamacaru - José do Vale Pinheiro Feitosa


Escrevendo para alguns que ainda leem os blogs da cidade minha mente se atrai pelo território, que é sua geografia, mas, sobretudo gente. Faz calor, daqui a pouco vou à missa de um ano pelo ex-ministro da saúde Wilson Fadul. Sem religião e sem explicar tudo por uma causa única, tenho, no entanto, o comum entre nós como escala para minhas próprias medidas. Assim como uma carta de Einstein, denominada a Carta de Deus, isso por que objeto de leilão desfazendo toda religiosidade que diziam ser ele nestes “cavalos-de-pau” que mensagens dão sobre os fatos e a realidade.

Portanto sou tão religioso quanto não o sou. Assim como meus olhos brilham com a rebeldia, com a iconoclastia e exposição de certa luz sobre a falsa moralidade, igualmente se fixam na retidão moral de quem adota um caminho como marcha e mantém uma convicção honesta sobre a paisagem que se move neste seu caminhar. Sendo assim me é detestável, na medida das minhas próprias mediocridades, a manipulação de ideias em palavras e obras apenas para jogar fardo sobre os ombros dos outros. Abraço aos dois primeiros e tendo a espiar a vulnerabilidade moral destes terceiros.

Como a gravidade funciona neste momento a lembrança de um conterrâneo que me veio foi a de Pachelly Jamacaru. Atento ao outro, pacato no explicar-se e duro no expressar suas convicções. Não que seja impossível desconsiderar o conteúdo de suas mensagens, em outras palavras, debatê-las e com ou sem razão maior discordar delas. Não me refiro ao conteúdo, pois o importante do compreender o mundo não é a lavra do cascalho, mas a narrativa que se tem sobre a jornada. Pachelly expressa esta narrativa com tanta força em sua fotografia, na sua poesia e na sua canção que a fronteira provinciana de outros conterrâneos se falseia como a Linha do Equador.

Então a gravidade conterrânea se faz com o julgamento sobre o Julgamento do Mensalão. Muito pelos juízes e mais ainda pelos cínicos a jogar seus fardos sobre os ombros pesados de quem os juízes já condenaram. E como cito nomes passo à lista: Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Senador Dias como outros dias poderão vir ou tudo se resumir ao seletivo “mar de lama” do Lacerda com seu dique a proteger a UDN. A narrativa da jornada e o apreciar a paisagem não significa parar de julgar e apenar erros, mas ao contrário, abrir o leque para rever o processo que induz ao erro. A Justiça não existe para perseguir pessoas, categorias coletivas ou culturas, ela existe para sustentar os valores da civilização e isso se faz mudando processos, como, por exemplo, o enorme peso financeiro dos custos nas campanhas eleitorais. Ou nós os Cratenses estamos tão cegos que não acabamos de enxergar nas nossas ruas o volume descomunal de dinheiro gasto nesta recente campanha eleitoral?  

E quando entro no blog do Pachelly e a narrativa do seu mundo capturada momento a momento, associo ao volume descomunal da vida em suas incongruências e nos perigos da história. Noam Chomsky acaba de denunciar a omissão dos dois principais candidatos à presidência dos EUA: a destruição do meio ambiente, especialmente com o degelo irreversível do gelo de verão no ártico e a iminência de uma guerra nuclear na esfera tensa do Oriente Médio. O cinismo é parte da cegueira histórica desta era.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Um Corcovado de Encandear - José do Vale Pinheiro Feitosa


A Estátua do Cristo Redentor implantada de braços abertos sobre o cume do Corcovado quase brilha na manhã de luz destas matinas cariocas. Brilha tanto por sua visão direta assim como pelas bordas laterais do olhar. No sopé do Corcovado quem lá se encontra tem a imagem alongada das alturas daquela ordem que ali implantou o símbolo.

Nesta soleira da vida quando tudo começa a acontecer, Chico anima-se a comentar a seu respeito uma vez sabendo que certo Potiguar, morador de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, nem sabia em qual município nascera embora o pai ainda more por lá. Uma família nuclear definitivamente afastada da paralaxe patriarcal do seu velho nordeste.

Chico com riso na fronteira entre o crítico e o humorístico dizia: e eu nem conheci meu pai. Nem sei quem é o desgraçado. Minha mãe embuchou e me teve no mato quando foi urinar numa moita. Ela veio para o Rio e fui criado pela minha avó e tios. Aquele desgraçado bem merecia umas pedradas da vida.

Quando o resto da família resolveu vir para o Rio, ocupou metade de um Itapemirim. Comendo mortadela com pão. Mais que fartura e luxo sem pecado que a rodagem me deu na vida. Antes era uns passarinhos, um tejo, algum preá, quem sabe um peba ou algo que se mexia no chão, nas lagoas ou nos ares das matas.

É mesmo. A melhor comida é aquela que afoga a fome.

Um tempo mais tarde. Um pouco mais embaixo, mas ainda na base do Corcovado, Rua Jardim Botânico, número 216, bloco B uma loja de material de construção. Na rua movimentada com trombos de enfartamento um caminhão clássico, boleia e carroceria de madeira, carga pela metade, com metade dos pneus amassando a calçada e pessoas descarregando sacos de cimento para suprir o estoque da loja.

Um homem negro, um pouco menos que um metro e setenta de altura, ia da carroceria até a entrada da loja carregando de uma só vez quatro sacos de cimento. O olhar aflito encontra o peso de cada saco marcado no papel: 25 Kg. Imediatamente o cérebro faz o cálculo da visão: ele carrega sobre a cabeça, amassando a coluna, 100 Kg de cimento que erguerá as paredes domiciliares desta escravidão secular.

O olhar explode nas cordas vocais enquanto as pupilas se comunicam com ele: 100 quilos na cabeça?

Um leve balançar afirmativo e marcha para terminar a tarefa.

Eram os últimos movimentos, ele entra na loja para conferir e transacionar a papelada em moeda ou promissórias. Enquanto isso o outro trabalhador do caminhão se aproxima, turvo de cimento, camisa de mangas compridas a protegê-lo da corrosão do material. Mas os pés quase haviam se transformado num próprio cimentado.

Por último, o Redentor ainda permanece na cimeira do Corcovado, o homem, o rosto inteiramente suado se aproxima e diz:

Já tive muito dinheiro. Tudo dinheiro ilegal e gastei sem me dar conta. Hoje gasto com prudência o sacrifício de ganhá-lo.

E quantos anos tu tens?

Cinquenta anos!

E este peso não provoca dores no pescoço?

Doer dói. Mas a gente faz alguns movimentos e ele alivia. É preciso desconectar-se da dor no pescoço.

Desconectar da dor de viver hoje como nas galeras romanas e ou nas senzalas.    

Eleições do Crato ( II ) - José Nilton Mariano Saraiva



Se a própria Constituição Federal reza que qualquer cidadão brasileiro, a partir de certa idade, tem o direito de pleitear e concorrer ao cargo maior do Poder Executivo – a Presidência da República – evidentemente que, em se tratando dos “Estados” e “Cidades” que compõem a “República”, qualquer cidadão também se acha habilitado a concorrer aos cargos de Governador e Prefeito, respectivamente.
Pois bem, Raimundo Bezerra Filho foi, durante quase todo o período (08 anos) em que a cidade do Crato foi comandada pelo atual chefe do Executivo, um vice-prefeito fiel, obediente, leal, operante e discreto, porquanto alimentava o sonho de um dia dirigir a cidade que o pai houvera dirigido anos atrás.
Mas, aí, com a proximidade do fim do mandato e a chegada do período legal de indicar para o cargo alguém de confiança para concorrer à sua sucessão, o prefeito da cidade houve por bem, certamente que depois de consultado o “grupo palaciano” (familiares e pessoas mais próximas), isolar de vez, dá um chega pra lá no seu vice, Raimundo Bezerra Filho, num sinal claro de que ele não fazia parte dos seus planos, não merecia sua confiança.
Traído espetacularmente, Raimundo Bezerra Filho não se fez de rogado e, deixando de lado a discrição e o recato, saiu atirando pra todos os lados: que nunca houvera sido consultado sobre se desejava ou não concorrer, que houvera sido vítima de uma traição inominável, que existia na administração um “grupo familiar” que não admitia largar o osso em hipótese alguma e, enfim, que se sentia traído por aquele a quem tanto fora fiel.
Hoje, Raimundo Bezerra Filho prepara-se para retornar ao cargo de vice-prefeito da cidade, já que compôs a chapa vitoriosa. Deve estar se sentindo muito bem e à vontade, já que o seu superior hierárquico, prefeito eleito da cidade, Ronaldo da Cerâmica, lá atrás houvera abandonado o partido do Prefeito (PSDB) por falta de espaço.
Como se vê, a traição em dose dupla foi vingada também duplamente. Além do que, a “visão futurista” do atual prefeito ficou por demais comprometida, evidenciando o “porquê” do Crato ter ido ao fundo do poço e se achar na situação caótica em que se encontra.  

Eleições do Crato ( I ) - José Nilton Mariano Saraiva



Se alguém (mesmo o mais empedernido dos áulicos) tinha algum resquício de dúvida sobre a total desaprovação e o completo desapontamento da população do Crato para com aquele que esteve à frente da municipalidade nos últimos “loooooongos e quase intermináveis” oito anos, agora, definitivamente, não mais deve ter: a expressiva votação de um quase desconhecido (senhor Ronaldo da Cerâmica) e a acachapante maioria deste sobre o candidato oficial (Dr. Cícero) é a prova insofismável e definitiva de que, além de arrasar a cidade em todos os aspectos, provocar-lhe um caos incomensurável, isolá-la politicamente das esferas de poder superior e jogar a auto-estima dos munícipes lá pra baixo, o prefeito do Crato literalmente sai pela porta dos fundos, ao sofrer tão humilhante e fragorosa derrota.
Como nada é mais triste que a melancolia e a solidão do pós-poder, por parte daqueles que não conseguiram o reconhecimento da população, S. Excia. deve está, num sussurro, indagando lá com os seus botões: pra que fui me meter numa atividade para a qual nunca tive nenhuma vocação ???

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Calor Térmico/Calor Humano. Por Liduina Belchior.

O primeiro é aquele que deixa o ser humano extremamente "arreliado" porque a temperatura é quente demais, tudo acontece em excesso: banho, água ingerida; o sono é agitado, a pessoa se cansa com facilidade e se irrita á toa. O humor, por conseguinte, oscila; as plantinhas sofrem, aumenta o número de formigas, a água da torneira sai quente e... haja protetor solar! É o famoso calor do BRO! Mas não há necessidade de tanta reclamação, pois novembro chegando, vem a chuvinha do caju, em dezembro vem a do pequi e chegando janeiRO, tudo melhora., pois vêm as chuvas do inverno e o calor alivia, que é uma beleza! Já o calor humano, este não é determinado pelo fator climático, mas pelas nossas inferências e experiências internas. Um dia estamos bem, outro mais ou menos e outros, até ruim. São as intempéries da vida. Prestemos então, atenção especial ás mudanças de estado d'alma. Deus nosso Pai, tem algum propósito para nós. Procuremos desvendar esse mistério Divino e pensar junto com Ele. As tribulações vêm e voltam, como as alegrias, voltam e vêm. Nada demora a vida toda. Todavia, aproveitando o espaço, desejo a mim e a vocês, um excelente momento de calor atmosférico, como também, um belo instante já, de calor humano. Vamos viver, vamos viver!

A morna morte? - José do Vale Pinheiro Feitosa


Os blogs do Crato estão morrendo? Com terço nas mãos no meio da noite? Um silêncio eleitoral quando se clamam por vozes, eles se calam. O que seria uma vanguarda e um painel de ideias distintas se tornou um cantochão litúrgico? Afinal os espíritos também admitiram a mortalidade tão certa e enrijecida quanto uma fábrica de cerâmica? Isso reflete o tempo político-eleitoral da cidade?

Entre as cidades da região, Juazeiro e Barbalha e comparativamente a Sobral o resultado das eleições para vereador mostra o perfil mais frágil em termos de liderança nos resultados auferidos nas urnas do Crato. Com uma câmara de vereadores composta por 19 eleitos, a metade dos eleitos representa o percentual mais baixo em relação ao total de votos válidos: Crato tem 20,05% (dos 9 para 19 eleitos), Juazeiro do Norte 26,61% (dos 10 para 21 eleitos), Barbalha 29,19% ( dos 7 eleitos para 15 eleitos) e Sobral 29,24%. O vereador do Crato que teve mais votos auferiu 2,9% dos votos válidos, enquanto em Juazeiro o mais votado teve 3,54%, em Barbalha 5,89% e Sobral 4,3%.

Mas isso reflete um passivo político conservador, oligárquico, dirigindo a administração e a política para o mesmo grupo de famílias e agentes econômicos. Junto com setores remanescente do poder rural, do comércio de varejo e uma religiosidade tão avessa a mudanças igual foi no passado, a cidade efetivamente parece desidratada em passado, mas não necessariamente em futuro.  

Claro que o enumerado não explica tudo, mas serve de guia para pensarmos o futuro como algo que pode ser diferente. A eleição desse ano não mostra nada de mudança nos resultados de ponta, mas efetivamente não aponta um novo tempo. É um resultado meramente “administrativo”, mas de um significado político surpreendente. Ganhou a proposta do “bom administrar” por efeito de comparação com o “ruim administrar”.

Mas o problema não se encontra em administração, o problema é efetivamente político. Como superar as enormes diferenças com relação aos bairros populares, aos distritos, ao enorme impacto ambiental, especialmente nas bacias hidrográficas, a pressão sobre as bordas da APA Araripe, a extração de mineral, o consumo de madeiras, as fontes de água e agora o impacto sobre a paisagem que se preparam com empreendimentos de usinas eólicas.

O bom administrar trás a marca do resultado que é fácil de extrair em empresas, mesmo que em ambiente de concorrência. Mas na vida real das pessoas o resultado é como direcionar recursos inelásticos para rapidamente nivelar as diferenças abissais entre bairros de ricos e bairros de pobres como a Batateira? Então aí é que o modismo administrativo vai esgotar-se em contradições: os compromissos com a estirpe empresarial aponta o que todo conteúdo privado aponta: para quem pode pagar. O exemplo da nossa SAAEC fugindo do bem comum e da cota social, foi bem típico desta verve por resultados.

Enfim, os blogs não estão mortos, a cidade não está morta e na contradição entre ricos e pobres, distritos e sede da cidade e entre bairros populares e o centro bem atendido, reside o futuro. Onde a cidade pode se reconstruir como opção política e como mobilidade social.  

Enquanto o Baião esquenta pra ser servido

Amigos do Cariri,
Mais uma faixa do Baião de Nós pode ser entreouvida, neste miniclipe.
O vídeo é só uma prova, mas abaixo dou a ficha completa.



Click zap

(Paulo Costa/Tiago Araripe)

Muita mensagem não vale um click
muita notícia não resiste ao zap
ainda ontem eu estava triste
entrei no vupt e saí no vapt

Muita coisa não vai nem em zip
muita bomba não passa de traque
ainda há pouco escapei da gripe
que bom que é não viver no Iraque

Eu estou bem aqui no Recife
pra ser feliz eu não preciso claque
não adianta vir com dedo em riste
a sua raiva eu sei é de araque

Eu tenho dito
tenho dito, tenho dito
não é só com palavras
que a gente faz bonito

Eu tenho dito
tenho dito, tenho dito
não vem com blá-blá-blá
pensando que acredito

Sou campeão de deletar e-mail
e de pôr um freio no que me aborrece
porque a vida é o que acontece
enquanto a gente vê TV ou está na internet

Eu estou bem na Serra do Araripe
pra ser feliz eu não preciso claque
não adianta vir com dedo em riste
a sua raiva, eu sei, é de araque

Eu tenho dito...
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Voz: Tiago Araripe
Baixo: Fernando Nunes
Guitarras: Juliano Holanda
Bateria: Rafa B
Teclados: Esdras dos Anjos
Percussão: Gilu
Vocais: Clarissa Araripe e Paula Machado
Arranjo de base coletivo
Arranjo de metais: Ivan do Espírito Santo
Sax barítono: Ivan do Espírito Santo
Trumpete: Roque Netto
Trombone: Nilsinho Amarante